Textos e Obras Daqui e Dali, mais ou menos conhecidos ------ Nada do que é humano me é estranho (Terêncio)
sexta-feira, 5 de junho de 2026
Gustavo Carneiro - Num bairro, a História
segunda-feira, 25 de maio de 2026
Boaventura Sousa Santos - Em Leninegrado, a pensar em Cuba e Gaza
sábado, 9 de maio de 2026
La Stella (Canto Partigiano)
A Estrela (Canto dos Partigiani)
Se vires a estrela azul
Quer dizer que o Benito não existe mais.
Se vires brilhar a estrela negra
Quer dizer que o Benito já está na cadeia.
Se vires brilhar a estrela vermelha
Quer dizer que o Benito está na cova.
E se vires a estrela tricolor
Quer dizer que a Itália recuperou o seu vigor.
Notas sobre a tradução
"Benito": Refere-se a Benito Mussolini, o líder fascista italiano.
"Na cova" (nella fossa): Uma referência direta à morte e ao fim definitivo do regime.
Contexto Local: O mural em Orgosolo utiliza estas rimas para acompanhar a homenagem aos milhares de combatentes mortos, desaparecidos e mutilados durante a guerra contra o fascismo. (Google Gemini)
quinta-feira, 23 de abril de 2026
Manuel Pires da Rocha - Cantar a liberdade
Manuel Pires da Rocha
Permanece o apelo poderoso da “terra da fraternidade”
Reivindicamos a alegria.
Reivindicamos as canções de liberdade.
Reivindicamos a música ordenadora do universo.
Reivindicamos as mãos dadas dos amantes.
Reivindicamos o sabor descoberto de todas as coisas.
Reivindicamos as pontes tranquilas.
Reivindicamos a invenção das cidades habitáveis.
Reivindicamos a palavra, o poema, o livro.
Reivindicamos a festa.
Reivindicamos esta arma.
(Mário Castrim)
Quando Adriano Correia de Oliveira, José Afonso, Manuel Freire, Carlos Paredes e Fernando Alvim, José Barata-Moura, Carlos Moniz e Maria do Amparo, Ary dos Santos, entre outros, subiram ao palco do Coliseu, na noite de 29 de Março de 1974, já as canções que ali levaram tinham ecoado pelas colectividades de cultura e recreio, nos encontros da oposição democrática, nas reuniões antifascistas que eram acampamento, piquenique e homenagem.
Naquela noite de quase-Abril, cinco mil antifascistas e uma dúzia de pides, uns cantando e aplaudindo, os outros tomando notas, assistiam à ante-estreia de Grândola, Vila Morena nos caminhos da História, no mesmo tabuado em que Ary dos Santos declamava “aqui ninguém me põe a pata em cima / porque é de baixo que me vem acima / a força do lugar que for o meu”.
Vozes mais antigas seriam, porém, iniciadoras deste canto que quis ser arma libertadora. No Outono de 1945, Fernando Lopes-Graça juntou na casa de aldeia de João José Cochofel, perto de Coimbra, os também poetas Carlos de Oliveira e José Gomes Ferreira, dando início à escrita de um projecto inspirado nos cancioneiros revolucionários históricos da Revolução Francesa e da Revolução de Outubro. Marchas, Danças e Canções seria o primeiro cancioneiro político da luta antifascista portuguesa, a que seguiriam oito cadernos mais, que Lopes-Graça intitularia Canções Heróicas, Dramáticas, Bucólicas e Outras.
As Heróicas seriam inicialmente divulgadas pelo Coro do Grupo Dramático Lisbonense, constituído no seio do Movimento de Unidade Democrática (MUD). Em 1946, após uma apresentação pública na Biblioteca da Incrível Almadense, a censura proibiu o repertório. Tarde demais, porém – as Heróicas viviam já nas vozes de grupos formais e informais, juntas e afinadas na luta contra o fascismo. Tanto, que não haverá memória de lugar conspirativo, das salas do associativismo popular às celas das prisões, onde não tenha havido um cantar de “vozes ao alto, unidos como os dedos da mão”.
O século XX das lutas anticoloniais, antifascistas e anti-imperialistas viria a ser o momento da expansão geral da música de combate pela liberdade e pela construção do socialismo. Em Woody Guthrie, Luigi Nono, Violeta Parra, Mikis Theodorakis, Hanns Eisler, Victor Jara, Silvestre Revueltas, Chostakovitch e Carlos Paredes, entre tantos outros, a música assumiu opção de classe à escala universal, independentemente da natureza dos palcos e do vocabulário próprio de cada género musical.
Em Portugal, o século passado é também o lugar da descoberta da música popular das comunidades rurais, condutora de sinais civilizacionais que também são os da consciência social (“Ó minha mãe dos trabalhos / Para quem trabalho eu / Trabalho mato o meu corpo / Não tenho nada meu”). Por isso é que, em Lopes-Graça, a Jornada é companheira da Canção da Vindima, em José Afonso o Cantar Alentejano (em homenagem a Catarina Eufémia) divide intenções com Milho Verde e, no canto de Adriano Correia de Oliveira, Tejo Que Levas As Águas ombreia com ‘Inda Eu Era Pequenino.
Chegados aqui, constata-se que o cantar que (também) abriu caminho à Liberdade que em cada Abril se celebra, não perdeu actualidade. Nestes dias de ameaça à paz, ao pão, à habitação, à saúde e à educação, democratas de todas as idades entoam o velho refrão de Liberdade – palavra de ordem intemporal da exigência de um tempo de justiça. E cantam Os Vampiros denunciando o saque, o Acordai chamando para a luta, o Hino de Caxias cerrando fileiras. E acolhem cantos emergentes, que são mornas e dizeres de hip hop, somando-se ao cantar histórico nas lutas dos movimentos Vida Justa e Casa Para Viver, nas acções do movimento sindical, nas iniciativas pela paz, nas acções de solidariedade com a Palestina e com Cuba.
Juntam-se, no rumor do nosso tempo, timbres e sotaques diversos, mas o estribilho geral permanece o apelo poderoso da “terra da fraternidade" q”e, cantando “junta a tua à nossa voz”, marca encontro com o futuro.
https://www.avante.pt/pt/2734/argumentos/183422/Cantar-a-liberdade.htm
sábado, 19 de outubro de 2024
Bruno Amaral de Carvalho - Beirute, capital da resistência
segunda-feira, 29 de janeiro de 2024
Nuno Pacheco - Anónimos de Abril, a história cantada de desconhecidos que ajudaram à revolução
Rogério
Charraz, José Fialho Gouveia, Joana Alegre e João Afonso são os rostos deste
espectáculo que resgata da sombra figuras da resistência e do 25 de Abril. A
estreia é esta segunda-feira.
28 de Janeiro
de 2024, 20:05
Foto
Rogério
Charraz, José Fialho Gouveia, Joana Alegre e João Afonso: os rostos não
anónimos dos Anónimos de Abril LUÍS FILIPE CATARINO
Sabem quem foi
Aurora Rodrigues? Belmira Gonçalves? Francisco Miguel Duarte? Albina Fernandes?
Jorge Alves? Luís e Herculana Carvalho? João Arruda? As suas vidas estão
ligadas à resistência contra o Estado Novo e ao 25 de Abril, mas os seus nomes
permanecem desconhecidos para a quase totalidade dos portugueses. É deles, e de
outros como eles, que nos fala (e canta) Anónimos de Abril, em
estreia esta segunda-feira no Tivoli BBVA (21h), em Lisboa. O espectáculo, inserido
nas comemorações dos 100
anos do Teatro Tivoli, vai ser gravado pela RTP, para posterior
transmissão.
O projecto de
Rogério Charraz e José Fialho Gouveia, com as participações de Joana Alegre e
João Afonso (vozes) e dos músicos Alexandre Frazão (bateria), Carlos Garcia
(piano), Marco Reis (guitarra) e Nuno Oliveira (baixo), surgiu quando o cantor
e compositor viu num texto de uma rede social a história de Celeste Caeiro,
recorda ao PÚBLICO. "Já conhecia o nome, sabia que começou por dar um
cravo a um militar, mas a maior parte dos portugueses está convencida de que
era florista, quando de facto ela trabalhava num restaurante que fazia um ano
no dia 25 de Abril [de 1974].”
Ele próprio não
conhecia a história e isso aguçou-lhe ainda mais a curiosidade. “Quando dei por
mim a deliciar-me com ela, pensei que deve haver muitas pessoas que tiveram um
papel simbólico ou até fundamental na resistência ou na revolução e que não são
muito faladas de cada vez que se celebra o 25 de Abril. Foi esse o ponto de
partida para este Anónimos de Abril: ir à procura de histórias
enterradas ou guardadas na gaveta.”
O passo
seguinte foi falar com José Fialho Gouveia, que já havia colaborado com Rogério
Charraz, como letrista, nos discos O Coreto (2021) e Reunião de Condomínio (2023), para combinar uma
ida aos arquivos, tarefa que começou a ser feita a dois.
“Fomos
encontrando histórias”, diz José Fialho Gouveia. “Falámos com pessoas que nos
passaram figuras que podiam encaixar neste projecto e fomos construindo uma
lista que depois tivemos de ir encurtando. Quisemos diversidade: não queríamos
quatro ou cinco exemplos cujo aspecto central fosse a vida na clandestinidade;
quisemos equilíbrio entre homens e mulheres, porque o 25 de Abril também
foi feito por muitas mulheres, embora os nomes mais conhecidos sejam de
homens; e quisemos regiões diferentes do país.”
O compositor
acrescenta: “No caso das mulheres, tivemos também a preocupação de não ir
buscar apenas as que eram de facto apoio de homens, como a Arajarir Campos
[secretária de Humberto
Delgado, morta pela PIDE na mesma emboscada em que ele foi assassinado, em
Fevereiro de 1965], mas mostrar os vários papéis que tiveram.”
Arajarir está
entre os “anónimos” aqui cantados. Tal como, entre vários outros, Belmira
Gonçalves, morta a tiro durante a “Revolta das Águas” na Madeira, em 1962; o
Padre Alberto Neto, fundamental na vigília
da Capela do Rato; Jorge Alves, o militar da GNR que ajudou na célebre fuga
dos presos do Forte de
Peniche; Francisco Sousa Mendes, neto do cônsul Aristides Sousa Mendes, que
integrou a coluna de Salgueiro Maia; Aurora
Rodrigues, estudante presa em 1973 e torturada durante três meses; ou o
casal Luís
e Herculana Carvalho. De uma família abastada do Porto, estes pais de um
destacado militante do PCP, Guilherme da Costa Carvalho, conseguiram
autorização para visitar o filho na colónia penal do Tarrafal. Ali tiraram
fotografias às campas dos prisioneiros mortos e no regresso percorreram o país
a entregar as imagens aos familiares dos detidos.
Recolhidas as
histórias, foi a vez das canções. “O processo foi o mesmo que usámos nos dois
discos anteriores”, conta Rogério Charraz. “Partir da história, da personagem,
fazer a letra – um trabalho do Zé, depois de aprofundar a pesquisa inicial, ao
ler os livros, conhecer as histórias a fundo, os pormenores –; em cima das
letras, eu construí as canções e os arranjos, para depois meter as vozes,
minha, do João e da Joana.”
Os cantores
foram já escolha de ambos. “Na minha cabeça, há um lado colectivo no canto de
intervenção”, explica o compositor. “Os cantautores cantavam muitas vezes
juntos, com as suas guitarras e as suas vozes, e isso está muito
presente no nosso imaginário. Fazia sentido ir buscar outras vozes,
[aliás] com ligações familiares a figuras da resistência: a Joana é filha de Manuel Alegre e o João é sobrinho do José Afonso.”
Depois dos
palcos, um disco
Joana Alegre
aceitou o convite antes de ouvir as canções, mas o que leu e ouviu deixou-a
tranquila: “Agradou-me muito a perspectiva literária, transversal, não
panfletária, igualitária, de contar a história de pessoas anónimas que também
construíram a liberdade”, diz.
“Esta narrativa
corrige um bocadinho aquela de que as mulheres ficaram reféns, e que menorizava
o seu papel na resistência e na construção da liberdade", sublinha a
cantora. "Há aqui histórias muito sensíveis, porque estamos a entrar no
plano dos traumas individuais, do sofrimento pessoal, mas as letras foram
feitas pelo Zé Fialho com muito cuidado.”
João Afonso
corrobora: “Também aceitei o desafio sem conhecer os poemas, mas a ideia em si
atraiu-me logo – porque é muito interessante a abordagem. O 25 de
Abril que conhecemos foi feito por oficiais, homens, mas estas histórias vão
mais além, falam do trabalho de resistência escondido, de personagens que não
vêm nos livros escolares.”
Após a estreia
do espectáculo em Lisboa, há já mais oito datas marcadas, além de outras ainda
à espera de confirmação: Portimão (16 de Março), Montijo (6 de Abril), Fafe (19
de Abril), Vila do Conde (20 de Abril), Santa Maria da Feira (24 de Abril, com
a Orquestra Sinfónica de Jovens), Barcelos (27 de Abril), Grândola (21 de
Setembro) e Loulé (26 de Outubro). Anónimos de Abril deverá
ainda dar lugar a um CD, a lançar em 2025.
domingo, 31 de dezembro de 2023
Nuno Ramos de Almeida - Um dia escreverei um texto novo para 2024, mas não será hoje
OPINIÃO -
* Nuno Ramos de Almeida´
(Diário de Notícias 31 Dezembro 2023)
Gosto de
reescrever textos, para além de roubar tempo ao trabalho, é uma espécie de
mantra em que se pode convocar o passado e evocar gente que amamos, mas que não
está presente entre nós. As palavras são uma forma de encantamento que trazem à
vida quem determinou o nosso caminho e reafirmam as nossas fidelidades.
Persistimos em
pensar que não nos esgotamos na morte e que os que ficam são uma espécie de
continuidade sem nós, como os nossos persistem, no tempo, nos nossos atos.
É óbvio que o
que pensamos tem muito a ver connosco e a nossa circunstância e que não somos
nada, sem sermos em relação aos outros em que nos inserirmos. Mas vamos à
história recontada.
Numa altura em
que se branqueiam os negros tempos quando não tínhamos liberdade e transformam
os amigos dos ditadores de turno em heróis da liberdade, a memória torna-se uma
arma no presente. A única vantagem de ter vivido tempos é que eu sei o que é a
ditadura, a revolução que faz meio século e a liberdade, simplesmente porque
vivi. Aqui fica um conto sobre esse fio de tempo, como agora se diz.
Aproximava-se o
Natal. Em casa cheirava a frio e a madeira nova. O móvel parecia-me estranho.
Era encerado. Uma espécie de cómoda oca. Seria um bar daqueles kitsch? Já não
me recordo. Tinha umas chaves. Lá dentro estavam prendas. Apenas uma era minha.
Na nossa casa estavam brinquedos dados por camaradas na legalidade para as
casas clandestinas onde viviam crianças. Era membro de uma comunidade, embora
não nos conhecêssemos: as crianças das casas clandestinas. Hoje parece-me uma
quebra das regras de segurança, a distribuição de prendas. E não percebo como
chegaram os brinquedos a cada um de nós. Mas, na altura, isso fazia-me sentir
que não estávamos sozinhos.
Tinha a nítida
sensação de pertencer a um grupo unido por regras de fraternidade. Nesse
coletivo estavam pessoas de muitas raças e países. Anos antes, andava na escola
francesa em Argel. Estudávamos lá argelinos e filhos dos refugiados políticos.
A guerra da independência tinha sido há poucos anos. O sangue tinha corrido
pelas ruas. Milhões haviam morrido nos bombardeamentos dos franceses. A tortura
durante a guerra tinha atingido níveis nunca vistos. A FLN (Frente de
Libertação Nacional Argelina) tinha pedido aos militantes que tentassem
aguentar sem falar três dias - apenas três dias, para permitir mudar os
contactos e resistir à repressão. Depois da independência, a cidade viveu um
sonho estranho. Lembro-me dos aromas das especiarias e do ruído das manifestações.
Também me ficou a recordação do fedor a excrementos nos elevadores dos prédios
abandonados pelos franceses e ocupados por argelinos que nunca tinham vivido em
prédios europeus. Mais tarde, o meu pai e a minha mãe contaram-me que uma noite
tinham conhecido aquele que mais tarde seria lembrado com o nome de Che. Já
adolescente, interroguei o meu pai para saber como ele era. Será que se vê o
heroísmo nos heróis? O meu pai insistiu que ele era sobretudo calado e tímido.
Eu frequentava
uma escola de que só me lembro pelo cheiro a medo. Nos intervalos brincávamos
às guerras. Os professores franceses que ainda restavam, quando nos apanhavam,
batiam-nos e ameaçavam-nos com cães. Os meus pais descobriram que éramos
espancados e confrontaram os professores, que negaram terminantemente as
agressões. Um dia, alguns de nós montámos uma emboscada para apedrejar um dos
agressores no meio da confusão do pátio. Lembro-me que algumas das nossas
pedras lhe acertaram em cheio. Quando nos bateram a seguir, quase não doeu.
Anos mais tarde, em França, numa casa de apoio de camaradas do PCF (Partido
Comunista Francês) em Paris, o meu pai comunicou-me que íamos entrar em
Portugal. Por causa dos "maus", a PIDE, tinha de escolher um nome. Um
nome diferente do meu? Sim. Escolhi Sérgio. Passámos a fronteira por um sítio
que os meus pais me explicaram ser um grande jardim. Era, de facto, grande.
Caminhei até cair. O meu pai levou-me o resto do caminho às costas. Acordei no
dia seguinte a vomitar, numa pensão em Chaves, com um daqueles lavatórios de
ferro. Chegámos a Lisboa e arranjámos uma casa clandestina. A minha mãe
mobilou-a com todos os cuidados conspiratórios: a maior parte da mobília na
área social, para passarmos por uma família normal. Gastou menos que o
previsto, estava feliz. Mas, mais tarde, o camarada responsável pelas casas
criticou-a por ter gasto dinheiro num esquentador. A minha mãe nunca conseguiu
esquecer o facto. Quando, anos depois, voltámos para a legalidade e apoiávamos
o aparelho clandestino, pediram uma lista de coisas à minha mãe. Leu-a e
respondeu, dura: "Diz ao fulano (o camarada com quem ela tinha discutido)
que compro tudo menos o esquentador."
https://www.dn.pt/opiniao/um-dia-escreverei-um-texto-novo-para-2024-mas-nao-sera-hoje-17583454.html
quinta-feira, 2 de setembro de 2021
Valdemar Cruz - 100 objetos que contam histórias de um século de vida do PCP
https://expresso.pt/sociedade/2021-09-02-100-objetos-que-contam-historias-de-um-seculo-de-vida-do-PCP-56e9f6c0





