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domingo, 17 de maio de 2026

Carlos Coutinho - [Ernst Bloch e o nacional-socialismo]

* Carlos Coutinho
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Já passou quase um século após o aparecimento de um verdadeiro tratado sobre a canalhice, mas não me parece que já não seja de ter em conta a vantagem da sua vigência, dadas a sua abrangência e, sobretudo, a sua profundidade. 

   Aconteceu nas vésperas da Segunda Guerra Mundial o aparecimento nas livrarias de um livro feroz do filósofo alemão Ernst Bloch que analisa a ascensão de Hitler ao poder e se interroga sobre como foi possível que a consciência coletiva de quase todo o país se tivesse degradado a ponto de aceitar a nazificação, como uma espécie apodrecimento que quase nunca parou de se agravar.

   A propaganda oficial e o trauma da humilhação, em resultado da derrota e do esbulho sofrido às mãos dos vencedores em 1918, reivindicavam a continuidade do Terceiro Reich, restaurando o Primeiro – o do Sacro Império Romano-Germânico – criado por quem reclamava a atualização do instaurado por Carlos Magno que durou entre 962, e a suas aniquilação por Napoleão, em 1806, seguindo-se o Segundo Reich, isto é, o império que foi erguido com a unificação da Alemanha e a guerra franco-prussiana em 1871, cujos efeitos só foram travados com o colapso alemão na Primeira Guerra Mundial, mas tal consequência não explica para Ernst Bloch a mórbida e sanguinária aceitação da ditadura nazi.

   Como se fizeram, então, os canalhas e se instituiu o seu regime? Como foi aceite a fábula segundo a qual este novo império iria durar 1000 anos? E o que se pode concluir desta histórica tragédia que custou perto de 70 milhões de mortos? Não estava escrito que o führer conquistasse o poder e que 10 anos depois de ter ocupado a presidência do partido nazi, bem como que, após uma curta prisão por envolvimento numa tentativa de golpe de Estado, o paranoico político aguarelista austríaco disputasse a segunda volta das eleições presidenciais alemãs em abril de 1932 e obtivesse 37% dos votos e que os comunistas e os social-democratas somados se ficassem pelos 36%. 

   Contudo o presidente eleito, o tão celebrado marechal Hindenburg entregou-lhe o lugar em Berlim, que não era a capital da Áustria, mas viria ser anexada com geral aplauso germânico,  em 30 de janeiro de 1933.

   Quando, poucos anos depois, Blcch se pergunta sobre como se chegou a este desfecho, a conclusão que encontra é que o centro e a direita, aceitam a receita da  extrema direita, aceitam Hitler como se de uma solução de curto prazo se tratasse, ou apenas fosse um mal menor, para impor a ordem, enquanto amplos setores da burguesia e do que hoje se chama classe média, como comerciantes, militares e acadêmicos, celebravam no despotismo.

   Havia nisso a evocação de um fundo cultural – considera Bloch – e não foi a magia propagandística de Goebbels que respondeu à desintegração do regime de Weimar. Foi antes a recuperação de mitos incrustados na crença da epopeia germanista mobilizando um romantismo reacionário que se apropriou de Nitzsche e de Wagner, ou seja, foi a ideologia social dominante que fez de Hitler o seu porta-voz e o estandarte dos interesses económicos dominantes.

   Leio estas análises e percebo melhor os êxitos eleitorais do nosso Ventura e de quem lhe paga as campanhas, bem como os favores que recebe da comunicação social quase toda. 

   Vade retro, Satanas…  

2026 05 17

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quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Boaventura de Sousa Santos - O Kampf de André Ventura

Boaventura de Sousa Santos

As primeiras intervenções dos principais candidatos às eleições para a Presidência da República portuguesa em Janeiro de 2026 têm levado muita gente (muita dela, angustiadamente) a pensar que André Ventura (AV), o candidato da extrema-direita, tem possibilidades de ganhar as eleições. Para alguns, a razão principal está na mediocridade dos outros candidatos. No caso do Almirante Gouveia e Melo, o grande operacional da luta contra o COVID-19, ocorre lembrar-lhe que o país não é uma pandemia nem a política é uma questão de logística. Já tivemos um presidente Almirante (no tempo da ditadura) e já foi demasiado. Marques Mendes é uma cópia de Marcelo Rebelo de Sousa, o actual presidente. É sabido que o original é sempre melhor que a cópia. Se o cinzento falasse e lhe perguntassem a identificação, ele responderia sem hesitação: António José Seguro, apoiado pelo partido socialista. Perante isto fica a sobrar o único candidato que não quer ser Presidente, porque, como a sua aspiração é mandar e conduzir, só o cargo de Primeiro-Ministro lhe serve. Pode então correr o risco de ser eleito contra a vontade.

A primeira vez que me chamaram a atenção para AV resultou de uma observação de uma jornalista perplexa com o facto de AV citar várias vezes o meu trabalho na sua tese de doutoramento. O intrigante era o facto de ele começar a ser conhecido como a figura principal da extrema-direita enquanto eu era conhecido como um intelectual de esquerda. Haveria alguma contradição ou algum conluio? Li a tese e conclui rapidamente que era uma tese competente e que as citações estavam certas e eram pertinentes. A tese era animada por um impulso securitário, mas dentro das normas académicas. Portanto, nada a comentar. Não havia nem contradição nem conluio.

Hoje, AV é o líder da oposição, uma oposição de extrema-direita a um governo de direita. Estou convencido de que a democracia portuguesa dificilmente sobreviverá à Presidência da República de AV. Tentarei explicar porquê. As razões têm a ver com a estratégia de AV e com as condições por que as sociedades europeias vão viver nos próximos anos.

AV em acção

Não há nenhuma originalidade nem nas ideias nem na estratégia de AV. Vêmo-la hoje a ser seguida por muitos outros líderes de extrema-direita. Todos eles são cópia de um líder que também foi cópia de outros líderes do seu tempo, mas que as circunstâncias da Europa das primeiras décadas do século XX permitiram que passasse de cópia a original. Refiro-me a Adolf Hitler. Apesar de serem muitas as diferenças entre o original e as diferentes cópias, penso ser adequado estabelecer a original como termo de comparação para o que observamos hoje. Uma diferença óbvia: enquanto AV foi um aluno brilhante e é altamente credenciado, Hitler nunca concluiu nenhuma formação académica, foi rejeitado duas vezes nas escolas de arte de Viena, nunca quis ter emprego fixo e, apesar de em Viena se autodesignar como pintor, ficava possesso quando lhe perguntavam se era pintor de paredes.

Se analisarmos a conduta deste austríaco que só em 1932 se naturalizou alemão, um ano antes de se candidatar à presidência da República da Alemanha, verificamos que ele catalogou um receituário que continua hoje a ser seguido por todos os aspirantes à destruição da democracia, usando para isso todos os instrumentos que a democracia lhes proporciona. Vejamos alguns componentes desse catálogo. As citações de Hitler são dos seus muitos discursos e também de Mein Kampf [A Minha Luta], escrito em 1924 nos nove meses que Hitler esteve preso depois do fracassado golpe (Putsch) de Munique em Novembro de 1923.

Sobre a natureza humana. Desde os tempos de fome e de dormida nos abrigos municipais, Hitler aprendeu algo que viria a repetir nos seus discursos: “Tudo o que o homem conseguiu deveu-se à sua originalidade e brutalidade.” Astúcia, habilidade para mentir, distorcer, enganar, eliminar qualquer sentimentalidade ou lealdade em favor da crueldade eram os ingredientes básicos da afirmação fundamental: a vontade. A desigualdade entre os seres humanos e entre as raças é uma lei da natureza. AV não proclama o eugenismo racista, mas estabelece o portuguesismo como um privilégio a que só alguns têm acesso, sugerindo que mesmo alguns desses só são portugueses, não por pertencerem a “nós”, mas pela corrupção ou complacência de funcionários que deleteriamente destroem a “alma portuguesa”. O nacionalismo excludente serve para naturalizar a exclusão social e o colonialismo interno nos nossos dias, por exemplo nos campos da agro-indústria.

A construção de um só inimigo. É necessário eleger um inimigo apenas e centrar nele toda a crítica. Segundo Hitler, a arte da liderança consiste “em consolidar a atenção do povo contra um só adversário e tudo fazer para que nada distraia essa atenção. O líder de génio é aquele que tem a capacidade de fazer com que os seus diferentes adversários pareçam um só, pertençam todos a uma só categoria”. Para Hitler, o inimigo é o Marxismo (a social-democracia, o comunismo) e os judeus. Não são dois inimigos, são um só. Num discurso em 27 de Fevereiro de 1926, Hitler afirmou “Se necessário, um só inimigo significa vários inimigos”. Esse inimigo é responsável por todos os males da sociedade. A rendição (traição) da Alemanha em 1918 e todo o desastre socioeconómico e político que se lhe seguiu na República de Weimar foi obra do mesmo inimigo. Esse inimigo conspira contra a sociedade, não apenas pelo que faz, mas também pelo que é. É uma raça inferior. Os judeus não são seres humanos; são a incarnação do mal. Por isso, não há nacionalismo sem racismo.  Hoje, como sabemos, o inimigo de eleição é a esquerda e os imigrantes. Parecem dois inimigos, mas são um só.

O principal inimigo é o inimigo interno. A Alemanha tinha perdido a Primeira Guerra Mundial porque não se tinha sabido sobrepor aos seus inimigos. Para Hitler, a Alemanha não perdeu a guerra, o exército, a que pertenceu como sargento, manteve a sua integridade. A Alemanha foi atraiçoada pelos inimigos internos que provocaram a sua rendição. No discurso de Fevereiro de 1926, Hitler invoca o passado glorioso do império e das colónias alemãs para concluir que os males que sobrevieram foram devidos aos revoltosos internos. “Esses não eram cidadãos; eram escumalha, uma escumalha de traidores”. Nos anos que se seguiram ao fim de guerra, a militância política do operariado comunista era intensa e exprimia com violência o mal-estar do país. Era reprimido com maior violência ainda, tanto por forças de direita, como pelos socialistas. Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht foram assassinados em 1919 com a cumplicidade do governo socialista. Falou-se então da fracassada revolução alemã (1918-1923). Foi nesse contexto, que Hitler soube substituir o ódio de classe pelo apelo à cidadania racista.

 Hoje, para a extrema-direita portuguesa, o 25 de Abril foi uma capitulação evitável e o que se seguiu foi um desastre provocado por “gente” como Otelo Saraiva de Carvalho, Álvaro Cunhal ou Mário Soares que, entre outras coisas, escancararam as portas do país à invasão de estrangeiros que vieram pôr em perigo a integridade do país.

A solidariedade negativa. A unidade e o consenso que se promovem visam destruir o status quo – o sistema. Não há que perder tempo em elaborar soluções alternativas porque estas emergirão espontaneamente, uma vez destruído o inimigo. A união é para destruir, nunca para construir, porque só a necessidade da destruição é “óbvia”. A construção exige compromissos que devem ser mantidos na obscuridade, na ambiguidade e na conveniência do momento para conquistar o poder. Para Hitler, o importante não era o programa, mas a imagem. Em 1920, o programa do partido agradou a toda a gente, excepto aos judeus, aos capitalistas e aos que tinham ganho fortunas com a guerra. O objectivo central era mobilizar a insatisfação popular com o status quo. O importante era declarar a sociedade doente, não entrar em detalhes sobre o que seria uma sociedade saudável.

A unidade negativa deve ser tão forte quão importante é o que há a destruir.  Para isso é necessário construir o passado recente como um desastre e dramatizar sem nuances a sua dimensão, de modo a que a gravidade da situação seja considerada irremediável dentro do sistema político presente. A Alemanha não perdeu a guerra; os traidores fizeram com que ela se rendesse e se humilhasse como nação com o Tratado de Versalhes e as condições que lhe foram impostas. Compare-se hoje com o “desastre do 25 de Abril” e “toda a bandalheira de esquerda que se seguiu” (André Ventura).

A democracia é apenas um meio para atingir outros fins. Desde os tempos de Viena, Hitler cultivou um desprezo total pela democracia, pela liberdade de expressão, pela liberdade de imprensa, pelo parlamento etc. Dedicou quinze páginas de Mein Kampf para demonstrar que “a maioria representa apenas a ignorância e a cobardia… a maioria nunca pode substituir o homem”. Trata-se do homem forte que conduz as massas, elimina a corrupção e devolve a auto-estima ao país.

Temos ouvido a multiplicação retórica do homem forte como a necessidade urgente do país. Precisaríamos de “três Salazares”, um político que, aliás, nunca teve interesse em entusiasmar as massas e as conduzir. Não qualquer homem forte, mas aquele capaz de “pôr a casa em ordem”. E para que ninguém se ofenda com a referência ao passado ditatorial, mencionam-se outros homens fortes recentes que a esquerda portuguesa “normalizou”: Otelo Saraiva de Carvalho e Álvaro Cunhal. Porque o importante é a repetição do preconceito, não interessa saber que Otelo contribuiu decisivamente para o derrube da ditadura salazarista, que cometeu erros e que pagou caro por isso, enquanto Cunhal passou onze anos na prisão (oito dos quais em isolamento) pela sua luta contra a ditadura.

Hitler usou os meios legais e democráticos enquanto estes lhe ofereceram melhores oportunidades para vencer os seus inimigos. Aliás, a legalidade é uma arma ideal quando se usa para desarmar os democratas: os processos legais são lentos e com isso dão mais tempo ao tempo rápido da conquista do poder. O uso instrumental da legalidade significa, por outro lado, que ela deve ser descartada na medida em que atrapalhar.

Segundo uma sua militante, há uma “balbúrdia jurídica em que vive o Chega”, o partido de AV. Deve entender-se que essa “balbúrdia” é intencional porque o sistema judicial que a avaliar levará o tempo processual necessário até eventualmente deixar de ter efeito útil.

Controle absoluto sobre o partido. A ascensão política de Hitler foi um processo longo e tortuoso, desde a entrada no Partido dos Operários Alemães de Anton Drexler até chegar ao líder incontestado do Partido Nacional Socialista (o partido nazi). A sua notável persistência foi o seu maior segredo ante o desprezo ou a indiferença de muitos. Habituou-se a testar os seus argumentos em infindáveis reuniões nas cervejarias de Munique. A sua política começou por ser a política da rua. Mas desde cedo se convenceu de que o líder não deve tolerar divergências internas porque elas dão armas a um inimigo já de si muito poderoso. Depois do fracassado Putsch de Munique em 1923 e da prisão de Hitler, o Partido Nacional Socialista ficou reduzido a muito pouco. No norte da Alemanha e na Renânia, o partido era dominado pelos irmãos Strasser e, na concepção destes, as duas bandeiras principais do partido eram o anticapitalismo e o nacionalismo, e eram igualmente prioritárias. As tensões com Hitler eram evidentes, uma vez que Hitler pretendia uma aliança com o capitalismo. Nessa altura (1925-26), os Strassers tinham contratado um jovem que ainda não tinha 30 anos para as tarefas de propaganda. Chamava-se Paul Josef Goebbels. A tensão com Hitler era tão grande que o jovem Goebbels chegou a pedir a expulsão do partido do “pequeno burguês”. Hitler manobrou o partido, em parte recorrendo aos seus indiscutíveis dotes de orador. Pouco tempo depois, Goebbels passou-se para o lado de Hitler depois de o ouvir num discurso inflamado durante duas horas. Alguns anos depois os irmãos Strasser foram expulsos do partido. Em 1926, Hitler instituiu a Uschla (Comité para a investigação e resolução) que pôs ao seu serviço para manter o controle total sobre o partido. O outro lado do controle total do partido é o carácter excepcional do líder. Hitler cultivou a sua excentricidade, o exagero e a surpresa do seu comportamento. O poder à parte só pode vir de um ser à parte.

A trajectória de AV e o modo como tem gerido as divergências dentro do partido mostram como ele se julga (e efectivamente está) muito acima da média dos seus correligionários. A sua excentricidade e os seus excessos de linguagem são calculados ao milímetro.

Não há verdade nem mentira. Há a repetição do que nos convém até que seja verdade. Uma das maiores aprendizagens de Hitler foi aprender a mentir com convicção. Exerceu-a durante toda a vida. No final, foi-lhe fatal. Levou-o ao suicídio. Para Hitler, o exercício da força física, apesar de fundamental, nunca é suficiente se não for acompanhado pela força espiritual. Escreveu ele: “A força que combate um poder espiritual permanece como força defensiva se os que a detêm não são também os apóstolos de uma nova doutrina espiritual”. Quando se mente deve dizer-se grandes mentiras. Escreveu: “uma mentira grosseiramente impudica deixa sempre rastro mesmo depois de ser denunciada”. O colapso de uma nação só pode ser evitado por uma “tempestade de brilhante paixão, mas só os apaixonados são capazes de despertar a paixão dos outros”.

Quem já ouviu AV certamente sentiu isso.

De bem com as massas e com o dinheiro. Hitler sempre cultivou um desprezo enorme pelas “massas”. As “massas” tinham sido a sua companhia em Viena e a falta do que Hitler julgava ter (cultura) tornava-as repugnantes a seus olhos. Escreveu em Mein Kampf : “Não sei o que mais me repugnou naquele tempo: a miséria económica dos meus companheiros, a rudeza da sua moral e dos seus costumes ou o baixo nível da sua cultura intelectual”. Odiava toda a ideologia do operariado: desprezo pela nação e pela pátria, pelo direito, pela religião e pela moral. Segundo ele, o pobre operariado tinha sido envenenado pela doutrinação dos socialistas que exploravam para seu benefício as difíceis condições em que os operários eram forçados a viver.

Hitler escreveu: “Ser um líder significa ser capaz de mover as massas”. Mas também anotou: “Aprendi que as massas só são atraídas por quem é forte e intransigente…Não sabem como fazer uma escolha liberal e tendem a sentir que foram abandonados… Também cheguei à conclusão de que a intimidação física é importante tanto para as massas como para os indivíduos …O poder das massas para compreender é fraco. Por outro lado, elas esquecem rapidamente. Sendo assim, a propaganda eficaz deve limitar-se a necessidades básicas e exprimir-se em poucas fórmulas estereotipadas”.

Se as massas significavam votos, o dinheiro era fundamental para alimentar a propaganda e manter a organização. Por isso, Hitler quis sempre ser todas as coisas para todos aqueles que via como instrumentos para atingir o poder. Por isso, arreou a bandeira do anticapitalismo e enviou Goering para Berlim a fim de estreitar os laços com o grande capital. Em 1929, Hitler já era saudado pelo grande capital e pela grande indústria que via nas suas qualidades de agitador o futuro que mais convinha ao capital numa situação de crise, uma política antidemocrática e anticlasse operária.

Certamente serão os portugueses mais vulneráveis ou mais ressentidos com as ameaças de descer de classe que encherão as urnas de votos no Chega, mas não serão eles que pagarão os custos de uma organização que exibe tamanha abundância de propaganda, tanto no mundo tradicional da publicidade, como no mundo novo das redes sociais.

Se as condições do povo melhoram, nega-se esse facto ou declara-se que é precário e vai durar pouco tempo. O projecto de Hitler beneficiou de condições iniciais muito especiais. Quando, em 1923, um país humilhado pelas condições da rendição que lhe tinham sido impostas se declarou impossibilitado de continuar a pagar as indemnizações de guerra, a França ocupou a rica região do Ruhr, o coração energético e industrial da Alemanha. Para além da humilhação, degradou-se ainda mais a situação económica. A desvalorização do marco aumentou, e, com ela, aprofundou-se a crise económica, o desemprego e o desespero de milhões de trabalhadores e suas famílias. Hitler aproveitou astutamente todos os elementos desta crise, juntando-os num só diagnóstico contra um só inimigo. Em 1923, 30% dos membros do partido estavam desempregados. A sua leitura manteve-se inflexível: “Enquanto a nação não se livrar dos assassinos dentro das suas fronteiras, nenhum êxito externo será possível”. O ódio de Hitler, em vez de se dirigir aos franceses, dirigia-se ao bando corrupto que governava o regime. Este foi o contexto que levou ao golpe de Munique. No tribunal, Hitler assumiu toda a responsabilidade, mas acrescentou: “não sou por essa razão um criminoso. Se hoje estou aqui como revolucionário é porque sou um revolucionário contra a Revolução. Não existe alta traição contra os traidores de 1918”. E os traidores são sempre os mesmos: socialistas, comunistas e judeus.

A partir de 1925, as condições da Alemanha começaram a melhorar e a Alemanha foi admitida na Liga das Nações (1926) (da qual saiu dez anos mais tarde por decisão de Hitler). As profecias do apocalipse e do desastre iminente deixaram de ser eficazes. A partir de então, Hitler passou a insistir no carácter precário e passageiro das melhorias. Por puro instinto de propaganda, esta era a melhor maneira de persistir na sua caminhada para o poder. A Grande Depressão de 1929 viria a dar-lhe razão.

As circunstâncias epocais

Os líderes de extrema-direita criam muita realidade artificial, mas fazem-no, em geral, a partir de fragmentos da realidade real. Há circunstâncias que favorecem o salto autoritário e há condições que, pelo contrário, o impedem. A partir de 1924, a Alemanha começou a recuperar e, como vimos, Hitler sentiu que era necessário assumir posições mais centristas. Talvez tudo ficasse por aí se, entretanto, não ocorresse a Grande Depressão de 1929. O desemprego massivo, a proliferação das greves, em suma, a profunda crise social que se seguiu foram o grande impulso para a clarificação e ressurgimento do partido. Ao mesmo tempo que as milícias do partido (as SA, Sturmabteilung) faziam agitação social, Hitler declarava-se contra as greves para não perder o apoio dos grandes capitalistas que já então assegurara. Quando em 1930, Strasser, líder da ala radical do partido, lhe perguntava (pouco antes de ser expulso do partido) se, no caso de conquistar o poder, nacionalizaria o grande grupo capitalista Krupp, Hitler respondeu-lhe: “Claro que o deixaria em paz. Julgas que eu seria louco ao ponto de destruir a economia do país?”. Pouco depois, Goebbels escrevia, “não somos contra o capitalismo, somos contra o seu abuso…Para nós a propriedade é sagrada”. Em Setembro de 1930, o partido Nazi, para espanto do mundo, tinha um êxito eleitoral estrondoso. Depois, foi o tapete vermelho que conhecemos. Primeiro, o vermelho da glória; depois, o vermelho do sangue inocente de milhões.

A democracia portuguesa não corre neste momento nenhum perigo existencial, mas os tempos que se avizinham não auguram nada de bom para o mundo, para a Europa e, portanto, para Portugal.  O crescimento global da extrema-direita é um sintoma (não a causa) do que está para acontecer. Não vou aqui discutir a questão mais geral da incompatibilidade entre o capitalismo (assente na acumulação capitalista infinita) e a democracia (assente no princípio da soberania popular). Limito-me a afirmar que o neoliberalismo (a versão globalmente dominante do capitalismo desde a década de 1980) tem vindo a destruir tudo o que na democracia significava bem-estar e segurança humana (viver sem medo e sem carências básicas) para as grandes maiorias (digamos, sem excesso de rigor, para as classes populares). Essa destruição está a atingir limites que se expressam na passagem do Estado de bem-estar para o Estado de mal-estar. É dessa passagem que a extrema-direita se alimenta.

As respostas dos governos do arco da governação (direita, centro e centro-esquerda) não se têm oposto a esta destruição e procuram responder ao mal-estar com medidas repressivas, em vez de medidas que garantam a reposição do bem-estar. Como mostrei, a repressão e a solidariedade negativa são o DNA da extrema-direita e por isso não admira que ela cresça menos pelo seu mérito do que pelo demérito das forças que se lhe deviam opor. Esta últimas “esqueceram-se” que sem tributação progressiva não há o bem-estar social relativo no capitalismo. Esqueceram-se de que no imediato pós-guerra os rendimentos mais altos chegaram a ser tributados em mais de 80% e nem por isso ficaram pobres ou deixaram de continuar a prosperar. Esqueceram-se de que sem políticas públicas sociais de qualidade (educação, saúde e pensões e transportes) não é possível garantir o bem-estar das populações, e que essa garantia em caso algum pode ser dada pelo sector privado, cujo objectivo legítimo é acumular riqueza, não distribuí-la.

A democracia tem vindo a ser desfigurada e substituída por um novo tipo de regime, o autoritarismo eleitoral vigente em países tão diferentes como a Índia, a Rússia, os EUA, a Turquia, El Salvador e a Hungria. A extrema-direita prefere o autoritarismo eleitoral à ditadura por um simples cálculo político: é aparentemente mais legítimo, sobretudo num mundo ainda bem lembrado das ditaduras. Mas para se manter este regime tem de desviar a atenção das verdadeiras causas do mal-estar (um capitalismo em grande medida auto-regulado, sobretudo no sector financeiro), transformando consequências em causas. A imigração é hoje o caso paradigmático desta transformação. Mas, como dizia Hitler, o uso da repressão nunca é eficaz se não for animado por um desígnio espiritual, seja ele Make America Great Again (MAGA) ou o orgulho de ser português e cristão. A corrupção é o outro caso de transformação de consequências em causas. A corrupção é endémica ao neoliberalismo porque este assenta na promiscuidade entre o mercado dos valores políticos (que não se compram nem se vendem) e o mercado dos valores económicos (os valores que têm preço e que se compram e se vendem). Viola assim o princípio central da teoria da democracia liberal desde John Locke que propunha a separação total entre os dois mercados de valores. A corrupção é, assim, tão endémica ao neoliberalismo quanto a luta contra ela.

O importante é que se ocultem as verdadeiras causas do mal-estar da população: sejam elas o aumento do custo de vida, a estagnação dos salários e a asfixia do poder sindical, o aumento do custo da habitação que pode consumir mais de metade do rendimento familiar, a liberalização escandalosa do preço dos medicamentos, que se tornam progressivamente inacessíveis, sobretudo a doentes crónicos.

No actual tempo europeu inventaram-se dois inimigos para distrair a atenção dos problemas reais. O inimigo interno é o imigrante, sobretudo se for islâmico; o inimigo externo é a Rússia. Nenhum europeu é capaz de imaginar a vida no seu país sem a participação dos imigrantes. Nenhum cidadão europeu é capaz de ver na Rússia uma ameaça, sobretudo se se lembrar que a Rússia foi invadida duas vezes por europeus (Napoleão e Hitler) e nunca se propôs invadir a Europa. A invasão da Ucrânia tem razões históricas antigas e recentes. É condenável a todos os títulos, mas não significa a invasão da Europa. Hoje, os europeus sabem que a guerra entre a Rússia e a Ucrânia podia ter terminado três meses depois de ter começado se os EUA e os seus lacaios (Boris Johnson, aparentemente bem pago para isso) não tivessem impedido a assinatura do acordo de paz praticamente concluído. Os europeus sabem hoje que o objectivo da guerra foi inicialmente duplo. Por um lado, visou amputar a Europa de uma das suas regiões, a Rússia, com o fim de impedir o acesso da Europa à energia barata vinda da Rússia e com isso acelerar o declínio e a dependência da Europa em relação ao império declinante dos EUA. Por outro lado, visou bloquear o acesso da China à Europa e ao mundo ocidental por via da Rússia.

Mais tarde, os empresários da guerra, os lobistas da indústria de armamento, com as suas embaixadas em Bruxelas, convenceram uma classe política medíocre e ignorante a promover a guerra por sua própria iniciativa. Esta classe política nem sequer se deu conta de que todos os benefícios iriam para a indústria norte-americana, enquanto os custos recairiam exclusivamente sobre os europeus. De repente, os europeus ouviram os seus líderes a falar de guerra como se fosse a mais importante missão política dos próximos anos. Os europeus mais velhos lembram-se do passado recente e perguntam-se perplexos e impotentes. A Europa ocidental foi, depois da Segunda Guerra Mundial, o grande promotor global da paz, tendo intermediado activamente a resolução de várias guerras locais. Foi o berço do grande movimento pela paz. Mais tarde, assumiu pioneirismo na preocupação ecológica e foi o berço do movimento ecologista global. Como é que, de repente, desaparecem tanto o movimento pela paz como o movimento ecológico, e a Europa passa a ser um continente em guerra contra uma ameaça que só a classe política vê?

A invenção dos inimigos é, assim fundamental para ocultar a grande causa do mal-estar dos europeus nos próximos anos: os orçamentos militares aumentam à custa da diminuição das políticas sociais. Os políticos europeus viram-se “forçados” a mentir aos seus cidadãos. Quando estes se derem conta, haverá agitação social e a resposta será repressiva, uma vez que, neste sistema, não é possível outra resposta. Por isso, quem se diz contra o sistema é quem mais investe na vigência integral e, portanto, repressiva deste sistema. Mente duplamente, e é por isso que a sua mentira se confunde tanto com a verdade.

Neste contexto, surge uma preocupação especificamente portuguesa. Portugal é um dos países europeus com menos tradição democrática. É também um dos países com mais desigualdade social e maiores índices de pobreza. A combinação destas duas condições torna Portugal uma presa fácil de qualquer demagogia de extrema-direita. A democracia sobreviverá? Bastará a sua transformação num autoritarismo eleitoral?

A história não se repete. Isto não quer dizer que os ecos do passado não nos soem estranhamente familiares. Nem as diferenças nem as semelhanças são pura coincidência.

https://aviagemdosargonautas.net/2025/11/13/o-kampf-de-andre-ventura-por-boaventura-de-sousa-santos/

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Testamento político de Adolf Hitler - 29/04/1945




Testamento político de Adolf Hitler - 29/04/1945
Tradução: Walter Krueger*
Testamento Político de Adolf Hitler, de 29 de abril de 1945
Adolf Hitler
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Meu testamento político.
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Desde que em 1914 empreguei voluntariamente minhas modestas forças na guerra imposta ao Reich, decorreram mais de 30 anos.
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Nesses três decênios moveram-me em todas as minhas ações, pensamentos e vida apenas o amor e a lealdade a meu povo. Deram-me eles a força de assumir as mais difíceis decisões, tão duras quais, até hoje, nenhum mortal as teve de enfrentar. Nessas três décadas consumi meu tempo, minha saúde.
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Não é verdade que eu, ou qualquer outra pessoa, em 1939, tenha querido na Alemanha a guerra. Ela foi desejada e provocada tão-só por aqueles estadistas internacionais que ou eram de origem judia, ou trabalhavam em prol de interesses judeus. Fiz não poucas ofertas para a cessação ou limitação da produção armamentista, ofertas que o mundo futuro não poderá negar eternamente, como se a responsabilidade por esta guerra pudesse pesar sobre meus ombros. Ademais, nunca desejei que, depois da infeliz Primeira Guerra Mundial se desencadeasse uma segunda, contra a Inglaterra, ou sequer contra a América. Os séculos passarão; dos escombros das nossas cidades e monumentos artísticos, porém, renovar-se-á incessantemente o ódio ao povo que em última instância é o culpado de tudo: os judeus internacionais e seus colaboradores!
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Ainda três dias antes da irrupção da guerra alemã-polonesa, propus ao embaixador inglês em Berlim uma solução dos problemas alemães-poloneses, em tudo semelhante à empregada no caso do território do Saar, sob controle internacional. Também essa minha proposta não pode ser negada. Foi recusada tão-só porque os meios liderantes na política inglesa queriam a guerra, em parte devido aos esperados lucros, em parte devido a uma propaganda efetuada pelo judaísmo internacional.
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Também não deixei margem alguma a dúvidas quanto a que - se os povos europeus forem novamente encarados apenas como pastas de documentos desses traidores financeiros e econômicos internacionais - esse mesmo povo, verdadeiro culpado da atual luta sangrenta, será também responsabilizado: os judeus! Ademais, deixei claro a todo o mundo que desta vez não apenas milhões de crianças, europeus arianos, morreriam de fome, milhões de homens adultos sofreriam a morte, e centenas de milhares de mulheres e crianças seriam, nas cidades, mortas pelos incêndios ou bombardeios, sem que, ainda que só através de meios humanos, o verdadeiro culpado tivesse de pagar por sua culpa.
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Depois de uma luta de seis anos, a qual, um dia, apesar de todas as derrotas, entrará para a história como a mais gloriosa e corajosa manifestação de desejo de viver de um povo, não posso separar-me da cidade que é a capital deste Reich. Como são demasiado fracas as forças necessárias para afastar por mais tempo o ataque inimigo sobre esta cidade, e como a nossa própria resistência aos poucos perca seu valor por causa de obcecados indivíduos sem qualquer caráter, desejo partilhar meu destino com milhões de outros, que assim o aceitam, permanecendo nela. Ademais, não queria cair nas mãos do inimigo, que disso faria um espetáculo concertado pelos judeus, com o único fito de divertir as massas excitadas.
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Assim é que decidi permanecer em Berlim e aqui livremente escolher a minha morte no momento em que julgasse que a posição de Führer e Chanceler não mais pudesse ser sustentada. Morro feliz diante das imensuráveis façanhas de nossos soldados no front, de nossas mulheres em seus lares, das realizações de nossos camponeses e nossos operários, e da intervenção de nossa juventude, que usa meu nome, num fato único dentro da História.
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Que eu lhes agradeça do mais fundo de meu coração é tão natural quanto meu desejo de que, por isso mesmo, não desistam da luta em nenhuma circunstância: não importa onde, continuem combatendo o inimigo da pátria, seria à profissão de fé de um grande qual Clausewitz. Do sacrifício de nossos soldados, e de minha união com eles até a morte, renascerá , de um ou de outro modo, na história alemã, a semente de um luminoso retorno do movimento nacional-socialista e, com isso, a realização da verdadeira comunidade dos povos.
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Muitos dos mais valentes homens e mulheres decidiram vincular as suas à minha vida até os últimos momentos. Pedi-lhes e finalmente lhes ordenei que não o fizessem, mas que continuassem na luta com o povo. Aos líderes do Exército, da Marinha e da Luftwaffe, peço que fortaleçam com todos os meios possíveis o espírito de resistência de nossos soldados num consenso nacional-socialista, especialmente tendo em mente que também eu, na qualidade de fundador e criador desse movimento, preferi a morte à renúncia covarde ou à capitulação.
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Que possa fazer parte do sentimento de honra do oficial alemão - tal como já ocorre em nossa Marinha - a noção de que a entrega de um território ou de uma cidade é impossível, e sobretudo a de que os líderes têm de adinatar-se, como luminosos exemplos, no mais fiel cumprimento do dever até a morte.
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Segunda Parte do Testamento Político
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Antes de minha morte, expulso do partido do ex-Marechal do Reich Hermann Göring, retirando-lhe todos os direitos que possa ter obtido por decreto desde 29 de junho de 1941, bem como em minha declaração no dia do Reich, em 1º de setembro de 1939. Em seu lugar nomeio o Almirante Dönitz como Presidente do Reich e Comandante Supremo da Wehrmacht.
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Antes de minha morte, expulso do partido o antigo líder da SS e Ministro do Interior Heinrich Himmler, bem como o retiro de todos os cargos governamentais. Em seu lugar nomeio o Gauleiter Karl Hanke como chefe da SS e da polícia alemã, e o Gauleiter Paul Giesler como Ministro do Interior.
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Göring e Himmler causaram ao país e a todo o povo indiscutíveis prejuízos, sem falar na deslealdade para com minha pessoa, por haverem mantido acordos secretos com o inimigo, sem qualquer ciência minha e contra minha vontade, assim como por haverem tentado, contra a lei, tomar em suas mãos o poder estatal.
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Para dar ao povo alemão um governo constituído de homens honrados que cumpram o dever de prosseguir a guerra com todas as forças, nomeio como Führer da nação os seguintes membros do novo gabinete:
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Presidente do Reich: Dönitz
Chanceler do Reich: Dr. Goebbels
Ministro do Partido: Bormann
Ministro do Exterior: Seyss-Inquart
Ministro do Interior: Gauleiter Giesler
Ministro da Guerra: Dönitz
Comandante Supremo do Exército: Schörner
Comandante Supremo da Marinha de Guerra: Dönitz
Comandante Supremo da Luftwaffe: Greim
Chefe da SS e chefe da polícia alemã: Gauleiter Hanke
Economia: Funk
Agricultura: Backe
Justiça: Trierack
Culto: Dr. Scheel
Propaganda: Dr. Naumann
Finanças: Schwerin-Crossigk
Trabalho: Dr. Hupfauer
Armamentos: Saur
Chefe do Serviço de front alemão e membro do gabinete do Reich: Ministro Dr. Ley.
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Embora uma série desses homens, como Martin Bormann, o Dr. Goebbels e outros, se juntassem a mim voluntariamente com suas esposas, e de modo algum queiram deixar a capital do Reich, dispostos a sucumbir comigo, devo pedir-lhes que obedeçam às minhas ordens e que neste caso ponham o interesse da nação acima dos seus próprios sentimentos. Com seu trabalho e lealdade me estarão próximos, como companheiros, do mesmo modo como espero que meu espírito permaneça entre eles e os acompanhe sempre. Que sejam duros, jamais injustos, que especialmente nunca façam do medo o conselheiro de seus atos, e que coloquem a honra da nação acima de tudo neste mundo. Que, finalmente, possam ter plena consciência de que nossa missão, qual a de construirmos um Estado nacional-socialista, representa o trabalho dos próximos séculos, o que obriga a cada um servir sempre aos interesses comuns e colocar em segundo plano suas próprias vantagens. A todos os alemães, a todos os nacional-socialistas, homens e mulheres, e a todos os soldados da Wehrmacht, peço que seja, para com o novo governo e o seu presidente, leais e obedientes até a morte.
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De modo todo particular recomendo à liderança da nação e a seus colaboradores a rigorosa manutenção das leis raciais e a impiedosa oposição contra o envenenador mundial de todos os povos: o judaísmo internacional.
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Berlim, em 29 de abril de 1945, 4 horas.
Adolf Hitler
Testemunhas:
Dr. Joseph Goebbels, Wilhelm Burgdorf
    
Conteudo ©

 
*Nick de um membro do Clube dos Generais.

O Clube dos Generais é uma entidade voltada apenas e tão somente aos estudos dos fatos históricos ocorridos durante a Segunda Guerra Mundial e não fazemos, em nenhuma hipótese, apologia aos regimes e ideologias vigentes à época. Desta forma, as imagens aqui apresentadas que contenham símbolos nazistas ou outros foram incluídos apenas pelo seu valor histórico e como objeto de estudo e curiosidade, não constituindo crime nos termos da Lei No 7716/89 (que define os crimes resultantes de preconceito ou discriminação de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional)."

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sábado, 27 de março de 2010

A Queda de Berlim, a Última Batalha - Cornelius Ryan

terça-feira, 24 de Fevereiro de 2009


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Tradução Tenete Cporonel Augusto Pastor Fernandes
Livraria . Bertrand,  Lisboa sd [1966]
“Nas latitudes mais setentrionais, o amanhecer verifica-se muito cedo. Até mesmo quando os bombardeiros se afastavam da cidade, a leste já despontavam os primeiros raios de luz. No meio da tranquilidade da manhã, podiam ver-se grandes colunas de fumo negro a elevarem-se sobre os bairros de Pankow, Weissensee e Lichtenberg, enquanto as nuvens baixas tornavam difícil separar a suave luminosidade da aurora e os reflexos dos incêndios na cidade de Berlim destroçada pelas bombas.
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À medida que o fumo se ia dissipando vagarosamente, por entre as ruínas surgia no seu macabro esplendor a cidade mais bombardeada da Alemanha, enegrecida pela fuligem, crivada de milhares de crateras e decorada com as vigas retorcidas dos edifícios destruídos.
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Tinham desaparecido numerosos quarteirões de prédios de apartamentos no coração da cidade, o mesmo sucedendo com as zonas suburbanas, completamente volatilizadas. Agora, em todo aquele caos, as largas avenidas e as ruas de outrora eram apenas simples veredas cheias de crateras que serpenteavam através de montanhas de destroços. Por toda a parte, acre após acre, só se viam, escancarados para o céu, edifícios descarnados, sem janelas e sem telhados.
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A seguir aos ataques caía do céu uma chuva muito fina de fuligem e de cinzas que polvilhava os destroços, enquanto nos enormes montões de tijolos esmigalhados e vigas de aço torcidas a única coisa que se movia eram os turbilhões de poeira que rodopiavam ao longo da vasta extensão da Unter den Linden, com as suas famosas árvores agora nuas e os rebentos das folhas queimados nos ramos.
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Eram raros os bancos, livrarias ou estabelecimentos elegantes situados no famoso boulevard que não tivessem sofrido estragos; todavia, no seu extremo oeste, o mais famoso monumento de Berlim – a porta de Brandeburgo – com as suas doze colunas dóricas maciças e de altura igual a um edifício de oito andares, embora crivado de profundos golpes, ainda permanecia de pé na via triumphalis. (…)
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(…) Nessa manhã luminosa, os berlinenses dos vinte bairros da capital apareceram à luz do dia como os habitantes das cavernas neolíticas, emergindo dos túneis do metropolitano, dos abrigos situados por baixo dos edifícios públicos e das caves ou pavimentos inferiores dos prémios semidestruídos.
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Fossem quais fossem as suas esperanças ou receios, as suas lealdades ou crenças políticas, todos os berlinenses compartilhavam dum sentimento comum: os que haviam sobrevivido mais uma noite estavam resolvidos a sobreviver mais um dia.
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O mesmo se podia dizer quanto à nação.
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Nesse sexto ano da Segunda Guerra Mundial, a Alemanha de Hitler estava a lutar desesperadamente pela sobrevivência. O Reich que havia de durar mil anos tinha sido invadido a oeste e a leste. As forças anglo-americanas estavam a limpar toda a região ao longo do Reno, haviam atravessado o rio em Remagen e precipitavam-se já em direcção a Berlim, da qual só distavam 300 milhas. Na margem oriental do Oder, tinha-se materializado uma ameaça muito mais urgente e infinitamente mais temerosa, traduzida na presença dos exércitos russos, situados apenas a 50 milhas.

Estava-se a 21 de Março de 1945, uma quarta-feira, com a qual se iniciava a Primavera. Nessa manhã, os berlinenses ouviram através dos aparelhos de rádio de toda a cidade o último êxito em canções: Esta Primavera não terá fim. (…)”
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A Última Batalha (A Queda de Berlim) - Cornelius Ryan (1920-1974) - Publicado por Livraria Bertrand, Lisboa, 1967.
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Disponível na Biblioteca Nacional de Lisboa (Cota ----> H.G. 25078 V.)
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http://torredahistoriaiberica.blogspot.com/2009/02/aberturas-de-grandes-livros-ultima.html


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''Erich Bayer também só pensava numa data especial. Há semanas que o contabilista de Wilmersdorf se sentia preocupado acerca do que deveria fazer na terça-feira, dia 10 de Abril, ou seja, no dia seguinte. O pagamento tinha de ser efectuado nessa data, pois de outro modo poderia resultar para ele uma série de perturbações burocráticas. Bayer possuía o dinheiro. Não era esse o seu problema. Mas teria isso agora qualquer importância? O exército que tomasse Berlim - americano ou russo - importar-se-ia com o pagamento? E se ninguém conquistasse a cidade? Bayer considerou o problema sob todos os aspectos. A seguir, dirigiu-se ao seu banco e levantou 1400 marcos. Depois, entrou na repartição próxima e pagou os seus impostos respeitantes ao ano de 1945.''.

- Cornelius Ryan, in A Queda de Berlim, A última Batalha, Documentos de Todos os Tempos, 1965, ed. Bertrand
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http://lili-one.livejournal.com/1344904.html
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Os últimos dias do III Reich
Este curto relato, pretende dar ao leitor uma pequena ideia, de uma forma cronológica, do que foram os últimos dias do III Reich de Hitler. Não se trata de um trabalho com grande profundidade, para especialistas, mas sim, de um relato sobre o que se passava na frente de batalha às portas de Berlim, e dentro do abrigo do comandante em chefe de um império que devia durar 1000 anos, mas que não chegou sequer a 1000 semanas
De entre os vários livros de História que serviram como base, para o que a seguir se descreve, resalta a obra de Cornelius Ryan, A queda de Berlim, a última Batalha”. No entanto, os factos relatados, e as datas, nem sempre se referem exclusivamente àquela obra. É porém a sua estrutura base, a utilizada para iniciar este relato, que começa quando em 22 de Março de 1945, o General Gothard Henrici, um general desconhecido da maioria dos Alemães, por ter o seu nome ligado, não ás grandes vitórias, mas sim ás retiradas estratégicas e à guerra defensiva, é nomeado Comandante do Grupo de exércitos do Vístula, a última defesa, entre Berlim, e a avalanche de forças russas.
Com inicio em 22 de Março, relata-se a situação desde que o coronel-general Heinrici, é nomeado como comandante do grupo de exércitos do Vístula.
A partir de 16 de Abril, e até 30 de Abril, faz-se um relato diário, onde se incluem mapas da posição da frente de batalha, e/ou fotografias que tenham a ver com os acontecimentos. Ao mesmo tempo, incluem-se pequenos extractos sobre a situação dentro da cidade de Berlim, e sobre os acontecimentos dentro do abrigo de Hitler.
O relato diário, tem o seu fim, quando ocorre a rendição da Alemanha.
A acção, decorre durante o período final da curta vida do III Reich. Depois das grandes conquistas de 1939,1940 e 1941, e do periodo de impasse de 1942 e 1943, veio em 1944 a resposta dos aliados, com a invasão da Normandia e os enormes avanços soviéticos para ocidente.
Em Março de 1945, a situação da Alemanha é desesperada. As forças soviéticas, na sua última ofensiva, haviam atacado com uma força devastadora na Prussia oriental, e haviam tomado toda a Alemanha até ao rio Oder, que se encontrava a apenas 90 quilometros de Berlim. A Oceidente, as forças americanas e britânicas, haviam chegado ao Reno, tendo os americanos tomado uma ponte em Remagen, conseguindo por isso estabelecer uma testa de ponte naquele lugar. No entanto, outras passagens do Reno são eminentes. É perante esta situação que Hitler é convencido a nomear o general Gothard Heinrici para chefe do grupo de Exércitos do Vístula (grupo de exércitos que havia recuado desde o rio Vístula, até ao rio Oder, em frente a Berlim)
Além do diário, estão disponiveis resumos sobre, as principais figuras da batalha, as principais armas da batalha, e sobre o abrigo de Hitler, nos subterrâneos do complexo de edificios da chancelaria.

http://www.areamilitar.net/historia/1945_QuedaBerlim/quedainicio.asp
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Cornelius Ryan

Cornelius Ryan nasceu em Dublin, na Irlanda, em 1920, onde foi criado. Com pouco mais de vinte anos, cobriu os conflitos da Segunda Guerra Mundial, de 1941 a 1945, para a agência de notícias Reuters e para o jornal britânico London Daily Telegraph. Participou de quatorze missões de bombardeio junto às forças aéreas norte-americanas, do desembarque no Dia D, do avanço aliado através da França e da Alemanha e, após o final dos conflitos em solo europeu, cobriu os últimos meses da campanha no Pacífico, tornando-se um dos mais proeminentes correspon­dentes de guerra da época. Em seu trabalho, baseava-se tanto em fontes oficiais e entrevistas com líderes militares quanto em depoi­mentos de soldados comuns e civis, de modo que toda a sua obra está impregnada de uma for­te tensão humana. Foi com rigor jornalístico de detalhes e informações e com extrema compaixão para com os dramas das pessoas envolvidas que Ryan escreveu a sua trilogia da Segunda Guerra Mundial: The longest day, 1959 (O mais longo dos dias (L&PM POCKET, 2004), sobre o Dia D; The last battle, 1966 (A última batalha, L&PM Editores, 2005), sobre o final da Segunda Guerra Mundial e a queda de Berlim; e A bridge too far, 1974 (Uma ponte longe demais), sobre a malsucedida operação aliada Market Garden.

O mais longo dos dias vendeu cerca de quatro milhões de exemplares em quase 30 línguas e foi levado às telas do cinema em 1962, em uma megaprodução internacional de mesmo nome sob a direção de Darryl F. Zanuck, estrelada por vários dos grandes atores da época, como Robert Mitchum, John Wayne, Sean Connery, Richard Burton, Henry Fonda, Alain Dellon e outros. A bridge too far também foi transformado em filme, em 1977. Em 1973, Cornelius Ryan recebeu a medalha da Legião de Honra do governo francês. Morreu de câncer, em 1976.
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Livros do Autor


MAIS LONGO DOS DIAS, O

Cornelius Ryan
Tradução de William Lagos

Coleção L&PM Pocket
Ref. 363
384 páginas
ISBN-10 85.254.1323-2
ISBN-13 978.85.254.1323-9
R$ 22,00

ÚLTIMA BATALHA, A

Cornelius Ryan
Tradução de Pedro Gonzaga

Outros Formatos
448 páginas
ISBN-10 85.254.1384-4
ISBN-13 978.85.254.1384-0
R$ 56,00

http://www.lpm-editores.com.br/site/default.asp?TroncoID=805134&SecaoID=948848&SubsecaoID=0&Template=../livros/layout_autor.asp&AutorID=108

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Baviera recusa edição anotada de Mein Kampf

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Público - 05.02.2010 - Luís Miguel Queirós

Historiador alemão acha que mais valia publicar já uma edição comentada do livro de Hitler a esperar por 2015, quando qualquer editora neonazi o poderá reeditar 
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Horst Möller, um investigador do Instituto de História Contemporânea de Munique, quer publicar uma edição comentada de Mein Kampf (A Minha Luta), de Adolf Hitler, argumentando que se poderia assim atenuar os efeitos das edições comerciais que previsivelmente surgirão nas livrarias a partir de 2015, data em que caducam os direitos da obra.
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Não é a primeira vez que Möller tenta organizar uma edição académica de Mein Kampf, mas tem sempre esbarrado na recusa do Ministério das Finanças do estado alemão da Baviera, que recebeu das forças aliadas, no pós-guerra, os direitos daquela que foi a mais importante editora do partido nazi, a Eher Verlag. Foi com esta chancela que saiu, em 1925, o primeiro dos dois volumes originais de Mein Kampf, que Hitler escrevera na prisão em 1923.
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A atitude da administração bávara tem sido a de não autorizar a edição da obra completa, quer na Alemanha, quer no estrangeiro, para não difundir a ideologia nazi. E Judith Steiner, porta-voz do estado da Baviera, já afirmou à revista Spiegel que a posição será mantida. No entanto, quando, em 2015, se cumprirem 70 anos sobre o suicídio de Hitler, a obra entrará mesmo no domínio público.
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Möller acredita que "uma edição académica poderia romper o mito peculiar" que rodeia a obra. Uma tese que muitos rejeitam.
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Wolfgang Benz, director do Centro de Persquisa para o Anti-Semitismo, acha a ideia "absurda" e pergunta: "Como é possível anotar um monólogo de 800 páginas que expõe a demente visão do mundo que era a de Hitler? A seguir a cada frase, ter-se-ia de escrever: "Hitler errou aqui", "aqui descarrilou completamente", e assim por diante". Benz nota ainda que os neonazis vão de qualquer modo reeditar a obra, a partir de 2015, e que "ninguém vai comprar uma edição académica cara quando pode pagar um par de euros numa editora de extrema-direita".
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Já o vice-presidente do Conselho Central de Judeus na Alemanha, Salomon Korn, acha que Mein Kampf não deve ser publicado muito antes de 2015, mas sobretudo por considerar "inaceitável" que "um tal livro saia com a aprovação do Estado enquanto estiverem vivos os que sofreram directamente o jugo nazi". Korn defende que deve ser feita uma edição académica, mas mais perto da data limite de 2015. E não acredita, de resto, que as previsíveis edições populares que irão surgir a partir desse ano venham a ter muita influência. "O livro é tão mal escrito, tem uma tamanha confusão de ideias ilógicas, que qualquer leitor sensível o porá de lado."
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Cultura

Vermelho - 4 de Fevereiro de 2010 - 12h18

Instituto quer publicar livro de Hitler, 70 anos após sua morte

O Instituto de Pesquisas Históricas (IFZ) da cidade de Munique se propôs a publicar na Alemanha uma nova edição de "Mein Kampf", de Adolf Hitler, pela primeira vez desde 1945, e coincidindo com os 70 anos da morte do ditador, em 2015.

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A intenção do IFZ é publicar uma edição comentada do livro, que está proibido desde a Segunda Guerra Mundial na Alemanha, informou nesta quinta-feira a rádio pública "Bayerische Rundfunk". Uma das historiadoras do instituto, Edith Raim, explicou à emissora que em 2015 terão prescrito os direitos de publicação do livro.
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Raim considera que, com uma nova edição, devidamente comentada, poderá ser evitado que grupos extremistas tenham como adquirir os direitos. Em "Mein Kampf", Hitler formulou as bases de sua ideologia nacional-socialista e ferventemente anti-semita, que após sua ascensão ao poder, em 1933, levaram ao Holocausto.

Fonte: EFE
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terça-feira, 18 de dezembro de 2007

A Guerra Civil de Espanha e o nazi-fascismo



MAUTHAUSEN EL UNIVERSO DEL HORROR

INTRODUCCIÓN (*)

Esta exposición tiene la finalidad de mostrar el horror más grande concebido en el siglo XX, los campos de concentración nazis. Para que su conocimiento provoque la reflexión necesaria, no sólo para asumir el pasado con responsabilidad, sino también para oponerse activamente a cualquier repetición en el presente o en el futuro. La mayoría de fotografías del campo de Mauthausen fueron obtenidas por los deportados Antonio García y Francesc Boix, que las robaron de los laboratorios fotográficos del campo y las dejaron, a través de los muchachos del campo que trabajaban en la cantera de Poschacher, al cuidado de la señora Anna Poitner del pueblo de Mauthausen. Antiguos deportados republicanos fueron depositarios de este fondo hasta la legalización de la Amical de España el año 1978.


La maquinaria exterminadora del Tercer Reich acabó con la vida de 12 millones de personas de toda la Europa ocupada y de la misma Alemania: judíos, resistentes, objetores de conciencia, gitanos, homosexuales y enfermos. Entre ellas, unos 10.000 republicanos españoles internados especialmente en el campo de concentración de Mauthausen, los hombres, y en el de Ravensbrück, las mujeres, de las cuales murieron unas 7.500. Su destino había quedado sellado al acabar la Guerra Civil Española cuando emprendieron el camino del exilio en calidad de vencidos.
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El año 1945, una vez liberados los campos, los supervivientes no pudieron volver a la España de Franco y se instalaron casi todos en Francia. Allí intentaron reconstruir su vida, luchando por la recuperación de su dignidad y por el mantenimiento de la memoria.


1931-1939

La república y la guerra civil en España
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Proclamada pacíficamente la Segunda República el 14 de abril de 1931, se abrió una nueva etapa histórica caracterizada por la voluntad política de iniciar un proceso de democratización y modernización. Este proceso se llevaría a término a partir de la separación de la iglesia y el estado; la ampliación de la enseñanza; la concesión del derecho de sufragio para la mujer; las reformas agrarias, social y del ejército; la solución a la cuestión autonómica con el restablecimiento de la Generalitat y la aprobación del Estatuto de Autonomía de Cataluña el año 1932 y de la formación del gobierno vasco y la aprobación de su Estatuto el 1 de octubre de 1936.
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La decidida voluntad de las derechas para evitar transformaciones que afectasen a sus intereses y la impaciencia de la clase obrera por ver satisfechas sus aspiraciones, debilitaron la coalición republicana socialista, que fue sustituida en el gobierno por las fuerzas conservadores durante el Bienio Negro. La paralización de las reformas, las conspiraciones militares y la violencia de los grupos fascistas generaron enfrentamientos que se agravaron el año 1934 con la revolución minera de Asturias y los hechos del 6 de octubre en Cataluña. heart15.gif (74K) La victoria de los partidos de izquierda unidos en el Frente Popular en febrero de 1936 y el retorno a los principios de la primera etapa republicana, movilizaron a las derechas, el ejército y la iglesia para acabar con la República, con la democracia y el parlamentarismo. El levantamiento militar del 18 de julio derivó en la Guerra Civil, durante la cual las democracias europeas abandonaron a la República a su suerte. La República sólo recibió la ayuda de la URSS y de los voluntarios de las Brigadas Internacionales, mientras que los sublevados, con el soporte de la Italia fascista y de la Alemania nazi, consiguieron la victoria que dio paso a la larga etapa franquista y a la inserción de España en la política del Eje.

El proyecto de dominación de Hitler
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El ascenso de Hitler al poder el año 1933 fue posible gracias al apoyo de las grandes empresas, a la utilización de la fuerza paramilitar de la SA (Sturmabteilung, Sección de Asalto) y al miedo o cobardía de gran parte de la población alemana, a lo que rápidamente siguió el desarrollo de su proyecto de dominación. Una vez liquidado el estado democrático con la suspensión de los derechos individuales y de las libertades públicas, la disolución de los partidos políticos y de los sindicatos, la depuración del ejército y la administración, la sustitución del poder judicial por la Gestapo (Geheime Staatspolizei, Policía secreta del estado) y la formación de una élite dentro del partido, la SS (Schutzstaffel «Tropas de Protección»), Hitler puso en marcha su proyecto de dominación de Europa, con un demagógico llamamiento a la restauración de la grandeza del pueblo alemán, paralelo a la creación del mito y del culto irracional al líder.
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Las demostraciones de fuerza y el enaltecimiento pseudorracial se concretaron en la persecución de los adversarios políticos y en la criminalización racista. Todo esto hizo posible una serie de actos abominables y la creación de los campos de concentración, concebidos con el objetivo de apartar de la sociedad y castigar a los enemigos del régimen.


1939- 1945

Exilio y persecución de los republicanos
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Después de la derrota del ejército republicano casi 500.000 personas cruzaron los Pirineos. Fueron internadas en campos de concentración improvisados donde padecieron todo tipo de penalidades, similares a las que sufrieron los detenidos en los campos de la España de Franco.
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franco_hitler.jpg (59K) Las autoridades francesas desbordadas por la situación e incómodas por la presencia de miles de antifascistas, en un momento en que algunos países comenzaban a reconocer el régimen de Franco, forzaban a los exiliados a volver a España aunque sin demasiado éxito. Finalmente, sin embargo, el estallido de la Segunda Guerra Mundial acabó por imponerles tres destinos: el ingreso en la Legión Extranjera, la integración en Batallones de Marcha o en las Compañías de Trabajadores Extranjeros (CTE). Después de la invasión alemana y la posterior firma del armisticio por el mariscal Petain, muchos republicanos fueron detenidos e internados en stalags («campos de origen»), el gobierno de Vichy se desentendió de su destino e incluso facilitó información a los alemanes para identificarlos, hecho que junto con la postura de Franco de negarles la condición de Españoles, los convirtió en «apátridas indeseables», marcados con el triángulo azul. Entre agosto de 1940 y junio de 1941 unos 6.000 prisioneros fueron enviados a los campos de exterminio del Reich, adonde también llegaron en transportes posteriores, otros hombres y mujeres detenidos por haber participado en actividades de la Resistencia.

Las agresiones nazis en Europa
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Las acciones agresivas de Hitler, bajo la cobertura propagandística de la necesidad de «espacio vital» para la «raza» germánica, obedecieron a un plan meticulosamente preparado y provocaron unas relaciones cada vez más tensas y conflictivas con la Sociedad de Naciones y las democracias occidentales, que acabaron claudicando ante las anexiones territoriales de Austria y los Sudetes en 1938. La Conferencia de Munich, en septiembre del mismo año y la firma de un pacto de no agresión entre Stalin y Hitler fueron pasos decisivos en la imparable marcha hacia el este, desde la invasión de Checoslovaquia hasta el ataque a Polonia el 1 de septiembre del 39. La declaración de guerra por parte de Inglaterra y Francia tampoco impidió la rápida penetración y ocupación de la Europa nórdica y occidental, y finalmente la invasión de Rusia en junio de 1941.
El control y la represión policial, el envío de trabajadores hacia Alemania, el antisemitismo y el internamiento de los resistentes en prisiones y campos, mostraban la ignominiosa intención del Tercer Reich de hacer de Alemania el centro de una Europa sometida, explotada y limpia de enemigos por motivos étnicos y políticos. Los campos de concentración y exterminio, extendidos desde Francia hasta Rusia, fueron el medio más perverso dentro de este panorama de conquista, sumisión, explotación y eliminación de los adversarios.

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EL MUNDO CONCENTRACIONARIO

La organización de los campos
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Para los nazis la persecución, la concentración y el exterminio formaban parte de la guerra y conciliaban dos objetivos: la eliminación de los enemigos y de las «razas inferiores» y cubrir la necesidad cada vez más urgente de mano de obra desde 1942. Para estas finalidades concibieron los campos de concentración y de exterminio, bajo el mando de Himmler, máximo responsable de las SS. Si los detenidos por la Gestapo eran entregados a las SS, entraban a formar parte de un universo regido por un poder ilimitado que llegaba a actuar como un estado dentro del estado.
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La organización de los campos estaba condicionada al cálculo entre inversión y gasto, tanto si se trataba de eliminación de los deportados como de su utilización como mano de obra esclava. Estos objetivos requerían la colaboración de todos los aparatos del estado como funcionarios, científicos, militares..., y de la gran industria alemana, así como el apoyo o el silencio de las autoridades y de parte de los habitantes de los países ocupados.
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Los campos eran complejos de muchas hectáreas, con numerosas instalaciones anexas y más de un millar de comandos exteriores que trabajaban en obras públicas, fábricas, fortificaciones o en la construcción de otros campos. La ubicación de los campos estaba condicionada por razones estratégicas, industriales, o militares, y los deportados útiles eran trasladados de un campo o comando a otro según las necesidades industriales del momento o la evolución de la guerra.
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Como inmensas ciudades siniestras, completamente aislados por muros, alambradas y flanqueados por torres de vigilancia, se extendían los barracones (blocks) donde se comía y se dormía, así como las instalaciones de exterminio: cámaras de gas y crematorios. En medio había grandes explanadas (appelplatz) donde se realizaban las interminables revistas y los castigos. Aquellas instalaciones contrastaban con las casas confortables de los miembros de la SS y sus familias construidas en los alrededores.
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La autoridad de cada campo la ejercía un comandante de la SS y la vigilancia estaba a cargo de guardias del mismo cuerpo, ayudados a veces por miembros del ejército, que conseguían así librarse de ir al frente. Al final de la guerra muchos campos quedaron bajo el mando de las policías locales de los países ocupados debido a la incorporación de los SS a las unidades militares propias (Waffen SS).
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La administración interna era ejercida por un miembro jefe que hacía de interlocutor entre los presos y los miembros de la SS. Dentro de cada block había un responsable que tenía a sus ordenes un ayudante para la limpieza, y los kapos, generalmente detenidos de derecho común (verbrecher) caracterizados por su crueldad y que se encargaban del contacto directo con los internos. Otras tareas especialmente deseadas como la limpieza, barbería y cocina eran ejercidas por deportados que, de esta manera podían ayudar en las situaciones personales más desesperadas.
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Los prisioneros que trabajaban en las cámaras de gas o en los crematorios formaban parte de los sonderkomandos (comando especial) y recibían un trato mejor, pero estaban aislados del resto de prisioneros y eran eliminados periódicamente para impedir la divulgación de su trabajo.
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Cargos de la SS Cargos de los prisioneros
Lagercomandant: Oficial superior del campo

Verwaltungsführer: Resposable de la administración económica

Lagerführer: Ayudante del oficial superior o jefe de los comandos

Arbeitstatistik: Jefe de comando

Lagerpolizei: Guardia del campo
Lagerältester: Responsable del campo, detenido encargado de
la gestión interna del campo ante los SS

Blockältester-Blockowa: Hombre o mujer responsable de un block

Schreiber: Secretario del responsable del block

Stubendieste: Auxiliar del responsable del block

Kapo (KAmeraden y POlizei):
Responsable de un comando de trabajo o de un servicio

Prominenten: Barberos, cocineros,...


Los campos de los Españoles
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Las mujeres y los hombres antifascistas que cayeron en manos de los nazis acabaron deportados a diversos campos de Alemania, Polonia y Austria como Dachau, Flossenburg, Auschwitz y Büchenwald. El destino de la mayoría de las mujeres, sin embargo, fue Ravensbrück y el de los hombres Mauthausen.
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El campo de Ravensbrück fue construido por prisioneros de Sachsenhausen el año 1939 y ampliado en tres ocasiones; hasta su liberación concentró 150.000 mujeres de las que murieron 92.000. 1942 fue el año de máxima afluencia. En los días anteriores a la liberación, centenares de prisioneras fueron obligadas a evacuar el campo en las «marchas de la muerte», de manera que, cuando el ejército soviético entró al recinto el 28 de abril de 1945, encontró miles de cadáveres y sólo unas cuantas mujeres supervivientes. El campo de Mauthausen, situado en la ladera de una colina sobre el valle del Danubio, fue concebido como campo central para toda Austria. Después de una visita, Himmler y Pohl consideraron la posibilidad de explotación, en beneficio de las SS de la cantera de Wienergraben, propiedad del Ayuntamiento de Viena hasta 1938. Un comando trasladado de Dachau comenzó a trabajar en condiciones de esclavos en la construcción del recinto.
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A partir de los 20 barracones iniciales, Mauthausen se convirtió en un enorme complejo fortificado, con construcciones anexas e instalaciones complementarias, a las órdenes del comandante Ziereis. Presidido por la gigantesca águila de bronce que todos los presos tenían que saludar al entrar y salir de las instalaciones, tenía 49 campos auxiliares extendidos por toda Austria y 70 comandos, por donde pasaron unos 200.000 deportados de los que murieron unos 120.000 . Después de los primeros prisioneros alemanes y austríacos, empezaron a llegar transportes procedentes de diferentes países, entre los cuales, en agosto de 1940, estaban los 10.000 republicanos españoles. Durante los años siguientes fue muy importante la afluencia de polacos, detenidos políticos de toda Europa y miles de prisioneros soviéticos, que fueron obligados a construir fuera del campo, la enfermería, tristemente conocida por sus horribles condiciones como «el campo ruso». Al final de la guerra ingresaron allí personas de países que habían sido aliados del nazismo como judíos húngaros y deportados de otros campos.
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La presencia de mujeres comenzó en 1942, con resistentes checas, yugoslavas, soviéticas... , hasta llegar a 5.000, sobre todo a partir de los transportes de Ravensbrück. El más importante de estos transportes llegó el 7 de marzo de 1945, con unas 1.800 mujeres entre las que había muchas españolas. Sometidas a un trato durísimo en comandos exteriores, las obligaron a trabajar y muchas murieron, bajo la acción de los bombardeos, hasta que su negativa a trabajar tuvo éxito.
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A 4 Km. de Mauthausen, se levanta el campo de Gusen, donde fueron eliminados la mayoría de los españoles débiles y enfermos. Unos 12.000 deportados bajo las órdenes del comandante Milesky, explotaban allí también una cantera. El año 1942 se crea Gusen II para utilizar un número similar de prisioneros, soviéticos, italianos y españoles, en unas galerías subterráneas, situadas a 30 km. y donde se fabricaba material de guerra para la empresa Steyr.

El traslado y la llegada
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Por carreteras y vías férreas circulaban transportes preparados especialmente y herméticamente cerrados donde se amontonaban centenares de personas. El viaje podía alargarse durante días o semanas sin que recibiesen comida ni bebida. La llegada al campo de los que habían sobrevivido al viaje, además del impacto producido por la visión de los internos, les provocaba una sensación de incomprensión de la realidad, de desesperación o de rendición ante las adversidades.
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Los deportados eran recibidos violentamente por los SS y sus perros, en una lengua que la mayoría no entendía. Los hacían formar bajo la mirada de personal especializado que decidía su exterminio o su utilización como mano de obra esclava.
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Una vez despojados de la ropa y del equipaje y con todo el cuerpo rasurado, los bañaban con agua helada o hirviendo, los desinfectaban y los inscribían con un número de matrícula que sustituía su nombre desde entonces. Los vestían con el uniforme con un triángulo de color cosido, según la categoría de los presos, y con la letra inicial del país de origen, o bien con el brazalete con la inscripción «idiota» para los enfermos mentales. Los deportados eran sometidos a cuarentenas durísimas, sonando canciones militares alemanas, con pruebas de resistencia que les hundían la moral y les debilitaban el cuerpo.
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El trabajo
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Los deportados trabajaban en beneficio de la misma SS, directamente o bien cedidos a centenares de empresas y de subcontratistas, que negociaban con el comandante del campo los contratos de retribución; generalmente consistían en seis marcos diarios por el trabajo de un prisionero cualificado, el coste del mantenimiento del cual era de un marco diario.
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A medida que era necesario sustituir la mano de obra alemana necesaria para el frente o bien acelerar la producción de las industrias de guerra, la explotación se intensificó, de manera que en agosto de 1944, en el conjunto del Reich había 7.600.000 trabajando en régimen esclavo.
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Enrolados en comandos dirigidos por los kapos, trabajaban en canteras, talleres subterráneos, excavaciones, fábricas de ladrillos, pantanos... o en tareas inútiles hasta la muerte o el límite de su resistencia física, entonces los deportados eran calificados de «musulmanes».
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Hasta el año 1939 la tarea prioritaria de los prisioneros de Mauthausen fue la construcción del mismo campo con la extracción de material de la cantera, que comprendía la tristemente famosa escalera de 186 escalones por la que los deportados tenían que cargar bloques de 30 o 35 kilos. A partir de 1941, los comandos del exterior cargaban piedras en la gabarras por el Danubio y construían los chalets de los SS, y en 1943 comenzaron a ser utilizados en industrias de armamento de toda Austria. El traslado de presos entre Dachau, Mauthausen y el castillo de Hartheim, donde se realizaban los experimentos médicos, fue continuo.
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Las internadas en Ravensbrück seleccionadas eran obligadas a trabajar en la Siemens, la Thyssen y la Industriehof, y a suministrar mano de obra a los campos de Mauthausen , Dachau, Flossenburg y Buchenwald; mientras que las más viejas o débiles esperaban su turno para los crematorios cosiendo mantas, uniformes o haciendo punto. Trabajar con lentitud y estropear la maquinaria fueron formas de sabotaje utilizadas por las mujeres resistentes.
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Algunas empresas explotadoras de la mano de obra esclava
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Siemens, Krupp, I.G. Farben, Daimler-Benz, Flick, AEG, Thyssen, Henschel. Industriehf, Steyr-Werke, BMW, Mittelbau, Schneider, AGW, Adler, Bayer, Volkswagen, Heinkel, Messerschmitt A.G. ...

La subsistencia
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La jornada de los internos se iniciaba de madrugada, con largas revistas, y acababa por la noche, cuando eran sometidos a nuevas formaciones, siempre bajo los imperativos de la alimentación mínima y de la máxima reducción del tiempo de sueño y de las horas de comer.
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A las terribles jornadas de trabajo, a la arbitrariedad de las órdenes, a la insalubridad y la precariedad del alojamiento y a los déficits alimenticios se añadía el frío y el agotamiento de las largas revistas y de los castigos. Estas condiciones hacían de todos los presos candidatos a terribles enfermedades como el tifus, disentería, tuberculosis, septicemia... y a la muerte en un término medio de tres a seis meses.
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Las torturas corporales eran también prácticas cotidianas: dolorosos colgamientos, castigos públicos, azotes con látigos de nervios de buey que tenían que ser contados en alemán por los mismos presos y aislamiento en celdas incomunicadas (bunker) sin comer ni beber... Estos castigos acababan a menudo con la muerte que también se les reservaba en sus modalidades más perversas como la aplicación de la «ley de fugas», lanzamiento contra la alambrada electrificada o el descuartizamiento por los perros.
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Los experimentos médicos
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Las prácticas sobre los cuerpos de los deportados, realizadas en los mismos campos o en empresas privadas, estaban dirigidas por el Instituto de Higiene de las Waffen SS, con la colaboración de médicos, laboratorios farmacéuticos e instituciones universitarias. La inoculación de enfermedades; pruebas para determinar la resistencia al frío, a la oscuridad, a la altitud; quemaduras; esterilizaciones encaminadas a métodos de exterminio biológico y vivisecciones con extracciones de huesos, nervios o músculos formaban parte de programas en los que los seres humanos se convertían en conejillos de indias (kanichen).
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A 17 km. de Mauthausen se alzaba el castillo de Hartheim, uno de los centros de eutanasia y de experimentación pseudocientífica más activos del Reich y donde fueron gaseados muchos republicanos.
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Las mujeres internadas en Ravensbrück sufrieron humillaciones y todo tipo de brutalidades: controles vaginales y selección para los prostíbulos de los SS, mutilaciones y abortos si el feto era inferior a 8 meses, asesinato de los recién nacidos delante de las madres..., crímenes que convertían la estancia en este campo en una experiencia dantesca para las deportadas.

La muerte
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Además de los suicidios por desesperación o inducción, la «ley de fugas» y las ejecuciones, los enfermos y los musulmanes morían con una inyección de bencina, ahogados en depósitos de agua o bien asfixiados en las cámaras de gas, desde donde eran conducidos a los hornos crematorios. Desde 1940 ya se rentabilizaban los cadáveres, mediante la extracción del oro de las dentaduras y la instalación de fábricas para la recuperación del cabello, de la ropa, de la grasa y de los huesos. La progresión del exterminio llegó a hacer insuficientes las instalaciones, de manera que tenían que cavarse grandes fosas para enterrar los cadáveres o bien ser almacenados para esperar turno para los hornos.
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La solidaridad y la resistencia
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Aunque existieron algunas revueltas y fugas, como la de los 400 soviéticos de Mauthausen en febrero de 1945, que solían fracasar y se castigaban con la muerte, los deportados con más fuerzas o ánimos eran conscientes de que la supervivencia era una lucha diaria que tenían que realizar con ingenio, y, sobre todo, manteniendo la moral alta a través de las relaciones personales y de grupo.
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Los que conocían oficios que podían ser útiles en aquellas circunstancias no ahorraban esfuerzos para reparar, por ejemplo calzado o ropa; los que tenían contactos con el personal interno en la enfermería o en las cocinas reanimaban a los más agotados o enfermos; los que seleccionaban los equipajes de los recién llegados conseguían objetos de utilidad, y otros simplemente transmitían información, cantaban o conversaban.
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La organización de comités clandestinos, nacionales o internacionales, fue habitual en todos los campos. Los integraban los deportados física y moralmente más fuertes y con más experiencia. A medida que iban ingresando prisioneros acostumbrados a la lucha y a la resistencia, como era el caso de los republicanos españoles y de los exmiembros de las Brigadas Internacionales, los comités iban tomando importancia, mientras se rehacían de los continuos golpes que recibían. Consiguieron realizar diversas acciones como la elaboración del croquis de los campos, transmisión de instrucciones para boicotear o retrasar el ritmo de trabajo y sobre todo la sustitución de los presos comunes por personas de confianza en los puestos de responsabilidad.
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En los últimos meses de la guerra, las organizaciones clandestinas pudieron agilizarse gracias a la marcha de los SS más jóvenes al frente y a su posterior sustitución por otros vigilantes. Cuando los ejércitos aliados llegaron a muchos campos, los encontraban controlados por los comités de resistencia que habían extremado su acción de autodefensa y se habían provisto de armas por miedo a una matanza generalizada antes de la huida de los SS. El año 1943, los deportados republicanos de Mauthausen habían constituido el Aparato Militar, que sería la base del Aparato Militar Internacional y que disponía de una estructura capaz de movilizar unos 5.000 deportados. Contribuyeron también a la formación del Comité Internacional Clandestino de la Resistencia, en mayo de 1944. Vinculados a los partidos comunistas, el Comité fue dirigido por los austríacos Léo Glaber, Franz Marsalek, Joseph Khol y el checo Artur London y más adelante, se incorporó el español Manuel Razola. Con la llegada de noticias sobre la proximidad de los ejércitos aliados, la actividad del Comité se intensificó, se negaron a cualquier traslado y a ser enrolados en unidades de las SS para combatir a los soviéticos, pero no pudieron evitar que muchos españoles fuesen obligados a destruir las pruebas del castillo de Hartheim.
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La liberación
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Las semanas que precedieron la llegada de los ejércitos soviéticos o americanos fueron infernales para muchos de los deportados y deportadas. Dentro de los campos la situación era crítica a causa de la falta de alimentos y por la inseguridad de lo que sucedía en el exterior, donde aún había combates. Bajo la consigna de que ningún prisionero podía caer en manos del enemigo, los nazis se apresuraron a liquidar a los enfermos y débiles. También evacuaron hacia otros campos, en medio del caos, a miles y miles de personas, la mayoría de los cuales no sobrevivieron al traslado, muriendo por el camino, bajo las bombas aliadas o fusilados por los SS.
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El campo de Mauthausen fue abandonado por los SS entre el 3 y el 5 de mayo de 1945, por miedo a una revuelta, y quedó bajo la custodia de la policía municipal de Viena, hasta que unos motoristas americanos lo localizaron el día 5 de mayo. Entonces el Comité Internacional se hizo cargo del control del campo y pusieron hombres armados en todos los puntos estratégicos para esperar la llegada del ejército aliado. En aquel momento quedaban 2.184 republicanos.
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Pero una vez liberados y después de organizarse las repatriaciones en trenes, camiones o aviones, los problemas de los españoles no acabaron aquí, ya que no tenían un país de acogida hasta que Francia accedió a la concesión de salvoconductos.
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El Hotel Lutetia de París, sede de la Gestapo durante la ocupación, se transformo en centro de asistencia de los deportados y allí fueron llegando los republicanos que habían de empezar a vivir, a recuperar lo que habían dejado y a prepararse para el futuro.

El destino de los verdugos
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Sólo una pequeña parte de los verdugos compareció ante los tribunales militares internacionales como los de Nuremberg o Dachau. No les sirvió de nada alegar deber de obediencia y pagaron su responsabilidad en la barbarie nazi; otros huyeron a América del Sur o a España, algunos se suicidaron o murieron intentando huir, como el comandante Ziereis de Mauthausen, y otros se camuflaron en la vida civil.
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La guerra fría sirvió para deformar la responsabilidad histórica; así, mientras los tribunales de desnazificación se decantaban por la clemencia y distinguían entre nazis, militares y alemanes, lo que permitió una rápida reinstauración en los cargos y en la vida pública de muchos de los responsables del exterminio, la población del Reich que había descubierto «con sorpresa» la realidad de los campos de concentración, seguía forjando su futuro ignorando que lo que había significado Hitler no hubiera sido posible sin su participación activa y sin su pasividad.
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EL MUNDO DEL HOMBRE LIBRE
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Epílogo
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Al abrirse las puertas del campo de Mauthausen, el 16 de mayo de 1945, el comité español añadió su firma a la de todos los comités clandestinos en el juramento hecho en nombre de todos los presos políticos y que finaliza con las siguientes palabras:
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«Recordando la sangre vertida por todos los pueblos y los millones de seres humanos sacrificados, asesinados, inmolados por el fascismo nazi, juramos no abandonar nunca el camino que nos hemos trazado. Sobre la base de la comunidad internacional queremos erigir, a los soldados de la libertad caídos en esta lucha sin tregua, el más bello monumento: EL MUNDO DEL HOMBRE LIBRE.
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Nos dirigimos al mundo entero para decirle: Ayúdanos en esta tarea.

¡Viva la solidaridad internacional!

¡Viva la libertad!»

Las deportadas y deportados, acogidos con respeto y con el apoyo de los partidos y organizaciones de la resistencia y de los gobiernos de la mayor parte de los países, impulsaron asociaciones y dieron testimonio de su experiencia en actos públicos, diarios, revistas y otras publicaciones. Pero no fue el caso de los republicanos españoles; los pocos que volvieron a su país estuvieron condenados al silencio por la dictadura franquista y se refugiaron en la solidaridad de amigos y familiares.
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En 1962, un grupo de deportados y familiares fundaron en la clandestinidad la Amical Mauthausen , presidida por Joan Pagès, que hasta el año 1978 no fue reconocida oficialmente, con el objetivo de la defensa de la dignidad y de los derechos de las víctimas.


Para la generación protagonista y para todas las generaciones siguientes queda el compromiso moral y la responsabilidad histórica de no olvidar y de realizar una tarea constante de rechazo y denuncia del exterminio nazi, que algunos incluso llegan a negar, en un mundo en que las nuevas acepciones del nazismo no han dejado nunca de ser una amenaza frente a los valores democráticos de la libertad y la solidaridad.
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texto em

O Horror no Campo de Concentração nazi-fascista de Mauthausen

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clicar na hipeligação acima para saber mais.
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ver aqui, no Momentos Breves, imagens da

Guerra Civil Espanhola


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ENLACES lin01.gif (1K)

AMICAL DE MAUTHAUSEN
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MAUTHAUSEN MEMORIAL
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THE FORGOTTEN CAMPS
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UNA ESPERANÇA DESFETA. L'EXILI DE 1939.
Una esperanza deshecha. El exilio de 1939
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SIMON WIESENTHAL CENTER
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FUNDACIÓN MEMORIA DEL HOLOCAUSTO
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CANAL DE LOS PRESOS. CGT Andalucía
Lista de todos los muertos en Mauthausen de Andalucía.