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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Fidel Castro e a Revolução Cubana

Quinta-feira, Fevereiro 21, 2008

"Condenem-me, não importa. A história me absolverá".


Fidel Castro anuncia que não será Presidente do Conselho de Estado


"Condenem-me, não importa. A história me absolverá".


Ao reler a frase do líder cubano (dita em 1953) é perceptível que na luta contra o poder da mídia e o imperialismo ela ainda reflete a verdade sobre a jornada desempenhada através do seu percurso.


O líder de Cuba, aos 81 anos de idade, se retirou deixando em seu lugar seu irmão e Ministro da Defesa, Raul Castro de 76 anos, embasado pelo artigo 94 da Constituição – sobre a substituição em caso de morte, doença ou ausência do titular. Após quase 19 meses de convalescença de uma grave doença e cinco dias de sessão do parlamento, em que ele deveria ser candidato à reeleição para um mandato presidencial de cinco anos, Fidel anunciou a renúncia em caráter provisório .
Conforme publicação da agência Reuters, nesta terça-feira, os pré-candidatos à Presidência dos Estados Unidos já estão se adiantando e defendendo que o governo cubano instale um regime "democrático" no país ao escolher seu sucessor.


Já o presidente norte-americano, George W. Bush intensificou o embargo contra Cuba e rejeitou a possibilidade de reduzir as sanções sem que haja um processo de transição rumo à "democracia" (como a que inserem no Iraque). Este embargo afirma que os norte-americanos não podem gastar dinheiro em Cuba e quem violar pode ser punido com prisões ou multas. Na verdade, trata-se de uma nova investida no sentido de burlar o direito internacional e impor, mesmo que a força, um regime conveniente ao imperialismo na pequena ilha caribenha.

Juventude Socialista :

No site da Juventude Rebelde de Cuba encontra-se o seguinte trecho:
"Em sua mensagem ao povo de Cuba, Fidel explica sem dramatismo que trairia a sua consciência ocupar uma responsabilidade que requer mobilidade e entrega total e que não está em condições físicas de oferecer. Esclarece que não se trata de uma despedida e mostra seu desejo em continuar combatendo como um "soldado das idéias".

Para Marcelo Brito, presidente da UJS, “a renúncia de Fidel é mais um sinal de lucidez do líder:“Cuba vive já quase 50 anos desde sua revolução. O legado deixado ao longo desse meio século de mudanças profundas, tanto na estrutura do país, na prioridade do governo e especialmente, na vida do povo, não se destruirá com a saída de seu Comandante. Pelo contrário, a afirmação da opção socialista é cotidiana e se fortalece a cada dia, apesar das inúmeras tentativas do vizinho de cima, inimigo dos povos. Fidel e o heroísmo de Cuba ajudaram a pintar o cenário dessa América Latina do século XXI: mais colorida e unida, representando a maior expressão da luta antiimperialista.”

Algumas grandes vitórias :

- Quando os revolucionários desfilaram pelas ruas de Havana, em janeiro de 1959, foram festejados por interromperem uma ditadura corrupta e repressiva que durava quase sete anos;
- O ditador Fulgencio Batista, presidente deposto, recebia comissões financeiras dos EUA para comercializar o açúcar da Ilha Caribenha;
- Nos primeiros meses de governo revolucionário aconteceram algumas medidas radicais, como a reforma urbana, a reforma agrária e a estatização das empresas;
- Após os EUA perderem o "açúcar cubano" a URSS passaram a comprar cotas fixas e fornecer petróleo a preços mais baixos, além de outros auxílios econômicos;
- Podia faltar cosméticos e bens de consumo, mas a miséria, o analfabetismo e as favelas foram praticamente erradicadas;
- Educação, saúde e emprego são praticamente impecáveis no país, apesar do grave bloqueio econômico.


Fidel continuará escrevendo no jornal Granma, mas sua coluna "Reflexões do comandante-chefe" passará a se chamar "Reflexões do companheiro Fidel". Veja abaixo a íntegra da carta de renúncia do líder cubano:

"Prometi a vocês na sexta-feira, 15 de fevereiro, que na próxima reflexão abordaria um tema de interesse para muitos compatriotas. A mesma adquire desta vez a forma de mensagem. Chegou o momento de postular e escolher o Conselho de Estado, seu presidente, vice-presidentes e secretário.

Desempenhei o honroso cargo de presidente ao longo de muitos anos. Em 15 de fevereiro de 1976 foi aprovada a Constituição Socialista por voto livre, direto e secreto de mais de 95% dos eleitores. A primeira Assembléia Nacional foi constituída em 2 de dezembro daquele ano e elegeu o Conselho de Estado e sua Presidência. Antes, tinha exercido o cargo de primeiro-ministro durante quase 18 anos. Sempre dispus das prerrogativas necessárias para levar adiante a obra revolucionária com o apoio da imensa maioria do povo. Sabendo de meu estado grave de saúde, muitos no exterior pensavam que a renúncia provisória ao cargo de presidente do Conselho de Estado, que deixei nas mãos do primeiro-vice-presidente, Raúl Castro Ruz, em 31 de julho de 2006, fosse definitiva. O próprio Raúl, que adicionalmente ocupa o cargo de Ministro das FAR (Forças Armadas Revolucionárias) por méritos pessoais, e os demais companheiros da direção do partido e do Estado foram resistentes a me considerarem afastado dos meus cargos, apesar do meu estado precário de saúde. Minha posição era incômoda frente a um adversário que fez tudo o imaginável para se desfazer de mim e ao qual não queria agradá-lo. Mais adiante, pude recuperar o controle total da minha mente, a leitura e meditar muito, devido ao repouso. Tinha forças físicas suficientes para escrever por longas horas, o que fazia durante a reabilitação e os programas de recuperação. Um elementar bom senso me indicava que essa atividade estava a meu alcance.

Por outro lado, sempre me preocupei, ao falar da minha saúde, em evitar ilusões de que, no caso de um agravamento do quadro adverso, trariam notícias traumáticas a nosso povo no meio da batalha. Prepará-lo para minha ausência, psicológica e politicamente, era minha primeira obrigação após tantos anos de luta. Nunca deixei de destacar que se tratava de uma recuperação 'não isenta de riscos'. Meu desejo sempre foi cumprir o dever até o último momento. É o que posso oferecer. A meus compatriotas, que fizeram a imensa honra de me eleger recentemente como membro do Parlamento, em cujo âmbito devem ser adotados acordos importantes para o destino de nossa Revolução, comunico a vocês que não aspirarei nem aceitarei - repito - não aspirarei nem aceitarei o cargo de Presidente do Conselho de Estado e Comandante-em-Chefe. Em breves cartas dirigidas a Randy Alonso, diretor do programa 'Mesa Redonda' da televisão nacional, que foram divulgadas por minha solicitação, foi incluídos discretamente elementos da mensagem que hoje escrevo, e nem sequer o destinatário das mensagens conhecia meu propósito. Confiei em Randy porque o conheci bem quando ele era estudante universitário de Jornalismo, e me reunia quase todas as semanas com os principais representantes dos alunos, que já eram conhecidos como o coração do país, na biblioteca da ampla casa de Kohly, onde se abrigavam. Hoje, todo o país é uma imensa universidade".


Parágrafos selecionados da carta enviada a Randy em 17 de dezembro de 2007:

"Minha mais profunda convicção é de que as respostas aos problemas atuais da sociedade cubana - que possui uma média educacional próxima de 12 graus, quase um milhão de pessoas com ensino superior completo e a possibilidade real de estudo para seus cidadãos sem nenhuma discriminação - requerem mais soluções para cada problema concreto do que as contidas em um tabuleiro de xadrez. Nenhum detalhe pode ser ignorado, e não se trata de um caminho fácil, se é que a inteligência do ser humano em uma sociedade revolucionária prevalece sobre seus instintos. Meu dever elementar não é me perpetuar em cargos, ou impedir a passagem de pessoas mais jovens, mas fornecer experiências e idéias cujo modesto valor provém da época excepcional que pude viver. Penso como (Oscar) Niemeyer que é preciso ser conseqüente até o final".

Carta de 8 de janeiro de 2008:

"Sou decididamente partidário do voto unido (um princípio que preserva o mérito ignorado). Foi o que nos permitiu evitar as tendências de copiar o que vinha dos países do antigo bloco socialista, entre elas a figura de um candidato único, tão solitário e ao mesmo tempo tão solidário com Cuba. Respeito muito aquela primeira tentativa de construir o socialismo, graças à qual pudemos continuar o caminho escolhido.

Tinha muito presente que toda a glória do mundo cabe em um grão de milho. Portanto, trairia minha consciência ocupar uma responsabilidade que requer mobilidade e entrega total que não estou em condições físicas de oferecer. Explico sem dramas. Felizmente nosso processo conta ainda com quadros da velha-guarda, junto a outros que eram muito jovens quando começou a primeira etapa da Revolução. Alguns quase crianças se incorporaram aos combatentes das montanhas e depois, com seu heroísmo e suas missões internacionalistas, encheram de glória o país. Contam com autoridade e experiência para garantir a substituição. Dispõe igualmente nosso processo da geração intermediária que aprendeu conosco os elementos da complexa e quase inacessível arte de organizar e dirigir uma revolução.

O caminho sempre será difícil e exigirá o esforço inteligente de todos. Desconfio dos caminhos aparentemente fáceis da apologética, ou da autoflagelação como antítese. É preciso se preparar sempre para a pior das hipóteses. Ser tão prudentes no êxito quanto firmes na adversidade é um princípio que não pode ser esquecido. O adversário a derrotar é extremamente forte, mas o mantivemos longe durante meio século. Não me despeço de vocês. Desejo apenas lutar como um soldado das idéias. Continuarei a escrever sob o título 'Reflexões do companheiro Fidel'. Será mais uma arma do arsenal com o qual se poderá contar. Talvez minha voz seja ouvida. Serei cuidadoso".

Fontes: Agências de Notícias

www.granma.cu
www.juventuderebelde.cu
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"Condenem-me, não importa. A história me absolverá".

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ujspernambuco.blogspot



Fidel Castro - A História me Absolverá (excerto)

(...)


Quanto a mim, sei que a prisão me será mais dura, como nunca foi para qualquer outro. Sei que ela será pesada de ameaças vis e cobardes provocações, mas não a temo, como não temo a fúria do tirano que arrancou a vida a setenta dos meus irmãos. CONDENAI-ME, POUCO IMPORTA, A HISTÓRIA ME ABSOLVERÁ





Parte de A História me Absolverá, de Fidel Castro...

Sexta-feira, 25 de setembro, durante a noite, véspera da terceira sessão, apresentaram-se em minha cela dois médicos da penitenciária. Estavam visivelmente penalizados: "vimos fazer-te um exame", disseram-me. "E quem se preocupa tanto pela minha saúde?", perguntei-lhes. Efetivamente, desde que os vi, compreendera o objetivo de sua visita. Não puderam ser mais gentis e me explicaram a verdade: nessa mesma tarde estivera na prisão o coronel Chaviano (5) e lhes disse que eu "no julgamento estava ocasionando um terrível dano ao governo” que deviam assinar um atestado onde constasse que me achava enfermo e não podia, portanto, continuar assistindo às sessões. Expressaram-me, além disso, que se dispunham a renunciar a seus cargos e a se expor a perseguições. Colocavam o assunto em minhas mãos para que decidisse. Para mim era duro pedir àqueles homens que se deixassem imolar sem quaisquer considerações, mas tampouco podia consentir, sob nenhum pretexto, que fossem levados a cabo tais desígnios: "Vocês saberão qual seu dever; eu sei bem qual o meu".
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Depois eles retiraram-se, firmando o atestado. Sei que o fizeram porque acreditavam de boa fé que era o único modo de salvar-me a vida, que viam correr o maior perigo. Não me comprometi a guardar silêncio sobre este diálogo. Estou comprometido somente com a verdade, e se, neste caso, ao proferi-Ia, pudesse prejudicar o interesse material desses bons profissionais, deixo isenta de toda dúvida sua honra, que vale muito mais. Naquela noite, redigi uma carta para este tribunal, denunciando o plano que se tramava, solicitando a visita de dois médicos do foro para que atestassem meu perfeito estado de saúde e expressando que, se para salvar minha vida devia permitir semelhante artimanha, preferia perdê-la mil vezes. Para dar a entender que estava resolvido a lutar sozinho contra tanta baixeza, aduzi ao que escrevera aquele pensamento do Mestre: "Um princípio justo do fundo de uma cova é mais poderoso que um exército. Essa a carta que, como sabe o tribunal, foi apresentada pela doutora Melba Hernández na terceira sessão do sumário de 26 de setembro. Apesar da vigilância que pesava sobre mim, consegui que a missiva chegasse a ela. Por causa dessa carta, naturalmente, foram tomadas represálias: a doutora Hernández ficou incomunicável, e, como eu já estava incomunicável, fui confinado para o lugar mais afastado do cárcere. A partir de então, todos os acusados eram revistados minuciosamente, dos pés à cabeça, antes de ir para o sumário (7).
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Os médicos do foro visitaram-me no dia 27 e atestaram que eu estava bem de saúde. Em que pese as ordens reiteradas do tribunal, não tornaram a me levar a nenhuma sessão do julgamento. Acrescente-se ao fato que todos os dias eram distribuídas, por pessoas desconhecidas, centenas de panfletos apócrifos nos quais se falava em arrancar-me da prisão, alegação estúpida para eliminar-me fisicamente sob o pretexto de evasão. Fracassados tais propósitos pela denúncia oportuna de amigos alertas e descoberta a falsidade do atestado médico, não lhes sobrou outro recurso, para impedir meu comparecimento ao julgamento, que o desacato aberto e descarado.
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Um fato inédito se verifica, senhores juízes: um regime tinha medo de apresentár um acusado diante dos tribunais; um regime de terror e sangue se espantava diante da convicção moral de um homem indefeso, desarmado, incomunicável e caluniado. Assim, depois de me haver privado de tudo, privava finalmente do direito de estar presente ao julgamento onde eu era o principal acusado. Tenha-se em conta que isto era feito quando estavam suspensas todas as garantias, cumpria-se com todo o rigor a Lei de Ordem Pública (8) e funcionava a censura do rádio e da imprensa. Que crimes tão horríveis terá cometido este regime que tanto temia a voz de um acusado!
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Eu leio!!!: Parte de A História me Absolverá, de Fidel Castro...


La Historia me absolverá

Pronunciado por Fidel Castro en el juicio del Moncada, el 16 de octubre de 1953. Descargar texto completo de La Historia me Absolverá ...
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History Will Absolve Me

TEXTO INTEGRAL - INGLÊS

Translated: Pedro Álvarez Tabío & Andrew Paul Booth (who rechecked the translation with the Spanish La historia me absolverá, same publisher, in 1981) ...


Revolução Cubana - Wikipédia