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terça-feira, 22 de setembro de 2015

o outono na poesia

•     Olavo Bilac - Em Uma Tarde de Outono
•     Eugénio de Andrade - Outono
  • David Mourão-Ferreira Seria Outono aquele dia…
  • Mário Quintana - Canção de Outono
  • Cecília Meireles - Canção de Outono
  • Fernando Pessoa - Uma névoa de Outono o ar raro vela,
  • Alice Gomes -  Chegou o outono –
  • Miguel Torga – Outono
  • Ricardo Reis - Quando, Lídia, vier o nosso Outono
  • Paul Verlaine  -  chanson d'automne
  • Florbela Espanca - Outonal

·         Olavo Bilac
Em Uma Tarde de Outono

Outono. Em frente ao mar. Escancaro as janelas 
Sobre o jardim calado, e as águas miro, absorto. 
Outono... Rodopiando, as folhas amarelas 
Rolam, caem. Viuvez, velhice, desconforto... 

Por que, belo navio, ao clarão das estrelas, 
Visitaste este mar inabitado e morto, 
Se logo, ao vir do vento, abriste ao vento as velas, 
Se logo, ao vir da luz, abandonaste o porto? 

A água cantou. Rodeava, aos beijos, os teus flancos 
A espuma, desmanchada em riso e flocos brancos... 
Mas chegaste com a noite, e fugiste com o sol! 

E eu olho o céu deserto, e vejo o oceano triste, 
E contemplo o lugar por onde te sumiste, 
Banhado no clarão nascente do arrebol... 

Olavo Bilac, in "Poesias" 

·         Eugénio de Andrade
Outono

O outono vem vindo, chegam melancolias,
cavam fundo no corpo,
instalam-se nas fendas; às vezes
por aí ficam com a chuva
apodrecendo;
ou então deixam marcas; as putas,
difíceis de apagar, de tão negras,
duras.

Eugénio de Andrade, in 'O Outro Nome da Terra' 

·         David Mourão-Ferreira
Seria Outono aquele dia…

"Mas quem diria ser Outono
se tu e eu estávamos lá?
(Tínhamos sono... Tanto sono!
É bom dormir ao deus-dará...)
E sobre o banco do jardim,
ante a cidade, o cais e o tejo,
seria bom dormir assim,
ao deus-dará, como eu desejo...
Mas o teu seio é que não quis:
tremeu demais sob o meu rosto...
Seria Outono aquele dia,
nesse jardim doce e tranquilo...?
Seria Outono...
Mas havia
todo o teu corpo a desmenti-lo."

David Mourão Ferreira 

·         Mário Quintana
Canção de Outono

O outono toca realejo
No pátio da minha vida.
Velha canção, sempre a mesma,
Sob a vidraça descida…
Tristeza? Encanto? Desejo?
Como é possível sabê-lo?
Um gozo incerto e dorido
De carícia a contrapelo…
Partir, ó alma, que dizes?
Colher as horas, em suma…
Mas os caminhos do Outono
Vão dar em parte nenhuma!


* Cecília Meireles
Canção de Outono

Perdoa-me, folha seca, 
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo, 
e até do amor me perdi.
De que serviu tecer flores
pelas areias do chão 
se havia gente dormindo 
sobre o próprio coração?

E não pude levantá-la!
Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando aqueles 
que não se levantarão...

Tu és folha de outono 
voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
- a melhor parte de mim.
E vou por este caminho,
certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão.
.
  
Cecília Meireles MEIRELES, C. Poesia completa: Volume 2. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2001.


·         Fernando Pessoa 
Uma névoa de Outono o ar raro vela,

Uma névoa de Outono o ar raro vela,
Cores de meia-cor pairam no céu.
O que indistintamente se revela,
Árvores, casas, montes, nada é meu.
Sim, vejo-o, e pela vista sou seu dono.
Sim, sinto-o eu pelo coração, o como.
Mas entre mim e ver há um grande sono.
De sentir é só a janela a que eu assomo.
Amanhã, se estiver um dia igual,
Mas se for outro, porque é amanhã,
Terei outra verdade, universal,
E será como esta               [...]



·         ALICE GOMES
CHEGOU O OUTONO –

Chega o outono!
As andorinhas
despedem-se das outras avesinhas
e vão pelos ares fora
vão-se embora
embora?
Não!
Que voltam, voltarão...
Quando a bela estação
da Primavera
que antecede ao Verão
oferecer melhor vida.
Não têm agasalhos nem comida,
vão para terras quentes
à procura do sol que as consola
Mas nós, crianças,
nós,
todos contentes
partimos para a escola.

ALICE GOMES


* Miguel Torga
Outono

Tarde pintada
Por não sei que pintor.
Nunca vi tanta cor...
... Tão colorida!
Se é de morte ou de vida,
Não é comigo.
Eu, simplesmente, digo
Que há fantasia
Neste dia,
Que o mundo me parece
Vestido por ciganas adivinhas,
E que gosto de o ver, e me apetece
Ter folhas, como as vinhas.


  
* Ricardo Reis 
Quando, Lídia, vier o nosso Outono


Quando, Lídia, vier o nosso Outono
Com o Inverno que há nele, reservemos
Um pensamento, não para a futura
Primavera, que é de outrem,
Nem para o Estio, de quem somos mortos,
Senão para o que fica do que passa
O amarelo actual que as folhas vivem
E as torna diferentes.

Odes

Paul Verlaine
CHANSON D'AUTOMNE

Les sanglots longs
Des violons
     De l'automne
Blessent mon coeur
D'une langueur
     Monotone.
Tout suffocant
Et blême, quand
     Sonne l'heure,
Je me souviens
Des jours anciens
     Et je pleure.
Et je m'en vais
Au vent mauvais
     Qui m'emporte
Deçà, delà,
Pareil à la

     Feuille morte.



Florbela Espanca
Outonal

Caem as folhas mortas sobre o lago;
Na penumbra outonal, não sei quem tece
As rendas do silêncio… Olha, anoitece!
- Brumas longínquas do País do Vago…

Veludos a ondear… Mistério mago…
Encantamento… A hora que não esquece,
A luz que a pouco e pouco desfalece,
Que lança em mim a bênção dum afago…

Outono dos crepúsculos doirados,
De púrpuras, damascos e brocados!
- Vestes a terra inteira de esplendor!

Outono das tardinhas silenciosas,
Das magníficas noites voluptuosas
Em que eu soluço a delirar de amor…


(Florbela Espanca, «Charneca em Flor», in «Poesia Completa»)

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Paul Verlaine CHANSON D'AUTOMNE


          Paul Verlaine
Les sanglots longs
Des violons
     De l'automne
Blessent mon coeur
D'une langueur
     Monotone.
Tout suffocant
Et blême, quand
     Sonne l'heure,
Je me souviens
Des jours anciens
     Et je pleure.
Et je m'en vais
Au vent mauvais
     Qui m'emporte
Deçà, delà,
Pareil à la
     Feuille morte.

CANÇÃO DO OUTONO
          Tradução: Alphonsus de Guimaraens
Alphonsus de Guimaraens - (Ouro Preto, 1870-Mariana, 1921). Advogado e poeta, foi um dos principais nomes do simbolismo basileiro, com uma poesia de traços místico-católicos.
Os soluços graves 
Dos violinos suaves 
     Do outono 
Ferem a minh'alma 
Num langor de calma 
     E sono. 
Sufocado, em ânsia, 
Ai! quando à distância 
     Soa a hora, 
Meu peito magoado 
Relembra o passado 
     E chora. 
Daqui, dali, pelo 
Vento em atropelo 
     Seguido, 
Vou de porta em porta, 
Como a folha morta 
     Batido... 

CANÇÃO DO OUTONO
          Tradução: Onestaldo de Pennafort
Onestaldo de Pennafort - (Rio de Janeiro, 1902-idem, 1987). Poeta, jornalista e tradutor. A ele Carlos Drummond de Andrade dedicou o poema "Dentaduras Duplas", do livro Sentimento do Mundo (1940).
Os longos sons 
dos violões,
     pelo outono, 
me enchem de dor
e de um langor 
     de abandono.
E choro, quando 
ouço, ofegando,
     bater a hora, 
lembrando os dias,
e as alegrias 
     e ais de outrora.
E vou-me ao vento 
que, num tormento,
     me transporta 
de cá pra lá,
como faz à 
     folha morta.
CANÇÃO DE OUTONO
          Tradução: Guilherme de Almeida
Guilherme de Almeida - (Campinas, 1890-São Paulo, 1969). Advogado, jornalista, poeta e tradutor. Traduziu 21 poemas de As Flores do Mal e publicou-os no volume Flores das Flores do Mal.
Estes lamentos
Dos violões lentos
     Do outono
Enchem minha alma
De uma onda calma
     De sono.
E soluçando,
Pálido, quando
     Soa a hora,
Recordo todos
Os dias doidos
     De outrora.
E vou à toa
No ar mau que voa.
     Que importa?
Vou pela vida,
Folha caída
     E morta.

CANÇÃO DE OUTONO
          Tradução: Paulo Mendes Campos
Paulo Mendes Campos - (Belo Horizonte, 1922-Rio de Janeiro, 1991). Poeta, jornalista e grande cronista, também traduzia poemas e os divulgava em suas crônicas.
Os longos trinos
Dos violinos
     Do outono
Ferem minh'alma
Com uma calma
     Que dá sono.
Ao ressoar
A hora, alvar,
     Sufocado,
Choro os errantes
Dias distantes
     Do passado.
E em remoinho,
O ar daninho
     Me transporta
De cá pra lá,
De lá pra cá,
     Folha morta.
CANÇÃO DE OUTONO
          Tradução: Nelson Ascher
Nelson Ascher - (São Paulo, 1958). Jornalista, poeta, tradutor e crítico literário. Tem traduções poéticas reunidas nos volumes O Lado Obscuro (1996) e Poesia Alheia (1998).
Violinos com
seu choro assom-
     bram o outono
e eu, corpo mor-
to de torpor,
     me abandono.
Quase sem ar,
desmaio ao soar
     da hora enquanto,
lembrando em vão
os dias de então,
     caio em pranto.
E o vento cruel
leva-me ao léu
     pouco importa
aonde, em vaivém,
vago que nem
     folha morta.

O cantor francês Charles Trénet interpreta a Chanson d'Automne, musicada por ele, na gravação original de 1940:




F
onte: poesia.net
 http://www.vermelho.org.br/noticia/244868-11

quinta-feira, 16 de maio de 2013

poesia de Paul Verlaine




Il pleut dans mon coeur...
Paul Verlaine (1844-1896)

Il pleut doucement sur la ville.
Arthur Rimbaud


Il pleure dans mon coeur
Comme il pleut sur la ville,
Quelle est cette langueur
Qui pénètre mon coeur ?

Ô bruit doux de la pluie
Par terre et sur les toits !
Pour un coeur qui s'ennuie
Ô le chant de la pluie !

Il pleure sans raison
Dans ce coeur qui s'écœure.
Quoi ! nulle trahison ?
Ce deuil c'est sans raison.

C'est bien la pire peine
De ne savoir pourquoi,
Sans amour et sans haine,
Mon coeur a tant de peine !


Llora en mi corazón...

Llueve suavemente sobre la ciudad
Arthur Rimbaud

Llora en mi corazón
Como llueve sobre la ciudad
¿Qué es esta desazón
Que penetra mi corazón?

Ay, ruido dulce de la lluvia
Por la tierra y sobre los techos
Para un corazón que es abulia
Ay, el canto de la lluvia

Llora y no hay razón
En este corazón que siente asco
¡Qué! ¿Ninguna traición?
Este duelo se da sin razón

Y es así de todos el peor dolor
De no saber por qué
Sin amor y sin rencor
Mi corazón tiene tanto dolor

Libellés : 


Même Féerie 
Paul Valéry (1871-1945)

La lune mince verse une lueur sacrée,
Comme une jupe d'un tissu d'argent léger,
Sur les masses de marbre où marche et croit songer
Quelque vierge de perle une gaze nacrée.

Pour les cygnes soyeux qui frôlent les roseaux
De carènes de plume à demi lumineuse,
Sa main cueille et dispense une rose neigeuse
Dont les pétales font des cercles sur les eaux.

Délicieux désert, solitude pâmée,
Quand le remous de l'eau par la lune lamée
Compte éternellement ses échos de cristal,

Quel coeur pourrait souffir l'inexorable charme
De la nuit éclatante au firmament fatal,
Sans tirer de soi-même un cri pur comme une arme?


Encantamiento

Vierte la luna débil sus albores sagrados
como una basquiña ,de vaporoso argento
sobre moles de mármol que cruza el soñoliento
paso de alguna virgen en velos nacarados.

A los cisnes sedeños que abren los juncales
con su quilla de pluma donde la luz reposa
les deshoja su mano la más nevada rosa,
y en el agua los pétalos difunden espirales.

Soledad extasiada, dulcificante duna,
cuando el agua hervorosa bruñida por la luna
sus voces cristalinas sin término propaga,

-¿qué alma padeciera la magia inexorable
de la rútila noche con su cielo implacable
sin exhalar un grito puro como una daga?

Versión de Carlos López Narváez
Libellés : 

Les pas
Paul Valéry (1871-1945)

Tes pas, enfants de mon silence,
Saintement, lentement placés,
Vers le lit de ma vigilance
Procèdent muets et glacés.

Personne pure, ombre divine,
Qu'ils sont doux, tes pas retenus
!Dieux !... tous les dons que je devine
Viennent à moi sur ces pieds nus !

Si, de tes lèvres avancées,
Tu prépares pour l'apaiser,
A l'habitant de mes pensées
La nourriture d'un baiser,

Ne hâte pas cet acte tendre,
Douceur d'être et de n'être pas,
Car j'ai vécu de vous attendre,
Et mon coeur n'était que vos pas


Los pasos


Pasos nacidos de un silencio
tenue, sagradamente dados,
hacia el recinto de mis sueños
vienen tranquilos, apagados.

Rumores puros y divinos,
todos los dones que descubro
-¡oh blandos pasos reprimidos!-
llegan desde tus pies desnudos.

Si en el convite de tus labios
ecoge para su sosiego
mi pensamiento -huésped ávido-
el vivo manjar de tu beso.

Avanza con dulzura lenta,
con ternura de ritmos vagos:
como ha vivido de tu espera,
mi corazón marcha en tus pasos.
Libellés : 


allade de la mauvaise réputation 
Paul Verlaine (1844-1896)

Il eut des temps quelques argents
Et régla ses camarades
D'un sexe ou deux, intelligents
Ou charmants, ou bien les deux grades,
Si que dans les esprits malades
Sa bonne réputation
Subit que de dégringolades!
Lucullus? Non. Trimalcion.

Sous ses lambris, c'étaient des chants
Et des paroles point trop fades.
Eros et Bacchos indulgents
Présidaient à ces sérénades
Qu'accompagnaient des embrassades.
Puis choeurs et conversation
Cessaient pour des fins peu maussades.
Lucullus? Non. Trimalcion.
L'aube pointait et ces méchants
La saluaient par cent aubades
Qui réveillaient au loin les gens
De bien, et par mille rasades.
Cependant de vagues brigades
- Zèle ou dénonciation -
Verbalisaient chez des alcades.
Lucullus? Non. Trimalcion.


Balada de la mala reputación

A veces tuvo algún dinero
e invitó a sus camaradas
de un sexo o de dos, inteligentes
o encantadores, o bien ambas cosas,
sin que en los espíritus enfermos
su buena reputación
sufriese más que tropezones.
¿ Lúculo ? No, ¡Trimalción !

Bajo sus artesonados, cantos
y palabras nada insípidas,
Eros y Baco, indulgentes,
Presidían aquellas serenatas
Acompañadas por abrazos.
Luego, coros y conversaciones
Cesaban para unos fines poco severos.
¿ Lúculo ? No, ¡Trimalción !
El alba despuntaba y aquellos malvados
la saludaban con cien alboradas
que despertaban, y con mil brindis,
de lejos a las gentes de bien.
Sin embargo, vagos brigadas
-¿ celo o denuncia ? -
verbalizaban en las alcaldías.
¿ Lúculo ? No, ¡Trimalción !

Libellés : 

Promenade sentimentale 
Paul Verlaine (1844-1896)

Le couchant dardait ses rayons suprêmes
Et le vent berçait les nénuphars blêmes ;
Les grands nénuphars entre les roseaux
Tristement luisaient sur les calmes eaux.
Moi j'errais tout seul, promenant ma plaie
Au long de l'étang, parmi la saulaie
Où la brume vague évoquait un grand
Fantôme laiteux se désespérant
Et pleurant avec la voix des sarcelles
Qui se rappelaient en battant des ailes
Parmi la saulaie où j'errais tout seul
Promenant ma plaie ; et l'épais linceul
Des ténèbres vint noyer les suprêmes
Rayons du couchant dans ses ondes blêmes
Et des nénuphars, parmi les roseaux,
Des grands nénuphars sur les calmes eaux.


Paseo sentimental

El ocaso lanzaba sus rayos supremos
Y el viento mecía los nenúfares pálidos;
Los grandes nenúfares, entre las cañas,
Lucían tristemente sobre las aguas quietas.
Yo, erraba solo, paseando mi llaga
A lo largo del estanque, entre los sauces
Donde la vaga bruma evocaba un gran
Fantasma lechoso desesperándose
Y llorando con la voz de los ánades
Que se llaman batiendo sus alas
Entre los sauces donde yo erraba solo
Paseando mi llaga; y la espesa mortaja
De las tinieblas vino a ahogar los supremos
Rayos del ocaso en esas olas pálidas
De los nenúfares entre las cañas,
Los grandes nenúfares sobre las aguas quietas.
Libellés : 





quarta-feira, 21 de abril de 2010

VERLAINE : Chanson d'automne (Poèmes saturniens/paysages tristes V 1866)


Poème
Chanson d'automne

" Chanson d'automne " est le cinquième poème de la troisième section "paysages tristes" des Poèmes saturniens.
Les sanglots longs
Des violons
  De l'automne
Blessent mon cœur
D'une langueur
   Monotone.
Tout suffocant
Et blême, quand
  Sonne l'heure,
Je me souviens
Des jours anciens

  Et je pleure
Et je m'en vais
Au vent mauvais
  Qui m'emporte
Deçà, delà,
Pareil à la
   feuille morte

.
Dans ce poème Verlaine tente d'exorciser par la musique l'inquiétude de son âme. Mais dans ce poème, la tristesse est plus précise : nostalgie du passé, inquiétude de se sentir emporté, sans pouvoir réagir par "un vent mauvais". Le rythme traduit ce sentiment complexe fait d'angoisse et d'abandon, par le jeu délicat des vers de trois et quatre syllabes. Ces mètres courts donnent à la rime qui revient à intervalles réguliers, des résonances particulièrement suggestives.

Plan de commentaire
.
I-De la musique avant toute chose
- Un rythme propre à la chanson
Le rythme 4/4/3 qui sous-tend tout le poème fait sa spécificité et son originalité. Les vers courts sont rares en poésie. En recourant au vers court, Verlaine fait resurgir un rythme que l'inconscient reconnaît comme une chanson " Au clair de la lune/Mon ami Pierrot (5/5) ".
- Une recherche de sonorités
Aux sonorités sourdes adoucies de nombreuses liquides " l ", " m ", " n ", de la première strophe
- Un vocabulaire musical
Les violons au 2ème vers rappellent qu'il s'agit d'une chanson. Par delà la musicalité des mots, le vocabulaire est simple, sans artifice comme celui d'une chanson populaire.
.
II- Un poème emblématique
- La mélancolie
C'est l'automne qui sert de prétexte à la mélancolie du poète et tisse un lien étroit entre le paysage et l'âme du poète. Le paysage extérieur (l'automne) et le paysage intérieur (l'âme) finiront par se rejoindre au dernier vers, " Pareil à la feuille morte ". La fusion est consommée.
- La fatalité
La dernière strophe est marquée par la disparition progressive du poète. Le " je " du vers 13 qui commande l'action s'efface au vers 15 " qui m'emporte ". Le poète se dissout dans le paysage pour ne faire plus qu'un avec lui et disparaître sans bruit dans le souffle ultime du e muet " feuille mort(e) ". Mais le départ du narrateur ne résulte pas d'une décision volontaire, mais d'une volonté supérieure à laquelle il se soumet. " Je m'en vais " ne signifie pas " je pars " mais " je me laisse aller " où le vent me mène, je me laisse porter par le courant, " le vent mauvais " qui m'emporte. La fatalité est un thème cher à Verlaine qui a toujours l'impression d'être gouverné par une mauvaise planète, Saturne, qui ne lui laisse aucune trêve et l'empêche d'être heureux. " deçà, delà " peuvent donc apparaître comme les images zigzagantes d'un homme ivre pour qui la boisson est hélas la fatalité.
- La fuite en avant
La 2ème strophe souligne la tentation de la mémoire et des souvenirs comme remède à la fuite du temps. 
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III- Le paysage verlainien
Chanson d'automne est un poème en demi-teintes, tel que les affectionnait Verlaine ou l'éphémère côtoie l'indéfini, où les contours se diluent dans la brume des larmes et où le paysage s'efface pour envoyer le reflet torturé d'une conscience tourmentée et indécise.
- L'impressionnisme

L'automne est ici dépeinte par l'impression qu'elle dégage plutôt que par la réalités des couleurs de la nature en cette saison. Chanson d'automne suggère le paysage plus qu'il ne le décrit, esquisse plus qu'il ne peint. Chanson d'automne est un poème de la sensation, du non-dit, de l'inexprimable.
- Le paysage est un état d'âme
L'automne devient un paysage et un lien s'établit entre la saison qui précède la fin de l'année et ce qui prélude à la fin d'une vie. Ce n'est pas l'automne avec ses connotations positives de récoltes et de flamboiement de la nature mais une fin mélancolique, angoissante comme une mort.
- La rime : le miroir des sensations

Le poème se compose de trois strophes de six vers selon une combinaison de rimes appelée rythmus tripertitus, la même rime se répétant après un groupe de deux vers. Toute la subtilité du poème réside dans ce côté répétitif de ce vers de trois syllabes dont l'isolement reflète l'incertitude du poète, son angoisse et sa solitude. C'est une musique trébuchante, une mélodie de fausses notes où la plainte se fait peu à peu silence.
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CONCLUSION
On retrouve dans chanson d'automne le thème du poète incompris , confronté à un sort qui lui est contraire et ballotté dans un monde qui lui est hostile. Verlaine se cache ici derrière une saison pour nous donner le reflet de son état d'âme.
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._____
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Radio Londres

Un article de Wikipédia, l'encyclopédie libre.

Page d'aide sur les redirections Pour la radio pirate des années 1960, voir Radio London.
« Ici Londres ! Les Français parlent aux Français... »
En 1940, la BBC ouvre ses ondes aux premiers résistants qui ont fui l'occupation allemande. Radio Londres est née et va devenir le rendez-vous quotidien des Français pendant quatre ans avec l'émission « Les Français parlent aux Français ». Rompant avec le style emphatique de la radio française, de jeunes chroniqueurs (Jacques Duchesne, Jean Oberlé, Jean-Louis Crémieux-Brilhac, Pierre Bourdan et Pierre Dac) insufflent un ton nouveau sur l'antenne et inventent la radio de proximité avec messages personnels, sketches, chansons, blagues et publicités détournées. S'ouvre alors une guerre redoutable contre Radio Paris ou Radio Vichy, démagogiques et ouvertement antisémites. Preuve de son succès : les Allemands la font interdire, confisquent les postes et punissent lourdement les auditeurs. Car Radio Londres est devenue une véritable arme de guerre. Elle est également avec l'émission « Honneur et Patrie » et Maurice Schumann[1], la voix de la France libre du général de Gaulle qui, dès le 18 juin, a appelé ses compatriotes à résister : en encourageant les Français à s'insurger contre l'occupant, il entend contrer l'intox des radios collabos. En 1944, le triomphe des Alliés sonne la fin de l'épopée Radio Londres.

Sommaire


Messages personnels 

« Veuillez écouter tout d'abord quelques messages personnels. »

Messages en clair 

Dans un premier temps, les messages personnels diffusés par la BBC permirent aux soldats séparés de leur famille et de leurs proches d'échanger des nouvelles.

Messages codés  

Tout le monde a déjà entendu ces fameux messages codés, souvent amusants, sortant de tout contexte. Mais derrière ces phrases, se cache une signification importante, telle que :
  • transmettre un mot d'ordre, dans le cadre de la préparation d'opérations de résistance,
  • accuser réception d'envois en provenance du terrain ;
  • communiquer une information secrète sur l'action ;
  • remercier ou féliciter les agents pour leur action ;
  • permettre aux agents sur le terrain d'apporter aux personnes avec qui ils sont en contact la preuve de leur authenticité et de leur sincérité ;
  • leurrer l'ennemi : noyés sous le flot des messages, les services de renseignements allemands étaient occupés, pouvant aussi bien se concentrer sur des opérations fictives aux contours indéfinis que de passer à côté de messages importants. En effet, les Nazis ne disposaient pas d'un nombre infini de postes radios ni d'un nombre d'opérateurs suffisant.
L'idée d'utiliser les messages personnels pour transmettre des messages codés est due à Georges Bégué, officier français du SOE (le service secret action britannique), premier agent de ce service parachuté en France en mai 1941.
.
Près de 2000 agents du SOE ont été envoyés en mission sur le continent, souvent par voie aérienne mais aussi par la mer. Beaucoup furent démasqués et exécutés.
.
Si les Français, et les réseaux de résistance notamment, étaient à l'écoute des messages codés, c'était aussi le cas des nazis et du régime de Vichy. L'occupant mit en place un système de brouillage, mais il ne parvint jamais à couvrir l'indicatif sonore emprunté à la 5e symphonie de Beethoven. En morse, cette mesure représente la lettre « V » pour victoire. Il n'arrivait que rarement à décrypter et à comprendre la nature des messages. Quand il y parvenait, l'opération commanditée dans ces messages avait déjà eu lieu ; il décida donc de lutter contre ces messages par un autre moyen.
Opération Overlord
Pour activer la résistance juste avant le débarquement en Normandie, plusieurs centaines de messages codés ont été diffusés par Radio-Londres :
  • le 1er juin, à titre de mise en alerte des réseaux,
  • le 5 juin, à 21 h 15, pour déclencher l'action la nuit même.
Comme exemple célèbre souvent cité, la première strophe du poème Chanson d'automne de Verlaine a été utilisée pour le plan rail du réseau VENTRILOQUIST de Philippe de Vomécourt en Sologne, sous une forme légèrement altérée : le 1er juin « Les sanglots longs des violons d’automne... » (Verlaine écrit : « ... de l'automne »), et le 5 juin « Bercent mon cœur d'une langueur monotone. » (Verlaine écrit : « Blessent mon cœur ... »)[2],[3]. Contrairement à une idée répandue, ces messages étaient bien destinés à VENTRILOQUIST uniquement, chaque réseau ayant reçu deux messages spécifiques.

Notes, sources et liens externes 

Notes

  1. http://www.marianne2.fr/Histoire-les-deux-Radio-Londres_a151114.html [archive]
  2. Source : Foot, Des Anglais dans la Résistance, Tallandier, 2008, p. 521.
  3. Selon le compte rendu allemand de l’écoute des message, visible au musée du 5 juin 1944 à Tourcoing, le texte des messages aurait été conforme au poème de Verlaine, sans altération.

Sources et liens externes 

Lien interne  

Ce document provient de « http://fr.wikipedia.org/wiki/Radio_Londres ».

sexta-feira, 5 de março de 2010

Chanson d'automne - Paul Verlaine



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vicentemonera

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"Chanson d'automne" poema de Paul Verlaine musicado por Vicente Monera http://www.musicaypoemas.com/ 
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Chanson d'automne
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Paul Verlaine
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Les sanglots longs
Des violons
De l'automne
Blessent mon coeur
D'une langueur
Monotone.
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Tout suffocant
Et blême, quand
Sonne l'heure,
Je me souviens
Des jours anciens
Et je pleure.
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Et je m'en vais
Au vent mauvais
Qui m'emporte
Deçà, delà,
Pareil à la
Feuille morte
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BOA NOITE, VICTOR! POIS EU JÁ TINHA VISITADO AQUELA GALERIA... MUITO BOA MESMO! FELICITO-O ;) DEIXO-LHE OS MEUS VOTOS DE UMA BOA SEMANA E UM ABRAÇO, COM MUITA AMIZADE ;) 
 
21/Fev 21:57
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quinta-feira, 5 de março de 2009

VA, CHANSON, À TIRE-D'AILE... - Paul Verlaine -

VA, CHANSON, À TIRE-D'AILE...

“Va, chanson, à tire-d'aile
Au-devant d'Elle, et dis-lui
Bie que dans mon coeur fidèle
Un rayon joyeux a lui,

Dissipant, lumière sainte,
Ces ténèbres de l'amour:
Méfiance, doute, crainte,
Et que voici le grand jour!

Longtemps craintive et muette,
Entendez-vous? la gâité,
Comme une vive alouette,
Dans le ciel clair a chanté.

Va donc, chanson ingénue,
Et que, sans nul regret vain,
Elle soit la bienvenue
Celle qui revient enfin.”

Paul Verlaine
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