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sexta-feira, 1 de julho de 2016

Àlex Susanna - Amigos

* Àlex Susanna 

Depois de alguns anos de pastagem 
sabes finalmente quais são
os teus companheiros de encerro,
quero dizer, de geração:
são poucos, cada vez menos
mas são mais próximos
aqueles que restam.

Tranquilizem-se, no entanto, 
não vos citarei, meus amigos:
receio que nomeados se volatilizem
- como acontece com certas bruxarias -
e tal coisa far-me-ia muita pena.
Sei quem vocês são, vocês também
- isso me basta.

trad. Egito Gonçalves
http://amata.anaroque.com/arquivo/2016/03/amigos

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Ivone Mendes da Silva - Onde as sombras se juntam

Modus vivendi

Ivone Mendes da Silva


Nunca diria
mais luz
embora não me desagradem
estas danças da tarde sobre
os degraus nem as vozes metódicas
vindas de uma linguagem que
me é alheia como o são as flores
na janela ou as alegrias demoradas.

A minha casa
é onde as sombras se juntaram.

Para elas desenhei longas escadas
onde dormem quando esfria
hipérbatos sem-abrigo que
ninguém quer.

Por isso a luz tanto me faz:
é sempre ao crepúsculo que desce o primeiro verso.
Véu ou asa rasgada
deusa complacente.

 
Por Ana Roque às 19:45 de 04 de maio de 2016

http://amata.anaroque.com/arquivo/2016/05/onde_as_sombras_se_juntam

domingo, 5 de agosto de 2012

Poesia em Modus Vivendi


* V.G.


As Palavras


Disse, num dia de grande e fecunda inspiração,
Um grande e admirável senhor, dado às letras
(certamente conceito e postura vindos diretos
do seu coração),
Que as palavras são, por vezes, bonitos cristais
E outras vezes afiados e cruéis punhais
O que, em boa da verdade,
Ele bem soube o que disse, não foram tretas….
São preciosas quando, relâmpagos de beleza,
Significam verdade, pureza, inocência,
E não naufrágio, despudor ou aparência
Nem inverdades ditas com inconsequente leveza.
São como dores fundas e indizíveis, as palavras
Quando, mágicas, desvendam ambiguidades
(Talvez reveladoras de certas necessidades),
E transformam amizades boas em outra coisa
Qualquer.


As palavras têm poder e temperatura interna
Têm corpo e podem cegar qualquer um
Não só eu ou tu, mas outro mortal comum
Mesmo quando ditas ainda em ventre materno…
Muitas vezes podem salvar, proteger ou, sensuais,
Prender o ingénuo amante nas teias do amor
(mal sabe ele as suas futuras penas de dor….)
E podem também dar cor e luz à vida e ao mais.
Há palavras que doem, como mentiras que me
Pregam
E palavras que aliviam, como mães que nos
Embalam
São quimeras, castelos e dragões imaginados,
As palavras, quando me abraçam e quero acreditar
Porém tenebrosas, quando me devassam e reduzem
A nada…
Ou quase nada.


É na inegável síncope da noite 
E na metáfora indecifrável da vida
Que as palavras tomam corpo 
E transformam o que supostamente se tem 
Naquilo que se tem que ter.
São sonâmbulas, como algozes, as palavras
E reinam entre as trevas e os montes desertos
Da nossa imaginação,
Onde o limbo e a quase consciência
Tomam conta dos nossos sonhos mais secretos.
As palavras são fascinantes e fortes mistérios
Com poderes absolutos - e mais sérios
Do que se pensa…
Quem mente, com palavras, sobre o que é
Cai no primeiro degrau da sua consciência.
Difícil o enleio, já que aqui não há ciência,
No mastigar verdades com certeza e boa-fé.


Mas nem sempre serão as palavras que me dirão
Aquilo que quero ver…
Serão sempre os meus olhos que verão
Aquilo que não existe.








Outras Palavras



No entanto
Há palavras que os encantam
Na certeza
De haver beleza
No seu reflexo
E nos seus sentidos
Muitas vezes difusos,
Pois, esquecendo as mágoas,
E deixando correr as águas,
São sinfonia,
Constelações,
Muitas delas, alegria
E outras, canções.
Milagres, é o que fazem,
Também, as palavras

 http://amata.anaroque.com/

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Poesia de Maria Azenha em Modus Vivendi


* Maria Azenha

Navegação
    

navegar o silêncio a memória
navegar as estrelas o odor do espaço
o seu sangue coagulado em planícies de vento
por jardins alinhados de poeira e ar
navegar os destroçosas palavras e os barcos
navegar por sinais intemporais
ou por silêncios de espectros terraços
templos imersos
em conversas de aéreos vitrais

 navegar os astros em cânticos desertos
em grandes transatlânticos do espaço
entrevistando luzes terrestres
navegar alucinadamente
vocábulos e tendões
por inúmeros portais invisíveis electrões

 navegar na cápsula do Tempo muito lentamente
galáxias ritmos e ritos
navegar o vento
navegar inesperadamente 
a astrofísica da vida
navegar secretamente contra o escuro 
contra a luz apodrecida 
uma esfera de silêncio
navegar contra os átomos ausentes


As Veias do Espaço



digo o voo das aves
essas veias levíssimas do espaço
as suas sílabas subitamente sentadas
em cadeiras voláteis
digo essas delicadas naves
que navegam por metáforas matemáticas

as suas figuras de números tranquilos
os seus modos de penetrar o espaço
as suas danças de átomos
os seus múltiplos resíduos
em silenciosos halos de naufrágios

digo as suas galáxias de luz e números

 http://amata.anaroque.com/

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Arte e Poesia em Modus Vivendi

15 de dezembro de 2010

Jacob Ferdinand Voet

.

HortenseManciniJacobFerdinandVoet1675.jpg
em 1675, a mesma retratada, Hortense Mancini, mas outro pintor

Presença

.

Sou dos que ainda estão presentes
e bebem do amor a única ausência.
Quantos pedaços de mentiras
retenho na viscosidade do meu cuspo?
Quantas verdades apaixonadas
reclamam ansiosas o esperma das palavras?
Nenhumas, talvez, nenhumas...
escravizo o silêncio
e faço dele o meu mensageiro.
Estou presente em tudo ou mais
e aí onde me procurarem
será a minha próxima ausência.
.
Hélder Muteia
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14 de dezembro de 2010

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Sir Godfrey Kneller

.

Kneller_TheDuchessOfMazarin.jpg
Hortense Mancini, a célebre Duquesa de Mazarin, retratada no século XVII
.
.

Haicai

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Na estrada deserta,
um simples cair de folhas
quebrou o silêncio.
Aquelas lanternas
ziguezagueando nos montes...
Quantos vaga-lumes!
.
Abel Pereira
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13 de dezembro de 2010

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Albert Edelfelt

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Albert%20Edelfelt-a.jpg
serenidade fin de siècle
.

Porto

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(gentileza de Amélia Pais)
.
Havia nos olhos postos o sentido
de não vencerem distâncias.
Calados, mudos, de lábios colados no silêncio
os braços cruzados como quem deseja
mas de braços cruzados.
Os navios chegavam aos portos e partiam.
Os carregadores falavam da gente do mar.
A gente do mar dos que ficam em terra.
As mercadorias seguiam.
Os ventos, dispersos na alma do tempo,
traziam as novas das terras longínquas.
Segredavam-se em noites e dias
a todos os homens
em todos os mares
e em todos os portos
num destino comum.
Os navios chegavam ao porto
e partiam...
.
Alexandre Dáskalos
.


domingo, 28 de novembro de 2010

Arte e Poesia em Modus Vivendi

Elisabetta Sirani

Portrait_of_Beatrice_Cenci%28%28Sirani%29.jpg
retrato de Beatrice Cenci, também atribuído ao pintor Guido Reni
.

Aves sem pouso

.
Percorro
o território do teu corpo
e um ninho, um pouso busca a boca cega
salivando saliências e reentrâncias
que dás e negas, tão cheia de graça,
e és tão cheia de ninhos, só que pairas
em páramos que esboças pelo teto
quando descerro as portas que me trancam
o coração, e o coração já voa
também por outros páramos, por onde
como soltos no espaço nós soltamos
essas aves que em vão buscam um pouso.
.
Affonso Félix de Sousa
.

27 de novembro de 2010

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Jan Victors

Young_woman_at_a_window%28Victors%29.jpg
espreitando a vida lá fora
.

Acalanto

.
Vai amado.
Busca por onde quiseres,
com quem quiseres,
como quiseres,
o prazer.
Até mesmo,
aquele prazer que um dia alguém apelidou de amor.
E,
se por acaso te cansares
e,
do compromisso que um dia nos uniu te lembrares,
se desejares,
volta.
Serei a que conforta.
Não saberás da dor,
da saudade,
das lágrimas sentidas que tua ausência causou.
.
Ada Ciocci
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26 de novembro de 2010

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Frank Zappa

(para ti, por estes fabulosos 2191 dias e noites, e outros que hão-de vir)
.
I have been in you, baby
And you
Have been in me
And we
Have be
So intimately
Entwined
And it sure was fine
I have been in you, baby
And you
Have been in me
And so you see
We
Have be so together
I thought that we would never
Return from forever
Return from forever
Return from forever . . .
You
Have been in me
And understandably
I have been in 'n'outayou
An' everywhere
You want me to
Yes, you know it's true
.
Frank Zappa
.

25 de novembro de 2010

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Antonio da Correggio

Portrait_of_a_young_man%28Correggio%29.jpg
um belo olhar do renascimento italiano, pintado no século XVI
.

Depois...

.
Para onde irão depois as coisas que aprendi?
Por exemplo: aquele cálculo de pi.
Que será feito daqueles restos de saudade,
destes medos antigos sempre novos?
Em que voltas desaparecerão os sonhos
que enfeitaram de flores o quintal antigo?
Por que caminhos irão andar aqueles ágeis pés?
Sobretudo, como se esvaziará de som a velha voz
e onde afundará o último verde daquela flama esguia?
.
Abgar Renault
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24 de novembro de 2010

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Albert Edelfelt

Portrait_of_a_young_lady%28Edelfelt%29.jpg
outro perfil oitocentista
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Amanhã é Longe Demais

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Fragmentos
sensíveis
Andam pelo tempo
Marcando o ritmo
Do voo das aves invisíveis
Doces melancolias
Desfazem-se pelos mistérios dos olhares
A beleza navega pelos sete mares
Diluída no brilho dos sonhos
Sombras de movimentos ancestrais
Dançam a beleza da luz imaculada
Por entre os astros do silêncio
Libertando transparências sentimentais.
Na baía das lendas
Abraçando a leveza dos espíritos
Gotas cristalinas de fontes eternas
Escorrem suavemente sonhadoras
Libertam o agora
Das profundezas do sonho da vida
E a sombra misteriosamente adormecida
Diz-nos que chegou a hora.
.
Jorge Viegas
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|
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domingo, 24 de outubro de 2010

Arte e Poesia em Modus Vivendi

24 de outubro de 2010

Amalia Fernandez de Cordova

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amaliaFernandezdeCordova.jpg
porque ontem esta lua estava por cá
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Acaso de existir

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Entrei no café com um rio na algibeira
e pu-lo no chão,
a vê-lo correr
da imaginação...
A seguir, tirei do bolso do colete
nuvens e estrelas
e estendi um tapete
de flores
a concebê-las.
Depois, encostado à mesa,
tirei da boca um pássaro a cantar
e enfeitei com ele a Natureza
das árvores em torno
a cheirarem ao luar
que eu imagino.
E agora aqui estou a ouvir
A melodia sem contorno
Deste acaso de existir
-onde só procuro a Beleza
para me iludir
dum destino.
.
José Gomes Ferreira
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23 de outubro de 2010

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Bruno Epple

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orpheusBruno%20Epple.jpg
um Orfeu naïf
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Evocação

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(gentileza de Amélia Pais)
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Cansei-me deste exílio de onde há dias
fugi na direcção do mar. A gente
abandonara a praia, os gritos e os navios,
que nunca navegaram, tinham fundeado
na areia onde as gaivotas devoravam
as pegadas humanas, deixando as suas
que o vento apagaria à noite,
e as ondas repetiam a espúria eternidade.
Que mais posso dizer? Que fui eu quem voltou
ao exílio, que os cedros escurecem,
que os dias não tornaram mais com alegria,
que vejo na cidade, em janelas como esta,
caminhos incompletos atrás das vidraças
e, à distância, outra larga frente ao mar,
onde, olhando, o teu vulto permanece.
.
Nuno Dempster
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22 de outubro de 2010

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Giovanni Domenico Cerrini

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giovannicerrini.jpg
uma Rebeca na Roma barroca 
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Como o amor é maravilhosamente estranho

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"Como o amor é maravilhosamente estranho", pensou para consigo. "E quão estranhamente maravilhoso!".
A peste e a panaceia.
A ruína e a sua reparação.
A pergunta e a resposta.

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Siddharth Dhanvant Shangvi, in Melodia ao anoitecer, trad. Lídia Geer
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terça-feira, 21 de setembro de 2010

Arte e Poesia em Modus Vivendi

Modus vivendi

21 de setembro de 2010

Kurt Regschek

regschekkurt.jpg
o modelo, em duplicado
.

Proibir

A proibição denota
fraqueza: o descontrole
assume o comando
e a insanidade
vence
o efêmero perdura
o instante
e cede
ao grito
de guerra
rompo a proibição e permaneço
rompo a proibição e compareço
rompo a proibição e apresento
aos olhos
claros da história
a versão
livre
dos atos.
.
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Pedro Du Bois
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20 de setembro de 2010

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Franz von Stuck

puro perfil
.

Um livro aberto

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Não há maior maravilha do que percorrer
as alturas estreladas, abandonar as lúgubres regiões da terra,
cavalgar as nuvens, subir aos ombros de Atlas,
e ver muito distantes, lá em baixo, as pequenas figuras
que vagueiam e erram, desprovidas de razão,
inquietas, no temor da morte, e aconselhá-las,
e fazer do destino um livro aberto.
.
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Ovídio

19 de setembro de 2010

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Kurt Regschek

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Kurt%20Regschek2.jpg
o som da imagem

Do hiato

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"Mas não adianta nada justificar-se. Não vale a pena explicar. É um sinal de fraqueza, contar velhas histórias. É um sinal de sensatez esconder o passado, mesmo que não exista nada para esconder. O poder de um homem reside na penumbra, nos movimentos entrevistos da sua mão e na expressão insondável do seu rosto. É a ausência de factos que atemoriza as pessoas: o hiato que nós criamos, dentro do qual elas vertem o seus medos, fantasias e desejos."
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Hilary Mantel, in Wolf Hall
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17 de setembro de 2010

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Franz von Stuck

orpheoFranz%20v.%20Stuck%201891.jpg
um Orfeu simbolista
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16 de setembro de 2010

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Guerras

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Guerras permanecem
em feridas e mortes
conferem a terra
arrasada
no troar dos canhões:
a guerra silenciosa
dos avanços
e o estertor
do corpo
sublimado ao grito
guerras reiniciam
o ciclo: o lance anterior
da escala: e a queda.
.
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Pedro Du Bois
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15 de setembro de 2010

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Kurt Regschek

EurydiceKurt%20Regschek%201973.jpg
uma outra Eurídice
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Do nome

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"O nome que escolhemos, o nome que fazemos, é importante."
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Hilary Mantel, in Wolf Hall
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14 de setembro de 2010

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Soneto na morte do homem que inventou as rosas de plástico

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O homem que inventou as rosas de plástico morreu.
Reparem na sua importância:
as suas flores imperecíveis e imaculadas nunca murcham
mas resolutamente velam o seu túmulo através da escuridão.
Ele não compreendeu a beleza nem as flores,
que enredam os nossos corações em redes suaves como o céu
e nos prendem com um fio de horas efémeras:
as flores são belas porque morrem.
A beleza sem o seu lado perecível
torna-se seca e estéril, um palco abandonado
com uma floresta de enganos. Mas a realidade
dá razão à invenção deste homem; ele conhecia a sua época:
uma visão do nosso tempo impiedoso revela-nos
homens artificiais cheirando rosas de plástico.
.
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Peter Meinke, trad. Ricardo Castro Ferreira
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13 de setembro de 2010

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Picasso

eurydicePablo%20Picasso.jpg
uma Eurídice diferente
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terça-feira, 31 de agosto de 2010

Arte e Poesia em Modus Vivendi


31 de agosto de 2010

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Lucas Cranach o Velho

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LucasCranachder%C3%84ltereDrJohannesCuspinian1502.jpg
Dr. Johannes Cuspinian, em 1502
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30 de agosto de 2010

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Linguajar

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Construo a linguagem apropriada:
ao verbo movimento peças impensadas
comunico ao próximo a desestruturação
da diversidade: respeito as diferenças
avento ao tempo o substantivo
necessário à nominação
do espaço: reajo ao silêncio.
.
Pedro Du Bois
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29 de agosto de 2010

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Julius LeBlanc Stewart

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Julius_LeBlanc_Stewart_-_The_Baptism.jpg
o baptismo, ou uma festa familiar
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Bordado

(gentileza de Amélia Pais)
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A noção do traço
sugerindo a presença da linha
e o manejo da agulha
sendo cadência
após cadência
no macio do pano branco
pra depois haver o risco duro de premeditadas paisagens
onde matizes de fumaças
dizem de sustos
sortes
da palavra acorrentando-se
do desenho escapulindo entre dedos dormentes
da pá
do pó
do pé violentando caminhos
da propalada paz de papel
dessa vontade de viver
entre-mentes,
humana-mente.
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Amélia Alves
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28 de agosto de 2010

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Constatação feliz

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Quanto melhor é a nossa vida emocional e maior a realização afectiva, menos precisamos de falar disso.
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27 de agosto de 2010

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il sommo poeta 

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Ó vós que em pequenina barca estais,
e o lenho meu que canta e vai, ansiados
de poder escutá-lo, acompanhais,
voltai aos vossos portos costumados,
não vos meteis no mar em que, presumo,
perdendo-me estaríeis extraviados.
Ninguém singrou esta água que eu assumo;
conduz-me Apolo e Minerva me inspira,
e nove Musas indicam-me o rumo.
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Dante Alighieri
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26 de agosto de 2010

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Sevilha

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Sevilha.jpg
hoje
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Debajo del cielo

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Al principio yo anhelaba ser el príncipe
de la poesía, el rey de las palabras,
un ministro de los poemas con una medalla
sobre mi oscuro pecho, una corona de oro
alumbrando con su dorada luz mi noble cabeza.
Después, bajé mis metas y me propuse ser
un licenciado, un doctor en gramática,
políglota, un James Joyce, usar barba,
un abrigo negro hasta los tobillos,las gafas
circulares,la pipa entre los labios
recitando los versos de Charles Baudelaire.
Recuerdo que tenía la foto de Vallejo
debajo del cristal de mi mesa de noche
y, mirándola, apoyaba mi rostro y mis manos
cruzadas encima de un bastón con el puño
de plata, en forma de león, para creer
un instante que mi nombre era César.
—Incluso estuve preso por parecerme a él.
Me decía a mí mismo frases de Kierkegaard:
“para el hombre que aspire a triunfar en la vida
existen dos caminos: ser César o ser Nada”.
Y yo lo repetía con la convicción de que era
(sólo faltaba tiempo) un dios o hijo de un dios.
Sin embargo,las cosas han cambiado y mi punto
de vista se cayó en un abismo. Ya no aspiro
a ser príncipe, ni ministro, ni rey, ni políglota
un día, mucho menos deseo ser Joyce o Baudelaire
porque ambos están muertos, y un hombre,
si está muerto, vale menos que un perro.
Ahora aspiro a las cosas sencillas de la vida.
(Me lo dijo Ray Carver y nunca lo entendí.)
Miro el agua de un río sin pensar qué es el agua,
me acuesto entre la hierba y disfruto del sol.
Pienso, respiro, siento cómo limpia el oxígeno
mi sangre, mis pulmones, late en mi corazón.
Soy feliz con vivir sencillo, aspiro a eso:
Posado, como un pájaro, sólo quiero una rama
para cantar mis versos, también una ventana
para mirar el mundo, aunque no tenga un piso,
ni un palacio, ni un templo. Un marco,
una ventana para asomar mis ojos, humilde,
con asombro, sabiendo que soy polvo,
y, debajo del cielo, un animal o nada.
.
Dolan Mor
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25 de agosto de 2010

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Alexandre Cabanel

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Albayd%C3%A9%201848AlexandreCabanel.jpg
Albaydé, 1848.
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Fill my life with song

(gentileza de FL)
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Fly me to the moon
Let me play among the stars
Let me see what spring is like
On Jupiter and Mars
In other words, hold my hand
In other words, darling, kiss me
Fill my life with song
And let me sing for ever more
You are all I long for
All I worship and adore
In other words, please be true
In other words, I love you "
.
Johnny Mathis
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sexta-feira, 30 de julho de 2010

Arte e Poesia em Modus Vivendi

27 de julho de 2010

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Marcas

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Tosco relógio
perdendo
tempo
na marcação
das horas
passadas.
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Pedro Du Bois
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24 de julho de 2010

Zagreb

Zagreb
São Marcos, no coração de Gornji Grad, na Cidade Velha
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sexta-feira, 23 de julho de 2010

Arte e Poesia em Modus Vivendi

 Modus vivendi

 22 de julho de 2010

Dentro em breve

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a caminho de Agram
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Louise Camille Fenne

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LOUISE%20CAMILLE%20FENNE%204.jpg
nota colorida num dia pouco brilhante
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21 de julho de 2010

Do gosto

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Beberam fundo nas alpestres fontes
Para que de água do nativo ninho
O gosto fique a confortar o exílio...
Setembro. Vamos. Tempo de migrar.
Nos Abruzos, agora, os meus pastores
Deixam cabanas, marcham para o mar.
Descem para o Adriático bravio,
Verde como as pastagens de altos montes.
Beberam fundo nas alpestres fontes
Para que de água do nativo ninho
O gosto fique a confortar o exílio
E longo iluda a sede do caminho.
Cajados novos têm de alvelaneira.
Ao plaino vão descendo de maneira
Que são como um rio silencioso
Passando nos sinais de antigos passos.
Ó voz daquele que primeiro ansioso
Distingue o trémulo da beira-mar!
Já pela praia o rebanho a andar
Cruza dos ares a quente imóvel teia,
E tanto aloura o sol a viva lã
Que quase não se aparta ela da areia.
E as ondas e o tropel... doces rumores.
Ah porque não estou eu com os meus pastores?
.

Gabriele D´Annunzio, trad. Jorge de Sena
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20 de julho de 2010

Lucas Cranach o Velho

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AnnaPutschLucas%20Cranach%20the%20Elder1502.jpg
Anna Putsch, pintada em 1502

Nunca Envelhecerás

.

A tua cabeleira
é já grisalha ou mesmo branca?
Para mim é toda loira
e circundada de estrelas.
Sobre ela
o tempo não poisou
o inverno dos anos
que se escoam maldosos
insinuando rugas, fios brancos...
Ao teu corpo colou-se
o vestido de seda,
como segunda pele;
entre os seios pequenos
viceja perene
um raminho de cravos...
Pétalas esguias
emolduram-te os dedos...
E revoadas de aves
traçam ao teu redor
volutas de primavera.
Nunca envelhecerás na minha lembrança!...
.
Saúl Dias
.

19 de julho de 2010

Michael Wolgemut

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Michael%20Wolgemut%20and%20Wilhelm%20Pleydenwurff%20Germany1493.jpg
três sóis, uma ameaça
.

A Haste Caída

.

Uma rajada de vento quebrou
a haste do gladíolo vermelho.
Tombado junto à cerca de arame
é como um braço vencido por um súbito cansaço.
Em volta a paisagem observa
o seu próprio esplendor verde depois da chuva.
A flor vermelha esmorece
sob a intensidade do sol
e o caule extingue-se de volta à terra.
Sabemos vagamente como tudo isto acontece,
ébrios de identidade e permanência:
em poucos dias completar-se-á a dissolução.
Mas lenta é a morte
por dentro deste fim que acabaremos por esquecer.
.
Joaquín O. Giannuzzi, trad. Rui Amaral
.

18 de julho de 2010

Michael Wolgemut

.

19592-portrait-of-ursula-tucher-michael-wolgemut.jpg
retrato de Ursula Tucher, pintado em 1478
.

Da esperança

.

E corre, e corre a existência,
E cada dia que cai
Nos abismos do passado
É um sonho que se esvai,
Um almejo de noss'alma,
Anelo de felicidade
Que em suas mãos espedaça
A cruel realidade;
Mais um riso que nos lábios
Para sempre vai murchar,
Mais uma lágrima ardente
Que as faces nos vem sulcar;
Um reflexo de esperança
No seio d'alma apagado,
Uma fibra que se rompe
No coração ulcerado.
Pouco e pouco as ilusões
Do seio nos vão fugindo,
Como folhas ressequidas,
Que vão d'árvore caindo;
E nua fica nossa alma
Onde a esp'rança se extinguiu,
Como tronco sem folhagem
Que o frio inverno despiu.
Mas como o tronco remoça
E torna ao que d'antes era,
Vestindo folhagem nova
Co volver da primavera,
Assim na mente nos pousa
Novo enxame de ilusões,
De novo o porvir se arreia
De mil douradas visões.
A cismar com o futuro
A alma de sonhar não cansa,
E de sonhos se alimenta,
Bafejada da esperança.
.
Bernardo Guimarães
.

Dürer

Albrecht%20Durer.jpg
mulher amadurecida pintada no século XVI
.

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14 de julho de 2010

Romance do terceiro oficial de finanças

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Ah! as coisas incríveis que eu te contava
assim misturadas com luas e estrelas
e a voz vagarosa como o andar da noite!
As coisas incríveis que eu te contava
e me deixavam hirto de surpresa
na solidão da vila quieta!...
Que eu vinha alta noite
como quem vem de longe
e sabe o segredo dos grandes silêncios
- os meus braços no jeito de pedir
e os meus olhos pedindo
o corpo que tu mal debruçavas da varanda!...
(As coisas incríveis eu só as contava
depois de as ouvir do teu corpo, da noite
e da estrela, por cima dos teus cabelos.
Aquela estrela que parecia de propósito para enfeitar os teus cabelos
quando eu ia namorar-te...)
Mas tudo isso, que era tudo para nós,
não era nada da vida!...
Da vida é isto que a vida faz.
Ah! sim, isto que a vida faz!...
- isto de tu seres a esposa séria e triste
de um terceiro oficial de finanças da Câmara Municipal!...
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Manuel da Fonseca
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sexta-feira, 2 de julho de 2010

Arte e Poesia em Modus Vivendi

 

27 de junho de 2010

Busca

Busco na eternidade
dias demarcados
aos gestos. Imobilizado
na ultrapassagem
de nuvens
encobertas: infinito
horizonte das esperas
entorno na consciência
de marginalidades. Estupor
sobreposto ao medo na metalização
do ocaso. Fogo
decompondo cinzas
em retorno.
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Pedro Du Bois
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25 de junho de 2010

O Meu Coração

O meu coração é um lago, meu amor,
vem remar sobre ele.
Despedaçar-me-ei contra o teu barco como uma
pedra de jade contra a tua sombra branca.
O meu coração é uma vela, meu amor;
fecha a porta, por favor.
Arderei tranquilamente até ao fim
sem que uma única lágrima trema e caia
sobre a tua saia de seda.
O meu coração é um vagabundo, meu amor;
por favor, toca flauta.
Ficarei tranquilamente toda a noite
a ouvir-te tocá-la sob a lua.
O meu coração é uma folha caída, meu amor,
permite-me que fique um pouco no teu jardim.
Quando o vento soprar, deixar-te-ei,
e serei de novo um vagabundo solitário.
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Dong-Myung Kim
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24 de junho de 2010

São João Baptista

sao-joao-batista.gif
no seu dia
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Falar Na Cama

Falar na cama devia ser de resto,
o mais fácil, deitados remonta tão atrás,
como emblema de um par a ser honesto.
Mas passa mudo o tempo em seus vagares.
Lá fora, o vento, não de todo lesto,
Faz e dispersa nuvens pelos ares.
Ao longe, em seu negrume há as cidades. Não,
nada cuida de nós. Nada a mostrar
porque é que a tal distância do isolamento são
ainda mais difíceis de encontrar
palavras doces e verdadeiras prestes,
ou não inverdadeiras nem agrestes.
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Philip Larkin
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23 de junho de 2010

Charles Sheeler

Precisionist_Painters_Charles_Sheeler.jpg
uma outra geometria
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Alterações

O latido do cão
não altera águas
paradas.
O poço
espelha
a imagem
de nuvens
em revoada.
O barulho do cão
some no espaço
diluído.
A água empoçada
permanece.
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Pedro Du Bois
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