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segunda-feira, 22 de setembro de 2025

Artur Queiroz - Angola | Criaturas de um Deus Menor


< Artur Queiroz*, Luanda >

A liberdade só existe se estiverem reunidas todas as condições que lhe dão expressão concreta: Paz, pão, saúde, educação, trabalho, habitação. Isto quer dizer que no planeta há poucos povos livres. Em Angola a paz social é um mito. O pão falta na mesa de uma grande parte da população. Trabalho com salários dignos é raridade em vias de extinção. Habitação está ao nível do casebre de lata e da cubata. Educação é um sonho para milhões de crianças fora do sistema de ensino. Escolas sem professores são um pesadelo para as comunidades. Uma desilusão para estudantes do ensino superior. Estamos malé, malé, malé. 

Angola nasceu socialista. Mas o socialismo só serviu enquanto foi necessário mobilizar todo um povo contra os invasores estrangeiros. O regime socialista e os valores do socialismo permitiram triunfar na guerra pela Soberania Nacional e a Integridade Territorial. 

O socialismo foi arma estratégica para derrotar o regime racista de Pretória e a sua unidade especial UNITA. O socialismo foi a ideia libertadora que voou de Angola para a Namíbia Zimbabwe e África do Sul. Quando o regime de apartheid capitulou e a maioria negra triunfou, Angola abandonou a via do socialismo. Mas o MPLA continuou guardião dos valores socialistas no seu Manifesto. Por isso faz parte da Internacional Socialista. 

Angola aderiu à economia de mercado e à democracia representativa, quando o Presidente José Eduardo dos Santos assinou com Jonas Savimbi o Acordo de Bicesse. Os socialistas deram a mão aos fascistas que sobrevieram ao 25 de Abril e à queda do regime de apartheid. Uma coisa contra natura. Para não se notar muito, a democracia popular e o socialismo ficaram para a História. Ou uma nostalgia para muitos que se bateram contra os invasores estrangeiros na Guerra pela Soberania Nacional e a Integridade Territorial.

A direcção do MPLA tomou esta decisão e as primeiras eleições multipartidárias, em 1992, provaram que tinha razão. O partido ganhou com maioria absoluta e nenhum concorrente se apresentou ao eleitorado defendendo o socialismo. Mau sinal. 

O oportunismo é a doença cancerígena do capitalismo. Está provado com resultados à vista. Descontando a armadilha que nos foi colocada no caminho entre 1992 e 2002 (rebelião armada de Savimbi) os “anos de paz” ainda não foram suficientes para garantir ao Povo Angolano paz, pão, saúde, educação, trabalho, habitação. Tudo se esvai por obra e graça dos oportunistas que pululam no MPLA, da base ao topo. Mas também em toda a sociedade, até nas igrejas. Em 2017 entrámos em retrocesso. E vamos andando de marcha atrás. Os recuos vão continuar até 2026. 

O congresso do MPLA vai responder se as nossas vidas vão continuar a andar para trás ou finalmente o Povo Angolano vai ter a vida que merece. Convém que ninguém esqueça o essencial. A mudança só é possível se formos capazes de explorar e colocar ao nosso serviço, os recursos naturais. Se apostarmos rudo na educação. Se formos capazes de dar máximo protagonismo á investigação científica. 

A ladainha da pobreza e da miséria não leva a lado nenhum. Os senhores bispos da Igreja bem podem pôr um padre desmiolado a perorar sobre miséria e fome. Podem prometer o céu aos famintos. Podem garantir aos mortos o paraíso no Além. Nada disso adianta. O paraíso tem de ser criado cá, nos nossos becos, nas nossas ruas, nos nossos bairros, nas nossas sanzalas, nas nossas casas. A liberdade religiosa é garantida a todos. Mas não enganem os crentes. 

O papel de enganar está reservado â UNITA. Desde sempre. Nasceu no seio do colonialismo. Savimbi, nas suas cartas de traição, reverenciava e elogiava os chefes fascistas de Lisboa. Os cabos de guerra colonialistas (genocidas). Não hesitou em lutar de armas na mão contra a Independência Nacional. 

O Galo Negro é filho do regime fascista e teve sempre uma prática fascista. Centenas de homens armados da UNITA reforçaram os Flechas da PIDE. Quando os Capitães de Abril derrubaram o regime fascista, a UNITA continuou incólume, ainda que fosse uma organização portuguesa ao nível da PIDE, da Legião ou da OPVDCA, as milícias nazis criadas em Angola depois da Grande Insurreição em 15 de Março 1961. O Povo Angolano foi enganado pelos libertadores de Lisboa. Valores mais altos se alevantaram.

Após o 25 de Abril 1974, a UNITA não hesitou em apoiar os independentistas brancos. Uma vez derrotados, Savimbi foi trabalhar directamente com o regime racista de Pretória. Nazis puros e duros. O chefe do Galo Negro mostrou uma coerência de betão. A UNITA nasceu no seio do fascismo. Cresceu ao serviço dos colonialistas. Serviu de armas na mão o regime racista de Pretória. Pratica a xenofobia. Sempre na senda da traição.

Em Portugal ganhou expressão, um partido que congrega os herdeiros dos fascistas derrubados em 25 de Abril 1974. Chama-se Chega. É um antro de fascistas, racistas e xenófobos. A UNITA tem uma ligação umbilical à Carta de Madrid. Faz parte da internacional Fascista. Tal como o Chega. São partidos irmãos. O MPLA em Portugal é irmão do Partido Comunista e do Partido Socialista. Primo direito do PSD. A UNITA é irmã do Chega. Coerência.

A igreja regressou ao passado mais problemático da sua existência, quando pôs a cruz ao serviço dos colonialistas. Benzeu as espadas que mataram civis inocentes. Participou nas Cruzadas. Ateou as fogueiras da Inquisição. Se Deus existe, vai preciar de milénios para vo perdoar. Agora os senhores bispos mandaram este recado pelo padre Pio: “O MPLA está ultrapassado!” Ai sim? Então digam quem está em condições de governar Angola com políticas actualizadas e políticos mais competentes. Mas digam já. É feio baterem e depois esconderem a mão. Foge-lhes sempre a conversa para o reaccionarismo mais primário.

Pobres criaturas de um deus menor!

* Jornalista

at setembro 22, 2025 

https://paginaglobal.blogspot.com/2025/09/angola-criaturas-de-um-deus-menor.html#more

sábado, 10 de maio de 2025

Artur Queiroz - Dia da grande vitória


sábado, 10 de maio de 2025
 

*  Artur Queiroz
 Luanda >

O Presidente Putin disse hoje em Moscovo, Dia da Vitória, que a Federação Russa está novamente a lutar contra o nazismo. Na luta contra o III Reich até à sua queda, todos os combatentes contaram, desde os resistentes franceses aos sitiados de Estalinegrado, a maior batalha da II Guerra Mundial, que decorreu entre 23 de Agosto de 1942 e 2 de fevereiro de 1943. Foi uma espécie de Batalha do Cuito Cuanavale e teve os mesmos resultados. Os nazis e seus aliados fizeram dois milhões e meio de mortos na cidade. O mesmo que toda a população da província de Benguela. 

Depois o Exército Vermelho avançou desde as estepes russas até entrar triunfalmente em Berlim, no dia 2 de Maio 1945. Pelo caminho as tropas soviéticas foram libertando os prisioneiros dos campos de concentração nazis. E os países ocupados.

O melhor é passar a palavra ao embaixador da Federação Russa em Angola, Vladimir Tararov:

 “A Grande Guerra Patriótica do povo soviético contra o Terceiro Reich começou dois anos após o início da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), sendo parte integrante e o seu teatro de operações principal. Os nossos pais e avós não apenas defenderam a liberdade da URSS, mas também desempenharam o papel fundamental na libertação da Europa da ‘peste castanha´. Graças à façanha do povo da União Soviética foi devolvida a soberania nacional aos países europeus.

Durante a II Guerra Mundial, a maioria dos países europeus estava sob opressão do Terceiro Reich: Áustria, Albânia, Bélgica, Grécia, Dinamarca, Luxemburgo, Países Baixos, Noruega, Polónia, França, Checoslováquia e Jugoslávia. De facto, os aliados da Alemanha - Hungria e Roménia - perderam a independência, e eram governados por regimes fascistas. A Bulgária e Finlândia, bem como a Itália, estavam dependentes da Alemanha. Nos territórios ocupados os nazis estabeleceram o regime cruel.

Em Março de 1944, perseguindo o inimigo que recuava, o Exército Vermelho cruzou a fronteira soviético-romena, iniciando a libertação dos países da Europa da ocupação alemã. Quilómetro por quilómetro, povoado por povoado, cidade por cidade, as tropas soviéticas avançavam e traziam a esperança para a vida pacífica aos povos oprimidos pelos nazis”.

A União Soviética sofreu as maiores perdas humanas na II Guerra Mundial, 27 milhões de mortos dos quais dez milhões soldados soviéticos e 17 milhões civis. São mais de metade de todos os mortos no conflito.  Os EUA registaram 405 mil mortos em combate.

França e Reino Unido declararam guerra à Alemanha após as tropas nazis invadirem a Polónia. No final do conflito, Londres contou 383.700 militares mortos e 67.200 civis. Paris contou 210.000 militares mortos e 390.000 civis (Resistência). Os dois países tiveram metade dos mortos em Estalinegrado. Alemanha nazi registou cinco milhões de militares mortos e três milhões de civis. Menos de um terço dos mortos soviéticos. Polónia, 240.000 mortos militares e 5.820.000civis quase todos judeus. A República Popular da China perdeu dez milhões de civis e quatro milhões de militares. A Jugoslávia perdeu dois milhões de “partisans”, comandados pelo Marechal Tito. Hitler criou no território, o Estado da Croácia. 

Em 1991, a OTAN (ou NATO) e os oligarcas da União Europeia atacaram a Jugoslávia. Durante dez anos destruíram o país. Os oligarcas europeus e os terroristas da Casa dos Brancos logo no início da guerra vingaram Hitler e tornaram a Croácia “independente”. Hoje faz parte da União Europeia e da OTAN (ou NATO). Instalaram no Kosovo uma base militar e fizeram do bocado um “país”. Os oligarcas de Bruxelas dizem que os russos, após a paz no final da II Guerra Mundial, reacenderam a guerra na Europa em 2023, com a operação militar na Ucrânia.

Mentira. Os oligarcas de Bruxelas e os terroristas da Casa do Brancos decidiram, em 1991, fazer na Rússia o mesmo que fizeram na Jugoslávia. Guerra militar e guerra económica. A União Soviética tinha acabado. À boleia da “globalização” atacaram e destruíram países com recursos naturais. O objectivo final, declarado, é submeter a Federação Russa. 

Oligarcas de Bruxelas e terroristas dos EUA roubaram os fundos soberanos do Iraque, mataram o Presidente e destruíram o país. Roubam o petróleo. Roubaram fundos soberanos à Líbia, mataram o Presidente, roubam o petróleo. Servem-se do seu “sargento” no Médio Oriente para meter medo e destabilizar a região. Roubaram os fundos soberanos da Venezuela e fazem tudo para destruir o país.

A Federação Russa é o alvo final. Os oligarcas de Bruxelas e os terroristas da Casa do Brancos impuseram uma guerra económica a Moscovo. Até hoje, Dia da Vitória. Roubaram 350 mil milhões de euros dos fundos soberanos depositados nos EUA e na Europa. Fizeram um atentado terrorista contra o gasoduto Nord Stream II, no mar Báltico, que liga a Federação Russa à Alemanha, com 1.234 quilómetros.  Impõem dezenas de sanções para destruir a economia russa. No passado houve guerras sangrentas por muito menos. 

Os russos aguentam. Mesmo estando sob fogo cerrado dos nazis, como há 80 anos. 

Nazis de Sempre

Hitler ocupou a França logo no início da guerra. Colaboracionismo mas também resistência. A Ucrânia teve um papel importante no III Reich. Os ucranianos serviram na polícia (SS), na administração pública e 250.000 nas forças armadas: Destacamentos Militares Nacionalistas, Irmandades dos Nacionalistas Ucranianos, Divisão SS Galícia, Exército de Libertação Ucraniano e o Exército Nacional Ucraniano. Só no “Reichskommissariat Ukraine”, as SS empregavam 238 mil policiais ucranianos, especialistas em tortura e extermínios. Hoje está tudo na mesma. Obedecem a Berlim, Bruxelas, Paris, Londres e Casa dos Brancos.

A Letónia forneceu à Divisão Waffen SS oficiais e soldados letões. Eram estes que cometiam as mais terríveis crueldades e torturas, nos campos de concentração e extermínio alemães realizando actos de crueldade indescritíveis, nos campos de concentração e extermínio. Verdade histórica: O ditador fascista Kārlis Ulmanis começou a construir campos de concentração muito antes de Hitler, em 1934.

Campos de concentração e extermínio na Letónia: Mezaparks Camp Kaiserwald próximo de Riga,  Daugavpils, Lenta, Liepaja, Strazdu Manor, Dundaga, Jelgava, Valmiera, Salaspils e Jumpravmuita. Mais de 80.000 judeus foram exterminados nestes campos da Letónia. Os nazis estão de regresso ao poder neste país báltico. 

Estónia. Os judeus conseguiram fugir ante da chegada dos tanques dos nazis. Mas 1.500 que se recusaram a abandonar as suas casas e o seu país foram assassinados pelos nazis estónios, aliados do III Reich. Durante a II Guerra Mundial foi criada a Divisão SS e o Batalhão 287 de Polícia. Autênticos exterminadores. Os nazis hoje no poder em Talin anseiam pela vingança. Nunca se conformaram com a vitória dos soviéticos e a consequente derrota do III Reich.

A Estónia tinha muitos campos de concentração e extermínio alemães. Guardas e torturadores eram estónios que rivalizavam em crueldade com os nazis. Tomem nota dos campos de extermínio criados no país durante a II Guerra Mundial: Auvere, Aseri, Dorpat, Ereda, Goldfields, Idu-Virumaa, Illinurme, Jagala, Johvi, Kalevi-Liiva, Kivioli, Klooga, Kukruse, Kunda, Kuremae, Lagedi, Narva, Narva-Joesuu, Petschur, Putki, Saka, Stara Gradiska, Sonda, Soski, Tartu, Vaivara, Viivikonna e Wesenburg. Entre 1939 e 1945 os nazis da Letónia exterminaram os ciganos. Hoje querem exterminar os russos. Kaja Kallas, chefe da diplomacia da União Europeia, é a nazi estoniana mais famosa.

A Lituânia alinhou com os nazis no extermínio de seres humanos. Os nazis lituanos mataram 220.000 pessoas, sobretudo judeus. Poucos sobreviveram nos campos de concentração e extermínio de Kovno (Kaunas), Kauen, Slobodka, HKP em Vilna e Prawienischken.

Grupos de extermínio começaram a atacar os judeus antes da chegada dos alemães, em Junho de 1941. Os auxiliares lituanos da Einsatzgruppe e a Polícia de Segurança da Lituânia chacinaram cruelmente milhares de pessoas por professarem o judaísmo.

Império da Política

A Rússia nasceu em 882 quando o príncipe Oleg conquistou Kiev Cidade-Estado. As crónicas da época chamam-lhe Rus’Kiev território dos vikings da região e dos eslavos orientais. Essa matriz continuou até aos dias de hoje. O Estado que então se formou, seguiu a Igreja Católica Ortodoxa, originária do Império Romano do Oriente. Essa influência moldou definitivamente a matriz russa. Outro contributo importante veio dos mongóis, que ocuparam o território entre o Século XIII e o final do Século XV, quando Ivan III, o Grande, expulsou os ocupantes.

A Identidade Nacional Russa ganhou nova expressão e a partir da derrota dos mongóis nasceu uma nova visão. O que é a Rússia? A resposta veio com as teorias do Ocidentalismo, do Eslavofilismo e o Eurasianismo. Mas os pilares eram o Czar e a Igreja Ortodoxa. 

O Império Czarista aglutinou todos e durou do século XVI ao Século XX. Caiu com a Revolução de Fevereiro e depois a Revolução de Outubro, em 1917. Assim nasceu a União Soviética e o Patriotismo Soviético. Tudo pela Mãe Rússia! O Comunismo aparece como a ideologia unificadora de todos os povos do mundo. (Proletários de Todos os Países Uni-vos!). 

A União Soviética é hoje Federação Russa. As transformações políticas, económicas e sociais acompanharam a globalização. Uma aproximação de Moscovo ao ocidente, mas a mensagem russa não foi compreendida. O eurocentrismo não deixou as capitais europeias ver as potencialidades da aproximação. 

O aproveitamento abusivo dos EUA para imporem um mundo unipolar, tornou as reformas na Federação Russa dispensáveis e supérfluas. Ma também nasceu a falsa e perigosa ideia de que a Federação Russa é facilmente submetida aos interesses da Casa dos Brancos, da OTAN (ou NATO) e União Europeia.

Assim nasceu o avanço das tropas da OTAN para Leste num cerco de morte à Federação Russa. A propaganda ocidental engana as opiniões públicas e os líderes do ocidente alargado fazem tudo para imporem uma “derrota estratégica” à Federação Russa, numa guerra por procuração passada à Ucrânia. Até desenterraram os velhos fantasmas da “guerra fria”. Vendem um regime político na Federação Russa que não existe. Voltaram ao tempo de proclamar a destruição dos comunistas.

.O partido no poder é o Rússia Unida, do Presidente Putin. Uma maioria esmagadora conquistada em eleições democráticas. O maior partido da oposição é o Partido Comunista da Federação Russa (PKRF), liderado por Gennady Zyuganov. 

 O partido Rússia Unida tem maioria absoluta na Duma (parlamento) e lidera grande parte dos governos regionais.  Outro partido da oposição é o Partido Liberal Democrata da Rússia (LDPR), ultranacionalista. O Partido Comunista da União Soviética (PCUS) foi banido em 1991 pelo então presidente russo Boris Ieltsin. 

Também existe o partido “Comunistas da Rússia”, liderado por Maxim Suraykin. Não tem representação parlamentar. Partido Os Verdes de Andrey Nagibin. Partido Rússia Justa Pela Verdade (socialismo democrático) de Sergey Mironov. Partido Russo da Liberdade e Justiça (social democracia) liderado por Maksim.  Partido Alternativa Verde liderado por Victoria Dayneko. Todos estão representados na Duma.

O partido Rússia Unida (nacionalismo conservador) nas últimas eleições elegeu 343 deputados em 450. O Partido Comunista 48 deputados em 450. O Partido Socialista (RJPV) tem 19 deputado em 450. Os outros elegeram entre 1 e 5 deputados. Registaram votações residuais.

A Alemanha nazi foi derrotada há 80 anos. Até 2023 era o motor económico da União Europeia. Daí para cá o motor gripou. Não funciona. As grandes potências ocidentais estão no mesmo estado. Mas olham para a Federação Russa com os mesmos óculos e os mesmos modelos. Não pode. Ao apostarem tudo na guerra contra a Federação Russa estão a lançar milhões de seres humanos para a miséria, a fome e a morte.

Os oligarcas de Bruxelas e os terroristas da Casa do Brancos hoje perceberam que o Dia da Vitória em Moscovo provou o seu fracasso total. A Federação Russa não está isolada. A economia russa não sucumbiu às sanções. A parada militar mostrou uma potência que esmaga os inimigos num instante. 

Combatentes das FAPLA que participaram na Guerra pela Soberania Nacional e Integridade Territorial, com o apoio de soviéticos e cubanos, foram a Moscovo e participaram nas comemorações do Dia da Vitória. João Lourenço frequentou uma academia militar soviética. No final deram-lhe um papel de licenciado em História. Feito Presidente cuspiu no prato e ajoelhou aos pés dos terroristas da Casa dos Brancos. Ainda bem que não esteve em Moscovo A comemoração do Dia da Vitória contra os nazis não é para kaxikos.

* Jornalista

at maio 10, 2025 
https://paginaglobal.blogspot.com/2025/05/dia-da-grande-vitoria-artur-queiroz.html

terça-feira, 29 de abril de 2025

Artur Queiroz Apagão da Luz e do Jacinto --

* Artur Queiroz

Abril, 28. 11 horas da matina. 

Mana Fina liga o gerador, a luz foi. Não ouves? Preciso de energia para a internet. Tenho de mandar um texto. Sou o monangambé da escrita. Se falho vou no contrato. Me prendem nas cordas. Me rapam o cabelo. Cabeça de galinha ó Zé. Vai para a tua terra no mato. Aqui não é lugar para gentios. 

Ouviste Mana Fina? Vai ligar o gerador. Esses cabrões da EDP não sabem cuidar da luz. São engenheiros do matongé.

Desta vez enlouqueceste mesmo. Aqui não há Mana Fina nem gerador. Os escribas em Gaza também estão sem luz, medicamentos, água e comida. Levam com bombas nas casas, costados e cabeças. 

As crianças em Gaza morrem despedaçadas pelas bombas dos nazis de Telavive. Só querem mesmo brincar nas ruas sem luz. Brincar. A internacional fascista vai riscar do mapa a Palestina. Depois são riscados todos os que não aceitarem as tarifas da Casa dos Brancos e viverem nos parâmetros da democracia. Abaixo a liberdade. És um felizardo seu burguês alienado. Hoje não te enchem a pança de lixo mediático.

Mana Fina liga o gerador. Falta-me o vício do espectáculo. Quero ver a Kieza reportar do Bairro das Flores em Buenos Aires, mas sem falar com velhos reformados, os mártires das motosserras do nazifascista Milei. 

Mostrem-me os cardeais ajoelhados aos pés de Trump e Zelensky na casa de um deus adormecido há milénios, viciado na boa vida. Ainda bem. Que não acorde do sono eterno. Que nunca veja os crimes que cometem em seu nome.

O colonialismo é genocídio. Sou testemunha. A arma mais usada na matança genocida e na submissão dos africanos foi a cruz de Jesus Cristo, o palestino insubmisso. Tudo virado ao contrário e eu sem luz, como em Gaza.

Na primeira Guerra do Iraque, a coligação ocidental que queria encontrar as armas de destruição maciça (nunca existiram), também me deixou seis dias sem água, luz e comida. Fiquei à rasca. Minha Vovó Ana ensinou-me que fome só ao fim de três dias sem comer. Ao quarto já corremos perigo de morrer. Estava errada. No Iraque só comi ao sétimo dia a ainda aqui ando. 

A minha avozinha também me disse que quando os caminhos ficarem cheios de pedras e capim, a Humanidade vai comer bichos peçonhentos. Os homens vão matar-se na disputa de vermes! Será por isso que apagaram a luz? 

Assim ninguém vê os beiços de Trump escorrendo a gordura do banquete ucraniano. Mas que festim. Um governo de nazis, segundo Bruxelas, Paris, Berlim e Londres, está a defender a democracia na Europa! Os batalhões e brigadas Azovnazis defendem a liberdade dos europeus. E de repente a luz apagou e o povo percebeu. 

A OTAN (ou NATO) perdeu a guerra na Ucrânia contra a Federação Russa. Trump tirou o cavalinho da chuva e só ficou a União Europeia comprometida. Aí Bruxelas, Paris, Berlim e Londres decidiram cortar a luz. Assim os governados aceitam que os governantes desviem os fundos das políticas sociais para financiar a continuação da guerra. E ainda culpam os russos do apagão! Em Portugal o Montenegro e sua tropa de extrema-direita vão culpar também os emigrantes. 

 Eu fiquei sem luz. Mana Fina faz favor, vai ligar o gerador. Faz-me falta, o espectáculo da mentira engalanada, a manipulação decorada, a mentira colorida, a palhaçada desmedida. Estou mesmo a ficar burro com dizia o Mano Ndozi. Aqui não há Mana Fina nem gerador. Se és vítima do imperialismo, aguenta, luta, resiste!

Ai é? Então vou ler o livro do Azulay. Não, esse é para o fim-de-semana. Hoje é dia de ler a Obra Reunida de António Jacinto. A tiragem foi de 400 exemplares e eu sou um dos felizardos que tem uma cópia do livro. 

Mesmo que me castiguem e fique sem luz um ano, vou mesmo dizer a minha verdade. A Obra Reunida de António Jacinto devia ter uma tiragem de 30 milhões de exemplares, uma cópia para cada angolano. E todos os anos deviam fazer uma tiragem para oferecer um exemplar a cada criança que nasce. Um livro de António Jacinto no enxoval. Que maravilha!

Isto quer dizer que o ministro da Cultura do Executivo chefiado por João Lourenço já devia estar fora do governo. E João Lourenço fora do Palácio da Cidade Alta. Para responder por crimes graves contra a Cultura Angolana.

A Obra Reunida de António Jacinto com uma tiragem de 400 exemplares? Pintem a cara de branco e vão governar para a lixeira!

Mana Fina faz favor, vai ligar o gerador. A luz foi. 

A luz voltou! São 22 horas e 22 minutos. Aí vai texto.

* Jornalista

https://ponteeuropa.blogspot.com/2025/04/divagando-entre-o-serio-e-o-frivolo.html

domingo, 16 de março de 2025

Artur Queiroz - Angola | A ÁGUA QUE MATOU ZITA


domingo, 16 de março de 2025

<> Artur Queiroz*, Luanda ---

Oficialmente hoje é o dia da expansão da Luta Armada de Libertação Nacional. Para mim é o dia da Grande Insurreição Popular que varreu o Norte de Angola, de Sacandica aos Dembos. Na minha terra só existia escola primária e tive de ir estudar para a cidade do Uíje, no ensino secundário. Regime de internato. Tínhamos um líder, o Beto Martins, ao qual chamávamos, exactamente por ser um líder, Beto Lumumba. 

Naquele ano tínhamos exame e por isso não fomos a casa nas férias da Páscoa. Aulas de reforço, para não fazermos má figura e o colégio não ter “chumbos” no currículo.

Arlindo era o aluno mais velho do internato, 17 anos. Esteve vários anos sem estudar e retomou os estudos quando os pais puderam pagar-lhe o internato. 

No ano lectivo de 1960/1961 apareceu no internato um menino que ainda andava no ensino primário. Chamava-se Jorge Gonçalves e vinha de Sacandica, onde o pai era comerciante. Adoptado como nosso mascote. Todos o protegíamos. Muitos anos mais tarde ele foi presidente do Sporting Clube de Portugal. As voltas que o mundo dá!

No internato tínhamos um sapateiro que remendava os nossos sapatos. Veio do Cuanza Norte e o seu sonho era chamar a esposa e filhos À noite fazia de guarda. Aos fins de semana saltávamos a janela e íamos para as farras do Candombe. O guarda era conivente com os fugitivos. Um amigo do peito.

Lá na farra dançávamos a noite inteira. As meninas do bairro eram gentis, bonitas e bailarinas elegantes. Uma delas, por feliz coincidência, arranjou trabalho como ajudante da Candidinha, senhora que cozinhava para os alunos internos.

No dia 15 de Março, os guerreiros da UPA atacaram as fazendas do norte e mataram os brancos. Mas também trabalhadores “bailundos”. Nas pequenas vilas isoladas também atacaram com canhangulos, catanas e paus. Avançavam gritando maza, maza, maza quando os colonos disparavam as suas caçadeiras e carabinas sobre os atacantes. Quem aderiu à insurreição recebeu uma muxinga e um pau. Usando aqueles amuletos ficavam invulneráveis. As balas dos brancos eram água!

Essa água matou o sapateiro e guarda do internato. Há quem estivesse na cidade do Uíje e não visse nada. Eu vi mas preferia não ter visto. A água que matou o sapateiro também me matou. 

A Candidinha, no dia 16 de Março, gritava desalmadamente. Fomos saber o que tinha acontecido. A água matou Zita, a menina do Candombe, bailarina, alegre, gentil. A água naquele dia matou centenas de negros nas ruas da cidade do Uíje. Em frente ao internato havia um descampado. Estava juncado de cadáveres. Gente que levava as imbambas. Iam fugir da água. Há quem não tivesse visto nada, vivendo no Uíje. Eu vi. Antes não visse.

O Beto Martins é mestiço. Vivia com os padrinhos brancos. Durante uma semana desapareceu. A água matou-o? Não. Ficou aterrorizado com a fúria assassina das milícias dos colonos. O nosso líder ficou com medo da água. Só queria sair dali. Em Maio saímos todos. Fomos em viaturas militares até à Base Aérea do Negage e apanhámos um avião de carga, o Nordatlas. Em Luanda instalaram-nos num centro de refugiados e retomamos as aulas no Liceu Salvador Correia. Aprovamos todos nos exames!

A água do 15 de Março 1961, data da Grande Insurreição Popular no Norte de Angola matou milhares de inocentes. Pôs milhões em fuga para o Congo. 

Há quem não tivesse visto nada. Eu vi. Antes não visse. 

Hoje é o dia em que me lembro da água que matou Zita. A água que nos matou a juventude.

* Jornalista

at março 16, 2025 

https://paginaglobal.blogspot.com/2025/03/angola-agua-que-matou-zita-artur-queiroz.html

sexta-feira, 7 de março de 2025

Carlos Ferro - A LÍNGUA PORTUGUESA DE RASTOS - Preguiça linguística ou um “elefante na sala”?



Carlos Ferro* | Diário de Notícias, opinião

Há em Portugal uma nova moda entre as crianças: não usam o verbo principal quando falam. Os exemplo são vários e há diversas opiniões e alertas sobre a situação que pode vir a ter consequências mais tarde.

“Professora, posso água? Posso bolachas?”. Estes são dois exemplos que a jornalista Cynthia Valente apresentou no Diário de Notícias no trabalho onde ouviu pais, professores e um psicólogo sobre este fenómeno que se está a tornar num “elefante na sala”, não só nas casas das famílias como nas escolas.

Chegados aqui, qual a explicação para tal e quais as consequências futuras para estes alunos do 1.º ciclo - o fenómeno está a ser mais detetado neste período escolar?

Parece que há várias justificações. Uma são os vídeos curtos a que as crianças e adolescentes assistem diariamente e que acabam por transmitir a ideia que qualquer conversa pode ser tida com pequenas frases, mais ou menos completas. Talvez seja a versão 2.0 do ditado “para bom entendedor meia palavra basta”.

Outra explicação passará pelo facto de as famílias falarem pouco entre si, ou seja, os pais devem ter uma maior interação com os filhos - e voltamos ao muito falado uso excessivo do telemóvel - e corrigi-los sempre que não completem as frases.

Uma terceira razão para esta “evolução” é o “mundo acelerado” em que vivemos como frisou ao DN, no trabalho já referido, Alberto Veronesi, professor do 1.º ciclo e diretor do Agrupamento de Escolas de Santa Maria dos Olivais. Disse este responsável que “a comunicação é geralmente rápida e eficiente e, assim sendo, as crianças sentem que as frases completas são desnecessárias para se fazerem entender”.

No entanto, agora que já se detetou esta “preguiça linguística” talvez seja o momento de os estudiosos da Educação e os responsáveis do setor verem como se pode/deve lidar com esta supressão verbal para que mais tarde os jovens adultos e adultos não sintam dificuldades numa sociedade cada vez mais comunicacional. E, já agora, para tentarmos, como País, melhorar nos rankings que vão sendo conhecidos e nos quais Portugal não está a ter boa figura.

* Editor executivo do Diário de Notícias

Nota PG: Em nossa observação e opinião não é só nas escolas do ensino básico que se fala e escreve mal a língua portuguesa em Portugal. Um grande mau exemplo temo-lo em vários canais de televisão e de rádios. Eles 'comem' palavras e dizem profusamente TÁ em vez de está, TAMOS em vez de estamos BORA em vez de embora, etc., etc,. e assim consecutivamente. Além disso usam e abusam da língua anglófona misturada com frases em português. A comunicação social - principalmente - nos comentários e em notícias - é completamente assucatada via  'angloportufonês'. Uma vergonha, principalmente naquelas profissões rádio-televisivas faladas. Não são crianças do ensino básico mas sim jornalista 'dótores' que mais parecem estar a falar mau português em conversas de café ou numa chungaria muito rasca. Esses maus exemplos são imensos. E o assunto devia de ser aprofundado e dar-lhe combate. A língua portuguesa é linda e muito completa mas não, comprovadamente, para as atuais gerações 'modernas e estrangeiradas' que não se exprimem em língua de 'peixe nem de carne' mas sim em expressões bárbaras todas misturadas e chafurdadas. São esses o setor principal de aplicação do mau português que se fala em Portugal. Está por saber qual será a Pátria desses 'maduros e maduras' tão 'calinosos' a falar em português.

at março 07, 2025 
https://paginaglobal.blogspot.com/2025/03/a-lingua-portuguesa-de-rastos-preguica.html

segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

Artur Queiroz - Memória das Matanças de Paris –

 
segunda-feira, 13 de janeiro de 2025


Artur Queiroz*, Luanda

Hoje, dia 12 de Janeiro, faz 80 anos que o Exército Vermelho entrou em Berlim e o alto comando das tropas nazis se rendeu. A Europa foi libertada do III Reich. Hitler e alguns colaboradores suicidaram-se. Os outros foram presos e julgados. Hoje os nazis estão no poder na Casa dos Brancos, em Telavive, em Kiev. A internacional fascista domina a União Europeia e praticamente todo os governos dos países da União Europeia. África vive uma segunda onda de libertação. Angola caminha em sentido contrário!

As matanças de Paris em 2015 foram um horror. No dia 7 de Janeiro desse ano, aconteceu o massacre na Redacção do Charlie Hebdo. Menos de dez anos depois, os nazis de Telavive já mataram 150 jornalistas na Palestina. E o ocidente alargado aplaude. 

Na noite de 13 de Novembro de 2015 aconteceram massacres em vários pontos da cidade de Paris. Os mais graves foram na sala de teatro Bataclan. Dezenas de pessoas foram assassinadas a sangue frio, quando ouviam música, viam um jogo de futebol, bebiam um copo ou jantavam. Os assassinos não conheciam as suas vítimas, mataram por matar, sem piedade, sem uma ponta de humanidade.

Os amantes da paz condenaram aquela fúria assassina. Mas há que distinguir entre os que são contra a guerra e os que ficam em silêncio face à eliminação de civis e refugiados na Palestina ou choram lágrimas de crocodilo enquanto alimentam a fornalha da guerra e a dirigem. No dia 14 de Novembro de 2015, a organização Estado Islâmico reivindicou os massacres de Paris! Hoje os assassinos são apresentados como rebeldes e estão no poder na Síria com o apoio entusiasmado do ocidente alargado.

Em Novembro de 2015 o presidente Hollande fez uma declaração que ilustra bem a suprema hipocrisia dos senhores da guerra no Ocidente. Afirmou que depois da matança de Paris, a França está em Guerra. Disse isto sem corar de vergonha. Porque os mortos de Paris são, em boa parte, da sua responsabilidade e do seu antecessor, Nicolas Sarkozy, que está a ser julgado por corrupção em negócios com o Presidente Kadahfi, assassinado pela OTAN (ou NATO) para os estados membros saquearem o petróleo e os Fundos Soberanos da Líbia.  

Foi a Casa dos Brancos, com o apoio entusiasmado da França e outras potências ocidentais, que levou a morte e a destruição ao Iraque, Tunísia, Egipto, Líbia e Síria. Hollande é responsável por crimes hediondos no Mali. Aviões de guerra e militares franceses mataram milhares de civis em África e no Médio Oriente. Milhões de refugiados que chegam à Europa são causados pelas guerras comandadas pela França, Reino Unido, União Europeia, EUA e todos os países da OTAN (ou NATO). Todos. 

As autoridades portuguesas também têm as mãos manchadas de sangue. Um tal Durão Barroso viu as armas de destruição maciça no Iraque. E Paulo Portas, então no governo de Lisboa, apoiou os hediondos massacres contra o povo do Iraque. Mais de um milhão de mortos. Ocidente transformado num bando de assassinos. Primeiro esclavagistas. Depois colonialistas. A seguir genocidas. Agora são isso tudo mais assassinos de civis indefesos.  

Um hospital dos Médicos Sem Fronteiras no Afeganistão foi bombardeado por aviões dos EUA. Morreram técnicos de saúde e doentes internados. Alguns eram crianças. No dia seguinte a ONU disse que esta acção militar era indesculpável. Depois até falou em crime de guerra. Uma semana mais tarde esse crime, tão hediondo como as matanças de Paris, caiu no esquecimento.

Convivas em festas de casamentos e baptizados foram  bombardeados por forças da OTAN (ou NATO). Milhares de civis morreram. Os aviões da OTAN (ou NATO) bombardearam durante 80 dias a Jugoslávia. A mais sangrenta acção armada na Europa depois da II Guerra Mundial. Até destruíram à bomba a Embaixada da República Popular da China, em Belgrado. Tudo para criarem uma base militar no Kosovo a fim de controlarem os Balcãs!

Os grupos “rebeldes” apoiados pela Casa dos Brancos, Bruxelas, Londres e Paris mataram milhares de pessoas à bomba em Damasco e outras cidades sírias. Na Líbia e no Iraque. Essas vítimas são ignoradas. Quando muito têm direito a uma notícia de segundos. 

Os mortos de Paris valem tanto como os do Mali, da Tunísia, da Líbia, do Egipto. Da Síria e do Iraque. Do Afeganistão. Os náufragos do Mediterrâneo. Mas ninguém lhes dispensa um segundo de respeito. As suas famílias não têm um átomo de solidariedade. Pelo contrário. São desprezadas e ficam vulneráveis a novos assassinatos em massa.

Os xenófobos agora querem muros na Europa. Exigem estados policiais. Mas é tarde. Os autores da matança de Paris são franceses! Hollande tinha razão: A França está em guerra, desde os primeiros ataques ao Iraque, no início dos anos 90. Desde o Afeganistão. Desde o assassinato, pela OTAN (ou NATO), do Presidente Kadhafi, da Líbia. Desde que começou o roubo do petróleo. 

As potências ocidentais apoiam “até onde for preciso” o genocídio na Palestina. Na Faixa de Gaza já nada mais existe para destruir. Tudo porque as populações elegeram o HAMAS para governar o território. Castigo colectivo! Os nazis de Telavive já mataram (números oficiais e confirmados pela ONU) até final de 2024 mais de 45. 000 civis. Mas se incluirmos os desaparecidos, esse número é ainda maior. Os massacres de Paris, há dez anos, são uma ninharia comparados com os que estão a sofrer os palestinos.

Em África, no Médio Oriente, no Afeganistão há seres humanos iguais aos europeus e norte-americanos. Se líderes ocidentais os tratam como animais, depois não podem admirar-se, quando os sobreviventes lhes devolvem o tratamento.

Dentro de dias a Casa dos Brancos vai ser ocupada pelo líder da internacional fascista. Renasce daa cinzas o novo Hitler. Trump já avisou que vai tornar os EUA maiores, ocupando e anexando países. Mais uma vez os russos vão salvar a Europa! Ironia das ironias. O ocidente alargado apoia os nazis de Kiev. Está de cócoras ante os nazis da Casa dos Brancos. Em 12 de Janeiro de 1945 o Exército Vermelho entrou em Berlim e o regime nazi redeu-se. Faz hoje 80 anos. 

As tropas russas são a única força capaz de derrotar a internacional fascista e salvar a Europa do domínio da Casa dos Brancos, onde habita o novo Hitler. Ironia das ironias!

* Jornalista

at janeiro 13, 2025 
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quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

Caitlin Johnstone - ONDE A AGRESSÃO REALMENTE COMEÇA? -


quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

* Caitlin Johnstone

Promotores de Nova York acusaram Luigi Mangione de “assassinato como ato de terrorismo” pelo suposto assassinato do CEO da seguradora de saúde Brian Thompson no início deste mês.

Esta notícia sai ao mesmo tempo que uma reportagem do Haaretz intitulada “ 'Sem civis. Todos são terroristas': Soldados da IDF expõem assassinatos arbitrários e ilegalidade desenfreada no corredor Netzarim de Gaza. ” A reportagem contém depoimentos de tropas israelenses de que civis estão sendo assassinados em Gaza e, então, estão sendo retroativamente designados como terroristas para justificar sua execução.

“Estamos matando civis lá, que são considerados terroristas”, disse um oficial recentemente dispensado ao Haaretz.

Essas duas histórias juntas dizem muito sobre a maneira como o rótulo “terrorista” é usado sob o guarda-chuva do poder centralizado dos EUA.

O cara que atirou no CEO do seguro saúde é um terrorista, mas as pessoas que sistematicamente massacram civis em Gaza não são terroristas. As pessoas que lutam contra aqueles que estão massacrando civis são terroristas, e os não combatentes estão sendo categorizados como pertencentes a essa organização terrorista para justificar matá-los. Os afiliados da Al-Qaeda na Síria eram terroristas, mas agora são um regime fantoche dos EUA, então em breve não serão terroristas  — mas precisam ser designados terroristas por mais um tempo porque a alegação de que a Síria está infestada de terroristas é a justificativa de Israel para suas recentes apropriações de terras lá. O grupo militante uigur ETIM costumava ser um grupo terrorista, mas agora não é um grupo terrorista porque pode ser usado para ajudar a dividir a Síria e talvez lutar contra a China mais tarde. O IRGC é uma ala militar de uma nação soberana, mas conta como um grupo terrorista por causa de vibrações ou algo assim.

Está claro o suficiente?

Na verdade, o rótulo “terrorista” nada mais é do que uma ferramenta de controle da narrativa imperial que é movida com base em se o uso da violência por alguém é considerado legítimo ou não pelos gerentes do império. Como o suposto crime de Mangione acendeu um interesse público na guerra de classes, o rótulo “terrorismo” está sendo usado para enquadrá-lo como um ato especialmente hediondo de maldade contra um membro inocente do público.

O truque favorito do império é começar o registro histórico no momento em que seus inimigos retaliam seus abusos. Ah, não, um CEO de seguro saúde foi vítima de um ato maligno de terrorismo. Ah, não, Israel estava apenas inocentemente cuidando de seus próprios negócios quando foi violentamente atacado pelo Hamas. Ah, não, o Irã atacou Israel completamente do nada e agora Israel deve retaliar. Ah, não, a Rússia acaba de lançar uma guerra totalmente sem provocação contra a Ucrânia.

Tudo o que levou ao ato não autorizado de violência é apagado do registro, porque toda a violência, provocação e abuso que deram origem ao ato não autorizado de violência foram autorizados pelo império. Agressão autorizada não conta como agressão.

Quem controla a narrativa controla o mundo. Se você controla a narrativa, pode controlar não apenas quando o registro histórico de violência começa, mas que tipos de violência se qualificam como violência. Matar pessoas privando-as de assistência médica porque negar serviços de assistência médica é como sua empresa aumenta suas margens de lucro? Isso não é violência. Infligir tirania e abuso a um grupo étnico deliberadamente marginalizado em um estado de apartheid? Isso não é violência. Violência é quando você responde a essas agressões enérgicas com agressões enérgicas suas.

Se quisermos nos tornar uma sociedade saudável, teremos que parar de permitir que algumas formas de violência, agressão e abuso sejam redigidas dos registros oficiais enquanto outras são listadas e condenadas. Aqueles que se importam com a verdade e a justiça respondem por todas as formas de violência, agressão e abuso, não apenas aquelas que incomodam os ricos e poderosos.

É um ato de agressão fazer coisas que deixam os outros doentes e empobrecem, a fim de aumentar sua própria riqueza.

É um ato de agressão poluir a biosfera da qual todos dependemos para sobreviver, a fim de aumentar nossas margens de lucro.

É um ato de agressão usar sua riqueza para manipular a política de sua nação de maneiras que exacerbem a desigualdade e a injustiça.

É um ato de agressão manter um estado de apartheid que não pode existir sem violência incessante.

É um ato de agressão cercar a Terra com bases militares e cercar nações que desobedecem seus ditames.

É um ato de agressão tentar governar o mundo usando violência militar, conflitos por procuração, golpes encenados, ameaças, sanções de fome e coerção financeira e econômica.

Todos esses são atos de agressão, e qualquer retaliação contra eles nunca será um ataque não provocado. À medida que avançamos para o futuro enquanto esses abusos se exacerbam, vai se tornar muito importante manter uma consciência aguda disso.

* O trabalho de Caitlin Johnstone é totalmente compatível com o leitor, então se você gostou deste artigo, considere compartilhá-lo, seguindo-a no Facebook, Twitter, Soundcloud, YouTube, ou jogar algum dinheiro em seu pote de gorjetas Kofi, Patreon or Paypal. Se você quiser ler mais você pode compre os livros dela. A melhor maneira de garantir que você verá o que ela publica é se inscrever na lista de discussão em seu site ou na subpilha, que receberá uma notificação por e-mail sobre tudo o que ela publicar. Para obter mais informações sobre quem ela é, sua posição e o que está tentando fazer com sua plataforma, clique aqui. Todos os trabalhos são de coautoria com seu marido americano Tim Foley.

Este artigo é de Caitlin Johnstone.com.au e republicado com permissão 

# Traduzido em português do Brasil 

https://paginaglobal.blogspot.com/2024/12/onde-agressao-realmente-comeca-caitlin.html

sábado, 6 de janeiro de 2024

Tiago Castelhano - Porque continuamos a subestimar a extrema-direita?

 sábado, 6 de janeiro de 2024

PORQUE CONTINUAMOS A SUBESTIMAR A EXTREMA-DIREITA?

A subestimação da extrema-direita mantém-se. Devemos levar a sério este perigo e não lhe dar nem um minuto de descanso. Ainda vamos a tempo de combater a extrema-direita para o seu crescimento não ser uma inevitabilidade. 

Tiago Castelhano* | Setenta e Quatro

No final de 2016, início de 2017, o debate à esquerda sobre a extrema-direita centrava-se sobre se era um fenómeno passageiro e na terminologia a ser dada ao movimento. Havia então uma absoluta subestimação da extrema-direita e do perigo que representa. Lembremos que a imensa maioria da esquerda e centro-esquerda brasileira e norte-americana consideravam impossível a vitória destes candidatos; depois que não terminariam o mandato; por fim, que se iriam deixar moderar… A história não foi bem assim.

Passados sete anos da vitória de Trump nas eleições de 2016, é já consensual, à esquerda, que existe hoje no mundo uma realidade indesmentível: o neofascismo/extrema-direita é uma corrente global de massas bem organizada e coordenada, não é nem um fenómeno passageiro nem sairá de cena sem uma grande luta. Mas a verdade é que a subestimação da extrema-direita se mantém. Parece que o desacordo provém do desconhecimento sobre o adversário, ou seja, não sabermos realmente o que é a extrema-direita, qual a sua essência nem o que representa o risco de se apoderar do aparelho de Estado. 

O neofascismo não é uma fotocópia do fascismo dos anos 1920 e 1930, embora seja importante também olhar para esse período e retirarem-se lições históricas. Não acho sequer muito proveitoso fazer uma discussão de terminologia sobre o neofascismo/extrema-direita, e não faltam definições para todos os gostos. Nem é estrategicamente correto chamar-lhe populista, porque, além de ser um conceito vago, pode acabar por normalizar a extrema-direita, tornando-a mais simpática aos olhos das massas. Além disso, o populismo é mais uma estratégia política do que uma ideologia, logo existe populismo de esquerda e de direita. Usar o termo populismo para comparar esquerda e direita, chamando-lhes os extremos que se tocam, é uma das estratégias mais usadas pelo centro político. 

O neofascismo/extrema-direita é uma corrente global de massas bem organizada e coordenada, não é nem um fenómeno passageiro nem sairá de cena sem uma grande luta.

Prefiro, então, identificá-los como neofascistas/extrema-direita, mas o essencial é a discussão sobre a sua essência. Porque, se chegarmos a acordo sobre essa questão, entenderemos o perigo que a extrema-direita representa, a forma como a chamamos deixar de ter tanta importância.

QUAL É O PROJETO E A ESSÊNCIA DO NEOFASCISMO/EXTREMA-DIREITA?

O neofascismo/extrema-direita representa a nível internacional uma corrente mundial de massas que se apoia numa camada da população (classe média) e num sector da burguesia mais reacionário que não está para mediações, seja com a classe trabalhadora, seja com a preservação do planeta, para poder cumprir o objetivo supremo: a maximização do lucro. Isto não significa que o sector maioritário da burguesia que dirige o mundo tenha preocupações com o planeta ou com os trabalhadores e oprimidos. Mas a verdade é que não podemos equiparar em termos políticos Donald Trump com Joe Biden, Marie Le Pen com Emmanuel Macron, por muitas críticas que tenhamos a Biden e a Macron. 

O acirrar da disputa entre a China como potência ascendente na economia mundial e os EUA pela manutenção de sua hegemonia política e económica leva a que um sector dos capitalistas dos EUA apoie Trump e se vire contra o modelo da “Globalização” que vigorou nos últimos 40 anos. Se olharmos para Bolsonaro no Brasil, Javier Milei na Argentina, André Ventura em Portugal ou Santiago Abascal no Estado Espanhol, verificamos que coincidem na linha de ataque à China e em defesa dos EUA, tal como na denúncia da “ordem globalista”.

Este posicionamento expressa duas coisas: um alinhamento incondicional com o imperialismo ainda hegemónico, mas também a defesa de uma nova ordem mundial de estados, distinta da das últimas décadas, para cumprir esse desígnio. Neste sentido, Steve Bannon tentou ser um dos pontos centrais da articulação da extrema-direita entre os dois lados do Atlântico e pode dizer-se que a extrema-direita se tornou mais internacionalista do que grande parte da esquerda — basta constatar os vários encontros internacionais da extrema-direita, bem como as deslocações constantes a países onde se realizem eleições e os seus “companheiros” estejam na disputa direta pelo poder.

A essência do fascismo ou, neste caso, do neofacismo incide sobretudo no ódio à classe trabalhadora, em particular às camadas mais oprimidas e exploradas, como as pessoas racializadas, LGBTQIA+ e mulheres, mas também aos seus representantes partidários, sindicais e associativos. Tanto o fascismo clássico dos anos 20/30 do século XX, com origem em Itália, pela mão de Benito Mussolini, como o neofacismo atual têm estas características: ódio à classe trabalhadora e à esquerda. É todo um programa político que nem sempre é levado a sério na sociedade atual, inclusive por muitos de nós. 

Basta verificarmos o que dizia parte da esquerda, por exemplo, nos EUA, no Brasil ou na Argentina antes de Trump, Milei e Bolsonaro serem eleitos. A ridicularização dos candidatos, o não levar a sério, a menorização do perigo que representavam. Ou, por outro lado, o fatalismo derrotista que aceita a vitória do adversário, assumindo que não há nada a fazer — outra face da subestimação.

A verdade é que o perigo de governos do neofascismo/extrema-direita ou com a sua participação são reais e devem ser encarados de forma séria pela esquerda. Há que ter claro que estes governos não são iguais a governos de direita. Recorro ao filósofo marxista George Novack: “Duas coisas que têm algumas características em comum, não são necessariamente o mesmo, mesmo para o raciocínio da lógica formal o facto de o ganso ser um animal não torna todos os animais gansos”.

Seria importante não usarmos a lógica formal para o nosso próprio bem. Há que distinguir entre perigos diferentes, mesmo quando têm algo em comum: a extrema-direita, como o resto das direitas, é “um animal”, mas não é um “ganso”. É outro perigo, de outra natureza, pelo que merece uma atenção específica. 

“O que parecia impossível, agora tornou-se inevitável", é a frase sempre dita nos países em que o neofascismo chega ao poder.

Nos governos de extrema-direita, os ataques à classe trabalhadora são demolidores em termos de privatizações de empresas públicas (e não só), cortes nos direitos dos trabalhadores, despedimentos massivos, um ataque em grande escala à educação e à saúde pública e uma possível privatização do regime de segurança social. A par destes ataques, estamos a falar de ataques aos sectores oprimidos que se concretizariam numa ofensiva aos seus direitos como, por exemplo, a ilegalização do aborto, o fim da educação sexual, a perseguição a pessoas trans conjuntamente com o aumento do discurso de ódio. 

A consequência é o crescimento de atos de ódio, como pudemos ver no Brasil, com o aumento das perseguições e agressões a setores oprimidos. Ou como vimos recentemente na violência de rua anti-imigrantes na Irlanda e na França. Em Portugal, não devemos esquecer Bruno Candé, assassinado em Moscavide num ato de ódio que não se pode dissociar do discurso de ódio do Chega e do seu líder, ainda que não estejam sequer no governo. Imagine-se o que acontecerá se permitimos que cheguem ao poder. As vidas das e dos que serão os seus alvos importam.

Por último, estes governos, para aplicarem os seus programas, precisam de um endurecimento autoritário do regime político. Isso significa um ataque à esquerda e ao conjunto da classe trabalhadora, ataque aos sindicatos, repressão dos movimentos sociais, maior acesso a armas, aumento da violência policial, perseguição aos partidos de esquerda, aos seus dirigentes e às suas sedes – vide Espanha e os ataques às sedes do PSOE. Nenhum país está imune, apesar dos “brandos costumes”. 

Há que mudar o chip: quando o risco de vitórias da extrema-direita está em cima da mesa, travá-las passa a ser o centro da disputa. E há forças para as travar. 

Não sabemos se esse endurecimento culminará em formas abertamente ditatoriais fascistas, mas essa não é a questão, pois a transformação da democracia num regime autoritária é um processo, não é algo instantâneo quando a extrema-direita chega ao poder. Porque, por um lado, um endurecimento do regime, como vimos na Hungria, é suficientemente perigoso; por outro, porque o objetivo dessa via autoritária é reforçar o militarismo em curso e a exploração do planeta — com os riscos existenciais que tal acarreta.

A forma rotineira da democracia burguesa está tão entranhada em nós que, muitas vezes, nos parece impossível que possa ser posta em causa. Porém, a verdade é que não devemos esperar para o ver acontecer e devemos levar a sério o perigo da extrema-direita passando a não lhe dar nem um minuto de descanso.

É também verdade que dentro do chapéu da “extrema-direita” existem várias organizações com especificidades, tal qual como existem à esquerda. Se lermos investigações jornalísticas, por exemplo, aqui no Setenta e Quatro, verificamos precisamente isso e podemos encontrar semelhanças ou especificidades no mundo alargado da extrema-direita. Conhecer o nosso adversário também passa por entender as diferenças entre Trump e os “Proud Boys” ou entre o Chega e o Escudo Identitário. Contudo, é fundamental entender o projeto que os une a todos: a redução da esquerda à marginalidade e a subjugação total da classe trabalhadora.

Ou seja, estamos a falar de um fenómeno global de massas que tem como projeto político tornar o capitalismo ainda mais insuportável, levando ainda mais ao limite a classe trabalhadora e o planeta, através da alteração de regime, tornando o mais totalitário e repressivo. Haverá quem ache um exagero e use o exemplo de Trump ou de Bolsonaro no poder para demonstrar que não houve qualquer tipo de mudança de regime. A este argumento convém opor que, sendo verdade, não devemos subestimar nem esquecer a invasão do capitólio pelos apoiantes de Trump, aquando da sua não reeleição, nem da invasão das sedes dos poderes judicial, legislativo e executivo do Brasil pelos apoiantes de Bolsonaro quando perdeu também a sua reeleição. 

Estes dois acontecimentos provam o projeto e a essência da extrema-direita, antidemocrática, assente na violência política extra-parlamentar. É certo que naqueles momentos não existiu relação de forças para o golpismo poder ir mais longe. Mas não foram brincadeiras — na verdade, serviram como testes.

Combater as ideologias dominantes e reacionárias será fulcral para conseguirmos unificar as classes populares trabalhadoras.

Importa ainda relembrar que o fundador do fascismo, Benito Mussolini, só procedeu à mudança de regime depois de estar oito anos no poder. Logo, é bom que sejamos prudentes com avaliações precipitadas sobre a extrema-direita não ter intenções de subverter o regime. Eles poderão fazê-lo caso entendam que existem condições e a verdade é que os dois acontecimentos mencionados os comprovam. O constante questionamento dos processos eleitorais, tanto no Brasil como nos EUA e até na Argentina, tem o objetivo de criar o ambiente propício de desconfiança em relação às eleições caso não as vençam e assim irem desgastando o regime. 

Mesmo que estas forças não tenham, à partida, um projeto de destruição da democracia liberal, a sua ascensão pode libertar forças reacionárias que, fugindo do controlo, avancem nesse sentido. O caso é demasiado sério para nos satisfazermos com consolos efémeros. Não vale a pena pagar para ver, nem é caso para desistir à partida.

O QUE SIGNIFICA UMA DERROTA HISTÓRICA?

O perigo do neofascismo/extrema-direita está também ligado à questão do endurecimento autoritário do regime. Cabe relembrar que tanto Trump como Bolsonaro só estiveram um mandato no poder. O não terem conseguido aplicar cabalmente medidas de endurecimento não nos deve fazer relaxar. Devemos entender que, se se dá um endurecimento dos regimes democráticos, isso pode significar uma “derrota histórica” para a classe trabalhadora como um todo. 

Se olharmos para Bolsonaro no Brasil, Javier Milei na Argentina, André Ventura em Portugal ou Santiago Abascal no Estado Espanhol, verificamos que coincidem na linha de ataque à China e em defesa dos EUA, tal como na denúncia da “ordem globalista”.

Derrota histórica significa que toda uma geração desmoraliza ao ponto de perder qualquer tipo de esperança nas suas forças e na transformação do mundo, gerando uma relação social de forças consolidada e favorável às forças reacionárias. Este é o perigo associado à extrema-direita. Impor essa derrota é o seu projeto. Ou seja, não são mais um partido de direita radical, mas partidos — um movimento internacional, segundo Steve Banon — que têm como projeto derrotar a classe trabalhadora e os seus representantes de forma que o capitalismo se torne ainda mais desenfreado e selvagem do que já é hoje.

Em muitos dos países em que o neofascismo chegou ao poder, uma das frases que sempre dita e ouvida na noite das eleições é: “O que parecia impossível, agora tornou-se inevitável.” É uma frase que podia ter sido dita em Itália após a vitória de Meloni que, quatro anos antes, tinha resultados marginais. Ou no Brasil, a propósito de Bolsonaro que era caracterizado como um palhaço, ou, mais recentemente, sobre Milei, caracterizado como um louco. 

Contudo, esta frase transmite uma lição importante: quando se diz que parecia impossível a vitória destes personagens, o que significa na verdade é que essa possibilidade foi menosprezada. Devemos deixar de o fazer: paremos de menorizar a capacidade da extrema-direita para chegar ao poder. Mas a segunda parte da frase em que se menciona a inevitabilidade também nos pode ajudar a tirar uma lição. 

Não há inevitáveis absolutos. Ainda vamos a tempo de combater a extrema-direita para o seu crescimento não ser uma inevitabilidade. Em cada processo eleitoral e nas ruas em que a possibilidade de vitória do neofascismo surge, há uma disputa a fazer: não está escrito que eles vençam. Pelo contrário, parte da sua força tem sido a nossa falta de preparação — muitas vezes a esquerda só se dá conta do perigo depois das suas vitórias. Há que mudar o chip: quando o risco de vitórias da extrema-direita está em cima da mesa, travá-las passa a ser o centro da disputa. Afirmar isto não é ceder ao fatalismo, pelo contrário, é assumir a posição de que podemos travar estas forças quando não as desprezamos. Afirmar, mesmo em tom de bravata, que esse perigo é secundário, é, no mínimo ingénuo, e na verdade derrotista.

Há forças para os travar. Vejamos a resposta do movimento feminista e do Black Lives Matter (BLM) contra Trump; do movimento feminista “Ele não” contra Bolsonaro. Ou, noutra escala e em termos eleitorais, a votação na Ana Gomes nas eleições presidenciais de 2020. Há forças sociais para travar o neofacismo. 

Para a esquerda poder vencer a luta contra a extrema-direita, é importante colocar-se no sítio certo, ou seja, identificar a extrema-direita como o principal perigo no mundo e posicionar-se na primeira linha de combate. Aliás, fazê-lo é a única forma de impedir que as forças do centro se alimentem do legítimo receio popular face ao neofascismo — combater a extrema-direita não é capitular ao centrão, é antes a forma de o esvaziar. É também fundamental trabalhar-se a favor da unidade da classe trabalhadora e, consequentemente, dos seus representantes na luta contra a extrema-direita.

A transformação da democracia num regime autoritário é um processo, não é algo instantâneo. Benito Mussolini, só procedeu à mudança de regime depois de estar oito anos no poder.

Há que dar respostas concretas aos problemas relacionados com o custo de vida, habitação, saúde, educação dos trabalhadores, mas também fazer a disputa ideológica sobre temas como o racismo, a LGBTfobia e o machismo que conspurcam as mentes de milhões de trabalhadores. Combater as ideologias dominantes e reacionárias será fulcral para conseguirmos unificar as classes populares trabalhadoras. Porque são estas ideias que dividem a classe trabalhadora, há então que fazer a disputa ideológica sem medo. A luta contra as desigualdades sociais, pelo salário e em defesa dos serviços públicos é, de facto, essencial. Mas o mero economicismo ou o sindicalismo não são suficientes. 

Isto porque a saída neofascista para a crise também dá, em certa medida, resposta a estes problemas: acirram os ódios mas, no final, governa para a mesma minoria abastada de sempre. “Não há emprego e serviços públicos para todos, sacrifiquemos uma parte — as mulheres, os imigrantes, as pessoas LGBT, o planeta — para salvar o cidadão de bem e as famílias tradicionais!” A este mote só se responde mobilizando as “minorias” excluídas, criando uma maioria social, nas ruas, nos sindicatos, nas associações, nas escolas e universidades.

A luta contra a extrema-direita será certamente dura e longa, mas é fundamental para mantermos (e aprofundarmos) os direitos políticos e económicos mais elementares, da esquerda, da nossa espécie e do planeta. Tendo este ponto assente, não há fatalismo que nos detenha.

* Ativista e militante de esquerda. Licenciado e Mestre em Economia. Professor de Economia no Secundário. Participou nos movimentos sociais contra a Troika.

at janeiro 06, 2024 

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terça-feira, 2 de janeiro de 2024

Artur Queiroz - Quando For Grande Quero Ser Historiador

segunda-feira, 1 de janeiro de 2024

* Artur Queiroz


Se eu tivesse formação em História fazia tudo para que o Presidente João Lourenço compreendesse a diferença entre a notícia e narrativa histórica. A mensagem informativa só existe se tiver actualidade. O tempo é a sua marca distintiva. Os fragmentos de informação, devidamente recortados, são a matéria-prima. Os jornalistas sabem fazer isso. Os repórteres vão mais longe contando como aconteceu e porque aconteceu. Os jornalistas trabalham o acontecimento. 

Os historiadores consultam pacientemente as fontes. Mergulham no passado longínquo, usando ferramentas que permitam estudar o Homem e as suas actividades no tempo e no espaço. Analisam cientificamente processos ocorridos no passado. A História não é o tempo real dos meios audiovisuais. Não é o dia dos jornais diários. Não é a semana dos semanários. Não é o directo da Rádio e da Televisão. 

Se já soubesse estas coisinhas, o Presidente João Lourenço nunca teria dito que a guerra na Ucrânia começou no dia 24 de Fevereiro de 2022. Isso dizia eu, que sou repórter e mesmo a cair da tripeça ainda vivo em cima do acontecimento, sempre pronto para a notícia e a reportagem. Mesmo nessa pele velha e endurecida, se produzisse uma mensagem informativa sobre o acontecimento, sempre referia como lastro e “enquadramento” os movimentos “Euromaidan” em Kiev, iniciados no ano de 2014 e orquestrados pela CIA. O golpe de estado que depôs o presidente eleito, Viktor Yanukovych.

Eu, repórter, ao noticiar os acontecimentos ocorridos no dia 24 de Fevereiro na Ucrânia, dedicava pelo menos um parágrafo ao massacre da Casa dos Sindicatos em Odessa, executado pelos grupos de extrema-direita, assumidamente nazis. Referia a guerra no Donbass contra as autoproclamadas repúblicas de Donetsk e de Luhansk. Fazia uma referência ao relatório da Agência da ONU para os Direitos Humanos que denunciou uma limpeza étnica de hordas nazis no Leste da Ucrânia. Em Kiev mandam os nazis do Sector Direita, Bandera e Batalhão Azov. Referia os Acordos de Minsk e como eles foram rasgados.

Um repórter decente não produzia uma mensagem informativa sobre a “guerra na Ucrânia” sem referir o avanço das bases da OTAN (ou NATO) rumo às fronteiras da Federação Russa. Apesar da guerra, já chegaram à fronteira com a Finlândia e brevemente com a Suécia, tornando o Mar Báltico um espaço exclusivo do bloco militar ao serviço dos EUA. Um historiador medíocre, com o diploma comprado no Mercado dos Congoleses, ao pronunciar-se sobre a “operação militar especial” iniciada em 24 de Fevereiro de 2022 pelas tropas russas, só escrevia sobre o assunto, indo às origens do conflito.

Um político decente só abre a boca sobre a guerra na Ucrânia depois de cruzar as fontes, consultar documentos e recolher testemunhos. Só assim pode falar dessa carnificina com propriedade e devidamente informado. A não ser que seja boca de aluguer do estado terrorista mais perigoso do mundo, da União Europeia, da OTAN (ou NATO) e do Reino Unido, a coligação que assumidamente quer infringir à Federação Russa “uma derrota estratégica”. Fica mal a qualquer Chefe de Estado desempenhar esse papel. E particularmente ao Presidente da República de Angola. Quanto mais não seja, por uma questão de respeito pelos 48 anos de Independência Nacional e os 13 anos de Luta Armada de Libertação. 
O Presidente João Lourenço desejou paz na República Democrática do Congo, no Sudão, na Ucrânia, na Palestina e em Israel. A Federação Russa foi excluída. Se eu fosse seu assessor ou consultor explicava-lhe que essa exclusão é ofensiva e inamistosa para o Povo Russo, que tanto deu ao Povo Angolano durante a primeira e a segunda Luta Armada de Libertação Nacional e na Guerra pela Soberania e Integridade Territorial.

Os russos são vítimas de uma guerra imposta pelo “ocidente alargado” por procuração passada à Ucrânia. Atenção! Os mentores dessa agressão anunciaram que o objectivo é infringir ao país amigo do Povo Angolano uma “derrota estratégica”. Qualquer político medíocre, mesmo o Adalberto da Costa Júnior e todos os outros sicários da UNITA, sabe o que isso significa: Pôr fim à existência da Federação Russa. João Lourenço está do lado errado da História. Colocou Angola e o Povo Angolano contra os amigos de sempre e ao lado dos inimigos que hoje fingem ser “parceiros estratégicos”.

João Lourenço desejou paz na Palestina e em Israel. Esta parte é inexplicável. Incompreensível. Mas fazendo um esforço chego a esta conclusão: O Presidente da República persiste no erro de olhar para a História como se tratasse do ontem. No dia 7 de Outubro, combatentes palestinos atacaram unidades militares e estruturas militarizadas (Kibutz) em Israel e já está! Começou uma guerra entre Israel e a Palestina. 

Marcelo Rebelo de Sousa disse ao embaixador da Palestina em Lisboa: “Foram vocês que começaram a guerra no dia 7 de Outubro”. Quando ele era menino os fascistas, em casa, na rua, na escola, na sacristia, fizeram-lhe a cabeça, é natural que pense assim. Mas João Lourenço é uma vítima do colonialismo e do imperialismo. Ouvi dizer que tem uma licenciatura em História. Por essas e por outras devia saber que a guerra entre Israel e a Palestina começou há mais de 70 anos. Israel ocupa a Palestina há quase 60 anos! 

Os nazis de Telavive fizeram da Faixa de Gaza uma imensa prisão a céu aberto. Instalam “colonatos” na Cisjordânia. Rasgaram o Acordo de Oslo. Com a tomada de posse do actual governo, dominado por sionistas nazis, foi posta em marcha uma operação para expulsar os palestinos de Gaza e da Cisjordânia. A resistência era inevitável. 

Depois do dia 7 de Outubro, os nazis de Telavive cortaram a água, energia, medicamentos, energia e alimentação à Faixa de Gaza. Estão a matar milhões de palestinos à fome, à sede, com doenças. Bombardeiam diariamente o território sabendo que uma bomba que cai na região mata seguramente civis indefesos. Fazem incursões nos campos de refugiados, matando mulheres e crianças. Matam jornalistas para não existirem testemunhas. Matam funcionários da ONU deliberadamente porque o secretário-geral não se calou ante o genocídio em curso. Matam médicos e outro pessoal da Saúde. 

Israel ocupa a Palestina. Israel extermina os palestinos. Israel tem legislação que oficializa um regime de apartheid. Só por sabujice alguém deseja paz aos genocidas e às suas vítimas. Só obedecendo cegamente aos amos de Washington um político ofende tão cruelmente um povo vítima da ocupação estrangeira. Os ocupantes em menos de três meses já mataram 21 mil civis indefesos, mais de 70 por cento crianças e Mamãs.

O Governo da África do Sul, em sentido contrário, apresentou uma queixa contra Israel no Tribunal Internacional de Justiça das Nações Unidas por violação das obrigações que constam na Convenção sobre a Prevenção e Punição do Crime de Genocídio. As voltas que o mundo dá! Os angolanos em armas ajudaram Namíbia, Zimbabwe e África do Sul a libertarem-se do criminoso regime de apartheid. Hoje os sul-africanos libertados dão-nos lições de dignidade e de como respeitar a Liberdade e os Direitos Humanos.

Com a conivência dos poderes públicos, o embaixador de Israel em Angola, Shimon Solomon, faz propaganda do regime nazi e apartheid de Telavive. Qual não foi o meu espanto quando vi na manchete do Jornal de Angola “online” esta notícia: “Embaixada de Israel em Angola e IESA Preparam Acordo de Cooperação”. 

A Igreja Evangélica Sinodal de Angola (IESA) e os nazis de Telavive, segundo o Jornal de Angola, “vão dinamizar projectos sociais nas comunidades”. E transportar para Angola as experiências dos genocidas. Esta é a resposta à recente declaração da direcção do MPLA na qual se solidariza com a Palestina. Não é melhor explicar ao Presidente Lourenço que Angola é um país independente há 48 anos? Nem o sobado do Dambi alinha em tão graves irresponsabilidades.

Feliz Ano Novo. Estou em festa, Mais um dia de vida!

* Jornalista

at janeiro 01, 2024 

terça-feira, 14 de novembro de 2023

André Mitrovica - NUNCA ESQUEÇA QUE É AGORA - aos cúmplices dos crimes israelitas


terça-feira, 14 de novembro de 2023

NUNCA ESQUEÇA QUE É AGORA - aos cúmplices dos crimes israelitas


Presidentes e primeiros-ministros cúmplices dos crimes israelitas esperam que esqueçamos. Mas não o faremos.

André Mitrovica* | Al Jazeera | opinião | # Traduzido em português do Brasil

É um momento quase sagrado, em que somos obrigados a fazer uma pausa e a reflectir sobre a perda e o sacrifício e a agradecer, entre outros, aos restantes sobreviventes e aos mortos honrados – muitos dos quais lutaram contra os agentes fascistas do Holocausto.

Foram sobretudo homens e mulheres comuns, oriundos de lugares bastante comuns, que fizeram a coisa certa e necessária quando o momento urgente exigia a derrota de um regime e de uma ideologia rançosos que não só tinham de ser vencidos, mas também erradicados.

Assim, um dia por ano, aplaudimos os homens e mulheres comuns de lugares comuns que ainda estão vivos enquanto marcham juntos cautelosamente para prestar homenagem silenciosa aos seus camaradas de armas enterrados em lugares distantes, onde morreram salvando outros e fazendo história .

A ironia, claro, é que os hipócritas que lideraram as cerimónias solenes deste fim de semana na Europa, na América do Norte e noutros lugares e que farão discursos reciclados sobre o imperativo de lembrar, agora querem que esqueçamos.

Mais do que isso, os presidentes e primeiros-ministros esperam que esqueçamos. Eles estarão, eu suspeito, contando com isso.

Estão convencidos de que, em breve, estaremos demasiado preocupados com as exigências e caprichos da vida para nos lembrarmos do que fizeram e deixaram de fazer neste momento urgente, quando confrontamos as flagrantes consequências humanas da desumanidade deliberada e sancionada pelo Estado.

Acima de tudo, estes presidentes e primeiros-ministros querem que esqueçamos a sua cumplicidade no genocídio que estamos a testemunhar ser cometido minuto após minuto, hora após hora, dia após dia, semana após semana, contra palestinianos presos na paisagem infernal destroçada e apocalíptica chamada Gaza e pouco a pouco, na Cisjordânia ocupada, por outro chamado “campeão da democracia”.

Os presidentes e primeiros-ministros querem que esqueçamos a carta branca que, durante décadas, garantiram ao seu querido amigo, Benjamin Netanyahu e a outros fanáticos primeiros-ministros israelitas, para matar tantos palestinianos quantos quiserem, quando quiserem, por contanto que eles queiram.

Os presidentes e primeiros-ministros querem que esqueçamos as peregrinações que fizeram recentemente a Tel Aviv para abraçar e apertar a mão de um assassino pomposo que tem um longo e odioso historial de ordenar a morte instantânea de palestinianos com balas, bombas e drones.

Os presidentes e primeiros-ministros querem que esqueçamos os seus sermões que nos acusam de “simpatizantes do terrorismo”, ao mesmo tempo que elogiam a determinação e a rectidão de um miserável sociopata que ordenou que os palestinianos fossem mortos lentamente, privando-os de água, alimentos e combustível.

Os presidentes e primeiros-ministros querem que esqueçamos as cenas terríveis do êxodo de centenas de milhares de palestinianos exaustos, forçados a fugir da morte certa a pé, em carruagens improvisadas e mulas durante quilómetros, com o pouco que pudessem carregar ou resgatar.

Os presidentes e primeiros-ministros querem que esqueçamos quando o seu querido amigo “democrático” bombardeou escolas, hospitais, ambulâncias e comboios de refugiados palestinianos esgotados que tentavam escapar à loucura assassina.

Os presidentes e primeiros-ministros querem que esqueçamos as imagens de crianças mortas e moles, retiradas dos restos arrasados ​​das suas casas, onde outrora dormiam, riam, brincavam e viviam e eram cuidadas por mães e pais amorosos que amavam em igual medida. .

Os presidentes e primeiros-ministros querem que esqueçamos os rostos e corpos carbonizados, ensanguentados e sujos de crianças assombradas nas macas dos hospitais, clamando às suas mães e babas que partiram por conforto contra a escuridão e o horror.

Os presidentes e primeiros-ministros querem que esqueçamos os babas soluçantes que carregam os corpos dos seus filhos envoltos em mortalhas brancas e as mães que choram sobre as suas sepulturas apressadas.

Os presidentes e primeiros-ministros querem que esqueçamos que disseram que os palestinianos mentiram sobre o número de irmãos e irmãs, incluindo bebés e crianças, mortos ou mutilados pelo seu querido amigo “democrático”, que uma legião de israelitas acredita ser um mentiroso habitual. , vigarista de carreira e autoritário arrogante.

Os presidentes e primeiros-ministros querem que esqueçamos que quando gritámos “pare” – uma e outra vez – eles disseram ao mentiroso habitual, ao vigarista de carreira e ao autoritário arrogante para continuar a matar palestinianos sempre que quiser, onde quiser, enquanto quiser. ele quer.

Mas tome nota: vamos lembrar.

Lembraremos o que estes presidentes e primeiros-ministros cúmplices – e os seus confederados na imprensa estabelecida – fizeram e o que não conseguiram fazer porque a decência e a nossa solidariedade permanente com os palestinianos e a sua justa causa insistem nisso.

Estes presidentes e primeiros-ministros míopes estão apenas começando a ver a amplitude verdadeira e duradoura do apoio que os palestinos desfrutam entre milhões de seus eleitores indignados que, na face inconfundível de um genocídio implacável, são levados a fazer algo sobre isso hoje e, certamente , amanhã.

Os presidentes e primeiros-ministros calcularam mal – mal. Julgaram mal a nossa determinação, o nosso compromisso e a nossa determinação de não sermos intimidados ou silenciados – hoje e, certamente, amanhã.

Eles não podem banir todos nós. Eles não podem prender todos nós. Nós somos os muitos desafiadores. Eles são os poucos covardes.

As velhas táticas não funcionam mais. Não seremos intimidados ou dissuadidos pelos astutos comerciantes de difamação em Israel ou pelos seus substitutos estúpidos dentro ou fora do Congresso ou do Parlamento que consideram os palestinianos como forragem descartável.

E tome nota: nós também agiremos.

Puniremos estes presidentes e nobres e os seus herdeiros rastejantes, negando-lhes o que eles mais valorizam – posição e poder.

Nós nos mobilizaremos. Nós nos organizaremos. Vamos canalizar a nossa indignação. Exercemos nosso arbítrio.

Também seremos pacientes.

Com o tempo, livrar-nos-emos destes presidentes e primeiros-ministros doentes e dos seus colaboradores, votando em defesa da humanidade e da Palestina – mesmo que a realização do nosso mandato seja rotulada como “calúnia de sangue” ou “anti-semita” pelos habituais e pedestres apologistas.

Escolheremos com sabedoria. Votaremos em candidatos que estejam do lado dos palestinianos, não apenas de forma retórica, mas tangível. Primeiro, exigindo um cessar-fogo. Depois, ajudando os palestinianos a reconstruir a sua casa ancestral ocupada e destruída pelo exército mais imoral do mundo.

Nós, em sua maioria pessoas comuns de lugares comuns, nunca esqueceremos.

Colunista da Al Jazeera e mora em Toronto.

Imagem: O presidente dos EUA, Joe Biden, abraça o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, durante uma visita a Tel Aviv em 18 de outubro [Arquivo: Evelyn Hockstein/Reuters]

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