Textos e Obras Daqui e Dali, mais ou menos conhecidos ------ Nada do que é humano me é estranho (Terêncio)
sexta-feira, 17 de julho de 2026
(32) - Rui Belo - Esta rua alegre
(31) - José Régio - Romance de Vila do Conde
O excerto presente na lápide faz parte do poema "Romance de Vila do Conde", escrito por José Régio, uma composição lírica de tom nostálgico, onde o autor recorda com saudade as paisagens da sua infância e juventude na sua terra natal.
O texto completo do poema é o seguinte:
domingo, 31 de maio de 2026
Fabrizio De André - "Preghiera in gennaio" ("Oração em Janeiro")
Como referi, esta obra foi escrita por De André em 1967 para homenagear o seu grande amigo e cantautor Luigi Tenco. Trata-se de uma das letras mais profundas da música italiana, escrita na perspetiva de Alguém que reza a Deus para que acolha no Paraíso aqueles que o dogma religioso da época condenava (os suicidas e os marginalizados).
Aqui tem o texto completo do poema/canção na sua língua original (italiano):
Preghiera in gennaio
Lascia che sia fiorito il tuo lungo viaggio prima di accettare il grande dono l'ultimo regalo del gregge di vedere l'alba che si leva a un nuovo mattino di ascoltare il vento che sussurra tra le foglie del bosco.
Quando attraverserai l'ultimo vecchio ponte lascia che i tuoi occhi si abituino al buio e che le tue orecchie sentano la musica che la terra canta a chi ritorna a lei.
Lascia che i tuoi passi siano leggeri sulla terra bagnata e che la tua anima voli via libera come un uccello che ha ritrovato il suo nido.
Dio di misericordia il tuo bel paradiso lo hai fatto soprattutto per chi non ha sorriso per quelli che han vissuto con la coscienza pura l'inferno esiste solo per chi ne ha paura.
Traditori della vita, di voi non mi importa avete sputato sulla terra che vi ha nutrito avete venduto il vostro fratello per un pezzo di pane e ora piangete sul suo corpo che avete ucciso.
Ma per lui, per il mio amico che ha scelto il silenzio io chiedo una carezza sul suo viso stanco io chiedo un posto dove possa riposare lontano dal vostro rumore, lontano dal vostro fango.
Dio di misericordia il tuo bel paradiso lo hai fatto soprattutto per chi non ha sorriso.
Tradução para Português
Para que possa acompanhar o sentido completo do poema, aqui está a tradução integral:
Oração em Janeiro
Deixa que seja florida a tua longa viagem antes de aceitares o grande dom, a última dádiva do rebanho: ver a alvorada que desponta numa nova manhã, escutar o vento que sussurra por entre as folhas do bosque.
Quando atravessares a última e velha ponte, deixa que os teus olhos se habituem à escuridão e que os teus ouvidos sintam a música que a terra canta a quem a ela regressa.
Deixa que os teus passos sejam leves sobre a terra molhada e que a tua alma voe livre, como uma ave que reencontrou o seu ninho.
Deus de misericórdia, o teu belo paraíso fizeste-o sobretudo para quem não sorriu, para aqueles que viveram com a consciência pura; o inferno existe apenas perante quem tem medo dele.
Traidores da vida, de vós não quero saber, cuspistes sobre a terra que vos alimentou, vendestes o vosso irmão por um pedaço de pão e agora chorais sobre o corpo que matastes.
Mas para ele, para o meu amigo que escolheu o silêncio, eu peço uma carícia no seu rosto cansado, eu peço um lugar onde ele possa repousar, longe do vosso ruído, longe do vosso lamaçal.
Deus de misericórdia, o teu belo paraíso fizeste-o sobretudo para quem não sorriu. (Google Gemini)
segunda-feira, 4 de maio de 2026
Nocivo Shomon » Poesia da Madrugada
sexta-feira, 21 de janeiro de 2022
Carolina Deslandes - Eco
quarta-feira, 22 de julho de 2020
José Mário Branco - o charlatão
terça-feira, 7 de janeiro de 2020
Milton Nascimento e Fernando Rocha Brant - Carta à República
* Milton Nascimento / Fernando Rocha Brant
Sim é verdade, a vida é mais livre
o medo já não convive nas casas, nos bares, nas ruas
com o povo daqui
e até dá pra pensar no futuro e ver nossos filhos crescendo e sorrindo
mas eu não posso esconder a armagura
ao ver que o sonho anda pra trás
e amentira voltou
ou será mesmo que não nos deixara?
a esperança que a gentecarrega é um sorvete em pleno sol
o que fizeram da nossa fé?
Eu briguei, apanhei, eu sofri, aprendi,
eu cantei, eu berrei, eu chorei, eu sorri,
eu saí pra sonhar meu País
e foi tão bom, não estava sozinho
a praça era alegria sadia
o povo era senhor
e só uma voz, numa só canção
e foi por ter posto a mão no futuro
que no presente preciso ser duro
que eu não posso me acomodar
quero um País melhor
sábado, 23 de novembro de 2019
Natália Correia - Queixa das jovens almas censuradas
E uma alma para ir à escola
Mais um letreiro que promete
Raízes, hastes e corola
Que tem a forma de uma cidade
Mais um relógio e um calendário
Onde não vem a nossa idade
Para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos um prémio de ser assim
Sem pecado e sem inocência
Para tirarmos o retrato
Dão-nos bilhetes para o céu
Levado à cena num teatro
Com as cabeleiras das avós
Para jamais nos parecermos
Connosco quando estamos sós
Da nossa historia sem enredo
E não nos soa na memória
Outra palavra que o medo
Que adormecemos no seu ombro
Somos vazios despovoados
De personagens de assombro
E um pacote de tabaco
Dão-nos um pente e um espelho
Pra pentearmos um macaco
E uma cabeça presa à cintura
Para que o corpo não pareça
A forma da alma que o procura
Com embutidos de diamante
Para organizar já o enterro
Do nosso corpo mais adiante
Um avião e um violino
Mas não nos dão o animal
Que espeta os cornos no destino
Com carimbo no passaporte
Por isso a nossa dimensão
Não é a vida, nem é a morte
quinta-feira, 31 de agosto de 2017
Chico Buarque - As Caravanas
É um dia de real grandeza, tudo azul
Um mar turqueza à la Istambul enchendo os olhos
Um sol de torrar os miolos
Quando pinta em Copacabana
A caravana do Arará — do Caxangá, da Chatuba
A caravana do Irajá, o combio da Penha
Não há barreira que retenha esses estranhos
Suburbanos tipo muçulmanos do Jacarezinho
A caminho do Jardim de Alá — é o bicho, é o buchicho é a charanga
Diz que malocam seus facões e adagas
Em sungas estufadas e calções disformes
Diz que eles têm picas enormes
E seus sacos são granadas
Lá das quebradas da Maré
Com negros torsos nus deixam em polvorosa
A gente ordeira e virtuosa que apela
Pra polícia despachar de volta
O populacho pra favela
Ou pra Benguela, ou pra Guiné
Sol, a culpa deve ser do sol
Que bate na moleira, o sol
Que estoura as veias, o suor
Que embaça os olhos e a razão
E essa zoeira dentro da prisão
Crioulos empilhados no porão
De caravelas no alto mar
Tem que bater, tem que matar, engrossa a gritaria
Filha do medo, a raiva é mãe da covardia
Ou doido sou eu que escuto vozes
Não há gente tão insana
Nem caravana do Arará
quinta-feira, 15 de junho de 2017
José Afonso - Alípio de Freitas
Santa Cruz na fortaleza
Está preso Alípio de Freitas
Homem de grande firmeza
Em Maio de mil setenta
Numa casa clandestina
Com campanheira e a filha
Caiu nas garras da CIA
Diz Alípio à nossa gente:
"Quero que saibam aí
Que no Brasil já morreram
Na tortura mais de mil
Ao lado dos explorados
No combate à opressão
Não me importa que me matem
Outros amigos virão"
Lá no sertão nordestino
Terra de tanta pobreza
Com Francisco Julião
Forma as ligas camponesas
Na prisão de Tiradentes
Depois da greve da fome
Em mais de cinco masmorras
Não há tortura que o dome
Fascistas da mesma igualha
(Ao tempo Carlos Lacerda)
Sabei que o povo não falha
Seja aqui ou outra terra
Em Santa Cruz há um monstro
(Só não vê quem não tem vista
Deu sete voltas à terra
Chamaram-lhe imperialista
Baía da Guanabara
Santa Cruz na fortaleza
Está preso Alípio de Freitas
Homem de grande firmeza
José Afonso cantou Alípio de Freitas, agora Alípio canta José Afonso
OPINIÃO
Alípio de Freitas, o repouso do guerreiro
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017
José Mário Branco - Eu vim de longe
Quando o mês de maio começou
Eu olhei para ti
Então entendi
Foi um sonho mau que já passou
Foi um mau bocado que acabou
Tinha esta viola numa mão
Uma flor vermelha na outra mão
Tinha um grande amor
Marcado pela dor
E quando a fronteira me abraçou
Foi esta bagagem que encontrou
Eu vim de longe
De muito longe
O que eu andei pra aqui chegar
Eu vou pra longe
Pra muito longe
Onde nos vamos encontrar
Com o que temos pra nos dar
E então olhei à minha volta
Vi tanta esperança andar à solta
Que não hesitei
E os hinos cantei
Foram feitos do meu coração
Feitos de alegria e de paixão
Quando a nossa festa se estragou
E o mês de Novembro se vingou
Eu olhei pra ti
E então entendi
Foi um sonho lindo que acabou
Houve aqui alguém que se enganou
Tinha esta viola numa mão
Coisas começadas noutra mão
Tinha um grande amor
Marcado pela dor
E quando a espingarda se virou
Foi pra esta força que apontou
E então olhei à minha volta
Vi tanta mentira andar à solta
Que me perguntei
Se os hinos que cantei
Eram só promessas e ilusões
Que nunca passaram de canções
Eu vim de longe
De muito longe
O que eu andei pra aqui chegar
Eu vou pra longe
P´ra muito longe
Onde nos vamos encontrar
Com o que temos pra nos dar
Quando eu finalmente eu quis saber
Se ainda vale a pena tanto crer
Eu olhei para ti
Então eu entendi
É um lindo sonho para viver
Quando toda a gente assim quiser
Tenho esta viola numa mão
Tenho a minha vida noutra mão
Tenho um grande amor
Marcado pela dor
E sempre que Abril aqui passar
Dou-lhe este farnel para o ajudar
Eu vim de longe
De muito longe
O que eu andei pra aqui chegar
Eu vou p´ra longe
P´ra muito longe
Onde nos vamos encontrar
Com o que temos pra nos dar
E agora eu olho à minha volta
Vejo tanta raiva andar a solta
Que já não hesito
Os hinos que repito
São a parte que eu posso prever
Do que a minha gente vai fazer
Eu vim de longe
De muito longe
O que eu andei prá aqui chegar
Eu vou pra longe
P´ra muito longe
Onde nos vamos encontrar
Com o que temos pra nos dar
quinta-feira, 15 de dezembro de 2016
Fausto - A guerra é a guerra
* Fausto
Salto no escuro; Entre dentes trago a faca
E nos meus olhos coloridos; Juro
Vem ver o fogo no mar; Os peixes a arder
Ó Ana vem ver; Ó Ana vem ver; Ó Ana vem ver
Voando em arco; Esgueiro o corpo num balanço
Como um piloto do inferno; Assalto
Nas asas guerreiras de um anjo; Seja louvado
Atacamos mui baralhados; Como um bando endiabrado
Por Jesus na sua cruz; Chora por mim ó minha infanta
Escorre sangue o céu e a terra; Ah pois por mais que seja santa
A guerra é a guerra
Coro:
Malaca Malaca; A guerra é a guerra
No céu e na terra; Nos dentes a faca
Avanço avanço; A guerra é a guerra
No céu e na terra; Balanço balanço
Cruzado cruzado; A guerra é a guerra
No céu e na terra; O mais enfeitado
Largar largar; O fogo no mar
Seja bendito; De todos o mais enfeitado
Olha p’ra mim o mais guerreiro; Ao vivo
Olha p’ra mim o teu amado; E o céu a arder
Ó Ana vem ver; Ó Ana vem ver; Ó Ana vem ver
Barcos em chamas; Erguidas
Parecia coisa sonhada; Queimados
Os gritos horrendos da besta; Ferida
E lá dentro ardiam homens; Encurralados
E cá fora à cutilada; Decepados
P’la calada; Pelos peitos já desfeitos
Chora por mim ó minha infanta; Escorre sangue o céu e a terra
Ah pois por mais que seja santa; A guerra é a guerra
(coro)
Foge saloio; Eh parolo
Aguenta António de Faria; E a fidalguia
Todo o massacre; E todo o desconsolo
Que já lá vem o Coja Acém; E o mar a arder
Ó Ana vem ver; Ó Ana vem ver; Ó Ana vem ver
Diz-nos adeus o pirata; O labrego
De cima daquele mastro; Trocista e airoso
Mostrando o traseiro cafre; Preto escuro de um negro
Levando-nos coiro e tesouro; Rindo de gozo
Perdeu-se o resto na molhada; Pelo estrondo
Na quebrada; No edema da gangrena
Chora por mim ó minha infanta; Escorre sangue o céu e a terra
Ah pois por mais que seja santa; A guerra é a guerra
Música e letra de Fausto
Arranjo de Eduardo Paes Mamede e Fausto
Orquestração, direcção musical e produção de Eduardo Paes Mamede
Fausto Bordalo Dias, - (1948 - …) compositor e músico.
“De Diu embarquei para o estreito de Meca, daqui fomos a Maçuá e daí, por terra, ao Reino do Preste João. Passei ao Reino dos Batas e de fugida pelo Reino de Quedá como adiante darei parte. Em Patane conheci António de Faria, capitão a quem servi na venda da mercadoria. Fomos atacados e roubados pelo perro do Coja Acém, temido pirata depois que Heitor da Silveira lhe matara seu pai e dois irmãos. Por isso, Coja Acém havia prometido a Mafamede matar todos da geração de Malaca. Em pequenas fustas, enfrentei também a grande armada do turco que bordejava na nossa esteira com as velas quarteadas de cores e muitas bandeiras de seda.”
quinta-feira, 4 de agosto de 2016
John Lennon - Happy Xmas (War Is Over)
John Lennon - Happy Xmas (War Is Over)
So this is Xmas
And what have you done
Another year over
And a new one just begun
And so this is Xmas
I hope you have fun
The near and the dear one
The old and the young
A very Merry Xmas
And a happy New Year
Let's hope it's a good one
Without any fear
And so this is Xmas
For weak and for strong
For rich and the poor ones
The world is so wrong
And so happy Xmas
For black and for white
For yellow and red ones
Let's stop all the fight
A very Merry Xmas
And a happy New Year
Let's hope it's a good one
Without any fear
And so this is Xmas
And what have we done
Another year over
A new one just begun
And so happy Xmas
We hope you have fun
The near and the dear one
The old and the young
A very Merry Xmas
And a happy New Year
Let's hope it's a good one
Without any fear
War is over, if you want it
War is over now





