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sexta-feira, 17 de julho de 2026

(32) - Rui Belo - Esta rua alegre



* Rui Belo

Esta Rua é alegre

Esta rua é alegre. Não é alegre uma rua anónima
mas a rua de são bento em vila do conde
vista por mim certa manhã após a chuva
e o nevoeiro a dissipar-se já junto de santa clara
E no entanto não é a rua de são bento que é alegre
Alegre sou eu. E nem mesmo é que eu seja alegre
Acontece simplesmente que me sirvo destas palavras
numa manhã de chuva para falar falar por falar
e não falar de mim ou de uma certa rua
Não costumo por norma dizer o que sinto
mas aproveitar o que sinto para dizer alguma coisa
Isto, porém, são coisas que há já algum tempo se sabem
e talvez venham aqui para salvar este momento
para salvar romanticamente este momento
ou então para ilustrar um pouco desta vida que se perde
e não só ao viver-se mas ao pensar-se sobre ela
ao atraiçoá-la tantas vezes como condição indispensável do poema
Mas que dizia eu? Dizia apenas "esta rua é alegre"
O mais é só comigo e com a subjectiva forma como passo a minha vida

(31) - José Régio - Romance de Vila do Conde



* José Régio

Não se trata dum mural, mas resolvi incluí-lo nesta série. a partir duma inscrição na escadaria de acesso à Capela do Socorro, em Vila do Conde.


O excerto presente na lápide faz parte do poema "Romance de Vila do Conde", escrito por José Régio, uma composição lírica de tom nostálgico, onde o autor recorda com saudade as paisagens da sua infância e juventude na sua terra natal. 

O texto completo do poema é o seguinte:

quarta-feira, 16 de outubro de 2024

Carlos Coutinho - [As clarissas em Portugal]



* Carlos Coutinho

2024 10 16

JULGO que poucos serão os conhecedores de que as clarissas são as autoencurraladas monjas da Ordem de Santa Clara., organização católica romana que dispôs de um enorme poder económico e político-militar, instalada que foi num imponente convento edificado às suas ordens na foz de um rio desprovido de asas, o Ave, em Vila do Conde, terra do poeta presencista que ao vai “por aí”, José Régio e que era colecionador de crucifixos, além de irmão de um notável pintor, Júlio, que também escrevia versos.

   Muito menos ainda serão os que sabem ter a Ordem de Santa Clara, meio século após ter chegado a Portugal, abriu em Lamego, Alto Douro, em 1254, o seu primeiro convento, sob a jurisdição dos franciscanos, que gostavam de “escadas a subir para o céu”, tendo alegadamente surgido de um sonho que Teresa Martins e Afonso Sanches, filho bastardo de D. Dinis, em que um “fumo odorífero” brotava do interior da terra. Aliás, segundo o cronista franciscano Manuel da Esperança, na sua “Corte da Glória”, tal foi um fenómeno recorrente em Portugal, em diferentes séculos e lugares, tendo o também franciscano e cronista frei Fernando da Soledade deixado escrito que uma mulher de “aprovada virtude” sonhou igualmente, no século XVI, com os mesmos odores no mesmo lugar, o que levou  mais tarde a rainha D. Leonor, a das misericórdias, a  ter a mesma “visão” aromática e a mandar construir em Lisboa o Convento da Madre de Deus que agora, para desgosto de muitos turistas, tem as portas sempre encerradas, não vá o Diabo tecê-las.

      De acordo com a sua carta de fundação, o ascetário de Vila do Conde destinava-se a jovens fidalgas descendentes de famílias nobres caídas em ruina. O regime era de clausura absoluta e, em contraste com o riquíssimo património do mosteiro, “tudo era muito pobre”, garante frei Fernando da Soledade: as freiras andavam descalças e vestiam apenas uma túnica de sarja ou um silício  de tecido grosseiro; nas celas tinham como cama alguns ramos de carqueja e cobertas pobres; consumiam dietas frugais de peixe e vinho, água e pão.

   Francamente, para mim, andar sem cuecas ainda vá lá - já tenho visto gente assim -, mas dormir em cima de uns agrestes ramos de carqueja, só as brasas com que se cozia o pão e o arroz do forno na minha casa da infância.

   Havia, no entanto, fartura por ali. Pescava-se no rio Ave trutas, sáveis e lampreias e no porto de mar as embarcações dos pescadores locais prodigalizavam peixe todo o ano. As searas tinham abundância de trigo, milho e centeio, árvores de fruto e boas hortaliças. Duas vezes por mês, havia feira franca no largo principal e a pacatez estabelecida era apenas quebrada uma vez por ano, durante a grande Feira de Santo Amar, que durava três dias e era montada no terreiro da capela homónima. 

   A vila, segundo a investigadora Maria José Oliveira, era pequena, mas bem dotada de autoridades locais – tinha alcaide e três vereadores, juízes de fora, dos órfãos da alfândega, escrivães e tabeliães, procurador do concelho e almoxarife, instituições públicas – (câmara, tribunal, casa da misericórdia, hospital e cadeia). Nenhuma notabilidade, porém, conseguia competir com o poder das freiras de Santa Clara, proprietárias de um vasto conjunto de herdades, coutos, lugares e vilas que mantiveram ferreamente os seus bens, rendas, padroados e aforações durante mais de cinco séculos. Em alguns momentos, esse poder foi disputado e guerreado com corregedorias, provisores e cúpulas eclesiásticas. 

   Em 1511, por exemplo, o bispo de Ceuta excomungou-as, depois de elas se terem barricado no convento, trancando portas e encerrando as igrejas, como protesto contra reformas decretadas pela Igreja Curiosamente, diz a investigadora, o mesmo método foi replicado no ano passado num convento de Burgos, Espanha, por freiras também da Ordem de Santa Clara). 

   Por vezes, irrompiam motins e rebeliões internas, com as clarissas a exigirem mudanças na cúpula conventual, alegando inquietações e injustiças, como regista abundante documentação do século XVI, quando o mosteiro deixou de ter o senhorio de Vila do Conde, mas a sua influência a diminuiu: a abadessa continuava com o privilégio de nomear diretamente as autoridades administrativas da terra: mantinha, terras, rendas, direitos reais, dízimos, tributos sobre o peixe, o pão e o sal; e eram donatárias da barca de passagem do rio Ave que lhes garantia opulentas receitas. 

   Quem diria…

https://www.facebook.com/carlos.coutinho.7186896

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Carta de Flamula - Escritura de Vila do Conde – ano de 953


Escritura de Vila do Conde – ano de 953
Kartula de villa comitis. In ripa maris.

In nomine domini.
Ego flamula prolis pelagius et iberia. Vobis gonta abba et fratres et sorores habitantes cenobio vimaranes in domino salutem amen.

Annuit namque serenitatis meae asto animo et propria mea voluntate ut facerem uobis sicut ef facio textum scripture uenditionis et firmitatis. De villas nostras proprias que habemus in ripa maris prope riuulo Aue subtus montis Tirroso. Idest villa de comite quomodo diuidet cum villa fromarici. et cum villa euracini. et inde per aqua maris usque. in suos terminos antiquos ab integro. uobis concedimus cum suas salinas. et cum suas piscarias. et ecclesia que est fundata in castro uocitato sancto iohanne per suos terminos ab integro. uobis illa concedimus cum omni sua prestancia quicquid in se obtinet.

Et concedimus uobis alia villa uocitata quintanella ab integro. per suos terminos quomodo diuidet cum villa fromarici. et villa tauquinia. et perge ad archa de peori et divide cum villa argevadi. et cum villa anserici. et inde per cararia maurisca. et inde ad archa qui sta super ipsa villa. et inde in aula maris et torna ad termino de fromarici ubi prius incoabimus. pomares. ficares. aquas cursiles. uel incursiles. et omnis sua prestancia quicquid in se obtinet ab integro. uobis concedimus cum cunctis prestationibus suis secundum eas obtinuerunt genitores nostri Pelagius e Iberia. sic et nostra criacione uobis damus in ipsas villas et ut eis benefaciatis. Id sunt filios de baltario. et de trasilli. et filios de gresulfo. et de genilli ac de gondulfo.
Ac accepimus de uos duas mulas placibiles. una saia de fanzanzal. cum sua uatanna tiraz. manto azingiaue cum suo panno fazanzale. uno uaso imaginato et exaurato. duas pelles anninias. fiunt sub uno mille solidos. ipsum nobis bene complacuit.
Ita ut de hodie die et in omni tempore sit omnia de iuri nostro abraso ab integro. et ad parte monasterii vimaranes sit traditum atque confirmatum perhenniter deserviendum. Si quis tamen quod fieri non credimus aliquis homo contra hunc factum nostrum ad irrunpendum veniret. que nos in iudicio deuindicare non potuerimus aut uos in uoci nostre quomodo duplemus uobis ipsas villas. et ad parte iudicis terre auri duo talentum. et hoc factum nostrum in cunctis obtineat firmitatis roborem.
Notum VII kalendas aprilis. Era DCCCCLXXXXI. Flamula deo vota in hanc cartulam uenditionis et firmitatis a me facta manu mea rouoro.
Aloitus cellonovensis manu mea confirmo
Amarildus manuldi manu mea confirmo
Iafar sarrazinis manu mea confirmo
Palatinus armentari presbiter confirmo
Arias diaconi manu mea confirmo
Affonso testis. Menno testis.
Zonio testis. Vermudo testis. Zidi guntemeriz testis. Quiriaco testis. Jovino testis. Guntemiro terstis.

Hoduarius aloitiz manu mea confirmo
Aldereto seniorinis manu mea confirmo
Lucidus confratris manu mea confirmo
Pelagiusavianiz manu mea confirmo
Eidinus presbiter manu mea confirmo
Gundesindus zanonit manu mea confirmo
Froila christinit manu mea confirmo
Gundemiro manu mea confirmo
Clerigus astrulfis manu mea confirmo


Tradução

Em nome do Senhor, ámen.
Eu, Châmoa, filha de Paio e Ibéria, saúdo-vos a vós, abade Gonta e Irmãos e Irmãs que habitais no Mosteiro de Guimarães. Ámen.

Decidi, na serenidade da minha consciência e de minha própria vontade, fazer-vos, como faço, uma escritura de venda e segurança das nossas vilas que possuímos à beira-mar, junto ao rio Ave, sob o monte de Terroso. Isto é, Vila do Conde, como confronta com a Vila de Formariz e com a Vila de Varzim, e daí pela água do mar, segundo os seus limites antigos, e inteira. Concedemo-vo-la com as suas salinas e com os seus pesqueiros. E a igreja que se encontra no castro chamado S. João, pelos seus termos e inteira, concedemo-vo-la com todos os pertences que possui.

E concedemo-vos outra vila, chamada Quintanela, inteira, pelos seus limites, como confronta com a vila de Formariz e com a vila de Touguinha; e continua até aos marcos de Pior, e confronta com a vila de Argivai e com a vila de Anseriz, e daí pela estrada mourisca; e daí, até ao marco que está acima da mesma vila; e daí, à beira-mar, volta ao limite de Formariz, onde antes começámos. Concedemo-vos os pomares, os figueirais, as águas correntes e paradas e tudo quanto em si possui, inteiramente, como a possuíram os nossos pais Paio e Ibéria e a nossa criação. Damo-vo-lo nessas vilas para que cuideis dele. Estão aí os filhos de Balteiro e de Trasilho, e os filhos de Gresulfo, e de Genilho e de Gondulfo.

E recebemos de vós duas mulas mansas, uma saia de fansansal com sua badana tiraz, um manto de pele de esquilo com o seu pano fansansal, um vaso com imagens e dourado, duas peles de jumento. Totaliza mil soldos. Isso nos satisfaz.

Que de hoje para todo o sempre seja tudo isto retirado da nossa posse e entregue à parte do Mosteiro de Guimarães, e confirmado para seu constante serviço.

Se, todavia, o que cremos que não acontecerá, alguém vier contra este nosso contrato, para o desfazer, não poderemos justificá-lo em juízo, ou nós contra vós, dobraremos essas vilas e mais dois talentos de ouro para o juiz da terra. E que em tudo este nosso acto obtenha garantia de segurança.

26 de Março de 953.

Eu, Châmoa Deovota, confirmo com a minha mão nesta escritura de venda e segurança feita por mim.

Hodoário Aloites, confirmo com minha mão.
Aldereto Senhorins, confirmo com minha mão.
Irmão Lúcido, confirmo com minha mão.
Paio Arianes, confirmo com minha mão.
Padre Eidino, confirmo com minha mão.
Gundesindo Sanões, confirmo com minha mão.
Froila Cristins, confirmo com minha mão.
Gundemiro, confirmo com minha mão.

Aloito Celonovense, confirmo com minha mão.
Amareldo Manuldes, confirmo com minha mão.
Jafar Sarracins, confirmo com minha mão.
Palatino Armentares, confirmo com minha mão.
Árias Diácones, confirmo com minha mão.
Afonso, testemunha. Meno, testemunha.
Sónio, testemunha. Vermudes, testemunha. Cides Guntemires, testemunha. Quiríaco, testemunha. Jovino, testemunha. Guntemiro, testemunha.

Châmoa


PUBLICADA POR JOSÉ FERREIRA À(S) 12:04 
http://villacomitis.blogspot.pt/2009/10/vc2.html

Mentio de malefactoria c. 1210


O «Mentio de malefactoria» é um documento, em que D. Lourenço Fernandes da Cunha se queixa das violencas e malfeitorias que lhe fez el-rei D. Sancho, pessoalmente e por intermédio de Vasco Mendes.





[1] H(ec) [est] mentio de malefactoria q(u)am rex donn(us) Sanci(us) fec(it) donno Laurẽcio F(er)nandi (et) p(re)cep(it) fac(er)e q(uo)d ei fecit [2] Velasc(us) Men(en)di. In p(r)imis accepit ei LXXXa. modios int(er) pane (et) uinũ et XXV int(er) archas (et) [3] cupas et X. scutos et II.as, culcitres (et) II plumacios et int(er) scannos (et) lectos XI et calda- [4] rias (et) m(en)sas (et) scutellas (et) uasos muitos (et) capellos de ferro (et) porcos decẽ (et) oues (et) capras [5] et XV m(o)r(a)b(itino)s, q(ui) leuauer(unt) de suis hominib(us) q(ui) spectauer(unt) et multa, alia arma. Sup(er) hoc depo- [6] pulauer(unt) ei LXX.a casalia, unde est p(er)ditũ p(re)sentẽ fructu (q(uo)d in eis habebat (et) q(uo)d debet euenire. [7] (et) C homines d(e) maladia, q(u)i ita p(er)dider(unt). Deinde miser(unt) ignẽ in sua q(u)intana de Cuina (et) cre- [8] mauer(unt) eã totã q(uia) pré igne nichil ibi remansit. Et dirribauer(unt) de ipsa turre q(u)antã potuer(unt) [9] (et) q(uo)d n(on) potuer(unt) miser(unt) in eã ignẽ q(u)i eã findidit, q(uo)d nũq(u)am potest e(ss)e em(en)data. Et etiã magis [10] custaret eã fac(er)e q(uo)d mille (et) D m(o)r(a)b(itino)s. (Et) q(u)anta casalia habebat cora ipsa dieta q(u)in- [11] tana cremauer(unt)ea. Sup(er) hoc acceper(unt) ei unũ sarracenũ bonũ. [12] Et sciãt o(mne)s homines q(u)i hãc sc(r)ipturã uid(er)int q(uo)d ego Laurẽti(us) F(er)nandi n(on) feci nec dixi q(uo)d recepissẽ [13] hãc destructionẽ (et) malefactoria q(uo)d recepi.

 https://www.hs-augsburg.de/~harsch/lusitana/Cronologia/seculo13/Malefactorio/mal_manu.html

Notícia de torto c. 1215


A «Notícia de torto» é um documento, em que D. Lourenço Fernandes da Cunha fez um minucioso relatório das malfeitorias feitas por D. Sancho I e por Vasco Mendes, por ordem do mesmo rei. É um bocardo de pergaminho, escrito dos dois lados. Veio do mosteiro feminino de Vairao e está hoje no Arquivo Nacional da Tôrre do Tombo.

Texto



[1] D(e) noticia d(e) torto que fecer(ũ) a Laurẽci(us) Fernãdiz por plazo que fec(e) Gõcauo [2] Ramiriz antre suos filios e Lourẽzo Ferrnãdiz q(u)ale podedes saber: e oue au(e)r d(e) erdad(e) [3] e dau(e)r, tãto q(u)ome uno d(e) suos filios da q(u)ãto podesẽ au(e)r d(e) bona d(e) seuo pater e fiolios seu [4] pater e sua mater. E d(e)pois fecer(ũ) plazo nouo e cõuẽ uos a saber q(u)ale in ille se [5] taes firmam(en)tos q(u)ales podedes saber: Ramiro Gõcaluiz e Gõcaluo Gõca[luiz e] [6]Eluira Gõcaluiz forũ fiadores d(e) sua irmana que o[to]rgase aqu[e]le plazo come illos. [7] Sup(er) isto plazo ar fe[ce]r(ũ) suo plecto. E a maior aiuda que illos hic cõnocer(ũ), que les [8] acanocese Laurẽzo Ferrnãdiz sa irdad(e) p(er) p(lec)to que a teuese o abate d(e) S(ã)c(t)o Martino [9] que como uẽcesẽ, que asi les dese d(e) ista o abade. E que nunq(u)a illos lecxasẽ [10] daquela irdad(e) sẽ seu mãdato. Se a lexarẽ itregarẽ ille d(e) oot(r)a que
  • plaza. [11] E d'au(e)r que ouer(ũ) d(e) seu pat(e)r nu[n]q(u)ã se li id(e) der(ũ) parte. Deu dũ Gõcau [12] o a Laurẽco Fernãdiz e Marti Gõc[a]luiz XII casaes por arras d(e) sua auóó. [13] E filar(ũ)li illos ind(e) VI casales c(ũ) torto. E podedes saber como man- [14]do dũ Gõcauo a sua morte. D(e) XVI casales d(e) Ueraci que fructar(ũ) e que li [15] nunq(u)a id(e) der[ũ] q(u)innõs. E d(e) VII e medio casaes antre Coina e Bastuzio und(e) li [16] nunq(u)ã der(ũ) q(u)iniõ. E d(e) trẽs i(n) Tefuosa und(e) li nu[n]q(u)a ar der[ũ] nada. E IIos i(n) Figeeree- [17] do unnd(e) nũq(u)ã li der(ũ) q(u)inõ. E IIos i(n) Tamal ũd(e) li n(õ) ar der(ũ) q(u)inõ. E da sena- [18] ra d(e) Coina ũd(e) li n(õ) ar der(ũ) q(u)inõ. E d'uno casal d(e) Coina que leuar(ũ) id(e) III anos [19] o frouctu c(ũ) torto. E por istes tortos que li fecer(ũ) tem q(u)a a seu plazo quebrãtado [20] q(u)a li o deuẽ por sanar. E d(e)pois ouer(ũ) seu mal e meteu o abad(e) paz a[n]tre illes [21] i(n) no carualio d(e) Laureedo. E rogouo o abate tãto que beiso c(ũ) illes. E der(ũ)li [22] XVIIII morabitinos q(u)i li filar(ũ). E d(e)pos iste p(lec)to pre[n]d(e)r(ũ)
  • o seruical otro[23] om(e) d(e) sa casa e troser(ũ)no XVIIII dias p(er) mõtes e fecer(ũ)les tã máá prisõ [24] p(er) que leuar(ũ) deles q(u)ãto poder(ũ) au(e)r. E d(e)pois li d(e)sũro Gõcauo Gõcauiz [25] sa fili[a] pechena. E irmar[ũ]li XIII casales und(e) perdeu fructu. E isto [26] fui d(e)p que fur(ũ) fíídos anto abate. E d(e)pois que fur(ũ) ifiados por iuizo d(e) ilo [27] rec. E nuq(u)a ille fez(e) neun mal por todo aqueste e fezeles taes agudas [28]q(u)ales aqui ouireedes. Sup(er) sua aguda fez testiuigo c(ũ) Gõcauo Cebolano. [29] E sup(er) sa aiuda ar fuili a casa e filoli q(u)ãto que li agou e deu a illes. E sup(er) sa [30] aiuda oue testifigo c(ũ) P(e)tro Gomez, omezio q e li custou maes ka C m(orabitinos). [31] E sup(er) sa aiud[a] oue mal c(ũ) Goncaluo Gomez que li custou multo da au(e)r [32] e muita perda. E in sa aiuda oue mal c(ũ) Go[n]caluo Suariz. E in sa aiuda[33] oue mal c(ũ) Ramiro Fernãdiz que li custov muito au(e)r muita perda. [34] E in sa aiuda fui IIas fezes a Coi[m]bra. E in sa aiuda dixe mul[ta]s uices [35] e ora in ista tregua fur(ũ) a Ueraci amazar(ũ)li os om(éé)s erma[rũ]li X casaes [36] seu torto ai rec. E sup(er) saiud[a] mãdoo lidar seus om(éé)s c(ũ) Mar- [37] tint I(o)h(a)n(e)s que q(u)ir[i]a d(e)sũrar sa irmana. E cũ ille e cũ sa casa [38] e cũ seu pam e c(ũ) seu uino uẽcestes uosa erdade. E cũ ille [39] existis d(e) sua in ipso die que uola q(u)itar(ũ). E ille teue a uosa [40] rezõ. E ot(r)as aiudas multas que fez. E plus li a custado [41] uosa aiuda q(u)a li inde cae d'erdad[e]. E subre becio e sup(er) [42] fíím(ẽ)to se ar q(u)iserdes ouir as desõras q e ante ihc fur(ũ) [43] ar ouideas: Vener(ũ) a uila e fila[rũ]li o porco ante seus filios e com- [44] erũsilo. Vener(ũ) alia uice er filar(ũ) ot(r)o ante illes [45]er comer(ũ)sa. Vener(ũ) i(n) uice er filiar(ũ) una ansar ante [46] sa filia er comer(ũ)sa. I(n) alia uice ar filiar(ũ)li o pane ante [47] suos filios. I(n) alia uice ar ue[ne]r(ũ) hic er filar(ũ) ide o uino [48] ante illos.

  • https://www.hs-augsburg.de/~harsch/lusitana/Cronologia/seculo13/Torto/tor_noti.html

    Notícia de Torto ou Notícia do Torto é um manuscrito em pergaminho escrito entre 1211 e 1216 (provavelmente em 1214), considerado o segundo texto não literário mais antigo escrito em língua portuguesa, posterior à Notícia de Fiadores de 1175.O seu título provém da primeira frase do texto: "De noticia de torto que feceru(m) a Laure(n)cius Ferna(n)diz".

    Tal título, porém, é contestado por autores como Ramón Lorenzo, que o considera "um híbrido latino-português". e outros que sequer lhe concediam o status de documento.

    O pergaminho, medindo 313 por 170 mm, escrito em ambas as faces, foi encontrado no mosteiro feminino de Vairão e está hoje no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Lisboa. No texto, escrito em galaico-português mas crivado de latinismos, D. Lourenço Fernandes da Cunha fez um minucioso relatório dos agravos cometidos contra si pelos filhos de Gonçalo Ramires.


    Dado que a maioria dos documentos da época eram redigidos em latim, é provável que o documento se tratasse de um rascunho, destinado a ser traduzido para esta língua. Tem sido estudado como subsídio para o conhecimento da origem e evolução da língua portuguesa. Existe também na Torre do Tombo outro documento semelhante, a "Mentio de malefactoria" (c. 1210) que descreve as malfeitorias feitas ao mesmo Lourenço Fernandes da Cunha pelo rei D. Sancho I ou por intermédio de Vasco Mendes.

    https://pt.wikipedia.org/wiki/Not%C3%ADcia_de_torto

    sexta-feira, 4 de novembro de 2016

    Vila do Conde em 1943, por Ramalho Ortigão

     


    É talvez a menos frequentada pelos banhistas, o que não obsta a que seja uma das mais pitorescas e mais belas povoações marítimas de Portugal.

    A uma hora do Pôrto pelo caminho de ferro da Póvoa, cuja linha é cortada por entre espessos pinheirais, Vila do Conde descobre-se repentinamente, numa volta de estrada, no meio de uma vasta paisagem, ampla, descoberta, de larga respiração.




    Ao penetrar na ponte que une as duas colinas, ao nascente da vila, o viajante vê diante de si, ao longe, as montanhas de Rates, aos seus pés ondula o rio Ave por entre as viçosas margens cobertas pela verdura suave dos pinhais. Ao meio do rio, entre a ponte de ferro e a vila, um açude. Em cada uma das margens, um velho moinho, musgoso, move lentamente a sua grande roda denegrida e gotejante.



    Assente sobre rocha, na margem esquerda do rio, sobranceiro à vila, o convento, grande edifício de Renascença francesa, tem um artístico aspecto, dominativo, senhorial, ostentando ao largo sol, sobre a cimalha, junto de uma monja com o hábito de Santa Clara, o grande elefante branco, símbolo da castidade, que constitui o brazão do convento. D. Afonso Sanches, filho bastardo de D. Dinis e sua mulher D. Teresa Martins de Menezes, filha do primeiro conde de Barcelos, foram os fundadores do convento, onde hoje estão sepultados, e que doaram às freiras franciscanas.

    D. Afonso Sanches, filho bastardo de D. Dinis e sua mulher D. Teresa Martins de Menezes, filha do primeiro conde de Barcelos, foram os fundadores do convento, onde hoje estão sepultados, e que doaram às freiras franciscanas.



    O mosteiro de Vila do Conde era rico e fidalgo. Habitavam-o 120 freiras, a maior parte delas de famílias nobres. Possuíam a povoação de Azurara que fica na margem sul do rio, dízimos e outros direitos senhoriais. Eram donatárias de Vila do Conde, de entre outras vilas de Entre-Douro-e-Minho, e de Alcoentre no Ribatejo. A abadessa sentenciava as apelações das sentenças do juiz. Tinham finalmente direitos soberanos.

    D. João III tirou-lhes o senhorio e jurisdição, e instituiu por donatário o infante D. Duarte. Azurara, com a sua bela igreja manuelina, passou a pertencer a si mesma. Os Dízimos foram extintos. De sorte que as freiras empobreceram. As poucas senhoras que actualmente assistem no mosteiro fabricam doce e vendem a especial gulodice da ordem - os pastéis de Santa Clara.

    A igreja matriz é do tempo de D. Manuel e no estilo manuelino como a de Azurara.

    A ermida de Nossa Senhora do Socorro, que se avista da ponte e fica entre ela e a barra, à beira rio, é redonda, tem a forma de uma mesquita otomana, a que só falta o complemento de uma palmeira e o apenso de um camelo ou um cavalo árabe.



    Além de algumas famílias muito distintas e especialmente hospitaleiras e amáveis a população de Vila do Conde é composta principalmente por pescadores e rendilheiras.



    Todo o trabalho gera uma virtude que lhe corresponde. Do fabrico de renda, delicadamente construída por meio de uma infinidade complicadíssima de bilros, com linha branca finíssima, resultam os hábitos de ordem, de aceio, de reflexão, de espírito de sistema.



    Não é possível fazer renda e ter uma casa em desordem; não é possível fazer renda e ter as mãos sujas ou deitar nódoas no fato; não é possível fazer renda e murmurar ao mesmo tempo a vida alheia ou alterar com as vizinhas, como sucede a quem doba, a quem fia, a quem faz meia, a quem se ocupa de trabalhos de máquina puramente automáticos.

    O fabrico da renda é profundamente moralizador. Dêle procede o carácter e o ar senhorial das mulheres de Vila do Conde e de algumas que particularmente me impressionaram em Peniche pela distinção das suas maneiras, pela gravidade das suas fisionomias, pela delicadeza das suas estaturas, pela elegância aristocrática das suas mãos.



    As rendas de Vila do Conde, como as de Peniche, são do género chamado Honiton, semelhante à guipure de Chantilly. Magoa ao considerar os trabalhos destas simpáticas mulheres, ver tanta perfeição de acabamento, tão completa posse do processo, aliada a tão profunda ignorância artística.

    Nem em Vila do Conde nem em Peniche encontramos uma só operária que soubesse desenhar. A criação de uma escola de desenho pública e gratuita é tão necessária em qualquer destas localidades como a escola das primeiras letras. A essas mulheres, que tão fiel e escrupulosamente executam os riscos, seria facílimo ensinar a manejar o lápis.

    Se em cada uma das escolas de desenho a que nos referimos existisse uma colecção de bons modelos de ornato feitos pelos artistas de mais talento e os jornais especiais da moda francesa com todos os novos modelos, talvez dessas modestas operárias saíssem algumas artistas cuja aptidão contribuiria muito para dar à indústria das rendas portuguesas a grande importância económica de que ela é susceptível.



    O campo que cerca Vila do Conde, atravessado pela arcaria do extenso aqueduto do convento, o qual lhe imprime um grandioso ar italiano, é ameno, posto que um pouco triste. As margens do rio perto da grandiosa aldeia de Retorta são extremamente pitorescas.

    O único defeito de Vila do Conde como estação de banhos, é a distância que medeia entre a praia e casas da vila, unidas todavia por uma boa estrada, em que uma companhia edificadora estava o ano passado construindo novas casas.



    Há feira semanal e feira grande a que concorre muito povo dos subúrbios.

    A vila tem dois hotéis. Estivemos no maior, situado na praça em frente da antiga ponte. O aceio não é virtude especial que recomenda esta casa ao respeito dos viajantes. O proprietário distrai a atenção dos forasteiros da infecção de capoeira que caracteriza os salões, servindo-lhes magnífico vinho verde, admiráveis presuntos de Melgaço, de primeira ordem, e os melhores pastéis do convento.


    In As praias de Portugal de Ramalho Ortigão, 1943

    http://www.rancho-da-praca.com/paginas/VC_Ramalho/praias_vc.html

    segunda-feira, 3 de outubro de 2016

    José Régio - Romance de Vila do Conde

    Nesta praça apregoa-se a Poesia. Sobretudo a dos outros. Possivelmente alguma da que escrevo. Autores da minha terra, da minha pátria-língua-portuguesa, mas também da nossa Terra-mãe-comum. Nesta praça vendo o sonho de ser poeta, mas não passo talvez de um mero divulgador de Poesia.

     segunda-feira, 29 de junho de 2009


    Romance de Vila do Conde´


    Vila do Conde, espraiada

    Entre pinhais, rio e mar!
    - Lembra-me Vila do Conde,
    Já me ponho a suspirar.

    Vento Norte, ai vento norte,
    Ventinho da beira-mar,
    Vento de Vila do Conde,
    Que é a minha terra natal!,
    Nenhum remédio me vale
    Se me não vens cá buscar,
    Vento norte, ai vento norte,
    Que em sonhos sinto assoprar...

    Bom cheirinho dos pinheiros,
    A que não sei outro igual,
    Do pinheiral de Mindelo,
    Que é um belo pinheiral
    Que em Azurara começa
    E ao Porto vai acabar...,
    Se me não vens cá buscar,
    Nenhum remédio me vale
    Nenhum remédio me vale,
    Se te não posso cheirar...

    Vila do Conde espraiada
    Entre pinhais, rio e mar!
    - Lembra-me Vila do Conde,
    Mais nada posso lembrar.

    Bom cheirinho dos pinheiros...,
    Sei de um que quase te vale:
    É o cheiro da maresia,
    - Sargaços, névoas e sal -
    A que cheira toda a vila
    Nas manhãs de temporal.
    Ai mar de Vila do Conde,
    Ai mar dos mares, meu mar!,
    Se me não vens cá buscar,
    Nenhum remédio me vale,
    Nenhum remédio me vale,
    Nem chega a remediar…

    Abria, de manhãzinha,
    As vidraças par em par.
    Entrava o mar no meu quarto
    Só pelo cheiro do ar.
    Ia à praia, e via a espuma
    Rolando pelo areal,
    Espuma verde e amarela
    Da noite de temporal!
    Empurrada pelo vento,
    Que em sonhos ouço ventar,
    Ia à praia e via a espuma
    Pelo areal a rolar...

    Espuma verde e amarela
    Das noites de temmporal,
    Quem te viu como eu te via,
    Se te pudera olvidar!
    E ai não me posso curar,
    Nenhum remédio me vale,
    Se te não tenho nos braços,
    Se te não posso beijar…

    Vila do Conde espraiada
    Entre pinhais, rio e mar...
    - Lembra-me Vila do Conde,
    Passo a tarde a divagar…

    Até Senhora da Guia
    Me deixava ir devagar,
    Até Senhora da Guia,
    Que entra já dentro do mar,
    Como uma pomba que as ondas
    Receassem de levar;
    Talvez como uma gaivota
    Colhida num vendaval…
    Ou rosa branca, trazida
    Quem sabe de que lugar,
    Que embaraçando nas pedras,
    Ficasse ali, sem murchar,
    O pé metido no rio,
    A flor já n’água do mar.

    Lá de cima do seu monte,
    Sobre o fundo do pinhal,
    Senhora Sant’Ana, ao longe,
    Parece um lenço a acenar.
    Convento de Santa Clara,
    Que vulto fazes no ar,
    Que aos marinheiros no mar
    Deitas o «pelo sinal»!
    E o sol desmaia na cal
    Da capela a branquejar
    Da Senhora do Socorro,
    Onde sonhei me ir casar…

    Da banda de lá do rio,
    As gaivotas a voar
    Sobre Azurara se esfolham
    Como um grande roseiral!

    Lembranças da minha terra,
    Da minha terra natal,
    Nenhum remédio me vale
    Se me não vindes buscar!
    Nenhum me pode salvar,
    Morro em pecado mortal…

    Vila do Conde, espraiada
    entre pinhais, rio e mar...
    - Lembra-me Vila do Conde,
    Sinto os olhos a turvar…

    Ia até Poça da Barca,
    Meu muito amado local,
    (E quem diz Poça da Barca
    Diz Caxinas, sua igual)
    E parava a olhar de longe,
    Estátuas de bronze a andar,
    As belas gentes do mar…
    Parava a olhar o estendal
    Das águas a rebrilhar,
    E o arco-íris das cores,
    Cada qual mais singular,
    Que à tarde, pelos céus fora,
    Se entornavam devagar…

    Caía a noite, e eu, parado,
    Via, subindo no ar,
    A Lua juncar as ondas
    De espadanas de luar…

    Duma vez, estava eu triste,
    Senti que o Anjo do Mal
    Vinha para me tentar!
    Caio de bruços na areia,
    Ponho as mãos, e, sem rezar,
    Aguardo que Deus me valha,
    Me não deixe desgraçar…
    Foi então que ouvi, distinta,
    Distinta!, posso-o jurar,
    Posto vagarosa, grave
    Do seu repouso eternal,
    A voz de Ana, que partira
    Lá para melhor Lugar,
    Do fundo do seu coval
    Cantar-me o velho cantar:
    «…Tomou-o um Anjo nos braços,
    Não no deixou afogar»…

    Nenhum remédio me vale,
    Ou sou eu que não sei qual,
    Se me não levam depressa
    A ver o extenso areal
    Onde se davam mistérios,
    Que eu sabia decifrar…

    Vila do Conde, espraiada
    Entre pinhais, rio e mar...
    - Lembra-me Vila do Conde,
    Não me posso conformar…

    Aquela funda toada,
    Por toda a vila a toar,
    Nas negras noites de inverno
    Me vinha à cama acordar.
    Vinha do cabo do mundo…?
    Vinha do fundo do mar…?
    Vinha do céu, ou do inferno?
    Vinha de nenhum lugar…?

    De olhos abertos no escuro
    Me estarrecia a escutar…
    E o meu gosto de a sondar
    Que bem me fazia, ou mal!

    Pela doçura outonal
    Das tardinhas de Setembro,
    Vai e vem, que bem me lembro!,
    Como sabia embalar!
    Vinha de longe, de longe,
    Soturna e familiar,
    Cada vez mais se achegando
    Para se logo afastar…
    Mas que viria dizer-me,
    Que me diria, afinal,
    Aquele canto fatal
    Das ondas sempre a rolar…?

    Fechava os olhos, sonhava…
    Ai! Nem me quero lembrar!

    Mas sei de um som quase igual
    A que o posso comparar:
    O som do vento rolando
    Nas copas dum pinheiral…
    Pinhal do Corgo, seguido
    De outro mais longo pinhal,
    E esse outro seguido de outro
    Té onde a vista alcançar,
    Como te posso olvidar
    Se é na minh’alma, afinal,
    Que chora, como num búzio,
    Teu canto irmão do do mar…?

    Fechava os olhos, sonhava…
    Caía num meditar
    Que era pairar noutros mundos…
    Ai! Nem me quero lembrar!

    Não quero, e nada mais lembro,
    Nada me pode agradar,
    Nada alcança distrair-me,
    Nada me vem consolar,
    Nenhum remédio me vale,
    Nenhum me pode salvar,
    Nenhum mitiga este mal
    Que eu gosto de exacerbar,
    Morro em pecado mortal,
    Sem me poder confessar…,
    Se me não levam depressa,
    Depressa! Estou sem vagar,
    A tomar ar! O meu ar
    Da minha terra natal.

    Vila do Conde, espraiada
    Entre pinhais, rio e mar…


    José Régio, Poesia I,
    Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2004


    Publicada por Anthero Monteiro à(s) 22:45
    http://pracadapoesia.blogspot.pt/2009/06/romance-de-vila-do-conde.html