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terça-feira, 2 de dezembro de 2025

João Costa - Três Joanas Gorjão Henriques para cada Ventura



* João Costa

Professor universitário, ex-ministro da Educação

Não precisamos de nenhum Salazar, mas precisamos de muitos jornalistas como a Joana Gorjão Henriques. Que sai da espuma dos dias para investigar e mostrar o que não vemos nas bolhas do privilégio em que estamos. Que sabe onde estão os imigrantes todos os dias. São os que cuidam de nós
Tive a oportunidade de ver esta semana o documentário Racismo. Uma descolonização em cursode Joana Gorjão Henriques e Mariana Godet. Recomendo vivamente a todos os que procuram perceber o fenómeno do racismo em Portugal. Aprendi, espantei-me sem me surpreender e comovi-me. Sobretudo, vi novas portas abertas para percebermos o racismo num país em que ele sempre existiu, mas que agora o encontra legitimado no discurso político.

Este documentário mostra a realidade dos últimos anos do colonialismo português, como era a relação entre brancos e negros, tendo eu encontrado o seu máximo valor nas entrevistas feitas a quem cresceu em África e percebeu, mais tarde, a banalização da discriminação que não via em criança.

Os negros era menos pessoas e ninguém achava estranho. Os negros viviam em condições sub-humanas e isso não era questionado. Na casa dos patrões, mas sem direito a cama. A cuidar das crianças dos brancos, mas sem poderem ter as suas. Eram vistos como seres menores, que serviam para servir. As mulheres podiam ser usadas, apenas porque eram negras, podendo ser violadas de formas que não se admitiam possíveis nem legítimas fossem elas brancas.

Impressiona ouvir o relato de uma das entrevistadas, que tem hoje a consciência de que, ao vir a Portugal, advogava valores certos, mas ao regressar a África assumia de novo a normalidade do mal. Porque lá era simplesmente assim.

Este é um documentário sobre a banalização do mal. Não há culpas nos que cresceram assim e só muito mais tarde perceberam que esse “assim” não tinha razão de ser e era iníquo. Há, porém, muitas culpas em quem fomentou e alimentou este regime para lá de todos os tempos em que o colonialismo já tinha sido identificado como inaceitável por todo o mundo. As colónias alimentavam os vícios de uma metrópole em que a ditadura se prolongava, alimentada pela exploração de partes do mundo, com o dinheiro de formas não oficiais de escravatura e com esquemas de corrupção escondidos para sustentar o status quo político e social. O mal banaliza-se quando nem sequer é questionado, como este documentário tão bem mostra. O outro estava lá para servir e os seus direitos não existiam. Os poucos direitos que conseguiam ter eram vistos como um favor daqueles que eram servidos. Não questionar a igualdade de direitos, porque se considera que o outro é diferente, é viver na bolha da indiferença.

Joana Gorjão Henriques e Mariana Godet instam-nos a refletir sobre este passado para percebermos o presente assustador para que nos precipitam. São demasiados assuntos não resolvidos e feridas que não sararam. A fuga dos brancos, deixando para trás o que era seu, foi associada, explícita ou implicitamente, a uma apropriação dos seus direitos por aqueles que se habituaram a ver como não os tendo. Muitos dos que chegaram e foram alvo de ódio canalizaram a sua frustração para aqueles que ficaram nos seus lugares e que não eram vistos como iguais. O ressentimento veio nas malas e nunca foi desempacotado. Há uma aceitação da superioridade de uns sobre os outros, que nunca foi superada, ainda que tenha ficado em modo mais ou menos latente durante algumas décadas.

Cresci a ver racismo por todo o lado. Sobretudo entre os utilizadores frequentes da adversativa. “Não sou racista, mas…”. O que não era racista, mas não gostava que a filha namorasse com um negro. O que não era racista, mas achava que eles não “falavam bem” O que não era racista, mas preferia não morar no mesmo prédio que os outros. Estes “mas” não foram suficientemente observados nem escrutinados e vivemos demasiado tempo na ilusão de que não havia um problema estrutural a tratar no nosso país. Joana Gorjão Henriques e Mariana Godet desmontam bem as narrativas que ainda invadem a forma como aprendemos história de Portugal. Onde está o colonialismo fofinho português nos relatos da escravatura recente do trabalho não pago, nas fotos que se tiram com o direito a tocar no peito das mulheres negras ou no recrutamento de trabalhadores forçados a deixar as suas famílias? Entender que tudo não passou de uma narrativa montada, e ainda alimentada, é fundamental para percebermos o recrudescimento da violência racial. Convencemo-nos que éramos bons, por isso não podemos acreditar que ainda hoje podemos viver a herança dos sentimentos maus fomentados.

Hoje interessa à extrema-direita alimentar o ressentimento e o ódio. Encontrar novos e velhos culpados por tudo o que nos corre mal. Oportunistas e cobardes, atacam os que já são mais vulneráveis. André Ventura quer expulsar os imigrantes, mas fica atrapalhado quando se lhe pergunta por que motivo não fala sobre os milionários extrativistas. Não fala porque não lhe convém, porque sabe que é mais fácil construir em cima de ódios reprimidos. O Chega pede três Salazares para “pôr ordem” em Portugal. Mente sobre o passado para iludir sobre o presente e reza para que ninguém veja estes documentários, que mostram os discursos sinistros e enganadores do próprio Salazar, a negar as evidências, corrupto, a mentir sobre o que se passava em África.

Não precisamos de nenhum Salazar, mas precisamos de muitos jornalistas como a Joana Gorjão Henriques. Que sai da espuma dos dias para investigar e mostrar o que não vemos nas bolhas do privilégio em que estamos. Que sabe onde estão os imigrantes todos os dias. São os que cuidam de nós. Os que já se foram embora quando chegamos aos nossos locais de trabalho e fizeram tudo o que nenhum português quer fazer. Andam nos transportes em sentido contrário e não têm direito de ver os seus filhos acordar, porque ainda não chegaram a casa. Para cada entrevista a André Ventura, façam duas entrevistas às vítimas do seu racismo. Hoje como ontem, começa-se a encolher os ombros a cada disparate dito pelos amigos do Chega, como se fosse apenas mais um. O problema é que, de cada vez que encolhemos os ombros, voltamos a banalizar este ódio pela cor da pele do outro.

Para cada Ventura, três Joanas, porque três Venturas não valem um terço de Joana. Para pôr ordem neste mal, para nos lembrar que é pela informação e pelo conhecimento que vamos. Levem documentários como este às escolas e ajudem os mais jovens a perceber a diferença entre a profundidade da investigação e a boçalidade irresponsável dos tik-tok da extrema-direita.
 2025 12 02

https://expresso.pt/opiniao/2025-12-02-tres-joanas-gorjao-henriques-para-cada-ventura-60cb83a5

domingo, 22 de novembro de 2015

noite e nevoeiro, de alain resnais





Noite e nevoeiro
Para Catarina, João, André, Sara e Pedro

Numa tarde de Novembro de 1955, numa sala um pouco sombria, um homem escreve, corrige, recria um texto que deve colar absolutamente às imagens atrozes que passam na mesa de montagem. Esse homem, é Jean Cayrol que numa espécie de sobressalto, decidiu fazer o comentário que deve acompanhar "Noite e Nevoeiro", uma curta metragem de Alain Resnais produzida por Anatole Dauman "Mesmo uma paisagem tranquila, mesmo uma planície com voos de corvos, de medas e feixes de ervas, mesmo uma estrada onde passam carros , camponeses, casais, mesmo uma aldeia para férias, com uma feira e um vagabundo podem conduzir simplesmente um campo de concentração". Foi Fredéric Towarnicki, um diplomata conhecedor de Heidegger, que pôs em contacto Resnais e Dauman. Para satisfazer a encomenda dum filme sobre campos de concentração, feita pelo Institut D'Histoire de la Seconde Guérre Mondiale, o produtor pensa imediatamente em Alain Resnais, já autor, de alguns ensaios famosos sobre pintura e de um filme proibido que punha em causa o colonialismo francês, "Les Statues Meurent Aussi", feito em colaboração com Chris Marker. À proposta responde primeiro que não. Era necessário, disse, que o filme fosse feito por alguém que tivesse vivido a experiência dos campos. Obstinado, Dauman voltou à carga. Finalmente, Resnais aceita mas com uma condição: que seja Jean Cayrol, escritor e antigo deportado, a escrever o comentário.

Durante o Verão de 1955, a difícil procura de documentos e uma rodagem não menos complicada concretizam uma empresa reputada de impossível, tanto no plano político como no artístico.

Apesar das dificuldades financeiras, o filme foi rodado a preto e branco e a cores. É assim, que Resnais aborda a montagem das imagens com as quais é necessário coexistir durante dias. Montagem e manipulação de imagens muitas vezes insustentáveis, que segundo palavras do próprio Resnais, "produzem uma forte impressão de irrealidade e dão uma sensação de vertigem àqueles que têm que fazer este trabalho. Uma primeira montagem de 40 minutos termina. Chegou o momento de a mostrar a Jean Cayrol que, aceita sustenta o olhar das imagens do futuro "Noite e Nevoeiro". A experiência é terrível. Cayrol adoece e não se resolve a rever o filme do princípio ao fim. Escreve uma primeira versão do texto, muito belo, segundo as palavras de Resnais, mas inutilizável porque está muito longe do encadeamento dos planos. É então que intervém Chris Marker. É ele que vai fazer o trabalho de adaptação ao filme, retocando o texto na sua estrutura e no ritmo para que ele entre em relação directa com as imagens. Esta versão retocada é submetida a Cayrol que aceite rever frase a frase o seu texto. Regressa então à sala de montagem, para o combate com as palavras mas sobretudo com as imagens. "Mesmo uma paisagem tranquila...".

Cada uma das imagens da fabricação de "Noite e Nevoeiro" põe assim concretamente, a cada uma dos protagonistas a questão do imostrável. Jean Cayrol, claro, mas também Hanns Eisler a quem Resnais, por sugestão de Marker, pediu para escrever a música que suporta dificilmente a coabitação com estas imagens. Michel Bouquet que regista a leitura do texto como um pesadelo, do qual diz guardar uma recordação terrível, a de Henri Colpi, um montador de som, Sacha Vierny um dos operadores de câmara, tentando regular os "travellings" nas ruínas dos campos. André Heinrich, o director de produção, todos os técnicos e Resnais, que se recorda de acordar aos gritos todas as noites que precediam o período de rodagem, e os pesadelos a desaparecer quando chegavam aos locais de rodagem.

"Noite e Nevoeiro" verá finalmente o dia da estreia. Mas terá de passar ainda por tentativas de censura, directa ou indirecta, ligadas tanto às autoridades francesas como alemãs, que contaram com a cumplicidade do historiador Philippe Erlanger, que o retirou do Festival de Cannes de 1956. Torna-se por fim no filme de referência sobre o tema, aquele que é, à sua maneira, uma trincheira inultrapassável para todas as formas de revisionismo e de apelo à violência racial.

A experiência de Jean Cayrol é, guardadas todas as proporções, um pouco a nossa, isto é a de cada espectador de "Noite e Nevoeiro", sempre próxima da dor física que procura estas imagens, e o imperativo, de as olhar até que elas se tornem inesquecíveis.

Paulo Teixeira de Sousa

http://www.apagina.pt/?aba=7&cat=1&doc=6996&mid=2

DOCUMENTÁRIO COMPLETO EM 
https://vimeo.com/45658881


Noite e nevoeiro: “Um alerta para as futuras gerações”. Entrevista especial com Marcus Mello

“A fortuna crítica do filme é imensa e majoritariamente positiva. Para François Truffaut, crítico da prestigiada revista Cahiers du Cinéma à época do lançamento de Noite e Nevoeiro, trata-se do maior filme da história do cinema, sendo impossível falar dele com as palavras da crítica cinematográfica, pois ele ultrapassa o documentário, a denúncia ou o poema para afirmar-se como uma meditação sobre o fenômeno mais importante do século XX”, pontua o crítico de cinema.
Foto: Herdeiro de Aécio
A polêmica obra cinematográfica do cineasta francês Alain ResnaisNoite e Nevoeiro, foi a primeira a tratar do Holocausto e a apresentar “imagens até então desconhecidas dos campos de concentração nazistas, nos quais seis milhões de judeus foram brutalmente exterminados”. Produzida dez anos depois da Guerra que chocou o mundo, Noite e Nevoeiro abordou “um acontecimento ainda recente, que permanecia como uma chaga incomodamente aberta, a ser necessariamente enfrentada”, afirma Marcus Mello em entrevista à IHU On-Line, por e-mail.

Por Márcia Junges e Patrícia Fachin
Quase 60 anos depois da primeira exibição, “Noite e Nevoeiro se impõe ainda hoje como um modelo ético de abordagem a um objeto tão delicado, colocando em xeque versões mais espetaculares do Holocausto”, avalia o crítico de cinema. Para Mello, o longa coloca o espectador em “uma posição de grande vulnerabilidade. A memória é um bem precioso, que define a existência de cada ser humano. Ao mesmo tempo, algumas experiências são tão traumáticas que o esquecimento é a única forma de seguir vivendo. Mas este esquecimento, claro, só é admissível no âmbito individual, já que em relação ao coletivo temos obrigação de não apagar os acontecimentos terríveis de nossa história”.
Marcus Mello estará no Instituto Humanitas Unisinos – IHU na noite desta terça-feira, 25-03-2014, comentando Noite e Nevoeiro, às 20h, na Sala Ignacio Ellacuría e Companheiros.
O filme será exibido às 19h30min, na Sala Ignacio Ellacuría e Companheiros.
O evento faz parte da 11ª edição da Programação de Páscoa do IHU, intitulada Ética, Memória, Esperança. Uma perspectiva de triunfo da Justiça e da Vida.
Marcus Mello é mestre em Literatura Brasileira pela Universidade do Rio Grande do Sul - UFRGS. Crítico de cinema, é editor da revista Teorema e colaborador das revistas Aplauso e Cinética. Em 2000, assumiu a função de programador daSala P. F. Gastal, na Usina do Gasômetro, em Porto Alegre, primeiro cinema municipal de Porto Alegre, mantido pela Secretaria Municipal da Cultura.
Também organizou os livros Cinema Falado – 5 Anos de seminários de cinema em Porto Alegre (Porto Alegre: Unidade Editorial, 2001)Sublime obsessão (Porto Alegre: Unidade Editorial, 2003), de Tuio Becker, e Trajetórias do cinema moderno e outros textos (Porto Alegre: Instituto Estadual do Livro; A Nação, 2007), de Enéas de Souza.
Confira a entrevista.
IHU On-Line - Quais foram os motivos de comoção e polêmica que Noite e Nevoeiro (Nuit et Brouillard) gerou entre o público?
Marcus Mello - A comoção se deu inicialmente pelo fato de Noite e Nevoeiro ser a primeira obra cinematográfica a abordar diretamente o Holocausto, trazendo a público imagens até então desconhecidas dos campos de concentração nazistas, nos quais seis milhões de judeus foram brutalmente exterminados. É importante notar que o filme foi lançado em 1955, apenas 10 anos após o final da Segunda Guerra Mundial e a consequente liberação dos sobreviventes desses campos pelas tropas aliadas. Ou seja, um acontecimento ainda recente, que permanecia como uma chaga incomodamente aberta, a ser necessariamente enfrentada. Outro motivo de polêmica está relacionado à nacionalidade do filme, uma produção francesa, país que após a invasão das tropas alemãs manteve um governo colaboracionista, apoiando os nazistas.
Resnais era então um jovem diretor, com apenas 33 anos de idade, conhecido por uma série de curtas bastante elogiados, como o libelo anticolonialista As Estátuas Também Morrem (1953), e ainda não havia realizado Hiroshima Meu Amor (1959) e O Ano Passado em Marienbad (1961), com os quais revolucionaria a narrativa cinematográfica. Noite e Nevoeiro era uma obra de encomenda, feita a pedido do Comitê de História da Segunda Guerra Mundial, com a intenção de ser um documento imagético sobre um dos episódios mais terríveis da história da humanidade. Mas a princípio o próprio Resnaisteve dúvidas em relação aos inúmeros impasses éticos envolvidos na produção do filme e só foi convencido a realizá-lo devido à adesão do roteirista Jean Cayrol, um sobrevivente dos campos de concentração.
IHU On-Line - Por que Noite e Nevoeiro é considerado um “dispositivo de alerta” contra o nazismo e todas as formas de extermínio?
Marcus Mello - Justamente pela forma que Resnais deu ao filme, o qual, embora seja classificado como um documentário, é na verdade um filme-ensaio. Em apenas 32 minutos, Resnais combina imagens de arquivo com filmagens com cenas do presente nos antigos campos, rodadas em cor. Por meio de um extraordinário trabalho de montagem, o jovem diretor intercala tempos históricos distintos — ainda que separados por apenas uma década — e sobrepõe a essas imagens um texto extremamente poético, assinado pelo escritor Jean Cayrol. É pela manipulação habilidosa desses elementos — imagem, texto, montagem — que Resnais transforma seu filme em um alerta para as futuras gerações, prevenindo-as sobre o fato de a barbárie estar sempre à espreita, e não apenas relegada a um passado remoto.
IHU On-Line - Qual é a importância desse documentário na narrativa sobre o Holocausto?
Marcus Mello - É enorme, não apenas por seu aspecto seminal, mas, sobretudo, pela influência que irá exercer em outros diretores que passarão a abordar o tema, como Marcel Ophuls em A Tristeza e a Piedade (1969) e Claude Lanzmann emShoah (1985). Noite e Nevoeiro se impõe ainda hoje como um modelo ético de abordagem a um objeto tão delicado, colocando em xeque versões mais espetaculares do Holocausto, como as da famosa minissérie televisiva Holocausto (1978) e as recriações hollywoodianas levadas a cabo por Alan J. Pakula em A Escolha de Sofia (1982) e Steven Spielberg em A Lista de Schindler (1993). A fortuna crítica do filme é imensa e majoritariamente positiva. Para François Truffaut, crítico da prestigiada revista Cahiers du Cinéma à época do lançamento de Noite e Nevoeiro, trata-se do maior filme da história do cinema, sendo impossível falar dele com as palavras da crítica cinematográfica, pois ele ultrapassa o documentário, a denúncia ou o poema para afirmar-se como uma meditação sobre o fenômeno mais importante do século XX.
IHU On-Line - Como analisa o recurso de mescla entre o passado e o presente nessa produção de Resnais?

Marcus Mello - Ela é fundamental para que o diretor atinja seu objetivo principal, que é justamente fazer um filme que sirva de alerta para impedir a repetição da barbárie no futuro. Este embaralhamento temporal, vale notar, será o pilar fundador da obra de Resnais, como logo confirmariam suas experiências ficcionais nos já citados Hiroshima Meu Amor e O Ano Passado em Marienbad, e ao longo de toda a sua filmografia, de Muriel (1963) a Eu Te Amo, Eu Te Amo (1968), passando por Providence (1977) e Meu Tio da América (1980), até chegar a produções recentes como Vocês Ainda Não Viram Nada! (2012).
IHU On-Line - Godard pensava que o cinema errou de modo inexpiável ao não filmar a construção dos campos de concentração. Em que sentido o documentário de Resnais “chega depois”, mas cumpre um papel importante junto à categoria da memória?
Marcus Mello - Godard, não esqueçamos, é um eterno provocador, um polemista nato, que adora lançar bombásticas frases de efeito. Provavelmente, se Resnais tivesse chegado antes e pudesse ter filmado a construção desses campos ou o próprio extermínio dos judeus, Godard teria chamado seu colega de imoral, por haver preferido registrar a barbárie ao invés de fazer algo para impedi-la. Vale lembrar que alguns dos ataques mais violentos contra Spielberg e seu A Lista de Schindler partiram de Godard. Acredito que Resnais chegou exatamente no momento em que deveria ter chegado, nem antes nem depois, e isto pode ser comprovado a cada nova revisão do filme, que, passados mais de 50 anos, mantém intacta a sua força. A propósito, Noite e Nevoeiro mostra imagens da construção dos campos, o que desde logo denuncia a fragilidade do discurso de Godard.
IHU On-Line - Em que medida o desespero de não lembrar ou de não poder esquecer são elementos importantes que aparecem nessa obra do cineasta francês?
Marcus Mello - Na medida em que a incapacidade de lembrar ou a impossibilidade de esquecer são experiências igualmente terríveis, por paradoxal que isso possa parecer. Ambas colocam o indivíduo e, por consequência, o espectador, em uma posição de grande vulnerabilidade. A memória é um bem precioso, que define a existência de cada ser humano.
Ao mesmo tempo, algumas experiências são tão traumáticas que o esquecimento é a única forma de seguir vivendo. Mas este esquecimento, claro, só é admissível no âmbito individual, já que em relação ao coletivo temos obrigação de não apagar os acontecimentos terríveis de nossa história. Essa contradição permeia o filme de Resnais do início ao fim, e faz dele uma obra que, embora se debruce sobre o passado, está dirigida ao futuro. Um futuro que esteja sempre alerta aos erros do passado, em constante vigilância para não repeti-los.
IHU On-Line - Como esse documentário dialoga com a pretensa invisibilidade que os campos tinham à época de seu funcionamento?
Marcus Mello - Por seu caráter revelatório, que mostra de forma pioneira o horror da experiência dos campos de concentração, até então conhecidos apenas através de fotografias e cinejornais. Também vale assinalar mais uma vez o fato de Noite e Nevoeiro ser uma produção francesa, país que tem uma relação bastante discutível com o regime nazista. Após o final da Segunda Guerra, muitos franceses tentaram apagar seu envolvimento com os nazistas, evitando falar sobre seu colaboracionismo com o regime de Hitler ou mesmo sobre a omissão da maior parte da sociedade diante daquele momento de exceção. Quando a guerra terminou, procurou-se dar a impressão de que todos os cidadãos franceses fizeram parte da Resistência, incluindo aí vários intelectuais de ponta, o que sabemos que não é verdade.
IHU On-Line - Em que aspectos Auschwitz e Hiroshima, outra temática de Resnais, são “possíveis” somente através da arte?
Marcus Mello - Trata-se de uma questão meramente retórica, pelo simples fato de que tanto Hiroshima quanto Auschwitzocorreram realmente, vitimaram milhões de seres humanos e não houve nada de arte ali. Pergunte a um sobrevivente deAuschwitz — são poucos, mas eles ainda existem — se aquilo só foi possível através de uma experiência artística. Certamente ele lhe dará uma resposta bastante dura.
IHU On-Line - Em que consiste o maior legado cinematográfico de Resnais, recentemente falecido?
Marcus Mello - Resnais foi um dos maiores renovadores da arte cinematográfica, ao explorar novas formas narrativas, a partir de seu interesse pelas questões envolvendo o tempo e a memória. Nesse sentido, sua contribuição à história do cinema é inestimável, fazendo esta arte atingir um outro patamar, capaz de dar conta da complexidade da experiência humana, e transformando em imagens estados de consciência até então não representados por seus antecessores.

http://www.ihu.unisinos.br/noticias/529565-noite-e-nevoeiro-um-alerta-para-as-futuras-geracoes-entrevista-especial-com-marcus-mello 

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

RTPN - «O Douro nos Caminhos da Literatura»



  • Correia da Fonseca 


Vestígios
Em perfeita legítima defesa, na preocupação de escapar por algum tempo ao massacre por mediocridades e insignificâncias várias que nos diversos canais se alongam pelas tardes de domingo, pelo natural desejo de por algum tempo respirar em paz (pois o telespectador «respira» também pelos olhos e pelos ouvidos, mesmo quando não se dá conta disso), decidi no passado domingo ir ao encontro de Aquilino. Eram 20 horas, a altura dos telenoticiários principais, e eu sabia que essa havia sido a hora escolhida para a transmissão na RTPN da série «O Douro nos Caminhos da Literatura», agora em repetição. Note-se a sabedoria com que o horário foi escolhido: não apenas a exiguidade da audiência provável já estava garantida pelo facto de a RTPN só ser acessível a alguns, alguém sabiamente decidiu que os sete documentários que integram a série haveriam de ser transmitidos quando os três principais canais abertos estivessem a dar aos telespectadores as notícias do País e do mundo. Assim ficou praticamente garantido que a generalidade dos cidadãos telespectadores continuaria na ignorância total ou parcial relativamente aos sete escritores cujo perfil e obra eram abordados pela série: Torga, Junqueiro, João Araújo Correia, Domingos Monteiro, Trindade Coelho, Pina de Morais e Aquilino Ribeiro. Calculo que a estratégia tenha obtido pleno êxito: acerca de Aquilino e de Torga, mesmo de Junqueiro, ainda será possível encontrar com alguma facilidade quem tenha ideia de quem foram e do que escreveram. Mas de João Araújo Correia ou de Domingos Monteiro, quantos saberão deles o mínimo dos mínimos? Muito poucos, decerto, porque nisto de deportar escritores e livros para lugares e tempos onde dificilmente podem ser encontrados aRTP não brinca em serviço.

Como se…

Convém dizer que não foram apenas, nem sobretudo, o amor pela literatura e a admiração por aqueles sete escritores que motivaram esta série, aliás de arranque e concretização aparentemente difíceis e lentos: ter-se-á tratado principalmente de chamar a atenção dos portugueses para a região do Douro e as suas maravilhas naturais, isto no enganoso pressuposto de que a série teria ampla audiência. Tudo bem: a extraordinária beleza da região duriense está perfeitamente a par da grandeza de um Aquilino ou de um Torga, à altura do talento dos outros escritores biografados na série. Talvez para eventual reforço do prestígio da iniciativa foi contratada a colaboração de António Barreto e de Francisco José Viegas, este ainda longe então de subir a secretário de Estado, mas nem seria preciso tanto: os escritores biografados, pela obra e pelo percurso de vida, a paisagem pelo encanto e pela majestade, garantiriam o mérito que a série efectivamente teve. Infelizmente, porém, terá sido vista por pouco mais que um punhado de telespectadores, e é claro que esta circunstância nos devolve uma velha questão sempre remetida pela RTP para a penumbra das omissões mas sempre de fundamentalíssima importância: o crónico e manifesto desapreço da operadora estatal de TV pela cultura literária, pelos livros, pelos escritores, pela leitura. É um fenómeno dificilmente negável, por evidente, e curioso, pois é legítimo supor que quem comanda a RTP em funções de topo saiba ler e escrever e faça aceitável uso destas duas prendas. Contudo, não apenas os livros e a leitura estão reduzidos nas antenas daRTP a meros vestígios, aliás raros, excepto na «2» (e a mera consulta das tabelas de audiências é por si só bastante para que imaginemos as consequências desse exílio), como também o grosso da programação dos restantes canais acompanha avidamente os critérios ditos comerciais das estações privadas quando, de Norte a Sul, semeiam o conforto da ignorância convencida, a superficialidade, os minúsculos escândalos de patamar ou de viela, a incivilidade. Com momentos que funcionam como oásis, será certo. Mas são oásis onde só muito raramente se encontrará uma referência estimulante da leitura ou o explícito apreço pela condição de escritor. Neste caso, talvez só com uma excepção, a de António Lobo Antunes, espero um dia entender porquê, e agora também a de José Saramago que, tendo morrido, deixou de ser tão incómodo quanto era. Para lá disto, sublinho, sobram vestígios. Como se se quisesse consolidar um País que não leia. Isto é, que não pense
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Avante
N.º 1968
18.Agosto.2011 

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Carregado por  em 28 de Jan de 2009
O Douro...Nos Caminhos da Literatura - Vídeo de Apresentação
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terça-feira, 29 de março de 2011

António Reis - Poeta e Cineasta, por Paulo Rocha



Terça-feira, Setembro 20, 2005

106. FALECIMENTO - Texto do cineasta Paulo Rocha

Uma figura luminosa

Quando voltei de Locarno, em 63, trazia já a ideia do «Mudar de Vida». Pedi ajuda ao Bragança para os diálogos, mas ele não sabia nada de pescadores, e mandou-me para o Cardoso Pires. O C. P. gostava de cinema, e estava no auge da fama: acabara de adaptar «As Ilhas Encantadas» do Melvile para a fita do Vilardebó. O C.P. também sabia pouco de gente do mar, e mandou-me para a minha terra, o Porto, falar com o António Reis. Pouco conhecido cá em baixo, o António era uma figura muito activa na cena portuense.
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Fazia trabalhos de campo, estudava a poesia popular do Alentejo e as falas dos pescadores da costa norte. Tinha sido um dos autores da «Arquitectura Popular Portuguesa», um livro muito citado pelos arquitectos da escola do Porto. Era amigo do Lixa Filgueiras, a grande autoridade sobre arquitectura naval tradicional, e planeava fazer um filme sobre o barco rabelo do Douro. L. Filgueiras seria mais tarde um personagem inesquecível num dos seus filmes de fundo. Para o Cine Clube do Porto ajudara a rodar o «Auto de Floripes», e tinha sido assistente do M. de Oliveira para o «Auto da Primavera». Estava a preparar uma tese de doutoramento numa universidade suíça sobre questões de cultura popular.
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E era sobretudo um grande poeta, de poucas palavras, que dizia o essencial através da experiência das coisas banais. Na cultura portuense de esquerda daquela época, o A. R. era uma figura luminosa. Humilde, humilhado, secreto, vegetava nos escritórios da Vista Alegre, em Gaia. Odiava a arrogância de um patrão marialva e acompanhava de perto o fluir da vida comum. À primeira vista parecia um operário. Morava num apartamento em Gaia com vista para o rio. As paredes estavam cobertas com bonecos de pano de todas as cores, feitos pelos loucos de um asilo. Os bonecos eram monstros de várias cabeças e muitas pernas, e anunciavam já os desenhos de Jaime. Naquelas janelas que davam para o nevoeiro do rio havia uma energia irracional, um sopro vital à beira do abismo.
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Com os meus complexos de meninote afortunado, fiquei rendido… E o António deu-me uma grande lição. Trabalhou nos diálogos durante seis meses, riscando e deitando fora. Cada dia mais magro, sempre em suores frios, à procura da vírgula, da pausa, da assonância secreta e expressiva. Os diálogos, arrancados a ferros, chegavam às filmagens à última hora, e não havia tempo para reflectir sobre eles. Só anos mais tarde, quando o «Mudar» se estreou comercialmente em Tóquio, é que tive oportunidade de os estudar. O trabalho de os traduzir para japonês era muito lento, e só assim pude descobrir a concisão musical, a riqueza secreta daquelas frases escritas com um ouvido infalível. Quantos diálogos haverá na nossa língua que se lhe possam comparar?
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Mais tarde, quando traduzi do japonês uma série de 50 Haiku que foram publicados em álbum pela Moraes, pedi-lhe ajuda para «limpar» o texto. Não sei escrever em português, caio sempre em literatices falsas. Foi um trabalho de meses, as melhores aulas que tive na minha vida. O António sentia o peso de cada palavra, de cada sílaba, fugia aos efeitos. Por influência dos haiku o António recomeçou a escrever poesia, lembro-me de ele me recitar um quase haiku belíssimo, uma cena de matança. Era sobre a neve a cair no prato, onde coalhava o sangue do porco. Onde estará este poema? Havia outro, misterioso, dedicado a um olmo. Perdido também? Começou a estudar chinês, apaixonou-se pelo Tufu, de quem eu lhe emprestei uma edição bilingue, comentada. Acabou por pôr o nome de Tufu a um grande mocho que vivia lá por casa em liberdade. O poeta chinês deve ter ficado encantado, lá no assento etéreo.

Cinema profissional em Lisboa

Quando o C.P.C. se criou em Lisboa o António veio trabalhar para a Guérin em Lisboa, decidido a tentar a sua sorte no cinema profissional, onde ele não conhecia ninguém. A Margarida Cordeiro descobriu no hospital os desenhos do Jaime, e o António explicou aos sócios o que queria fazer, com aquele calor humano que só ele tinha. As pessoas ficaram apaixonadas pelo projecto, e como eu era presidente do centro aproveitei para pedinchar a ajuda de todos. Uns deram restos de película, o Acácio trouxe a equipa de imagem e o material, o filme foi nascendo numa atmosfera extraordinária de camaradagem. O resultado causou uma emoção considerável, e o António ganhou com ele na Alemanha o primeiro dos três grandes prémios internacionais que os seus filmes viriam a obter.
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Quando veio o 25 de Abril o C.P.C. estremeceu. Os sócios acabaram por formar cooperativas independentes, já não precisavam do apoio de um órgão unitário coeso. Eu aproveitei a confusão para lançar o «Trás-os-Montes» como um projecto piloto de um futuro Museu da Imagem e do Som, um título populista grato ao poder revolucionário, e que eu tinha trazido do Rio de Janeiro. Lembro-me das salas vazias do centro, enquanto que os meus colegas andavam pelas ruas a filmar.
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Eu e o António Reis ficámos sozinhos na sede a preparar os dossiers, a apresentar o museu e a pedir o dinheiro, que acabou por vir. Quase todas as fitas revolucionárias estão hoje esquecidas, mas o filme do António e da Margarida foi uma obra-prima que lhes deu fama europeia. Quando o filme estreou em Paris, no «Le Monde» saiu uma ordem terrorista assinada pelo Joris Ivens e pelo Jean Rouch, os dois mestres supremos do cinema documental: «Allez voir, toutes affaires cessantes, "Trás-os-Montes"!».
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Durante dez anos o casal foi o ai-Jesus de uma certa crítica de vanguarda. A Kristeva correspondia-se com o António, e as pessoas que o encontravam nos festivais lá fora falavam dele mais tarde com a voz a tremer como se tivessem encontrado um profeta. Para esta aura ajudava o estranho magnetismo do António, e o trabalho incansável do António Pedro de Vasconcelos, que foi, à sua custa, e durante anos e anos, o melhor dos embaixadores do nosso cinema.

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Já não acompanhei tão de perto a «Ana» e a «Rosa de Areia», filmes de que o Fernando Lopes poderá falar muito melhor do que eu. Nos últimos anos, com o novo-riquismo cavaquista, o ambiente era já muito desfavorável para os filmes de «poesia». O António deixou de ter apoio no I.P.C., e a «Rosa de Areia», produzida pela RTP, está ainda por estrear. O António passou por um período de solidão e de desânimo. Recentemente tinha sucedido um milagre. Um produtor suíço tinha-se apaixonado pelos seus filmes, e queria financiar o seu próximo projecto, uma adaptação de «Pedro Páramo», o maior dos romances mexicanos deste século. Era um projecto ambicioso, a filmar lá fora, com grandes meios... O António aparecia na escola de cinema contentíssimo, com uma alma nova. É um filme que nunca veremos, não me consigo conformar.

Paulo Rocha [cineasta]


Jornal JL, pág. 6, 17 de Setembro de 1991
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http://antonioreis.blogspot.com/2005/09/106-falecimento-texto-do-cineasta.html
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António Reis - Jaime (1974) 

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Carregado por em 15 de Mar de 2011
Jaime (1974) de Antonio Reis e Margarida Cordeiro.

"Jaime Fernandes nasceu em 1900, na freguesia de Barco, Covilhã. Era trabalhador rural. Em 1.1.1938, com 38 anos, foi internado no Hospital Miguel Bombarda. Aí faleceu, em 27.3.1969, após 31 anos de internamento. Começou a desenhar já depois dos 60 anos. Grande parte da sua obra perdeu-se."
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Trás-os-Montes, de António Reis e Margarida Cordeiro, 1976 

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Carregado por em 7 de Nov de 2009
Trás-os-Montes, de António Reis e Margarida Cordeiro, prod. Centro Português de Cinema, 1976.

Mais informações em http://ncinport.wordpress.com/
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Ana, de António Reis e Margarida Cordeiro, 1982

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Carregado por em 8 de Nov de 2009
Ana, de António Reis e Margarida Cordeiro, 1982.

Mais informações em http://ncinport.wordpress.com/


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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Esposa de Saramago: Obra póstuma é um 'presente inesperado'

Cultura

Vermelho - 17 de Fevereiro de 2011 - 15h24
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A um dia da véspera de completar oito meses da morte do escritor José Saramago, a cidade de Barcelona homenageia o Nobel português com diferentes eventos, um deles relacionado com sua obra póstuma, "El Último Cuaderno", que nesta quinta-feira sua esposa, Pilar del Río, considerou como "um presente inesperado".
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Com prefácio escrito por Pilar e pelo italiano Umberto Eco, "El Último Cuaderno" reúne os textos que Saramago escreveu de forma assídua em seu blog pessoal, entre 23 de março de 2009 e 2 de junho de 2010, 16 dias antes de morrer em Lanzarote.

Reflexões íntimas, comentários sobre política, pensamentos e simples opiniões dos temas mais diversos compõem o livro.

Pilar também revelou que está trabalhando na edição de um romance inédito, que se titulará " Alabardas, alabardas, espingardas, espingardas", embora pouco pôde antecipar, porque tem que conhecer exatamente o que foi escrito sobre esta obra.

Durante sua presença, a esposa de Saramago também anunciou que a partir do dia 18 de março abrirá ao público a casa de Lanzarote (arquipélago espanhol das Canárias). O escritor nunca havia discutido com Pilar esta possibilidade.

Na sexta-feira, a programação de homenagens exibirá o filme documentário "José e Pilar" na Universidade Autônoma de Barcelona. O filme é obra do diretor português Miguel Gonçalves, que relata a intensa vida e as viagens do casal.

Com EFE
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Cinema2000PT | 15 de Outubro de 2010 | utilizadores que gostaram deste vídeo, 0 utilizadores que não gostaram deste vídeo
Comentários em http://www.cinema2000.pt/ficha.php3?i... Data de estreia: 18 de Novembro de 2010. Produtora/distribuidora: JumpCut. Todos os direitos reservados.

Documentário de abertura da 7.ª edição do DocLisboa.

"A Viagem do Elefante", o livro em que Saramago narra as aventuras e desventuras de um paquiderme transportado desde a corte de D. João III à do austríaco Arquiduque Maximiliano, é o ponto de partida para «José e Pilar», filme de Miguel Gonçalves Mendes que retrata a relação entre José Saramago e Pilar del Río.

Mostra do dia-a-dia do casal em Lanzarote e Lisboa, na sua casa e em viagens de trabalho por todo o mundo, «José e Pilar» é um retrato surpreendente de um autor durante o seu processo de criação e da relação de um casal empenhado em mudar o mundo - ou, pelo menos, em torná-lo melhor. «José e Pilar» revela um Saramago desconhecido, desfaz ideias feitas e prova que génio e simplicidade são compatíveis. «José e Pilar» é um olhar sobre a vida de um dos grandes criadores do século XX e a demonstração de que, como diz Saramago, "tudo pode ser contado de outra maneira".

Realização: Miguel Gonçalves Mendes.
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jumpcutportugal | 22 de Outubro de 2010 | utilizadores que gostaram deste vídeo, 0 utilizadores que não gostaram deste vídeo
José e Pilar
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José & Pilar: Um filme "dos vivos para os vivos"


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  • Data: 12/10/10 - Duração: 00:07:42

“José e Pilar” é uma janela para a vida quotidiana de José Saramago e Pilar del Rio. Um mundo a que o realizador Miguel Gonçalves Mendes teve acesso e que filmou ao longo de quatro anos. Na recta final da edição do documentário, Miguel Mendes recebeu a notícia da morte de Saramago. O filme seguiu o caminho previsto, sem desvios de percurso nem cedências. Este é um filme "dos vivos para os vivos", diz Miguel Mendes.
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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Virgílio Ferreira - Retrato à Minuta


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biblioespl | 11 de Junho de 2008 | utilizadores que gostaram deste vídeo, 1 utilizadores que não gostaram deste vídeo
Às 15 horas do dia 28 de Janeiro, sexta-feira, de 1916, em Melo, concelho de Gouveia, nasce Vergílio António Ferreira, filho de An Às 15 horas do dia 28 de Janeiro, sexta-feira, de 1916, em Melo, concelho de Gouveia, nasce Vergílio António Ferreira, filho de António Augusto Ferreira e Josefa Ferreira...
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sábado, 4 de dezembro de 2010

Momentos - Fernando Pessoa e Nuno Rocha

Assunto: RE: Sem palavras ... repasse!
Data: 1/Dez 7:29


"Momentos"


O valor das coisas não está no tempo em que elas duram,

mas na intensidade com que acontecem.

Por isso existem

momentos inesquecíveis,

coisas inexplicáveis e

pessoas incomparáveis.
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Fernando Pessoa 
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LGlifesgoodPortugal | 24 de Maio de 2010 | utilizadores que gostaram deste vídeo, 8 utilizadores que não gostaram deste vídeo
Numa noite normal com o passado largado da memória, um homem reencontra, no lugar a que chama casa, lembranças de um tempo que viveu.

Fragmentos de pura felicidade e instantes de sublime partilha, surgem como apontamentos de esperança de um presente que não voltará a ser o mesmo.
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.Maria