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segunda-feira, 28 de julho de 2014

françoise sagan - bom dia tristeza

BONJOUR TRISTESSE

La villa est magnifique, l été brûlant, la Méditerranée toute proche. Cécile a dix-sept ans. Elle ne connaît de l amour que des baisers, rendez-vous, lassitudes. Pas pour longtemps. Son père, veuf, est un adepte joyeux des liaisons passagères et sans importance. Ils s amusent, ils n ont besoin de personne, ils sont heureux. La visite d une femme de coeur, intelligente et calme, vient troubler ce délicieux désordre. Comment écarter la menace? Dans la pinède embrasée, un jeu cruel se prépare. C était l été 1954. On entendait pour la première fois la voix sèche et rapide d un charmant petit monstre qui allait faire scandale. La deuxième moitié du XXe siècle commençait. Elle serait à l image de cette adolescente déchirée entre le remords et le culte du plaisir.


"A nitidez de minhas lembranças a partir daquele momento me assombra. Adquiria uma consciência mais atenta dos outros, de mim mesma. A espontaneidade e um egoísmo fácil sempre haviam sido para mim um luxo natural. Sempre havia vivido. Ora, eis que aqueles poucos dias me haviam perturbado o bastante para que fosse levada a refletir, a me encontrar vivendo. Passava por todos os horrores da introspecção sem, por isso, reconciliar-me comigo mesma."
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domingo, 26 de agosto de 2012

“N.” de Ernesto Ferrero



HÁ SEMPRE UM LIVRO...à nossa espera!

Blog sobre todos os livros que eu conseguir ler! Aqui, podem procurar um livro, ler a minha opinião ou, se quiserem, deixar apenas a vossa opinião sobre algum destes livros que já tenham lido. Podem, simplesmente, sugerir um livro para que eu o leia! Fico à espera das V. sugestões e comentários! Agradeço a V. estimada visita. Boas leituras!



WEDNESDAY, FEBRUARY 29, 2012


“N.” de Ernesto Ferrero (Teorema)

Cláudia de Sousa Dias







Ernesto Ferrero é autor de vários romances , biografias ensaio e teatro. É, também, tradutor da obra de Gustave Flaubert  e Céline, para a língua italiana. Com “N.” recebeu o Prémio Strega 2000, uma das maiores distinções literárias daquele país. 

A obra de que aqui tratamos é um romance que se assemelha com características biográficas, acerca de Napoleão Bonaparte e relativo ao período de trezentos dias de exílio, na ilha de Elba.

O Autor é dono de uma escrita pautada por um discurso marcadamente diarístico, narrado pelo bibliotecário local, Martino Acquabona, de origem aristocrática e homem de saber e cultura invulgar.

A obra divide-se em capítulos, a descrever a lenta evolução dos dias que escorrem ao ritmo da insularidade local, porto de chegada e partida, quer dos ilhéus exilados quer dos estrangeiros, invasores. O porto é, assim, a principal fonte de obtenção de notícias para a Ilha e o único ponto de contacto com o exterior. Os movimentos portuários implicam sempre, de alguma forma, uma mudança na vida dos locais, marcando sempre, num ou noutro aspecto o término de um ciclo, seja para alguém em particular, seja para a população ou parte dela. À lentidão das horas que passam de forma pachorrenta nos intervalos do horário do tráfego portuário, está sempre presente o tédio e a indignação de exilados e locais, face à imposição a partir da capital, de um soberano que será a partir de então o Governador Local e cuja megalomania foi responsável pelo dizimar de toda uma geração de jovens rapazes e trabalhadores úteis.

O romance incide todo ele no exílio de Napoleão e sua corte em Elba durante os nove meses que precedem o seu desterro para Santa Helena, mais o epílogo que relata o desfecho narrado pelo sobrinho do protagonista.

Após a restauração da monarquia pelos Bourbon e a vitória de Nelson em Waterloo, Napoleão e a sua comitiva formada por generais, cortesãos, família e amigos próximos de lealdade férrea, continuam a ser uma ameaça para os vencedores: a “águia” está inquieta no seu ninho e demasiado próxima da Europa para ser inofensiva.

Martino Acquabona é o narrador e protagonista, uma personagem ficcional obcecada pela figura do mítico general. Tem o cargo de bibliotecário na Ilha, nomeado pelo próprio N., abreviatura de que se serve para despachar mais rapidamente as questões burocráticas, e que o narrador utiliza para se lhe referir no diário até mesmo para sua protecção pessoal: o mesmo diário que contém revelações algo embaraçosas para a personagem por ele biografada. Acquabona é oriundo de uma família nobre mas empobrecida e senhor de invulgar erudição, a qual também é secretamente invejada pelo general.

Na óptica deste narrador de invulgar talento literário, a comitiva de Napoleão chega à Ilha e instala-se arrogantemente, ocupando edifícios públicos ou expulsando algumas famílias ilustres das suas propriedades, pretendendo compensá-las mediante avultadas prestações pecuniárias mensais. Poderia, à primeira vista parecer um negócio vantajoso para estas famílias, mas na realidade trata-se de expropriações, já que não são apresentadas alternativas aos proprietários. Os ocupantes escolhem as melhores casas da região, pagando o respectivo aluguer, mas trata-se de uma situação que, dadas as circunstâncias, não deixa de ser humilhante para os respectivos donos. Quanto aos edifícios públicos, trata-se de ocupação pura e simples. Os membros da corte de Napoleão tornam-se os novos senhores da ilha, sempre vigiados de longe e pelo canto do olho pelos locais, que enganam o tédio a comentar os mais ínfimos detalhes do quotidiano do ex-Imperador e dos que o rodeiam, incluindo as ordens que dá, os impostos recém-criados, as mudanças de humor, as relações com amigos, inimigos, família, amantes. Tudo temperado com a proporção dada pelo rumor a apimentar a informação original. Nada escapa ao olhar de lince dos insulares, habituados a ver chegar e partir forasteiros, sabendo de antemão que, também para estes, um dia, será a vez de partir.

Mas à medida que avançamos nos capítulos, apercebemo-nos de que a relação obsessiva de amor-ódio que se estabelece entre o bibliotecário e o ex-general se agudiza gravemente com a chegada da bela e frívola Baronesa di Calabria…A partir de então, deixa de haver paz no dia-a-dia de Acquabona, incapaz de fazer frente à ordens e caprichos de N. Este continua a agir como se fosse ainda o Imperador, de facto é-o, embora só naquela Ilha, sentindo-se dono e senhor absoluto da vontade dos homens que aí habitam. E das respectivas mulheres.


Estrutura e Estilo no romance de Ferrero

A estrutura do romance de que aqui tratamos está directamente ligada ao tempo da acção, uma vez que os capítulos estão divididos em meses.

O arranque da acção dá-se com o prólogo, o qual consiste na descrição de um sonho de Acquabona em que este assassina o Imperador. O bibliotecário atribui a esta descrição o título de Reverie em forma de prólogo e cujo conteúdo consiste no verdadeiro desejo do protagonista, desejo esse que nunca chega a realizar. Ao longo da obra, o leitor, debate-se com o desejo de descobrir o motivo que despoleta tamanho ódio, sendo esta curiosidade, em grande parte, a mola que impulsiona a leitura da obra. Mas não só. À medida que se tenta decifrar as motivações para tão violenta reacção, deparamo-nos com uma estranha ambivalência de emoções por parte de Acquabona que vão desde um ódio profundo pela prepotência dos actos do ex-general, até a uma igualmente profunda admiração pelo respectivo génio e capacidade de planeamento. Mas tirando a força que assenta numa vontade de ferro e numa invulgar capacidade de cálculo e previsão, Martino Acquabona considera o novo Governador da Ilha um homem inferior, ao qual o desejo ilimitado de poder conseguiu exterminar por completo qualquer sentido de ética.

No discurso de Acquabona são transparecem as medidas tomadas pelo novo governo local, imbuídas de um estilo de liderança inequivocamente tirânico, apesar de disfarçadas com um manto de racionalidade – o despotismo, mascarado de moral, a avidez e ganância pessoais travestidas de acções direccionadas para as necessidades de desenvolvimento local, que se traduzem em avultados desvios de verbas públicas para os cofres particulares do governador e seus amigos.

A conclusão, à laia de epílogo, é-nos dada pela reflexão de Telémaco – um mês depois do desenrolar dos acontecimentos, isto é, escrita já num tempo fora do tempo da estória -, o sobrinho de Acquabona, herdeiro do Tio Martino.


A Mulher como o pomo da discórdia

Uma palavra para a personagem da Baronesa, a qual não se limita a exercer o sortilégio da própria beleza como a típica mulher fatal: a sedução advém-lhe não só dos atributos físicos, do requinte e da erudição, mas sobretudo de um desejo incomensurável de “ser livre”, dona do próprio destino. O caminho percorrido pela Baronesa revela a profunda ironia com que o Ernesto Ferrero revestiu o destino desta personagem, cujo maior desejo acaba por ser completamente mutilado ao procurar a libertação, submetendo-se à tirania do Governador.

O ritmo com que Ernesto Ferrero dota o discurso do bibliotecário Acquabona assemelha-se a uma valsa lenta: reflexivo, cheio de momentos de pausa, descritivo mas sem floreados. Não deixa, no entanto, de exprimir emoções turbulentas, fruto de um vincado sentido crítico, que lhe é dado por um misto de erudição clássica e saber científico, conhecendo em profundidade a maior parte das obras da biblioteca e de uma certa impaciência despoletada pela atitude prepotente do invasor. À mistura do racionalismo que lhe vem do conhecimento científico e da extensa cultura livresca associada à efervescência emotiva, dirigida ao ex-Imperador, ainda mais inflamada pela ardente paixão que nutre pela Baronesa, é cozinhado ao longo da trama um delicioso caldo de venenos que torna a leitura da obra irresistível. Como contraponto, o clima ameno e algo anestesianteda ilha do Mediterrâneo.

N. é assim um livro escrito para ser lido ao sabor dos dias insulares, em férias ritmadas pelo movimento de navios que acostem e partam indiferentes ao tédio das horas…


Cláudia de Sousa Dias
31.05.20
Blog d'humeur littéraire - Livres, lectures, romans, essais, critiques. La lecture comme source de plaisir, d'inspiration et de réflexion.


29.4.09



N. – Ernesto Ferrero

N, c’est Napoléon, ce monstre froid, cet orque assoiffé de sang et pour qui la vie humaine n’a pas de prix. Des morts par dizaines de milliers sur chaque champ de bataille, par millions au bout des campagnes qui n’ont eu d’autres objectifs que d’alimenter une volonté insatiable de grandeur et de puissance.



C’est ce bourreau que déteste M. Aquabono, lettré et féru de littérature française et qu’il voit débarquer sur son île d’Elbe, jusque là bien tranquille. Une île en ébullition et vite conquise, sans coup férir.



Le parti-pris de l’auteur est intéressant. Ce n’est pas au militaire, au Consul ou à l’Empereur qu’il s’adresse. C’est au petit roi déchu, émigré sous des cieux italiens, placés sous la férule des Anglais et à qui on a laissé un lopin de terre, loin de tout, pour jouer sans risques. Un épisode peu glorieux et mal connu de l’épopée napoléonienne.



Rapidement, à peine débarqué, N. n’aura de cesse que de réorganiser de fond en comble une île jusqu’ici endormie et profondément agricole. Il y mettra la même énergie et détermination qu’en toutes choses, gouvernant de façon inflexible, un objectif toujours en tête : revenir au pouvoir à Paris.



Accompagné de ceux qui lui sont resté fidèles (son fidèle Drouot en particulier), il va s’appliquer à amadouer les autochtones en les obligeant et saura parfaitement endormir la vigilance de ses geôliers par une politique active de rénovation profonde de l’île.



Ce sont des citernes d’eau qui sont mises en place, un système complet de traitement des eaux usées, des routes qui sont tracées, des palais construits, des fortifications consolidées. Une administration totale est mise sur pied ainsi qu’une marine militaire et une petite armée.



Mais N. est aussi un homme de lettres, non pas par amour (sait-il au moins ce qu’est l’amour ?), mais parce qu’il veut tout maîtriser dans l’art de la guerre : la géographie, l’histoire, les mathématiques (pour la balistique), la physique… Il lui faut donc un bibliothécaire pour s’occuper des superbes volumes qu’il a fait venir de ses bibliothèques impériales, plus ou moins au nez et à la barbe des Anglais.



C’est Aquabono qui se voit confier cette responsabilité, lui qui déteste N. pour des raisons éthiques et morales.



Mais à côtoyer le grand homme, bientôt c’est la haine intellectuelle va bientôt se transformer en authentique admiration. Celle de l’énergie inépuisable, celle de la volonté délibérée de revenir au pouvoir, le moment venu, celle du paternalisme dont N. use sans mesure pour parvenir à ses fins, celle du stratège brillant et manipulateur d’hommes, obtenant en tout, ce qu’il désire..



Comment faire quand on ne sait que servir loyalement, que l’on se prend à admirer un homme hors du commun et qu’en même temps on aimerait l’assassiner, pour protéger l’Europe de nouvelles saignées humaines ?



Pusillanime, Aquabono ne saura qu’être la proie de ses doutes, rêvant d’être celui qui aura tué le monstre. Pendant ce temps, N. réformera profondément Elbe et préparera son retour, éphémère, au pouvoir. Un homme d’esprit face à un homme brillant d’actions. U n combat perdu d’avance.



Dans ce livre à la fois d’histoire extraordinairement documenté et roman psychologique et historique, Ferrero sait nous emmener sur des chemins de traverse qui nous donne à voir Napoléon sous un jour différent et surtout, Napoléon, en tant qu’homme fait de chair et de sang, en proie à ses doutes, ses amertumes, ses regrets mais toujours tourné vers l’action, assoiffé d’avenir fait de gloire. Car il ne fur rien d’autre que cela : un mégalomane de génie, visionnaire, d’une énergie rare, au leadership que rien ne pouvait arrêter sauf son ambition dévorante.



Certes le livre, à force de détails et de minutie, est un peu long mais tout amateur d’histoire et tout passionné du grand homme, dont je suis, se doivent de lire ce roman à part.


. . .Il baby-Napoleone raccontato alla piccola Betsy
di Francesca Marani, la Repubblica, 26/05/2006


Lo spunto è storia. Napoleone, esiliato nel 1815 a Sant'Elena, fa amicizia con una tredicenne inglese, Betsy Balcombe.

La storia viene oggi raccolta e raccontata, curiosamente, in due versioni molto diverse. In un kolossal hollywoodiano in lavorazione, l'imperatore amerà Betsy (interpretata da Scarlett Johansson) di un amore tutt'altro che filiale.

In questo libro di Ernesto Ferrero, il più noto biografo italiano di Napoleone (dal suo bestseller N, è stato tratto un altro film, di Paolo Virzì, sull'esilio all'Isola d'Elba), la relazione fra Bonaparte e Betsy è assolutamente casta e diventa il punto di partenza per un romanzo sulla formazione dell'imperatore.

Il giovane Napoleone è appunto la storia dell'infanzia e dell'adolescenza di Bonaparte raccontata da lui stesso alla piccola amica. Gli anni in Corsica, i sorrisi e i rimproveri della madre, i fratelli e i loro giochi. Poi il primo "esilio", in collegio in Francia, e l'inizio di una nuova vita come giovane ufficiale.

Il libro è un lungo dialogo fra Betsy e Boney (così la ragazzina chiamava Napoleone), il romanzo intimo, e istruttivo, di un adolescente tenace, scritto per i ragazzi di due secoli dopo.


article.boston.com

'Napoleon' has charm enough to intrigue

December 20, 2007|Mark FeeneyGlobe Staff
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"Napoleon and Me" can't quite decide what it wants to be. Set on Elba during Napoleon's brief exile there, it has elements of costume spectacle, domestic comedy, period piece, drama of ideas, and that old French favorite, the sentimental education.
Certainly, the movie's 21-year-old hero, Martino (Elio Germano), stands in a long Gallic line. This is despite the fact that "Napoleon and Me" is based on an Italian novel, "N," by Ernesto Ferrero, and an Italian filmmaker, Paolo Virzi, directed it and helped write the screenplay.

As an imaginative creation, Martino is three parts Stendhal to one part Truffaut: impulsive, idealistic, smitten with being smitten. He's been enjoying a comically tempestuous affair with the much older Baroness Emilia (Monica Bellucci). An even greater passion is his hatred of the tyrant Napoleon. Martino has Romantic urges to go with his Enlightenment beliefs. He literally dreams of killing the deposed emperor.
Soon enough, he gets his chance - or chances. Martino's republican ideals have gotten him fired as a schoolteacher. One of his sister's suitors wangles him a job as Napoleon's literary secretary.
Alas, just as no man is a hero to a villain, neither is he a villain to his secretary. What Martino finds is not a tyrannous monster but a short, tubby man who's every bit as self-involved as he is. Daniel Auteuil, who plays Napoleon, bears a disconcerting resemblance to Joe Pesci wearing a fancy hat. This may or may not be intentional, but it has the desired effect, regardless. Martino's loathing is neutralized. Whether it should be is another matter. A much-admired teacher of Martino has his own ideas about imperial assassination - and the baroness about imperial seduction. These factors further complicate Martino's relationship with Bonaparte, who, lest we forget, will soon be meeting his Waterloo. Will Martino be meeting his?
"Napoleon and Me" is always lively and often charming. Virzi has a weakness for dark interiors, swoony camera movement, and Beethoven on the soundtrack (he uses the "Ode to Joy" to particularly vulgar effect). Neither Bellucci nor Auteuil takes things too seriously - while Germano, as befits his character, takes everything too seriously. That emotional imbalance is appropriate but also limiting.
The Museum of Fine Arts is presenting the film in conjunction with its exhibition "Symbols of Power: Napoleon and the Art of the Empire Style, 1800-1815." Museumgoers are better advised to see the movie before the show. Hors d'oeuvres, after all, are intended to be eaten before the meal itself - and "Napoleon and Me" is very much an hors d'oeuvre.
Mark Feeney can be reached at mfeeney@globe.com.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Raymond Chandler - A dama do lago (The Lady in the Lake)




ISA PINA


Ano: 1943 (original)  
Tema: romance, mistério
Nome original: The Lady in the Lake

Sinopse: Duas mulheres jovens e bonitas abandonam seus maridos e desaparecem. Philip Marlowe investiga o caso e descobre um cadáver num lago. Um gigolô mal-humorado, tiras inconvenientes, curiosos e corruptos se atravessam no seu caminho. A dama do lago é um dos clássicos da literatura americana, tendo consagrado o gênero noir, onde se destacaram também grandes autores como Dashiell Hammett, David Goodis, Ross Macdonald, entre outros.
*Livro lido para o Desafio Literário 24/12.


Opinião geral:
O que podemos falar sobre um livro de suspense que tem tantas reviravoltas que você nem sabe em mais quem se pode confiar? Não muita coisa, certo? Por isso, se minha resenha deixar a desejar, não fique brava comigo imediatamente. Um dia você ainda pode ler esse livro e certamente vai me agradecer por deixar alguns "detalhes" de fora.
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Phillp Marlowe é um detetive, que é contratado por Derca Kingsley para achar sua mulher, que está desaparecida há certo tempo. Só para avisar, os dois são casados, mas ambos nem se falam mais, sendo que cada um vive sua própria vidinha (cheia de regalias, pois ambos tem bastante dinheiro). A última notícia que teve dela foi um telegrama vindo de El Paso dizendo que se casaria com um de seus amantes, o mulherengo Chris Lavery. Porém, quando o Sr. Kingsley encontra Chris, este diz não ter viajado com sua mulher, o que acaba deixando uma ponta de desconfiança pois, se tivessemesmo viajado com ela, esfregaria na cara, certo? É o que pensa Kingsley.
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E, assim que é contratado, somos apresentados à secretaria de Kingsley, Adrienne Fromsett, morena, bonita, amante - opa, não sabia se podia contar... Brincadeira! :D - e sem aparentemente importância na história. A primeira pessoa que Marlowe visita é Chris, que reafirma a história contada a Kingsley, acabando a visita sem muitas coisas novas. Enquanto fica pensando no seu carro, nota que um senhor, Dr. Almore, fica preocupado com sua presença para, em seguida, chamar um policial valentão, Degarmo, lhe fazer umas perguntinhas. Depois da visita, Marlowe visita a casa do lago que os Kingsley tem, assim conhecendo Bill Chess, um faz-tudo por lá. Sua mulher, Muriel, tinha lhe abandonado e estava quase sempre bêbado (ou assim me pareceu). Depois de conversarem um pouco, vão para a represa/lago e quando Bill mexe uma das pedras - não sei explicar muito bem o que aconteceu - tem a impressão de ver um braço. Humano. Mexe mais um pouco as águas e um corpo boia. O corpo de Muriel... Mas em um estado de decomposição tão grande - pois faz um mês que ela sumiu - que se fosse outra pessoa, ele não saberia dizer. E é depois disso que a história ganha mais aventura. E mais perguntas, como todo boa história de mistério/suspense.
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Marlowe é um personagem sarcástico, metido, inteligente, honesto e real. Ele fala merda, ele se machuca, comete erros. Não é perfeito. E suas respostas, quase sempre na ponta da língua, fazem com que o livro fique ainda melhor de se ler. Digno de 4 estrelas, além de um quase perfeito crime :P

Pontos positivos: o mistério foi, pelo menos a mim, completamente insano! Quero dizer, eu não tinha ideia do(s) assasino(s)! Era muitas opções, muitas teorias! MUITO genial!

Pontos negativos: ainda acho que faltou alguma coisa, alguma química, mas não defini o que. Simplesmente é muito bom, mas não chega a ser ótimo. :/

Personagens favoritos: Phillip Marloweof course.

(...)
Passagens favoritas:

1: "- Sim, senhor Marlowe? O Sr. Kinglsey não está, sinto muito.
- Venho a mando dele. Onde podemos conversar?
- Conversar?
- Tenho uma coisa para mostrar-lhe.
- Oh, tem? - Ela lançou-me um olhar desconfiado. Muitos homens provavelmente haviam tentado mostrar-lhe coisas, incluindo águas-fortes. Em outra oportunidade, não me desagradaria fazer uma tentativa também."
pág. 112

2: "Um homem usando o uniforme azul-acinzentado dos guardas da prisão aproximava-se andando ao longo das celas, lendo os números. Parou diante da minha, abriu a porta e me lançou o olhar duro que eles acham que têm de conservar nos rostos para sempre e que significa: 'Sou um tira, irmão, sou durão, olhe onde pisa senão deixo-o de um jeito que vai ter de se arrastar de quatro. Vamos lá, diga a verdade, irmão, vamos lá, e não se esqueça de que somos durões, somos tiras e fazendo o que bem entendemos com pulhas como vocês'."
pág. 155

3: "- Você viu como somos aqui - disse Degarmo. - Simplesmente uma grande família feliz.
- Com sorrisos radiantes nos rostos - disse o sargento do serviço -, os braços abertos dando boas-vindas, e uma pedra em cada mão."
pág. 157

4: "Webber disse em voz baixa:
- Acho que algumas pessoas pensam que somos apenas um bando de corruptos. Creio que pensam que um cara mata a esposa e depois telefona e diz: 'Alô, capitão, tenho um assassinatozinho aqui atravancando meu quarto. Tenho também quinhentos dólares dando sopa'. E aí eu digo: 'Ótimo. Aguente firme que já estou indo com a manta'."
pág. 164


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A Dama do Lago

Lady in the Lake
Estados Unidos, 1947, 103 min., film-noir

Realizador: Robert Montgomery

Argumento: Steve Fisher, baseado no romance de Raymond Chandler

Actores: Robert Montgomery, Audrey Totter, Lloyd Nolan, Tom Tully, Leon Ames

Estreia em Portugal: 29 de Junho 1948 (S. Luiz)

O detective privado Philip Marlowe investiga o desaparecimento de uma mulher.
A Dama do Lago poderia ser mais um entre os muitos exemplos de film noir existentes, mas as suas circunstâncias de produção fazem dele um filme único na história do cinema. Antes de mais, A Dama do Lago revela-nos um Philip Marlowe muito diferente do que estamos habituados, nomeadamente de À Beira do Abismo, um dos grandes film noir da história do cinema. Em segundo lugar, pelo facto de A Dama do Lago ser filmado, na sua maioria, em câmara subjectiva, praticamente uma estreia em filmes de uma major.
O argumento de A Dama do Lago foi escrito pelo próprio Raymond Chandler, sendo a única vez que o escritor escreveu um argumento cinematográfico. No entanto, a versão que Chandler apresentou, com cerca de 175 páginas, revelou-se impossível de filmar e a MGM teve de contratar Steve Fisher para reescrever o argumento. Chandler insistiu que o seu nome fosse creditado como argumentista, mas após ler a versão de Fisher, recusou ver o seu nome associado ao argumento. A principal causa desta atitude foi a exclusão de uma cena crucial do romance original e a opção de Fisher de apresentar o filme em câmara subjectiva.
É precisamente a câmara subjectiva que torna A Dama do Lago um filme único. Tanto para mais que marca a estreia de Robert Montgomery como realizador (à excepção da experiência não creditada no filme Homens para Queimar, em que substituiu o realizador John Ford, que partiu uma perna nas rodagens). Montegomery, que aqui tem seu último filme para a MGM, com quem tinha contracto desde 1929, confessou as dificuldades que sentiu na realização numa entrevista na época, revelando que o filme implicou muitos ensaios, treino e cenários especiais, que consumiram grande parte do orçamento.
De tal forma a câmara subjectiva marca o filme, que o departamento de publicidade da MGM utilizou-o para publicitar o filme, anunciando que era o espectador, em conjunto com Montegomery, que resolvia o crime da história. No entanto, A Dama do Lago é muito mais que a câmara subjectiva e revela-se um interessante film-noir, com excelentes interpretações, nomeadamente as de Jayne Meadows, que interpreta três diferentes personagens, e Audrey Totter, que aqui tem o seu primeiro papel importante.
Como curiosidade refira-se que a ficha técnica inclui a actriz Ellay Mort, a interpretar a personagem Chrystal Kingsby, que não surge no filme. A referência é uma brincadeira, já que a fonética do nome é semelhante à frase francesa “elle est mort” (ela está morta).



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Enviado por  em 22/11/2010
Robert Montgomery's subjective camera experiment, Lady in the Lake (1946). Original music for this trailer was composed by Rudolph G. Kopp, but David Snell scored the movie.

sábado, 7 de janeiro de 2012