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sábado, 24 de dezembro de 2011

Jornal do Vaticano diz que Tintim é um «herói católico»


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Banda desenhada
Jornal do Vaticano diz que Tintim é um «herói católico»
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O jornal do Vaticano, L’Osservatore Romano’, dedica as páginas centrais da edição de hoje e uma chamada de capa para Tintin, personagem de banda desenhada a quem a Santa Sé chama de «herói católico».
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O repórter criado em 1929 pelo belga Georges Prosper Remi (1907-1983), conhecido por Hergé, «é um cavaleiro ocidental dos tempos modernos e um coração sem mácula», defende o escritor francês Dennis Tillinac no “Dictionnaire amoreux du catholicisme”, em entrada que o jornal reproduz integralmente.
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De acordo com o autor, Tintin não é um católico que possa ser identificado como tal, uma vez que nunca reza perante a ameaça da morte e nunca aparece numa igreja.
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Apenas em duas ocasiões, escreveu o articulista, se lhe escapa um «Deus o tenha» quando é informado da morte de um vilão japonês, em “O Lótus Azul", e de dois piratas de alto mar, em “O tesouro de Rackham, o Vermelho”.


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«Apesar disso, Tintin é um herói do catolicismo, impregnado dos ideais dos escuteiros, que tiveram grande importância na formação de Hergé como demonstram as suas primeiras histórias», refere Tillinac.
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Antonio Carriero alude aos «valores profundos» do personagem, que o criador aprendeu «através de uma educação católica e do escutismo: lealdade, fraternidade, amizade e disponibilidade para os mais débeis e necessitados».
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«Tintin é um herói sobrenatural que se move em cenários realistas (…). As pessoas que lhe são próximas caem em tentações - o whisky, para o capitão Haddock, os ossos, para o cão Milu, a ciência aplicada para Girassol. Mas corrigem-se no momento certo e enchem-se de coragem».
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Tillinac considera que a personagem trazida para Portugal pelo padre Abel Varzim é o «anjo guardião dos valores cristãos que o Ocidente constantemente renega ou ridiculariza».
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O sacerdote português que conhecia Hergé e se correspondia com ele convenceu os responsáveis da revista juvenil “O Papagaio” a publicar as histórias, tornando-se Portugal, no ano de 1936, o primeiro país não francófono a reproduzir as aventuras de Tintin.
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O padre Varzim tinha estudado na Universidade de Lovaina, na Bélgica, e feito amizade com o padre Norbert Walez, diretor do diário católico “Le Vingtième Siècle”, em cujo suplemento juvenil, “Le Petit Vingtième”, foram publicadas as primeiras aventuras de Tintin.
ImagemPrimeira aventura de Tintin publicada em Portugal
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“O Papagaio” era dirigido por Adolfo Simões Müller, grande admirador de Hergé, que decidiu colorir as aventuras de Tintin sem pedir permissão ao autor, fazendo assim uma estreia mundial. Hergé não protestou e até gostou de ver os seus desenhos coloridos, criticando apenas a paginação, que tinha sido remontada.



Diário de Notícias / SNPC

© SNPC | 08.11.11 
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quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Quadrinhos alemães descobrem o humor

 

Cultura | 04.11.2010

 

Os autores de HQs alemãs estão deixando a seriedade de lado e descobrindo o humor. Uma vez que o gênero literário está praticamente consolidado, os escritores sentem-se mais livres para experimentar.

 

Em seu romance ilustrado autobiográfico Vier Augen (Quatro Olhos), Sascha Hommer descreve alguns eventos memoráveis de sua adolescência, passada na região alemã da Floresta Negra. Dessas memórias fazem parte reuniões com os amigos regadas a cigarro, o caso amoroso com uma jovem que sofria de um distúrbio alimentar e a descoberta do LSD.
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Hommer consegue surpreendentemente capturar esses momentos em poucos e simples desenhos, todos em preto-e-branco, evocando as preocupações, medos e esperanças típicas de um jovem que cresce longe dos centros urbanos. Os desenhos são acompanhados de pouco texto, pois Hommer acredita que descrições complexas nem sempre são necessárias para expressar pensamentos significativos.
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"Acho muito importante evitar o mal-entendido de que existem única e exclusivamente boas histórias e boas narrativas. E que as imagens podem ficar tranquilamente de lado. Em muitos trabalhos que especialmente gosto, e também em vários que me serviram de exemplo, a forma é o que transporta o conteúdo", diz Hommer.
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'Quatro Olhos', de Sascha HommerBildunterschrift: 'Quatro Olhos', de Sascha Hommer
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Sério e engraçado

Muitos dos novos quadrinhos e novelas gráficas na Alemanha tratam de assuntos sérios, como é o caso desse livro de Hommer, que disseca as tentativas e experiências da adolescência. O autor observa, contudo, que alguns escritores estão tentando se afastar dessa espécie de "peso" nas HQs do país.
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"O domínio de tal estética e de temas sérios, que estiveram em primeiro plano, foi de certa forma necessário para as HQs, mas agora acho que já superamos isso. E os cartunistas mais jovens que estão chegando ao mercado alemão com seus quadrinhos têm uma relação mais leve com isso e vão trazer o humor de volta", analisa o autor.
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Dirk Rehm, da editora Reprodukt, que está por trás dos livros de Hommer, acredita que os novos autores têm boas razões para optarem por uma conduta mais leve em seus trabalhos.
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"Os jovens autores podem manter uma postura mais relaxada, porque eles não têm que provar que os quadrinhos podem ser algo além de sujeira e lixo. Essa luta já foi empreendida pela última geração", observa Rehm à Deutsche Welle. "Hoje, eles podem simplesmente fazer o que querem", completa.
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Embora a Reprodukt publique muitas HQs de teor biográfico e autobiográfico, Rehm afirma que isso não implica, de forma alguma, que as obras sejam menos ligadas a temas humorísticos e de aventura. Além disso, Rehm observa ainda uma nova tendência emergente no gênero: os quadrinhos com temas históricos.
Sascha Hommer 

Literatura "híbrida" 
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Hommer, um escritor esbelto, de cabelos negros e uns 30 e poucos anos, vê as HQs como um gênero híbrido, que ele começou a ler ainda muito jovem. O mesmo aconteceu com seus desenhos, aos quais ele se dedica há muito tempo.
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Mais tarde, Hommer estudou ilustração na Universidade de Ciências Aplicadas de Hamburgo, sob orientação da autora alemã de quadrinhos Anke Feuchtenberger.
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Uma graduação oficial para formar autores de HQs não existe nas universidades alemãs. No momento, os quadrinhos e as novelas gráficas estão recebendo atenção cada vez maior na mídia e, de acordo com Hommer, o gênero está sendo bem vendido no país. 
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"Comparadas com editoras pequenas, que publicam os primeiros romances de autores desconhecidos, as pequenas editoras de quadrinhos são muito bem-sucedidas", afirma Hommer. Seu próximo livro vai tratar de um assunto sério, apresentando em quadrinhos os contos de Brigitte Kronauer, vencedora do Prêmio Georg Büchner, o mais importante prêmio literário da Alemanha.
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"Acho os textos dela ótimos e estou tentando criar, nas minhas adaptações, uma densidade de informação semelhante à dos textos originais". E se uma imagem valer mesmo mais que mil palavras, a HQ de Hommer não terá que ser muito longa.
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Autores: Dirk Schneider / Eva Wutke (sv)
Revisão: Carlos Albuquerque
 
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segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

A Vida é um Jogo | Que Saudade, Snoopy! - Charlie M. Schulz

Quarta-feira, 9/12/2009
Artes
Julio Daio Borges


Digestivo nº 198 >>> Nós, profetas, somos muito teimosos
A lembrança mais presente do Snoopy, para a geração televisão, é aquele desenho que passava dublado, nem-sei-em-que-canal, e que colocava Charlie Brown no centro, como uma criança problema, em permanente crise de identidade. Charles Schulz, na verdade, em 2 de outubro de 1950, ao lançar a série Peanuts, antecipava o existencialismo desencantado de Woody Allen em algumas décadas. É o que se comprova com as tiras reeditadas agora, no Brasil, pela Conrad. Também em A Vida é um Jogo e Que Saudade, Snoopy! (os dois mais recentes títulos), Charlie “Minduim” Brown está em primeiro plano, encabulado entre a Garotinha Ruiva e as recorrentes investidas de Patty Pimentinha; premido entre a sua turma que “cresce” (e se transforma) e o seu cachorro (que pode não falar, mas que pensa e tem muito estilo). Schulz definitivamente criou uma obra-prima no universo das HQs e usou de inocentes criancinhas para propagar as inquietações sociais de seu país, os Estados Unidos. Lucy ou Lucíola (depende em que língua), uma protofeminista, tenta, por exemplo, implantar a psicanálise no grupo, mas sua banca de consultas psicológicas acaba confundida com uma banca de vender sucos. “Que puxa!”, diria ela, se fosse o protagonista. Já Marcie surge com complexo de inferioridade e uma queda pela idolatria, seguindo os passos (e as ordens) da Pimentinha e chamando-a, para a sua irritação, de “senhor”. Além dessas reivindicações de seu tempo, Schulz é capaz de cenas da mais absoluta poesia, no reino das histórias em quadrinhos, quando promove encontros (e desencontros) do beagle mais famoso do mundo com seu companheiro Woodstock, o passarinho de linguajar incompreensível. Snoopy então sai da imagem estática e do costumeiro ar blasé para mostrar suas traquinagens e sua própria interpretação dos dilemas humanos. Talvez incorpore nosso desejo primal de transmitir, a um ser “alienígena”, o julgamento de atos e palavras – que nos confundem tanto e nos aprisionam nesse negócio chamado “vida adulta”.
>>> A Vida é um Jogo | Que Saudade, Snoopy! - Charlie M. Schulz - Conrad

domingo, 27 de dezembro de 2009

A difícil arte de viver de graça




Digestivo nº 205 >>> A difícil arte de viver de graça

Se os anos 80-90 tiveram Angeli (Chiclete com Banana), Laerte (Piratas do Tietê) e Glauco (Geraldão), os anos 2000 já podem dizer que têm Allan Sieber, Leonardo e Arnaldo Branco – todos em volta da recém-editada revista F. (Hy Brazil Editora/ Gibiteca Editorial). Talvez não seja essa a associação mais adequada, mas, a exemplo do trio de 1980-90, são novamente Três Amigos dando o sangue e a cara para bater numa publicação quadrinística e de humor. Já o formato, grande, lembra demais o Pasquim original. Se for essa a intenção, na F. falta jornalismo e sobra artes gráficas – apesar da entrevista bombástica de Claudio Assis, o cineasta por trás de Amarelo Manga (2003). Na linha desbocada que o mesmo Pasquim consagrou, e que volta a ser moda num tempo de menos palavras e de mais palavrões, Assis cai de pau, para ficar entre seus pares, em Hector Babenco e subliminarmente nos Irmãos Salles. Embora seu filme seja também mainstream, encarna aquela atitude underground, de excluído midiático, desqualificando o “sistema” (ou o que quer que isso seja) de alto a baixo. O tom agressivo (e agredido) permeia outros momentos da revista F. É louvável, por exemplo, o ataque a algumas unanimidades nacionais. Pediram, de repente, a Arnaldo Jabor que tentasse dizer algo que não envolvesse “as ilusões perdidas de sua geração” – ele ficou calado. Provocaram, então, Caetano Veloso – e este, atacado, foi atrás de Paula Lavigne para instaurar o quebra-pau (quando a F. foi concebida, a separação ainda não tinha tido lugar). Cansam, um pouco, as obsessões com sexo, mesmo que historicamente se saiba que, nesse tipo de veículo, o tema tem apelo forte. Para terminar, Allan, Leonardo e Arnaldo fazem de si mesmos personagens, numa fotonovela que narra a sua busca por uma secretária... Um ponto forte da F. é o preço, pois por 4 reais ninguém vai se sentir lesado (e vai, ao contrário, se arriscar). Em termos de conteúdo, não é a oitava maravilha do mundo, mas, em termos de iniciativa, é fundamental para abrir as transbordantes comportas geracionais.
>>> Revista F.
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Kaboom! - Banda Desenhada




Digestivo nº 222 >>> E a bomba caiu!
Embora sejam abundantes no Brasil as histórias em quadrinhos, é rara a publicação que trata do gênero de forma adulta. As abordagens, em geral, quando existem, são condescendentes, no tom paternalista; ou então juvenis demais, espantando o leitor maduro; ou ainda puramente infantis, comunicando-se com crianças ou nem isso. Na contramão dessas opções tão conhecidas (ou na falta de), surgiu a Kaboom!, uma publicação da Eclipse Quadrinhos, só sobre o universo das HQs, mas, desde o primeiro número, tratando o assunto do ponto de vista histórico, respeitando o leitor e, ao mesmo tempo, não sendo demasiadamente professoral. É impressionante o que se coletou de informação para produzir um exemplar de 50 páginas, a R$ 4,90. Remetendo às primeiras manifestações, desde o homem das cavernas (literalmente), até a revolução dos mangás e dos animes, passando, claro, pelos super-heróis, pelos fanzines, pelos italianos, pelos europeus, pela contracultura e pelos brasileiros. Involuntariamente ou não, os editores Daniel Camerini e Leonardo Passos, com sua equipe, acabaram produzindo um verdadeiro guia para quem procura se orientar no mundo das histórias em quadrinhos, desde o século XIX pelo menos, e seus atuais desdobramentos, em videogame, no cinema e na computação gráfica. Desde Mandrake e Spirit até Capitão América; desde Osamu Tezuka, e sua princesa Safiri, até Sergio Bonelli, e seu popularíssimo Ken Parker; desde Betty Boop até Sandman; desde a Marvel até a Vertigo; desde Crumb até Schulz; desde Henfil até Allan Sieber. É até questionável o futuro da Kaboom!, já que ela praticamente esgotou o tema na primeira edição. O que virá depois? Cobertura do mercado atual? Discussão dos títulos em banca? Análise da evolução presente, tomando por base a forte perspectiva histórica? A reportagem de uma cena tupiniquim? A interação entre mídias? O público leitor? Daniel Camerini, Leonardo Passos e sua trupe, graças à realização muito além das expectativas, têm uma grande responsabilidade, em termos de continuidade, agora. Se for possível permanecer com essa equipe que produziu textos exemplares, logo na primeira oportunidade, o futuro da Kaboom! está assegurado – e a educação de geração de HQ-maníacos atinge novo patamar.
>>> Kaboom! (contato)
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