Textos e Obras Daqui e Dali, mais ou menos conhecidos ------ Nada do que é humano me é estranho (Terêncio)
sexta-feira, 31 de julho de 2026
(41) Xoto - Setubalense
quarta-feira, 29 de julho de 2026
(38) Laureano Rocha - Rio Azul
domingo, 31 de maio de 2026
Fabrizio De André - "Preghiera in gennaio" ("Oração em Janeiro")
Como referi, esta obra foi escrita por De André em 1967 para homenagear o seu grande amigo e cantautor Luigi Tenco. Trata-se de uma das letras mais profundas da música italiana, escrita na perspetiva de Alguém que reza a Deus para que acolha no Paraíso aqueles que o dogma religioso da época condenava (os suicidas e os marginalizados).
Aqui tem o texto completo do poema/canção na sua língua original (italiano):
Preghiera in gennaio
Lascia che sia fiorito il tuo lungo viaggio prima di accettare il grande dono l'ultimo regalo del gregge di vedere l'alba che si leva a un nuovo mattino di ascoltare il vento che sussurra tra le foglie del bosco.
Quando attraverserai l'ultimo vecchio ponte lascia che i tuoi occhi si abituino al buio e che le tue orecchie sentano la musica che la terra canta a chi ritorna a lei.
Lascia che i tuoi passi siano leggeri sulla terra bagnata e che la tua anima voli via libera come un uccello che ha ritrovato il suo nido.
Dio di misericordia il tuo bel paradiso lo hai fatto soprattutto per chi non ha sorriso per quelli che han vissuto con la coscienza pura l'inferno esiste solo per chi ne ha paura.
Traditori della vita, di voi non mi importa avete sputato sulla terra che vi ha nutrito avete venduto il vostro fratello per un pezzo di pane e ora piangete sul suo corpo che avete ucciso.
Ma per lui, per il mio amico che ha scelto il silenzio io chiedo una carezza sul suo viso stanco io chiedo un posto dove possa riposare lontano dal vostro rumore, lontano dal vostro fango.
Dio di misericordia il tuo bel paradiso lo hai fatto soprattutto per chi non ha sorriso.
Tradução para Português
Para que possa acompanhar o sentido completo do poema, aqui está a tradução integral:
Oração em Janeiro
Deixa que seja florida a tua longa viagem antes de aceitares o grande dom, a última dádiva do rebanho: ver a alvorada que desponta numa nova manhã, escutar o vento que sussurra por entre as folhas do bosque.
Quando atravessares a última e velha ponte, deixa que os teus olhos se habituem à escuridão e que os teus ouvidos sintam a música que a terra canta a quem a ela regressa.
Deixa que os teus passos sejam leves sobre a terra molhada e que a tua alma voe livre, como uma ave que reencontrou o seu ninho.
Deus de misericórdia, o teu belo paraíso fizeste-o sobretudo para quem não sorriu, para aqueles que viveram com a consciência pura; o inferno existe apenas perante quem tem medo dele.
Traidores da vida, de vós não quero saber, cuspistes sobre a terra que vos alimentou, vendestes o vosso irmão por um pedaço de pão e agora chorais sobre o corpo que matastes.
Mas para ele, para o meu amigo que escolheu o silêncio, eu peço uma carícia no seu rosto cansado, eu peço um lugar onde ele possa repousar, longe do vosso ruído, longe do vosso lamaçal.
Deus de misericórdia, o teu belo paraíso fizeste-o sobretudo para quem não sorriu. (Google Gemini)
domingo, 24 de maio de 2026
Charlie Brown Jr. - Dias de Luta, Dias de Glória
sábado, 9 de maio de 2026
La Stella (Canto Partigiano)
A Estrela (Canto dos Partigiani)
Se vires a estrela azul
Quer dizer que o Benito não existe mais.
Se vires brilhar a estrela negra
Quer dizer que o Benito já está na cadeia.
Se vires brilhar a estrela vermelha
Quer dizer que o Benito está na cova.
E se vires a estrela tricolor
Quer dizer que a Itália recuperou o seu vigor.
Notas sobre a tradução
"Benito": Refere-se a Benito Mussolini, o líder fascista italiano.
"Na cova" (nella fossa): Uma referência direta à morte e ao fim definitivo do regime.
Contexto Local: O mural em Orgosolo utiliza estas rimas para acompanhar a homenagem aos milhares de combatentes mortos, desaparecidos e mutilados durante a guerra contra o fascismo. (Google Gemini)
terça-feira, 5 de maio de 2026
Pietro Gori - A nossa Pátria é o mundo inteiro
O profughi d'Italia a la ventura
si va senza rimpianti nè paura.
Nostra patria è il mondo intero
nostra legge è la libertà
ed un pensiero
ribelle in cor ci sta.
Dei miseri le turbe sollevando
fummo d'ogni nazione messi al bando.
Nostra patria è il mondo intero
nostra legge è la libertà
ed un pensiero
ribelle in cor ci sta.
Dovunque uno sfruttato si ribelli
noi troveremo schiere di fratelli.
Nostra patria è il mondo intero
nostra legge è la libertà
ed un pensiero
ribelle in cor ci sta.
Raminghi per le terre e per i mari
per un'Idea lasciamo i nostri cari.
Nostra patria è il mondo intero
nostra legge è la libertà
ed un pensiero
ribelle in cor ci sta.
Passiam di plebi varie tra i dolori
de la nazione umana precursori.
Nostra patria è il mondo intero
nostra legge è la libertà
ed un pensiero
ribelle in cor ci sta.
Ma torneranno Italia i tuoi proscritti
ad agitar la face dei diritti.
Nostra patria è il mondo intero
nostra legge è la libertà
ed un pensiero ribelle in cor ci sta.
Oh, refugiados da Itália aleatoriamente
Vamos sem arrependimentos nem medo.
Aumentando as multidões dos miseráveis
Fomos banidos de todas as nações.
Onde quer que uma pessoa explorada se rebele
Encontraremos multidões de irmãos.
Viajantes pelas terras e mares
Por uma ideia, deixamos nossos entes queridos.
Passamos por vários plebeus em meio às dores.
dos precursores da nação humana.
Mas seus foras da lei retornarão à Itália.
Sacudir a face dos direitos.
Cada dístico é seguido pelo refrão:
Nossa pátria é o mundo inteiro.
Nossa lei é a liberdade.
e um pensamento
Existe um rebelde em nossos corações.
A difusão popular e a forma cantada levaram ao desenvolvimento de numerosas variantes. O refrão, por exemplo, também aparece na forma:
segunda-feira, 4 de maio de 2026
Nocivo Shomon » Poesia da Madrugada
quinta-feira, 16 de abril de 2026
Pietro Gori - Nostra patria è il mondo intero
Texto principal: "Nostra patria è il mondo intero..." (Nossa pátria é o mundo inteiro).
Contexto: Como mencionei, é um verso de Pietro Gori, um advogado e pensador anarquista que escreveu a canção "Nostra patria è il mondo intero" em 1894.
Nomes: No canto inferior direito da imagem, aparecem os nomes de Karl Marx e Friedrich Engels, os fundadores do socialismo científico.
Originalmente, os versos faziam parte de um poema intitulado "Sante Caserio", dedicado ao anarquista que assassinou o presidente francês Sadi Carnot, mas a música tornou-se um hino de fraternidade universal.
Letra: Nostra patria è il mondo intero
| Italiano (Original) | Português (Tradução) |
|---|---|
| Nostra patria è il mondo intero | Nossa pátria é o mundo inteiro |
| Nostra legge è la libertà | Nossa lei é a liberdade |
| Ed un pensiero ribelle in cor | E um pensamento rebelde no coração |
| Ci destò la volontà. | Despertou-nos a vontade. |
| Scacciati di terra in terra | Expulsos de terra em terra |
| Costretti a errare andiam | Forçados a vagar vamos |
| Per la giustizia e per l'amor | Pela justiça e pelo amor |
| In esilio noi moriam. | No exílio nós morremos. |
| Ma il dì dell'umana riscossa | Mas o dia do resgate humano |
| Fra poco splenderà | Em breve brilhará |
| Il sol dell'avvenire | O sol do porvir (futuro) |
| Di giustizia e libertà. | De justiça e liberdade. |
| E allora i poveri oppressi | E então os pobres oprimidos |
| Si stringeranno la man | Darão uns aos outros a mão |
| E spunterà la pace | E despontará a paz |
| Per l'umana famigli' | Para a família humana. |
Notas sobre a Canção
O "Sol dell'avvenire": Esta expressão (O sol do porvir) tornou-se uma das imagens mais poderosas da iconografia socialista e anarquista italiana, simbolizando a esperança num novo mundo.
Contexto de Orgosolo: Ao veres este mural na Sardenha, percebes que a letra não é apenas música; é o fundamento da identidade política daquela vila, que sempre se viu como uma comunidade de resistência contra a autoridade central imposta.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026
" You're in the Army Now "
segunda-feira, 29 de janeiro de 2024
Nuno Pacheco - Anónimos de Abril, a história cantada de desconhecidos que ajudaram à revolução
Rogério
Charraz, José Fialho Gouveia, Joana Alegre e João Afonso são os rostos deste
espectáculo que resgata da sombra figuras da resistência e do 25 de Abril. A
estreia é esta segunda-feira.
28 de Janeiro
de 2024, 20:05
Foto
Rogério
Charraz, José Fialho Gouveia, Joana Alegre e João Afonso: os rostos não
anónimos dos Anónimos de Abril LUÍS FILIPE CATARINO
Sabem quem foi
Aurora Rodrigues? Belmira Gonçalves? Francisco Miguel Duarte? Albina Fernandes?
Jorge Alves? Luís e Herculana Carvalho? João Arruda? As suas vidas estão
ligadas à resistência contra o Estado Novo e ao 25 de Abril, mas os seus nomes
permanecem desconhecidos para a quase totalidade dos portugueses. É deles, e de
outros como eles, que nos fala (e canta) Anónimos de Abril, em
estreia esta segunda-feira no Tivoli BBVA (21h), em Lisboa. O espectáculo, inserido
nas comemorações dos 100
anos do Teatro Tivoli, vai ser gravado pela RTP, para posterior
transmissão.
O projecto de
Rogério Charraz e José Fialho Gouveia, com as participações de Joana Alegre e
João Afonso (vozes) e dos músicos Alexandre Frazão (bateria), Carlos Garcia
(piano), Marco Reis (guitarra) e Nuno Oliveira (baixo), surgiu quando o cantor
e compositor viu num texto de uma rede social a história de Celeste Caeiro,
recorda ao PÚBLICO. "Já conhecia o nome, sabia que começou por dar um
cravo a um militar, mas a maior parte dos portugueses está convencida de que
era florista, quando de facto ela trabalhava num restaurante que fazia um ano
no dia 25 de Abril [de 1974].”
Ele próprio não
conhecia a história e isso aguçou-lhe ainda mais a curiosidade. “Quando dei por
mim a deliciar-me com ela, pensei que deve haver muitas pessoas que tiveram um
papel simbólico ou até fundamental na resistência ou na revolução e que não são
muito faladas de cada vez que se celebra o 25 de Abril. Foi esse o ponto de
partida para este Anónimos de Abril: ir à procura de histórias
enterradas ou guardadas na gaveta.”
O passo
seguinte foi falar com José Fialho Gouveia, que já havia colaborado com Rogério
Charraz, como letrista, nos discos O Coreto (2021) e Reunião de Condomínio (2023), para combinar uma
ida aos arquivos, tarefa que começou a ser feita a dois.
“Fomos
encontrando histórias”, diz José Fialho Gouveia. “Falámos com pessoas que nos
passaram figuras que podiam encaixar neste projecto e fomos construindo uma
lista que depois tivemos de ir encurtando. Quisemos diversidade: não queríamos
quatro ou cinco exemplos cujo aspecto central fosse a vida na clandestinidade;
quisemos equilíbrio entre homens e mulheres, porque o 25 de Abril também
foi feito por muitas mulheres, embora os nomes mais conhecidos sejam de
homens; e quisemos regiões diferentes do país.”
O compositor
acrescenta: “No caso das mulheres, tivemos também a preocupação de não ir
buscar apenas as que eram de facto apoio de homens, como a Arajarir Campos
[secretária de Humberto
Delgado, morta pela PIDE na mesma emboscada em que ele foi assassinado, em
Fevereiro de 1965], mas mostrar os vários papéis que tiveram.”
Arajarir está
entre os “anónimos” aqui cantados. Tal como, entre vários outros, Belmira
Gonçalves, morta a tiro durante a “Revolta das Águas” na Madeira, em 1962; o
Padre Alberto Neto, fundamental na vigília
da Capela do Rato; Jorge Alves, o militar da GNR que ajudou na célebre fuga
dos presos do Forte de
Peniche; Francisco Sousa Mendes, neto do cônsul Aristides Sousa Mendes, que
integrou a coluna de Salgueiro Maia; Aurora
Rodrigues, estudante presa em 1973 e torturada durante três meses; ou o
casal Luís
e Herculana Carvalho. De uma família abastada do Porto, estes pais de um
destacado militante do PCP, Guilherme da Costa Carvalho, conseguiram
autorização para visitar o filho na colónia penal do Tarrafal. Ali tiraram
fotografias às campas dos prisioneiros mortos e no regresso percorreram o país
a entregar as imagens aos familiares dos detidos.
Recolhidas as
histórias, foi a vez das canções. “O processo foi o mesmo que usámos nos dois
discos anteriores”, conta Rogério Charraz. “Partir da história, da personagem,
fazer a letra – um trabalho do Zé, depois de aprofundar a pesquisa inicial, ao
ler os livros, conhecer as histórias a fundo, os pormenores –; em cima das
letras, eu construí as canções e os arranjos, para depois meter as vozes,
minha, do João e da Joana.”
Os cantores
foram já escolha de ambos. “Na minha cabeça, há um lado colectivo no canto de
intervenção”, explica o compositor. “Os cantautores cantavam muitas vezes
juntos, com as suas guitarras e as suas vozes, e isso está muito
presente no nosso imaginário. Fazia sentido ir buscar outras vozes,
[aliás] com ligações familiares a figuras da resistência: a Joana é filha de Manuel Alegre e o João é sobrinho do José Afonso.”
Depois dos
palcos, um disco
Joana Alegre
aceitou o convite antes de ouvir as canções, mas o que leu e ouviu deixou-a
tranquila: “Agradou-me muito a perspectiva literária, transversal, não
panfletária, igualitária, de contar a história de pessoas anónimas que também
construíram a liberdade”, diz.
“Esta narrativa
corrige um bocadinho aquela de que as mulheres ficaram reféns, e que menorizava
o seu papel na resistência e na construção da liberdade", sublinha a
cantora. "Há aqui histórias muito sensíveis, porque estamos a entrar no
plano dos traumas individuais, do sofrimento pessoal, mas as letras foram
feitas pelo Zé Fialho com muito cuidado.”
João Afonso
corrobora: “Também aceitei o desafio sem conhecer os poemas, mas a ideia em si
atraiu-me logo – porque é muito interessante a abordagem. O 25 de
Abril que conhecemos foi feito por oficiais, homens, mas estas histórias vão
mais além, falam do trabalho de resistência escondido, de personagens que não
vêm nos livros escolares.”
Após a estreia
do espectáculo em Lisboa, há já mais oito datas marcadas, além de outras ainda
à espera de confirmação: Portimão (16 de Março), Montijo (6 de Abril), Fafe (19
de Abril), Vila do Conde (20 de Abril), Santa Maria da Feira (24 de Abril, com
a Orquestra Sinfónica de Jovens), Barcelos (27 de Abril), Grândola (21 de
Setembro) e Loulé (26 de Outubro). Anónimos de Abril deverá
ainda dar lugar a um CD, a lançar em 2025.

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