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terça-feira, 29 de setembro de 2015

A OPERÁRIA

terça-feira, setembro 29, 2015

Uma reportagem exemplar...

... chegada por mail amigo (que adoptei... com uns pequenos alinhavos para que também minha fosse):


A OPERÁRIA

Quando Deus fez o paraíso logo nele instalou uma fábrica de calçado e por isso Adão e Eva procriaram até ao mais ínfimo operário. De todos eles, Maria José está há 24 anos sentada aquela máquina de costura, a unir o forro dos sapatos e a cose-los na máquina, a colar juntas para sapatos como se tivesse sido predestinada para que o patrão tivesse uma vida criativa e feliz.

Mal levanta os olhos, e diz que é a "primeira vez" que são visitados por um primeiro-ministro.

Passos e Portas estavam de visita a uma benedita fábrica de calçado, perto de Alcobaça, que fornece essencialmente o mercado militar estrangeiro. E disse Passos que quando era mais novo era moda usar botas da tropa. Contou o presidente do PSD que "era moda... uma vez até fui a uma tomada de posse, quando estava na JSD, com botas de tropa e blusão de cabedal.".

Os operários mantinham a sua atenção no trabalho que estavam, mecanicamente, a executar. Tirar moldes, coser peles, colar solas…

Muito obrigado,
José Monteiro!

Publicada por Sérgio Ribeiro à(s) 11:05

domingo, 21 de junho de 2015

Mario Benedetti ~Não fujas (no te salves)

* Mario Benedetti

Não fiques parado
à beira da estrada,
não congeles a alegria,
não queiras sem ganas
                     de querer,
não  fujas agora
        nem nunca,        
não fujas!

Não te enchas de resignação,
não guardes, do mundo todo,
apenas um cantinho tranquilo,
não baixes os olhos ao chão
        pesados como chumbo,
não fiques de boca seca
                   de palavras,
não durmas sem sonhos
não medites sem côr
             sem sangue,
não te julgues fora do tempo!

Mas se,
apesar de tudo,
não conseguires vencer-te
e, parado à beira da estrada,
congelas a alegria,
queres sem ganas de querer
e foges de agora, de hoje,

Se te enches de resignação
e, do mundo todo,
guardas para ti
só um cantinho tranquilo
e se amarras os olhos ao chão,
sem os levantares
para outros olhos,
e se mastigas as palavras
                    na boca seca
e se dormes sem sonhos
e se meditas sem côr
              sem sangue
e se te julgas fora do tempo

Se, por tudo isso,
ficas parado à beira da estradas
e foges,
então…
não fico contigo!


Tradução de Sérgio Ribeiro in http://anonimosecxxi.blogspot.pt/2015/06/para-este-domingo-com-benedettti.html