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quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Filinto Elísio - soneto

* Filinto Elísio

Estende o manto, estende, ó noite escura,
enluta de horror feio o alegre prado;
molda-o bem c’o pesar dum desgraçado
a quem nem feições lembram da ventura.
-
Nubla as estrelas, céu, que esta amargura
em que se agora ceva o meu cuidado,
gostará de ver tudo assim trajado
da negra cor da minha desventura.
-
Ronquem roucos trovões, rasguem-se os ares,
rebente o mar em vão n’ocos rochedos,
solte-se o céu em grossas lanças de água.
-
Consolar-me só podem já pesares;
quero nutrir-me de arriscados medos,
quero saciar de mágoa a minha mágoa!

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Filinto Elísio - Tem a Virtude o Prémio

* Filinto Elísio


Tardio às vezes, sempre merecido, 
    Tem a Virtude o prémio aparelhado 
    Ao profícuo talento, ao peito honrado, 
    Que do dever o stádio tem corrido. 

O Sábio, que dos louros esquecido 
    Só no obrar bem os olhos tem cravado 
    Inópino também se acha c'roado 
    Por mãos sob'ranas c'o laurel devido 

Útil à Pátria seja, as paixões dome, 
    Seja piedoso, honesto, afável, justo; 
    Que no futuro o espera ínclito nome.» 

Assim falou Minerva ao Coro augusto, 
    Pondo no Templo do imortal Renome, 
    De glória ornado, o teu prezado Busto. 

Filinto Elísio, in "Sonetos" 

Filinto Elísio - Ode ao Senhor Doutor António Ribeiro Sanches




* Filinto Elísio

Que importa, oh Sanches, que hajas escrutado
Do Numen de Epidauro altos segredos
Se has-de toccar (um pouco mais tardîo)
A meta inevitável?

Em vão, co'a luz do Hypocrates moderno
No sanctuario entraste da Natura;
A segadoura foice não se embota
Com morredoras hervas.


Sobre Ribeiro Sanches ver http://www.estudosjudaicos.ubi.pt/rs_biografia.html