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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Silêncio - David Mourão Ferreira

Fotos de Alice Coelho - Fotos do Mural

Foto 69 de 77 

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Silêncio

Já o silêncio não é de oiro: é de cristal;
redoma de cristal este silêncio imposto.
Que lívido museu! Velado, sepulcral.
Ai de quem se atrever a mostrar bem o rosto!

Um hálito de medo embaciando o vidrado
dá-nos um estranho ar de fantasmas ou fetos.
Na silente armadura, e sobre si fechado,
ninguém sonha sequer sonhar sonhos completos.

Tão mal consegue o luar insinuar-se em nós
que a própria voz do mar segue o risco de um disco...
Não cessa de tocar; não cessa a sua voz.
Mas já ninguém pretende exp'rimentar-lhe o risco!

David Mourão-Ferreira
Nesta foto: Blue Gitan
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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Algumas vezes na vida ... - Marilyn Monroe

Fotos de Alice Coelho - Fotos do Mural

Foto 72 de 77   

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Algumas vezes na vida, você encontra uma amiga especial. Alguém que muda sua vida simplesmente por estar nela. Alguém que te faz rir até você não poder mais parar. Alguém que faz você acreditar que realmente tem algo bom no mundo. Alguém que te convence que lá tem uma porta destrancada só esperando você abri-la. Isso é uma amizade pra sempre. Quando você está pra baixo e o mundo parece escuro e vazio, sua amiga pra sempre te põe pra cima e faz com que o mundo escuro e vazio fique bem claro. Sua amiga pra sempre te ajuda nas horas difíceis, tristes e confusas. Se você se virar e começar a caminhar, sua amiga pra sempre te segue. Se você perder seu caminho, ela te guia e te põe no caminho certo. Sua amiga pra sempre segura sua mão e diz que vai ficar tudo bem. Sua amiga é pra sempre, e pra sempre não tem fim.

Marilyn Monroe
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domingo, 30 de janeiro de 2011

Precisa-se dum amigo - Carlos Drummond de Andrade

Fotos de Alice Coelho - Fotos do Mural

Foto 71 de 77   

**ANUNCIO**

PRECISA-SE DE UM AMIGO

Não precisa ser homem, basta ser humano, ter sentimentos.

Não é preciso que seja de primeira mão, nem imprescindível, que seja de segunda mão.

Não é preciso que seja puro, ou todo impuro, mas não deve ser vulgar.

Pode já ter sido enganado ( todos os amigos são enganados).

Deve sentir pena das pessoas tristes e compreender o imenso vazio dos solitários.

Deve gostar de crianças e lastimar aquelas que não puderam nascer.

Deve amar o próximo e respeitar a dor que todos levam consigo.

Tem que gostar de poesia, dos pássaros, do por do sol e do canto dos ventos.

E seu principal objetivo de ser o de ser amigo.

Precisa-se de um amigo que faça a vida valer a pena, não porque a vida é bela, mas por já se ter um amigo.

Precisa-se de um amigo que nos bata no ombro, sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo.

Precisa-se de um amigo para ter-se a consciência de que ainda se vive.


Carlos Drummond de Andrade

domingo, 5 de dezembro de 2010

Fotos de Alice Coelho - love

Foto 31 de 37 


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The Freedom of the Moon by Robert Frost
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I've tried the new moon tilted in the air
Above a hazy tree-and-farmhouse cluster
As you might try a jewel in your hair.
I've tried it fine with little breadth of luster,
Alone, or in one ornament combining
With one first-water start almost shining.

I put it shining anywhere I please.
By walking slowly on some evening later,
I've pulled it from a crate of crooked trees,
And brought it over glossy water, greater,
And dropped it in, and seen the image wallow,
The color run, all sorts of wonder follow.
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Adicionado a 26/11

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(...)
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Victor Nogueira Gostaria de dizer qualquer coisa de belo, fora do banal. Mas hoje, hoje chego ao pé de ti com as mãos vazias e deixo-te apenas o pouco que é um beijo do Kant_O, com o sabor que lhe quiseres dar :-)
há 5 minutos
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sábado, 4 de dezembro de 2010

"Solidão" e Saudade" - Poemas de Mia Couto e Cesário Guedes da Costa

Fotos de Alice Coelho - variossss!!!!

Foto 24 de 28


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**beijonhos e um óptmo fim de semana para vócês meus AMIGOS**
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Solidão

Aproximo-me da noite
o silêncio abre os seus panos escuros
e as coisas escorrem
por óleo frio e espesso

Esta deveria ser a hora
em que me recolheria
como um poente
no bater do teu peito
mas a solidão
entra pelos meus vidros
e nas suas enlutadas mãos
solto o meu delírio

É então que surges
com teus passos de menina
os teus sonhos arrumados
como duas tranças nas tuas costas
guiando-me por corredores infinitos
e regressando aos espelhos
onde a vida te encarou

Mas os ruídos da noite
trazem a sua esponja silenciosa
e sem luz e sem tinta
o meu sonho resigna

Longe
os homens afundam-se
com o caju que fermenta
e a onda da madrugada
demora-se de encontro
às rochas do tempo

Mia Couto
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(...)
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Victor Nogueira
Ai, Alix, onde deixaste as maravilhas ?
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Saudade
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Magoa-me a saudade
do sobressalto dos corpos
ferindo-se de ternura
...dói-me a distante lembrança
do teu vestido
caindo aos nossos pés

Magoa-me a saudade
do tempo em que te habitava
como o sal ocupa o mar
como a luz recolhendo-se
nas pupilas desatentas

Seja eu de novo a tua sombra, teu desejo,
tua noite sem remédio
tua virtude, tua carência
eu
que longe de ti sou fraco
eu
que já fui água, seiva vegetal
sou agora gota trémula, raiz exposta

Traz
de novo, meu amor,
a transparência da água
dá ocupação à minha ternura vadia
mergulha os teus dedos
no feitiço do meu peito
e espanta na gruta funda de mim
os animais que atormentam o meu sono

Mia Couto 
há 5 minutos


Alice Coelho ‎*victor* ohhhh amigo .... as maravilhas de momento não estão...foram com as águas da chuva....
há 11 horas
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(...)
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Cesário Guedes da Costa
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SOLIDÃO

Pinheirais
Que me arrastais
Para essa vida escura
...Se vossa brisa sombria
Não passa da nostalgia
Qual é a vossa formosura?
É a que mais tem valor
Solidão
Alívio à dor
Paz mórbida
Candura
Crime, castigo ou pecado
Tudo nos é perdoado
Com a absolvição que dura
Do berço à tumba
Do adeus à cova funda
Só tu
Solidão tão pura

Cesário Costa
há 32 minutos
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(...)
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Victor Nogueira
Para Alix, com um bjo do Kant_O.
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Alice Coelho 
‎*victor*obrigado victor...sempre na hora e no momento certo...o comentário certo!!!! obrigado meu amigo!!!!
Ontem às 17:08 · GostoNão gosto · 1 pessoaNelinha Barros gosta disto.
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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Aos poetas - Miguel Torga

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Alice Coelho
obrigado victor
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Aos Poetas

Somos nós
As humanas cigarras.
Nós,
Desde o tempo de Esopo conhecidos...
Nós,
Preguiçosos insectos perseguidos.

Somos nós os ridículos comparsas
Da fábula burguesa da formiga.
Nós, a tribo faminta de ciganos
Que se abriga
Ao luar.
Nós, que nunca passamos,
A passar...

Somos nós, e só nós podemos ter
Asas sonoras.
Asas que em certas horas
Palpitam.
Asas que morrem, mas que ressuscitam
Da sepultura.
E que da planura
Da seara
Erguem a um campo de maior altura
A mão que só altura semeara.

Por isso a vós, Poetas, eu levanto
A taça fraternal deste meu canto,
E bebo em vossa honra o doce vinho
Da amizade e da paz.
Vinho que não é meu,
Mas sim do mosto que a beleza traz.

E vos digo e conjuro que canteis.
Que sejais menestréis
Duma gesta de amor universal.
Duma epopeia que não tenha reis,
Mas homens de tamanho natural.

Homens de toda a terra sem fronteiras.
De todos os feitios e maneiras,
Da cor que o sol lhes deu à flor da pele.
Crias de Adão e Eva verdadeiras.
Homens da torre de Babel.

Homens do dia-a-dia
Que levantem paredes de ilusão.
Homens de pés no chão,
Que se calcem de sonho e de poesia
Pela graça infantil da vossa mão.

Miguel Torga
há 9 minutos · 
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Victor Nogueira Grato Alix, a musa que inspirou aquele meu escrito por causa das "causes". Bjo :-)
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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Manuel Bandeira e Vinícius de Morais

Fotos de Alice Coelho - 20 de Outubro de 2010

Foto 1 de 7   


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"aos meus amigos"
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Tenho amigos que não sabem o
quanto são meus amigos.
Não percebem o amor que lhes
devoto e a absoluta
necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais
nobre do que o amor,
eis que permite que o objeto dela
se divida em outros afetos,
enquanto o amor tem intrínseco o ciúme,
que não admite a rivalidade.
E eu poderia suportar,
embora não sem dor,
que tivessem morrido todos os
meus amores, mas enlouqueceria
se morressem todos os meus amigos!

Até mesmo aqueles que não percebem
o quanto são meus amigos e o quanto
minha vida depende de suas existências ....
A alguns deles não procuro, basta-me
saber que eles existem.
Esta mera condição me encoraja a seguir
em frente pela vida.

Mas, porque não os procuro com
assiduidade, não posso lhes dizer o
quanto gosto deles.
Eles não iriam acreditar.
Muitos deles estão ouvindo esta crônica
e não sabem que estão incluídos na
sagrada relação de meus amigos.

Mas é delicioso que eu saiba e sinta
que os adoro, embora não declare e
não os procure.
E às vezes, quando os procuro,
noto que eles não tem
noção de como me são necessários,
de como são indispensáveis
ao meu equilíbrio vital,
porque eles fazem parte
do mundo que eu, tremulamente,
construí e se tornaram alicerces do
meu encanto pela vida.

Se um deles morrer,
eu ficarei torto para um lado.
Se todos eles morrerem, eu desabo!
Por isso é que, sem que eles saibam,
eu rezo pela vida deles.
E me envergonho,
porque essa minha prece é,
em síntese, dirigida ao meu bem estar.
Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
Por vezes, mergulho em pensamentos
sobre alguns deles.

Quando viajo e fico diante de
lugares maravilhosos, cai-me alguma
lágrima por não estarem junto de mim,
compartilhando daquele prazer ...
Se alguma coisa me consome
e me envelhece é que a
roda furiosa da vida não me permite
ter sempre ao meu lado, morando
comigo, andando comigo,
falando comigo, vivendo comigo,
todos os meus amigos, e,
principalmente os que só desconfiam
ou talvez nunca vão saber
que são meus amigos!

A gente não faz amigos, reconhece-os.
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viniciuscde morais
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(...)

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  • Victor Nogueira
    Eu vivi entre dois mundos: filho de tripeiros, a casa dos meus pais em Luanda estava aberta a toda a gente e (quase) toda a gente se sentava à nossa mrsa: Em princípio eram todos "amigos" e depois logo se separava o trigo do joio. Em Évora,... a minha hospedeira alentejana dizia que "só se dá a amizade a alguém depois desse alguém provar que merece a nossa amizade" E foi nas vilas e aldeias do Alentejo que aprendi a usar a palavra "AMIGO". Os amigos são um presente e uma presença, ali ao alcance da mão e da voz. O resto são virtualidades ilusórias que o dia a dia mostra não passarem de bolas de sabão :-)
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    há 51 minutos · 
  • Victor Nogueira Em tempo e the last but not the least - Grato pela tua presença e atenção para comigo, Alix
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    Vou-me Embora pra Pasárgada
    Manuel Bandeira

    Vou-me embora pra Pasárgada

    Lá sou amigo do rei

    Lá tenho a mulher que eu quero

    Na cama que escolherei

    Vou-me embora pra Pasárgada

    Vou-me embora pra Pasárgada

    Aqui eu não sou feliz

    Lá a existência é uma aventura

    De tal modo inconseqüente

    Que Joana a Louca de Espanha

    Rainha e falsa demente

    Vem a ser contraparente

    Da nora que nunca tive

    E como farei ginástica

    Andarei de bicicleta

    Montarei em burro brabo

    Subirei no pau-de-sebo

    Tomarei banhos de mar!

    E quando estiver cansado

    Deito na beira do rio

    Mando chamar a mãe-d'água

    Pra me contar as histórias

    Que no tempo de eu menino

    Rosa vinha me contar

    Vou-me embora pra Pasárgada

    Em Pasárgada tem tudo

    É outra civilização

    Tem um processo seguro

    De impedir a concepção

    Tem telefone automático

    Tem alcalóide à vontade

    Tem prostitutas bonitas

    Para a gente namorar

    E quando eu estiver mais triste

    Mas triste de não ter jeito

    Quando de noite me der

    Vontade de me matar

    — Lá sou amigo do rei —

    Terei a mulher que eu quero

    Na cama que escolherei

    Vou-me embora pra Pasárgada.

    Texto extraído do livro "Bandeira a Vida Inteira", Editora Alumbramento – Rio de Janeiro, 1986, pág. 90

    Manuel Bandeira: sua vida e sua obra estão em "Biografias".
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sábado, 16 de outubro de 2010

Fotos de Alice Coelho - Funny Photo Widget Photos


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Se corres a cortina
da janela onde moras
as sombras ganham
subitos relevos.
Assim tu
devias ser: dar vida às sombras
que em ti moram, e nao
deixar os ecos
sem resposta. E existir
como existe
um raio na sombra

"antonio da costa"
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Ontem às 16:57 · GostoNão gosto · 1 pessoaA carregar... ·
(...)
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Victor Nogueira Como sempre uma bela photo, que parece um desenho a carvão e permite múltiplas leituras, que por hoje me abstenho de explanar para não ser o único actor a ocupar o palco :-)
As fotos são de tua autoria ou de outrem ?
Ontem às 17:19 · GostoNão gosto · 1 pessoa
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Carmen Montesino Concordo com tudo o que aqui foi dito, parece de facto um desenho a carvão, como diz o Victor ! Obrigada, Alice e Parabéns : )
há 19 horas ·
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Alice Coelho ‎** victor** é sempre benvinda a tua critica.... nem só de coisas boas vive o nosso "ego"....
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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Poesia de Alberto Caeiro

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Victor Nogueira É dourada a cor do trigo em flor e dourado o Mar da Palha, i.e., o Estuário do Rio Tejo, dizem.
há 39 minutos · GostoNão gosto · 1 pessoaA carregar...
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(...)
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Alice Coelho
‎(Alberto Caeiro)

Não basta abrir a janela
Para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
...Para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há idéias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.

alberto caeiro
há 26 minutos · Não gostoGosto · 1 pessoa
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Victor Nogueira
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É Talvez o Último Dia da Minha Vida

É talvez o último dia da minha vida.
Saudei o sol, levantando a mão direita,
Mas não o saudei, para lhe dizer adeus.
Fiz sinal de gostar de o ver ainda, mais nada.

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"
Heterónimo de Fernando Pessoa
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Meto-me para dentro, e fecho a janela.
Trazem o candeeiro e dão as boas noites,
E a minha voz contente dá as boas noites.
Oxalá a minha vida seja sempre isto:
O dia cheio de sol, ou suave de chuva,
Ou tempestuoso como se acabasse o Mundo,

A tarde suave e os ranchos que passam
Fitados com interesse da janela,
O último olhar amigo dado ao sossego das árvores,
E depois, fechada a janela, o candeeiro aceso,
Sem ler nada, nem pensar em nada, nem dormir,
Sentir a vida correr por mim como um rio por seu leito.
E lá fora um grande silêncio como um deus que dorme.
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Alberto Caeiro
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Escrito em 12-4-1919.

Uma gargalhada de raparigas soa do ar da estrada.
Riu do que disse quem não vejo.
Lembro-me já que ouvi.
Mas se me falarem agora de uma gargalhada de rapariga da estrada,
Direi: não, os montes, as terras ao sol, o Sol, a casa aqui,
E eu que só oiço o ruído calado do sangue que há na minha vida dos dois lados da cabeça.
. Alberto Caeiro
há 11 minutos · GostoNão gosto · 1 pessoaA carregar...
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Alice Coelho ‎"Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver, acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao mundo e maior amor ao coração dos homens."
há 7 minutos · 
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Victor Nogueira
‎:-)
Ao entardecer, debruçado pela janela,
E sabendo de soslaio que há campos em frente,
Leio até me arderem os olhos
O livro de Cesário Verde.
...Que pena que tenho dele! Ele era um camponês
Que andava preso em liberdade pela cidade.
Mas o modo como olhava para as casas,
E o modo como reparava nas ruas,
E a maneira como dava pelas cousas,
É o de quem olha para árvores,
E de quem desce os olhos pela estrada por onde vai andando
E anda a reparar nas flores que há pelos campos ...

Por isso ele tinha aquela grande tristeza
Que ele nunca disse bem que tinha,
Mas andava na cidade como quem anda no campo
E triste como esmagar flores em livros
E pôr plantas em jarros...
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Alberto Caeiro, citado por um homem da cidade e da beira mar e do espaço sem fim de Angola, meu país para mim perdido deixando-me estrangeiro na terra de ninguém. Mas vou parar, pk como diriam os meus filhos "Lá está o pai com o brilhozinho nos olhos" e não quero que se transformem em cataratas tumultuosas :-)
há alguns segundos
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sábado, 9 de outubro de 2010

O principezinho - (excerto) - Antoine de Saint Éxupéry



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Alice Coelho
Principezinho
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...E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
...- Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita...
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
- Ah! desculpa, disse o principezinho.
- Que quer dizer "cativar"?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços..."
- Criar laços?
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- Exactamente, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo... Se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
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A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor... cativa-me! disse ela.
- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer alguma coisa. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me! ...

Antoine de Saint Exuperry
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há 52 minutos ·
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Victor Nogueira O Principezinho como obra literária parece-me fraquinho, mas tem pedaços duma enorme beleza humana e poética, como este :-)
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Retribuo com
http://mundophonographo.blogspot.com/2008/05/bom-ficar-pensando-em-voc.html
há 35 minutos ·
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