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quinta-feira, 10 de junho de 2021

10 de Junho



* Joana Lopes

Este post regressa quase todos os anos. Por mais tempo que passe, nunca deixará de ser, para mim, o tal «Dia da Raça», já que não consegui apagar da memória o que era até ao 25 de Abril. 

Assinala-se hoje o dia em que Camões foi transladado para o Mosteiro dos Jerónimos, em 1880. Feriado nacional desde os anos vinte do século passado, a data ganhou um novo significado em 1944, quando Salazar a rebaptizou como «Festa de Camões e da Raça». Fê-lo por ocasião da inauguração do Estádio Nacional, que ocorreu com grande pompa, em cerimónias a que terão assistido mais de 60.000 pessoas e que foram filmadas por António Lopes Ribeiro (vídeos aqui e aqui). Linguagem inequívoca: «Às cinco horas, chegou o chefe: Salazar. Salazar, campeão da pátria, era o atleta número um, naquela festa de campeões.»

Mais graves, e bem mais trágicos, passaram a ser os 10 de Junho a partir de 1963. Transformados em homenagem às Forças Armadas envolvidas na guerra colonial, eram a data escolhida para distribuição de condecorações, muitas vezes na pessoa de familiares de soldados mortos em combate (fotos reais no topo deste post).

De 1974 a 1976 não houve comemorações. Até que, um militar presidente da República as ressuscitou em 1977, primeiro como «Dia de Camões e das Comunidades» e, a partir de 1978, também como «Dia de Portugal». Mas continua-se a distribuir condecorações – outras, por motivos diferentes e eventualmente louváveis. No mínimo, talvez fosse possível escolher outra data para o efeito, já que, pelo menos no que me diz respeito, sou incapaz de não associar qualquer distribuição de medalhas neste dia às trágicas imagens do Terreiro do Paço, em tempo da guerra colonial.

Porque era assim:


https://entreasbrumasdamemoria.blogspot.com/2021/06/10-de-junho.html

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Marcelo Caetano - discurso do sucessor de Salazar e a Revolução dos Cravos

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No dia 26 de Setembro de 1968, às 20:00, Américo Tomás anunciou a substituição de Salazar por Marcelo Caetano, num curto e tétrico discurso que aqui se reproduz.
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No dia seguinte, às 17:00, tomou posse o novo governo e começou a chamada «Primavera Marcelista».
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Das reacções que se seguiram, retenho um dossier especial da revista O Tempo e o Modo, publicado pouco depois, durante o quarto trimestre de 1968. Para além de um «Filme dos Acontecimentos» entre 7 de Setembro («Sua Excelência foi operado esta noite de um hematoma») e 6 de Outubro («O estado clínico do Presidente continua estacionário»), este nº 62-63 da revista contém depoimentos de várias pessoas que aceitaram responder à pergunta «Como encara o actual momento político?». [1] Talvez por ter sido uma delas, me recorde tão bem de como testámos as novas liberdades anunciadas, no habitual jogo de gato e rato com a censura, bem patente no último parágrafo do texto de Nuno Bragança:
«”Não me falta ânimo para enfrentar os ciclópicos trabalhos que antevejo”, disse o Prof. Marcello Caetano. Referir-se-ia ele ao gigantismo dos cíclopes ou à característica monocular dos mesmos? Creio que foi de António Sérgio a conhecida e terrível frase: “O drama de Portugal não está em que nele reine quem tiver um olho só, mas no facto de alguns arrancarem um dos olhos para poder reinar”
E reinou. Durante cinco anos e meio.

[1] Este dossier foi republicado em O Tempo e o Modo – Antologia, Fundação Calouste Gulbenkian / Centro Nacional de Cultura, Lisboa, 2003, pp. 613-648.
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Depoimentos de António Alçada Baptista, Eduardo Prado Coelho, Francisco Balsemão, Joana Lopes, Jorge Sampaio, Luís Moita, Manuel Roque, Nuno de Bragança e Raul Rego.
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http://caminhosdamemoria.wordpress.com/2008/09/26/ha-40-anos-o-inicio-do-marcelismo/
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MoteparaMotim | 7 de novembro de 2007
O Início da Guerra do Ultramar.

1º excerto do programa "Prós e Contras" dedicado à Guerra do Ultramar e transmitido a 15 de Outubro de 2007 na RTP1.
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Conversas em Família

Programa televisivo, estreado na RTP a 8 de Janeiro de 1969, da responsabilidade de Marcello Caetano. Numa altura em que o Estado Novo se encontrava já fragilizado, o então presidente do Conselho decidiu, 2.º o parecer de Ramiro Valadão, homem forte da RTP, comunicar com o povo via televisão, contando-lhe os factos do seu ponto de vista e, assim, desfazer boatos. Num dispositivo de conversa unívoca, sem intermediações, Caetano pretendia dar um ar de modernidade ao sistema político, enquanto doutrinava as pessoas. Num estilo que oscilava entre o professoral e o coloquial, Marcello explicava as opções políticas do regime e falava das "ciclópicas tarefas" que existiam pela frente. Na 16.ª e última emissão, a 28 de Março de 1974, surgiu num tom amargo como que a adivinhar o fim próximo, falando do triste episódio da sublevação militar das Caldas da Rainha e do mundo selvagem em que se vivia. Foi aqui usado pela primeira vez um teleponto na televisão portuguesa.



Como referenciar este artigo:
Conversas em Família. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2010. [Consult. 2010-07-01].
Disponível na www: .
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bbbazaar | 21 de Janeiro de 2009
5º ano de Design de Comunicação, Faculdade de Belas Artes, Universidade de Lisboa
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realso | 6 de Março de 2007
Conversas em Família sobre a Revolta das Caldas da Rainha. Prof. Marcello Caetano.
Discurso do prof. Marcello Caetano em Março de 1974.
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realso | 25 de Julho de 2006
Discurso do prof. Marcello Caetano em Março de 1974.
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fjordep | 5 de Fevereiro de 2008
A censura e a pide no tempo de Salazar
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rm57071 | 25 de Abril de 2008
Alunos do 6º-A da Escola D.Afonso, IV Conde de Ourém
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realso | 6 de Março de 2007
Revolução de Abril de 1974, ruas de Lisboa.Cerco ao Quartel do Carmo.





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djmacris | 5 de Julho de 2007
25 de Abril
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CuernodeChivo1313 | 22 de Abril de 2008
Revolución de los claveles - Revolução dos Cravos - 25 de Abril de 1.974
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