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quinta-feira, 5 de agosto de 2021

Florbela Espanca - Ser poeta

* Florbela Espanca

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

Carlos Coutinho - Poesia

(Carlos Coutinho, in Facebook, 01/08/2021)

Florbela Espanca, num soneto muito conhecido e até muito cantado, proclama que ser poeta “é ter asas e garras de condor”, questão que monopolizou a conversa de duas senhoras minhas desconhecidas, esta manhã, num café do meu bairro, onde raramente vou.

Aposto que são professoras, porque ambas tinham livros sobre a mesa, embora só uma folheasse de vez em quando um grosso caderno de argolas, precisamente aquela que mastigou o citado verso de Florbela e afirmou:

– Ainda não sei se, neste caso, não teremos aqui um poeta, em vez de uma poetisa… Como agora está na moda dizer…

– Que ideia! Lê o soneto desde o princípio.

Silêncio.

–. Sim. Nenhum macho seria capaz de escrever que ser poeta “é condensar o mundo num só grito”.

– Hum… os machos também sabem mentir.

Senti-me abrangido pela ofensa e fiquei sem respiração quando ouvi:

– Olha este: bla, blá, blá “quando os teus mamilos túmidos como cerejas de veludo tépido rastejam devagarinho no meu peito atento, descem de rojo pelo meu ventre e só me param nestas virilhas sôfregas, absolutamente se aninhando nelas, que finalmente lhe dão guarida …”

– Há melhor. Olha este: “Existe uma Valquíria que me faz voar sobre obstáculos irremovíveis. Como é bom sentir-lhe o peso!”

– Aí estão dois fragmentos que podem ser muito expressivos, mas nada de poético se deteta na sua construção… O que também está na moda. Gosto mais do tempo em que se escrevia assim: “Conheço o sal da tua pele seca…”

Olá, pensei, isto é Sena! E pus-me â escuta. Só que, tal como, alguns momentos antes, eu não tinha conseguido reter as palavras todas do pretenso poema e apenas me é possível transcrevê-las agora, porque a dona do papel o deixou cair ao chão inadvertidamente e se esqueceu de o apanhar quando foi embora, também o saboroso texto de Jorge de Sena me escapava em grande parte.

Mas eu sabia onde encontrá-lo e, quando cheguei a casa, corri para a estante, tirei a “Poesia-III” e não demorei a ver na pág. 236 o que pretendia. Li, saboreei e não me coíbo a transcrever aqui as duas primeiras e as duas últimas estrofes:

“Conheço o sal da tua pele seca

depois que o estio se volveu inverno

da carne repousando em suor nocturno.

“Conheço o sal do leite que bebemos

quando das bocas se estreitavam lábios

e o coração no sexo palpitava.

(…)

“Conheço o sal da tua boca, o sal

da tua língua, o sal de teus mamilos,

e o da cintura se encurvando de ancas.

“A todo o sal conheço que é só teu,

ou é de mim em ti, ou é de ti em mim,

um cristalino pó de amantes enlaçados.”

Quem quiser conhecer o poema na íntegra faça como eu, que estes esforços não fatigam e dão saúde.


https://estatuadesal.com/2021/08/05/poesia/

domingo, 1 de janeiro de 2017

Florbela Espanca - Desejos Vãos

* Florbela Espanca
Eu queria ser o Mar de altivo porte
Que ri e canta, a vastidão imensa!
Eu queria ser a Pedra que não pensa,
A pedra do caminho, rude e forte!
Eu queria ser o Sol, a luz imensa,
O bem do que é humilde e não tem sorte!
Eu queria ser a árvore tosca e densa
Que ri do mundo vão e até a morte!
Mas o Mar também chora de tristeza …
As árvores também, como quem reza,
Abrem, aos Céus, os braços, como um crente!
E o Sol altivo e forte, ao fim de um dia,
Tem lágrimas de sangue na agonia!
E as Pedras … essas … pisa-as toda a gente! …
Florbela Espanca, in “Livro de Mágoas”

quarta-feira, 9 de março de 2016

Florbela Espanca - “TORRE DE NÉVOA”

* Florbela Espanca

“Subi ao alto, à minha torre esguia,
Feita de fumo, névoas e luar,
E pus-me, comovida, a conversar
Com os poetas mortos, todo o dia.

Contei-lhes os meus sonhos, a alegria
Dos versos que são meus, do meu sonhar,
E todos os poetas, a chorar,
Responderam-me então: «Que fantasia,

Criança doida e crente! Nós também
Tivemos ilusões, como ninguém,
E tudo nos fugiu, tudo morreu!...»

Calaram-se os poetas, tristemente...
E é desde então que eu choro amargamente
Na minha torre esguia junto ao céu!...”


“Livro de Mágoas” - 1919
In: Espanca, Florbela. “SONETOS”. Publicações Anagrama, Lda. Colecção Clássicos 14

http://aquem-tejo.blogs.sapo.pt/torre-de-nevoa-florbela-espanca-90728

terça-feira, 22 de setembro de 2015

o outono na poesia

•     Olavo Bilac - Em Uma Tarde de Outono
•     Eugénio de Andrade - Outono
  • David Mourão-Ferreira Seria Outono aquele dia…
  • Mário Quintana - Canção de Outono
  • Cecília Meireles - Canção de Outono
  • Fernando Pessoa - Uma névoa de Outono o ar raro vela,
  • Alice Gomes -  Chegou o outono –
  • Miguel Torga – Outono
  • Ricardo Reis - Quando, Lídia, vier o nosso Outono
  • Paul Verlaine  -  chanson d'automne
  • Florbela Espanca - Outonal

·         Olavo Bilac
Em Uma Tarde de Outono

Outono. Em frente ao mar. Escancaro as janelas 
Sobre o jardim calado, e as águas miro, absorto. 
Outono... Rodopiando, as folhas amarelas 
Rolam, caem. Viuvez, velhice, desconforto... 

Por que, belo navio, ao clarão das estrelas, 
Visitaste este mar inabitado e morto, 
Se logo, ao vir do vento, abriste ao vento as velas, 
Se logo, ao vir da luz, abandonaste o porto? 

A água cantou. Rodeava, aos beijos, os teus flancos 
A espuma, desmanchada em riso e flocos brancos... 
Mas chegaste com a noite, e fugiste com o sol! 

E eu olho o céu deserto, e vejo o oceano triste, 
E contemplo o lugar por onde te sumiste, 
Banhado no clarão nascente do arrebol... 

Olavo Bilac, in "Poesias" 

·         Eugénio de Andrade
Outono

O outono vem vindo, chegam melancolias,
cavam fundo no corpo,
instalam-se nas fendas; às vezes
por aí ficam com a chuva
apodrecendo;
ou então deixam marcas; as putas,
difíceis de apagar, de tão negras,
duras.

Eugénio de Andrade, in 'O Outro Nome da Terra' 

·         David Mourão-Ferreira
Seria Outono aquele dia…

"Mas quem diria ser Outono
se tu e eu estávamos lá?
(Tínhamos sono... Tanto sono!
É bom dormir ao deus-dará...)
E sobre o banco do jardim,
ante a cidade, o cais e o tejo,
seria bom dormir assim,
ao deus-dará, como eu desejo...
Mas o teu seio é que não quis:
tremeu demais sob o meu rosto...
Seria Outono aquele dia,
nesse jardim doce e tranquilo...?
Seria Outono...
Mas havia
todo o teu corpo a desmenti-lo."

David Mourão Ferreira 

·         Mário Quintana
Canção de Outono

O outono toca realejo
No pátio da minha vida.
Velha canção, sempre a mesma,
Sob a vidraça descida…
Tristeza? Encanto? Desejo?
Como é possível sabê-lo?
Um gozo incerto e dorido
De carícia a contrapelo…
Partir, ó alma, que dizes?
Colher as horas, em suma…
Mas os caminhos do Outono
Vão dar em parte nenhuma!


* Cecília Meireles
Canção de Outono

Perdoa-me, folha seca, 
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo, 
e até do amor me perdi.
De que serviu tecer flores
pelas areias do chão 
se havia gente dormindo 
sobre o próprio coração?

E não pude levantá-la!
Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando aqueles 
que não se levantarão...

Tu és folha de outono 
voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
- a melhor parte de mim.
E vou por este caminho,
certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão.
.
  
Cecília Meireles MEIRELES, C. Poesia completa: Volume 2. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2001.


·         Fernando Pessoa 
Uma névoa de Outono o ar raro vela,

Uma névoa de Outono o ar raro vela,
Cores de meia-cor pairam no céu.
O que indistintamente se revela,
Árvores, casas, montes, nada é meu.
Sim, vejo-o, e pela vista sou seu dono.
Sim, sinto-o eu pelo coração, o como.
Mas entre mim e ver há um grande sono.
De sentir é só a janela a que eu assomo.
Amanhã, se estiver um dia igual,
Mas se for outro, porque é amanhã,
Terei outra verdade, universal,
E será como esta               [...]



·         ALICE GOMES
CHEGOU O OUTONO –

Chega o outono!
As andorinhas
despedem-se das outras avesinhas
e vão pelos ares fora
vão-se embora
embora?
Não!
Que voltam, voltarão...
Quando a bela estação
da Primavera
que antecede ao Verão
oferecer melhor vida.
Não têm agasalhos nem comida,
vão para terras quentes
à procura do sol que as consola
Mas nós, crianças,
nós,
todos contentes
partimos para a escola.

ALICE GOMES


* Miguel Torga
Outono

Tarde pintada
Por não sei que pintor.
Nunca vi tanta cor...
... Tão colorida!
Se é de morte ou de vida,
Não é comigo.
Eu, simplesmente, digo
Que há fantasia
Neste dia,
Que o mundo me parece
Vestido por ciganas adivinhas,
E que gosto de o ver, e me apetece
Ter folhas, como as vinhas.


  
* Ricardo Reis 
Quando, Lídia, vier o nosso Outono


Quando, Lídia, vier o nosso Outono
Com o Inverno que há nele, reservemos
Um pensamento, não para a futura
Primavera, que é de outrem,
Nem para o Estio, de quem somos mortos,
Senão para o que fica do que passa
O amarelo actual que as folhas vivem
E as torna diferentes.

Odes

Paul Verlaine
CHANSON D'AUTOMNE

Les sanglots longs
Des violons
     De l'automne
Blessent mon coeur
D'une langueur
     Monotone.
Tout suffocant
Et blême, quand
     Sonne l'heure,
Je me souviens
Des jours anciens
     Et je pleure.
Et je m'en vais
Au vent mauvais
     Qui m'emporte
Deçà, delà,
Pareil à la

     Feuille morte.



Florbela Espanca
Outonal

Caem as folhas mortas sobre o lago;
Na penumbra outonal, não sei quem tece
As rendas do silêncio… Olha, anoitece!
- Brumas longínquas do País do Vago…

Veludos a ondear… Mistério mago…
Encantamento… A hora que não esquece,
A luz que a pouco e pouco desfalece,
Que lança em mim a bênção dum afago…

Outono dos crepúsculos doirados,
De púrpuras, damascos e brocados!
- Vestes a terra inteira de esplendor!

Outono das tardinhas silenciosas,
Das magníficas noites voluptuosas
Em que eu soluço a delirar de amor…


(Florbela Espanca, «Charneca em Flor», in «Poesia Completa»)

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Arte e Poesia em Modus Vivendi

14 de abril de 2010

Fumo

Longe de ti são ermos os caminhos,
Longe de ti não há luar nem rosas;
Longe de ti há noites silenciosas,
Há dias sem calor, beirais sem ninhos!
.
Florbela Espanca

13 de abril de 2010

Antoine Pesne

Barbara%20campanini.jpg
A bailarina Barbara Campanini, em 1745

Da Injustiça

Amaldiçoado em lágrimas
rasgo olhos ao horizonte
poente
inutilizo a noite
na chegada
em refúgio
(os cães ladram)
rememoro a hora
da notícia transmitida
palavra por palavra
revejo minha imagem
cristalizada
no congelamento
da lágrima depositada
(os cães farejam)
as dores se afastam
no distanciamento
necessário ao medo
o corpo estremece
ao se pertencer em dores
no horizonte hostil
da janela aberta
o futuro se depara
com a impertinência
do presente
(os cães comem)
afasto suas mãos das minhas:
o contato é lucidez
inoportuna na desesperança
a oração despercebida
rompe o silêncio
e se perpetua
afago o deslizar da hora
em horas subsequentes
(os cães se defendem)
murmuro o nada acontecido
e desacordo em sonhos
o retorno convive
com o fato
desproporcionado
revivo o outono em folhas
pelo chão
recupero a sanidade
e me faço cristal
de rocha esfacelado
(os cães se diferenciam)
sofro o instante
e gesto
o silêncio
o emudecer transmite
a incerteza da pergunta
na vastidão ampliada
da insensibilidade
(os cães desfazem)
posso perguntar
o que bem entendo:
mas não entendo
posso exprimir
a minha raiva:
mas não pretendo
posso aproximar
os olhos à fotografia:
mas não enxergo
(os cães confundem)
calendários dizem que os anos passam
o exercício diuturno de recuperar
o inconsciente e o aguardar
refulgente: recomposto
o exército lancinante dos ataques
distribuí ossos que estalam
(os cães apavoram)
um dia destaco na pedra
o sinal: acordo
um dia acordo e na pedra
destaco o sinal
um sinal na pedra
é destaque quando acordo
(os cães se acovardam)
olho e enxergo
ouço e escuto
pego e sinto
levo à boca
e o sal amarga
o recesso de onde retirado
avaros dias de permanências
permanentes signos
aparentes esboços
o processo desarruma o fato
em procedimentos
(os cães arfam)
ouvidas as testemunhas
os peritos dizem
das especialidades
nada
nada
a improvável condenação
confundida em versos
na reversão da realidade
(os cães obedecem)
choro atravessar o espaço
desconsolado em fatuidades
remoço a fotografia
e me instalo diante
da orfandade
perder significa atos
ao despropósito
de continuar vivo
(os cães silenciam).

Pedro Du Bois

12 de abril de 2010

Eliseu Visconti

eliseu%20visconti.jpg
puro cansaço
 

Vivir es caminar

(gentileza de Amélia Pais)
.
Vivir es caminar breve jornada,
y muerte viva es, Lico, nuestra vida,
ayer al frágil cuerpo amanecida,
cada instante en el cuerpo sepultada.
Nada que, siendo, es poco, y será nada
en poco tiempo, que ambiciosa olvida;
pues, de la vanidad mal persuadida,
anhela duración, tierra animada.
Llevada de engañoso pensamiento
y de esperanza burladora y ciega,
tropezará en el mismo monumento.
Como el que, divertido, el mar navega,
y, sin moverse, vuela con el viento,
y antes que piense en acercarse, llega.


Francisco de Quevedo

11 de abril de 2010

Antoine Pesne

Antoine%20Pesne.jpg
Elisabeth Christine von Braunschweig-Bevern, c. 1739.
 

De regresso

E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Fernando Pessoa
.

Mácula

Desprovido de mácula mancho o passo
com o sangue: acetinado preço
do inocente declarado; o pecado
urdido em mortes se rebela
contra o antagonismo da verdade;
o sangue jorra minha vida esvaída
ao sentido de me dizer libertado;
maculo histórias em interpretações
despropositadas, reinvento atos
de coragem em paródias
prosódias
sarcasmo
desprovido em mácula.
O sangue cessa o alvor
do corpo despropositado.
.-
Pedro Du Bois

10 de abril de 2010

Potsdam

sanssouci-palace-potsdam-d047.jpg
hoje é dia de visitar Sanssouci
| 

The Laughter Of Women

The laughter of women sets fire
to the Halls of Injustice
and the false evidence burns
to a beautiful white lightness
It rattles the Chambers of Congress
and forces the windows wide open
so the fatuous speeches can fly out
The laughter of women wipes the mist
from the spectacles of the old;
it infects them with a happy flu
and they laugh as if they were young again
Prisoners held in underground cells
imagine that they see daylight
when they remember the laughter of women
It runs across water that divides,
and reconciles two unfriendly shores
like flares that signal the news to each other
What a language it is, the laughter of women,
high-flying and subversive.
Long before law and scripture
we heard the laughter, we understood freedom.
.
Lisel Mueller

09 de abril de 2010

East Side Gallery

eastsidegallery08.jpg
hoje, aproveitando o bom tempo
| 

Stay

Now the journey is ending,
the wind is losing heart.
Into your hands it's falling,
a rickety house of cards.
The cards are backed with pictures
displaying all the world.
You've stacked up all the images
and shuffled them with words.
And how profound the playing
that once again begins!
Stay, the card you're drawing
is the only world you'll win.
.
Ingeborg Bachmann

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Anseios - Florbela Espanca

Assunto: MEU OLHAR...
Data: 4/Fev 19:06
QUERIA QUE MEU OLHAR NÃO FOSSE TRISTE...ELE QUE É DA CÔR DO MAR...QUE OLHASSE O CÉU E NELE VISSE TODOS MEUS ANSEIOS, MEUS AMORES E MEUS CANTARES...DANÇA, MEU OLHAR COMO UMA ONDA, DE BRANCA ESPUMA ENFEITADA,DEVAGAR BEIJA A AREIA QUE TE ESPERA NESTA PRAIA DA VIDA IMAGINADA... NÃO DEIXES QUE DE TI ESCORRAM LÁGRIMAS...VESTE O MEU SORRISO, PROCURA-O....EM ALGUM PONTO DA MINHA VIDA DEVE ESTAR...TOCA-O, ACORDA-O, LEVA-O CONTIGO E ENTREGA-TE AO SEU CALMO EMBALAR. DEIXA QUE UMA GAIVOTA EM TI VÔE E QUE, ALEGRE, UM GOLFINHO, FELIZ, VÁ BRINCANDO, ALTERNANDO, NOS SEUS SALTOS, CÉU E MAR...QUE ONDINAS E SEREIAS TE HABITEM, QUE O SOL TE PROCURE E EM TI DURMA, PARA DE SEGUIDA A LUA TE ENCONTRAR...SE NADA DISTO ACONTECER, DIZ-ME, QUE ME VALE SERES DA CÔR DO MAR?...É MAIS UMA MIRAGEM, UM PESADELO, MEU DESTINO BRINCANDO, ESTE SABOR ACRE NA BOCA, MINHA ALMA NO NADA A BOIAR...EM ANEXO UM BEIJO!
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Distribuído por Moranguinho Pereira (hi5)
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ANSEIOS

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Meu doido coração aonde vais,
No teu imenso anseio de liberdade?
Toma cautela com a realidade;
Meu pobre coração olha que cais!
.

Deixa-te estar quietinho! Não amais

A doce quietação da soledade?
Tuas lindas quirneras irreais,
Não valem o prazer duma saudade!
.

Tu chamas ao meu seio, negra prisão!

Ai, vê lá bem, ó doido coração,
Não te deslumbres o brilho do luar!...

.

Não 'stendas tuas asas para o longe..
Deixa-te estar quietinho, triste monge,
Na paz da tua cela,a soluçar...
.
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FLORBELA ESPANCA 

Versos de Orgulho - Florbela Espanca

Assunto: PRESENTE - PASSADO...
Data: 3/Fev 19:33
SEM ENFEITES,SEM DISFARCES OLHO PARA O ESPELHO ANTES DE SAIR...AFINAL QUEM SOU? SE ACREDITASSE NO QUE OS OUTROS DIZEM, SERIA UM ECO HABITANDO OS MONTES - O QUE QUER QUE OUVISSE, DE BOM OU RUIM, DEVOLVERIA COM O MESMO GRITO. MULHER DE GUERRA, CHAMARAM-ME UM DIA...DE GUERRA SIM, MAS EM BUSCA DE PAZ...RIACHO QUE CORRE PROCURANDO O MAR, CUSTE O QUE CUSTAR,SAINDO DA ROTA SE VENCER NÃO PODE O MURO DE PEDRAS QUE LHE APARECEU...É O SEU DESTINO, HÁ QUE O ALCANÇAR...MULHER ESTANDARTE DE UMA CAUSA NOBRE QUE O MUNDO INSISTE EM NÃO RESOLVER...MULHER FLÔR BELA QUE OLHA EM VOLTA COM TODO O AMOR QUE DENTRO DE SI CONTINUA A VIVER. MAS TAMBÉM, MULHER QUE NÃO CHORA LÁGRIMAS, MAS SANGRA POR DENTRO MAS SEGUE, OLHANDO O MUNDO COM AR VENCEDOR...MULHER QUE SE RI, DE SI E DA VIDA, ACEITANDO FIRME DERROTAS VIVIDAS E ACREDITANDO EM TEMPOS MELHORES...MULHER-CORPO INTEIRO...MULHER SEMPRE VIVA...MULHER QUE SE ACEITA...MULHER QUE É MULHER. COM ESTE PASSADO CONSTRUO UM SORRISO...QUEM ME DERA ASSIM AINDA EU SER...A VIDA VENCEU-ME...MAS É UM SEGREDO QUE GUARDO BEM FUNDO...SAIO PARA A RUA DE CABEÇA ERGUIDA...A MULHER DE GUERRA QUE ALGUÉM ME CHAMOU... NÃO HAVERÁ QUEM VEJA O QUANTO EU SOFRO, OLHANDO O MEU AR, MEU GESTO RISONHO...SOU O D. QUIXOTE SEM O SANCHO PANÇA E OS MEUS MOINHOS ESPERAM POR MIM!...EM ANEXO UM BEIJO!
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Distribuído por Moranguinho Pereira (hi5)
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VERSOS DE ORGULHO

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O mundo quer-me mal porque ninguém

Tem asas como eu tenho ! Porque Deus
Me fez nascer Princesa entre plebeus
Numa torre de orgulho e de desdém.
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Porque o meu Reino fica para além ...

Porque trago no olhar os vastos céus
E os oiros e clarões são todos meus !
Porque eu sou Eu e porque Eu sou Alguém !
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O mundo ? O que é o mundo, ó meu Amor ?

__O jardim dos meus versos todo em flor ...
A seara dos teus beijos, pão bendito ...

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Meus êxtases, meus sonhos, meus cansaços ...
__São os teus braços dentro dos meus braços,
Via Láctea fechando o Infinito.
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FLORBELA ESPANCA

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Cravos vermelhos - Florbela Espanca

Assunto: CRAVOS VERMELHOS
Data: 19/Jan 22:48







Red Carnation gif Pictures, Images and Photos

CRAVOS VERMELHOS
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Bocas rubras de chama a palpitar,
Onde fostes buscar a cor, o tom,
Esse perfume doido a esvoaçar,
Esse perfume capitoso e bom?!
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Sois volúpias em flor! Ó gargalhadas
Doidas de luz, ó almas feitas risos!
Donde vem essa cor, ó desvairadas,
Lindas flores d´esculturais sorrisos?!
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...Bem sei vosso segredo...Um rouxinol
Que vos viu nascer, ó flores do mal
Disse-me agora: "Uma manhã, o sol,
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O sol vermelho e quente como estriga
De fogo, o sol do céu de Portugal
Beijou a boca a uma rapariga..."
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Florbela Espanca - Trocando olhares - 17/06/1916

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Enviado por Carmen (hi5)


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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Se tu viesses ver-me - Florbela Espanca

Assunto: DESTINO
Data: 6/Jan 14:14
DENTRO DE MEU BARCO ENCALHADO, PRESO NÃO SEI A QUÊ, OLHO A LONGÍNQUA MARGEM,QUE COMO UM SONHO REPOUSA, EM DOCE NEBLINA ENVOLTA, DEIXANDO ADVINHAR A QUIETUDE DE VALES,SERRAS E MONTES ...ESTIVESSE EU LÁ E QUEM SABE, SERIA BEM MAIS FELIZ QUE ESTANDO AQUI... PRESA A NADA. NÃO TEM REMOS, O MEU BARCO, É O FUTURO QUE O GOVERNA E A VONTADE QUE O CONDUZ...SE PAROU, TALVEZ SEJA AGORA MEU FIM...MORRO COM PORTO DE ABRIGO Á VISTA, ACENANDO PARA MIM...EM ANEXO UM BEIJO!
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Distribuído por Moranguinho Pereira (hi5)
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SE TU VIESSES VER-ME
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Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...
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Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...
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Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri
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E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...
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FLORBELA ESPANCA

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Contos de Fadas - Florbela Espanca

Assunto: LEMBRANÇAS...
Data: 24/Dez 15:52
QUANDO O ESQUECIMENTO ME ESQUECEU, VOLTOU A MIM A LEMBRANÇA DA VIDA QUE JÁ VIVI. LANCEI AO VENTO O SOFRER... ÁS ONDAS, AMORES PERDIDOS...NADA DISSO QUERO AGORA PARA MIM. COM CARINHO, PEGUEI NESSA VONTADE DE SEMPRE MENINA SER E COM ELA ME VESTI...O AMOR Á LIBERDADE COLEI-O NUMA BANDEIRA ONDE ONDULA SEM FIM...NOS MEUS CABELOS VOLTEI A COLAR O GIRASSOL E MIRANDO-ME AO ESPELHO, SORRI... OLHEI DE NOVO AS ESTRELAS...SÃO AS MESMAS, O SENTI, E GUARDAM AINDA AS GRAÇAS QUE UM DIA LHES PEDI...PEGUEI MEU MUNDO NAS MÃOS, COM TERNURA...COM CUIDADO...BAIXINHO CHAMEI TEU NOME...E VOLTASTE PARA MIM!EM ANEXO UM BEIJO!
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Distribuódo por Moranguinho Pereira (hi5)
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CONTO DE FADAS

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Eu trago-te nas mãos o esquecimento
Das horas más que tens vivido, Amor!
E para as tuas chagas o ungüento
Com que sarei a minha própria dor.
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Os meus gestos são ondas de Sorrento...
Trago no nome as letras duma flor...
Foi dos meus olhos garços que um pintor
Tirou a luz para pintar o vento...
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Dou-te o que tenho: o astro que dormita,
O manto dos crepúsculos da tarde,
O sol que é de oiro, a onda que palpita.
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Dou-te, comigo, o mundo que Deus fez!
Eu sou Aquela de quem tens saudade,
A princesa de conto: "Era uma vez..."
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FLORBELA ESPANCA 

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

A Minha Dor - Florbela Espanca


Boa Noite


(foto de JP)
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A Minha Dor
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A minha Dor é um convento ideal
Cheio de claustros, sombras, arcarias,
Aonde a pedra em convulsões sombrias
Tem linhas dum requinte escultural.
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Os sinos têm dobres de agonias
Ao gemer, comovidos, o seu mal…
E todos têm sons de funeral
Ao bater horas, no correr dos dias…
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A minha Dor é um convento. Há lírios
Dum roxo macerado de martírios,
Tão belos como nunca os viu alguém!
Nesse triste convento aonde eu moro,
Noites e dias rezo e grito e choro,
E ninguém ouve… ninguém vê… ninguém…
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Florbela Espanca - O Livro das Mágoas
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TEM UM BOM FIM DE SEMANA VICTOR. ABRAÇO. 
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.José Pereira (hi5)
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quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Meu amor - Florbela Espanca

Assunto: MEU AMOR...
Data: 13/Ago 13:35
TU ÉS A MINHA NUVEM BRANCA QUE PASSEIA PELO AZUL DO CÉU....ÉS A AVE COLORIDA QUE ATRAVESSA O AR NUMA CORRIDA CONTRA O TEMPO DE FICAR NO MESMO LUGAR...TU ÉS O MEU MAR, ORA MANSO ORA GRITANDO, MAS MORRENDO SEMPRE SIMPLES E DOCE NA AREIA...TU ÉS O NOME COM QUE AS FADAS ME FADARAM QUANDO NASCI...TENS UM NOME QUE TODOS CONHECEM, MAS PARA MIM ÉS O MEU AMOR...EM ANEXO UM BEIJO!
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Distribuído por Moranguinho Pereira (hi5)
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MEU AMOR
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De ti somente um nome sei, amor.
É pouco, é muito pouco e é bastante
Para que esta paixão doida e constante
Dia após dia cresça com vigor!
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Como de um sonho vago e sem fervor
Nasce uma paixão assim tão inquietante!
Meu doido coração triste e amante
Como tu buscas o ideal na dor!
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Isto era só quimera, fantasia,
Mágoa de sonho que se esvai num dia,
Perfume leve dum rosal do céu...
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Paixão ardente, louca isto é agora,
Vulcão que vai crescendo hora por hora...
O meu amor, que imenso amor o meu!
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FLORBELA ESPANCA 

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Poesia de Florbela Espanca e de Mário Cesariny

Assunto: Poesia
Data: 15/Jun/2008 19:52
Para conheceres alguma da poesia que digo de cor...
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Se tu viesses ver-me...
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SE TU VIESSES VER-ME HOJE À TARDINHA,
A ESSA HORA DOS MÁGICOS CANSAÇOS,
QUANDO A NOITE DE MANSO SE AVIZINHA,
E ME PRENDESSES TODA NOS TEUS BRAÇOS...
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QUANDO ME LEMBRA: ESSE SABOR QUE TINHA
A TUA BOCA...O ECO DOS TEUS PASSOS...
O TEU RISO DE FONTE...OS TEUS ABRAÇOS...
OS TEUS BEIJOS...A TUA MÃO NA MINHA...
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SE TU VIESSES QUANDO, LINDA E LOUCA,
TRAÇA AS LINHAS DULCÍSSIMAS DUM BEIJO
E É DE SEDA VERMELHA E CANTA E RI
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E É COMO UM CRAVO AO SOL A MINHA BOCA...
QUANDO OS OLHOS SE ME CERRAM DE DESEJO...
E OS MEUS BRAÇOS SE ESTENDAM PARA TI...
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Florbela Espanca
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Faz-me um favor...
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Faz-me o favor de não dizer absolutamente nada!
Supor o que dirá
Tua boca velada
É ouvir-te já.
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É ouvir-te melhor
Do que o dirias.
O que és não vem à flor
Das caras e dos dos dias.
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Tu és melhor - muito melhor!
Do que tu. Não digas nada. Sê
Alma do corpo nu
Que do espelho se vê.
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Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço também o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tão perto tão real
que o meu corpo se tranfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura.
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Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
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Mário Cesariny
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Enviado por Chicolateira
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segunda-feira, 3 de agosto de 2009

O nosso mundo - Florbela Espanca

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Eu bebo a Vida, a Vida, a longos tragos
Como um divino vinho de Falerno
Poisando em ti o meu olhar eterno
Como poisam as folhas sobre os lagos...
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Os meus sonhos agora são mais vagos
O teu olhar em mim, hoje é mais terno...
E a Vida já não é o rubro inferno
Todo fantasmas tristes e presságios!
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A Vida, meu amor, quero vivê-la!
Na mesma taça erguida em tuas mãos,
Bocas unidas hemos de bebê-la!
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Que importa o mundo e as ilusões defuntas?...
Que importa o mundo e seus orgulhos vãos?...
O mundo, Amor! ... As nossas bocas juntas!...
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FLORBELA ESPANCA
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From Paula Moranguinho Pereira (hi5)
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terça-feira, 19 de maio de 2009

Vaidade - Florbela Espanca

Assunto: LEVES MISTÉRIOS...SOFRIDAS DORES
Data: 18/Mai 13:56
MENSAGENS QUE A VIDA ME VAI DANDO....LEVES MISTÉRIOS....ALGUMAS DORES....DESSAS QUE JÁ EU ESPERO, JÁ CONHEÇO, SEI QUE SERÃO MINHAS COMPANHEIRAS POR TEMPOS QUE NÃO ADVINHO.....MAS NÃO SERÃO BREVES....OS MISTÉRIOS, SÓ NOS SONHOS OS ENTENDO....MAS NASCENDO O SOL TUDO O QUE ME FOI ENSINADO DESAPARECE..... ASSIM A VIDA PERMANECE IGUAL....E A MINHA PROCURA CONTINUA....DEVAGAR, POIS NÃO CONSIGO AGORA CORRER...NEM SEI SE QUERO O QUE IRIA ENCONTRAR... EM ANEXO, UM BEIJO!
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Distribuído por Moranguinho Pereira (hi5)
VAIDADE

Sonho que sou a Poetisa eleita,
Aquela que diz tudo e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade!

Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher todo o mundo! E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade!
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!

Sonho que sou Alguém cá neste mundo...
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a Terra anda curvada!

E quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho...E não sou nada!...

FLORBELA ESPANCA 

domingo, 3 de maio de 2009

De joelhos - Florbela Espanca

Assunto: Á TUA MEMÓRIA, MÃE!
Data: 3/Mai 13:23
Á TUA MEMÓRIA, MÃE 14/12/1922 - 28/3/2009

DURANTE NOVE MESES ÉRAMOS UMA EM DUAS....FORAM OS ÚNICOS TEMPOS EM QUE TE PERTENCI. QUANDO NASCI OFERECESTE-ME AO MUNDO....DÁDIVA MAIOR....E PARA SEMPRE FICASTE TEMEROSA DO QUE O MUNDO DE MAL ME PUDESSE FAZER...EU ERA A TUA PRECE... A TUA LUZ...O TEU MILAGRE...O TEU MEDO. QUASE NUNCA FUI O QUE QUERIAS - TEMIAS AS MINHAS REVOLTAS, TENTAVAS MUDAR AS MINHAS DECISÕES....POUCAS VEZES TE FIZ A VONTADE, MÃE,E TU TREMIAS PERANTE O QUE PENSAVAS ME PODIA ACONTECER....EU, NUNCA ACEITEI A REDOMA ONDE ME QUERIAS PROTEGIDA....TU, NUNCA COMPREENDESTE QUE, MESMO AMANDO-TE MUITO, ERA AO MUNDO QUE EU PERTENCIA...AMO-TE MINHA MÃE!
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Distribuído por Moranguinho Pereira (hi5), no Dia da Mãe
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DE JOELHOS

“Bendita seja a Mãe que te gerou.”
Bendito o leite que te fez crescer
Bendito o berço aonde te embalou
A tua ama, pra te adormecer!

Bendita essa canção que acalentou
Da tua vida o doce alvorecer ...
Bendita seja a Lua, que inundou
De luz, a Terra, só para te ver ...

Benditos sejam todos que te amarem,
As que em volta de ti ajoelharem
Numa grande paixão fervente e louca!

E se mais que eu, um dia, te quiser
Alguém, bendita seja essa Mulher,
Bendito seja o beijo dessa boca!!

FLORBELA ESPANCA
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