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terça-feira, 5 de outubro de 2021

Manuel Alegre - Portugal resiste

 * Manuel Alegre

Tiraste-me o direito à vida , mas eu vivo
   Mandaste-me prender, mas eu sou livre
   Que não pode morrer, não pode ser cativo
   Quem pela Pátria morre, e só por ela vive.

   Vi os campos florir mas não ouvi
   Raparigas cantando em nossas eiras
   Nossos frutos eu vi levar e vi
   Na minha Pátria as garras estrangeiras

   Vi os velhos e os meninos assentados
   nos degraus da tristeza vi meu povo cismando
   vi os campos desertos, vi partir soldados
   sobre o meu povo negros corvos vi pairando

   E tu que do pais fizeste a triste cela
   Tu que te fechas em teu próprio cativeiro
   Tu saberás que a Pátria não se vende
   E em cada peito em cada olhar se acende
   Este fogo este vento de lutar por Ela.

   Tu saberás que o vento não se prende.

   E não terás nas tuas mãos de carcereiro
   O sol que mora nas canções que nós cantamos
   Nem estas uvas penduradas nas palavras
   Tu que servis as pretendeste ou escravas

   Em silêncios de morte e de convento
   Tu ouvirás na língua que traíste
   Palavras como o fogo como o vento
   Estas palavras com que Portugal resiste

sábado, 27 de março de 2021

António Lobo Antunes - Praça da Canção

* António Lobo Antunes

Passei a Faculdade a escrever. Não estudava, não ia às aulas, houve exames a que nem sequer compareci.

Ainda hoje me espanta a paciência com que o meu pai aturou isso tudo, ele que era muito autoritário e, por vezes, violento. Argumentava que queria ser escritor, não queria ser médico, soube muito mais tarde que o meu pai, para meu espanto, tinha a certeza que eu tinha talento embora não lhe mostrasse o que fazia: periodicamente queimava tudo junto à figueira do quintal, depois soube que ele ia lá sem me dizer nada, lia os restos que ficavam na cinza e copiava-os para um caderno verde. O meu pai possuía um respeito sagrado pelos artistas e talvez, na sua cabeça, pensasse que eu era um deles, enquanto eu, pouco mais do que um miúdo, vivia atormentado pelas minhas deficiências, sempre a dizer-me

- Ainda não é isto, ainda não é isto e levei vinte anos a encontrar o que seria a minha voz, quando me apareceu a Memória de Elefante. Disse

- Ainda não é isto mas acho que descobri o caminho.

E, depois, seguiu-se o trabalho de fazer crescer aquilo tudo. Mas, nessa altura, já havia terminado a Faculdade de Medicina, já havia passado mais de três anos na tropa, já vivera os horrores de África. Até então fora o tormento do curso, que o fez sofrer a ele e me aborrecia a mim. Mal começava a estudar pensava logo

- Devia estar a escrever e voltava aos poemas péssimos e à prosa mais do que medíocre de que então era capaz, certo que, escondido, morava em mim um grande talento. Não certo, certíssimo, ao ponto de sacrificar fosse o que fosse à literatura. Pai, agradeço-lhe a paciência que teve para comigo, peço-lhe perdão de o haver humilhado com a miséria das minhas notas, agradeço que no fundo de si, embora nunca mo dissesse, me haja compreendido. A certa altura, a meio do curso, aconteceu uma coisa que me abalou muito. Era o final dos anos 60, em que os estudantes se levantavam contra a ditadura: cargas policiais, violência, prisões. Tudo isto me passou um bocado ao lado, entregue, como estava, à minha luta com as palavras. Um colega, no hospital, entregou-me, com grandes pedidos de segredo, um maço de folhas policopiadas. Na primeira página estava escrito Praça da Canção e, por baixo, o nome do autor, que nada me dizia: Manuel Alegre. Foi certamente o livro mais lido, mais comentado, mais entusiasmante, mais influente para a minha geração. Num segundo

(pareceu-me que num segundo) tornou-se a bandeira dos estudantes contra o fascismo e a monstruosidade que vivíamos.

Não me interessou a sua qualidade literária. Interessou-me a corajosa chama daqueles versos e o imenso coração do autor.

Claro que Manuel Alegre era um poeta, não me ralou o tamanho do poeta que ele era, interessou-me o tamanho do que ele dizia.

A ousadia com que fez arder uma geração inteira, e o incêndio que levantou sozinho. Uma ocasião, na fronteira com a Zâmbia, morreu-me um camarada. Só sei dizer assim: morreu-me, porque me morreu de facto. De imediato veio-me à cabeça um poema de Manuel Alegre

Ó meu amigo que nunca mais acenderás no meu o teu cigarro

e comecei a chorar. Só quem passou por uma desgraça assim é capaz de entender isto até ao osso

Ó meu amigo que nunca mais acenderás no meu o teu cigarro.

Esta, e outras passagens do livro, ficaram comigo para sempre, ficarão comigo para sempre: que nunca mais acenderás no meu o teu cigarro.

Foi Manuel Alegre que o escreveu, e é a Manuel Alegre que o devo, porque se trata de uma prenda que nenhum dinheiro paga. Faz cinquenta anos que o livro surgiu, cinquenta anos de gratidão da minha parte. O Poeta mandou-me um exemplar comemorativo do aniversário do livro, com uma dedicatória cuja generosidade me tocou imenso. Manuel, não imaginas quanto estiveste comigo em África e quanto continuas comigo porque, em certo sentido, nunca saímos de lá. E tu ajudaste-me naquele exílio muito mais do que imaginas. Tenho pena que já não fumes porque o brinde que queria fazer-te agradecendo o muito que deste sem o saberes, ao estudantezinho anónimo que eu era, ao militar anónimo que eu fui, seria estender o meu cigarro para ti, dizer-te olhos nos olhos

Ó meu amigo que nunca mais acenderás no meu o teu cigarro

e esconder uma lágrima de homem para homem num chupão imenso.


Crónica de António Lobo Antunes, 23 de julho de 2015, in Revista Visão



Adriano Correia de Oliveira - Canção com Lágrimas


Canção com lágrimas, por Manuel Alegre

Eu canto para ti o mês das giestas
O mês de morte e crescimento ó meu amigo
Como um cristal partindo-se plangente
No fundo da memória perturbada

Eu canto para ti o mês onde começa a mágoa
E um coração poisado sobre a tua ausência
Eu canto um mês com lágrimas e sol o grave mês
Em que os mortos amados batem à porta do poema

Porque tu me disseste quem me dera em Lisboa
Quem me dera em Maio depois morreste
Com Lisboa tão longe ó meu irmão tão breve
Que nunca mais acenderás no meu o teu cigarro

Eu canto para ti Lisboa à tua espera
Teu nome escrito com ternura sobre as águas
E o teu retrato em cada rua onde não passas
Trazendo no sorriso a flor do mês de Maio

Porque tu me disseste quem me dera em Maio
Porque te vi morrer eu canto para ti
Lisboa e o sol, Lisboa com lágrimas
Lisboa à tua espera ó meu irmão tão breve
Eu canto para ti Lisboa à tua espera.

domingo, 14 de fevereiro de 2021

Manuel Alegre - Depois do Branco

* Manuel Alegre

Quem sabe o que na página se esconde
e se dentro do branco está um muro
e se depois do muro não há onde
e se depois do branco é tudo escuro?

Quem sabe o que pode acontecer
quando ao verso já escrito outro se junta
e tudo está no verso por escrever
e o que se escreve é só uma pergunta?

Quem sabe o que se vê e não se vê
se por dentro do branco apenas cabe
esse nome que nunca ninguém lê
e o verso que se sabe e não se sabe?

( in NADA ESTÁ ESCRITO, 2012 )

quarta-feira, 15 de julho de 2020

Manuel Alegre - Meu amor é marinheiro



* Manuel Alegre

Meu amor é marinheiro
E mora no alto mar
Seus braços são como o vento
Ninguém os pode amarrar.

Quando chega à minha beira
Todo o meu sangue é um rio
Onde o meu amor aporta
Seu coração - um navio.

Meu amor disse que eu tinha
Na boca um gosto a saudade
E uns cabelos onde nascem
Os ventos e a liberdade.

Meu amor é marinheiro
Quando chega à minha beira
Acende um cravo na boca
E canta desta maneira.

Eu vivo lá longe, longe
Onde passam os navios
Mas um dia hei-de voltar
Às águas dos nossos rios.

Hei-de passar nas cidades
Como o vento nas areias
E abrir todas as janelas
E abrir todas as cadeias.

Assim falou meu amor

sábado, 11 de julho de 2020

Manuel Alegre - Abril




* Manuel Alegre

Habito o sol dentro de ti
Descubro a terra, aprendo o mar,
por tuas mãos, naus antigas, chego ao longe,
que era sempre tão longe, aqui tão perto.

Tu és meu vinho. Tu és meu pão.
Guitarra e fruta. meu navio,
este navio onde embarquei
para encontrar dentro de ti, o país de Abril.

E eu procurava-te nas pontes da tristeza
cantava adivinhando-te cantava,
Quando o país de Abril se vestia de ti
e eu perguntava quem eras.

Meu amor por ti cantei. E to me deste
um chão tão puro, algarves de ternura.
Por ti cantei, à beira-povo à beira-terra
e achei achando-te o país de Abril.

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Alain Oulman e Manuel Alegre - Meu amor é marinheiro e A Trova do Amor Lusíada


Amália Rodrigues - "Meu amor é marinheiro", por Alain Oulman

Meu amor é marinheiro
E mora no alto mar
Seus braços são como o vento
Ninguém os pode amarrar.

Quando chega à minha beira
Todo o meu sangue é um rio
Onde o meu amor aporta
Seu coração - um navio.

Meu amor disse que eu tinha
Na boca um gosto a saudade
E uns cabelos onde nascem
Os ventos e a liberdade.

Meu amor é marinheiro
Quando chega à minha beira
Acende um cravo na boca
E canta desta maneira.

Eu vivo lá longe, longe
Onde passam os navios
Mas um dia hei-de voltar
Às águas dos nossos rios.

Hei-de passar nas cidades
Como o vento nas areias
E abrir todas as janelas
E abrir todas as cadeias.


Assim falou meu amor


Adriano Correia de Oliveira - Trova do Amor Lusíada"

Meu amor é marinheiro
Meu amor mora no mar.
Meu amor disse que eu tinha
Na boca um gosto a saudade
E uns cabelos onde nascem
Os ventos da liberdade.

INSTRUMENTAL

Meu amor é marinheiro
Meu amor mora no mar.
Seus braços são como o vento
Ninguém os pode amarrar.

INSTRUMENTAL

Meu amor é marinheiro
Meu amor mora no mar.

Trova do Amor Lusíada - Manuel Alegre

Meu amor é marinheiro
quando suas mãos me despem
é como se o vento abrisse
as janelas do meu corpo.

Quando seus dedos me tocam
é como se no meu sangue
nadassem todos os peixes
que nadam no mar salgado.

Meu amor é marinheiro.
Quando chega à minha beira
acende um cravo na boca
e canta desta maneira:

- Eu sou livre como as aves
e passo a vida a cantar
coração que nasceu livre
não se pode acorrentar.

Trago um navio nas veias
eu nasci para marinheiro
quem quiser pôr-me cadeias
há-de matar-me primeiro.

Meu amor é marinheiro
e mora no alto mar
seus braços são como o vento
ninguém os pode amarrar.

Quando chega à minha beira
todo o meu sangue é um rio
onde o meu amor aporta
seu coração - um navio.

Meu amor disse que eu tinha
uns olhos como gaivotas
e uma boca onde começa
o mar de todas as rotas.

Meu amor disse que eu tinha
na boca um gosto a saudade
e uns cabelos onde nascem
os ventos e a liberdade.

Meu amor falou-me assim:

Ó minha pátria morena
meu país de sal e trevomeu cravo minha açucena


vale mais ser livre um dia
lá nas ondas do mar bravo
do que viver toda a vida
pobre triste preso escravo.

Eu vivo lá longe longe
onde passam os navios
mas um dia hei-de voltar
às águas dos nossos rios.

Hei-de passar nas cidades
como o vento nas areias
e abrir as janelas
e abrir todas as candeias

hei-de passar a cantar
pelas ruas da cidade
erguendo na mão direita
a espada da liberdade.

Ó minha pátria morena
meu país de trevo e sal
sou marinheiro e não esqueço
que nasci em Portugal.

Assim falou meu amor
assim falou ele um dia
desde então eu vivo à espera
que volte como dizia.

Eu creio no meu amor
meu amor é marinheiro
quem quiser pôr-lhe cadeias
há-de matá-lo primeiro.

Sei que um dia ele virá
assim muito de repente
como se o mar e o vento
nascessem dentro da gente

como se um navio entrasse
de repente na cidade
trazendo a voar nos mastros
bandeiras de liberdade.

Meu amor é marinheiro
e mora no alto mar
coração que nasceu livre
não se pode acorrentar.

in 30 anos de Poesia, Manuel Alegre, Círculo de Leitores


quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Manuel Alegre - Nambuangongo, meu amor

* Manuel Alegre

Em Nambuangongo tu não viste nada
não viste nada nesse dia longo longo
e a cabeça cortada e a flor bombardeada
não tu não viste nada em Nambuangongo

Falavas de Hiroxima tu que nunca viste
em cada homem um morto que não morre.
Sim nós sabemos Hiroxima é triste
mas ouve em Nambuangongo existe
em cada homem um rio que não corre.

Em Nambuangongo o tempo cabe num minuto
em Nambuangongo a gente lembra a gente esquece
em Nambuangongo olhei a morte e fiquei nu.
Tu não sabes mas eu digo-te: dói muito.
Em Nambuangongo há gente que apodrece.

Em Nambuangongo a gente pensa que não volta
cada carta é um adeus em cada carta se morre
cada carta é um silêncio e uma revolta.
Em Lisboa na mesma isto é a vida corre.
E em Nambuangongo a gente pensa que não volta.

É justo que me fales de Hiroxima.
Porém tu nada sabes deste tempo longo 
tempo exactamente em cima do nosso tempo.
Ai tempo onde a palavra vida rima
com a palavra morte em Nambuangongo.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

6 canções para os dias que (es)correm e (de)correm





Publicado a 10/04/2008

TOMAR PARTIDO - José Carlos Ary dos Santos

Tomar partido é irmos à raiz
do campo aceso da fraternidade
pois a razão dos pobres não se diz
mas conquista-se a golpes de vontade.

Cantaremos a força de um país
que pode ser a pátria da verdade
e a palavra mais alta que se diz
é a linda palavra liberdade.

Tomar partido é sermos como somos
é tirarmos de tudo quanto fomos
um exemplo um pássaro uma flor.

Tomar partido é ter inteligência
é sabermos em alma e consciência
que o Partido que temos é melhor.

E CADA VEZ SOMOS MAIS

Pela espora da opressão
pela carne maltratada
mantendo no coração
a esperança conquistada.

Por tanta sede de pão
que a água ficou vidrada
nos nossos olhos que estão
virados à madrugada.

Por sermos nós o Partido
Comunista e Português
por isso é que faz sentido
sermos mais de cada vez.

Por estarmos sempre onde está
o povo trabalhador
pela diferença que há
entre o ódio e o amor.

Pela certeza que dá
o ferro que malha a dor
pelo aço da palavra
fúria fogo força flor
por este arado que lavra
um campo muito maior.

Por sermos nós a cantar
e a lutar em português
é que podemos gritar:
Somos mais de cada vez.


Por nós trazermos a boca
colada aos lábios do trigo
e por nunca acharmos pouca
a grande palavra amigo
é que a coragem nos toca
mesmo no auge do perigo
até que a voz fique rouca
e destrua o inimigo.
Por sermos nós a diferença
que torna os homens iguais
é que não há quem nos vença
cada vez seremos mais.
Por sermos nós a entrega
a mão que aperta outra mão
a ternura que nos chega
para parir um irmão.
Por sermos nós quem renega
o horror da solidão
por sermos nós quem se apega
ao suor do nosso chão
por sermos nós quem não cega
e vê mais clara a razão
é que somos o Partido
Comunista e Português
aonde só faz sentido
sermos mais de cada vez.
Quantos somos? Como somos?
novos e velhos: iguais.
Sendo o que nós sempre fomos
cada vez seremos mais!


Publicado a 30/06/2010

Meu pensamento
partiu no vento
podem prendê-lo
matá-lo não

Meu pensamento
quebrou amarras
partiu no vento
deixou guitarras
meu pensamento
por onde passa
estátua de vento
em cada praça

Foi à onquista
de um novo mundo
foi vagabundo
contrbandista
foi marinheiro
maltês ganhão
foi prisioneiro 
mas servo não

E os reis mandaram
fazer muralhas 
tecer as malhas
de negras leis
homens morreram 
estátuas ao vento
por ti morreram
meu pensamento






Publicado a 23/06/2017

Avante, camarada, avante,
Junta a tua à nossa voz!
Avante, camarada, avante, camarada 
E o sol brilhará para todos nós!

Ergue da noite, clandestino,
À luz do dia a felicidade,
Que o novo sol vai nascendo
Em nossas vozes vai crescendo
Um novo hino à liberdade
Que o novo sol vai nascendo
Em nossas vozes vai crescendo
Um novo hino à liberdade

Avante, camarada, avante,
Junta a tua à nossa voz!
Avante, camarada, avante, camarada 
E o sol brilhará para todos nós!

Cerrem os punhos, companheiros,
Já vai tombando a muralha.
Libertemos sem demora
Os companheiros da masmorra
Heróis supremos da batalha
Libertemos sem demora
Os companheiros da masmorra
Heróis supremos da batalha

Avante, camarada, avante,
Junta a tua à nossa voz!
Avante, camarada, avante, camarada 
E o sol brilhará para todos nós!

Para um novo alvorecer
Junta-te a nós, companheira,
Que comigo vais levar
A cada canto, a cada lar
A nossa rubra bandeira 
Que comigo vais levar
A cada canto, a cada lar
A nossa rubra bandeira

Avante, camarada, avante,
Junta a tua à nossa voz!
Avante, camarada, avante, camarada 
E o sol brilhará para todos nós!

   A autoria de Avante Camarada! é do compositor e intérprete português Luís Cília que a compôs durante o seu exílio em Paris em 1967, explicitamente destinada a ser transmitida pela Rádio Portugal Livre. A canção foi incluída no disco "Canções Portuguesas", interpretadas por Luísa Basto "acompanhada pela orquestra Ecran Azul", editado em Moscovo pela editora Melodia em 1967.
     Foi esta versão frequentemente transmitida pela Rádio Portugal Livre que se tornou conhecida em Portugal, sendo nas vésperas do 25 de Abril de 1974 um dos mais populares temas da resistência anti-fascista. O arranjo orquestral é do maestro Pedro Osório.


Publicado a 06/05/2013


Acordai
acordai
homens que dormis
a embalar a dor
dos silêncios vis
vinde no clamor
das almas viris
arrancar a flor
que dorme na raiz

Acordai
acordai
raios e tufões
que dormis no ar
e nas multidões
vinde incendiar
de astros e canções
as pedras do mar
o mundo e os corações

Acordai
acendei
de almas e de sóis
este mar sem cais
nem luz de faróis
e acordai depois
das lutas finais
os nossos heróis
que dormem nos covais
Acordai!

Fernando Lopes Graça (música)
José Gomes Ferreira (poema)    
Tuna Académica da Universidade de Coimbra, Orfeon Académico de Coimbra,Coro Misto da Universidade de Coimbra, Coro da Capela da Universidade de Coimbra (interpretação)




Publicado a 28/05/2011

Canta, camarada, canta
Canta, que ninguém de afronta.
Que esta minha espada corta
Dos copos até à ponta

Eu hei-de morrer de um tiro
Ou de uma faca de ponta;
Se hei-de morrer amanhã
Morra hoje, tanto monta!

Tenho sina de morrer
Na ponta de uma navalha,
Toda a vida hei-de dizer:
Morra o homem na batalha.

Viva a malta e trema a terra
Daqui ninguém arredou!
Quem há-de tremer na guerra,
Sendo um homem como eu sou?

Tradicional da Beira Alta, letra adaptada






Publicado a 15/07/2013


Canto moço 

Somos filhos da madrugada 
Pelas praias do mar nos vamos 
À procura de quem nos traga 
Verde oliva de flor no ramo 
Nave gamos de vaga em vaga 
Não sou bemos de dor nem mágoa 
Pelas praias do mar nos vamos 
À procura de manhã clara


Lá do cimo de uma montanha
Acendemos uma fogueira
Para não se apagar a chama
Que dá vida na noite inteira
Mensageira pomba chamada
Mensageira da madrugada
Quando a noite vier que venha
Lá do cimo de uma montanha

Onde o vento cortou amarras
Largaremos p'la noite fora
Onde há sempre uma boa estrela
Noite e dia ao romper da aurora
Vira a proa minha galera
Que a vitória já não espera
Fresca, brisa, moira encantada
Vira a proa da minha barca.