Textos e Obras Daqui e Dali, mais ou menos conhecidos ------ Nada do que é humano me é estranho (Terêncio)
terça-feira, 13 de novembro de 2018
Óscar Lopes - Todos os amores são de perdição
quinta-feira, 4 de abril de 2013
José António Gomes ~ O Óscar, para quem sempre existiu o tu
- José António Gomes
«Refere Máximo Gorki, não sem espanto, que em Lénine, no meio de tanta preocupação, havia ainda lugar para a bondade – permitam-me que diga o mesmo de Óscar Lopes. E também sem espanto.»
O Óscar. Todos diziam, todos dizem «o Óscar», naquele centro de trabalho. Todos sabiam que tinham um génio ali à mão, quase do outro lado da rua. Um génio da Língua, da História e da Crítica Literárias, da Filosofia e da Cultura Clássica, da Matemática e até da Física. Um corajoso humanista à antiga, um clássico-moderno de insaciável curiosidade e sede de saber. Alguém com uma superior inteligência do mundo e da linguagem. E que no entanto tratava os camaradas por tu e por tu era tratado. Fossem operários, empregados, sindicalistas, fossem intelectuais, eleitos comunistas, gente com responsabilidades de direcção. Recordo o saudoso Sérgio Teixeira, antigo operário, evocando uma viagem para Lisboa, com o Óscar a falar-lhe de Camões.
Ele era, ele será sempre, para nós, «o Óscar», o intelectual por excelência, incomparável e incapaz de trair – ao contrário de outros – o compromisso que, desde a juventude, desde 1944, o vinculou à classe trabalhadora, aos oprimidos, ao projecto comunista. E pelos quais sofreu, antes de Abril, sem disso vir a fazer gala: a prisão fascista, a perseguição, a apreensão de obras suas pela PIDE, a proibição de ensinar na Universidade, de se deslocar ao estrangeiro para participar em seminários para os quais era convidado, de assinar artigos com o seu nome.
Era, além do mais, um génio da fraternidade, da solidariedade, da empatia com o seu semelhante, da capacidade de escutar o outro. Alguém que olhava a vida, o futuro, a sua própria presença no mundo como uma aventura sem limites. E que, por isso, disse algures: «Nós só conhecemos uma fracção mínima da realidade, estamos no início de uma grande aventura cósmica.»
Sempre presente
Para todos nós, o Óscar era, será sempre, um exemplo para os dias por vir – e não apenas pelo seu saber imenso. Era-o também para outros, muito distantes de nós. Uma mensagem electrónica, no dia da sua partida: «O ser humano e o intelectual mais brilhante, mais sábio e mais simples que tive o privilégio de ter como Professor na minha vida académica» – palavras de uma colega, de direita, sua antiga aluna de mestrado.
Na última etapa de uma vida de estudo e de luta, na sua casa da Boavista, bem perto do centro de trabalho, já afectado pela crueldade do tempo, da doença e do silêncio em que mergulhara, o Óscar era o camarada despojado e modesto, sempre disponível para a partilha do saber, para a solidariedade, para colaborar na angariação de fundos, para juntar convictamente o seu nome ao nosso, quando necessário: num abaixo-assinado, num manifesto, numa edição do Sector Intelectual. (E há generosidades militantes do Óscar que nem sequer aqui se podem contar.)
Animada de ternura e daquela amizade comunista que é tão sua, a nossa querida Lina visitou-o sempre, prestando o apoio necessário ao Óscar, à família. (Todos te conhecem, Lina, és um esteio, o sorriso e o amparo de que todos precisam nestes dias difíceis.) E, por isso, nesse fim de tarde em que velávamos o camarada, estavas tão triste e comovida, ali, no salão secular da Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto (de que o Óscar era um dos mais antigos sócios), a urna ladeada por duas coroas belíssimas. Vermelho de flores sobre verde. Vermelho. Sobre verde. E depois contavas como, enquanto os dias lhe permitiam ainda sair de casa e deslocar-se, o Óscar pedia por vezes à senhora que dele cuidava: «Olhe, vamos antes por ali.» E, apoiado no seu braço, «obrigava-a» a atravessar a rua para o passeio do centro de trabalho. E a fazia continuar até chegarem à entrada. E ela dizia: «Ai, que o senhor é um maroto. Queria mas era vir até aqui.» É que o Óscar gostava do centro de trabalho, gostou sempre, enquanto as forças lho consentiram, de rever e conviver com os camaradas.
Por tudo isto – e por todo o resto, que é muito – nos dói muito a partida do Óscar. Que sabíamos ali ao lado, sempre presente nos momentos difíceis, nos momentos necessários, com a sua cortante ciência do mundo, da literatura e da linguagem. O Óscar, para quem sempre existiu o tu. E que por isso escreveu, no único poema seu que até hoje veio a lume, numa antologia organizada pela Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto:
Segunda pessoa
Alguém diz tu. Alguém sem nome.
É a terra e o corpo e é o rasto de um sentido.
Alguém diz tu à imagem que se esgarça,
à certeza de uma longínqua razão.
Longe. O passado. Nomes, errados nomes de desejo.
Cego de insónia, nem lembrar te posso.
Nem mesmo em sonho saberia ver-te.
És só o pronome, tu, a ondular-me na boca,
norte magnético num desespero em surdina.
És a sílaba que dói a dor solar de um sentido.
A história avança na cabra-cega sem rostos,
e eu vivo em ti o tu mais só da minha vida.
quarta-feira, 31 de outubro de 2007
Adriano Correia de Oliveira - Solidário sempre

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Adriano Correia de Oliveira nasce no Porto, em 1942.
Os pais mudam-se para Avintes, para a Quinta das Porcas, na margem esquerda do Rio Douro, que será sempre para Adriano o centro do mundo de todos os lugares do mundo por onde andou.
Sempre que podia ia para a varanda da Quinta das Porcas ver o rio, nadar, remar pescar. Com ele os amigos, os muitos amigos de amizades que sabia construir como ninguém.
Em Avintes, frequenta a escola primária e, com o liceu feito no Porto no inicio de cursar Direito em Coimbra, funda com outros jovens estudantes, a União Académica de Avintes que começou a ser muito conhecida pelas actividades culturais e desportivas.
Adriano era muito activo na música. O conjunto musical da União Académica ensaiava na Quinta das Porcas. No desporto, era um excelente praticante de voleibol, mesmo falhando quase todos os treinos.
Em Coimbra, inicia os estudos universitários, inscreve-se na secção de voleibol da Académica e ocupa o lugar de primeiro tenor no Orfeão Académico de Coimbra. A sua voz impar distingue-se pelo timbre e pela clareza.
À sua volta, Portugal está sob o peso da ditadura fascista, e a resistência democrática dá e sofre vários golpes. São as lutas estudantis contra o decreto-lei 40900, é o I Congresso Republicano, são as lutas camponesas e operárias.
Adriano, sempre activo e solidário, opta pela via da resistência consequente. Em 1960 inscreve-se no Partido Comunista Português. Meses antes, uma dezena de presos políticos, entre os quais Álvaro Cunhal, evadira-se do Forte de Peniche.
A sua intervenção cultural é cada vez mais activa. Faz teatro no CITAC, escreve para os Cadernos Culturais.
Publica o primeiro disco com quatro fados de Coimbra.
Anos de brasa
1961/1962 são de anos de brasa. Há greves operárias e camponesas de norte a sul do país. O 1º de Maio de 62 é a maior comemoração de sempre, em Portugal, do Dia do Trabalhador. A União Indiana liberta e recupera Goa. Começa a Guerra Colonial. Há uma tentativa de assalto ao quartel de Beja. José Dias Coelho é assassinado pela Pide. Ocorre a espectacular fuga de Caxias.
Em Lisboa, na sequência da proibição, pelo governo fascista, da comemoração do Dia do Estudante, intensificam-se as lutas estudantis, dando inicio a uma prolongada greve que alastra às outras academias. Mais de 1500 estudantes são presos.
Adriano, então a viver e a estudar em Lisboa, regressa a Coimbra e está presente em todas as lutas académicas. Não deixa de cantar, fazendo o canto participar na luta.
Em 1963, Adriano está em Coimbra a viver na República Rás-te-Parta onde funcionará a sede da candidatura democrática às eleições da Associação Académica. Grava um disco emblemático: “Trova do Vento que Passa”, poema de Manuel Alegre e música de António Portugal.
A Guerra Colonial alarga-se a outras colónias. Em 1964 Álvaro Cunhal escreve o Rumo à Vitória, que viria a ter uma importância determinante na intensificação da luta contra o fascismo e rumo ao 25 de Abril. O general Humberto Delgado é assassinado pela PIDE.
Luandino Vieira, com o romance Luuanda, ganha o prémio da Sociedade Portuguesa de Autores que na sequência é assaltada e fechada pela Pide.
Ainda não foi cantada em verso mas, para ele, Adriano, a canção já é uma arma.
Pela mão de Adriano
Entre 1966 e 1968, Adriano Correia de Oliveira volta para Lisboa. Casa, é incorporado na tropa, nasce uma filha, continua a cantar e a lutar politicamente num país sempre em sobressalto que subitamente, vê o ditador cair da cadeira e ficar inutilizado, sendo substituído por outro ditador que simula abrir uma janela enquanto verifica se as portas continuam todas trancadas.
Adriano canta, solidário com todas as lutas dos estudantes e dos operários. Publica o disco Adriano Correia de Oliveira que é distinguido com o prémio Pozal Henriques, a maior distinção da música «ligeira» em Portugal.
De 1969 a 1973 vivem-se anos históricos na canção de intervenção.
São vários os discos então surgidos que irão marcar impressivamente a canção portuguesa. O primeiro disco LP é de Adriano: O Canto e as Armas.
É pela mão de Adriano que muitos novos cantores e músicos surgem. Acontecimentos musicais determinantes para o futuro, todos com a marca de luta antifascista, sucedem-se. A televisão cobre em directo um espectáculo de fados e baladas de estudantes de Coimbra, a propósito da Queima das Fitas. De súbito uma voz admirável eleva-se para cantar a Trova do Amor Lusíada e Trova do Vento que Passa . É a voz de Adriano que, com a coragem que o acompanhou durante toda a vida, não deixa fugir a oportunidade de enfrentar o poder. É um escândalo. A emissão é interrompida. Em 1971, no Coliseu de Lisboa dá-se o I Primeiro Encontro da Canção Portuguesa. Participam Barata Moura, Vitorino, José Jorge Letria, Fausto, Manuel Freire, Zeca Afonso e Adriano. Um espectáculo memorável rigorosamente vigiado pela Pide, enquanto lá fora o fascismo não pára de apodrecer e abanar com as lutas que irrompem por todo o país.
A canção na rua
25 de Abril! A Revolução dos Cravos. A canção salta para a rua e Adriano está na primeira linha. É um dos fundadores no Colectivo de Acção Cultural, participa no I Festival da Canção Portuguesa no Coliseu dos Recreios e no I Festival da Canção Livre. Anda pelo país fora levando a mensagem do seu partido, o Partido Comunista Português, com a sua voz inconfundível. Vai aos lugares mais longínquos onde quase ninguém ousa ir. Grava o disco Que nunca mais que lhe vale o título de Artista do Ano da revista inglesa Music Week.
Em 1976 pertence ao Comité Organizador da 1ª Festa do Avante! onde participará sempre com imenso empenho. Continua a cantar por todo o país sempre com grande sentido de militância e companheirismo. A sua presença física, a sua afabilidade e a sua voz impõem-se mesmo em situações complicadas, muitas vezes conseguindo ultrapassar tentativas de boicote. Finalmente consegue realizar um velho sonho profissional: ser um dos fundadores de uma cooperativa artística, Cantarabril, de onde sairá em violenta controvérsia para entrar noutro colectivo de artistas, a Era Nova, com muitos dos seus primeiros companheiros de andanças musicais.
Em princípios de Setembro participou no Coliseu dos Recreios numa festa de solidariedade com os trabalhadores da Anop. No final do mesmo mês está em Mondim de Basto, a cantar numa escola, num encontro do Partido. Foi o seu último espectáculo.
Adriano Correia de Oliveira viveu intensamente, com imenso amor pela vida, construindo inúmeras e sólidas amizades, sempre ao lado do seu povo, sempre com o seu Partido. Fez sempre imensos projectos. Muitos concretizou, como a sua obra musical bem o evidencia. Outros, como um disco de músicas infantis, um dicionário de música de intervenção, nunca chegou a concretizar: os anos breves que viveu roubaram-lhe o tempo necessário. Nunca desistiu de colocar em prática as suas ideias mesmo até ao dia em que, brutalmente, foi ceifado da vida e da actividade criadora.
Até à morte
Adriano esteve desde cedo e até à morte com aqueles para quem a liberdade se concretiza em metas como a abolição da exploração pela mais-valia, a libertação da terra latifundiária, a realização pragmática, e até constitucional, das melhores virtualidades humanas, individuais e colectivas, e como autêntica autodeterminação nacional, na economia e na cultura. (…)
Encontramos a mais íntima associação entre o amor, o companheirismo caloroso, a devoção pátria e a solidariedade com o povo explorado, a solidariedade com a mó de baixo, que é sempre a mais consequente denúncia em qualquer processo histórico.Óscar Lopesin Avante 2007.10.11
ver também:
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terça-feira, 30 de outubro de 2007
Homenagem a Óscar Lopes (2)
- intervenção de Jerónimo de Sousa na sessão comemorativa dos seus 90 anos
Permitam-me que, neste quadro de “homenagem nos 90 anos de Óscar Lopes repartida por vários lugares do Porto e Matosinhos”, saúde com apreço o empenhamento da Cooperativa Árvore e da sua Direcção e a sua contribuição para o êxito desta dignificante iniciativa.
Reconheça-se a dificuldade no construir e dizer desta intervenção que visa homenagear um homem integral, num quadro em que quase todas as palavras certas já foram ditas por quem com ele privou, aprendeu e cultivou amizades.
A sua dimensão de professor, mestre, do protagonismo na intervenção cultural, o autor, investigador ensaísta, historiador e linguista, por si só não é comportável nem acomodável nos limites de um discurso. E muito menos o é se quisermos expressar a sua dimensão cívica e política, as suas opções ideológicas. Talvez por razões de origem, tenho uma profunda admiração por todos aqueles e aquelas intelectuais que foram capazes, ao arrepio da ordem natural das coisas estabelecidas, ter não só solidariedade e simpatia por causas sociais, mas assumirem – como Óscar Lopes assumiu – as causas e o projecto de transformação social e de emancipação do ser humano.
E assumi-lo em tempos difíceis quando numa época histórica se espalhava o manto de sombras em Portugal e na Europa onde tudo o que era avanço civilizacional estava em causa.
Não deixa de ter significado a influência e o impacto que teve na consciência social do então jovem estudante o testemunho da vida e da miséria dos pescadores de Matosinhos e das suas famílias e do dramático confronto com a pobreza extrema, a mendicidade e a mortalidade infantil, consciência social em evolução face a uma série de acontecimentos históricos como o falhanço das formas de liberalismo económico e político, mais económico que político, decorrente da crise mundial em 1929 e posteriormente o arrasador avanço do fascismo na Europa e o tremendo efeito da derrota das forças democráticas em Espanha. A avaliação de quem resistia e lutava no plano nacional e internacional levou Óscar Lopes a tomar opções políticas e ideológicas integrando as fileiras do Partido Comunista Português. Poder-se-á dizer-se que seria restritivo fazer o enfoque desta opção e dimensão do camarada Óscar Lopes, do homem integral que aqui homenageamos!
Os domínios do saber ímpar em toda a actividade ensaística, literária, cultural, a sua capacidade científica na linguagem e ensino da língua, onde reflectia a teoria marxista e a sua concepção da luta de classes como motor da história, não dispensou antes convocou outros contributos científicos e metodológicos vindos de diversas áreas de saber em particular nos domínios da historiografia e da crítica literária.
Mas nesta visão ampla do intelectual, do cientista não se pode emparcelar ou muito menos ensombrar o carácter marcante das suas opções ideológicas e consequentemente a sua acção como comunista e revolucionário.
O que poderia ter sido um vida sem sobressaltos transformou-se num percurso fascinante, mas por vezes doloroso já que o fascismo nunca lhe perdoou as opções políticas, a sua coragem, a sua firmeza e resistência. Não lhe perdoou (a ele e a outros intelectuais) usar os seus saberes e prestígio como uma arma carregada de futuro e contribuição emancipadora para que um dia a liberdade e a democracia fosse conquistadas.
Na dinamização cultural e cívica desta cidade, particularmente entre os anos 50 e 70, nas suas palestras e intervenções, na co-organização de eventos culturais vigiados e reprimidos pela polícia política, nas presidenciais de 1951 com a candidatura de Rui Luis Gomes e nas legislativas de 53, Óscar Lopes marcou presença e participação.
E é neste quadro de acção, em anos em que a luta se agudizou, que Óscar Lopes é demitido do seu lugar de professor e encarcerado durante um ano. Tocante foi a acção dos jovens estudantes que elaborando uma exposição a enviaram ao tribunal encarregado do julgamento. Como recordava o Avante! em 1956 “belo exemplo dos jovens estudantes que após 30 anos de obscurantismo não se deixam enganar e sabem valentemente alinhar ao lado do mestre amigo que defende a Paz e quer um Portugal livre, pacífico e independente”.
Apesar de absolvido, as forças repressivas, proibiram-no até de usar o nome em artigos de sua autoria. Readmitido em 1957, continua a sofrer tremendas pressões das autoridades educativas, impedindo-o de leccionar Literatura, História e Filosofia. É impedido de sair do país para não apresentar os seus trabalhos de investigação e proibido de participar em júris internacionais de literatura para os quais era convidado.
O fascismo, na sua obstinação mais do que a sua inteligência, receava as suas opções. Quando tudo parecia convidá-lo a desanimar e a desistir da sua luta, ele prosseguiu tendo sempre a seu lado Maria Helena, companheira de toda a vida.
Na campanha de Humberto Delgado, integrando a Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos, e na Comissão Nacional do II Congresso de Oposição Democrática de Aveiro em 1972, esteve sempre na primeira linha de combate pela democracia.
E, quando Abril aconteceu, quando a democracia resgatou e colocou Óscar Lopes no quadro de honra dos homens que lutaram uma vida toda pela liberdade, pela justiça social, pela cultura, pela paz, passou de resistente a construtor, dando o seu melhor para salvaguardar a dignidade da instituição universitária, terminando a sua carreira docente como Vice-Reitor da Universidade do Porto e recebendo, entre outras homenagens, o grau de Doutor Honoris Causa pela Universidade Clássica de Lisboa.
Continuou como militante do Partido integrando o seu Comité Central em 1976.
Álvaro Cunhal, numa síntese admirável, afirmou:
“Porque está ante nós um homem que, tendo ao longo dos anos ensinado tanto, teve a superior virtude dos que muito sabem: não só ensinar mas aprender. Com o estudo, com a vida, com a experiência. Inserindo desde jovem a sua (…) sua acção como cidadão, na vida e na luta dos trabalhadores, do povo, da heróica resistência antifascista, do colectivo dos seus camaradas e do seu Partido.
Assim na luta pela liberdade (…). Assim na revolução de Abril. Assim na instauração, na institucionalização e na defesa da democracia até aos dias de hoje. Procurando respostas novas para os novos fenómenos e situações. Certificando dia-a-dia a opção política de há mais de meio século e a sua convicção comunista sempre confirmada e afirmada com a simplicidade e a coragem de um homem senhor dos seus direitos e da vontade própria.
E toda essa vida notável, em si mesma, se torna ainda mais notável porque Óscar Lopes a soube e sabe viver com a serenidade e a simplicidade que dão a sabedoria e a modéstia”.
Passados 11 anos desta declaração, Álvaro Cunhal se estivesse entre nós reafirmaria o que disse então.
Eis uma forma excelente de terminar esta intervenção.
Mas, ainda assim, talvez por razões de origem e de opção política e ideológica, uma palavra final que reflecte um sentir imenso de admiração e gratidão. A comunidade científica e intelectual deve muito a Óscar Lopes. Mais lhe devem os trabalhadores e o povo, tal como o seu Partido de sempre.
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GR Diz:
Outubro 15, 2007 at 10:40 pm
Tanto se disse naquele fim de tarde. Porém, Jerónimo de Sousa, foi o que mais me(nos) comoveu. Num discurso firme, Jerónimo colocou nas palavras todo o sentimento, orgulho e respeito, ao falar do seu/nosso camarada Óscar Lopes e com a naturalidade que já lhe é peculiar, sorriu timidamente para quem o ouvia, de voz embargada termina:”…A comunidade científica e intelectual deve muito a Óscar Lopes. Mais lhe devem os trabalhadores e o povo, tal como o seu Partido de sempre.”
Palavras sentidas! A sala vibrou!
Todos estiveram presentes! Todos! menos a comunicação social, alguns jornais e nenhuma televisão, quase ao terminar apareceu a rtp tentando saber o que pensava o Secretário-geral do PCP, sobre o discurso de Filipe Meneses.
Mais uma vez a censura sonegou a grandeza do discurso do professor António Gomes/escritor João Pedro Mésseder, de Jerónimo de Sousa, professor Nuno Grande, entre outros.