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quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Fumar ou não fumar (3) - Estado do Sítio - Estão todos loucos


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António Ribeiro Ferreira, Jornalista

A sequência de disparates sobre a lei fundamentalista contra o fumo mostra que o sítio caminha rapidamente para a loucura total.
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O espectáculo é extraordinário, digno deste sítio cada vez mais sujo, cada vez mais pobre, cada vez mais perigoso e, claro, cada vez mais mal frequentado. Com a entrada em vigor da lei fundamentalista, higiénico-fascista, contra os criminosos que fumam e são responsáveis pela morte de uma grande parte da Humanidade, os responsáveis, pequenos e grandes, deste sítio entraram numa espiral de disparates e trapalhadas digna de uma qualquer República das Bananas com muitos bananas pelo meio.
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Primeiro foi o inspector da ASAE a fumar no Casino Estoril. Segundo foi a polémica se era ou não proibido fumar nos ditos. Terceiro foi o monumental embaraço de políticos e não só por estarem a atacar diversos grupos empresariais, com Stanley Ho à cabeça, a quem muito devem e a quem têm de prestar reverenda e respeitosa vassalagem por muitos e bons anos. Quarto foram os senhores deputados da Comissão de Saúde, liderados pela socialista Maria de Belém, uma das que foi ouvir Woody Allen ao casino da cigarrilha do inspector da ASAE, a não saberem exactamente o que é que afinal tinham aprovado com pompa e circunstância na Assembleia da República. Quinto foi a decisão tomada pelos excelentíssimos representantes da Nação de ouvir o senhor director-geral da Saúde e uma tal comissão consultiva da lei do tabaco para esclarecer as dúvidas sobre a lei que eles próprios fizeram.
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Sexto foi o episódio do senhor director-geral da Saúde atirar para cima de uma Agência para a Energia a responsabilidade de fiscalizar as catacumbas usadas pelos criminosos fumadores para ver se a qualidade do ar é suficientemente boa para não matar empregados, ratos e baratas que trabalhem e circulem por esses antros de vício e perdição. Sétimo foi o espanto da dita Agência por ter sido responsabilizada pelo senhor director-geral da Saúde por tão nobre tarefa. Oitavo foi a conclusão tomada sabe-se lá por quem de que, afinal, as características dos tais exaustores de alta tecnologia e elevado preço que a lei obrigava as proprietários das catacumbas a instalar ainda não estavam definidas e devidamente regulamentadas e que os fiscalizadores, por enquanto desconhecidos, só iriam atacar para o ano.
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É evidente que esta sequência de disparates sobre a lei fundamentalista contra o fumo mostra que o sítio caminha rapidamente para a loucura total. Já é pobre, atrasado, está na cauda da Europa e ainda por cima é governado por um conjunto de senhores e senhoras que estão a dar sinais evidentes de insanidade mental e que manifestamente precisam de fumar um cigarro antes que seja tarde de mais.


António Ribeiro Ferreira, Jornalista
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Terça-feira, 8 Janeiro


- atomina
Fundamentalista é quem só pensa no próprio prazer, sem se importar com os direitos dos demais. Apesar do presente arrazoado pretensamente humorístico, ao qual só o autor deve achar piada, estou agradecida pela nova Lei, que só peca por tardia!

Segunda-feira, 7 Janeiro


- José Costa
Agora, os fumadores estão muito irritados, dizendo que a lei é fundamentalista.Por mim, a lei proíbiria o fumo em todos os locais fechados,sem excepção, como acontece na Irlanda.Para os fumadores fundamendalistas a lei tem todos os defeitos, por dar alguma protecção aos não fumadores.(Colares)

- JC
Sobre o fumo do tabaco, algo teria que ser feito. Dado o descontentamento e para que a loucura seja total e os criminosos passem a inocentes, o melhor será inverter os termos da lei: onde de lê fumadores, deverá ler-se não fumadores. Todas as leis são boas desde que não toquem nos nossos gostos e privilégios. Os outros que se lixem. Não há dúvida: o sítio está mal frequentado.

- montenegro
Sou fumador e quando a lei proibia fumar nos pavilhões desportivos, ora, como dirigente de Basket profissional, tive que me vergar á lei, nem era preciso, os proprios jogadores com 2m e 140 kg tratavam-a de impor. É o que falta ao articulista para respeitar os outros

- Henrique Alves
As trapalhadas do sistema são "entretantos". O que in-teressa são os "finalmente". Os "finalmente" é o que se vê no terreno, resultado desta lei, isto é, as pessoas deixaram de fumar em recintos fechados. Fumem à vontade "desde que" não incomodem. O "DESDE QUE" é que alguns não querem perceber e como disse um antigo guarda-redes do Benfica, não vale a pena explicar porque eles não percebem.

- Pedro André
Com o devido respeito, mas já ficou claro que o Jornalista António Ribeiro Ferreira é fumador, e sente-se bastante afectado com a Lei do Tabaco. E pelo artigo anterior que escreveu sobre este tema, já deu para notar que só pensa no seu fumo, e nao na saude de quem nao fuma. Oeiras

- Rui Ramos
Esta lei, cm todas as outras, é um negócio, meu caro. Descobre os lobis e logo verás. Sabes o q vai acontecer? Vai prosperar o negócio ds cafés e restaurantes p fumadores, vai aumentar o fumo clandestino nos WC, etc. E kem vai ser multado, kem vai? Os doutores? Os engenheiros? Ou os proletas? Tás a ver? Prepara-te q a produção vai aumentar! Lisboa

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in Correio da Manhã - 2008.01.07

Fumar ou não fumar (2) - Estado do Sítio: Fachos e bufos, Lda

Um cara ou cidadão destes merece fotografia



* António Ribeiro Ferreira, Jornalista
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Os fascismos são assim. Querem sempre pessoas puras, perfeitas, as raças saudáveis e imunes a qualquer mistura ou doença
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O novo ano vai começar mal. Muito mal mesmo neste sítio sujo, feio, perigoso e cada vez mais mal frequentado. Vai começar mal com a entrada em vigor de uma lei fascista, ou fascista higiénica, como lhe chama e bem Pacheco Pereira, que põe em causa a liberdade individual de todos os cidadãos que gostam de fumar.

O cidadão que escreve estas linhas é um deles e vai continuar a resistir a leis imbecis, fascistas, violadoras da liberdade individual. O cidadão que escreve estas linhas já resistiu à lei fascista e salazarenta das licenças de isqueiro. O cidadão que escreve estas linhas já resistiu aos bufos que denunciavam todos os que não alinhavam e contrariavam o pensamento único, politicamente correcto, dos fascistas do Estado Novo. O cidadão que escreve estas linhas está preparado para resistir igualmente aos novos bufos que vão andar por aí a denunciar como criminoso quem gosta de fumar e tem prazer em puxar de um cigarro.

Dito isto, não deixa de ser fantástico que os novos fascistas sejam tão paternalistas, tão queridos, tão generosos, tão caridosos, ao mesmo tempo que ameaçam com os fogos dos infernos os criminosos que fumam. Nesta linha de acção, as grandes, médias e pequenas empresas até estão dispostas a dar dinheiro aos trabalhadores e colaboradores que queiram mudar de vida, isto é, deixar de fumar. Imagina-se que tenham de fazer declarações sob palavra de honra, como antigamente os funcionários públicos juravam não ser comunistas. Os fundamentalistas de serviço estarão atentos. Os bufos andarão por aí para garantir a pureza da raça e o cumprimento integral da lei fascista. Se porventura alguma coisa falhar ameaçam mesmo cortar os pulsos, como o senhor director--geral da Saúde.

O ano de 2008 começa assim da pior maneira. Com mais um sinal de bestialidade, de fundamentalismo e de estupidez. Um sítio cada vez mais pobre, sem futuro, sem qualidade de vida, sem qualificação, que se aproxima a passos largos da cauda da Europa, com um Estado monstruoso, burocrático e gastador que avança agora contra os cidadãos que fumam. A história é sempre a mesma. Hoje são os fumadores, amanhã os gordos, depois de amanhã os magros e uns tempos depois os carecas e os cabeludos. Os fascismos são assim. Querem sempre pessoas puras, perfeitas, as raças saudáveis e imunes a qualquer mistura ou doença. Hitler proibia o fumo, a carne e o álcool à sua mesa. Os novos fascistas estão na mesma linha do criminoso nazi. É por isso que, do fundo do coração, desejo a todos os fundamentalistas, bufos e companhia que morram saudáveis, cheios de saúde.
António Ribeiro Ferreira, Jornalista

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31-12-2007 - 00:00:00
Curar vício custa 10 m ilhões » Comentários no CM on line

Sexta-feira, 4 Janeiro


- Vitor Viegas
Na opinião do sr. que assina o artigo, qualquer cidadão não fumador que devido ao mau cheiro do fumo do "vizinho" se sinta não só incomodado pelo odor, como até prejudicado devido a problemas pulmonares que tenha, se reclamar do direito que lhe assiste em não respirar o ar (em espaços fechados) que os fumadores querem também poluir, é facho e/ou bufo. Não sei se será o caso, mas supondo que o autor do artigo goste de música clássica, qual será a sua reacção se ao assistir a um concerto (que ele tem o direito de ouvir nas melhores condições acústicas), alguém presente na mesma sala, decidir perturbar o espectáculo? Será que protesta? Qual a atitude do mesmo senhor se à sua mesa ou perto, durante a refeição alguém que padeça de aerofagia não consiga controlar os sintomas inerentes a esta doença? Será que protesta? Pelos argumentos apresentados no artigo, julgo que em qualquer das situações não manifestará o seu desagrado para não ser apelidado de facho e/ou bufo. Certamente não se lembrou de, para escrever o artigo e não incomodar os colegas da redacção, levar o portátil para a praia ou para o campo e aí sim, fumar o seu cigarrinho em paz e sossego sem ser incomodado pelos bufos. Se tem filhos, fuma no quarto deles? Deixou de voar, só porque durante looongas horas está fechado num avião? Deixou de ir ao cinema? Fume, fume muito, mas fume longe, muito longe, e não confunda... A liberdade individual de quem gosta de fumar, não está em perigo. O que está realmente em perigo, é a liberdade dos que têm o direito de não respirar o mesmo ar que o sr. Um bom ano para todos.

Terça-feira, 1 Janeiro


- gabriela
Deixei de fumar em Julho/2007. Aproveitei uma grande gripe e pensei na lei que estava à porta. Não gosto da palavra "proibido" e deixei de livre vontade. Sem ajuda médica nem medicamentos antitabágicos, no meio de uma depressão. Não foi a melhor altura. Substituí os cigarros pelos doces, engordei e fiz dieta. Tudo junto. Venci. Foi muito complicado. O fumo dos outros não me incomoda.

- José Timão
Antigamente, quando os "fachos" e os "bufos" nos "marravam" (também dei uns trambolhões) a gente sabia o nome dos "animais" e até o do dono dos "toiros". Hoje, se somos "colhidos", sabe-se sempre porquê, nunca se sabe por quem. Acontece. Suspeita-se, mas a coisa fica por aí, não vá "o Diabo tecê-las". E por causa deste "apuramento" todo cada vez mais a nossa terra é a terra do "Rei Vai Nu"...

- indignada??
Falam que os fumadores deviam pagar do próprio bolso,etc etc..ora sabem qt entra para o estado por cada maço de Tabaco? 80%, ou seja um fumador ajuda na economia...e falam de respirar melhor e que o tabaco mata.. mas ninguem pensa que a pior poluiçao vem dos fumos dos carros..pois nao convem por a culpa nesses ai ne?

- Bertolino de Carvalho
Meu caro António Ribeiro Ferreira, antes de te saudar, deixa-me só acender o cigarrito, tal como tantas vezes fizémos antes durante e depois das reuniões no DN, que tão bem dirigiste.Ao ler isto, lembrei-me dos tempos em que nos mandavam para a guerra colonial e daquelas senhoras do MNF que iam ao cais levar-nos cigarros. Algo mudou, afinal para pior... Um apertado abraço.Lisboa.

- Romeu Gamelas
Recebi o feedback do Reino Unido onde medida similar foi implementada o ano passado. Os resultados são desastrosos, os fumadores passivos aumentaram exponencialmente pois se antes haviam aqueles bares cheios de fumo e fumadores, agora pela rua fora só se engole fumo de pessoas a fumar às portas. Agora avançam em medidas ainda mais fascistas de paternalismo, não só no tabaco... a liberdade foi-se.

- Antonio Matos
Eu como, bebo, fumo e faço outras coisas. E vou continuar a fazê-lo. A vida não deve ser uma viagem para o túmulo, com o intuito de lá chegar, com um corpo atraente e bem preservado. Mais vale chegar lá, com o corpo desgastado e bem usado, gritando: UAU!QUE VIAGEM!!!

- AMCF
Comenta o sr. jornalista: "que põe em causa a liberdade individual de todos os cidadãos que gostam de fumar." Pergunto eu ao sr. jornalista onde está a liberdade individual de quem não fuma? Seguramente são muitos mais.

- Graça Afonso
Discordo do Jornalista! Quem não fuma não tem que ser prejudicado com o fumo dos outros!

- Anti-hipocrisias
Nada tenho contra os fumadores, a nao ser quando se intitulam terem direitos que os nao fumadores por essa logica nao tem. Segundo, so espero que quando um fumador necessite de fazer um transplante de pulmao ou outra intervençao derivada do fumar, o faça por conta do proprio bolso, e nao sejamos nos todos fumadores e nao fumadores a ter que pagar por um "direito" e nao obrigação como eles mesmo o dizem.

- jbs
Que confusão que vai na sua cabeça, senhor jornalista! Pelos vistos esqueceu-se do essencial em democracia - a sua liberdade acaba onde começa a dos outros. E a nossa liberdade de respirar ar puro não deve ser invadida pela sua liberdade de se suicidar. É tão só isto que está em causa, respeito pela liberdade dos outros, não questões de fascismo.

- António Torre da Guia
Oh... Meu caro António Ribeiro Ferreira, tal como de imediato constata, eis a democracia a funcionar em apenas duas confrontantes opiniões: uma, sente-se suspeita do maléfico «fachismo» imperante, por que não fuma, e a outra, apoia sem reserva a denúncia da peçonha que avala e tem avalado toda a espécie de regimes políticos.No caso, eu, que fumo, mesmo que não fumasse, integro-me sem hesitar no seu voto ao novo ano: os mentores de tão «eloquentes» leis, bufos e companhia, que morram plenos de saúde de encontro a um tipo a desfazer-se de doença.

- santos
Discordo do jornalista.A liberdade individual de cada um termina onde começa a do outro.E eu quero ter a liberdade de não sofrer com o fumo do tabaco dos outros.É só isso ,mais nada.Cada um tem a liberdade de se "matar como quiser".Não sei se a lei é facista,como diz ,ou deixa de o ser.É a interpretação de cada um.Fumem na rua ou na sua casa e deixem os não fumadores em paz.

- Dionisio Louro
Comparar o direito a prejudicar a saude de quem não fuma com as vitimas de todas as ditaduras que foram assassinadas é um insulto a essas vitimas e à inteligência de todos nós Bettlach Suíça

- Bufo nº 43.768
É só rir :)

- Paulo Filipe
Uma análise diferente da nova Lei Anti-Tabaco, com a qual não concordo a 100%, porque acho que o regime dito fascista acaba por ser muito menos hipócrita do que o dito democrático, além do mais a procura do Homem Novo foi muito mais evidente e hipócrita nos regimes totalitários de esquerda e o falhanço foi muito mais sentido!!!! Chegou ao Séc. XXI, na pessoa do pseudo-heroi Fidel Castro e do seu seguidor Chavez... curiosamente em Cuba, apesar da grande preocupação com a saúde... mantém-se o cultivo do tabaco e não consta que pensem avançar com qualquer tipo de proibição!!!!!Paulo Filipe

- Fernando Laborinho
Pois o fachista agora sou entre muitos eu tambem.Vivi ate hoje e onde resido num verdadeiro gheto.Existe um unico cafe onde existe uma zona destinada a nao fumadores muitas vezes violada pelos ditos fumadores nao fachistas e que era o unico que podia frequentar.Pois senhor fumador nao fachista belo exemplo de vivencia democratica.

- Rui dos Santos
Finalmente alguem que lança uma pedra neste charco pútrido, espero é que não lhe apareça a "PIDE do Sonasol" para o importunar. Um excelente ano novo com umas belas cigarradas.

Segunda-feira, 31 Dezembro


- João de Sousa
Queria apenas acrescentar que a Europa que hoje proibe os cidadãos de fumar é a mesma que continua a subsidiar a plantação de tabaco. Se isto faz sentido, eu vou ali e já venho...

- João de Sousa

Começo por dizer que sou, por opção, um cidadão não fumador desde há mais de uma ano. Mas, neste momento e perante esta lei (fascista, como diz e bem o ARF) só me apetece voltar a fumar! Porque não gosto de fundamentalismos, nem de paternalismos. E porque tudo isto é uma tremenda hipocrisia! O tabaco mata? Mata. Mas a vida também mata.

Segunda-feira, 31 Dezembro

- Henrique Alves

O normal e natural é as pessoas não fumarem. Assim pode concluir-se que se alguém nesta matéria pode reclamar direitos, são os não fumadores. Claro que quem quiser fumar, quanto a mim, poderá fazê-lo DESDE QUE NÂO INCOMODE OS OUTROS. Vejo os fumadores a falarem nos seus direitos de uma maneira que até me parece que eles acham que é normal que os não fumadores suportem o seu fumo. H Alves-Funchal

- J. Rodrigues

Ninguém ensinou, a este democrata pela rama, aquele velho e simples princípio de que a liberdade de cada um termina onde começa a liberdade dos outros? Ainda por cima, insultar publicamente os outros que não lhe fazem mal nenhum e só desejam, pelo contrário, que não seja perigoso para eles com o seu vício, é o máximo de descaram

- JC

or mim podem fumar até os dedos, desde que não obriguem outras pessoas a fazer o que não querem: FUMAR. Os não fumadores até nem se chatearão que os pais fumadores, mesmo os menos valentões, não prescidam do "prazer de fumar" nos quartos de seus filhos, com estes a dormir ou não, ou quando os transportam em carro com janelas bem fechadas. Assim, melhor se transmitirá aquele "prazer".

- maria da fonte

A presença de fumadores nos restaurantes que frequento, discotecas, centros comerciais, etc... não me incomodam, assim como não me incomodam os, carecas,os cabeludos, os gordos, os magros etc... o que me incomoda é o fumo e bastante. Daí parecer-me bastante abusiva a comparação.

- Paulo Jacob

A lei do mercado é uma coisa muito bonita. A maioria dos establecimentos optou por proibir o tabaco. Parece-me bem. Nao sei porque carga d'agua um trabalhador tem de levar com o fumo do tabaco dos clientes. Alem disso esta lei ja foi aplicada, com grande sucesso, em paises com tradicoes democraticas muito maiores que as nossas.Porque raio havemos de ficar atras na proteccao da saude? Haja juizo

- Abel Barreto

Já reparou que o senhor apenas fala dos direitos dos fumadores? E os direitos dos não fumadores? Tenho que almoçar e gramar com o fumo do seu querido cigarro?Afinal, os fundamentalistas não são aqueles que apenas se preocupam consigo mesmos e desprezam os direitos dos outros?Tenha juízo!

- Miguel Luis

Acho de uma infelicidade atroz, para não dizer mais, comparar a nova lei sobre o tabaco, com a declaração sob palavra de honra de não ser comunista. É, quanto mais não seja, um insulto a todos quantos tiveram de passar por esses tempos e essa lei. Comparar Hitler a todos quantos querem fazer uma refeição sem serem incomodados pelo fumo do tabaco, é intelectualmente desonesto. Ass: um fumador

- DEMOCRATA

STE ARTIGO QUE POSSO COMENTAR HOJE EM LIBERDADE E VOU CONTINUAR A TER DE CERTEZA, PORQUE ELA IRREVERSIVEL, COMPARAR A ACTUAL SITUACAO COM O FASCISMO E PURA FICCAO OU UM DESCONHECIM. TOTAL DE QUEM NAO SOFREU NA PELE A OPRESSAO E A FALTA DE LIBERDADE, PORQUE NAO UM COMENTATARI. CITANDO OS PREVILEGIOS QUE FORAM TIRADOS A ALGUNS QUE TRABAL. METADE QUE A MAIORIA DOS PORTUG. OU ERAM REFORM.AOS 50 ANO

- Carlos

Completamente de acordo e nunca fumei. Agora pergunto ,quando os custos sociais da obesidade forem astronomicos obrigam-se os gordos a passar fome ou fecham-se as multinacionais de comida deindustrial de plastico?

- Aníbal Duran Costa

Senhor Ferreira. Sendo contra os fundamentalistas, também usa uma linguagem fundamentalista em sentido inverso. Também eu fui fumador e hoje rio-me de mim próprio, como pude ser täo estúpido durante tanto tempo. A minha liberdadade acaba quando a sua começa e vice- versa. Nem a lei deve exagerar, nem o senhor. O senhor deve ter o direito de fumar e eu devo ter o dreito de näo ser incomodado.

- Zé Paga

Quando as medidas tomadas agradam ou servem a maioria, serão boas!!! Neste caso, é preso por ter cão e preso por não o ter. Só é pena que não haja legislação que obrigue o fumador a pagar, integralmente, nos serviços de saúde, todas as despesas com doenças resultantes do acto de fumar. Isso contribuiria para uma responsabilização do fumador. O mesmo, seria de aplicar aos vícios de álcool e drogas.

- Portugal é Nosso

E na Tropa como é? O soldado vai chamar a atenção ao oficial por estar a fumar dentro da sala de trabalho? Coitadinho! O Oficial "cai em cima dele" com o RDM e CJM. Coitadinho do soldado que nem liberdade de expressão tem!

- Pedro André

Bom artigo! Mas pode ter a certeza que se eu estiver a jantar ou a lanchar ao seu lado, e se voce puxar de um cigarro, eu vou ser o primeiro a chamar-lhe varios nomes desagradáveis, alem de o denunciar ao responsável do local. Quem fuma não tem respeito pelos demais cidadãos, e eu estou farto de estar num café a ter de respirar o fumo dos outros! Se não há respeito intrinseco, que hajam leis!

- rui ramos

Criação de 150 mil novos empregos? Na «mouche»: 150 mil «fiscais» de fumadores. Q bebam muito, q se droguem, q façam negócios ilícitos, q violem filhas, «no problem». Isto é mais um negócio. Quem vai ganhar com isto? Eis a questão.Lisboa

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

A doente que morreu em Aveiro já percebeu a política do ministro da Saúde


Entrevista CM: José Manuel Silva
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* António Ribeiro Ferreira
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José Manuel Silva, bastonário em exercício da Ordem dos Médicos, afirma que José Sócrates é quem manda na Saúde, diz que a doente que morreu na Urgência do Hospital de Aveiro já percebeu as medidas e a política do ministro da Saúde e não tem dúvidas em dizer que o Serviço Nacional de Saúde está a ser destruído. Em nome de um perigoso pacto de regime entre o PS e o PSD para garantir os investimentos privados.
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Correio da Manhã – Como é que está a correr esta experiência de bastonário em exercício?

José Manuel Silva – É uma experiência interessante. Aliás, para mim, todas as experiências novas são interessantes. E esta é uma posição nova, inesperada, temporária, que eu estava bem longe de imaginar que teria de viver. Mas, como tudo na vida, gosto de desafios e este é um desafio que encaro com empenho, com satisfação e com vontade de representar condignamente os meus colegas.

- Há colegas seus que o elogiam muito, dizendo que o senhor tem sido fogo. O ministro da Saúde, pelo contrário, diz que o senhor é um incendiário por ter ido à Anadia mostra-se contra o fecho da urgência local. Em que ficamos?

- Acho que nem uma coisa nem outra. Eu sempre levei tudo a sério na vida e como tal encaro de forma séria este papel em que me investiram temporariamente. E se, por coincidência, me delegaram competências, que são difíceis e pesadas e que são extremamente responsabilizadoras, num período de grande agitação na área da Saúde, naturalmente eu não podia atravessar este período em silêncio, tinha de responder à situação. Eu não fui à procura de incêndios, não fui à procura de fogos, nem de bombeiros, nem de problemas. As questões foram levantadas por quem manda na Saúde em Portugal e a resposta, julgo eu, tinha de ser esta.

- Quem é que manda na Saúde em Portugal?

- É o primeiro-ministro José Sócrates. É ele que manda.

- O ministro da Saúde não tem nada a ver com esta política?

- O ministro da Saúde limita-se a cumprir o programa do Governo. É um de muitos ministros que se sentam à mesa do Governo. Mas quem de facto manda, que dá as orientações, é o primeiro-ministro. Não pode ser de outra maneira. Mal seria que cada ministro fizesse aquilo que lhe apetecia ou que lhe desse na real gana. O coordenador e a pessoa que tem a última palavra na definição das políticas de todas as áreas é naturalmente o primeiro-ministro. O responsável é o primeiro-ministro. Aliás, se o primeiro-ministro não caucionasse, não se revisse na política de Saúde naturalmente já teria substituído o ministro ou ter-lhe-ia dado indicações para proceder de outra forma e implementar outra política.

- O ministro da Saúde concorda com o que está a fazer. Caso contrário já teria apresentado a sua demissão, não acha?

- Obviamente. Repare. Não quer dizer que tenha de concordar com tudo. Porque eu acho que quem se arroga ter grandes conhecimentos na área da Saúde não estaria a fazer certas coisas. Não compreenderia que fossem feitas por algum especialista na área da Saúde. Nomeadamente aquilo que tem sido objecto de maiores polémicas nos últimos dias, que são os encerramentos de forma totalmente desenquadrada das restantes reformas da Saúde e sem que as outras reformas da Saúde estejam a produzir resultados.

- Há qualquer coisa de errado nisso tudo?

- Há qualquer coisa de errado. E tanto que está errada que tem tido consequências que têm sido veiculadas na comunicação social.

- Situações graves para as pessoas?

- Obviamente. E com outros casos que felizmente não chegam ao conhecimento da comunicação social...

- Porque não acabam em mortes?

- Exacto. Mas que nós sabemos que existem no terreno. E, naturalmente como médicos, essencialmente como médicos, e acima de tudo, dentro da nossa posição institucional na Ordem dos Médicos, mas também como médicos individuais, como provedores dos doentes e das populações, não podemos deixar de denunciar as consequências e de chamar a atenção para a necessidade de implantar situações diferentes. E para a necessidade do percurso das reformas ter de ser feito de forma distinta.

- O ministro da Saúde diz que em poucos meses todos vão perceber a justeza das reformas em curso, nomeadamente dos encerramentos de urgências e SAP. É tudo uma questão de tempo? Ou é uma posição arrogante do ministro?

- Infelizmente, e mais uma vez, enfim, com todo o respeito pela situação, a doente falecida nas urgências do Hospital de Aveiro já compreendeu as medidas do senhor ministro. Não volta à urgência.

- Começa a ser uma situação dramática?

- Obviamente. Sabe. Contra factos não há argumentos e contra realidades não há teorias. Todos nós, que estamos a trabalhar no terreno, todos os que acompanham o que se passa no terreno, vêem que as coisas estão a piorar. Nomeadamente os doentes. Vão melhorar daqui a dez anos, daqui a cem anos? Não sei. Agora, neste momento, as coisas estão a piorar e eu não vejo qualquer indício que possam melhorar no futuro.

- Porquê?

- Porque não estamos a assistir a um plano integrado de reformas. Estamos a assistir à aplicação de medidas casuísticas. Se nos cingirmos às questões práticas dos últimos dias, vemos a aplicação de um relatório apenas na vertente dos encerramentos e não na restante e, ainda por cima, relatório esse que tem aspectos que são por nós criticados. Independentemente do valor, da competência e do respeito que temos pelos colegas que o elaboraram, que não está em causa. Mas, obviamente, se este relatório tivesse sido submetido a uma apreciação prévia da Ordem dos Médicos se calhar o resultado final teria sido diferente.

- Muito diferente?

- Claramente. Porque as críticas que temos feito ao relatório teriam sido feitas no momento exacto e teriam levado a modificações em diálogo com os colegas que o elaboraram. E sabe que o relatório parte de um princípio errado.

- Qual?

- Parte do princípio de que tudo o resto funciona bem. Ora como tudo o resto não funciona bem tem de haver desequilíbrios, tem de haver consequências infelizes. Se tudo o resto estivesse a funcionar bem, se calhar a implementação do relatório seria menos polémica. O próprio relatório diz que ele tem de ser enquadrado com a rede de emergência pró-hospital que não existe. O relatório tem de ser enquadrado com uma rede de referenciação dos doente urgentes, que não existe. O relatório parte do princípio que os centros de saúde dão a resposta adequada às necessidades das populações e não dão.

- O relatório fala numa situação ideal que não existe na realidade?

- Obviamente. Claro. Parte desses pressupostos. Como os pressupostos não se verificam no terreno, naturalmente que os desequilíbrios e as disfunções estão a ser agravantes.

- Como estas reformas são feitas de costas voltadas não só para a Ordem mas também para os médicos? Já não falo nas populações.

- Essa pergunta terá de ser feita ao senhor ministro da Saúde e mais uma vez ao senhor primeiro-ministro José Sócrates. A única coisa que eu posso dizer é que pela nossa parte, Ordem dos Médicos, estamos sempre disponíveis para prestar o nosso apoio e a nossa consultadoria técnica a qualquer Governo, a qualquer ministro ou a qualquer primeiro-ministro de Portugal. Assim nos queiram ouvir. Assim nos encarem como um parceiro com competências que se calhar outros não têm e convivências que outros não têm e queiram ouvir-nos e dialogar connosco sem qualquer reserva intelectual.

- E isso não tem sido feito.

- Não tem sido feito. E como somos impedidos de prestar esse apoio técnico, que é uma das funções nucleares da Ordem dos Médicos, a única coisa que podemos fazer é chamar a atenção e dizer atenção este não é o melhor caminho por isto e por isto. Nós não estamos contra nada. Nós estamos a favor dos doentes, do Serviço Nacional de Saúde, da qualidade da medicina que praticamos com os nossos doentes.

- Não há o risco de as populações se virarem contra os médicos?

- Repare. Quando estamos na ribalta das questões da Saúde é natural que algumas pessoas possam achar que os médicos têm a sua quota-parte de responsabilidade nos problemas do Serviço Nacional de Saúde. Encaramos isso com naturalidade. Agora a verdade é que nós, em termos pessoais e em termos colectivos como Ordem dos Médicos, estamos obviamente interessados em contribuir para a melhoria do sistema. Porque quem vai para médico é porque tem um determinado tipo de vocação. E a vocação é ajudar as outras pessoas, sem deixar de ser um ser humano, com os mesmos defeitos e qualidades de qualquer outra pessoa. Nós somos seres humanos como os outros. Temos é uma vocação e a vocação é tentar ajudar os outros na saúde e na doença. E com isso temos naturalmente a nossa retribuição por sentirmos que, de alguma forma, fomos úteis às outras pessoas. Aquilo que nós gostaríamos é que o Serviço Nacional de Saúde, em particular, e o Sistema Nacional de Saúde pudessem proporcionar aos doentes a máxima qualidade, o máximo conforto, o melhor estado de bem-estar físico, psíquico e social.

- Mas nem sempre é assim.

- Nós não queremos de forma nenhuma escamotear realidades. Tal como em todas as profissões, existirão pessoas com maiores e menores conceitos éticos, com maiores e menores sentidos do cumprimento das responsabilidades. Mas se há esses casos, naturalmente devem ser analisados e deve actuar-se em conformidade. Nós, como Ordem, temos o máximo interesse em separar o trigo do joio. Agora, também temos uma noção que é muito maior o ruído do que a realidade. E também temos a noção de que basta às vezes uma pequena crítica, uma pequena situação que é propalada pela comunicação social para facilmente toda a gente confundir a parte com o todo. Nós não temos qualquer dúvida de que 99 por cento dos médicos cumprem as suas obrigações. Haverá, como em qualquer outra profissão, quem não faz da mesma forma. Mas nessas situações temos de actuar pontualmente sobre elas. E nós estamos aqui também para dar o nosso contributo nesse sentido.

- Às vezes diz-se que os médicos se protegem uns aos outros.

- Não é verdade. Recentemente, em relação a um colega que passou uma certidão de óbito que veio a provar-se que era falsa, a penalização imposta pela Ordem dos Médicos foi muitíssimo mais grave do que a penalização imposta pelo tribunal. O que demonstra que a Ordem dos Médicos é rigorosa. Agora também há da parte do poder político um interesse em fragilizar o prestígio que a profissão tem junto das populações.

- A condição social dos médicos?

- Exactamente. Mas apesar de tudo, apesar de todas as críticas, e nós encaramos todas as críticas de forma positiva, a verdade é que no último inquérito feito à população sobre as classes profissionais os médicos continuaram a ser a classe profissional de topo em termos de respeito e consideração por parte da população. Eu acho que isso é extremamente significativo. E quando as pessoas são inquiridas individualmente sobre o conceito que têm, nomeadamente na medicina geral sobre o seu médico de família, a esmagadora maioria está satisfeita com o seu médico de família.

- O ministro da Saúde diz que está a salvar o Serviço Nacional de Saúde. A Ordem e os médicos dizem que as reformas estão a arrasar o Serviço Nacional de Saúde. Quem tem razão? Quem fala verdade?

- Não seria de esperar que, de qualquer Governo, viesse uma afirmação no sentido de destruir o serviço Nacional de Saúde. Aquilo que o Governo diz di-lo por razões políticas e quase por obrigação política. Não pode dizer que está a fazer as coisas erradas. Tem de dizer que está a fazer as coisas certas. Quem está no terreno, quem conhece os problemas da Saúde, quem se preocupa e analisa as coisas para além da demagogia política, não tem quaisquer dúvidas que o Serviço Nacional de Saúde está a ser progressivamente destruído. E mais. Eu considero até que existe neste momento um perigoso pacto de regime na área da Saúde.

- Pacto de regime entre PS e PSD? Secreto?

- Repare. Se nós assistimos ao facto dos grandes grupos económicos estarem a investir milhares de milhões de euros na área da Saúde e esperam naturalmente ter o mesmo nível de retribuição que em qualquer outro sector da economia há uma coisa que têm de ter a certeza. Na área da Saúde não vai haver ciclos políticos. Ou seja, não vai aparecer no futuro nenhum Governo que altere esta política.

- Um Governo do PSD irá fazer a mesma política?

- Obviamente. Como existem apenas dois grandes partidos que têm alternado no poder, esses dois grandes partidos têm que ter uma grande consonância na política de Saúde e os grandes grupos económicos têm de ter a certeza dessa consonância.

- Sem isso não haveria esse investimento?

- Não haveria porque as pessoas investem quando têm um elevado grau de certeza que o investimento é seguro. Portanto, é claro e é óbvio que existe um pacto de regime na área da Saúde que passa obrigatoriamente pelo emagrecimento do Serviço Nacional de Saúde para permitir que o enorme investimento privado, dos grandes grupos económicos, seja rentabilizado. E aquilo que nós assistimos, por exemplo, é que a pequena medicina privada independente está a acabar.

- Os consultórios? O tradicional consultório médico?

- Sim, está a acabar. Com todas as dificuldades que têm sido criadas vai ser muito difícil que o pequeno consultório individual consiga sobreviver no futuro. E isso para facilitar o retorno económico do investimento dos grandes grupos económicos.

- Cresce o investimento privado, emagrece o Serviço Nacional de Saúde?

- Claro. E repare que eu não tenho, com esta análise, nenhuma posição contra o sector privado. Pelo contrário. Deve existir um sector privado forte e um sector público forte. Porque a sã concorrência dos dois de forma transparente, sem sobreposições, permite que um estimule o outro e o segundo regule o primeiro. O Estado só tem capacidade de regular o sector privado se tiver um sector público forte. É a única forma de ter um verdadeiro poder regulador. Aliás, nós assistimos às enormes dificuldades que o Estado tem em controlar as contas do Amadora-Sintra. E é um único hospital.

- E dura há anos a polémica.

- Há anos que não há entendimento nas contas e que há um enorme desfasamento entre a opinião do Estado e a opinião grupo privado que gere o Amadora-Sintra. E estamos a falar de um único hospital. Ora imaginemos multiplicar isto por dez ou vinte. Será o caos porque o Estado português é demasiado desorganizado. Um relatório da Organização Mundial de Saúde, da década de noventa, tinha uma afirmação lapidar: um Estado desorganizado mais vale ser prestador dos cuidados do que regulador dos cuidados.

- Porquê?

- Porque corre muito menos riscos prestando os cuidados do que regulando uma coisa que não consegue regular de qualquer maneira. Não consegue regular, como temos visto no caso Amadora-Sintra. Nós vamos caminhar no sentido de um Estado cada vez menos prestador e cada vez mais regulador. E como temos visto o Estado português não consegue regular rigorosamente nada, desde logo porque não tem uma cultura democrática, não tem uma cultura de competência, não tem uma cultura de exigência, não tem uma cultura de rigor e não tem uma cultura de honestidade.

- Havendo esse pacto de regime, a destruição do Serviço Nacional de Saúde é irreversível? Mesmo contra a vontade dos médicos?

- Repare, os médicos não estão a ter uma postura contra esta política. Os médicos não têm capacidade de ser contra nada. O que nós tentamos fazer é chamar a atenção para os problemas, para as consequências e propor soluções diferentes. Isso não é ser contra nada. É ser a favor de um sistema que permitiu que Portugal atingisse níveis invejáveis na prestação de cuidados de Saúde a nível mundial. Não tenho qualquer dúvida que o melhor serviço público português é o Serviço Nacional de Saúde. E estar-se a atacar este serviço de forma demagógica e com base em inverdades demonstra que não aqui uma postura transparente na forma como a actual política está a ser implementada.

- Parece que estava tudo mal, que é preciso inventar tudo outra vez, não é?

- Nós não temos de inventar rigorosamente nada. Temos múltiplos sistemas de saúde em vários países do mundo e podemos analisar os respectivos resultados. Não temos de olhar, discutir ou defender teorias. Temos primeiro de analisar os resultados e depois procurar aquilo que afinal proporcionou melhores resultados. Se Portugal, com todas as suas limitações económicas de um pequeno País, conseguiu ter o 12 º melhor sistema de saúde do mundo como é que pode vir alguém dizer que o Serviço Nacional de Saúde funcionava mal?

- É estranho. Mas não é preciso fazer nada?

- É evidente que o Serviço Nacional de Saúde, tendo quase três décadas, precisa de ser modernizado, precisa de ser adequado às novas realidades. E nesse sentido nós estamos totalmente a favor dessa reforma. De uma reforma no sentido da melhoria do funcionamento do sistema. Mas na nossa perspectiva não é isso que está a acontecer. O que está a acontecer claramente é o emagrecimento do Serviço Nacional de Saúde e um ataque às regras mais básicas e aos alicerces mais nucleares do Serviço Nacional de Saúde. Não nos parece que alguém possa dizer de boa mente que está a tentar salvá-lo.

- A mensagem do Presidente da República do Ano Novo, em que falou da situação da Saúde, foi importante?

- O Presidente da República é eleito nominalmente e directamente pelas populações. Tem, portanto, uma grande responsabilidade. A principal é ser o intérprete das preocupações da população. E eu acho que nesses avisos que fez á navegação e dentro do que é o palavriado diplomático foi extremamente explícito na demonstração das suas preocupações e das reservas quanto à actual política de Saúde. É evidente que o senhor ministro da Saúde, como político que é, tentou virar o bico ao prego. Mas eu acho que foi patente para todos, para a população e para os comentadores políticos, que não teve forma de o fazer e que efectivamente o Presidente da República pôs o dedo na ferida, nomeadamente com a questão de que é preciso que nós percebamos bem para onde é que vai a Saúde em Portugal.

- Foi uma forte crítica?

- Fortíssima e que foi direita ao centro do alvo

PERFIL

José Manuel Silva nasceu em Pombal no dia 18 de Setembro de 1959. Licenciado em Medicina pela Universidade de Coimbra. Casado, é medico internista dos Hospitais da Universidade de Coimbra, especialista em Lipidologia, uma área de estudo e tratamento dos hiperlipidemos, isto é, dos valores elevados de colesterol e triglicémios no sangue. É dirigente da Ordem dos Médicos há três anos, quando foi eleito pela primeira vez presidente do Conselho Regional do Centro, altura em que apoiou o candidato a bastonário José Manuel Boquinhas contra Pedro Nunes.

Em Dezembro, nas eleições da Ordem, foi reeleito presidente do Conselho Regional do Centro. Apoiante desta feita de Pedro Nunes, exerce até 16 de Janeiro as funções de bastonário em exercício da Ordem dos Médicos
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in Correio da Manhã 2008.01.07
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gravura - Jean de Léry - Morte