Mostrar mensagens com a etiqueta Magritte. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Magritte. Mostrar todas as mensagens

sábado, 16 de outubro de 2010

AS CIDADES INVISÍVEIS - ÍTALO CALVINO (Carmen Montesino)

 a Sábado, 16 de Outubro de 2010 às 1:12

Depois de ter caminhado sete dias através de bosques, quem vai para Bauci não consegue vê-la e no entanto já lá chegou. São as finíssimas andas que se elevam do solo a grande distância umas das outras e se perdem acima das nuvens que sustêm a cidade. Sobe-se com escadotes. No chão os habitantes raramente se mostram: têm já tudo de que precisam lá em cima e preferem não descer. Nada da cidade toca o solo, à excepção daquelas pernas compridíssimas de fenicóptero em que assenta e, nos dias luminosos, uma sombra perfurada e angulosa que se desenha na folhagem.

Três hipóteses se põem sobre os habitantes de Bauci:

que odeiam a Terra;
que a respeitam a ponto de evitar qualquer contacto;
que a amam tal como ela era antes deles e com binóculos e telescópios apontados para baixo não se cansam de passá-la em resenha, folha a folha, pedra a pedra, formiga a formiga, comtemplando fascinados a sua própria ausência.
.
Magritte, Rene (1898 - 196).
Le Château des Pyrénées (1959)
.
.

#
3 pessoas gostam disto.
#

*
Carmen Montesino
.
http://www.youtube.com/watch?v=8VPTEfUVUL8
há 11 horas 
*
Carmen Montesino 
.
http://www.youtube.com/watch?v=JEgkJdSwidg
há 11 horas · 
*
Victor Nogueira O meu primeiro encontro e "encanto" pelo Calvino foi com esses contos do fantástico "O Visconde Cortado ao Meio", "O Barão Trepador" e "Cavaleiro Inexistente". Adoro o Magritte e tenho uma foto que me tiraram a mim a a uma amiga minha em Vila Nova de Cerveira, debaixo duma escultura parecida com esta pedra :-)
há 11 horas · 
*
Carmen Montesino Bom dia, Victor! Fiz uma pesquisa ... ; - )
há 2 horas ·
*
Victor Nogueira Ah! Só agora reparei nos vídeos. Estava ainda a semi-a -d omir quando vi o presente videal. Grato pela gentileza adivinhal, que rima com divinal :-)
há 8 minutos ·
.
.

Italo Calvino/Yann Tiersen- "Se infelice è l'innamorato.."

.



.

furbetta7 | 2 de Setembro de 2009
"Se infelice è l'innamorato che invoca baci di cui non sa il sapore, mille volte più infelice è chi questo sapore gustò appena e poi gli fu negato." Italo Calvino

musica: Yann Tiersen, Goodbye Lenin - Mother -
.

"A CIDADE E O CÉU" de Ítalo Calvino

.

ma1408ma | 4 de Outubro de 2008

CONTRADIÇÕES do Centro de Ribeirão Preto.
- ENSAIO FOFOGRÁFICO/Set.2008 -
.
.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Arte e Poesia em Modus Vivendi

Modus vivendi

"Werde der du bist."
Goethe



05 de janeiro de 2010

Beijo

Um beijo em lábios é que se demora
e tremem no abrir-se a dentes línguas
tão penetrantes quanto línguas podem.
Mais beijo é mais. É boca aberta hiante
para de encher-se ao que se mova nela.
É dentes se apertando delicados.
É língua que na boca se agitando
irá de um corpo inteiro descobrir o gosto
e sobretudo o que se oculta em sombras
e nos recantos em cabelos vive.
É beijo tudo o que de lábios seja
quanto de lábios se deseja.
.
Jorge de Sena
.

John Singer Sargent

MissesVickers1884%20J.S.%20Sargent.jpg
.
The Misses Vickers, ou o encanto familiar


Era o último amor

Era o último amor. A casa fria,
os pés molhados no escuro chão.
Era o último amor e não sabia
esconder o rosto em tanta solidão.
Era o último amor. Quem advinha
o sabor pela escuridão?
Quem oferece frutos nessa neve?
Quem rasga com ternura o que foi verão?
Era o último amor, o mais perfeito
fulgor do que viveu sem as palavras.
Era o último amor, perfil desfeito
entre lumes e vozes passadas.
Era o último amor e não sabia
que os pés à terra nua oferecia.
.
Luís Filipe Castro Mendes
.

04 de janeiro de 2010

Cinco sentidos

Nós temos cinco sentidos:
são dois pares e meio de asas.
- Como quereis o equilíbrio?
.
David Mourão-Ferreira
.

Paul Signac

signac.port-st-tropez.jpg
.
Porto de St. Tropez, ou inspiração para esquecer o inverno
.

Por muito tempo

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
.
Carlos Drummond de Andrade
.

03 de janeiro de 2010

ressoou um beijo

Sobre o regaço tinha
o livro bem aberto;
tocavam em meu rosto
seus caracóis negros.
Não víamos as letras
nem um nem outro, creio;
mas guardávamos ambos
fundo silêncio.
Por quanto tempo? Nem então
pude sabê-lo.
Sei só que não se ouvia mais que o alento,
que apressado escapava
dos lábios secos.
Só sei que nos voltámos
os dois ao mesmo tempo,
os olhos encontraram-se
e ressoou um beijo.
.
Gustavo Adolfo Bécquer
.

Magritte

6magritte.jpg
.
enigma quase esfíngico
.

um dia puro

Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.
Para ti criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.
.
Sophia de Mello Breyner Andresen
.
Por Ana Roque às 09:43 de 03 de janeiro de 2010 |

sábado, 2 de janeiro de 2010

Arte e Poesia em Modus Vivendi

 01 de janeiro de 2010

Julius LeBlanc Stewart

Julius%20LeBlanc%20Stewart.jpg
.
projecto para um belo fim de semana
.

Beijo de Rodin

.
não quero fazer filhos
sobre desejos adicionais
e tardios, desejos sobre a tela tardia da tarde,
desejos sobre o azul infindável
de boas razões indesejáveis.
não quero desejos de desejos,
desejos que retiram desejo a desejos de
tempo raso
e de feitio de auto-pertença e
leves contradições sem alarme e gafanhotos.

não é em vão que
o beijo de rodin é de pedra.

.

Sylvia Beirute
.

Julius LeBlanc Stewart

Stewart_Julius_LeBlanc.jpg
.
o dia seguinte
.

Da literatura

"Há uma literatura para quando se está aborrecido. Abunda. Há uma literatura para quando se está calmo. Esta é a melhor literatura, acho eu. Também há uma literatura para quando se está triste. E há uma literatura para quando se está alegre. Há uma literatura para quando se está ávido de conhecimento. E há uma literatura para quando se está desesperado."
Roberto Bolaño, in Os Detectives Selvagens, trad. Miranda das Neves
.

31 de dezembro de 2009

A Criação

(gentileza de Amélia Pais)
.

Felizes estes homens que podiam escrever da Criação,
confiadamente compor-por mais dores que sofressem
enquanto humanos e como seres viventes-
tão jubilantes cânticos do criar do Mundo.

Era belo, era bom, era perfeito o Mundo.
É certo que o cantavam quando apenas criado,
e o par humano pisava sem pecado
o jardim paradisíaco.

Nós nem mesmo em momentos únicos,
raríssimos, epifânicos
-e não só por não crermos no pecado-,
não podemos.

.

Jorge de Sena
.

30 de dezembro de 2009

Magritte

magritte3.JPG
.
da profundidade
.

Parábola de la inconstante

Antes cuando me hablaba de mí misma, decía:
Si yo soy lo que soy
Y dejo que en mi cuerpo, que en mis años
Suceda ese proceso
Que la semilla le permite al árbol
Y la piedra a la estatua, seré la plenitud.

Y acaso era verdad. Una verdad.
Pero, ay, amanecía dócil como la hiedra
A asirme a una pared como el enamorado
Se ase del otro con sus juramentos.

Y luego yo esparcía a mi alrededor, erguida
En solidez de roble,
La rumorosa soledad, la sombra
Hospitalaria y daba al caminante
- a su cuchillo agudo de memoria -
el testimonio fiel de mi corteza.

Mi actitud era a veces el reposo
Y otras el arrebato,
La gracia o el furor, siempre los dos contrarios
Prontos a aniquilarse
Y a emerger de las ruinas del vencido.

Cada hora suplantaba a alguno; cada hora
Me iba de algún mesón desmantelado
En el que no encontré ni una mala bujía
Y en el que no me fue posible dejar nada.

Usurpaba los nombres, me coronaba de ellos
Para arrojar después, lejos de mi, el despojo.

Heme aquí, ya al final, y todavía
No sé qué cara le daré a la muerte.

.

Rosario Castellanos
.

29 de dezembro de 2009

Paul Signac

Signac_BoulClichy86.jpg
.
outro inverno, outra cidade
.

Da melancolia

O namoro durava o que dura um Verão,
tanto e tão pouco, quase nada.
Era um sopro, uma embriaguez,
um êxtase, com o mar ao fundo
a trazer para o areal algas e conchas,
restos de comida, garrafas vazias,
objectos náufragos, nomes de sereias.
O Verão, às vezes, durava uma vida.
Outras vezes durava uma noite.
Havia uma canção que marcava a cadência
da paixão volátil: Smoke Gets in Your Eyes.
Como seria ridículo dizer isto em português.
Depois havia as cartas e os retratos
com dedicatórias lembrando aquele Agosto,
aquele passeio de barco, aquela
madrugada no Palm Beach
ao som de Yesterday. Era tão veloz
esse tempo que parecíamos envelhecer
uma vida em cada semana.
Se morria um amigo, era como
se morresse para sempre a magia do Verão.
E nunca mais houve amores
como esses, primordiais e inocentes. Totais.
Voltar a eles é tão impossível
como voltar ao aconchego do ventre materno.
O namoro durava apenas um Verão,
mas é sempre a ele que voltamos
quando a palavra amor nos queima os lábios.

.

José Jorge Letria
.

 
.

28 de dezembro de 2009

Paul Cesar Helleu

Peggy_Letellier%20PCHelleu.jpg
.
Peggy Letellier preparada para o inverno
.

Nem sempre foi assim

(gentileza de Amélia Pais)
.

Nem sempre foi assim
quando tudo entre nós ficava branco
tu passavas o tempo nas minhas mãos

a contar os barcos que saíam para o mar
e gostavas de imaginar outros horizontes
a vida está sempre a mudar, dizias-me,
e eu sabia que nada mais te poderia dar
além do quarto alugado onde dormíamos.

.

Alexandre de Castro
.

27 de dezembro de 2009

O Livro Infindável VI

O livro: capa, apresentação, dedicatória,
prólogo, sobrecapa, texto.
O primeiro capítulo: a letra decora
o início do texto. A sobrecarga
de tinta sobre a palavra dita
em mágica retórica.

Iniciado, o livro se demonstra infindável
em vicissitudes e tragédias. O riso esplendoroso
dos adjetivos e a aspereza das palavras
em cantos dedilhados como músicas.

Permanece o infindável assunto:
remete o leitor à profundeza
grandeza
altivez
ao alto espaço
percorrido
na civilização
incorporada
como texto.

Fecho o livro, apago minhas marcas
sobre o insucesso da leitura. Destaco
em riscos o ranger dos dentes.

O livro permanece infindável na estante
onde repousa o instante inicial do personagem.
.
Pedro Du Bois

.

 
.

26 de dezembro de 2009

Paul Cesar Helleu

Mademoiselle_VaughanPC%20HElleu.jpg
.
Mademoiselle Vaughan
.

O Livro Infindável V

Infindável livro: melancólico
em tristezas disfarçadas; saudoso
no sono e o sonho de páginas percorridas
com a ponta do dedo molhado no virar
a página seguinte e seguinte e seguidamente
destituída do caminho.

A mesma página reduz dramas
em comédias. A tradução em introdução.
O remédio entre duas e três
palavras ditas em repetições.

A dimensão inexata: leio e releio a página atual
e busco ao molhar o dedo a folha seguinte.

Infindável parábola metaforicamente
recolhida ao dia. O rubor da face diante
do desconhecimento do elenco formatado
na recontagem da história.

Leio o título e tateio o livro:
sobram espaços vazios de leituras
não iniciadas. A infindável vida
desregrada aos óbices
e o sexo permissível
aos homens de vontade
insubmissa à criação
literária

.
Pedro Du Bois
.

Paul Cesar Helleu

helleu.jpg
.
dia de preguiça, a recuperar das festas
.

25 de dezembro de 2009

O Livro Infindável IV

.
Ao contrário do prometido
o mundo se revela ingrato ao leitor
amigo: esmigalhado entre
conceitos e a concepção da história.

O livro infindável confia
ao homem a leitura do tempo
em espaços intercalados.

Dimensão: sonho a continuação
da história em palcos, em cinemas
desfeitos em estacionamentos.

A infindável história destruída
no silêncio dos automóveis estacionados.

O som da buzina, o ranger dos freios,
o personagem atropelado sobre o friso
central do palco: a rampa leva o carro
ao centro e o desfaz em capítulos.

.

Pedro Du Bois
.

Domenico Ghirlandaio

Ghirlandaio%20D-3_jpg.jpg
.
um natal vindo do século XV
.

O Livro Infindável III

.
Uma vez estive aqui penso
como leitor
e folheio a página infindável
do livro. Pela lombada calculo
a quantidade de folhas e a multiplicidade
das páginas.

Não imagino o peso entreolhado no vértice
do conto, do romance; no hemistíquio
do poema declamado.

Infindável o corpo se junta ao livro
e sonham finais infelizes, finais
acalorados em beijos. Finais
inexistentes.

.

Pedro Du Bois
.



sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Arte e Poesia em Modus Vivendi

20 de dezembro de 2009


Max Beerbohm

Max%20Beerbohm.jpg
.
a curiosidade em demasia...
.

Farpas

Tanta farpa cravei por acidente
no meu próprio flanco.

As farpas oscilam a cada passo meu,
lacerando sempre um pouco mais
os rasgões que já trago na carne.

Toma para ti - ò touro divino,
verdadeiro destinatário delas! -
algumas dessas farpas.

Que todas sobre mim são muito peso,
muita dor,
muito sangue empastando sobre a pele,
muita mosca cevando-se no sangue.

.

A. M. Pires Cabral, vencedor do Prémio de Poesia Luís Miguel Nava 2009
.


Júlio Pomar

jpomar.jpg
.
domingo em tons suaves
.

Exteriores

Quero dar um último beijo
um último abraço
e
dizer uma
última vez
que amo
.
que amo
e que meu amor
exterioriza
o ser distante
que sou.
.
Pedro Du Bois



Edward Burne-Jones

Laus%20Veneris%20%28In%20Praise%20of%20Venus%20Sir%20Edward%20Burne-Jones.jpg
.
Laus Veneris (em louvor de Vénus)
.

Quanta gioia

Un amore perduto quanta gioia
di nuove sensazioni in me sorprende.
Ma l'amore è perduto.
E la pena riprende. 

.

Sandro Penna
.

19 de dezembro de 2009


Júlio Pomar

julio%20pomar.jpg
.
beleza oculta
.

Por Ana Roque às 09:15 de 19 de dezembro de 2009 |

Choices

They offer you many things,
I a few.
Moonlight on the play of fountains at night
With water sparkling a drowsy monotone,
Bare-shouldered, smiling women and talk
And a cross-play of loves and adulteries
And a fear of death and a remembering of regrets:
All this they offer you.
I come with:
salt and bread
a terrible job of work
and tireless war;
Come and have now:
hunger.
danger
and hate.

.

Carl Sandburg
.

18 de dezembro de 2009

2666

"E sabe o que é ter classe? Ser, em última instância, soberano. Não dever nada a ninguém. Não ter de dar explicações de nada a ninguém."
Roberto Bolaño, in 2666, trad. de Cristina Rodriguez e Artur Guerra
um livro excelente, labiríntico e rico, excessivo e magistral 
.


Magritte

Magritte%20e%20o%20guarda-chuva.jpg
.
não esquecer o guarda-chuva...
.


.
.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Arte e Poesia em Modus Vivendi

 Modus vivendi

 

13 de dezembro de 2009

Popova

popova.jpg
.
ou a descoberta do construtivismo

Tenho um plano

Tenho um plano
Para cada dia da semana
Para disfarçar cada engano
Cada enguiço
Preguiça
Premissa
Percalço
Que por acaso
Me assalte
Te asfalte
Feito esmalte
Que fixa
Asfixia
Durante estes sete dias
Que se repetem por covardia

.

Paula Taitelbaum
.

12 de dezembro de 2009

Magritte

3MAGRITTE.jpg
.
o amor é cego...

Todo o tempo

Ver-te é como ter à minha frente todo o tempo
é tudo serem para mim estradas largas
estradas onde passa o sol poente
é o tempo parar e eu próprio duvidar mas sem pensar
se o tempo existe se existiu alguma vez
e nem mesmo meço a devastação do meu passado

.
Ruy Belo
.

11 de dezembro de 2009

Magritte

rene-magritte-os%20amantes.jpg
.
os amantes
.


sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Agosto - Mais Brilhante que Mil-Sóis

Hiroshima após o bombardeamento/holocausto nuclear. O «senhor» abaixo nunca se arrependeu e dormiu sempre bem, pois limitara-se a cumprir ordens.
Nunca foi julgado nem a cadeia de comando até Harry Truman, como criminosos de guerra e genocidas, num qualquer Tribunal de Nuremberga.


Colonel Paul Tibbets waving from Enola Gay's cockpit before taking off for the bombing of Hiroshima. (USAF Photo)




Desenho de Tibuka





Quadro de Magritte
.
.

.