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sábado, 2 de abril de 2011
Literatura hispanoamericana
domingo, 13 de julho de 2008
A propósito de Chavez e das FARC – a insurgência armada é história, presente e futuro
Narciso Isa Conde* - 15.06.08"Com todo o respeito, com todo o carinho solidário que professei e continuo a professar pela Revolução Bolivariana na Venezuela, com a toda a admiração que tenho pelo comandante Hugo Chavez Frias, decidi, contudo, expressar publicamente o meu desacordo político e conceptual com o seu recente pronunciamento sobre o tema das FARC, da luta armada, da guerra de guerrilhas, da troca de prisioneiros e da paz na Colômbia…"
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Com todo o respeito, com todo o carinho solidário que professei e continuo a professar pela Revolução Bolivariana na Venezuela, com a toda a admiração que tenho pelo comandante Hugo Chavez Frias, decidi, contudo, expressar publicamente o meu desacordo político e conceptual com o seu recente pronunciamento sobre o tema das FARC, da luta armada, da guerra de guerrilhas, da troca de prisioneiros e da paz na Colômbia…
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Sobre este tema, preferia referir-me – como o fiz em meses anteriores – ao Chavez que falou da troca humanitária, da troca de prisioneiros de ambas as partes, da necessidade de reconhecer as FARC como “forças beligerantes”, da impossibilidade de derrotar a insurgência armada pela via militar, das perspectivas de uma saída política do conflito armado na base de diálogos sérios, do carácter do regime de Uribe como instrumento de guerra dos EUA…
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As declarações de Chavez
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Contudo, no discurso que estamos a comentar – e que recorre a todos os meios de comunicação do planeta – o comandante Chavez afirma ao novo Comandante em Chefe das FARC, Alfonso Cano, o seguinte:
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- Que liberte os prisioneiros sem garantias, “a troco de nada”;
- Que a guerra de guerrilhas na América Latina e no Caribe “não está na ordem dia” e que “passou à história”;
- Que as FARC devem desistir desse caminho pois acabariam por servir de “pretexto” para agredir países vizinhos, acusando-os de terroristas e de protecção ao terrorismo e por estarem a desencadear possíveis guerras na região;
- Que devem aceitar negociar de imediato a paz sob o concurso da OEA e dos governos por esta designados.
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Importância relativa da troca
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Confesso que para mim o mais questionável das posições de Chavez não é relativo à concessão de liberdade, por conta própria e sem condições, dos prisioneiros e prisioneiras nas mãos das FARC, apesar de ser plenamente válido e justo não pensar este tema em termos unilaterais e sem garantias de segurança para ambas as partes.
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Aliás, é igualmente bastante discutível aquilo que alguns dizem de ser pior estar preso nas montanhas, em acampamentos guerrilheiros, do que estar na mão de gendarmes que torturam, golpeiam e fazem morrer de fome…
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Mas isso não é o fundamental, como tampouco é a sugestão de unilateralidade na decisão, dado que um passo deste tipo poderia ser um gesto humanitário necessário e politicamente conveniente num momento apropriado. As próprias FARC actuaram nesse sentido noutras ocasiões, mesmo quando se torna legítimo ficar farto de o outro lado nunca ceder e de golpear cruelmente os intentos de troca de prisioneiros; mesmo quando camaradas de luta e opositores do governo de Uribe passam penúrias terríveis nos cárceres cruéis e imundos e quando são mesmo extraditados como vulgares delinquentes.
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Quanto às formas de luta
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Para mim o fundamental tem que ver com o que o comandante Chavez expressou a respeito da impertinência e dos prejuízos da luta armada das FARC e da guerra de guerrilhas no continente.
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Na verdade as formas de luta não se inventam nem decretam, são necessidades, tornam-se pertinentes, criam-nas os povos, as impulsionam e organizam os revolucionários, desenvolvem-se dentro de determinadas condições.
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Ao mesmo tempo, é impossível declarar a sua caducidade ou impertinência a partir de uma qualquer tribuna.
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Portanto, se uma determinada forma de luta – guerrilheira ou não, armada ou não, insurgente ou não – é um dado da realidade, uma luta do presente, não é válido dizer que a mesma “passou à história”.
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Nenhum método de luta – confirmada a sua eficácia – passa a ser algo simplesmente histórico, apesar de perdurarem as condições que o motivaram; pelo contrário, esse método tem uma reincidência periódica com velhas e novas modalidades. Um método de luta só perde pertinência a partir do momento em que deixem de estar presentes as condições para o seu surgimento ou então num período determinado em que esse método tenha sido derrotado pelo próprio movimento que o colocou anteriormente em prática. Isto ocorre quando se trata de resistências, rebeldias ou de ofensivas irregulares, sobretudo em função das lutas populares.
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A guerra de guerrilhas é tão antiga como o combate contra a escravidão e tem atravessado a história e o presente continental e mundial. Também outras formas de luta hoje são estigmatizadas pelos novos conquistadores e recolonizadores do continente.
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Temos também neste capítulo as revoltas sociais e as insurreições urbanas, incluindo os levantamentos militares como aquele que Chavez e outros dirigentes do Movimento Revolucionário Bolivariano encabeçaram.
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Igualmente pode dizer-se da Venezuela anterior a 1992 que os exemplos dos militares Caamaño e Fernandez Dominguez na República Dominicana, dos oficiais venezuelanos de Carupano e Puerto Cabello, de Torrijos no Panamá, de Velasco Alvarado no Perú e de Torres na Bolívia (todos ocorridos na década de 60 e princípio dos anos 70), que supostamente teriam “passado de moda” ou “passaram à história”.
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Contudo, isso não foi assim. Recordo, quando esse gigante revolucionário que dá pelo nome de Fidel Castro afirmou que, numa generalização um pouco inadequada no Fórum de São Paulo em 1994 em Havana, o caminho da luta armada estava fechado na América Latina. E passado pouco tempo estalou o levantamento armado indígena em Chiapas, encabeçado pelo Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), já para não falar da insurgência armada colombiana que continuava vigente.
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Recordo também quando o Conselheiro Roberto Robaina e o próprio Fidel, em viagens oficiais à Colômbia, se pronunciaram da mesma maneira, e a insurgência armada nesse país prosseguiu o seu caminho ascendente.
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Não há receitas, nem tampouco processos idênticos, regulares. Pode haver uma tendência mais ou menos proeminente numa parte dos países do continente, mas isso ocorre sempre dentro de uma significativa diversidade.
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O presente da insurgência colombiana
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Na Colômbia há algo mais do que uma “guerra de guerrilhas”. Há uma forte e enraizada insurgência armada predominantemente rural, integrada sobretudo pelas FARC e pelo ELN. As FARC constituem-se como um verdadeiro Exército Popular, com várias dezenas de milhares de guerrilheiros(as) e milicianos(as). As FARC são história, são presente e espera-se igualmente muito futuro, apesar do difícil momento por que passam hoje. Creio que é justa a valorização e certeiro o vaticínio do analista Francisco Herreros quando este afirma:
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“as FARC não são uma narcoguerrilha terrorista encurralada e impulsionada pela ambição de uma cúpula delirante e obsoleta, como quer fazer crer a intoxicante propaganda oficial. As FARC são um movimento político e militar, representante de um sector específico da sociedade colombiana, como o campesinato expropriado das suas terras, excluído e massacrado dos dezenas de anos de para-militarismo; dotado de um programa político que tem perseguido com particular tenacidade e que em 44 anos de luta construiu o mais parecido que há com um exército popular e alternativo que a história moderna registou.
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As FARC são um exército popular que nos seus 44 anos de história aprendeu uma táctica de luta que aprendeu a dominar de forma magistral, baseada na mobilidade e no conhecimento do território, táctica herdada directamente da genialidade de Marulanda. É verdade que a morte deste último, paralela à ofensiva ordenada por Uribe, coincide com uma série de reveses sofridos pelas FARC nos últimos tempos, como os assassinatos dos membros do Secretariado, Raul Reyes e Ivan Ríos.
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Por mais que a confluência destes factores configure, no contexto de uma ofensiva militar que já se prolonga há seis anos e apoiada em recursos económicos quase ilimitados e por um enorme potenciamento da capacidade operativa das forças armadas do Estado, uma das etapas mais críticas da história das FARC, esta não é a primeira nem determina de modo algum a sua derrota. Em termos comparativos, os golpes sofridos nos alvores da sua história, quando ainda estavam a construir a sua experiência de combate, foram bem mais comprometedores.
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De todas as suas crises, as FARC souberam sempre retirar ensinamentos. Esta não será excepção.”
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Pertinência da acumulação militar a partir do campo revolucionário
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Desprezar e abandonar a frente militar acumulado pela insurgência colombiana, para além de ser um acto suicida, equivaleria a facilitar o plano estratégico dos EUA na região, e muito especialmente eliminaria um importante obstáculo à vertente sul-americana da sua guerra global destinada a apoderar-se militarmente de grande parte da Amazónia.
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As FARC, como força militar e política, devem ser preservadas e desenvolvidas; e o desejável agora não é que incorram no grave erro de uma negociação que leve ao desarmamento e à aceitação da actual ordem institucional. Só a superação das dificuldades actuais, rumo à retomada do seu ritmo de crescimento e expansão pode levar à criação de uma nova Colômbia, uma Colômbi.
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Isto não tem apenas que ver com o valor específico que tem o seu peso político e militar para a mudança rumo a um novo enquadramento institucional num país onde existe um Estado narco-para-terrorista (com pretensões de sub-imperialismo regional), com um oligarquia feroz e uma intervenção militar estadunidense numa escala crescente. Também temos que olhar – e sobretudo – para o que as FARC podem representar em termos de exemplo e grande capacidade de resistência e sua valiosa experiência na guerra irregular para contrariar, dissuadir e/ou deter o plano de ocupação militar dos EUA na Amazónia e os propósitos estadunidenses e oligárquicos de desestabilização e derrota dos processos transformadores na Venezuela, no Equador e na Bolívia.
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No norte da América do Sul – vórtice da onda revolucionária regional – o plano de conquista neoimperial dos EUA conta com três grandes obstáculos: 1) as FARC, como as demais forças insurgentes e todos os movimentos políticos e sociais alternativos colombianos; 2) o governo de Chavez e o processo rumo à revolução na Venezuela; 3) o governo de Rafael Correa (Equador) e tudo o que representa.
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Sou dos que pensam que a existência das FARC dificultou fortemente um plano de intervenção estadunidense contra a Venezuela e contra o Equador. É isso que, no meu entender, explica o empenho de Uribe e dos falcões em Washington para tentarem derrotar militarmente essa grande força insurgente que são as FARC.
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O debilitar de qualquer uma dessas três forças enfraqueceria todas as demais. A sua unidade, longe dos estigmas e dos preconceitos, é de vital importância para o continente e para toda a região.
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Pretexto?
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As FARC não são um simples pretexto para a agressão imperialista capaz de dissolver o perigo com o seu desaparecimento como força político-militar. Nada disso. As FARC são um factor de resistência à ocupação da Colômbia e da Amazónia por forças militares ao serviço dos falcões de Washington. As FARC são uma componente essencial da capacidade potencial que os povos e os Estados soberanos têm para expandir a relação de forças numa guerra assimétrica que poderia impedir o propósito essencial do capital transnacional estadunidense de se apropriar do petróleo, gás, carvão, minerais estratégicos, água e biodiversidade numa das regiões mais ricas do planeta. Agora mesmo as FARC estão a enfrentar uma guerra imperialista de média intensidade, com tendência para aumentar, na Colômbia lá mais para a frente.
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Os governos da Venezuela, da Bolívia e do Equador, dada a sua autodeterminação e o seu empenho em controlar os seus recursos naturais, estão na mira dessa agressão político-militar, tal como também estão as FARC e todo aquele que na Colômbia represente uma mudança na mesma direcção.
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Portanto, esta não é uma questão de pretexto, mas uma questão de propósitos e interesses poderosos. Se os imperialistas e seus sócios não pudessem usar as FARC como pretexto, concerteza inventavam outro. No Iraque não havia FARC, mas “armas de destruição maciça”. No Afeganistão não estava Marulanda, mas enviaram-se tropas para capturar a tenebrosa criatura Bin Laden. Na Venezuela não há guerrilha, mas um “grande ditador” que venceu 10 processos eleitorais limpos e perdeu um referendo constitucional. Na Bolívia também não há FARC mas um índio cocalero e uma oligarquia que procura separar os pedaços do país boliviano que controla.
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E assim sucessivamente até onde chegar o alcance da imaginação dos intelectuais falconistas, não esquecendo o plano conjunto da CIA e de Uribe para assassinar Chavez, antes deste começar a mediar o conflito entre as FARC e o governo, e também um plano arquitectado pelo Pentágono para declarar a independência da província de Zúlia e apoderar-se, desta forma, das suas reservas de petróleo.
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Entende-se ainda menos esta mudança política por…
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Antes do comandante Chavez proferir estas inexplicáveis e surpreendentes declarações, teve lugar um conjunto de exercícios e de demonstrações militares destinadas a projectar a disposição e capacidade das Forças Armadas Bolivarianas e do povo da Venezuela para enfrentar uma possível invasão conjunta dos EUA e da Colômbia. Até as habilidades dos aviões Zukoi soaram como uma advertência! Isto indica que a liderança venezuelana tem consciência do pode vir da parte do imperialismo e do sub-imperialismo uribista-santanderista. Por isso entende-se ainda menos esta nova reacção do talentoso e valente presidente da Venezuela relativamente às FARC e no respeitante ao real significado da sua existência como experimentada organização político-militar, portanto, um valioso componente no quadro de uma eventual guerra de resistência popular bolivariana.
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Porque se a capacidade insurgente do povo e se a extensão da guerra a todo o povo são as únicas garantias de dissuasão e de confrontação com êxito do terrível plano militar intervencionista do Pentágono, convenhamos afirmar que as FARC constituem um dos pilares já experimentados e preparados para abordar semelhante e tremenda situação.
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Então, porque Chavez considerou as FARC como causa e pretexto da agressão e não como componente da resistência dissuasiva contra ela?
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Política de Estado versus política revolucionária? Táctica versus estratégia?
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Penso que nesta mudança de Chavez há algo de danos causados pela preeminência dada à política de Estado como tal, com os seus jogos diplomáticos e manobras tácticas, passando tudo isto por cima das questões centrais e estratégicas de uma revolução que como o próprio Chavez já afirmou, transcende as fronteiras venezuelanas e contempla um único cenário possível: a Grande Pátria latino-caribenha.
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A elevada presença paramilitar colombiana na Venezuela e no Equador é parte de um plano de infiltração. Este plano aponta na direcção de acções contra-revolucionárias que não poderão ser detidas se se procura distanciar das FARC e acenando com slogans a favor do seu desarmamento e sua desmobilização, algo que por demais afecta e confunde a esquerda revolucionária da região.
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Importa compreender que o grande obstáculo para uma paz digna e democrática não são as FARC mas o regime de Uribe e os imperialistas estadunidenses que apenas concebem como acordo possível a rendição e desarmamento das organizações revolucionárias e se se garantir a continuidade do Estado oligárquico-dependente e do modelo neoliberal. Se há algo a extrair dos acordos de paz a nível do continente é o prejuízo que resultou para os povos da permanência da institucionalidade tradicional (democrático-liberal representativa) e da permanência e estabilidade do poder permanente tradicional (forças armadas, relações de propriedade oligopólicas e monopolistas, o poder das transnacionais, o latifúndio, as máfias, etc.).
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A este respeito deve apreender-se a lógica vietnamita: dialogar, negociar, alcançar acordos… mas sem afectar a relação de forças alcançada e sem afectar os propósitos de transformar o país em função dos interesses populares e nacionais. Avançar rumo a uma paz digna e que avance em todos os domínios da luta de classes, patriótica, política e cultural. E se as FARC se decidissem a actuar diferentemente a esta lógica de poder popular estariam a actuar contra si mesmas e contra a sua razão histórica. Eu situar-me-ia entre aqueles que o lamentariam muitíssimo se isso acontecesse.
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Hoje, face aos sérios perigos e problemas que procuram destruir essa força revolucionária irmã da Colômbia, sinto-me ainda mais solidário do que nunca, precisamente porque sou mais amigo dos meus amigos quando estão em maiores dificuldades e mais necessitam da minha amizade e solidariedade desinteressada.
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Actuei desta mesma forma com o comandante Chavez quando este decidiu colocar um travão nas altas esferas militares e sofreu uma injusta prisão, bem como durante o intenso, audaz e nobre batalhar por uma nova democracia e um novo socialismo na sua pátria de origem e na nossa pátria grande. O meu contacto com Caamaño em 1965 permitiu-me entender e valorizar esse sentimento de solidariedade na sua real dimensão. Disso não me arrependerei jamais.
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Não há, portanto, agressão alguma nas minhas palavras e nas minhas críticas face a uma liderança que aprecio e valorizo muito mais. Há convicções sinceras, ideias firmes e palavras fraternas, no quadro de realidades complexas e de situações difíceis, e que são expressas com a certeza de que é do debate franco e do intercâmbio com altura espiritual que permite que daí brote a certeza e a verdade. Que assim seja.
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9 de Junho de 2008, Santo Domingo, República Dominicana
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segunda-feira, 14 de abril de 2008
A igualação dos desiguais
por Sidnei Liberal*
Na semana passada, tomaram a primeira pancada, pelo voto do ministro-relator Carlos Ayres Britto. O ProUni troca por bolsas de estudo as imunidades tributárias dadas às universidades particulares. Coisa como 10% das vagas disponíveis. O programa já atendeu 310 mil jovens oriundos da rede pública e neste ano formará a sua primeira turma, com 60 mil bolsistas.
Há 100 mil estudantes pré-selecionados para novas matrículas. Para receber uma bolsa integral, a renda per capita familiar do candidato não pode ser superior a 1,5 salário mínimo. As vagas do ProUni também devem favorecer o acesso de candidatos afro-descendentes. A concessão de bolsas deve acompanhar os percentuais de diversidade de cada Estado. O regime de bolsas parciais segue critérios semelhantes. Os empresários do setor e o DEMO querem ver inconstitucionais os critérios alegando que eles violariam o princípio da igualdade entre os cidadãos. Britto julgou improcedente o pedido questionando em cima do nervo da questão: o que é a igualdade numa situação de desigualdade?
Diz o relator: ''Não há outro modo de concretizar o valor constitucional da igualdade senão pelo combate aos fatores reais de desigualdade. (...) É como dizer: a lei existe para, diante dessa ou daquela desigualação que se revele densamente perturbadora da harmonia ou do equilíbrio social, impor outra desigualação compensatória''. Diz Elio: “Em vez de tentar derrubar quem está em cima, empurra-se quem está em baixo. Tome-se o caso de dois jovens reprovados nos rigorosos vestibulares das universidades públicas, gratuitas. Um, de família mais abonada, vai para uma faculdade particular, paga. O outro iria à lona, mas, com o ProUni, vai à aula”. (Os citados “coisa ruim” vão pro inferno, dizemos nós). [1]
O endereço do terror
O senador por Illinois, Barack Obama, pré-candidato democrata à Casa Branca, é contrário à ratificação do Tratado de Livre Comércio assinado por EUA e Colômbia em 2006. Numa convenção de trabalhadores, na Filadélfia, o senador declarou que manterá sua rejeição ao pacto comercial, pois ''A violência contra os sindicatos na Colômbia ridicularizaria as mesmas proteções trabalhistas [nos EUA] que insistimos para que sejam incluídas nesses tipos de acordos”. Os motivos e a posição de Obama em nada diferem dos que manifesta a maioria do congresso estadunidense e também justificam as pancadas que o governante colombiano recebeu do parlamento europeu, de corpo presente, no ano passado.
Neste mesmo périplo pela Europa, o presidente Álvaro Uribe também recebeu um severo puxão de orelha por manter estreitas ligações e dar guarida às diversas brigadas de paramilitares assassinas e traficantes de drogas. Mas não saiu do velho continente de mãos vazias: conseguiu, mediante uma poderosa procuração de Bush, articular-se com parlamentares fascistas italianos e espanhóis de cuja pressão resultou na indexação das tradicionalmente insurgentes Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia como um movimento terrorista. É o caso de se perguntar: com o rico perfil de Uribe, revelado por Obama, pelo parlamento europeu, pelos sindicalistas e pelo congresso dos EUA, de que lado está o terror?
Os sindicatos estadunidenses estão preocupados com a violência que vem seqüestrando e assassinando milhares de lideranças comunitárias de oposição na Colômbia. Para valer, o convênio comercial precisa ser ratificado pelo congresso dos EUA, onde a maioria democrata condicionou seu aval a uma melhora na situação dos direitos humanos e garantias sindicais. Para tentar impulsionar a ratificação, por pressão pessoal do presidente Bush, que vê o pacto comercial como uma das suas “prioridades vitais”, delegações de congressistas, a secretária de Estado, Condoleezza Rice, o de Comércio, Carlos Gutiérrez, foram à Colômbia nos dois últimos meses. Não verificaram avanços nos direitos e garantias. [2]
Rastilho oportunista e perigoso
O povo tibetano acredita descender de um macaco criado pelo ''Senhor que observa o mundo''. O dalai-lama, como ''emanação'' desse macaco primordial legitimaria seu título de sumo sacerdote e monarca do Tibete. Tais razões religiosas e de identidade nacional justificariam seu retorno. Mas, tirante o clero, poucos pretendem ver restaurada a ordem social que ele regia. Na teocracia deposta pela revolução comunista de 1949, sacerdotes e nobres possuíam todas as terras e demais meios de produção. Camponeses, nômades, pequenos comerciantes e mendigos formavam minoria relativamente livre da plebe. O amo sustentava o escravo, que apenas prestava serviços domésticos. Ambos passavam sua condição aos filhos.
A lei permitia mutilações e torturas disciplinares. Deficiências de higiene e nutrição matavam quase metade dos bebês no primeiro ano de vida. Não havia escola pública. A taxa de analfabetismo chegava a 90%. Em troca de autonomia, o dalai-lama reconheceu a soberania chinesa em 1951. Mas, no contexto da Guerra Fria, a Agência Central de Inteligência (CIA), estadunidense, passou a prover insurretos tibetanos de treinamento e armas. Em 1959, o Exército chinês derrotou a rebelião que os monges ora comemoram. O dalai-lama fugiu para a Índia. A organização tibetana que o acompanhou revelou mais tarde ao ''New York Times'' que recebia da CIA financiamento anual de 1,7 milhão de dólares.
Com a fuga de grande parte dos budistas, o governo central colonizou a região mediante imigração favorecida de chineses de outras etnias. Nos distúrbios de março, monges budistas remanescentes e outros tibetanos hostis aos imigrantes incendiaram lojas e outras propriedades destes ''estrangeiros'' e do próprio governo chinês. Hoje, o dalai-lama reivindica apenas autonomia (restauração dos seus privilégios). Os que apóiam sua campanha deveriam questionar se uma eventual restauração do seu regime garantiria direitos humanos no Tibete. Ou se a estratégia de incitar tibetanos à revolta não agrava sua situação.
O governo chinês não cederá a esta nem a outras minorias étnicas. Múltiplos interesses comerciais do mundo na China, de explosivo desenvolvimento econômico, barrarão qualquer boicote à Olimpíada de Pequim. Por outro lado, outras nações mundo afora movem um dos olhos para o Tibete e outro para seus próprios movimentos separatistas, que pretendem ganhar força numa eventual contaminação do perigoso rastilho que de modo oportunista e suspeito se semeia pelo mundo. [3]
Notas
[1] Texto original de Elio Gaspari na Folha de S. Paulo de 06/04/08: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0604200808.htm
[2] Mais informações na matéria da agência EFE, na Folha Online, de 02/04/2008: http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u388406.shtml
[3] Com informações de Aldo Pereira publicadas pela Folha de S. Paulo de 02/04/08: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1004200808.htm
*Sidnei Liberal, Médico, membro da Direção do PCdoB - DF
* Opiniões aqui expressas não refletem, necessariamente, a opinião do site.
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in Vermelho - 13 DE ABRIL DE 2008 - 22h49
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terça-feira, 18 de março de 2008
Pela paz contra o paramilitarismo - Colombianos exigem diálogo
| Centenas de milhares de colombianos manifestaram-se, quinta-feira, dia 6 [de Março de 2008], contra o paramilitarismo e em memória das vítimas do terrorismo de Estado no país. O protesto estendeu-se a pelo menos outras 22 cidades na Europa, África, América do Norte e do Sul. Na capital, Bogotá, a histórica Praça de Bolívar foi pequena para acolher todos os que integraram a marcha convocada pelo Movimento Nacional de Vítimas dos Crimes do Estado, pelo Pólo Democrático Alternativo (PDA), e por dezenas de outras organizações sociais, sindicais e populares colombianas que rejeitam a política criminosa do presidente Álvaro Uribe, revelou o Partido Comunista Colombiano em informações divulgadas no seu sítio na Internet. .. Nas iniciativas que se multiplicaram por várias cidades da Colômbia, com destaque para Cartagena, Bucaramanga, Medellín, Manizales, Pereira, Barranquilha, San Onofre (onde foram encontradas várias valas comuns e emitidos os primeiros mandatos judiciais contra políticos envolvidos nos massacres) e Popayán, os manifestantes exigiram ainda que a justiça apure e puna sem rodeios os responsáveis das alegadamente extintas Autodefesas Unidas da Colômbia, organização paramilitar que, acusam, gozou do auxílio da direita no poder para matar, assassinar, reprimir e coagir o povo. . Em comunicado de mobilização para a marcha emitido no passado dia 25 de Fevereiro, o PDA reafirmou, uma vez mais, «a necessidade de alcançar acordos humanitários e uma solução política negociada para o conflito armado que assola o país». As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército Popular (FARC-EP), expressaram por diversas vezes a vontade em solucionar pelo diálogo o conflito com o governo, mas quer Uribe, quer a maioria dos seus antecessores na chefia do Estado, recusaram sempre a proposta, pese embora os gestos pacíficos da organização, como a libertação unilateral de prisioneiros de guerra. . Nos protestos ocorridos na Colômbia, os participantes recordaram ainda os 4 milhões de deslocados e o roubo de mais de 6 milhões de hectares de terra a camponeses pobres; os 15 mil desaparecidos às mãos do terrorismo de Estado desde 1982; os 3 mil mortos encontrados em valas comuns e os mais de 3500 massacres efectuados por paramilitares e tropas governamentais; os 1700 indígenas, 2500 sindicalistas, 650 activistas rurais e 5 mil membros da malograda União Patriótica alvo da raiva incontida da direita assassina. . Em Paris, Montreal, Québec, México, Caracas, Buenos Aires, Quito, Berlim, Washington, Barcelona, Bruxelas, Cairo, Estocolmo, Genebra, Londres, Lyon, Melbourne, Madrid, Montevideu, Nova Iorque, Otawa e Valência, também se realizaram concentrações pela paz e contra o terrorismo de Estado na Colômbia. . in Avante 2008.03.13 . |
Espaço destinado às traduções para o português das notícias publicadas pela Agência de Notícias Nova Colômbia - ANNCOL.
http://anncol.eu/index.php
A LUTA DE UM POVO, UM POVO EM LUTA!
Este material pode ser reproduzido livremente, desde que citada a fonte. Este material deve ser reproduzido amplamente, para que o sofrimento do povo colombiano termine o quanto antes, para que a mais sangrenta intromissão do imperialismo na América Latina tenha fim.MANIFESTO PELA JORNADA MUNDIAL PELA PAZ NA COLÔMBIA
Biografia não autorizada do narco-presidente Álvaro Uribe - Clique aqui para baixar
Domingo, 9 de Março de 2008
Cem milhões* de brasileiros na Jornada Mundial Pela Paz Na Colômbia
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Em São Paulo, a manifestação coordenada pelo Cebrapaz, em conjunto com as entidades da Coordenação dos Movimentos Sociais, incluindo a UNE (União Nacional dos Estudantes), UBES (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas), CTB (Central dos Trabalhadores do Brasil), dentre outras, chamadas pela ANNCOL a menifestar seu posicionamento quanto ao conflito colombiano, reuniu mais de 2 mil lideranças populares, em ato em frente à Praça Ramos, que incluiu um debate sobre a questão do conflito colombiano..
Na manifestação de São Paulo, milhares de balões brancos foram soltos, simbolizando a paz que se deseja para o povo colombiano..
A tônica da manifestação foi a condenação do Presidente Álvaro Uribe Vélez, por sua política de Terrorismo de Estado contra o povo colombiano, além de sua grave agressão contra um país fronteiriço, o Equador. Na manifestação, as diversas lideranças populares apontaram Uribe como o máximo representante da narco-política e do fascismo no continente latino-americano.
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Em Brasília, realizou-se um ato na Câmara Legislativa do Distrito Federal, que contou com a presença de inúmeras personalidades, políticos, representantes de movimentos sociais e populares. A dura condenação ao regime narco-para-fascista de Uribe, além do apoio à luta do povo colombiano, que já dura mais de 40 anos, foi marcante no evento realizado.
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No Rio de Janeiro, contamos com várias atividades, desde debates no Sindicato dos Petroleiros, com a participação de diversas entidades, até uma coletiva na Associação Brasileira de Imprensa e um ato público.
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Em Curitiba, atividade previamente agendada na Assembléia Legislativa, relacionada ao querido companheiro Fidel Castro, teve acrescentada a temática do conflito colombiano, passando a fazer parte das atividades da Jornada Mundial. O evento também contou com a participação e mobilização de entidades de trabalhadores, estudantes, partidos políticos e diversos outros movimentos de solidariedade latino-americanos e movimentos sociais.
Em Maceió, foram organizadas atividades públicas na Universidade Federal e na Casa Cultura "Antonio Lisboa de Moraes", contando com grande representatividade popular e adesão de populares.
Inúmeras outras atividades, atos e eventos marcaram esse dia, com a participação de milhares de lideranças representativas das mais variadas entidades e organizações, também em inúmeras outras cidades Brasil afora.
As diversas manifestações de apoio à luta do povo colombiano, contra o Terrorismo de Estado de Álvaro Uribe e pela paz na Colômbia, contaram com a participação e o apoio de tantas entidades que sequer seria possível citar a todas.
No entanto, destacamos a participação, mobilização e apoio do PCB (Partido Comunista Brasileiro), PC do B (Partido Comunista do Brasil), UNE (União Nacional dos Estudantes), Ubes (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas), Cebrapaz (Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Pela Paz), Casa da América Latina, UJC (União da Juventude Comunista), UJS (União da Juventude Socialista), CMS (Coordenação dos Movimentos Sociais), amplos setores do PT (Partido dos Trabalhadores), setores da Intersindical, Unidade Classista, CasLa (Casa Latino-americana), Unidade Classista, setores do PMDB-PR, setores do PSOL (Partido do Socialismo e Liberdade), PCML (Partido Comunista Marxista Leninista), PCR (Partido Comunista Revolucionário), setores da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Casa Cultura Antonio Lisboa de Morais, dentre inúmeras outras, além da própria ANNCOL – Brasil.
Destaca-se que, além de reunir milhares de lideranças políticas, artísticas, populares e intelectuais, a Jornada, no Brasil, reuniu entidades e organizações que representam mais de 100 milhões de brasileiros e residentes no Brasil, dando a real dimensão do protesto e da solidariedade do povo brasileiro para com a paz na Colômbia.
E em todos os lugares, em todos os cantos, em todos os gritos e em todas as palavras de ordem, o que se ouvia era o mesmo:
"Nós gritamos pela vida, eles comemoram a morte.
Nós pedimos por paz, eles fazem a guerra.
É por isso que marchamos.
É por isso que lutamos.
É por isso que a Colômbia e o mundo se mobilizam.
Pelo fim do Terrorismo de Estado!
Pelo fim do regime narco-paramilitar-fascista de Uribe!
Chega de massacres!
Chega de Guerra!
Pelo Intercâmbio Humanitário!
Pela paz!"
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Madrid, 05 Fev [2008] (Lusa) - Cidades como Madrid, Paris, Londres, Genebra, Berlim ou Tóquio foram segunda-feira palco de manifestações convocadas na Internet contra a violência na Colômbia, ainda que as maiores críticas tenham ido para os sequestros perpetrados pela guerrilha das FARC.
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Convocadas sob o lema "Um milhão de votos contra as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC)", as manifestações decorreram em mais de 130 cidades de todo o mundo ampliando as suas palavras de ordem contra qualquer tipo de violência e os sequestros de qualquer grupo.
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Os milhares de pessoas que nesta iniciativa inédita se manifestaram na Europa e Ásia uniram-se assim às centenas de milhar de colombianos que paralisaram as avenidas das principais cidades do seu país, e aos milhares mais de outras cidades latino-americanas para protestar contra as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e os seus sequestros.
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Em Espanha, onde vivem mais de 250 mil colombianos, segundo dados oficiais, centenas de pessoas concentraram-se no centro de Madrid e em cidades como Logrono, Oviedo, Palma de Maiorca ou Bilbau para rejeitar a violência e os sequestros das FARC.
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Os manifestantes exibiam cartazes com palavras de ordem como "Queremos a Colômbia viva, livre e em paz" ou "Não mais violência. Não mais sequestros", ou "Sim à liberdade, sim à vida, Colômbia sem FARC".
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Também em Londres mais de 500 pessoas, a maioria delas colombiana, manifestaram-se na Praça de Trafalgar entre gritos de "Queremos a liberdade dos sequestrados" e "Fora FARC terroristas".
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Os participantes traziam cravos brancos como símbolo da paz e cartazes em inglês com o objectivo de consciencializar a opinião pública britânica sobre os sequestros perpetrados pela guerrilha.
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A manifestação terminou na rua do Parlamento, onde os participantes entoaram o hino colombiano.
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Em Paris, centenas de colombianos e venezuelanos pediram o fim das FARC e manifestaram-se para sensibilizar a opinião pública francesa de que na Colômbia "há mais que um refém " dessa guerrilha, numa alusão à franco-colombiana Ingrid Betancourt, cuja libertação é assunto prioritário para o Governo francês.
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David Velilla, um dos promotores da manifestação salientou: "Ninguém quer as FARC, queremos consciencializar os franceses de que na Colombia há mais que um refém, há mais de 800, todo o país é vítima da guerrilha".
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"Colômbia e Venezuela pela paz e pela vida", gritaram os manifestantes fazendo uma encenação da vida dos sequestrados na selva.
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Em Genebra, mais de uma centena de colombianos concentraram-se no Palácio das Nações Unidas para fazer um apelo a favor da "liberdade e da paz" e "contra as FARC, porque são o principal autor violento da Colômbia", disse a coordenadora do grupo, Sayuri Tivaduisa.
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Os participantes na marcha ostentavam cartazes em que se lia: "FARC=assassínios, narcotráfico, sequestros", ou "Viva Colômbia em paz".
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Em Berlim, uma centena de pessoas, entre elas alguns alemães, foram desde a emblemática Gedächtniskirche, uma igreja destruída durante a II Guerra Mundial e situada no centro da cidade, até à Embaixada da Colômbia.
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Nos cartazes, os manifestantes exortavam em alemão, inglês e em espanhol frases como "Não mais sequestros, não mais mentiras, não mais assassínios, não mais FARC".
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Manifestações semelhantes ocorreram noutras cidades alemãs como Munique, Frankfurt, Hamburgo, Dusseldorf e Estugarda, segundo os organizadores.
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Em Bruxelas, cerca de 120 pessoas, na sua maioria cidadãos colombianos, concentraram-se na entrada da Bolsa de Bruxelas com bandeiras e cartazes com palavras de ordem a reclamar "Não mais sequestros" ou "Não às FARC".
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Em Tóquio, cerca de 60 pessoas da comunidade colombiana desafiaram a neve na capital nipónica para percorrer o centro da cidade "num sinal de rejeição da violência, do sequestro, do terrorismo, das mentiras" que durante quatro décadas as FARC infligiram aos colombianos.
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Em Pequim, uma centena de colombianos depositou em frente da sede da embaixada do seu país flores junto a uma bandeira nacional em sinal de apoio às vítimas da guerrilha marxista, exigindo a libertação dos reféns e o fim dos sequestros.
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Enquanto isto, na Colômbia, 600 guerrilheiros das FARC presos e arrependidos participaram também na jornada de protesto contra a guerrilha, informaram fontes prisionais em Bogotá.
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Alguns dos familiares dos reféns não participaram nas manifestações de segunda-feira e admitiram o seu receio de que as FARC endureçam agora a sua posição e exigências confrontados com a pressão das manifestações.
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2008-02-05 00:20:01
FARC: 40 anos de História
Direto das selvas da Colômbia, correspondente brasileiro analisa a insurgência mais antiga da América. Por Yuri Martins Fontes, para a revista Reportagem*
Após a grande crise de 1929, pela primeira vez o mundo passou a enxergar de outro modo o liberalismo ortodoxo, doutrina capitalista que vigorava inabalável desde o século XIX. Começou a se cogitar, a partir de então, a intervenção do Estado na economia, de forma a minimizar as conseqüências da grande quebra iniciada nos Estados Unidos. Eram necessárias atitudes urgentes que pudessem responder aos interesses das fragilizadas burguesias nacionais dos países dependentes.
Na América Latina, grandes representantes deste giro histórico foram Cárdenas, no México, Perón, na Argentina e Vargas, no Brasil. A nacionalização do petróleo e o investimento industrial foram importantes pautas deste amplo movimento. Na Colômbia, entretanto, o grande poder da ala conservadora, alinhada com o expansionismo estadunidense, impediu que reformas progressistas tivessem lugar.
Em 1948, a situação de ingerência externa por parte de multinacionais chega a tal ponto, que os ditos "liberais", aliados aos pequenos grupos socialistas de então, iniciam uma guerra civil contra o governo conservador. As primeiras etapas deste conflito armado podem ser conhecidas através do realismo fantástico da grande obra de Gabriel García Marques "Cem Anos de Solidão".
Após 16 anos de luta guerrilheira e a conquista de algumas reivindicações políticas, os liberais tentam frear os avanços políticos, ao perceber o avanço das forças aliadas socialistas que se acelerava além do esperado sob a influência do triunfo revolucionário cubano. Traem, então, o acordo com as esquerdas, passando para o lado conservador.
Em 27 de maio de 1964, dezenas de milhares de soldados são enviados para o povoado de Marquetália para reprimir 48 camponeses comunistas rebelados, que fogem para as selvas e montanhas. Esta data é tida como a fundação da maior e mais antiga guerrilha da América, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). Em 40 anos, aquela meia centena de revoltosos comandados por Manuel Marulanda – o histórico líder máximo conhecido como Tiro Certo – se transformou em um grupo político armado com quase 30 mil homens, divididos em 60 frentes guerrilheiras e agindo em todo o território nacional.
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Em julho do mesmo ano, é realizada uma assembléia de guerrilheiros, em que se define um programa agrário que daria a primeira bandeira para os revolucionários, que deixam de ser apenas combatentes camponeses para pregar, sob uma visão mais ampla, a luta pelo poder político para todo o povo.
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Neste contexto de repressão total, ainda em 1964 surgem outros grupos revolucionários com distintas formas de organização e diferentes concepções ideológicas, como o Exército de Libertação Nacional (ELN), de orientação guevarista, e o Exército Popular de Libertação (EPL), com origem nas concepções da Revolução Chinesa.
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É também desta época o aparecimento de bandos oriundos da desestruturação das guerrilhas liberais, que já sem razão para existir e lutar passam a praticar a pilhagem da população civil. Algum tempo depois, estas quadrilhas são recrutadas por poderosos coronéis latifundiários da região, dando início aos primeiros grupos paramilitares. Os chamados "paracos" atualmente prestam serviços também às corporações multinacionais e aos cartéis do narcotráfico.
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Desde há alguns anos atrás, com a intervenção estadunidense batizada de Plano Colômbia, as possibilidades de paz no país se tornaram muito distantes. Após várias tentativas de negociações por parte do anterior governo liberal de Pastrana, o atual presidente Uribe, ligado às elites agrárias e íntimo aliado do grande Império do Norte, busca no confronto sangrento a solução para exterminar os grupos revolucionários comunistas, sem atentar à triste realidade social do país, com mais de 60% da população afundada na pobreza. Cartazes espalhados pelo país explicitam o trágico vivido: "Plan Colombia, los gringos ponen las armas, Colombia pone los muertos".
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O interior da nação andina é hoje uma terra sem lei, onde predomina o medo e o mistério. Freqüentemente, milícias paramilitares efetuam emboscadas e genocídios em estradas e povoados rurais. E apesar da violência destes grupos fascistas, ao fim de 2003, Uribe fechou um acordo bastante suspeito, de rendição e anistia, com o maior grupo paramilitar do país, as Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), que possui cerca de 5.000 mercenários. Segundo informações que obtive no boca a boca entre o povo, os soldados deste grupo são os mesmos do exército, disfarçados apenas por um broche com a insígnia da AUC.
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Sequer mudam de uniforme. Desta forma, o governo fica mais à vontade para executar tarefas pouco populares – como o massacre de povoados inteiros e a eliminação de supostos "amigos" dos guerrilheiros.
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O recente acordo de anistia total aos paramilitares parece referendar não apenas esta estranha ligação com o exército regular, mas também as acusações que ligam Uribe diretamente ao comando destes mercenários de extrema direita.
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Ao que parece, com o forte apoio econômico-militar estadunidense e a propaganda massiva – que classificam as FARC como partícipes do dito "eixo do mal" perante à simplória opinião pública – as táticas de guerra puderam ficar mais abertas e agressivas.
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Além das dificuldades impostas pelo terror paramilitar e de Estado, àquele que se queira conhecer de perto a situação na Colômbia, há também o problema dos bandoleiros, quadrilhas armadas que se aproveitam do conflito generalizado para efetuar assaltos nas ermas estradas do país. Isto tudo dificulta o deslocamento, a estadia e a conseqüente obtenção de notícias acerca da realidade atual colombiana.
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Ainda que possamos conhecer algo através dos jornais, em geral as informações que nos chegam são parciais e superficiais, já que estão comprometidas ideologicamente com os detentores do grande capital do país – como se passa em geral com a grande imprensa suja. Desta forma, não lhes é interessante de tratar dos motivos que levam um povo à insurgência. Esta mesma desinformação leviana pode ser observada nos noticiários acerca de quaisquer conflitos subversivos, tais como o MST ou o EZLN.
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Após o ataque às Torres Gêmeas, o mundo foi ainda mais polarizado. Qualquer contestação ao regime fundamentalista neoliberal passou a ser vista como grave afronta. Classificando a subversão de terrorismo, ficou mais fácil vender a imagem do "bom colonizador" que bombardeia, invade e assassina em nome do deus "correto".
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No início deste ano, o fracassado Plano Colômbia, posto em prática em nome da suposta erradicação do plantio de coca, ganhou seu substituto moderno, o Plano Patriota. Na prática, o plano é semelhante ao anterior, agora reforçado com alguns bilhões de dólares a mais. Consiste em uma intervenção militar ostensiva em pleno coração da Amazônia sul-americana, com claros fins políticos, econômicos e territoriais. A região é abastada em água potável, petróleo, minérios preciosos e grande biodiversidade, entre outras riquezas.
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O governo oficial é apoiado pelos EUA com armas, dinheiro, helicópteros, treinamento militar e até mesmo com o despejo de substâncias químicas nas selvas do país, regiões onde se ocultam os guerrilheiros. Já circulam pela internete fotos de camponeses deformados atingidos pelos venenos das fumigações. Vale dizer que estes rios contaminados nascem nos Andes e vêm desaguar na Amazônia brasileira. Deste modo, uma catástrofe ecológica já pode ser prevista em curto prazo, caso não se enfrente diretamente o uso de armas químicas por parte do grande irmão.
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De outro lado, as FARC se defendem e não deixam de fustigar o inimigo. Apesar do megainvestimento estadunidense, no ano de 2003 houve uma média de 12 combates por dia, onde morreram mais de 5.000 militares, policiais e paramilitares, enquanto as baixas da guerrilha somaram cerca de 700 homens, entre guerrilheiros e milicianos civis apoiadores, segundo dados de organizações não-governamentais.
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As FARC, além do grupo guerrilheiro armado, são compostas por mais três grupos. Uma milícia civil armada apóia os insurgentes em ações secretas de inteligência, no interior do país. Nas capitais as ações revolucionárias de guerra estão por conta do Partido Comunista Clandestino Colombiano. E nos mais diversos rincões do país existem os grupos de simpatizantes, civis desarmados e idealistas que apóiam o abastecimento alimentício, por exemplo.
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Grande parte dos guerrilheiros farianos é composta de camponeses pobres cuja miséria lhes levou às fileiras rebeldes. Lá aprenderam a ler e a lutar.
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Outros, com mais formação, vêem nas FARC a única chance de mudanças políticas no país. Estes preparam-se para os cargos de comando, estudando tanto a Política, como a Psicologia e a Economia. Inclusive, fator de grandes elucubrações atualmente, é o financiamento das FARC. Segundo as palavras do próprio Comandante do Secretariado Geral das FARC, Raúl Reyes:
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"as FARC são um exército do povo que se nutre da economia do país, que é o petróleo, o café, as esmeraldas, o gado, o algodão, a coca e a papoula. Assim as FARC cobram um imposto àqueles capitalistas que tenham mais de um milhão de dólares, independentemente da proveniência de seus capitais. Não perguntamos ao empresário das transportadoras se seus caminhões foram comprados com dinheiro do narcotráfico. As FARC não têm cultivos, não negociam com narcóticos, não vendem favores aos narcotraficantes. As FARC subsistem da economia do país, apesar da campanha encabeçada pelos EUA que tem por fim desacreditar-nos, mostrar-nos não como uma organização revolucionária, mas como narcotraficantes, agora narcoterroristas. Mas é normal que os EUA façam isso, pois são nossos inimigos e, portanto, fazem o que devem fazer".
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E embora os EUA tenham cogitado a intervenção direta no território sul-americano, ainda não tiveram forças políticas para executá-la, graças talvez ao despreparo e barbáries deste atual governo. Contudo, o candidato Kerry já acenou com o perigo, afirmando em campanha que Bush "se preocupa demais com o Oriente Médio" e que "mal conhece a América Latina". Que a ignorância geográfica presidencial estadunidense perdure tanto quanto a humana.
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Yuri Martins Fontes é filósofo e engenheiro. Publicado na revista Reportagem , da Oficina de Informações, no mês de julho de 2004. Esta revista só é vendida por assinatura ou na sede (11-3814-9030), na Rua Fidalga, 146, São Paulo (SP). www.oficinainforma.com.br
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