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sábado, 27 de agosto de 2016

A ORIGEM DO ”ABORTO ORTOGRÁFICO”


otto solano says:
27/08/2016 às 10:38
É na pharmácia da cultura que podemos obter o fortificante que nos protege de cahir no abysmo da mediocridade.

A ORIGEM DO
”ABORTO ORTOGRÁFICO”
(também chamado “Acordo Ortográfico)
( “LUSOFONIA” – “PALOP”- “CPLP” )

Lusofonia é um vocábulo derivado do termo “Lusitânia”, nome dado pelos romanos a uma província da Península Ibérica que englobava um território que faz actualmente parte de Portugal.

Luiz Vaz de Camões denominou o seu poema épico que evoca os feitos dos portugueses, as suas conquistas de além-mar e a abertura das vias marítimas para o Oriente contornando o continente africano “Os Lusíadas”, portanto os descendentes dos antigos “Lusos”.

As terras conquistadas na África, Ásia e Américas sob dominação portuguesa eram denominadas Colónias Portuguesas, e o seu conjunto foi o assim chamado “ Império Colonial Português “.

A ditadura fascista de Salazar passou a chamar às colónias portuguesas “Províncias Ultramarinas” , utilizando uma ideia apócrifa de unidade cultural e política, o que se pode traduzir numa “mania das grandezas” provinciana, mas que servia perfeitamente de apoio à sua ideologia politica conservadora e fascista. E é então que o vocábulo “Luso” entra novamente em cena, uma vez para chamar “Lusitos” aos jovens da “Mocidade Portuguesa”, organização fascista paramilitar formada segundo os moldes da juventude hitleriana, e de participação obrigatória para todos os jovens estudantes, em Portugal e nas Colónias, e outra para designar por “Lusofonia” uma mítica unidade cultural entre as Colónias e Portugal.

Após o 25 de Abril e a descolonização, aquela “mania das grandezas” ainda não tinha sido totalmente dissipada da cabeça de muitos portugueses que ainda sonhavam com o tal império ou com as tais províncias ultramarinas. E assim renasceu o termo “Lusofonia” para designar essa fantasiosa unidade cultural e linguística de Portugal com as ex-colónias,e que é na sua essência um mito fascista.

Uma ideia tão abstracta, apócrifa e ridícula como esta não servia muito bem certos interesses ocultos. Os revolucionários dos movimentos de libertação das ex-colónias, que tinham mandado à merda toda a ideologia progressista que defendiam, tornaram-se na elite burguesa desses países, em moldes feudais, e em conluio com a oligarquia portuguesa apossaram-se do poder político, militar e económico, explorando as riquezas dos países em proveito próprio, tornando-se nas elites mais ricas do continente e condenando assim à pobreza, à fome, à exploração e escravatura os seus conterrâneos. Passam a viver num luxo e ostentação como nunca na puta da sua vida sonharam, e criam uma organização chamada “PALOP – Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa” julgando na sua mediocridade ética e cultural atingir um certo prestígio e utilizá-la perfeitamente para proveito próprio. Assim é que a organização oferece “tachos” bem remunerados não só para os seus membros como também para os familiares, amigos, amantes e amásias, viagens de “trabalho”, jantaradas, carros de luxo e mordomias de toda a espécie.

Mas a clientela ia crescendo e a organização não tinha mais capacidade de os contentar. Como nesse sentido a criatividade dessa gentalha desses países e de Portugal não tem limites, nasceu assim a “CPLP – Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa” . Os seus membros são todos aqueles países onde as elites governamentais optaram pelo idioma português como língua oficial, desprezando os idiomas nativos, mesmo que a maioria dos seus habitantes não o fale nem o entenda, como são os casos extremos da Guiné-Bissau e Goa; e ridiculamente também Timor, uma ex-colónia à qual Portugal durante séculos nunca deu qualquer atenção e que só servia como local de desterro para personalidades civís politicamente incómodas e militares que não se submetiam a directrizes arbitrárias. Só depois da Austrália ter descoberto petróleo no mar que rodeia aquela ilha é que Portugal, fazendo o papel vergonhoso de “libertador” a troco de generosas esmolas das companhias exploradoras do petróleo para o bolso de certa gente, enviou, “para disfarçar”, alguns professores para ensinar português àquelas gentes; e cujo nativo traidor que foi o primeiro dirigente governamental após o país ter sido artificialmente criado, teve de aprender português durante o cativeiro político na Indonésia, o que ainda hoje se revela na sonoridade metálica do seu falar mecânico, à semelhança do som do leitor de cassetes por onde aprendeu o idioma. Mais ridícula ainda, e também perversa, é a recente aprovação da adesão da Guiné-Equatorial a esta organização, país que nunca foi colónia portuguesa e onde o português não é nem nunca foi língua oficial e nem o povo o fala ou jamais falou.

O Brasil, a maior ex-colónia portuguesa, e o país membro com maior extensão territorial e maior número de habitantes também só possui, à semelhança das ex-colónias africanas, uma elite culta que fala e escreve, quase correctamente, português. A grande maioria da população fala variantes adulteradas deste idioma, com as influências regionais dos diversos idiomas nativos e de os daquelas etnias de colonos oriundas de todas as partes do mundo, e utilizando vocábulos estrangeiros, principalmente ingleses, idiotamente “abrasileirados”. E onde um sistema escolar público precário ainda hoje existente nunca permitiu um ensino correcto da língua portuguesa.

A CPLP viabiliza assim a criação de novos “tachos” para a sua clientela. E na página da “Internet” relativa à sua estrutura e organização não são revelados, além do nome do Secretário Executivo, nem os nomes dos seus colaboradores nem o número de funcionários ao seu serviço, e os objectivos, como também publicado naquela página, são difusamente generalizados e abertamente não comprometedores.

Dado o total desconhecimento que a grande maioria da população dos países desta “Comunidade” possui sobre a existência destas organizações, PALOP e CPLP, e não ter igualmente a menor ideia do que seja essa “Lusofonia”, e até hoje não se ter verificado qualquer tentativa, mesmo que seja “só para inglês ver” duma divulgação das mesmas, é evidente que elas só servem os interesses das elites nacionais, e por extensão os das diversas personalidades que constituem o escol representativo das organizações satélites apoiantes, como a “Fundação Oriente” e o “MIL – Movimento Internacional Lusófono”, entre outras cuja existência é mantida em segredo, e a qual só se revela quando por qualquer motivo se descobre alguma daquelas trafulhices financeiras que são amanhadas entre elas, a banca privada, e os políticos e os governos corruptos dos diversos países membros.

São organizações criminosas legalizadas, sustentadas pelo erário público, que urge desmantelar e expropriar, revertendo o património, mesmo que esteja por “artes mágicas” nos bolsos desses cleptocratas, para os cofres daquelas instituições de utilidade pública de comprovada idoneidade.

Devemos relalçar e reafirmar aqui, que português é a língua que se fala e escreve em Portugal.

É no âmbito deste contexto e no alastrar do terreno da mediocridade, fertilizado com as secreções endémicas defecadas pelas mentes de intelectualóides pífios e politiqueiros reles e sem qualidades argumentando interesses mercantis ridículos e anódinos, que se pode entender o engendrar deste famigerado e assim chamado “acordo ortográfico”, sua aprovação e imposição arbitrária e à revelia por decreto governamental.

A duvidosa questão jurídica da sua oficialização e as alterações ortográficas absurdas já foram suficientemente analisadas, criticadas e divulgadas por muitas personalidades, destacando-se entre elas pela luta acérrima contra este “acordo” o intelectual, escritor, poeta e tradutor Vasco Graça Moura, falecido em Abril do passado ano, hoje censurado por omissão pela maioria dos orgãos de comunicação social do país. Os seus escritos sobre este tema, assim como os dos demais autores, podem contudo ser lidos em muitos portais da “internet”.

É culturalmente obscena a forma como hoje se escreve, e fala, em Portugal. Basta ver os muitos exemplos denunciados em vários sítios da “internet”, para se constatar que se trata dum crime cultural premeditado. Os seus autores deveriam ser previamente julgados e punidos pelos tribunais civís, pois pelo tribunal da cultura e da história já foram há muito condenados a pena de morte.

Torna-se assim cada vez mais urgente a constituição duma acção concertada, programada e militante de todos os opositores, principalmente dos escritores, poetas, tradutores, jornalistas e professores para a anulação imediata e sem quaisquer reservas deste “acordo ortográfico”, de modo a que seja possível, dentro do menor espaço de tempo, minimizar e neutralizar os enormes danos culturais causados por este atentado criminoso contra a dignidade da língua portuguesa.

Otto Solano
13.02.2015
otto.solano@gmx.de

https://aventar.eu/2016/08/26/contate-hoje-mesmo/#more-1256838

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Países lusófonos buscam formas de internacionalizar a língua portuguesa



Brasil | 25.03.2010

Apesar da relevância demográfica e cultural do português, idioma ainda é pouco difundido. Conferência sobre o futuro da língua portuguesa reúne intelectuais, linguistas, escritores e políticos em Brasília.


A língua portuguesa é falada por mais de 250 milhões de pessoas em todo o mundo, a grande maioria – quase 200 milhões – no Brasil. Até o ano 2050, prevê-se que esse número chegue a 335 milhões.
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Na lista das línguas com maior número de falantes, o português oscila entre o quinto e o sétimo lugar, dependendo do viés da classificação. Se o critério for apenas o da língua materna, o português aparece em sétimo, mas se também for analisado como segunda língua, sobe para o quinto lugar das tabelas.
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Mesmo tendo essa posição entre os idiomas falados em todo o mundo, o português ainda é considerado uma língua "menor". Um descompasso que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) pretende debater durante a Conferência Internacional sobre o Futuro da Língua Portuguesa no Sistema Mundial, realizada a partir desta quinta-feira (25/03) até o dia 30 de março, em Brasília.
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Peso do Brasil
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Esse descompasso também não faz jus à posição que países de língua portuguesa, como o Brasil, vêm conquistando no cenário internacional.
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"Acho que o futuro da nossa língua não depende só da grande bandeira do número de falantes, ou do peso demográfico que os brasileiros, portugueses, angolanos, moçambicanos, etc, possam ter", declarou o escritor moçambicano Mia Couto à agência de notícias portuguesa Lusa, durante um colóquio internacional sobre a sua obra realizado este mês na Antuérpia, Bélgica.
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"O Brasil hoje está se afirmando como uma grande potência a nível mundial e isso pode ter um efeito sobre o futuro da nossa língua muito mais do que o discurso passadista de lembrar quanto glorioso foi o passado desta língua", acrescentou Couto.
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A futura difusão da língua portuguesa é justamente o foco da conferência de Brasília, que pretende definir uma estratégia conjunta para a internacionalização do idioma. Isso implica, entre outras coisas, a consolidação do português nos organismos internacionais, sua presença na internet e o ensino da língua tanto para nativos como para estrangeiros.
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Língua oficial em quatro continentes
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A conferência de Brasília é uma consequência da cúpula da CPLP em Lisboa, em 2008, que aprovou uma declaração sobre a importância da projeção global da língua portuguesa.
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Além dos oito membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa – Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste –, a conferência conta com a participação de representantes da Guiné Equatorial, Ilhas Maurício e Senegal, na qualidade de países observadores associados.
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Falado em quatro continentes, o português é a língua oficial de oito países: Angola (12,7 milhões de habitantes), Brasil (198,7 milhões), Cabo Verde (429 mil), Guiné-Bissau (1,5 milhões), Moçambique (21,2 milhões), Portugal (10,7 milhões), São Tomé e Príncipe (212 mil) e Timor-Leste (1,1 milhões).
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Dada a diversidade de variantes do português, resta a questão do grau de unidade que se pressupõe quando se fala do futuro da língua portuguesa como um todo. Certamente o acordo ortográfico selado entre os países lusófonos, em vigor desde 2009, é um passo na direção de convergir pelo menos as diferentes grafias em uma norma escrita comum. No entanto, a unidade ortográfica evidentemente não altera o fato de que o uso da linguagem nos diversos países de língua portuguesa é extremamente variado.
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Quanto a isso, o brasilianista alemão Berthold Zilly, participante da conferência da CPLP sobre o futuro da língua portuguesa, lembra que – ao contrário do que ainda afirmavam alguns filólogos no século 19 – hoje não se questiona se o português é uma língua única. No entanto, a diferença entre as variedades linguísticas lusófonas é mais significativa do que em outras línguas. Zilly considera a uniformidade muito maior entre as variantes do inglês e do espanhol, línguas que – por exemplo – dispõem de obras de referência lexical com autoridade em todos os territórios onde são faladas, respectivamente o Webster Dictionary e Diccionario de la Real Academia Española.
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Português via outras línguas
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Em declaração à Deutsche Welle, o professor de literaturas ibero-americanas na Universidade Livre de Berlim também ressaltou a discrepância entre a reduzida divulgação do português e a importância cultural do idioma. Por mais que Portugal seja membro da União Europeia e por mais que seja grande o poder de penetração da cultura brasileira no exterior, o português ainda é considerado uma "língua menor".
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Na Alemanha, por exemplo, cargos de professores de língua e literatura portuguesa vêm sendo cortados, afirma Zilly. "Acho que os países de língua portuguesa deveriam fazer mais esforço para mostrar que seu idioma representa não só quantitativamente, mas também qualitativamente, uma grande contribuição para a história universal", apela o renomado tradutor alemão de autores como Euclides da Cunha e Machado de Assis.
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Na percepção de Berthold Zilly, o mercado editorial alemão era mais aberto às literaturas lusófonas nos anos 70 e 80 do que hoje. Diante de rupturas históricas marcantes – como a queda do Muro de Berlim, a fragmentação da União Soviética em múltiplas nações e a ascensão dos países emergentes na Ásia – o foco de atenção político mudou, deslocando também o interesse cultural para outras regiões.
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Com sua experiência como tradutor e divulgador da cultura ibero-americana na Alemanha, Zilly acredita que o interesse pelas literaturas lusófonas ainda passa pela intermediação de outras línguas. Isso significa que os livros em português que já foram traduzidos para o espanhol, inglês ou francês têm maior chance penetrar no mercado editorial alemão.
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Isso também se aplica à intermediação por parte de intelectuais de outros espaços culturais. Um exemplo seria Machado de Assis, cuja obra Memorial de Aires foi publicada na tradução alemã de Zilly em 2009: os elogios do argentino Jorge Luís Borges e da americana Susan Sontag ao clássico brasileiro certamente ajudaram a sua divulgação na Alemanha.
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Autora: Simone Lopes
Revisão: Augusto Valente

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