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sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

A literatura de cordel de Antônio Queiroz de França a serviço da revolução



O poeta cordelista cearense Antônio Queiroz de França é um trabalhador das palavras a serviço da Revolução. Atualmente, preside a SOPOEMA (Sociedade dos Poetas e Escritores de Maracanaú), e é autor de várias obras em defesa dos ideais socialistas com clássicos como: “As Aventuras do Guerrilheiro Che Guevara”, “Luiz Carlos Prestes – O Cavaleiro da Esperança” e “O Martírio de Frei Tito”.

O poeta popular Antonio Queiroz de França nasceu em Jaguaretama, na região do Vale do Jaguaribe (CE), e atualmente mora em Maracanaú, na região metropolitana de Fortaleza, desde 1972. Atualmente preside a SOPOEMA (Sociedade dos Poetas e Escritores de Maracanaú) e tem vários trabalhos reconhecidos pelo público. Tem formação autodidata e sempre se dedicou a denunciar as mazelas do capitalismo e a lutar pela transformação social, utilizando como arma o cordel. Suas obras se caracterizam por grande embasamento histórico e postura rebelde: Quem tem dinheiro se esconde/Com medo de quem não tem/Está chegando o momento/Que não é bom pra ninguém... /Só há uma solução: /É a distribuição/Da riqueza que se tem.  Tudo isso credencia Antonio Queiroz de França como grande poeta que coloca sua arte a serviço do povo.
Assim, ele produziu grandes títulos, tais como “As Aventuras do Guerrilheiro Che Guevara”, “Luiz Carlos Prestes - O Cavaleiro da Esperança”, “A História da Heroína Olga Benário”, “O Martírio de Frei Tito”, “Antonio Conselheiro e a Guerra de Canudos” (em parceria com Rouxinol do Rinaré), “Homem, o lobo do homem” (uma breve história da filosofia em versos), “20 anos da partida de Luiz Gonzaga, o rei do baião” (em parceria com Evaristo Geraldo), “A Igreja do Diabo e o Neoinfernismo”; além disso, realizou grandes adaptações para a literatura de cordel, “O Manifesto Comunista em Cordel” (do livro de Marx e Engels para a literatura popular) e “Os três anciãos” (adaptação do conto de Leon Tolstói).
Em “O Manifesto Comunista em Cordel”, o autor transcreve para a poesia esse clássico: Karl Marx conclama a todos/Para entrarem em ação/Unindo os trabalhadores/Sem distinção de nação/Para o fantasma passar/À materialização. Ao falar da crise do capital, coloca como contradição que condiciona sua própria superação: A crise capitalista/Assola o planeta inteiro/Quanto mais concentra renda/Menos gente tem dinheiro/Isto é, o feitiço volta/Contra o próprio feiticeiro. E avisa aos leitores: O Manifesto Comunista/Está ainda atual/Pois a causa da miséria/É aquele antigo mal,/São riquezas concentradas/Em forma de capital, sinalizando que ser comunista é combater as misérias enquanto houver o sistema de exploração do homem pelo homem.
Sobre Ernesto Che Guevara, Antonio Queiroz de França conta sua vida e seus feitos: Ser revolucionário/É ter senso de amor/A tarefa que abraça/Sem segregar credo ou cor/Pois a causa é mundial/ (Jamais foi nacional) /Por um mundo sem horror.  O poeta versifica através da brasilidade do cordel o pensamento do comandante da integração latino-americana.
Em “Luiz Carlos Prestes - O Cavaleiro da Esperança”, o autor conta de maneira empolgante a história do herói comunista para as novas gerações de lutadores: Caros admiradores/Da história verdadeira/Leiam com muita atenção/Esta que é bem brasileira/Dedicada à juventude/Que cuidará da saúde/Da humanidade inteira. O Cavaleiro da Esperança que desbravou os sertões há quase 90 anos tem neste cordel um genuíno resgate.
Quando perguntado sobre o que lhe influenciou, Antonio Queiroz de França diz que sempre se sentiu incomodado, desde o padre que exercia sobre ele um poder violento e absoluto. Somente depois, já na adolescência, é que foi possível compreender que aquele poder exercido com tanta violência tinha como único objetivo o de “proteger a propriedade privada e nos obrigar a aceitar a injustiça social”. Com humildade militante, como de costume, faz questão de dizer que a razão de sua obra poética é de contribuir para a grande causa da humanidade: “Uso a Literatura de Cordel como veículo de informação para desmistificar a causa da miséria”, comenta.

Sucursal CE

Antônio Queiroz de França - O Manifesro Comunista em Cordel

O MANIFESTO COMUNISTA EM CORDEL



O economista, filósofo e socialista alemão Karl Marx tem, pela primeira vez, suas idéias lançadas em poemas de cordel pelo poeta popular cearense Antônio Queiroz de França.

Literatura de cordel é um tipo de poesia popular, originalmente oral, e depois impressa em folhetos rústicos ou outra qualidade de papel, expostos para venda pendurados em cordas ou cordéis, o que deu origem ao nome que vem lá de Portugal, que tinha a tradição de pendurar folhetos em barbantes. É um gênero literário especialmente encontrado no Nordeste brasileiro


Trechos de “O Manifesto Comunista em Cordel”:


Pensadores, sociólogos,
Cientistas sociaisi
Preocupem-se com o Homem
Este “rei dos animais”
Que cultiva o egoísmo,
Da ética não lembra mais.


Devido à desigualdade
Estudam a economia
E chegaram à conclusão
Que a poucos privilegia
Sem o mínimo pra ter vida
Sofre a grande maioria.


Fizeram a divisão
Após “estudos profundos”:
“Primeiro mundo” dos ricos,
“Terceiro” dos moribundos.
Os pobres escravizados
Por burgueses dos dois mundos.


Um grande gênio alemão
E um outro camarada
Prepararam uma tese
Da humanidade estudada
E descobriram a causa
Da fome verificada.


Foi de Karl Marx e Engels
A grande ação humanista
Quando lançaram ao mundo
O Manifesto Comunista,
Dizendo que nosso grito
Necessita ser conquista.


Em mil e oitocentos e
Quarenta e sete emitiram
Na liga dos comunistas
Em congresso decidiram,
O Manifesto dos pobres
Marx e Engels redigiram.


Feito de forma eclética
Une anticapitalistas
Da grande Liga Operária
Os quais eram comunistas
Que faziam um consenso
Com os irmãos anarquistas.


Quando a vida virou luxo
Neste tal Planeta Terra
Onde poucos vivem bem.
Pra se manter fazem guerra
Sobre muitos que produzem
Nova escravidão se encerra.


Gera insensibilidade
Em todos desde a infância:
Nos ricos por vaidade,
É causada por ganância;
Nos pobres pela miséria,
A causa é ignorância.


Sobre os nossos ombros pesa
A responsabilidade
Entre o nosso segmento
Com solidariedade.


O Partido Comunista
Já começa a progredir
E os vários movimentos
Resolveram se unir,
Para vil exploração,
Neste planeta, abolir.


Várias correntes de idéias,
Movimentos Sociais,
Havia, entre operários
E entre intelectuais.
Depois deste Manifesto
Tornaram-se consensuais.


O movimento operário
Chamava-se comunista,
Dos intelectuais
Era o socialista.
Afora outro que havia
Chamado de anarquista.


Dizem no Manifesto
Que existia um fantasma
Rondando toda a Europa
(De medo o Estado pasma),
Que prometia dá fim,
Entre nós, num cataplasma.


Karl Marx conclama a todos
Para entrarem em ação
Unindo os trabalhadores
Sem destinção de nação
Para o fantasma passar
Á materialização.


http://ceget.blogspot.com/2010/01/o-manifesto-comunista-em-cordel.html 


terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Hamurábi Bezerra Batista - A história de José Martí contada em cordel


28 de janeiro de 2018 - 18h24 

  


 

A história de José Martí e da revolução cubana
 Autor: Hamurábi Batista

Ele veio à luz em Cuba
A 28 do mês
No final desse janeiro
Do ano 53
Do século dezenove
José Matí, havanês.
 Mariano era o seu pai
 De Valência natural
 Leonor Perez Cabrera
 A sua mãe afinal
 Foi jornalista e filósofo
 Poeta, e intelectual.
Desde a sua mocidade
Suas ideias eram várias
E demonstrou simpatias
Das mais revolucionárias
Que havia entre os cubanos
Germinando aquelas áreas.
 Quando tinha quinze anos
 Uma rebelião surgiu
 Em busca da independência
 O grito bravo e hostil
 Que libertou aos escravos
 Desafiando o poderio.
Foi Carlos Manuel de Céspedes
Quem essa façanha fez
A luta de várias décadas
Começou naquela vez
Daquelas grandes pelejas
Nós destacaremos três.
 Teve a Guerra dos Dez Anos
 Ou Grande Guerra chamada
 Também a Guerra Chiquita
 Durante um ano travada
 E a Guerra Hispano-Cubana
 Ou Guerra Chica falada.
Numa escola secundária
Que cursou na adolescência
Do mestre Rafael Mendive
Nutriu a grande influência
Contra o domínio espanhol
A total independência.
 Iniciou na política
 O seu ativismo honrado
 Nuns jornais separatistas
Diretamente empenhado
Mas seu professor Mendive
Foi preso e após deportado.
 Com a prisão de seu mestre
 Cristalizou sua luta
 Numa atitude rebelde
 Muito forte e resoluta
 Versus a Espanha invasora
 Acrescentando à disputa.
No ano 69
Aos seus dezesseis de idade
Publicou folhas impressas
E fez a publicidade
De ideias separatistas
E o rumo da liberdade.
 Distribuiu um periódico
 Numa intenção temporária
 Por esse motivo preso
 Em uma ação arbitrária
 Por divulgar conteúdo
 De ordem revolucionária.
Pelo invasor espanhol
Foi ele então condenado
A seis anos de prisão
Sob trabalho forçado
 Que acabou resultando
 Bastante debilitado.
Sendo assim que conseguiu
A um indulto obter
No ano 71
Para dalí ocorrer
Deportação para Espanha
Onde passou a escrever.
 Seu estilo idealista
 Mui presente e vigoroso
 O tornara conhecido
 E bastante estudioso
 E dedicou se ao Direito
 Com um zelo prestimoso.
Da República Espanhola
Viu sua proclamação
Quando escreveu sua crítica
À grande contradição
“Revolução na Espanha
E lá em Cuba a opressão.”
 No ano 74
 O doutorado ele fez
 Em Letras, Filosofia
 Como também fez em Leis
 Naquela universidade
 Que em Zaragoza perfez.
No ano 75
Para o México partiu
Se aproximando de Cuba
O objetivo incluiu
Com a população indígena
José Martí interagiu.
 Sendo assim intensificou
 O que batalhava em prol
 A luta contra o racismo
 E o clamor de sol a sol
 A exploração da igreja
 E o domínio espanhol.
Quando a Guerra dos Dez anos
Finalmente terminou
Seguindo destino a Cuba
Jose Martí regressou
E com Calixto Garcia
Ao Comitê que fundou.
 Um ano de seu regresso
 De novo foi deportar
 Quando da Guerra Chiquita
 Não pode participar
 Mas pros Estados Unidos
 Foi da Espanha pra lá.
Em Nova York entretanto
Ao Comitê organiza
O seu primeiro discurso
Nos States realiza
Forças revolucionárias
Num chamado prioriza.
 “Com lágrimas não se conquista
 Para os direitos o endosso
 Para o futuro sombrio
 Se abandonarmos o esforço
 Da nossa terra assolada
 E sufocada no fosso.”
Viajou pra Venezuela
No ano de 81
Achou com Simon Bolívar
A identidade em comum
“Os latinos das Américas
O povo todo é só um.”
 Far-se-ia a pátria livre
 E próspera a sua classe
 Se dos Estados Unidos
 A gente se afastasse
 E cultivasse o cultura
 Que ela mesma criasse.
Fundou o PRC
No ano 92
Escreveu um documento
Pra insurreição que propôs
Chamado de Montecristi
O Manifesto que expôs.
 E regressou para Cuba
 Do Haiti proveniente
 Quando seiscentos soldados
 De forma surpreendente
 Emboscaram-no num ataque
 Deveras muito potente.
Em 19 de maio
Foi baleado e abatido
Sendo depois destacado
Por mentor reconhecido
Da Revolução Cubana
Diretamente influído.
 José Martí das Américas
 Ele é de todos países
 Do continente é a voz
 Das lutas as mais felizes
 Pra derrotar o império
 As principais diretrizes.
Do imperialismo nascente
A denúncia efetivar
Das terríveis consequências
Que poderá provocar
Caso os revolucionários
Não consigam se ajuntar.
 “Pois o revolucionário
 Não busca por seu prazer
 Porém o lado que possa
 Habituar-se ao dever
 Pois os seu sonho de hoje
 É Lei que amanhã vai ser.”
“Ardentes e ensanguentados
Dos séculos, no caldeirão
Notou a ferver os povos
Ao dirigir sua visão:
No futuro a diferença
É resultante da ação.”
 FIM

http://www.vermelho.org.br/noticia/307060-1
De Vitória (ES),  Cláudio Machado para o Portal Vermelho


http://www.vermelho.org.br/noticia/307060-1

sábado, 1 de março de 2014

Gustave Dourado - cordel de carnaval

Cordel do Carnaval
Serpentinas e confetes
Pierrô, arlequim, colombina
Samba, choro e marchinhas
Frevo: transmistura fina
Escolas de Samba, blocos:
Multifesta flui divina...

Abre Alas com Chiquinha
No entrudo, teve origem
Cordões pelas avenidas
Balanço que dá vertigem
A multidão se sacode:
Manda embora a fuligem...

Noel, Ary, Pixinguinha
Jacob com seu bandolim
Trio elétrico na folia
Armandinho, um serafim
Dodô e Osmar no ritmo:
Salve o Senhor do Bonfim...

Filhos de Gandhi e Ylê
Alceu no maracatu
Olodum, Carlinhos Brown
Araketu...Curuzu
Joãozinho Trinta, Jamelão:
Maxixe, axé...lundu...

Portela e Mocidade
Mangueira e Beija-Flor
Salgueiro e Imperatriz
O samba é imperador
Tijuca e Viradouro
O Carnaval é sedutor...

Caprichosos e Rocinha
Imperio, Vila Isabel
O samba fez escola
Lá na terra de Noel
Porto da Pedra, Estácio:
Carnaval é puro mel...

Banda de Ipanema, Momo
Rainha do Carnaval
No Cordão da Bola Preta:
Pacotão monumental
Máscaras e fantasias
Animam meu Carnaval...

No Carnaval da Bahia
Treme a terra em Salvador
O Pelourinho pega fogo
Axé, samba e calor
Todo mundo na folia:
Ritmo de paz e amor...

Pernambuco se sacode
No Galo da Madrugada
Recife e Olinda pulam
De dia e na noitada
Frevo e Maracatu:
Trio elétrico na estrada...

Leandro de Itaquera, X-9
Os Gaviões na folia...
Nenê de Vila Matilide
Mocidade é fantasia
Tatuapé, Casa Verde:
Tem Vai-Vai na alegria

Camisa Verde e Branco
Unidos da Vila Maria
Peruche e Tom Maior
Rosas de Ouro: Poesia
Tucuruvi, Águia de Ouro :
No samba do dia-a-dia...

Bailes em todo o Brasil
Centro, Sul, Sudeste, Norte
O Nordeste pega fogo
Alma em teletransporte
Carnaval é poesia:
A vida ilude a morte...

http://www.gustavodourado.com.br/cordel/Cordel%20do%20Carnaval.htm

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

o domingo na poesia segundo vários escritores - 08


24 de Outubro de 2013 às 17:45
  • Popular – Amanhã é domingo
  • Carlos Drummond de Andrade – Desejos
  • Fernando Pessoa – Quadras ao gosto popular
  • Popular – Parlenda
  • Luísa Ducla Soares – Domingo
  • Victor Nogueira - Não me mates Maria, que sou a tua mãe
  • Edgar Ribeiro - Literatura de Cordel – a poesia na forma de rima na linguagem popular

~~~~~~~~~~

•             Popular

Amanhã é domingo
(Brasil)

.
Amanhã é domingo,
pé de cachimbo;
galo monteiro
pisou na areia;
a areia é fina
que dá no sino;
o sino é de ouro
que dá no besouro;
o besouro é de prata
que dá na mata;
a mata é valente
que dá no tenente;
o tenente é mofino
que dá no menino;
o menino é valente
que dá em toda a gente.

http://darabuc.wordpress.com/2009/10/07/poemas-populares-amanha-e-domingo-brasil/


 ~~~~~~~~~~

•             Carlos Drummond de Andrade

DESEJOS

Desejo a vocês...
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho.
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.

 ~~~~~~~~~~~

•             Fernando Pessoa

Quadras ao gosto popular

(…)
Quando ao domingo passeias 
Levas um vestido claro. 
Não é o que te conheço 
Mas é em ti que reparo.
(…)
Dá-me, um sorriso ao domingo, 
Para à segunda eu lembrar. 
Bem sabes: sempre te sigo 
E não é preciso andar.
(…)
http://www.jornaldepoesia.jor.br/fpesso46.html


~~~~~~~~~~

Domínio popular

Parlenda

Hoje é domingo,
pede cachimbo,
o cachimbo é de ouro,
bate no touro,
o touro é valente,
bate na gente,
a gente é fraco,
cai no buraco,
o buraco é fundo,
acabou-se o mundo.
Amanhã é domingo,
pé de galinha,
a areia é fina,
que dá no sino,
o sino é de ouro,
que dá no besouro,
o besouro é valente,
que dá no tenente,
o tenente é valente,
que dá na gente,
a gente é valente
que senta o... no batente.

http://www.construirnoticias.com.br/asp/materia.asp?id=645


~~~~~~~~~~~~

 * Luísa Ducla Soares

Domingo

Amanhã é domingo,
Toca o sino.
O sino é de ouro,
mata-se o touro.
O touro é bravo,
ataca o fidalgo.
O fidalgo é valente,
defende a gente.
A gente é fraquinha,
mata a galinha
para a nossa barriguinha.


~~~~~~~~~~

  • Victor Nogueira
Não me mates Maria, que sou a tua mãe

No antigamente de outrora, nas feiras, pelas ruas e pelas esquinas da cidade vendiam-se folhetos narrando acontecimentos e factos, normalmente em quadras. Eram frequentemente vendidos por cegos, que por vezes se acompanhavam desageitamente à viola ou cavaquinho ou acordeão. Era o romanceiro popular, o jornal que se comprava ou que se ouvia, com títulos apelativos e, por vezes, horripilantes. O texto que se segue remete para a literatura de cordel, com possibilidade de fazer o download ou ler inúmeras “historias” do Brasil.


* Edgar Ribeiro

Literatura de Cordel – a poesia na forma de rima na linguagem popular

Lembro-me que aos domingos ia para a feira da cidade e ficava horas ouvindo os leitores da literatura de cordel. Para matar a saudade daqueles tempos, posto alguns dos livretos mais interessantes. Boa Leitura !

http://blogdoedgarribeiro.blogspot.pt/2012/11/literatura-de-cordel-poesia-na-forma-de.html



vem de o domingo na poesia segundo vários escritores - 08
https://www.facebook.com/notes/victor-nogueira/o-domingo-na-poesia-segundo-v%C3%A1rios-escritores-07/10151735641024436

Carybe -o ovo da ema - 1976
Carybe -o ovo da ema - 1976

Almeida Júnior - Pescando
Almeida Júnior - Pescando

Heitor dos Prazeres - roda de samba
Heitor dos Prazeres - roda de samba

Auguste Renoir_-Luncheon of the Boating Party - 1880-1881
Auguste Renoir_-Luncheon of the Boating Party - 1880-1881


Heitor dos Prazeres - 3 malandros jogando na sinuca
Heitor dos Prazeres - 3 malandros jogando na sinuca

desenho de Jorge Miguel - cinema o piolho  in http://faltaapagarolapis.blogspot.pt/2010/05/cinema-o-piolho.html
desenho de Jorge Miguel - cinema o piolho in http://faltaapagarolapis.blogspot.pt/2010/05/cinema-o-piolho.html


barbearia centenária in https://www.facebook.com/pages/CAE-Centro-de-Artes-e-Espect%C3%A1culos-da-Figueira-da-Foz/194074197293917
barbearia centenária in https://www.facebook.com/pages/CAE-Centro-de-Artes-e-Espect%C3%A1culos-da-Figueira-da-Foz/194074197293917

cartaz do filme O Garoto de Charlot, de Charles Chaplin 1921 ~~~~ Esta é a grande película na qual o grande comediante trabalhou durante um ano - uma mão cheia de alegria
cartaz do filme O Garoto de Charlot, de Charles Chaplin 1921 ~~~~ Esta é a grande película na qual o grande comediante trabalhou durante um ano - uma mão cheia de alegria

Alcínio Vicente - a ronda
Alcínio Vicente - a ronda

Alcinio Vicente - os 3 ceguinhos
Alcinio Vicente - os 3 ceguinhos

Peter Brueghel - os provérbios
Peter Brueghel - os provérbios

Pintura de Jeronimo Jacinto, século XII, retratando uma Missa
Pintura de Jeronimo Jacinto, século XII, retratando uma Missa

pintura de Willy Zumblick, sertanejos em Terno de Reis de Irani
pintura de Willy Zumblick, sertanejos em Terno de Reis de Irani

Pintura feita por artista mogiana será usada em cartaz da Festa do Divino in  http://g1.globo.com/sp/mogi-das-cruzes-suzano/noticia/2013/01/pintura-para-cartaz-da-festa-do-divino-e-divulgada-em-mogi-das-cruzes
Pintura feita por artista mogiana será usada em cartaz da Festa do Divino in http://g1.globo.com/sp/mogi-das-cruzes-suzano/noticia/2013/01/pintura-para-cartaz-da-festa-do-divino-e-divulgada-em-mogi-das-cruzes

Camille Corot - a carta
Camille Corot - a carta

Paul Cezanne - os jogadores de cartas
Paul Cezanne - os jogadores de cartas

Almeida Junior, Violeiro 1889
Almeida Junior, Violeiro 1889

Almeida Junior - moça lendo um livro
Almeida Junior - moça lendo um livro



Heitor dos Prazeres
Heitor dos Prazeres

Heitor dos Prazeres
Heitor dos Prazeres

Álvaro Brandão - o violeiro
Álvaro Brandão - o violeiro


Almeida Junior - Cozinha Caipira
Almeida Junior - Cozinha Caipira
  • Maria Do Mar Maravilhoso!! Obrigada pela partilha.. ADOREI!!
  • Maria João De Sousa Excelente partilha que muito agradeço, Victor Nogueira! Confesso que me deixei extasiar pelo Violeiro, de Álvaro Brandão e pela Moça Lendo um Livro, do Almeida Júnior... e por tudo o mais, pois é uma excelente recolha... mas estas duas telas tocaram-me muito particularmente. Obrigada!
  • Teresa Ng ADOREI!!!! Que beleza! Com sua permissão vou partilhar, estas belíssimas imagens, os Poemas de autores conceituados a literatura de cordel, que tanto amo! 

  • Luisa Neves  __________________________ 

  • Maria Rodrigues  obrigada pela partilha adorei 

  • Fatima Mourão adorei 

  • Maria Jorgete Teixeira Bela recolha de textos! As imagens são espectaculares no seu colorido e diversidade !
  • Maria Mamede Obrigada meu Amigo Victor, por trazeres à minha memória coisa que já tinha lido ou ouvido, e conhecia, portanto, e me dares a conhecer outras, que desconhecia! Sempre me ensinas algo, obrigada por isso. Bjs.
  • Cecilia Barata Mais um poema sobre "Domingo” 


    Quando chega domingo,
    faço tenção de todas as coisas mais belas
    que um homem pode fazer na vida.

    Há quem vá para o pé das águas
    deitar-se na areia e não pensar…
    E há os que vão para o campo
    cheios de grandes sentimentos bucólicos
    porque leram, de véspera, no boletim do jornal:
    «Bom tempo para amanhã»…
    Mas uma maioria sai para as ruas pedindo,
    pois nesse dia
    aqueles que passeiam com a mulher e os filhos
    são mais generosos.

    Um rapaz que era pintor
    não disse nada a ninguém
    e escolheu o domingo para se matar.
    Ainda hoje a família e os amigos
    andam pensando porque seria.
    Só não relacionam que se matou num domingo!

    Mariazinha Santos
    (aquela que um dia se quis entregar,
    que era o que a família desejava,
    para que o seu futuro ficasse resolvido),
    Mariazinha Santos
    quando chega domingo,
    vai com uma amiga para o cinema.
    Deixa que lhe apalpem as coxas
    e abafa os suspiros mordendo um lencinho que sua mãe lhe bordou,
    quando ela era ainda muito menina…

    Para eu contar isto
    é que conheço todas as horas que fazem um dia de domingo!
    À hora negra das noites frias e longas
    sei duma hora numa escada
    onde uma velha põe sua neta
    e vem sorrir aos homens que passam!
    E a costureirinha mais honesta que eu namorei
    vendeu a virgindade num domingo
    — porque é o dia em que estão fechadas as casas de penhores!

    Há mais amargura nisto
    que em toda a História das Guerras.

    Partindo deste principio,
    que os economistas desconhecem ou fingem desconhecer,
    eu podia destruir esta civilização capitalista, que inventou o domingo.
    E esta era uma das coisas mais belas
    que um homem podia fazer na vida!

    Então,
    todas as raparigas amariam no tempo próprio
    e tudo seria natural
    sem mendigos nas ruas nem casas de penhores…

    Penso isto, e vou a grandes passadas…
    E um domingo parei numa praça
    e pus-me a gritar o que sentia.
    mas todos acharam estranhos os meus modos
    e estranha a minha voz…
    Mariazinha Santos foi para o cinema
    e outras menearam as ancas
    — ao sol como num ritual consagrado a um deus! —
    até chegar o homem bem-amado entre todos
    com uma nota de cem na mão estendida…

    Venha a miséria maior que todas
    secar o último restolho de moral que em mim resta;
    e eu fique rude como o deserto
    e agreste como o recorte das altas serras;
    venha a ânsia do peito para os braços!

    E vou a grandes passadas
    como um louco maior que a sua loucura…
    O rapaz que era pintor
    aconchegou-se sobre a linha férrea
    para que a morte o desfigurasse
    e o seu corpo anónimo fosse uma bandeira trágica
    de revolta contra o mundo.
    Mas como o rosto lhe estava intacto
    vai a família ao necrotério e ficou aterrada!
    Conheci-o numa noite de bebedeira
    e acho tudo aquilo natural.

    A costureirinha que eu namorei
    deixava-se ir para as ruas escuras
    sem nenhum receio.
    Uma vez que chovia até entrámos numa escada.
    Somente sequer um beijo trocámos…
    E isto porque no momento próprio
    olhava para mim com um propósito tão sereno
    que eu, que dela só desejava o corpo bem feito
    me punha a observar o outro aspecto do seu rosto,
    que era aquela serenidade
    de pessoa que tem a vida cheia e inteira.
    No entanto, ela nunca pôs obstáculo
    que nesse instante as minhas mãos segurassem as suas.
    Hoje encontramo-nos aí pelos cafés…
    (ela está sempre com sujeitos decentes)
    e quando nos fitamos nos olhos.
    bem lá no fundo dos olhos,
    eu que sou homem nascido
    para fazer as coisas mais heróicas da vida
    viro a cabeça para o lado e digo:
    — rapaz, traz-me um café…

    O meu amigo, que era pintor,
    contou-me numa noite de bebedeira:
    — Olha, quando chega domingo,
    não há nada melhor que ir para o futebol…
    E como os olhos se me enevoassem de água,
    continuou com uma voz
    que deve ser igual à que se ouve nos sonhos:
    — …. no entanto, conheço um homem
    que ia para a beira do rio
    e passava um dia inteirinho de domingo
    segurando uma cana donde caia um fio para a água…
    … um dia pescou um peixe,
    e nunca mais lá voltou…

    O pior é pensar:
    que hei-de fazer hoje, que toda a gente anda alegre
    como se fosse uma festa?…
    O rapaz que era pintor sabia uma ciência rara,
    tão rara e certa e maravilhosa
    que deslumbrado se matou.

    Pago o café e saio a grandes passadas.
    Hoje e depois e todos os dias que vierem,
    amo a vida mais e mais
    que aqueles que sabem que vão morrer amanhã!

    Mariazinha Santos,
    que vá para o cinema morder o lencinho que sua mãe lhe bordou…
    E os senhores serenos, acompanhados da mulher e dos filhos,
    que parem ao sol
    e joguem um tostão na mão dos pedintes…
    E a menina das horas longas e frias
    continue pela mão de sua avó…
    E tu, que só andas com cavalheiros decentes,
    ó costureirinha honesta que eu namorei um dia,
    fita-me bem no fundo dos olhos,
    fita-me bem no fundo dos olhos!

    Então,
    virá a miséria maior que todas
    secar o último restolho de moral que em mim resta;
    e eu ficarei rude como o deserto
    e agreste como o recorte das altas serras:
    e virá a ânsia do peito para os braços!

    Domingo que vem,
    eu vou fazer as coisas mais belas
    que um homem pode fazer na vida!
    Manuel da Fonseca
  • Victor Nogueira Cecilia Barata gracias. Vai para uma nota autónoma pois é muito longo 

    há 2 horas · Gosto · 1
  • Carlos Rodrigues Muito bom, Victor e que belas imagens. Obrigado, um abraço.
  • Manuela Miranda ó Victor Nogueira meu Amigunho eu estou emocionada estou sem palavras, você é o máximo, isto que partilhou hoje é autentica maravilha, gostei do poema de Fernando Pessoa especialmente e depois deixei-me encantar com as fotografias são uma beleza muito Obrigada, e eu pensei que o Victor já não partilhava hoje aqui na minha página Surpresa!! lindo, lindo... beijinhos Grata!! 

  • Manuela Miranda Partilhei Victor Desculpe!!