Textos e Obras Daqui e Dali, mais ou menos conhecidos ------ Nada do que é humano me é estranho (Terêncio)
domingo, 6 de setembro de 2026
Daniel Oliveira - Os conservadores não voltaram, entregaram-se
sábado, 8 de agosto de 2026
Entrevista a Augusto Santos Silva (2026)
Nota prévia - Essa extensa entrevista é um espelho do chorrilho de mistificações e de contradições que percorrem o labirinto dos defensores do capitalismo, essencialmente autofágico e predador, sem remissão (Victor Nogueira)
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Augusto Santos Silva:
"Trump está num estado que considero quase demencial. Temos hoje a maior
potência do mundo nas mãos de corruptos, ineptos e moralmente
desqualificados"
30 jul, 2026
ENTREVISTA || A guerra no Irão
confirmou, para Augusto Santos Silva, que o principal problema do Ocidente já
não está apenas em Moscovo, Teerão ou Pequim: está também em Washington. O
antigo presidente da Assembleia da República e ex-ministro dos Negócios
Estrangeiros e da Defesa acusa Donald Trump de agir sem qualquer racionalidade
estratégica e de estar a “destruir as bases morais da nossa defesa militar”,
enquanto a Europa responde com apaziguamento e submissão. Nesta entrevista,
classifica a ofensiva contra o Irão como uma agressão ilegal, sem absolver
Teerão da resposta militar, contesta a meta dos 5% do PIB para a defesa,
critica a posição portuguesa sobre a Base das Lajes e denuncia a “conduta
miserável” da Europa perante a Palestina
A guerra começou “com três
fanáticos”, mas, quatro meses depois, Augusto Santos Silva já não os vê no
mesmo lugar. Donald Trump, sustenta, “deixou de dirigir a guerra e passou a ser
dirigido por ela”, mudando de objetivos “como quem muda de camisa” e conduzindo
os Estados Unidos “para um atoleiro” sem saída política.
quarta-feira, 17 de junho de 2026
Daniel Oliveira- Trump perdeu a guerra
terça-feira, 3 de março de 2026
Michael Hudson - Da negociação à detonação
domingo, 22 de fevereiro de 2026
Prabhat Patnaik - Poderia a Europa proporcionar uma "terceira via"?
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026
Aurélien - Fora de controle. Se existe alguma esperança, ela reside na PMC
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026
Helder Moura - (570) A arte de virar o bico ao prego
* hélder moura
Sabíamos que essa história da ordem internacional baseada em regras era parcialmente falsa, Mark Carney, 1º Ministro do Canadá.
Se não estão à mesa, estão no menu, Mark Carney.
Isto não é soberania. É a performance da soberania enquanto se aceita a subordinação.
No dia 20 de janeiro de 2026, Mark Carney, ex-banqueiro central e atual primeiro-ministro do Canadá, proferiu um notável discurso (vídeo, transcrição) no Fórum Económico Mundial, em Davos.
Tratou-se aparentemente de um ataque à “ordem internacional baseada em regras”, o conceito que as nações ocidentais com impérios impuseram, promoveram e utilizaram para poderem justificar os seus inúmeros desvios e abusos ao direito internacional. Eis, o que entre outros, Carney disse:
“Esta noite falarei de uma rutura na ordem mundial, do fim de uma ficção agradável e do início de uma dura realidade onde a geopolítica – onde a grande potência dominante – não está sujeita a limites nem restrições. […]”
“[…] Parece que todos os dias somos recordados de que vivemos numa era de rivalidade entre grandes potências. De que a ordem baseada em regras está a desaparecer. De que os fortes fazem o que podem e os fracos devem sofrer o que devem.”
“[…] Durante décadas, países como o Canadá prosperaram sob aquilo a que chamávamos uma ordem internacional baseada em regras. Aderimos às suas instituições, elogiámos os seus princípios e beneficiámos da sua previsibilidade. Pudemos seguir políticas externas baseadas nesses valores sob a sua proteção.
Sabíamos que essa história da ordem internacional baseada em regras era parcialmente falsa. Que os mais fortes se isentariam quando lhes conviesse. Que as regras comerciais eram aplicadas de forma assimétrica. E que o direito internacional se aplicava com rigor variável consoante a identidade do arguido ou da vítima.
Esta ficção era útil, e a hegemonia americana, em particular, ajudou a fornecer bens públicos: rotas marítimas abertas, um sistema financeiro estável, segurança coletiva e apoio a mecanismos de resolução de litígios.
Assim, pendurámos a placa na janela. Participámos nos rituais. E, em grande parte, evitámos apontar as discrepâncias entre a retórica e a realidade.
Este acordo já não funciona.
Deixem-me ser direto: estamos no meio de uma rutura, não de uma transição.
Nas últimas duas décadas, uma série de crises nas áreas das finanças, da saúde, da energia e da geopolítica expuseram os riscos da integração global extrema.
Mais recentemente, as grandes potências começaram a utilizar a integração económica como arma. As tarifas como forma de pressão. Infraestrutura financeira como coerção. Cadeias de abastecimento como vulnerabilidades a explorar.
Não se pode “viver na mentira” do benefício mútuo através da integração quando a integração se torna a fonte da sua subordinação.”
“[…] E há outra verdade: se as grandes potências abandonarem até a pretensão de regras e valores em prol da busca irrestrita do seu poder e interesses, os ganhos do “transacionalismo” tornar-se-ão mais difíceis de replicar. As potências hegemónicas não podem monetizar continuamente os seus relacionamentos.
Os aliados diversificar-se-ão para se protegerem contra a incerteza. Contratarão seguros. Aumentarão as opções. Isto reconstrói a soberania – soberania que antes se baseava em regras, mas que estará cada vez mais ancorada na capacidade de resistir à pressão.
Como disse, esta gestão clássica do risco tem um preço, mas este custo da autonomia estratégica, da soberania, também pode ser partilhado. Os investimentos coletivos em resiliência são mais baratos do que cada um construir a sua própria fortaleza. Os padrões partilhados reduzem a fragmentação. As complementaridades são um resultado positivo.
A questão para as potências médias, como o Canadá, não é se se devem adaptar a esta nova realidade. Devemos. A questão é se nos adaptamos simplesmente construindo muros mais altos – ou se podemos fazer algo mais ambicioso.”
Mas, atenção: Carney não defende um regresso completo ao Estado de Direito. Não pede que o direito internacional seja aplicado de forma igual a todas as nações. Defende uma colaboração entre as "potências médias" para resistir à hegemonia e poderem continuar a explorar o resto do mundo:
“As potências médias devem agir em conjunto porque, se não estão à mesa, estão no menu.
As grandes potências podem dar-se ao luxo de agir sozinhas. Têm a dimensão do mercado, a capacidade militar, a influência para ditar as regras. As potências médias não. Mas quando negociamos apenas bilateralmente com uma potência hegemónica, negociamos a partir da fraqueza. Aceitamos o que nos é oferecido. Competimos entre nós para sermos os mais complacentes.
Isto não é soberania. É a performance da soberania enquanto se aceita a subordinação.
Num mundo de rivalidade entre grandes potências, os países intermédios têm uma escolha: competir entre si pela influência ou unir-se para criar um terceiro caminho com impacto.”
“[…] Não devemos permitir que a ascensão do poder coercivo nos impeça de ver que o poder da legitimidade, da integridade e das regras se manterá forte — se optarmos por exercê-lo em conjunto.”
Carney está a implorar aos vassalos da potência hegemónica que resistam coletivamente ao seu poder e, ao mesmo tempo, apelando às "médias potências" para que se juntem ao Canadá no novo clube.
Descartar a “ordem baseada em regras”, expô-la como a mentira que sempre foi, é um bom passo na direção certa. É uma mudança fundamental na forma de ver o mundo.
Mas também há que ter cuidado para não se cair na armadilha do significado que querem atribuir à ovação de pé que Carney escutou em Davos.
Recorde-se que os “liberais” como Carney, depois de patrocinarem o genocídio em Gaza, de saudarem o rapto de Nicolás Maduro, de celebrarem o bombardeamento do Irão, de apoiarem os ataques mortais contra Beirute e Iraque e aplaudirem o assassinato do governo do Iémen, de repente, quando Trump tenta tomar a Gronelândia, pregam a adesão ao direito internacional.
Recorde-se que estes mesmos líderes da França, Alemanha, Itália, Polónia, Reino Unido e outros, que numa declaração conjunta, afirmaram que o futuro da Gronelândia só poderia ser decidido “respeitando os princípios da Carta da ONU, incluindo a soberania, a integridade territorial e a inviolabilidade das fronteiras”, que pouco mais de duas semanas antes, tinham apoiado o ataque dos EUA à Venezuela e o rapto de Maduro.
A "ordem internacional baseada em regras" foi útil para alguns até deixar de o ser. Agora que foi declarada morta, fica a dúvida sobre que outro conceito fictício será inventado.
E quando os tidos como principais órgãos de comunicação social relatam que o discurso, escrito pelo próprio Carney, foi recebido com aplausos de pé, talvez queiram com isso dizer que os aplausos de pé possam ser tomados como prova de legitimidade, quando são meramente sinais de aprovação da elite.
É que talvez seja desta forma eficiente, educada e sob aplausos estrondosos que o modelo avança. Provavelmente já nem está na fase de modelo ….
https://otempoemquevivemosotempoemquevivemos.blogs.sapo.pt/
quinta-feira, 22 de janeiro de 2026
Ricardo E. Rubenstein - As intervenções ignóbeis de Trump: como o “imperialismo regional” leva à guerra mundial
Ricardo E. Rubenstein
Pouco depois da
primeira eleição de Donald Trump como presidente, alguém me perguntou num fórum
público se eu o considerava um fascista. Respondi que Trump era um conservador
ultranacionalista que tentaria privatizar os serviços públicos, fortalecer
ainda mais os oligarcas e reverter muitas políticas sociais liberais – mas que
dois aspetos essenciais do fascismo estavam ausentes de sua agenda MAGA. Um
deles era o compromisso de conduzir guerras agressivas contra nações
“inferiores” consideradas ameaças à segurança da Pátria Sagrada. O segundo era
a militarização da sociedade civil, acompanhada por um poder executivo
descontrolado, negação generalizada dos direitos civis e campanhas de terror de
Estado contra os oponentes reais ou imaginários do Líder.
Esses dois
aspetos do fascismo, como Hannah Arendt apontou há 50 anos em As
Origens do Totalitarismo, estão organicamente relacionados. As técnicas de
conquista e dominação de populações subjugadas, utilizadas em guerras
imperialistas, são trazidas de volta para casa pelos belicistas e tornam-se
ferramentas essenciais da governação interna. Primeiro, os fascistas decapitam,
dividem e conquistam as nações “de merda” (para citar o Sr. Trump). Depois,
fazem o mesmo com elementos “de merda” da população da sua própria nação.
Na minha
opinião, esse processo ainda não foi concluído nos Estados
Unidos. Apesar dos graves abusos do poder executivo por parte de Trump, das
políticas desumanizadoras do movimento MAGA e dos excessos violentos do ICE, a
militarização interna ainda não chegou ao ponto de terrorismo de Estado contra
a maioria dos cidadãos americanos. Mas a direção dessas políticas é inegável. O
ataque à Venezuela, na sequência do genocídio financiado pelos EUA em Gaza, é
um passo claro em direção a uma política externa fascista, cuja prossecução
gera guerras globais.
O que obscurece
essa realidade no momento e confunde a cobertura mediática da situação é a
invocação, por Trump, da Doutrina Monroe (também conhecida como Doutrina
Don-Roe) para justificar a sua viragem brusca em direção ao intervencionismo.
Sim, ele sequestrou os Maduros, matou soldados venezuelanos e cubanos,
declarou-se dono do petróleo da Venezuela, destruiu ou capturou navios e
tripulações que partiam de portos venezuelanos, ameaçou os governantes da
Colômbia, Cuba, México e Brasil e prometeu anexar a Groenlândia. Ele também
interveio direta e indiretamente no Médio Oriente, na Ucrânia, na África e
noutros lugares. Mesmo assim, muitos comentadores concluem que a intenção de
Trump é exercer o poder militar principalmente no “quintal” caribenho e latino-americano
dos EUA, enquanto outras potências regionais, como a China e a Rússia, agem
como bem entendem nas suas próprias esferas de influência.
Essa versão
autoritária da multipolaridade pode satisfazer os membros da coligação MAGA que
querem acreditar que o aspirante ao Nobel permanecerá fiel à sua promessa
original de evitar “guerras intermináveis”. Ela até ganhou aceitação entre
alguns analistas de publicações de política externa e ONGs tradicionais.
Aceitar esse foco regional, no entanto, significa fechar os olhos para a
história e para a dinâmica do imperialismo.
História.
No meio da enxurrada de artigos e transmissões sobre a aventura venezuelana de
Trump, encontram-se poucas análises que comparam a agressão dos EUA com as
guerras imperiais da década de 1930: em particular, a anexação da Manchúria
pelo Japão, a invasão da Etiópia por Mussolini e as intervenções de Hitler na
Europa Central e na Guerra Civil Espanhola. Mas a analogia é surpreendente.
Assim como as ações recentes de Trump, esses foram ataques assimétricos e de
curto prazo contra nações que resistiam à dominação de uma potência hegemónica
regional. O seu impacto foi minimizado ao serem caracterizados como guerras
limitadas, conduzidas na esfera de influência de alguma potência imperial. Mas
hoje entendemos que também foram passos significativos rumo a uma guerra
mundial.
Por quê? Por
que motivo esse tipo de violência não permanece restrito à esfera regional, em
vez de gerar conflitos globais? O primeiro motivo é que essas intervenções
visam concorrentes imperialistas, não apenas resistentes locais. A guerra da
Itália na Etiópia tinha como alvo os interesses britânicos no Corno de África,
a agressão do Japão na Manchúria visava os interesses chineses e russos, e as
maquinações da Alemanha na Europa visavam os interesses ocidentais e russos.
Quarenta anos depois, Richard Nixon e Henry Kissinger derrubaram o regime de
Allende no Chile e instalaram a ditadura de Pinochet porque consideravam
Allende um potencial aliado soviético (e cubano). Da mesma forma, o objetivo
principal de Trump na América Latina é limitar a crescente influência da China
(e a influência menos substancial da Rússia) naquele continente.
Dinâmica. Deixando
de lado as doutrinas Don-Roe, o aparente foco local de operações como o ataque
à Venezuela é uma ilusão. O fato de o alvo principal ser um império rival
obriga outras nações da região afetada a tomar partido – um processo
polarizador que tende a criar blocos multinacionais armados e uma ordem mundial
bipolar. A obra clássica de Barbara Tuchman, Os Canhões de Agosto,
mostra exatamente como isso funcionou para produzir a incrivelmente destrutiva
“guerra para acabar com todas as guerras” em 1914. É provável que vejamos essa
polarização ocorrer com intensidade crescente nos próximos anos na América
Latina, África e Ásia Oriental.
Mas isso não é
tudo. As potências imperiais, impedidas de adquirir recursos industriais
essenciais em regiões reivindicadas pelos seus concorrentes, tendem a retaliar
tomando o controlo de outras regiões onde esses recursos podem ser obtidos. Em
1931, as tentativas ocidentais de enfraquecer e conter os japoneses levaram o
regime de Tóquio a forjar um incidente de “falsa bandeira” na Manchúria para se
apoderar do carvão e do ferro daquela nação. Uma década depois, os
imperialistas japoneses conquistaram o Vietname, a Indonésia e a Malásia para
garantir o petróleo, a borracha, o estanho e outros materiais industriais
monopolizados pelos imperialistas franceses, holandeses e britânicos no que até
então era considerado o quintal da Europa.
Qual é a moral
da história? Todos os impérios modernos são globais. Os EUA e os seus rivais
não são como os antigos impérios que conquistavam nações mais fracas por
desporto, cobrando tributos dos seus governantes, mas geralmente deixando os
povos subjugados à própria sorte. Os impérios modernos são potências do
capitalismo tardio, impulsionadas a competir globalmente por matérias-primas
industriais essenciais, mercados e oportunidades de investimento, e compelidas
a “desenvolver” ou transformar as sociedades que dominam. Não há como manter as
suas classes dominantes confinadas nos seus próprios territórios – e quando
viajam para o exterior (como precisam de fazer para manter a sua própria
viabilidade), vão armadas até aos dentes.
Comentadores
liberais e conservadores podem ser relutantes a admitir, mas a obra de Lenine
sobre o imperialismo acertou em cheio. Por períodos limitados, enquanto emitem
ameaças de violência e realizam operações secretas, os construtores de impérios
podem até conseguir negociar as suas diferenças “pacificamente”. Mas esses
períodos de relativa tranquilidade não duram. Incapazes de resolver os
problemas globais que os seus próprios sistemas dominados pelo lucro exacerbam
– problemas como a desigualdade social radical, as mudanças climáticas causadas
pelo homem e a migração em massa –, eles empregam ameaças de guerra e a própria
guerra como métodos prediletos de gestão de conflitos. Chamam a essa estratégia
a “paz pela força”, mas entendemos que o que realmente querem dizer é o Império
em Primeiro Lugar, por quaisquer meios necessários.
O facto de a
guerra estar agora totalmente industrializada e de as armas de destruição em
massa, incluindo as nucleares, estarem proliferando a um ritmo vertiginoso não
altera essa dinâmica. Tampouco a existência de uma Organização das Nações
Unidas lamentavelmente enfraquecida oferece muita esperança de que os conflitos
inter-imperiais possam ser controlados antes que se tornem parte de mais um
prenúncio de violência global. Mais uma vez, a história faz ecoar alarmes que
qualquer pessoa que não esteja ensurdecida pela cacofonia atual deveria ser
capaz de ouvir. Foi precisamente quando a Liga das Nações se mostrou incapaz de
deter a agressão localizada do Japão, da Itália e da Alemanha que o Pacto
Kellogg-Briand, que proibia a guerra como instrumento de política nacional – um
tratado assinado por quase todas as nações do mundo – se tornou letra morta.
Então e agora, o imperialismo regional intensificado era um sintoma de uma
guerra global iminente.
O
intervencionismo de Donald Trump representa, portanto, uma significativa
guinada rumo ao fascismo – mas a sua importância já está a ser minimizada não
apenas pelos seguidores fanáticos do MAGA, mas também por uma ampla gama de
liberais do establishment, centristas de ambos os partidos,
especialistas em política externa e pela grande mídia.
Devotados ao
dogma da “paz pela força”, líderes do Partido Democrata como Chuck Schumer e
Hakeem Jeffries são incapazes de criticar as aventuras militares de Trump,
exceto para reclamar que ele não consulta o Congresso como deveria e, às vezes,
age de forma “imprudente”. Com o Iraque em mente, os editores do New
York Times alertam que tentar ocupar nações que não querem ser
ocupadas é uma má ideia. Mas se Trump conseguir apoderar-se do petróleo
venezuelano sem provocar uma guerra de guerrilha, desestabilizar Cuba sem um
novo ataque na Baía dos Porcos, estabelecer o seu “Conselho de Paz”
colonialista para a devastada Faixa de Gaza ou anexar a Groenlândia por meio de
ameaças e subornos, não ouviremos uma palavra de crítica séria dos defensores
da “liderança mundial” dos EUA.
Sejam
anti-Trump ou pró-Trump, os nossos líderes imperialistas e os seus parceiros
corporativos ignoram as conexões entre guerras regionais, a militarização da
sociedade doméstica e a crescente probabilidade de uma guerra mundial. Essa é a
má notícia. A boa notícia é que o intervencionismo cada vez mais descontrolado
e impenitente de Trump está a despertar as pessoas em diversas frentes.
Império, imperialismo e o complexo militar-industrial não são mais palavras e
conceitos tabu. Até mesmo Marjorie Taylor Greene entende que a promessa de
Trump de ser um bom isolacionista era uma mentira e que a atual onda de
intervenções militares dos EUA é um sintoma de um império em declínio.
Enquanto isso,
os cidadãos do Minnesota e de vários outros estados americanos estão a aprender
o que é ser súbdito da dominação imperial. Os agentes mascarados e armados do
ICE, agindo por medo e raiva num ambiente cada vez mais hostil, poderiam estar
a invadir Fallujah tanto quanto Minneapolis. Levará algum tempo até que o nosso
despertar se torne geral, mas isso acontecerá, espero e rezo, antes que a
violência trumpista gere um movimento irreversível rumo a uma guerra mundial.
Para citar a
faixa que aparece no final do filme antinuclear de Stanley Kramer de 1959, “A
Hora Final” (On the Beach): “Ainda há tempo…irmão”.
21 de janeiro de 2026
https://www.counterpunch.org/2026/01/21/trumps-ignoble-interventions-how-regional-imperialism-leads-to-world-war/
https://estatuadesal.com/2026/01/22/as-intervencoes-ignobeis-de-trump-como-o-imperialismo-regional-leva-a-guerra-mundial



