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segunda-feira, 10 de março de 2025
Karla Pisano - 8 de Março: Contaram-nos a história errada
sábado, 8 de março de 2025
Zaíra Pires - Dia Internacional da Mulher Branca
quinta-feira, 13 de março de 2008
MULHER MIGRANTE SOFRE EXPLORAÇÃO LABORAL E SEXUAL
* Luis Filipe Santos
Denúncias no Encontro Nacional dos Secretariados Diocesanos da Pastoral da Mobilidade Humana, a decorrer no Alentejo.
Nos moldes actuais dos fluxos migratórios, a mulher fica mais exposta "à exploração laboral e sexual" - denunciou à Agência ECCLESIA Teresa Chaves, responsável do Secretariado das migrações da diocese de Beja e participante no Encontro Nacional dos Secretariados Diocesanos da Pastoral da Mobilidade Humana.
Nesta actividade, a decorrer em Vila Nova de Mil Fontes (diocese de Beja), até ao hoje, dia 12 de Julho, Teresa Chaves realça também que "a mulher se encontra numa situação de especial fragilidade quando emigra".
Antigamente, o homem comandava as operações quando se decidia emigrar. Actualmente, a mulher "vai só" ou então "chefia a família". Se por um lado é um sinal de emancipação da mulher, por outro significa que "ela está numa situação mais fragilizada nos seus direitos" - disse. Esse tipo de exploração, "incluindo o tráfico de pessoas, tem vindo a aumentar a nível mundial".
Ao explicar esta nova forma de encarar as migrações, Teresa Chaves salienta que as transformações sociais alteraram-se. "A mulher tem um papel diferente na sociedade". Os modelos tradicionais transformaram-se e a mulher "não fica apenas a cuidar dos filhos". Assume a dianteira para "procurar novas soluções e novos rumos para a família".
Subordinado ao tema «Mulheres em Mobilidade: Fronteiras de Dignidade», neste encontro que começou a 9 de Julho, os participantes realçaram que neste tipo de exploração, as mulheres - maiores ou menores de idade - "são as mais afectadas". E avança: "Este fenómeno dá-se com a emigração e imigração".
Portugal continua a ser um país de emigrantes. "A emigração ainda não acabou. Muitos portugueses, especialmente os da zona fronteiriça, "vão trabalhar para Espanha e depois voltam ao fim de semana".
Ao falar da diocese de Beja, Teresa Chaves frisou que esta "não é dos distritos mais problemáticos". E acrescenta: "não existe a "prostituição de rua, mas existem bordeis". Existe o outro lado, a "exploração sexual em montes - propriedades privadas - onde o acesso é extremamente difícil".
A imigração também chegou a esta diocese alentejana. A maioria são brasileiros porque os "imigrantes de leste são mais sazonais" - disse a responsável do Secretariado das migrações da diocese de Beja. E exemplifica: "Quando se construiu a Barragem do Alqueva tínhamos muitos romenos". A economia de Beja necessita destas pessoas para trabalhar porque "não temos portugueses que queiram trabalhar no campo".
O secretariado das Migrações está integrado na Cáritas de Beja. "Prestamos apoio social - refeitório, atendimento para distribuição de géneros alimentares e de roupa - e trabalhamos de forma muito estreita com o SEF" - realça. E avança: "trabalhamos em rede". Neste encontro nacional estão presentes a maioria dos secretariados.
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agência ecclesia on 12 Julho, 2007 13:20:26
Comentários
Publicado em Ivone Boechat, 03 Outubro, 2007 11:20:18
- Que educação é essa? Analisando com olhos pedagógicos a situação educacional do Brasil dá para chorar e prantear e gritar de dor pelos milhões de jovens que conseguem ultrapassar todo tipo de barreira e entrar nas instituições escolares. Dói, mas dói muito, ver como os estudantes ainda acreditam no poder da Escola e ter pleno conhecimento da imensa decepção que logo, logo os assola! Eles chegam eufóricos, sim, porque mesmo quando é “gratuito”, não sai barato. É caro, muito caro, para entrar. Aí começam as aberrações: todo mundo é burro, todo mundo é malandro, todo mundo é violento... Nós, educadores, sabemos que: todo mundo quer estudar, todo mundo quer aprender, pode-se vencer a violência... E ninguém venha dizer que só os pobres sofrem, porque a Escola é Pública, os professores ganham pouco, os recursos são escassos. Não! O sofrimento é geral! No Brasil, a palavra organizado só é usada para o crime: crime organizado. É muita bala perdida! Há brasileiros perdidos também! Votos perdidos e verbas perdidas... Os métodos de alfabetização no Brasil andam na contra-mão. 24% dos alunos do ensino fundamental das escolas brasileiras são obrigados a repetir de série pelo menos um ano – a maior proporção de toda a América Latina. A Unesco - Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura informa que a taxa de repetência de primeira a quarta série no Brasil é pior do que a do Camboja (Ásia) e equivalente à de países como Moçambique e Eritréia (África). No Ensino Médio, entre 1998 e 1999, a taxa de repetência estava em 17,2%. Em 2001, a Unesco comparou 107 países, o Brasil tinha a mesma taxa de repetência do Burundi e Congo: 25%. O MEC gasta R$ 7 bilhões por ano com repetência no ensino fundamental. Além de campeões de repetência, ficamos nos últimos lugares do Pisa - Programa Internacional de Avaliação de Alunos. A UNESCO considerou 45 países, cujos índices de repetência são superiores a 10%. O Brasil, com taxa de 21% está entre 15 países, a maioria da África e do Caribe. Camboja, 11%, Haiti, 16%, Ruanda, 19%, Chile, 2%, Argentina, 6%. Brasil, Indonésia e Tunísia, estão entre os que têm os menores níveis de conhecimento em matemática do mundo. A taxa de evasão, que em 1997 estava em 5,2%, aumentou para 8,3% em 2001. Nos cursos noturnos, essa proporção chega a 35%. Os alunos mais ricos do Brasil têm desempenho inferior ao dos ricos da Espanha, EUA, Rússia, França, Portugal, Coréia do Sul e México. Somente 27,6% dos alunos da rede privada que fizeram as provas de matemática e de língua portuguesa tiveram desempenho considerado adequado pelo Ministério da Educação. Somente 3,7% dos alunos das escolas públicas se saíram bem no teste de língua portuguesa e 2,1% no teste de matemática. Pasmem! Segundo o professor Célio da Cunha, assessor para a área da educação da Unesco no Brasil: “O alto índice de fracasso é a falta de condições para o professor. Eles não estão preparados para ensinar alunos com dificuldades socioeconômicas”. O Brasil tem 24,5 milhões de brasileiros portadores de algum tipo de deficiência 176.067 surdos 159.824 cegos 6,59 milhões dificuldades físicas motoras 14,5% da população brasileira apresenta alguma deficiência física, mental ou dificuldade para enxergar, ouvir ou locomover-se. Existe Escola especial para eles? Em meio a tantas coisas perdidas, só não pode existir educadores perdidos! Ivone Boechat PhD
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- in Junta de Freguesia de Agualva
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As Raízes proletárias e revolucionárias do dia internacional da mulher
Ano XXV - nº388
Festejado hoje pelas organizações imperialistas, como a ONU, o 8 de março surgiu como dia de luta da mulher operária contra o imperialismo | ||
Apesar de ser celebrado, hoje, oficialmente no mundo todo, sendo inclusive data oficial reconhecida pela ONU e por inúmeros países do globo, são raríssimas as informações a respeito da origem da luta das mulheres pelo 8 de março, não existindo nenhuma história organizada sobre os fatos e discussões que levaram ao estabelecimento desta data como o dia internacional de luta na consciência das mulheres. O silêncio sobre a história de um dia tão comemorado e instrumento de campanhas supostamente em defesa da mulher pelo mundo todo, chama a atenção dos espíritos mais críticos e daqueles que lutam para resgatar a história do movimento operário, das suas lutas e das suas grandes realizações. O 8 de março é justamente mais uma destas grandes iniciativas da classe operária mundial que, com a Revolução Russa de 1917, firmou-se como um instrumento de defesa internacional das mulheres. Posteriormente o imperialismo adaptou-se à esta conquista operária, procurando apagar suas origens revolucionárias, transformando o 8 de março em mais um instrumento da democrática política do imperialismo de ataque às mulheres, encoberta com os discursos e campanhas demagógicas sobre os “direitos da mulher”. O 8 de março
A data do 8 de março está ligada à luta das operárias têxteis de Nova Iorque. Foi uma das primeiras greves destas operárias têxteis novaiorquinas, no ano de 1857 que deu origem à data. Nesta greve as operárias permaneceram paradas durante semanas, sendo brutalmente reprimidas pela polícia e perseguidas pelos patrões em uma grande manifestação exatamente nesta data. transformando-se num símbolo de luta para as trabalhadoras e as socialistas norte-aemericanas. Esta greve é comumente confundida com o trágico incêndio da fábrica de vestimentas novaiorquina Triangle em 1911 – em decorrência das péssimas condições de trabalho - que matou mais de 100 operárias, acontecimento que ganhou tamanha notoriedade, pela denúncia feita pelos socialistas, quando estas começaram a realizar as primeiras manifestações para marcar o dia de luta das mulheres, que se apresenta, para muitos, como a explicação para a extraordinária repercussão trazida pela paralisação de 1857. Na realidade a greve das operárias têxteis, no século passado, foi a primeira faísca da luta feminina que se transformaria no início deste século num movimento internacional com manifestações de centenas de milhares de mulheres reivindicando o fim da discriminação. A importância da greve das operárias em 1857 refere-se ao fato de que o movimento foi pioneiro ao levantar as reivindicações femininas em um momento em que a entrada das mulheres no mercado de trabalho era ainda mais a exceção do que a regra. No início do século, em 1907, no dia 8 de março, uma comemoração desta greve vai iniciar, nos EUA, um ciclo de mobilizações de massas de mulheres, expressando o fenômeno mais geral da integração em massa das mulheres no mercado de trabalho e a superexploração da sua mão-de-obra pelo capitalismo. Neste ano as operárias e os socialistas de Nova Iorque vão convocar no dia 8 de março, para lembrar a greve de 1857, uma grande “Marcha da Fome”, para reivindicar a diminuição da jornada de trabalho para 10 horas, melhores salários e condições de trabalho sendo brutalmente reprimidas pela polícia de Nova Iorque. Em 1908, novamente no 8 de março, as mulheres vão sair às ruas para comemorar as mobilizações de1857 e de 1907. Neste momento, também, o Partido Socialista Norteamericano vai criar o comitê de mulheres pelo voto levantando além das reivindicações econômicas como salários iguais para trabalhos iguais e o fim do trabalho infantil, uma campanha política pelo sufrágio feminino. Em 1909, novamente por iniciativa dos socialistas, o trabalho entre as mulheres será ampliado com o importante êxito obtido com a realização do primeiro dia Nacional das Mulheres, realizando manifestações em todo o país no último domingo de fevereiro, repetindo estas comemorações todos os anos até 1913, quando os movimentos adquirem o caráter de protesto contra a guerra que já se apresentava como uma terrível ameaça. Já em 1910 com o crescimento do movimento de mulheres, Lena Lewis, uma das principais representantes do movimento feminista norte-americano vai declarar que não era uma época para celebrar nada, mas um dia para antecipar as lutas que viriam quando “poderemos eventualmente e para sempre erradicar o último vestígio do egotismo masculino e seu desejo de dominar as mulheres”. O Dia Internacional da Mulher A criação do dia internacional de luta da mulher é obra do II Congresso Internacional das Mulheres Socialistas, realizado em 1910 na Dinamarca, por iniciativa das militantes revolucionárias da II Internacional. Nesta conferência foi aprovada a proposta feita por Clara Zetkin, responsável pela organização do trabalho de mulheres da social democracia alemã e editora do jornal de mulheres do partido, Igualdade . Segundo ela era necessário estabelecer um dia como referência mundial de luta para as mulheres na medida em que tanto na Europa como nos EUA os partidos socialistas já vinham realizando manifestações com este caráter, reunindo milhares de mulheres para lutar por reivindicações fundamentais como a redução da jornada, o voto feminino etc. A proposta do partido alemão era de que as comemorações fossem realizadas no domingo, seguindo analogamente a política defendida por este partido em relação às comemorações do 1º de Maio algumas décadas antes, ou seja, fazer manifestações após o expediente, no caso da mulher, no domingo, para evitar um confronto aberto com a burguesia numa situação onde consideravam que não havia condições para impor uma derrota ao governo, particularmente na Alemanha. Participaram da conferência cerca de 100 mulheres representanto 17 países, incluindo as três primeiras mulheres socialistas eleitas para o parlamento finlandês. Como plataforma para a organização das manifestações do dia internacional da mulher foi aprovada a luta pelo direito de voto feminino, o sufrágio universal e o seguro-maternidade para todas as mulheres casadas com filhos, em oposição a uma proposta de que o benefício fosse concedido independentemente do estado civil da mãe, proposta defendida pelos russos representados por Alexandra Kollontai. Mobilizações de massa Em 1911 a 1º comemoração do dia internacional da mulher, organizada pelo Secretariado Feminino da II Internacional, ocorreu no dia 19 de março na Alemanha, Dinamarca, Austria, Suiça, EUA e vários outros países europeus, sendo realizado nesta data em homenagem à revolução de 1848 na Alemanha, onde foi conseguido o direito de voto feminino, revogado posteriormente pela derrota da revolução. Segundo a revolucionária russa Alexandra Kollontai este primeiro “dia internacional da mulher excedeu todas as expectativas. (... ) “A Alemanha e a Áustria eram um mar ondulante de mulheres. Reuniões eram organizadas em todos os lugares. (...) “Nas pesquenas cidades, até mesmo nas aldeias, os salões estavam tão cheios que havia pedidos para os trabalhadores homens cederem seus lugares para as mulheres. Os homens ficaram em casa com as crianças para variar, e suas esposas, as escravizadas donas-de-casa, foram às reuniões. Durante as maiores manifestações de rua, nas quais tomavam parte 30 mil pessoas, a polícia decidiu remover as faixas dos manifestantes: as trabalhadoras se opuseram. Na luta que se seguiu, o derramamento de sangue foi evitado apenas com a ajuda dos deputados socialistas no parlamento”. A manifestação reuniu um milhão de mulheres em todo o mundo, caracterizando-se como a erupção de um gigantesco movimento de massas, reivindicando o direito de voto, o de ocupar cargos públicos, direito ao trabalho, treinamento profissional, fim da discriminação nos locais de trabalho etc. Uma semana depois da manifestação, no dia 25 de março, o já mencionado incêndio na empresa Triangle, em Nova Iorque, matou 140 operárias têxteis, em função das péssimas condições de trabalho que vigorava em todas as fábricas, causando uma grande comoção entre um movimento de mulheres massivo e radicalizado com a terrível confirmação das denúncias feitas dias anteriores. Esta tragédia marcou de forma indelével o dia internacional da mulher como um símbolo da situação de exploração das mulheres e do acerto das denúncias e reivindicações feitas pelas mulheres socialistas dos principais países do mundo. Uma conquista da Revolução Russa O dia Internacional da Mulher vai se estabelecer definitivamente no 8 de março com a vitória da revolução na Rússia. Não por coincidência, foi a manifestação convocada pelas operárias ligadas ao socialismo russo, o estopim da Revolução de Fevereiro de 1917, ao se transformar em uma greve geral na enorme concentração operária do bairro Viborg em S. Petersburgo, principal cidade industrial do país. Com a vitória da ditadura do proletariado, o governo soviético transformou a data em feriado comunista, procurando impulsionar a luta internacional das mulheres, não apenas por que foram elas as iniciadoras da revolução, mas porque são a camada mais explorada da classe operária consituindo potencialmente um vasto movimento revolucionário e, segundo Lênin, sem elas “não haveríamos vencido, ou haveríamos vencido a duras penas”. A revolução que começou no dia 8 de março através do protesto das mulheres, diante das filas de racionamento de pão provocadas pela miséria vinda com a I Guerra Mundial. A partir daí o movimento se estendeu para as fábricas e quartéis derrubando a monarquia secular que governava a Russia, viria a ser também a maior conquista que as mulheres de todo o mundo jamais obtiveram em toda a história da humanidade na luta pela sua libertação . A vitória da revolução trará uma série de mudanças fundamentais na situação da mulher soviética, lutando contra a estrutura de total submetimento representada pela cultura semi-asiática do país e pelo atraso econômico representado pela maioria camponesa e pelo subdesenvolvimento urbano. As primeiras medidas adotadas pelo governo revolucionário foram o direito integral ao divórcio a partir do pedido de qualquer dos cônjuges, superando no início do século as legislações vigentes em todo o mundo ainda hoje , as quais forçam o convívio entre pessoas apesar do laço afetivo e consentimento mútuo não existir mais. No Brasil, como na maior parte do mundo, o divórcio é uma autorização que depende de decisão judicial, após um período de separação de fato, e não um direito inquestionável da pessoa, na medida em que se refere a uma decisão absolutamente particular dos casais. No caso do aborto o governo revolucionário garantiu o direito integral à sua realização, inclusive através da rede pública de saúde, gratuitamente, em todo o país, atendendo uma das reivindicações mais importantes para as mulheres: o fim da gravidez indesejada, uma violência contra a mulher, uma vez que o Estado intervém repressivamente na vida íntima das mulheres obrigando-as a tomarem uma decisão contra a sua vontade, e que no caso da maior parte das mulheres significa o abandono do trabalho, do estudo, e o reforço da exploração e embrutecimento proveniente do trabalho doméstico e da dependência do marido. Em 1917, o governo de Lênin e Trostki já derrubava totalmente a distinção entre os filhos nascidos de uma união legal e os filhos “ilegítimos”. Outra das grandes conquistas trazidas pela revolução foi a total igualdade jurídica entre os homens e mulheres, com os direitos políticos integrais, o incentivo à sua elevação cultural, a proibição da discriminação sexual, numa época em que as mulheres eram consideradas juridicamente incapazes, como no Brasil, onde o código civil até poucas décadas atrás considerava o homem como chefe de família, e, somente na sua ausência, a mulher poderia tomar decisões de forma independente. A política do governo bolchevique em defesa da mulher, igualando-a juridicamente ao homem e atendendo reivindicações fundamentais, ganhou adeptas no mundo todo estimulando o movimento de mulheres de uma forma nunca vista antes, uma vez que era a expressão do interesse de milhares de mulheres que entravam em massa no mercado de trabalho, tornando-se politicamente a referência mundial de luta pelos direitos da mulher. Posteriormente, com a vitória da burocracia stalinista contra-revolucionária na União Soviética a legislação a favor da mulher vai ser paulatinamente revogada, retirando-se o direito ao aborto, impondo restrições ao divórcio, retirando conquistas da mulher e comprovando a idéia de que a opressão da mulher nada mais é um aspecto da política contra-revolucionária da burguesia mundial, da qual a burocracia stalinista foi nada mais e nada menos que um agente no interior do Estado operário. Uma adaptação do imperialismo Os EUA até o final dos anos 60 se opunham, a que fosse comemorado o dia internacional da mulher, pelo seu caráter revolucionário o que se acentuou no marco da política de luta mortal contra a revolução mundial da Guerra Fria. Será o ascenso revolucionário que percorreu o mundo em 68 que vai trazer novamente as comemorações do 8 de março para o terreno das manifestações de massa fazendo surgir no mundo inteiro amplos movimentos de libertação da mulher, bem como teorias feministas de caráter pequeno-burguês que evoluíam no vazio deixado pela crise de direção histórica da classe operária. Com o mundo convulsionado pelas mobilizações políticas do final dos anos 60 e na década de 70 o imperialismo vai mudar de política, adotando a democracia como política de controle e estrangulamento das tendências revolucionárias presentes na situação política mundial, política esta simbolizada pela política de “direitos humanos” do presidente norte-americano Jimmy Carter. A decretação pela ONU, do ano de 1975, como Ano Internacional da Mulher vai corresponder a esta mudança de política, a qual significa que o imperialismo apoiará demagogicamente – uma vez que nada é feito de fato - algumas reivindicações populares, para romper o isolamento em que as mobilizações colocaram a direita anticomunista, promovendo uma nova roupagem para a mesma política de ataque às mulheres e aos explorados. Esta política será possível, também, devido ao declínio dos movimentos de mulheres da década de 60 e 70, agora dominados pelas personalidades burguesas, pela cooptação governamental e pela política democratizante do imperialismo. A década de 1975 a 1985 será considerada pela ONU a década da mulher e será organizada a 1º Conferência Mundial da Mulher no México. Em 1977 a Unesco declarará oficialmente o 8 de Março como o dia internacional da mulher e nos anos de 1980, 1985 e 1995 serão organizadas respectivamente as conferências mundiais da Mulher em Copenhague, Nairóbi e Pequim. Estas iniciativas serviram para tentar apagar a história dos verdadeiros movimentos de defesa da mulher, os socialistas e a Revolução Russa, ao mesmo tempo em que reciclou a imagem repressiva e reacionária da burguesia imperialista para conseguir submeter a mulher a uma situação de exploração, com a revogação das conquistas sociais, e submetimento aos homens, à legislação reacionária, à ideologia da mulher como instrumento nunca visto antes neste século.. | ||
Crónicas do Mundo - Festejando a Mulher

* F. Falcão Machado, Embaixador de Portugal no México
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in Correio da Manhã 2008.03.07
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segunda-feira, 10 de março de 2008
DESigualdade de género nos manuais escolares: até quando?
| * Teresa Alvarez |
As representações de género em manuais escolares do ensino básico constituem objecto da dissertação apresentada por Paula Bento Soares do Sacramento Pereira, no âmbito do mestrado em Linguística Aplicada, na Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa. Com o título Modelados pelo discurso. Uma análise crítica das representações de género em manuais escolares do 1º ciclo, a pesquisa incide sobre seis manuais, das disciplinas de Língua Portuguesa e de Estudo do Meio, destinados ao 2º ano de escolaridade, pertencentes a três editoras e adoptados em 2000/2001. . Do ponto de vista teórico, a autora parte do papel social e “socializante” da linguagem e das práticas discursivas, através das quais aprendemos a dizer e a pensar o que somos, enquanto indivíduos e enquanto elementos de uma mesmo colectividade, ou seja, construímos a nossa identidade individual, internalizamos os traços que nos definem como mulheres e como homens e os papéis sociais que nos cabem, de acordo com esses mesmos traços. A autora sublinha, assim, a força ideológica do que dizemos e escrevemos e o facto de serem as práticas discursivas uma forma de transmissão de valores e de crenças e, portanto, um poderoso meio, quer de reprodução e de manutenção de (pre)conceitos, quer de questionamento e de mudança dos estereótipos sociais, em particular daqueles que se prendem com a noção de pessoa, mulher ou homem, e com o que se considera que devem ser as relações sociais entre homens e mulheres. . Procedendo primeiramente a uma análise global quantitativa dos seis manuais, ao nível da imagem e do texto escrito, a autora constata a transmissão de modelos estereotipados de mulheres e de homens, através das actividades e dos traços físicos e psicológicos associados a cada um dos sexos. Num segundo momento, Paula Pereira realiza a análise qualitativa de doze textos dos manuais de Língua Portuguesa detectando que os processos linguísticos (re)produzem uma ideologia que, ao discriminar, legitima os estereótipos de género e a desigualdade entre mulheres e homens. . Através da análise das ilustrações e dos textos, a autora averigua, em primeiro lugar, quais os modelos de identidade social e sexual transmitidos pelos manuais analisados e o modo como as linguagens verbal e visual contribuem para manter ou mudar os estereótipos associados à feminilidade e à masculinidade. As conclusões da autora confirmam a permanência de um sexismo tanto explícito, através de representações desfasadas da realidade social actual, como implícito, mediante estereótipos do que é ser mulher ou homem, para o qual contribuem factores como a identificação das profissões no masculino, a ausência dos homens no mundo doméstico e o uso sistemático do masculino genérico. O sexismo latente dos manuais escolares passa, em grande medida, pelos efeitos da utilização do masculino genérico “já que a sua interpretação imediata é a de masculino específico” (p. 132), como lembra a autora. . Nas ilustrações, as figuras de homens surgem em número muito superior ao das mulheres, sendo eles que, do ponto de vista visual, representam a humanidade. Simultaneamente, tanto nas ilustrações como nos textos, são atribuídas a mulheres e a homens características físicas e psicológicas que seguem de muito perto os modelos tradicionais de feminilidade e de masculinidade: eles são fortes, dinâmicos, performativos e revelam faculdades intelectuais; elas são belas, frágeis, afectivas e revelam competências relacionais. A mesma assimetria de género marca as referências às profissões que surgem protagonizadas predominantemente por homens, aos quais se associa igualmente a diversidade profissional. . Em contrapartida, a esfera doméstica e familiar, da qual os homens estão ausentes, é identificada com o sexo feminino e nela se verifica o exercício do poder de decisão das mulheres. Somente na esfera familiar e doméstica as mulheres surgem como agentes de acção e os homens com um papel passivo e receptor, o que significa a sua desresponsabilização no espaço doméstico. . Na sequência da revisão da literatura sobre a igualdade de género nos manuais escolares, na qual se cruzam os resultados dos estudos nacionais e dos trabalhos realizados a nível internacional, a autora conclui que os dados obtidos situam os manuais analisados na mesma linha daqueles que foram estudados em Portugal nas últimas três décadas, continuando a veicular a ideia de uma divisão dicotómica entre homens e mulheres relativamente àquilo que os/as caracteriza enquanto pessoas e às suas esferas de intervenção: a eles pertence a macro esfera do social e a elas pertence a micro esfera da família. Como refere a autora “a rápida absorção destes modelos de conduta pelas crianças leva?as depois a rejeitar (principalmente no caso dos rapazes, que se sentem empossados de uma posição privilegiada) as tarefas que consideram próprias do outro sexo” (p.133). . Sublinhe?se ainda que a autora conclui neste estudo haver uma clara discrepância, no sistema escolar, entre o discurso legislativo e institucional, que introduziu algumas mudanças de ordem política em matéria de igualdade, e os materiais pedagógicos, nomeadamente os manuais escolares. Nem as orientações nacionais e internacionais sobre a temática da igualdade entre mulheres e homens e a sua promoção na área da educação, nem as orientações do Ministério da Educação quanto a manuais escolares, conduziram a resultados “concretos e visíveis” nos materiais pedagógicos destinados à escola, em particular nos manuais escolares. A mesma contradição ocorre entre as intenções do currículo e os programas das disciplinas que o constituem, nos quais “as referências ao género são escassas, vagas e demasiado teóricas” (p. 142) como realça a autora. . Quanto a propostas que visem abolir o sexismo dos manuais escolares e promover a igualdade de género nos materiais e nas práticas pedagógicas, Paula Pereira sublinha a necessidade de uma alteração de atitudes a vários níveis, mencionando, entre outras linhas de acção, a formação de docentes (com vista ao desenvolvimento de uma consciência crítica na área da igualdade de género); a integração da análise crítica dos discursos na produção de manuais e a necessidade de incluir nos critérios de avaliação e selecção dos manuais o equilíbrio de género. . O trabalho encontra?se disponível no Centro de Documentação da CIDM. |
sábado, 8 de março de 2008
Dia Internacional da Mulher
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
O Dia Internacional da Mulher é celebrado a 8 de Março. É um dia comemorativo para a celebração dos feitos económicos, políticos e sociais alcançados pela mulher.
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A ideia da existência de um dia internacional da mulher foi inicialmente proposta na viragem do século XX, durante o rápido processo de industrialização e expansão económica que levou aos protestos sobre as condições de trabalho. As mulheres empregadas em fábricas de vestuário e indústria têxtil foram protagonistas de um desses protestos em 8 de Março de 1857 em Nova Iorque, em que protestavam sobre as más condições de trabalho e reduzidos salários.
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Existem outros acontecimentos que possam provar a tese como o incêndio na fábrica da Triangle Shirtwaist, que também aconteceu em Nova Iorque, em 25 de março de 1911, onde morreram 146 trabalhadoras. Segundo esta versão, 129 trabalhadoras durante um protesto teriam sido trancadas e queimadas vivas. Este evento porém nunca aconteceu e o incêndio da Triangle Shirtwaist continua como o pior incêndio da história de Nova Iorque.
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Muitos outros protestos se seguiram nos anos seguintes ao episódio de 8 de Março, destacando-se um outro em 1908, onde 15.000 mulheres marcharam sobre a cidade de Nova Iorque exigindo a redução de horário, melhores salários, e o direito ao voto. Assim, o primeiro Dia Internacional da Mulher observou-se a 28 de Fevereiro de 1909 nos Estados Unidos da América após uma declaração do Partido Socialista da América. Em 1910, a primeira conferência internacional sobre a mulher ocorreu em Copenhaga, dirigida pela Internacional Socialista, e o Dia Internacional da Mulher foi estabelecido. No ano seguinte, esse dia foi celebrado por mais de um milhão de pessoas na Áustria, Dinamarca, Alemanha e Suíça, no dia 19 de Março. No entanto, logo depois, um incêndio na fábrica da Triangle Shirtwaist mataria 140 costureiras; o número elevado de mortes foi atribuído às más condições de segurança do edifício. Além disto, ocorreram também manifestações pela Paz em toda a Europa nas vésperas da Primeira Guerra Mundial.
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Na Rússia, as comemorações do Dia Internacional da Mulher serviram de estopim para a Revolução russa de 1917. Depois da Revolução de Outubro, a feminista bolchevique Alexandra Kollontai persuadiu Lenin para torná-lo num dia oficial que, durante o período soviético permaneceu numa celebração da "heróica mulher trabalhadora". No entanto, o feriado rapidamente perderia a sua vertente política e tornar-se-ia numa ocasião em que os homens manifestavam a sua simpatia ou amor pelas mulheres da sua vida — um tanto semelhante a uma mistura dos feriados ocidentais Dia da Mãe e Dia dos Namorados. O dia permanece como feriado oficial na Rússia (bem como na Bielorrússia, Macedónia, Moldávia e Ucrânia), e verifica-se pelas ofertas de prendas e flores dos homens às mulheres (quaisquer mulheres). Quando à Checoslováquia integrou o Bloco Soviético, esta celebração foi apoiada oficialmente e gradualmente transformada em paródia — ver MDŽ.
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No Ocidente, o Dia Internacional da Mulher foi comemorado durante as décadas de 1910 e 1920, mas esmoreceu. Foi revitalizado pelo feminismo na década de 1960. Em 1975, designado como o Ano Internacional da Mulher, a Organização das Nações Unidas começou a patrocinar o Dia Internacional da Mulher.
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Ver também
Ligações externas
- Site oficial da ONU sobre este dia (em inglês)
- História (em inglês)
- 8 de Março de 1857 (em português)
- Artigo de Cinderela Caldeira (em português)
- Caderno resgata História do 8 de março (em português)
- Belíssima mensagem para o Dia Internacional da Mulher (em português)
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