* Correia da Fonseca
Foi na passada segunda-feira: o dia amanhecera a justificar a sua pertença à primavera, e a televisão, mais exactamente a RTP1, como que aproveitou o quase tácito convite para sair a recolher imagens no exterior, com cidadãos e cidadãs que se adivinhava estarem fartos de confinamentos de vária ordem a saciarem pelo menos um pouco a sua sede de ar livre. E, tanto quanto as imagens permitiram ver, não andavam isolados ou apenas aos pares: estavam em grupos, como que acrescentando ao prazer do ar livre usufruído o outro prazer de estarem com outros, como se o ar livre só se completasse com a presença de gente e só desse modo o prazer fosse inteiro. E seria assim, em verdade. Porque a generalidade dos prazeres que o quotidiano nos oferece só é completo se partilhável e/ou partilhado, ainda que nem sempre tenhamos clara consciência disso. Viver a sério é com os outros, ainda que nem sequer nos lembremos desse condicionamento, tão natural e básico que ele é. O título de um romance de Isabel da Nóbrega, escritora que parece estar a ser injustamente esquecida, é esse mesmo: «Viver com os outros». Que esta apressadíssima alusão os recorde, ao livro e à autora, é um mérito mínimo que lhe cabe.
Robinson e Sexta Feira
Sabe-se, é claro, que a sociedade hipercapitalista em que vivemos, em que na verdade estamos aprisionados, privilegia as soluções individuais porventura condensadas no por vezes quase sacralizado princípio do desenrascanço individual. Até serão muitos os que se sentem constrangidos pela necessidade prática de viver com os outros e porventura sentem uma espécie de uma informulada e aliás inconcretizável vocação para serem Robinsons Crusoe. Mas até Robinson teve o seu Sexta Feira a destruir a inteira solidão que uma ilha deserta imporia e, tanto quanto se entende ou adivinha, a presença de Sexta Feira foi-lhe de enorme utilidade. Afinal, no decurso das andanças que a vida nos impõe, todos precisamos de Sextas Feiras e só com eles é que tem inteiro sentido o percurso existencial que cumprimos. Por outras e simples palavras: viver é com os outros e não há outra maneira de estar vivo; viver é com os outros mesmo quando parece que viver é contra os outros. Assim, um belo dia solarengo que confirma a chegada da Primavera só é adequadamente saboreado se o pudermos partilhar com outros. E o que é verdade para um dia primaveril é-o também para outros contextos menos poetizáveis mas mais urgentes: a consecução de objectivos comuns, a defesa de direitos, a construção de uma sociedade. Sem os outros, os objectivos básicos somem-se dissolvidos na miopia do individualismo extremo e bronco. Os outros é que dão sentido a quase tudo. Vivamos com eles.
https://www.avante.pt/pt/2471/argumentos/163676/Viver-com-os-outros.htm

Eu sei o que é este tipo de selvaria. Sofria na carne, enquanto soldado do exército cobarde e fascista que manteve Portugal naquela situação até ao 25 de Abril. Situação de exército cobarde, entenda-se.
Agora, penso eu, que todas as entidades patronais que praticam tais crimes deviam ser denunciadas a trabalhadores e trabalhadoras honestos (as), para que todos, em conjunto, estudassem uma forma para que se fizesse um julgamento justo a esses assassinos. E, como é bem evidente, esse ou esses julgamentos nunca deveriam passar pelos nossos tribunais, porque estes, na minha perspectica claro, também estão comprometidos. Por isso, ainda que muitos me venham a chamar de qualquer coisa, devíam ser os próprios lesados a fazer justiça a esses bandidos.
Eu já estou velho, mas alinho. Acabar o resto da minha vida numa prisão deste sistema judicial, com estes Juízes, corruptos, só traria serenidade ao meu espírito.
Abraços
David Santos, São João da Madeira.
Defacto, os patroês sao todos iguais seja em portugal ou na europa tudo isto chama-se capitalismo.
Na sociadade capitalista o homem so conta como força de trabalho mais nada,se nao entra no sixtéma fica de lado.A todos os que resistem coragem camaradas,a rasâo é nossa. Joao FERNANDES Toulouse França, 20/01/10