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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Stalin e o discurso de Churchill sobre a Cortina de Ferro



Iosif Stalin, entrevista sobre o discurso de Churchill sobre a Cortina de Ferro. 14 de março de 1946.

Nesta entrevista encenada para um jornal, Stalin respondeu ao discurso de Winston Churchill em Fulton, "Os Nervos da Paz", com a advertência de que uma "cortina de ferro" havia descido sobre a Europa. Ocorrendo logo após o discurso de Stalin sobre a eleição de 9 de fevereiro e pouco antes do "Longo Telegrama" de George F. Kennan, a troca de mensagens ajudou a definir o vocabulário inicial da Guerra Fria. Stalin retratou Churchill como um belicista que promovia um bloco anglófono, defendeu a predominância soviética na Europa Oriental como uma necessidade de segurança baseada no sacrifício em tempos de guerra e insistiu que a política soviética era pacífica, enquanto a "resistência" ocidental era provocativa.

Fonte original: Pravda, 14 de março de 1946.

P: Qual a sua avaliação do recente discurso do Sr. Churchill nos Estados Unidos da América?

A. Considero isso um ato perigoso, calculado para semear a discórdia entre os estados aliados e dificultar sua colaboração.

P: Pode-se considerar que o discurso do Sr. Churchill causou prejuízo à causa da paz e da segurança?

A. Certamente. A essência da questão é que o Sr. Churchill agora assume a posição de um belicista. E o Sr. Churchill não está sozinho nisso; ele tem amigos não só na Inglaterra, mas também nos Estados Unidos da América.

É importante notar que Churchill e seus aliados lembram muito, nesse aspecto, Hitler e seus aliados. Hitler iniciou a tarefa de desencadear a guerra proclamando a teoria racial, declarando que apenas os povos que falavam alemão constituíam uma nação plena. Churchill também iniciou a tarefa de desencadear a guerra com uma teoria racial, afirmando que apenas as nações que falam inglês são nações plenas, destinadas a governar os destinos do mundo inteiro. A teoria racial alemã levou Hitler e seus aliados ao ponto de que os alemães, como a única nação plena, deveriam dominar as demais nações. A teoria racial inglesa leva Churchill e seus aliados à conclusão de que as nações de língua inglesa, como as únicas nações plenas, deveriam dominar o resto das nações do mundo.

Em essência, o Sr. Churchill e seus amigos na Inglaterra e nos EUA apresentaram às nações não anglófonas algo como um ultimato: reconheçam voluntariamente nossa dominância e então tudo estará em ordem; caso contrário, a guerra é inevitável.

Mas as nações derramaram seu sangue ao longo de cinco anos de guerra cruel pela liberdade e independência de seus países, e não para trocar o domínio de Hitler pelo domínio de Churchill. É totalmente provável, portanto, que as nações não anglófonas, que incluem a grande maioria da população mundial, não concordem em aceitar uma nova escravidão.

A tragédia do Sr. Churchill é que ele, como um conservador inveterado, não entende essa verdade simples e óbvia.

Não há dúvida de que a postura do Sr. Churchill é uma postura de guerra, um apelo à guerra com a URSS...

P: Como o senhor avalia a parte do discurso do Sr. Churchill em que ele ataca a ordem democrática nos estados europeus que são nossos vizinhos e em que critica as relações de boa vizinhança que foram estabelecidas entre essas nações e a União Soviética?

A. Esta parte do discurso do Sr. Churchill é uma mistura de elementos de difamação, grosseria e falta de tato.

O Sr. Churchill declara que "Varsóvia, Berlim, Praga, Viena, Budapeste, Belgrado, Bucareste, Sófia – todas essas cidades famosas e as populações da região circundante estão na esfera soviética e todas estão sujeitas, de uma forma ou de outra, não só à influência soviética, mas também, em grande medida, ao crescente controle de Moscou". O Sr. Churchill caracteriza tudo isso como as ilimitadas "tendências expansionistas" da União Soviética.

Não é preciso muito esforço para demonstrar que aqui o Sr. Churchill difama de forma grosseira e impudente tanto Moscou quanto os estados vizinhos da URSS mencionados anteriormente.

Em primeiro lugar, é completamente absurdo falar de controle exclusivo da URSS em Viena e Berlim, onde existem Conselhos de Controle Aliados compostos por representantes de quatro estados e onde a URSS detém apenas um quarto dos votos...

Em segundo lugar, não se deve esquecer as seguintes circunstâncias. Os alemães lançaram a invasão da URSS através da Finlândia, Polônia, Romênia, Bulgária e Hungria. Os alemães conseguiram lançar a invasão por esses países porque neles existiam governos, na época, hostis à URSS. Como resultado da invasão alemã, a União Soviética perdeu cerca de sete milhões de pessoas para sempre em combate contra os alemães e, também devido à ocupação alemã, no exílio forçado de cidadãos soviéticos para trabalhos forçados na Alemanha. Escusado será dizer que a União Soviética perdeu várias vezes mais pessoas do que a Inglaterra e os Estados Unidos da América juntos. Possivelmente, existe uma inclinação em alguns lugares para relegar ao esquecimento esses sacrifícios colossais do povo soviético, que garantiram a libertação da Europa do jugo de Hitler. Mas a União Soviética não pode esquecê-los. Pode-se perguntar o que há de surpreendente no fato de a União Soviética querer segurança no futuro, em suas tentativas de garantir que nesses países existam governos que mantenham relações leais com a União Soviética? Será possível, sem perder o juízo, caracterizar esses esforços pacíficos da União Soviética como tendências expansionistas do nosso Estado?

O Sr. Churchill declara ainda que "os partidos comunistas, que eram insignificantes em todos esses estados do Leste Europeu, ganharam poder exclusivo..."

Como se sabe, a Inglaterra é agora governada por um governo de partido único, o Partido Trabalhista, que impede os demais partidos de participarem do governo inglês. Churchill chama isso de democratismo autêntico. Polônia, Romênia, Iugoslávia, Bulgária e Hungria são governadas por um bloco de vários partidos — de quatro a seis — que garante à oposição, se mais ou menos leal, o direito de participar do governo. Churchill chama isso de totalitarismo, tirania, estado policial...

O Sr. Churchill quer que a Polônia seja governada por Sosnkowski e Anders, a Iugoslávia por Mikhailovich e Pavelich, a Romênia pelo Príncipe Stirbey e Radescu (todos não comunistas; Pavelich era um nazista croata), a Hungria e a Áustria por algum rei da Casa de Habsburgo, e assim por diante. O Sr. Churchill quer nos assegurar que esses senhores dos esconderijos fascistas podem garantir o "democratismo pleno". Esse é o "democratismo" do Sr. Churchill.

O Sr. Churchill se aproxima da verdade quando fala do crescimento da influência dos Partidos Comunistas na Europa Oriental. Deve-se notar, porém, que ele não é totalmente preciso. A influência dos Partidos Comunistas está crescendo não apenas na Europa Oriental, mas em quase todos os países europeus onde o fascismo já predominou (Itália, Alemanha, Hungria, Bulgária, Romênia, Finlândia) ou onde houve ocupação alemã ou italiana (França, Bélgica, Holanda, Noruega, Dinamarca, Polônia, Tchecoslováquia, Iugoslávia, Grécia, União Soviética, etc.).

O crescimento da influência dos Partidos Comunistas não pode ser considerado acidental. É um fenômeno completamente regular. A influência dos Partidos Comunistas está crescendo porque, nos piores anos da dominação fascista na Europa, os comunistas se mostraram lutadores confiáveis, corajosos e abnegados contra o regime fascista, pela liberdade do povo...

Essas são as leis do desenvolvimento histórico.

É claro que o Sr. Churchill não gosta desse desenrolar dos acontecimentos e, freneticamente, soa o alarme, o chamado às armas... Não sei se o Sr. Churchill e seus amigos conseguirão, após a Segunda Guerra Mundial, organizar uma nova campanha militar contra a "Europa Oriental". Mas, se conseguirem, o que é improvável, visto que milhões de "pessoas comuns" se mantêm vigilantes em defesa da paz, então pode-se afirmar com certeza que serão derrotados, como foram derrotados no passado, há vinte e seis anos.

Fonte: Robert H. McNeal, ed., Lenin. Stalin. Khrushchev. Voices of Bolshevism (Englewood Cliffs: Prentice Hall, 1963), pp. 120-123.

https://soviethistory.msu.edu/1947/cold-war/cold-war-texts/stalin-on-churchills-iron-curtain-speech/

Churchill - Discurso da 'Guerra fria', em Fulton (1946)

 

Em 5 de março de 1946, a presença de Winston Churchill e do presidente Harry Truman transformou o ginásio de uma faculdade em uma pequena cidade do Meio-Oeste americano em um palco mundial, quando Churchill proferiu seu discurso mais famoso do pós-Segunda Guerra Mundial: "Os Nervos da Paz".

O fato de Churchill e Truman terem viajado até Fulton, no Missouri, é a história de um reitor universitário com a audácia de pedir o aparentemente impossível; de um ex-aluno do Westminster College com acesso ao Presidente dos Estados Unidos; de um Presidente dos Estados Unidos disposto a aceitar o convite; e de um primeiro-ministro britânico recém-derrotado com a perspicácia de reconhecer uma oportunidade.

É uma história de coincidência e de um momento aproveitado com ousadia — uma combinação que Churchill explorou ao longo de toda a sua vida.

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Fico feliz em vir ao Westminster College esta tarde e me sinto honrado por me concederem um diploma. O nome "Westminster" me é familiar. Parece que já ouvi falar dele antes. De fato, foi em Westminster que recebi grande parte da minha formação em política, dialética, retórica e mais algumas disciplinas. Aliás, ambos estudamos na mesma instituição, ou em instituições semelhantes, ou, pelo menos, em instituições afins.

É também uma honra, talvez quase única, para um visitante particular ser apresentado a uma plateia acadêmica pelo Presidente dos Estados Unidos. Em meio aos seus pesados ​​encargos, deveres e responsabilidades — não solicitados, mas dos quais não se esquiva — o Presidente viajou milhares de quilômetros para dignificar e abrilhantar nosso encontro aqui hoje e para me dar a oportunidade de me dirigir a esta nação irmã, bem como aos meus compatriotas do outro lado do oceano, e talvez também a alguns outros países. O Presidente disse-lhes que é seu desejo, como tenho certeza que é o de vocês, que eu tenha plena liberdade para oferecer meu conselho sincero e leal nestes tempos de ansiedade e incerteza.

Certamente aproveitarei esta liberdade e sinto-me ainda mais no direito de fazê-lo porque quaisquer ambições pessoais que eu possa ter nutrido na minha juventude foram satisfeitas para além dos meus sonhos mais ousados. Deixe-me, no entanto, deixar claro que não tenho qualquer missão ou posição oficial e que falo apenas por mim. Não há nada aqui além do que você vê.

Posso, portanto, permitir que minha mente, com a experiência de uma vida inteira, reflita sobre os problemas que nos afligem no dia seguinte à nossa vitória absoluta nas armas, e tentar garantir, com toda a força que me resta, que o que foi conquistado com tanto sacrifício e sofrimento seja preservado para a glória e segurança futuras da humanidade.

Os Estados Unidos encontram-se, neste momento, no auge do poder mundial. É um momento solene para a democracia americana, pois a primazia no poder vem acompanhada de uma responsabilidade inspiradora para com o futuro. Ao olhar ao redor, é preciso sentir não apenas a sensação de dever cumprido, mas também a ansiedade de não ficar aquém do nível de realização alcançado.

A oportunidade está aqui agora, clara e brilhante para ambos os nossos países. Rejeitá-la, ignorá-la ou desperdiçá-la trará sobre nós todas as longas reprovações do futuro.

É necessário que a constância de espírito, a persistência de propósito e a grande simplicidade de decisão guiem e regulem a conduta dos povos de língua inglesa em tempos de paz, assim como o fizeram em tempos de guerra. Devemos, e acredito que iremos, provar que estamos à altura dessa exigência rigorosa.

Quando militares americanos se deparam com alguma situação grave, costumam escrever no cabeçalho de suas diretrizes as palavras "Conceito Estratégico Geral". Há sabedoria nisso, pois leva à clareza de pensamento. Qual é, então, o conceito estratégico geral que devemos adotar hoje? Nada menos que a segurança e o bem-estar, a liberdade e o progresso de todos os lares e famílias de todos os homens e mulheres em todas as nações.

E aqui me refiro particularmente às inúmeras casas ou apartamentos onde o assalariado se esforça, em meio aos acidentes e dificuldades da vida, para proteger sua esposa e filhos da privação e criar a família no temor do Senhor, ou segundo concepções éticas que muitas vezes desempenham um papel importante.

Para garantir a segurança dessas inúmeras casas, elas devem ser protegidas dos dois saqueadores impiedosos: a guerra e a tirania.

Todos nós conhecemos os terríveis distúrbios em que a família comum mergulha quando a maldição da guerra se abate sobre o provedor e aqueles para quem ele trabalha e sustenta.

A terrível ruína da Europa, com todas as suas glórias desaparecidas, e de grandes partes da Ásia, nos encara de frente. Quando os desígnios de homens perversos ou o ímpeto agressivo de Estados poderosos dissolvem, em vastas áreas, a estrutura da sociedade civilizada, as pessoas humildes se veem diante de dificuldades insuperáveis. Para elas, tudo está distorcido, tudo está destruído, tudo está reduzido a pó.

Ao estar aqui nesta tarde tranquila, estremeço ao imaginar o que está realmente acontecendo com milhões de pessoas agora e o que acontecerá neste período em que a fome assola a Terra. Ninguém consegue calcular o que tem sido chamado de "a soma incalculável da dor humana". Nossa tarefa e dever supremos são proteger os lares do povo comum dos horrores e misérias de outra guerra. Todos concordamos com isso.

Nossos colegas militares americanos, após terem proclamado seu "conceito estratégico geral" e calculado os recursos disponíveis, sempre passam para a próxima etapa — ou seja, "o método". Aqui também há amplo consenso. Uma organização mundial já foi criada com o objetivo primordial de prevenir a guerra. A ONU, sucessora da Liga das Nações, com a adição decisiva dos Estados Unidos e tudo o que isso implica, já está em funcionamento.

Devemos garantir que seu trabalho seja frutífero, que seja uma realidade e não uma farsa, que seja uma força para a ação e não apenas uma enxurrada de palavras, que seja um verdadeiro templo da paz onde os escudos de muitas nações possam um dia ser erguidos, e não apenas uma arena na Torre de Babel.

Antes de descartarmos as sólidas garantias do armamento nacional em nome da autopreservação, devemos ter certeza de que nosso templo não está construído sobre areias movediças ou pântanos, mas sobre a rocha. Qualquer um pode ver, com os olhos bem abertos, que nosso caminho será difícil e longo, mas se perseverarmos juntos como fizemos nas duas guerras mundiais — embora não, infelizmente, no intervalo entre elas — não tenho dúvidas de que alcançaremos nosso objetivo comum no final.

Tenho, no entanto, uma proposta concreta e prática para ação. Tribunais e magistrados podem ser criados, mas não podem funcionar sem xerifes e agentes da lei. A Organização das Nações Unidas deve começar imediatamente a ser equipada com uma força armada internacional.

Em tal assunto, só podemos proceder passo a passo, mas devemos começar agora. Proponho que cada uma das potências e estados seja convidada a dedicar um certo número de esquadrões aéreos ao serviço da Organização Mundial. Esses esquadrões seriam treinados e preparados em seus respectivos países, mas se deslocariam em sistema de rodízio entre eles. Usariam o uniforme de seus países, porém com distintivos diferentes.

Eles não seriam obrigados a agir contra a própria nação, mas, em outros aspectos, seriam orientados pela Organização Mundial. Isso poderia começar em pequena escala e cresceria à medida que a confiança aumentasse. Eu desejava ver isso realizado após a Primeira Guerra Mundial e confio sinceramente que possa ser feito imediatamente.

Seria, contudo, errado e imprudente confiar o conhecimento secreto ou a experiência com a bomba atômica, que os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e o Canadá agora compartilham, à Organização Mundial enquanto esta ainda está em seus primórdios. Seria uma loucura criminosa lançá-la à deriva neste mundo ainda agitado e desunido. Ninguém em nenhum país dormiu menos tranquilo por esse conhecimento, o método e as matérias-primas para aplicá-lo estarem, atualmente, em grande parte, em mãos americanas.

Não creio que teríamos dormido tão tranquilamente se as posições fossem invertidas e algum Estado comunista ou neofascista monopolizasse, temporariamente, essas agências temíveis. O mero medo delas poderia facilmente ter sido usado para impor sistemas totalitários ao mundo livre e democrático, com consequências assombrosas para a imaginação humana. Deus quis que isso não aconteça, e temos pelo menos um respiro para colocar a casa em ordem antes de enfrentarmos esse perigo, e mesmo assim, se não pouparmos esforços, ainda possuiremos uma superioridade tão formidável que nos permitirá impor dissuasões eficazes contra o seu uso, ou a ameaça de seu uso, por outros.

Em última análise, quando a fraternidade essencial da humanidade estiver verdadeiramente incorporada e expressa em uma organização mundial com todas as salvaguardas práticas necessárias para torná-la eficaz, esses poderes serão naturalmente confiados a essa organização mundial.

Agora, passo ao segundo perigo desses dois invasores que ameaça o lar e o cidadão comum: a tirania. Não podemos ignorar o fato de que as liberdades desfrutadas pelos cidadãos em todo o Império Britânico não são válidas em um número considerável de países, alguns dos quais muito poderosos.

Nesses Estados, o controle é imposto ao povo comum por diversos tipos de governos policiais abrangentes,  a um grau opressivo  e contrário a todos os princípios da democracia . O poder do Estado é exercido sem restrições, seja por ditadores, seja por oligarquias coesas que operam por meio de um partido privilegiado e uma polícia política. Não é nosso dever, neste momento, em que as dificuldades são tão numerosas, interferir à força nos assuntos internos de países que não conquistamos em guerra.

Mas jamais devemos deixar de proclamar, em tom destemido, os grandes princípios da liberdade e dos direitos do homem, que são herança comum do mundo anglófono e que, por meio da Magna Carta, da Declaração de Direitos, do Habeas Corpus, do julgamento por júri e do Direito Comum Inglês, encontram sua expressão mais famosa na Declaração de Independência dos Estados Unidos.

Tudo isso significa que o povo de qualquer país tem o direito e deve ter o poder, por meio de ações constitucionais, através de eleições livres e irrestritas com voto secreto, de escolher ou mudar o caráter ou a forma de governo sob o qual vive; que a liberdade de expressão e de pensamento deve prevalecer; que tribunais de justiça, independentes do executivo, imparciais a qualquer partido, devem administrar leis que receberam a ampla aprovação de grandes maiorias ou que foram consagradas pelo tempo e pelo costume. Eis os títulos de propriedade da liberdade, que deveriam estar presentes em cada lar. Eis a mensagem dos povos britânico e americano para a humanidade. Preguemos o que praticamos, pratiquemos o que pregamos.

Já mencionei os dois grandes perigos que ameaçam os lares do povo: a guerra e a tirania. Ainda não falei da pobreza e da privação, que em muitos casos são a principal preocupação. Mas se os perigos da guerra e da tirania forem eliminados, não há dúvida de que a ciência e a cooperação poderão trazer ao mundo, nos próximos anos, e certamente nas próximas décadas, com o conhecimento adquirido na escola da guerra, uma expansão do bem-estar material que ultrapasse qualquer coisa já vista na experiência humana.

Agora, neste momento triste e sufocante, estamos mergulhados na fome e na angústia que são as consequências de nossa luta colossal; mas isso passará, e poderá passar rapidamente, e não há razão, a não ser a insensatez humana ou o crime desumano, que negue a todas as nações a inauguração e o desfrute de uma era de abundância. Muitas vezes usei palavras que aprendi há cinquenta anos com um grande orador irlandês-americano, um amigo meu, o Sr. Bourke Cockran: "Há o suficiente para todos. A terra é uma mãe generosa; ela proverá em abundância alimento para todos os seus filhos, se eles cultivarem seu solo com justiça e paz."

Até o momento, acredito que estamos em total acordo. Agora, enquanto ainda buscamos o método para concretizar nosso conceito estratégico geral, chego ao ponto crucial que me trouxe até aqui.

Nem a prevenção segura da guerra, nem a ascensão contínua da organização mundial serão alcançadas sem o que chamei de associação fraterna dos povos de língua inglesa. Isso significa uma relação especial entre a Comunidade Britânica e o Império Britânico e os Estados Unidos. Não é hora para generalidades, e ousarei ser preciso.

A associação fraterna exige não apenas o crescimento da amizade e da compreensão mútua entre nossos dois vastos, porém afins, sistemas sociais, mas também a continuidade da estreita relação entre nossos conselheiros militares, levando ao estudo conjunto de potenciais perigos, à similaridade de armamentos e manuais de instruções, e ao intercâmbio de oficiais e cadetes em escolas técnicas. Deveria incluir a manutenção das atuais facilidades de segurança mútua por meio do uso conjunto de todas as bases navais e aéreas de ambos os países ao redor do mundo. Isso talvez dobrasse a mobilidade da Marinha e da Força Aérea americanas.

Isso ampliaria consideravelmente as Forças do Império Britânico e poderia muito bem levar, se e quando a situação mundial se acalmar, a importantes economias financeiras. Já utilizamos em conjunto um grande número de ilhas; outras poderão ser confiadas aos nossos cuidados conjuntos num futuro próximo.

Os Estados Unidos já possuem um Acordo de Defesa Permanente com o Domínio do Canadá, que é tão devotamente ligado à Comunidade Britânica e ao Império. Este Acordo é mais eficaz do que muitos dos que foram frequentemente firmados no âmbito de alianças formais.

Este princípio deve ser estendido a todas as comunidades britânicas, com plena reciprocidade. Assim, aconteça o que acontecer, e somente assim, estaremos seguros e aptos a trabalhar juntos pelas causas nobres e simples que nos são caras e que não representam nenhum mal para ninguém. Eventualmente, poderá surgir — e acredito que surgirá — o princípio da cidadania comum, mas talvez nos contentemos em deixá-lo ao destino, cujo braço estendido muitos de nós já conseguimos vislumbrar claramente.

No entanto, há uma questão importante que devemos nos fazer. Uma relação especial entre os Estados Unidos e a Comunidade Britânica seria incompatível com nossa lealdade primordial à Organização Mundial? Respondo que, pelo contrário, é provavelmente o único meio pelo qual essa organização alcançará sua plena estatura e força.

Já existem as relações especiais dos Estados Unidos com o Canadá, que acabei de mencionar, e existem as relações entre os Estados Unidos e as repúblicas sul-americanas. Nós, britânicos, temos o nosso Tratado de Vinte Anos de Colaboração e Assistência Mútua com a União Soviética.

Concordo com o Sr. Bevin, Ministro das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, que, no que nos diz respeito, bem poderia ser um Tratado de Cinquenta Anos. Nosso objetivo é apenas a assistência e a colaboração mútuas. Os britânicos têm uma aliança com Portugal ininterrupta desde 1384, que produziu resultados frutíferos em momentos críticos da guerra recente. Nada disso entra em conflito com o interesse geral de um acordo mundial ou de uma organização mundial; pelo contrário, contribui para isso. "Na casa de meu Pai há muitas moradas."

Associações especiais entre membros das Nações Unidas que não têm qualquer propósito agressivo contra outro país, que não abrigam qualquer desígnio incompatível com a Carta das Nações Unidas, longe de serem prejudiciais, são benéficas e, a meu ver, indispensáveis.

Falei anteriormente sobre o Templo da Paz. Trabalhadores de todos os países devem construir esse templo. Se dois desses trabalhadores se conhecem particularmente bem e são velhos amigos, se suas famílias estão interligadas e se eles têm "fé no propósito um do outro, esperança no futuro um do outro e benevolência para com as falhas um do outro" — para citar algumas belas palavras que li aqui outro dia — por que não podem trabalhar juntos na tarefa comum como amigos e parceiros? Por que não podem compartilhar suas ferramentas e, assim, aumentar a capacidade de trabalho um do outro?

Na verdade, eles devem fazê-lo, caso contrário o templo poderá não ser construído, ou, sendo construído, poderá ruir, e todos nós seremos novamente considerados incapazes de aprender e teremos que ir e tentar aprender novamente pela terceira vez em uma escola de guerra, incomparavelmente mais rigorosa do que aquela da qual acabamos de ser libertados.

A Idade das Trevas pode retornar, a Idade da Pedra pode retornar nas asas brilhantes da ciência, e aquilo que agora pode derramar bênçãos materiais imensuráveis ​​sobre a humanidade, pode até mesmo trazer sua destruição total.

Cuidado, eu digo; o tempo pode ser curto. Não deixemos que os acontecimentos se prolonguem até que seja tarde demais.

Se houver uma associação fraterna do tipo que descrevi, com toda a força e segurança adicionais que ambos os nossos países podem obter dela, asseguremo-nos de que esse grande fato seja conhecido pelo mundo e que desempenhe o seu papel na consolidação e estabilização dos alicerces da paz. Esse é o caminho da sabedoria. Prevenir é melhor que remediar.

Uma sombra paira sobre os cenários tão recentemente iluminados pela vitória dos Aliados. Ninguém sabe o que a Rússia Soviética e sua organização internacional comunista pretendem fazer no futuro imediato, ou quais são os limites, se é que existem, de suas tendências expansionistas e proselitistas. Tenho grande admiração e respeito pelo valente povo russo e pelo meu camarada de guerra, o Marechal Stalin. Há profunda simpatia e boa vontade na Grã-Bretanha — e não duvido que também aqui — para com os povos de todos os russos e uma determinação em perseverar, apesar de muitas diferenças e rejeições, no estabelecimento de amizades duradouras. Compreendemos a necessidade russa de ter segurança em suas fronteiras ocidentais, eliminando toda possibilidade de agressão alemã.

Damos as boas-vindas à Rússia ao seu devido lugar entre as principais nações do mundo. Saudamos o hasteamento de sua bandeira nos mares. Acima de tudo, saudamos os contatos constantes, frequentes e crescentes entre o povo russo e o nosso povo em ambos os lados do Atlântico. É meu dever, porém, pois tenho certeza de que desejariam que eu lhes apresentasse os fatos como os vejo, expor-lhes certos fatos sobre a situação atual na Europa.

De Stettin, no Báltico, a Trieste, no Adriático, uma cortina de ferro desceu sobre o continente. Atrás dessa linha encontram-se todas as capitais dos antigos estados da Europa Central e Oriental. Varsóvia, Berlim, Praga, Viena, Budapeste, Belgrado, Bucareste e Sófia, todas essas cidades famosas e as populações ao seu redor estão no que eu chamaria de esfera soviética, e todas estão sujeitas, de uma forma ou de outra, não apenas à influência soviética, mas também a um controle muito elevado e, em muitos casos, crescente por parte de Moscou.

Somente Atenas — a Grécia com suas glórias imortais — tem a liberdade de decidir seu futuro em uma eleição sob a supervisão britânica, americana e francesa. O governo polonês, dominado pela Rússia, foi incentivado a fazer incursões enormes e injustas na Alemanha, e expulsões em massa de milhões de alemães, em uma escala terrível e inimaginável, estão ocorrendo agora. Os partidos comunistas, que eram muito pequenos em todos esses Estados do Leste Europeu, ascenderam a uma preeminência e a um poder muito além de sua representatividade e buscam, em todos os lugares, obter o controle totalitário.

Governos policiais prevalecem em quase todos os casos e, até agora, com exceção da Checoslováquia, não há verdadeira democracia. A Turquia e a Pérsia estão profundamente alarmadas e perturbadas com as exigências que lhes são feitas e com a pressão exercida pelo governo de Moscou. Os russos em Berlim estão tentando construir um partido quase comunista em sua zona da Alemanha ocupada, concedendo favores especiais a grupos de líderes alemães de esquerda.

Ao final dos combates em junho passado, os exércitos americano e britânico recuaram para oeste, de acordo com um acordo prévio, até uma profundidade de 150 milhas em alguns pontos, numa frente de quase quatrocentas milhas, a fim de permitir que nossos aliados russos ocupassem essa vasta extensão de território que as democracias ocidentais haviam conquistado.

Se agora o governo soviético tentar, por meio de ações isoladas, construir uma Alemanha pró-comunista em seus territórios, isso causará novas e sérias dificuldades nas zonas britânica e americana, e dará aos alemães derrotados o poder de se colocarem em leilão entre os soviéticos e as democracias ocidentais. Quaisquer que sejam as conclusões que se possam tirar desses fatos — e são fatos —, certamente esta não é a Europa Libertada pela qual lutamos. Nem é uma Europa que contenha os elementos essenciais para uma paz duradoura.

A segurança do mundo exige uma nova unidade na Europa, da qual nenhuma nação seja permanentemente excluída. É das disputas entre as principais potências europeias que surgiram as guerras mundiais que testemunhamos, ou que ocorreram em tempos passados.

Duas vezes em nossa própria geração vimos os Estados Unidos, contra a sua vontade e as suas tradições, contra argumentos cuja força é impossível não compreender, serem arrastados por forças irresistíveis para essas guerras a tempo de garantir a vitória da boa causa, mas somente depois de terem ocorrido terríveis massacres e devastação.

Por duas vezes os Estados Unidos tiveram que enviar milhões de seus jovens através do Atlântico para combater a guerra; mas agora a guerra pode encontrar qualquer nação, onde quer que esteja entre o crepúsculo e o amanhecer. Certamente devemos trabalhar com propósito consciente por uma grande pacificação da Europa, dentro da estrutura das Nações Unidas e de acordo com a nossa Carta. Considero essa uma causa política aberta de suma importância.

Diante da Cortina de Ferro que se estende por toda a Europa, existem outros motivos de preocupação. Na Itália, o Partido Comunista enfrenta sérias dificuldades por ter que apoiar as reivindicações do Marechal Tito, formado no comunismo, sobre o antigo território italiano na cabeceira do Adriático. Contudo, o futuro da Itália permanece incerto.

Mais uma vez, não se pode imaginar uma Europa regenerada sem uma França forte. Toda a minha vida pública trabalhei por uma França forte e nunca perdi a fé em seu destino, nem mesmo nos momentos mais sombrios. Não perderei a fé agora. No entanto, em um grande número de países, longe das fronteiras russas e em todo o mundo, quintas colunas comunistas estão estabelecidas e atuam em completa unidade e absoluta obediência às diretrizes que recebem do centro comunista. Exceto na Comunidade Britânica e nos Estados Unidos, onde o comunismo está em sua infância, os partidos comunistas ou quintas colunas constituem um desafio e um perigo crescentes para a civilização cristã.

São fatos sombrios para qualquer um ter que recitá-los no dia seguinte a uma vitória conquistada por tanta camaradagem em armas e pela causa da liberdade e da democracia; mas seríamos muito insensatos se não os encarássemos de frente enquanto ainda há tempo.

A situação também é preocupante no Extremo Oriente, especialmente na Manchúria. O Acordo de Yalta, do qual participei, foi extremamente favorável à União Soviética, mas foi firmado num momento em que ninguém podia afirmar que a guerra com os alemães não se estenderia por todo o verão e outono de 1945, e quando se previa que a guerra com os japoneses duraria mais 18 meses após o fim da guerra com os alemães. Neste país, vocês são todos tão bem informados sobre o Extremo Oriente e tão dedicados amigos da China, que não preciso me alongar sobre a situação naquela região.

Senti-me na obrigação de retratar a sombra que, tanto no Ocidente quanto no Oriente, paira sobre o mundo. Eu era ministro na época do Tratado de Versalhes e amigo íntimo do Sr. Lloyd-George, que chefiava a delegação britânica em Versalhes. Eu mesmo não concordava com muitas das coisas que foram feitas, mas guardo uma forte impressão daquela situação, e acho doloroso contrastá-la com a que prevalece agora. Naqueles dias, havia grandes esperanças e uma confiança ilimitada de que as guerras haviam terminado e que a Liga das Nações se tornaria onipotente.

Não vejo nem sinto essa mesma confiança, nem mesmo as mesmas esperanças, no mundo devastado que se encontra atualmente.

Por outro lado, repudio a ideia de que uma nova guerra seja inevitável; e muito menos que seja iminente. É porque tenho certeza de que nosso destino ainda está em nossas próprias mãos e que detemos o poder de salvar o futuro, que sinto o dever de me manifestar agora que tenho a ocasião e a oportunidade de fazê-lo. Não acredito que a Rússia Soviética deseje a guerra. O que eles desejam são os frutos da guerra e a expansão indefinida de seu poder e doutrinas.

Mas o que temos de considerar hoje, enquanto ainda há tempo, é a prevenção permanente da guerra e o estabelecimento de condições de liberdade e democracia o mais rapidamente possível em todos os países. Nossas dificuldades e perigos não serão eliminados se fecharmos os olhos para eles. Não serão eliminados simplesmente esperando para ver o que acontece; nem serão eliminados por uma política de apaziguamento. O que é necessário é um acordo, e quanto mais se adiar esse acordo, mais difícil ele será e maiores serão os nossos perigos.

Pelo que observei de nossos amigos e aliados russos durante a guerra, estou convencido de que nada os encanta tanto quanto a força, e nada inspira menos respeito do que a fraqueza, especialmente a fraqueza militar. Por essa razão, a antiga doutrina do equilíbrio de poder é falha. Não podemos nos dar ao luxo, se pudermos evitar, de trabalhar com margens estreitas, cedendo à tentação de uma demonstração de força. Se as democracias ocidentais se mantiverem unidas, em estrita observância aos princípios da Carta das Nações Unidas, sua influência na promoção desses princípios será imensa e ninguém ousará perturbá-las.

Contudo, se eles se dividirem ou vacilarem no cumprimento do seu dever, e se estes anos tão importantes forem deixados escapar, então, de fato, uma catástrofe poderá nos atingir a todos.

Da última vez, eu vi tudo isso se aproximando e clamei aos meus compatriotas e ao mundo, mas ninguém me deu ouvidos. Até o ano de 1933, ou mesmo 1935, a Alemanha poderia ter sido salva do terrível destino que a atingiu e todos nós poderíamos ter sido poupados das misérias que Hitler desencadeou sobre a humanidade.

Nunca houve na história uma guerra mais fácil de prevenir com uma ação oportuna do que aquela que acaba de devastar vastas áreas do globo. Acredito que ela poderia ter sido evitada sem que um único tiro fosse disparado, e a Alemanha poderia ser hoje poderosa, próspera e honrada; mas ninguém quis ouvir e, um a um, fomos todos tragados pelo terrível turbilhão. Certamente não podemos deixar que isso aconteça novamente.

Isso só poderá ser alcançado se, agora, em 1946, chegarmos a um bom entendimento em todos os pontos com a Rússia, sob a autoridade geral da Organização das Nações Unidas, e se esse bom entendimento for mantido ao longo de muitos anos de paz, por meio do instrumento mundial, apoiado por toda a força do mundo anglófono e todas as suas conexões. Eis a solução que respeitosamente lhes apresento neste discurso, ao qual dei o título "Os Nervos da Paz".

Que ninguém subestime o poder duradouro do Império Britânico e da Commonwealth. Porque vocês veem os 46 milhões de habitantes da nossa ilha afligidos com a falta de alimentos, dos quais produzem apenas metade, mesmo em tempos de guerra, ou porque temos dificuldade em reativar nossas indústrias e o comércio de exportação após seis anos de intenso esforço de guerra, não suponham que não superaremos estes anos sombrios de privação, assim como superamos os gloriosos anos de agonia, ou que, daqui a meio século, vocês não verão 70 ou 80 milhões de britânicos espalhados pelo mundo, unidos na defesa de nossas tradições, nosso modo de vida e das causas mundiais que vocês e nós defendemos.

Se a população dos países de língua inglesa for somada à dos Estados Unidos, com tudo o que essa cooperação implica no ar, no mar, em todo o globo, na ciência, na indústria e na força moral, não haverá um equilíbrio de poder instável e precário que ofereça a tentação da ambição ou da aventura. Pelo contrário, haverá uma garantia de segurança inabalável.

Se aderirmos fielmente à Carta das Nações Unidas e avançarmos com força serena e sóbria, sem buscar as terras ou os tesouros de ninguém, sem tentar exercer controle arbitrário sobre os pensamentos dos homens; se todas as forças e convicções morais e materiais britânicas se unirem às suas em fraternidade, os caminhos do futuro estarão claros, não apenas para nós, mas para todos, não apenas para o nosso tempo, mas para o século vindouro.

Winston Churchill

5 de março de 1946

Faculdade Westminster, Fulton, Missouri

https://www.nationalchurchillmuseum.org/sinews-of-peace-iron-curtain-speech.html

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

Winston Churchill - Discurso da "Cortina de Ferro" (Fulton 1946)


"Cortina de Ferro"

NATO (2022)


NATO e Pacto de Varsóvia (1991)


* Winston Churchill

5 de março de 1946.

Estou feliz por vir ao Westminster College esta tarde, e estou elogiado por vocês me darem um diploma. O nome “Westminster” é de alguma forma familiar para mim.

Parece que já ouvi falar disso antes. De fato, foi em Westminster que recebi uma grande parte da minha educação em política, dialética, retórica e uma ou duas outras coisas. Na verdade, nós dois fomos educados no mesmo, ou similar, ou, pelo menos, estabelecimentos semelhantes.

Também é uma honra, talvez quase única, para um visitante particular ser apresentado a uma audiência acadêmica pelo Presidente dos Estados Unidos. Em meio a seus pesados ​​fardos, deveres e responsabilidades — não procurados, mas não recuados — o Presidente viajou mil milhas para dignificar e magnificar nosso encontro aqui hoje e para me dar uma oportunidade de me dirigir a esta nação afim, bem como aos meus próprios compatriotas do outro lado do oceano, e talvez a alguns outros países também. O Presidente disse a vocês que é seu desejo, como tenho certeza de que é o seu, que eu tenha total liberdade para dar meu conselho verdadeiro e fiel nestes tempos ansiosos e desconcertantes. Certamente aproveitarei esta liberdade e me sentirei mais no direito de fazê-lo porque quaisquer ambições particulares que eu possa ter acalentado em meus dias de juventude foram satisfeitas além dos meus sonhos mais loucos. Deixe-me, no entanto, deixar claro que não tenho nenhuma missão oficial ou status de qualquer tipo, e que falo apenas por mim. Não há nada aqui além do que vocês veem.

Posso, portanto, permitir que minha mente, com a experiência de uma vida inteira, reflita sobre os problemas que nos afligem no dia seguinte à nossa vitória absoluta nas armas e tentar garantir, com a força que tenho, que o que foi conquistado com tanto sacrifício e sofrimento seja preservado para a glória e segurança futuras da humanidade.

Os Estados Unidos estão neste momento no auge do poder mundial. É um momento solene para a Democracia Americana. Pois com a primazia no poder também se junta uma responsabilidade inspiradora para o futuro. Se você olhar ao seu redor, você deve sentir não apenas a sensação de dever cumprido, mas também deve sentir ansiedade para não cair abaixo do nível de realização. A oportunidade está aqui agora, clara e brilhante para ambos os nossos países. Rejeitá-la, ignorá-la ou desperdiçá-la trará sobre nós todas as longas reprovações do tempo posterior. É necessário que a constância de espírito, a persistência de propósito e a grande simplicidade de decisão guiem e governem a conduta dos povos de língua inglesa em paz, como fizeram na guerra. Devemos, e acredito que o faremos, provar que somos iguais a esta exigência severa.

Quando os militares americanos abordam alguma situação séria, eles costumam escrever no início de sua diretriz as palavras “conceito estratégico geral”. Há sabedoria nisso, pois leva à clareza de pensamento. Qual é então o conceito estratégico geral que deveríamos inscrever hoje? É nada menos que a segurança e o bem-estar, a liberdade e o progresso de todos os lares e famílias de todos os homens e mulheres em todas as terras. E aqui falo particularmente das inúmeras casas de campo ou apartamentos onde o assalariado se esforça em meio aos acidentes e dificuldades da vida para proteger sua esposa e filhos da privação e criar a família no temor do Senhor, ou em concepções éticas que muitas vezes desempenham seu papel potente.

Para dar segurança a esses inúmeros lares, eles devem ser protegidos dos dois gigantes saqueadores, a guerra e a tirania. Todos nós conhecemos as perturbações assustadoras nas quais a família comum é mergulhada quando a maldição da guerra cai sobre o ganha-pão e aqueles para quem ele trabalha e planeja. A terrível ruína da Europa, com todas as suas glórias desaparecidas, e de grandes partes da Ásia nos encara. Quando os desígnios de homens perversos ou o impulso agressivo de Estados poderosos dissolvem em grandes áreas a estrutura da sociedade civilizada, as pessoas humildes são confrontadas com dificuldades com as quais não conseguem lidar. Para elas, tudo é distorcido, tudo é quebrado, até mesmo moído em polpa.

Quando estou aqui nesta tarde tranquila, estremeço ao visualizar o que realmente está acontecendo com milhões agora e o que vai acontecer neste período em que a fome assola a Terra. Ninguém pode calcular o que foi chamado de "a soma incalculável da dor humana". Nossa tarefa e dever supremos é proteger os lares das pessoas comuns dos horrores e misérias de outra guerra. Estamos todos de acordo com isso.

Nossos colegas militares americanos, depois de terem proclamado seu “conceito estratégico geral” e computado os recursos disponíveis, sempre procedem para o próximo passo, ou seja, o método. Aqui novamente há um amplo acordo. Uma organização mundial já foi erguida com o propósito principal de prevenir a guerra, a ONU, a sucessora da Liga das Nações, com a adição decisiva dos Estados Unidos e tudo o que isso significa, já está em ação. Devemos garantir que seu trabalho seja frutífero, que seja uma realidade e não uma farsa, que seja uma força para ação, e não apenas uma espuma de palavras, que seja um verdadeiro templo de paz no qual os escudos de muitas nações possam algum dia ser pendurados, e não apenas uma cabine em uma Torre de Babel. Antes de jogarmos fora as sólidas garantias de armamentos nacionais para autopreservação, devemos ter certeza de que nosso templo é construído, não sobre areias movediças ou atoleiros, mas sobre a rocha. Qualquer um pode ver com os olhos abertos que nosso caminho será difícil e também longo, mas se perseverarmos juntos como fizemos nas duas guerras mundiais — embora, infelizmente, não no intervalo entre elas — não posso duvidar que alcançaremos nosso propósito comum no final.

Tenho, no entanto, uma proposta definitiva e prática para fazer para ação. Tribunais e magistrados podem ser criados, mas não podem funcionar sem xerifes e policiais. A Organização das Nações Unidas deve começar imediatamente a ser equipada com uma força armada internacional. Em tal assunto, só podemos ir passo a passo, mas devemos começar agora. Proponho que cada uma das Potências e Estados seja convidada a delegar um certo número de esquadrões aéreos para o serviço da organização mundial. Esses esquadrões seriam treinados e preparados em seus próprios países, mas se moveriam em rotação de um país para outro. Eles usariam o uniforme de seus próprios países, mas com distintivos diferentes. Eles não seriam obrigados a agir contra sua própria nação, mas em outros aspectos seriam direcionados pela organização mundial. Isso pode ser iniciado em uma escala modesta e cresceria conforme a confiança aumentasse. Eu desejava ver isso feito depois da Primeira Guerra Mundial, e confio devotamente que isso pode ser feito imediatamente.

No entanto, seria errado e imprudente confiar o conhecimento secreto ou a experiência da bomba atômica, que os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e o Canadá agora compartilham, à organização mundial, enquanto ela ainda está em sua infância. Seria loucura criminosa lançá-la à deriva neste mundo ainda agitado e não unido. Ninguém em nenhum país dormiu menos bem em suas camas porque esse conhecimento, o método e as matérias-primas para aplicá-lo estão atualmente retidos em grande parte nas mãos americanas. Não acredito que todos nós teríamos dormido tão profundamente se as posições tivessem sido invertidas e se algum Estado comunista ou neofascista monopolizasse por enquanto essas agências terríveis. O medo delas sozinho poderia facilmente ter sido usado para impor sistemas totalitários ao mundo democrático livre, com consequências terríveis para a imaginação humana. Deus quis que isso não acontecesse e temos pelo menos um espaço para respirar para colocar nossa casa em ordem antes que esse perigo tenha que ser enfrentado: e mesmo assim, se nenhum esforço for poupado, ainda devemos possuir uma superioridade tão formidável a ponto de impor impedimentos eficazes ao seu emprego, ou ameaça de emprego, por outros. Em última análise, quando a fraternidade essencial do homem for verdadeiramente incorporada e expressa em uma organização mundial com todas as salvaguardas práticas necessárias para torná-la eficaz, esses poderes seriam naturalmente confiados a essa organização mundial.

Agora chego ao segundo perigo desses dois saqueadores que ameaçam a casa de campo, o lar e as pessoas comuns - a saber, a tirania. Não podemos ficar cegos ao fato de que as liberdades desfrutadas por cidadãos individuais em todo o Império Britânico não são válidas em um número considerável de países, alguns dos quais são muito poderosos. Nesses Estados, o controle é imposto às pessoas comuns por vários tipos de governos policiais abrangentes. O poder do Estado é exercido sem restrições, seja por ditadores ou por oligarquias compactas operando por meio de um partido privilegiado e uma polícia política. Não é nosso dever, neste momento em que as dificuldades são tão numerosas, interferir à força nos assuntos internos de países que não conquistamos na guerra. Mas nunca devemos deixar de proclamar em tons destemidos os grandes princípios da liberdade e os direitos do homem que são a herança conjunta do mundo de língua inglesa e que, por meio da Magna Carta, da Declaração de Direitos, do Habeas Corpus, do julgamento por júri e do direito comum inglês, encontram sua expressão mais famosa na Declaração de Independência dos Estados Unidos.

Tudo isso significa que o povo de qualquer país tem o direito, e deve ter o poder por ação constitucional, por eleições livres e irrestritas, com voto secreto, para escolher ou mudar o caráter ou forma de governo sob o qual habitam; que a liberdade de expressão e pensamento deve reinar; que os tribunais de justiça, independentes do executivo, imparciais por qualquer partido, devem administrar leis que receberam o amplo consentimento de grandes maiorias ou são consagradas pelo tempo e pelo costume. Aqui estão os títulos de propriedade da liberdade que devem estar em cada casa de campo. Aqui está a mensagem dos povos britânico e americano para a humanidade. Vamos pregar o que praticamos - vamos praticar o que pregamos.

Já declarei os dois grandes perigos que ameaçam os lares do povo: Guerra e Tirania. Ainda não falei da pobreza e da privação que são, em muitos casos, a ansiedade predominante. Mas se os perigos da guerra e da tirania forem removidos, não há dúvida de que a ciência e a cooperação podem trazer nos próximos anos ao mundo, certamente nas próximas décadas, recém-ensinadas na escola de guerra, uma expansão do bem-estar material além de qualquer coisa que já tenha ocorrido na experiência humana. Agora, neste momento triste e ofegante, estamos mergulhados na fome e na angústia que são o resultado de nossa luta estupenda; mas isso passará e pode passar rapidamente, e não há razão, exceto a loucura humana ou o crime subumano, que deveria negar a todas as nações a inauguração e o desfrute de uma era de abundância. Muitas vezes usei palavras que aprendi há cinquenta anos de um grande orador irlandês-americano, um amigo meu, o Sr. Bourke Cockran. "Há o suficiente para todos. A terra é uma mãe generosa; ela fornecerá em abundância abundante comida para todos os seus filhos se eles cultivarem seu solo com justiça e paz.” Até agora, sinto que estamos em pleno acordo.

Agora, enquanto ainda busco o método de concretizar nosso conceito estratégico geral, chego ao ponto crucial do que viajei aqui para dizer. Nem a prevenção segura da guerra, nem a ascensão contínua da organização mundial serão obtidas sem o que chamei de associação fraternal dos povos de língua inglesa. Isso significa um relacionamento especial entre a Comunidade Britânica e o Império e os Estados Unidos. Este não é o momento para generalidades, e me aventurarei a ser preciso. A associação fraternal requer não apenas a crescente amizade e compreensão mútua entre nossos dois vastos, mas semelhantes, sistemas de sociedade, mas a continuidade do relacionamento íntimo entre nossos conselheiros militares, levando ao estudo comum de perigos potenciais, à similaridade de armas e manuais de instruções, e ao intercâmbio de oficiais e cadetes em faculdades técnicas. Deve levar consigo a continuidade das atuais instalações para segurança mútua pelo uso conjunto de todas as bases navais e da força aérea em posse de qualquer um dos países em todo o mundo. Isso talvez dobraria a mobilidade da Marinha e da Força Aérea americanas. Isso expandiria muito o das Forças do Império Britânico e poderia muito bem levar, se e à medida que o mundo se acalmasse, a importantes economias financeiras. Já usamos juntos um grande número de ilhas; mais podem muito bem ser confiadas aos nossos cuidados conjuntos no futuro próximo.

Os Estados Unidos já têm um Acordo de Defesa Permanente com o Domínio do Canadá, que é tão devotadamente ligado à Comunidade Britânica e ao Império. Este Acordo é mais eficaz do que muitos daqueles que muitas vezes foram feitos sob alianças formais. Este princípio deve ser estendido a todas as Comunidades Britânicas com total reciprocidade. Assim, aconteça o que acontecer, e somente assim, estaremos seguros e capazes de trabalhar juntos pelas causas elevadas e simples que são caras para nós e não auguram mal a ninguém. Eventualmente pode vir — sinto que eventualmente virá — o princípio da cidadania comum, mas que podemos nos contentar em deixar ao destino, cujo braço estendido muitos de nós já podemos ver claramente.

Há, no entanto, uma questão importante que devemos nos perguntar. Um relacionamento especial entre os Estados Unidos e a Comunidade Britânica seria inconsistente com nossas lealdades predominantes à Organização Mundial? Respondo que, pelo contrário, é provavelmente o único meio pelo qual essa organização atingirá sua estatura e força plenas. Já existem as relações especiais dos Estados Unidos com o Canadá que acabei de mencionar, e existem as relações especiais entre os Estados Unidos e as Repúblicas Sul-Americanas. Nós, britânicos, temos nosso Tratado de Colaboração e Assistência Mútua de vinte anos com a Rússia Soviética. Concordo com o Sr. Bevin, o Secretário de Relações Exteriores da Grã-Bretanha, que pode muito bem ser um Tratado de cinquenta anos, no que nos diz respeito. Nosso objetivo é nada além de assistência mútua e colaboração. Os britânicos têm uma aliança com Portugal ininterrupta desde 1384, e que produziu resultados frutíferos em momentos críticos na última guerra. Nenhum deles colide com o interesse geral de um acordo mundial ou de uma organização mundial; pelo contrário, eles o ajudam. "Na casa de meu pai há muitas mansões." Associações especiais entre membros das Nações Unidas que não tenham nenhum ponto agressivo contra qualquer outro país, que não abriguem nenhum desígnio incompatível com a Carta das Nações Unidas, longe de serem prejudiciais, são benéficas e, como acredito, indispensáveis.

Falei antes do Templo da Paz. Trabalhadores de todos os países devem construir esse templo. Se dois dos trabalhadores se conhecem particularmente bem e são velhos amigos, se suas famílias estão misturadas e se eles têm "fé no propósito um do outro, esperança no futuro um do outro e caridade para com as deficiências um do outro" - para citar algumas boas palavras que li aqui outro dia - por que eles não podem trabalhar juntos na tarefa comum como amigos e parceiros? Por que eles não podem compartilhar suas ferramentas e, assim, aumentar os poderes de trabalho um do outro? De fato, eles devem fazê-lo ou então o templo pode não ser construído, ou, sendo construído, pode entrar em colapso, e todos nós seremos novamente provados como indomáveis ​​e teremos que ir e tentar aprender novamente pela terceira vez em uma escola de guerra, incomparavelmente mais rigorosa do que aquela da qual acabamos de ser libertados. A idade das trevas pode retornar, a Idade da Pedra pode retornar nas asas brilhantes da ciência, e o que agora pode derramar bênçãos materiais imensuráveis ​​sobre a humanidade, pode até mesmo causar sua destruição total. Cuidado, eu digo; o tempo pode ser curto. Não vamos tomar o curso de permitir que os eventos sigam adiante até que seja tarde demais. Se houver uma associação fraternal do tipo que descrevi, com toda a força e segurança extras que ambos os nossos países podem derivar dela, vamos nos certificar de que esse grande fato seja conhecido pelo mundo, e que ele desempenhe seu papel em firmar e estabilizar as fundações da paz. Esse é o caminho da sabedoria. A prevenção é melhor do que a cura.

Uma sombra caiu sobre as cenas tão recentemente iluminadas pela vitória dos Aliados. Ninguém sabe o que a Rússia Soviética e sua organização internacional comunista pretendem fazer no futuro imediato, ou quais são os limites, se houver, para suas tendências expansivas e proselitistas. Tenho uma forte admiração e consideração pelo valente povo russo e por meu camarada de guerra, o marechal Stalin. Há profunda simpatia e boa vontade na Grã-Bretanha - e não duvido que aqui também - em relação aos povos de todas as Rússias e uma determinação de perseverar através de muitas diferenças e rejeições no estabelecimento de amizades duradouras. Entendemos que a necessidade russa de estar segura em suas fronteiras ocidentais pela remoção de toda possibilidade de agressão alemã. Damos as boas-vindas à Rússia em seu lugar de direito entre as principais nações do mundo. Damos as boas-vindas à sua bandeira nos mares. Acima de tudo, damos as boas-vindas aos contatos constantes, frequentes e crescentes entre o povo russo e nosso próprio povo em ambos os lados do Atlântico. É meu dever, no entanto, pois tenho certeza de que você gostaria que eu apresentasse os fatos como os vejo para você, para colocar diante de você certos fatos sobre a posição atual da Europa.

De Stettin no Báltico a Trieste no Adriático, uma cortina de ferro desceu sobre o continente. Atrás dessa linha estão todas as capitais dos antigos estados da Europa Central e Oriental. Varsóvia, Berlim, Praga, Viena, Budapeste, Belgrado, Bucareste e Sófia, todas essas cidades famosas e as populações ao redor delas estão no que devo chamar de esfera soviética, e todas estão sujeitas de uma forma ou de outra, não apenas à influência soviética, mas a uma medida muito alta e, em muitos casos, crescente de controle de Moscou. Somente Atenas - Grécia com suas glórias imortais - é livre para decidir seu futuro em uma eleição sob observação britânica, americana e francesa. O governo polonês dominado pela Rússia foi encorajado a fazer incursões enormes e injustas na Alemanha, e expulsões em massa de milhões de alemães em uma escala grave e inimaginável estão ocorrendo agora. Os partidos comunistas, que eram muito pequenos em todos esses estados orientais da Europa, foram elevados à preeminência e ao poder muito além de seus números e estão buscando em todos os lugares obter controle totalitário. Os governos policiais prevalecem em quase todos os casos e, até agora, exceto na Tchecoslováquia, não existe uma verdadeira democracia.

Turquia e Pérsia estão profundamente alarmadas e perturbadas com as reivindicações que estão sendo feitas sobre elas e com a pressão exercida pelo Governo de Moscou. Uma tentativa está sendo feita pelos russos em Berlim para construir um partido quase comunista em sua zona da Alemanha ocupada, mostrando favores especiais a grupos de líderes alemães de esquerda. No final da luta em junho passado, os exércitos americano e britânico recuaram para o oeste, de acordo com um acordo anterior, a uma profundidade em alguns pontos de 150 milhas em uma frente de quase quatrocentas milhas, a fim de permitir que nossos aliados russos ocupassem esta vasta extensão de território que as democracias ocidentais haviam conquistado.

Se agora o Governo Soviético tentar, por ação separada, construir uma Alemanha pró-comunista em suas áreas, isso causará novas dificuldades sérias nas zonas britânica e americana, e dará aos alemães derrotados o poder de se colocarem em leilão entre os soviéticos e as democracias ocidentais. Quaisquer que sejam as conclusões que possam ser tiradas desses fatos — e fatos são — esta certamente não é a Europa Libertada que lutamos para construir. Nem é uma que contém os elementos essenciais da paz permanente.

A segurança do mundo requer uma nova unidade na Europa, da qual nenhuma nação deve ser permanentemente excluída. É das disputas das fortes raças-mãe na Europa que as guerras mundiais que testemunhamos, ou que ocorreram em tempos anteriores, surgiram. Duas vezes em nossa própria vida, vimos os Estados Unidos, contra seus desejos e tradições, contra argumentos, cuja força é impossível não compreender, atraídos por forças irresistíveis, para essas guerras a tempo de garantir a vitória da boa causa, mas somente após a matança e devastação assustadoras terem ocorrido. Duas vezes os Estados Unidos tiveram que enviar vários milhões de seus jovens através do Atlântico para encontrar a guerra; mas agora a guerra pode encontrar qualquer nação, onde quer que ela esteja entre o anoitecer e o amanhecer. Certamente deveríamos trabalhar com propósito consciente para uma grande pacificação da Europa, dentro da estrutura das Nações Unidas e de acordo com sua Carta. Isso eu sinto ser uma causa aberta de política de grande importância.

Em frente à cortina de ferro que cobre a Europa, há outras causas de ansiedade. Na Itália, o Partido Comunista é seriamente prejudicado por ter que apoiar as reivindicações do marechal Tito, treinado pelos comunistas, sobre o antigo território italiano na cabeceira do Adriático. No entanto, o futuro da Itália está em jogo. Novamente, não se pode imaginar uma Europa regenerada sem uma França forte. Durante toda a minha vida pública, trabalhei por uma França forte e nunca perdi a fé em seu destino, mesmo nas horas mais sombrias. Não perderei a fé agora. No entanto, em um grande número de países, longe das fronteiras russas e em todo o mundo, quintas colunas comunistas são estabelecidas e trabalham em completa unidade e obediência absoluta às instruções que recebem do centro comunista. Exceto na Comunidade Britânica e nos Estados Unidos, onde o comunismo está em sua infância, os partidos comunistas ou quintas colunas constituem um desafio e perigo crescentes para a civilização cristã. Esses são fatos sombrios para qualquer um ter que recitar no dia seguinte de uma vitória conquistada por tanta camaradagem esplêndida em armas e na causa da liberdade e da democracia; mas seria muito imprudente não enfrentá-los diretamente enquanto ainda há tempo.

A perspectiva também é ansiosa no Extremo Oriente e especialmente na Manchúria. O Acordo que foi feito em Yalta, do qual eu era parte, era extremamente favorável à Rússia Soviética, mas foi feito em um momento em que ninguém poderia dizer que a guerra alemã não poderia se estender por todo o verão e outono de 1945 e quando a guerra japonesa era esperada para durar mais 18 meses a partir do fim da guerra alemã. Neste país, vocês são todos tão bem informados sobre o Extremo Oriente, e amigos tão devotados da China, que não preciso me estender sobre a situação lá.

Eu me senti obrigado a retratar a sombra que, tanto no oeste quanto no leste, cai sobre o mundo. Eu era um alto ministro na época do Tratado de Versalhes e um amigo próximo do Sr. Lloyd-George, que era o chefe da delegação britânica em Versalhes. Eu mesmo não concordei com muitas coisas que foram feitas, mas tenho uma impressão muito forte em minha mente daquela situação, e acho doloroso contrastá-la com a que prevalece agora. Naqueles dias, havia grandes esperanças e confiança ilimitada de que as guerras haviam acabado e que a Liga das Nações se tornaria todo-poderosa. Não vejo ou sinto essa mesma confiança ou mesmo as mesmas esperanças no mundo abatido no momento presente.

Por outro lado, rejeito a ideia de que uma nova guerra é inevitável; ainda mais que é iminente. É porque tenho certeza de que nossas fortunas ainda estão em nossas próprias mãos e que temos o poder de salvar o futuro, que sinto o dever de falar agora que tenho a ocasião e a oportunidade de fazê-lo. Não acredito que a Rússia Soviética deseje a guerra. O que eles desejam são os frutos da guerra e a expansão indefinida de seu poder e doutrinas. Mas o que temos que considerar aqui hoje, enquanto ainda há tempo, é a prevenção permanente da guerra e o estabelecimento de condições de liberdade e democracia o mais rápido possível em todos os países. Nossas dificuldades e perigos não serão removidos fechando nossos olhos para eles. Eles não serão removidos apenas esperando para ver o que acontece; nem serão removidos por uma política de apaziguamento. O que é necessário é um acordo, e quanto mais isso for adiado, mais difícil será e maiores serão nossos perigos.

Pelo que vi de nossos amigos e aliados russos durante a guerra, estou convencido de que não há nada que eles admirem tanto quanto a força, e não há nada pelo qual eles tenham menos respeito do que pela fraqueza, especialmente a fraqueza militar. Por essa razão, a velha doutrina de equilíbrio de poder é insalubre. Não podemos nos dar ao luxo, se pudermos evitar, de trabalhar em margens estreitas, oferecendo tentações para um teste de força. Se as democracias ocidentais permanecerem unidas em estrita adesão aos princípios da Carta das Nações Unidas, sua influência para promover esses princípios será imensa e ninguém provavelmente as molestará. Se, no entanto, elas se dividirem ou vacilarem em seu dever e se esses anos tão importantes forem deixados escapar, então, de fato, uma catástrofe pode nos sobrepujar a todos.

Da última vez, vi tudo chegando e gritei alto para meus próprios compatriotas e para o mundo, mas ninguém prestou atenção. Até o ano de 1933 ou mesmo 1935, a Alemanha poderia ter sido salva do terrível destino que a atingiu e todos nós poderíamos ter sido poupados das misérias que Hitler soltou sobre a humanidade. Nunca houve uma guerra em toda a história mais fácil de prevenir por ação oportuna do que aquela que acabou de desolar áreas tão grandes do globo. Poderia ter sido evitada, na minha opinião, sem o disparo de um único tiro, e a Alemanha poderia ser poderosa, próspera e honrada hoje; mas ninguém quis ouvir e um por um fomos todos sugados para o terrível redemoinho. Certamente não devemos deixar que isso aconteça novamente. Isso só pode ser alcançado alcançando agora, em 1946, um bom entendimento em todos os pontos com a Rússia sob a autoridade geral da Organização das Nações Unidas e pela manutenção desse bom entendimento por muitos anos pacíficos, pelo instrumento mundial, apoiado por toda a força do mundo de língua inglesa e todas as suas conexões. Esta é a solução que respeitosamente ofereço a vocês neste Discurso ao qual dei o título de “Os Tendões da Paz”.

Que nenhum homem subestime o poder duradouro do Império Britânico e da Comunidade Britânica. Porque você vê os 46 milhões em nossa ilha assediados sobre seu suprimento de alimentos, dos quais eles cultivam apenas metade, mesmo em tempos de guerra, ou porque temos dificuldade em reiniciar nossas indústrias e comércio de exportação após seis anos de esforço de guerra apaixonado, não suponha que não passaremos por esses anos sombrios de privação como passamos pelos anos gloriosos de agonia, ou que daqui a meio século, você não verá 70 ou 80 milhões de britânicos espalhados pelo mundo e unidos em defesa de nossas tradições, nosso modo de vida e das causas mundiais que você e nós defendemos. Se a população das Comunidades Britânicas de língua inglesa for adicionada à dos Estados Unidos com tudo o que essa cooperação implica no ar, no mar, em todo o globo e na ciência e na indústria, e na força moral, não haverá equilíbrio de poder trêmulo e precário para oferecer sua tentação à ambição ou aventura. Pelo contrário, haverá uma garantia avassaladora de segurança. Se aderirmos fielmente à Carta das Nações Unidas e caminharmos adiante com força serena e sóbria, sem buscar a terra ou o tesouro de ninguém, sem tentar impor controle arbitrário sobre os pensamentos dos homens; se todas as forças e convicções morais e materiais britânicas se unirem às suas em associação fraternal, as estradas principais do futuro estarão claras, não apenas para nós, mas para todos, não apenas para o nosso tempo, mas para um século vindouro.

https://winstonchurchill.org/resources/speeches/1946-1963-elder-statesman/the-sinews-of-peace/

quarta-feira, 5 de junho de 2024

O dia (ou a mentira) mais longo

5 DE JUNHO DE 2024

O dia (ou a mentira ) mais longo

 Chefes de Estado, reis e príncipes às dezenas, jornalistas às centenas e, claro, os média com todo o seu arsenal estarão lá para celebrar o desembarque ou, mais precisamente, este roteiro que busca apresentar os Estados Unidos como os únicos artesãos da liberdade recuperada na Europa, como os heróis quase solitários da vitória sobre o nazismo. Este ano, a mistificação deverá ser ainda mais forte por ocasião do 80º aniversário deste evento. (o General de Gaulle nunca quis participar neste evento)

Longe de nós, a mesquinha intenção de minimizar a bravura, a coragem destes jovens americanos, britânicos, franceses e canadianos, muitas vezes adolescentes, que foram largados de aviões ou desembarcados de barcos e que tiveram de mergulhar num mar hostil com uma média de 60 kg de equipamento nos ombros para lutar contra o exército do Terceiro Reich. Pelo contrário, a sua memória merece todas as homenagens.

Mas a partir daí desviar a história e procurar fazer-nos esquecer que foi de facto a União Soviética, com a acção combinada da resistência do seu povo, organizada em milhares de grupos partidários e o heroísmo do seu exército, que teve o mérito de conter , e quebrar completamente o rolo compressor hitleriano durante batalhas memoráveis, buscando inverter os papéis de forma tão crua é um empreendimento digno de um Goebbels. No entanto, é isso que caracteriza a prática dos meios de comunicação ocidentais de seguirem as instruções dos seus governos sobre como tratar os desembarques e, além disso, todos os factos da Segunda Guerra Mundial.

É por isso que mantêm silêncio sobre o facto de que 75% das perdas alemãs antes dos desembarques foram devidas ao Exército Vermelho e que a Batalha de Estalinegrado, por si só, eliminou duas vezes mais divisões alemãs do que todas as operações realizadas no Ocidente entre os desembarques e a capitulação nazi.

OS DOIS LADOS DA MEDALHA

Ou seja, foi na União Soviética e face ao seu exército que ocorreu a inversão da tendência, as tropas soviéticas retomando os territórios ocupados quilómetro a quilómetro numa ofensiva vitoriosa que só terminou no bunker do próprio Hitler, em o custo de enormes perdas. Assim, para ficarmos na comparação das contribuições dos EUA-URSS na guerra, o número de americanos que morreram no confronto é estimado em cerca de 410.000, incluindo cerca de dez mil civis em comparação com cerca de 27 milhões do lado soviético, a maioria dos quais eram soldados. Um sacrifício sem medida comum na história dos conflitos, e sem a menor compensação.

Podemos dizer o mesmo da intervenção dos EUA na guerra? Poderemos ignorar, por exemplo, que grandes empresas norte-americanas como a Du Pont, a Union Carbide, a Westinghouse, a Esso, a General Motors, etc., contribuíram, obtendo suculentos dividendos, para o esforço militar teutónico? Que os camiões desta última empresa, movidos a combustível da penúltima, foram particularmente úteis para as operações blitzkrieg do exército alemão? E que o famoso Plano Marshall foi essencialmente um gigantesco investimento e operação financeira destinada a reforçar a penetração americana na Europa para garantir o seu domínio, ao mesmo tempo que procurava contrariar a evolução para o socialismo de numerosos países onde a luta contra o invasor foi, na maioria dos casos, o trabalho dos combatentes da resistência comunista?

UM PARÊNTESE DE DIGNIDADE

Não é, portanto, por acaso que o General de Gaulle nunca quis participar nestas comemorações. Quando o seu biógrafo Alain Peyrefitte lhe perguntou as razões desta ausência, de Gaulle respondeu contando como Churchill o havia informado desta operação, organizada nas costas da França e ainda envolvendo o seu território: “  Churchill convocou-me a Londres, no dia 4 de junho, como um escudeiro toca a campainha de seu mordomo. E ele me anunciou o desembarque, sem que nenhuma unidade francesa estivesse prevista para participar. Critiquei-o por seguir as ordens de Roosevelt, em vez de lhe impor a vontade europeia. Ele então gritou para mim a plenos pulmões: “De Gaulle, diga a si mesmo que quando eu tiver que escolher entre você e Roosevelt, sempre preferirei Roosevelt. Quando tivermos que escolher entre os franceses e os americanos, sempre preferiremos os americanos!” »

E o general esclareceu as suas razões a Peyrefitte: “  O desembarque de 6 de junho foi assunto dos anglo-saxões, dos quais a França foi excluída. Eles estavam determinados a se estabelecer na França como se estivessem em território inimigo! Como tinham acabado de fazer na Itália e como estavam prestes a fazer na Alemanha! […] E então, ajudaria as pessoas a acreditar que, se fôssemos libertados, só o devemos aos americanos. Isso equivaleria a tratar a Resistência como nula e sem efeito. É muito provável que o nosso derrotismo natural adote estas opiniões. Você não deve ceder! » E concluiu: “E gostaria que eu fosse comemorar o seu desembarque, quando foi o prelúdio de uma segunda ocupação do país? Não, não, não conte comigo [1] . » Podemos, por outro lado, contar com Biden, von der Leyen, Stoltenberg e os seus muitos súditos, incluindo Emmanuel Macron, o mais obediente de todos.

É claro que você não ouvirá ou lerá tais relatos ou reflexões na chamada “imprensa livre”, porque eles são muito embaraçosos para a sua apresentação da história. Talvez porque, parodiando um pensador ilustre, o capitalismo carrega dentro de si mentiras como uma nuvem carrega uma tempestade.


[1] Alain Peyrefitte “Era de Gaulle, Volume 2 (Edição de Fallois Fayard 1997), fragmentos, páginas 84 a 87


Publicada por Pena Preta à(s) quarta-feira, junho 05, 2024 

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sábado, 17 de julho de 2010

O Imperialismo e a Revolução - Enver Hoxha - Abril de 1978

O Imperialismo e a Revolução

Enver Hoxha

Abril de 1978


Primeira Edição: Abril de 1978.
Fonte: Instituto de Estudos Marxistas-Leninistas Adjunto ao CC do Partido do Trabalho da Albânia, Casa Editora "8 Nëntori", Tirana, 1979.
Tradução de: Anônimo.
Transcrição/HTML de: Fernando A. S. Araújo, agosto 2005.
Direitos de Reprodução: A cópia ou distribuição deste documento é livre e indefinidamente garantida nos termos da GNU Free Documentation License.

Índice

Primeira Parte
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Segunda Parte
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O Imperialismo e a Revolução
Enver Hoxha

A Estratégia do Social-Imperialismo Chinês


Os fatos mostram cada vez melhor que a China afunda-se dia a dia no revisionismo, no capitalismo e no imperialismo. Nesse sentido, ela trabalha para realizar uma série de tarefas estratégicas, em escala nacional e internacional.
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Em escala nacional, o social-imperialismo chinês colocou-se a tarefa de suprimir qualquer medida de caráter socialista que possa ter sido adotada após a libertação e de edificar no país um sistema capitalista na base e na superestrutura, de fazer da China uma grande potência capitalista até o fim deste século, através da aplicação das chamadas "quatro modernizações", da indústria, da agricultura, do exército e da ciência.
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Ele combate para criar no interior do país uma organização capaz de assegurar o domínio da velha e nova burguesia capitalista chinesa sobre seu povo. O revisionismo chinês procura instaurar essa organização e esse domínio pela via fascista, a golpes de chibata, pela opressão. Trabalha para criar uma unidade entre o exército e a retaguarda de forma que esta sirva ao exército repressivo.
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As formas e métodos titistas, sobretudo o sistema iugoslavo da "autogestão", foram os que mais atraíram a atenção da direção chinesa e podem vir a ser aplicados na China. Muitas comissões e delegações chinesas de todos os setores e especialidades receberam a incumbência de estudar in loco esse sistema e a experiência do "socialismo" capitalista iugoslavo em geral.
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Esse sistema e essa experiência já começaram a ser levados à prática na China. Mas por outro lado os dirigentes revisionistas chineses não podem deixar de constatar os fracassos da "autogestão" titista, tampouco podem deixar de levar em conta que as condições de seu país são totalmente diferentes das da Iugoslávia. Além disso, também consideram indispensável tomar de empréstimo muita coisa das formas e métodos capitalistas, que, segundo eles, mostraram sua "eficácia" nos Estados Unidos, na Alemanha Ocidental, no Japão e em outros países burgueses. Ao que parece, o sistema capitalista que está sendo construído e desenvolvido na China será um cruzamento de diferentes formas e métodos revisionista-capitalistas e tradicionais chineses.
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Para tornar-se uma grande potência capitalista, o revisionismo chinês precisa de um período de paz. O lema da "grande ordem", lançado pelo XI Congresso do Partido chinês vincula-se a essa necessidade. Para garantir tal "ordem" é preciso, por um lado, manter um regime capitalista de tipo ditatorial fascista e, por outro, salvaguardar a todo custo a paz e o compromisso entre os grupos rivais que sempre existiram no Partido e no Estado chineses. O tempo dirá em que medida essa ordem e essa paz serão asseguradas.
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A política dos dirigentes chineses de transformar a China numa superpotência visa a fazer com que ela se beneficie econômica e militarmente tanto do imperialismo norte-americano como dos países capitalistas desenvolvidos aliados dos Estados Unidos.
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Essa política da China despertou grande interesse da parte do mundo capitalista, sobretudo do imperialismo norte-americano, que vê nela um forte apoio a sua estratégia de sustentação do capitalismo e do imperialismo, fortalecimento do neocolonialismo, contenção das revoluções e asfixia do socialismo, assim como de enfraquecimento de seu rival, a União Soviética.
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O imperialismo norte-americano - conforme declarou Carter - deseja "colaborar estreitamente com os chineses". Carter sublinhou: "Consideramos as relações americano-chinesas como um elemento central de nossa política global e consideramos a China como uma força-chave para a paz". A China advoga uma coexistência pacífica que a aproxime ao máximo dos Estados Unidos.
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Com esses pontos de vista e atitudes a China alinha-se com os Estados burguês-capitalistas que apóiam sua existência no imperialismo norte-americano. Essa viragem da China rumo ao imperialismo concretiza-se cada dia mais, tal como ocorreu anteriormente com a União Soviética e outros. Os próprios imperialistas o constatam e, alegres com a "nova realidade", declaram que "os conflitos ideológicos que dividiram os Estados Unidos, a União Soviética e a China na década de 50 são hoje menos evidentes e há uma crescente necessidade de colaboração entre as superpotências.. ."
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Os imperialistas norte-americanos e seu presidente Carter dispõem-se a ajudar a China a fortalecer sua economia e seu exército, naturalmente até o ponto que lhes interessar. Louvam os dirigentes revisionistas chineses porque a estratégia da China constitui uma importante ajuda aos planos hegemonistas do imperialismo estadunidense.
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A China aplaude os pontos de vista e atos norte-americanos contrários à União Soviética revisionista porque deseja fazer crer que eles servem à revolução, ao debilitamento da mais perigosa das grandes potências, o social-imperialismo soviético. Por sua vez, o imperialismo norte-americano aplaude os pontos de vista e atos da China contrários à União Soviética revisionista porque, como disse um dos mais próximos colaboradores de Carter, "o conflito sino-soviético cria um tipo de estrutura global mais pluralista", que o imperialismo norte-americano prefere, considera compatível com sua noção de "como o mundo deve organizar-se", ou seja, de como atiçar os demais a se entredevorarem para que a seguir os Estados Unidos dominem mais facilmente todo o mundo.
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A política pragmática e confusa da China levou-a a tornar-se aliada do imperialismo norte-americano e a proclamar o social-imperialismo soviético como o inimigo e o perigo principal. Amanhã, quando a China verificar que alcançou seus objetivos de debilitar o social-imperialismo soviético, quando constatar que, segundo sua lógica, o imperialismo norte-americano estiver se fortalecendo, então, já que ela se apóia num imperialismo para combater o outro, poderá prosseguir a luta no flanco oposto. Nesse caso o imperialismo norte-americano poderá tornar-se mais perigoso e a China converterá automaticamente a atitude anterior em seu contrário.
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Isso é uma possibilidade real. Em seu VIII Congresso, em 1956, os revisionistas chineses consideraram o imperialismo norte-americano como o perigo principal. Mais tarde, no IX Congresso, em abril de 1969, declararam que o perigo principal era constituído pelas duas superpotências, o imperialismo norte-americano e o social-imperialismo soviético. A seguir, após o X Congresso, em agosto de 1973, e no XI Congresso, apenas o social-imperialismo soviético foi proclamado como inimigo principal. Com tais oscilações, com tal política pragmática, não é impossível que o XII ou o XIII Congresso apóie o social-imperialismo soviético e declare o imperialismo norte-americano inimigo principal, isso até que a China também alcance o objetivo de tornar-se uma grande potência capitalista mundial. Nesse caso, que papel teria a China na arena internacional? Não seria jamais um papel revolucionário, mas retrógrado, contra-revolucionário.
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A aliança com o Japão é um importante elemento da política externa chinesa. Essa aliança racista, recentemente selada com o tratado sino-nipônico, visa, como ressaltamos acima, realizar os planos estratégicos da China e do Japão de dominar conjuntamente a Ásia, os países da ASAN e da Oceania. Os revisionistas chineses necessitam desse tratado e dessa amizade com o Japão para, juntamente com os militaristas nipônicos, ameaçar o social-imperialismo soviético e, se possível, liquidar com ele e com sua influência na Ásia.
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Mas a China também procura aproveitar seus laços com o Japão para conseguir créditos junto a ele, para importar tecnologia e armamentos, para realizar suas próprias ambições de grande potência. A China atribui tanta importância à sua múltipla colaboração econômica com o Japão que concentra neste país mais da metade de seu comércio externo.
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Na realização de sua política expansionista, a China social-imperialista trabalha para ampliar ao máximo sua influência na Ásia. Atualmente ela não tem nenhuma influência na Índia, onde tanto os Estados Unidos como a União Soviética 'têm interesses em particular e em comum no quadro das modificações da situação das alianças que poderão ter lugar no futuro. A China deseja melhorar desde já as relações diplomáticas com a Índia. Mas as pretensões da Índia em relação ao Tibete são grandes. A Índia combaterá inclusive para liquidar a pouca influência que a China possa ter no Paquistão, porque o Paquistão é um país estratégico no flanco do Irã e do Afeganistão. Aqui iniciam-se as rivalidades pela grande área petrolífera do Oriente Médio, dominada pelo imperialismo norte-americano. É muito difícil para a China penetrar ali. Ela fará uma política contrária aos interesses dos povos árabes e favorável aos interesses norte-americanos, até chegar o momento em que ela própria se fortaleça. Ao mesmo tempo, ajudará os Estados Unidos a formar, juntamente com países como o Irã, a Arábia Saudita, etc., uma poderosa barreira contra uma penetração político-econômica e militar soviética nessa zona vital para o imperialismo norte-americano e o imperialismo europeu.
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Os social-imperialistas chineses dedicam particular importância à Europa Ocidental na realização de seus planos. Seu objetivo é opô-la ao social-imperialismo soviético. Para tanto, apóiam por todos os meios a OTAN e a aliança dos países europeus com os Estados Unidos, o Mercado Comum Europeu e a "Europa Unida".
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Em seu plano estratégico, a China social-imperialista visa estender sua influência e sua hegemonia nos países do "terceiro mundo", como ela o denomina. A teoria do "terceiro mundo" tem grande importância para a China. Mao Tse Tung não a proclamou como um sonhador, mas perseguindo objetivos hegemonistas bem definidos, para que a China domine o mundo. Os sucessores de Mao Tse Tung e Chu En-lai seguem a mesma estratégia.
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Os objetivos estratégicos chineses também se estendem ao que se chama de "mundo não-alinhado", apregoado pelo titismo. Não há nenhuma diferença entre todos esses "mundos", um se sobrepõe ao outro. É difícil distinguir quais Estados estão no "terceiro mundo" e o que os diferencia dos "países não-alinhados", quais os Estados que fazem parte dos "não alinhados" e o que os distingue dos do "terceiro mundo", portanto, qualquer que seja a denominação que se lhes dê, trata-se dos mesmos Estados.
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Este é um dos motivos por que a direção chinesa dá tanta importância às relações estatais e partidárias muito amistosas com Tito e com a Iugoslávia em todos os campos, ideológico, político, econômico, militar.
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A comunidade de pontos de vista dos revisionistas chineses e dos revisionistas iugoslavos não impede cada um deles de explorar em proveito próprio a afetuosa amizade que os une.
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Tito procura aproveitar as declarações de Hua Guofeng sobre a fidelidade de sua pessoa e de seu partido ao marxismo-leninismo, sobre o caráter socialista da "autogestão", sobre a política interna e externa "marxista-leninista" que os titistas seguiriam, para mostrar que o desmascaramento de seus desvios antimarxistas, de sua política chauvinista, reacionária, pró-imperialista, de seu revisionismo, não passaria de calúnia dos stalinistas, e, com base nisso, procura elevar seu renome em nível internacional.
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Hua Guofeng, por sua vez, aproveita as relações com a Iugoslávia em função da chamada abertura da China para a Europa. Os revisionistas chineses também procuram aproveitar a amizade com os titistas, que se mantêm como campeões do não-alinhamento", como um importante canal de penetração nos "países não-alinhados", para estabelecer ali seu domínio. Não por acaso, durante sua visita à Iugoslávia Hua Guofeng colocou nas nuvens o movimento dos "não-alinhados" como "uma força muito importante na luta dos povos do mundo contra o imperialismo, o colonialismo e o hegemonismo". Teceu elogios a esse movimento e a Tito porque sonha apoderar-se dele e estabelecer sua sede em Pequim.
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A política do social-imperialismo chinês é, em todos os sentidos, a política de uma grande potência imperialista, é uma política contra-revolucionária e belicista e, portanto, será cada vez mais odiada, contestada e combatida pelos povos.
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As superpotências imperialistas de que falamos acima continuarão a ser imperialistas e belicosas e mais cedo ou mais tarde arrastarão o mundo para uma grande guerra atômica.
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O imperialismo norte-americano procura cravar cada vez mais fundo suas garras na economia dos demais povos enquanto o social-imperialismo soviético, que vem de mostrar as unhas, procura fincá-las nos diversos países para criar e para fortalecer também ele suas posições neocolonialistas e imperialistas. Mas existe também a "Europa Unida", ligada por meio da OTAN aos Estados Unidos, que tem tendências imperialistas, não globais, mas ao nível de alguns de seus membros. Por outro lado, entraram na dança a China, que procura transformar-se em superpotência, e o militarismo japonês, que se levantou. Esses dois imperialismos vêm se aliando entre si para formar uma potência imperialista em oposição às demais. Nestas condições, aumenta o já grande perigo de uma guerra mundial. As atuais alianças existem, mas irão se deslocando, no sentido de modificar sua orientação mas não seu conteúdo.
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Os belos discursos sobre o desarmamento pronunciados na ONU e em diversas conferências internacionais organizadas pelos imperialistas são demagógicos. Os imperialistas criaram e defendem o monopólio das armas estratégicas, desenvolvem um intenso tráfico de armas, não para garantir a paz e a segurança das nações mas para extrair superlucros e esmagar a revolução e os povos, para desencadear guerras de agressão. Stálin afirmou:
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"Os Estados burgueses armam-se e rearmam se furiosamente. Por quê? Seguramente não para tagarelices, mas para a guerra. E os imperialistas precisam da guerra porque ela é o único meio para redividir o mundo, para redividir os mercados, as fontes de matérias primas e as esferas de aplicação de capital." (J. V. Stálin, Obras, ed. albanesa, vol. XII, pgs. 242-243.)
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Em sua rivalidade, que as conduz à guerra, as superpotências seguramente provocarão e instigarão muitas guerras locais, entre diferentes Estados do "terceiro mundo", "países não-alinhados" ou "países em desenvolvimento".
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O presidente Carter emitiu a opinião de que a guerra só pode ocorrer em dois pontos do globo terrestre, no Oriente Médio ou na África. E compreende-se por que: porque é precisamente nessas duas regiões que os Estados Unidos possuem maiores interesses atualmente. No Oriente Médio está o petróleo e na rica África confrontam-se grandes interesses econômicos e estratégicos neo-colonialistas de divisão de mercados e zonas de influência entre as superpotências que buscam manter e reforçar suas posições e conquistar outras.
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Mas além do Oriente Médio e da África há outras zonas onde os interesses das superpotências se confrontam, como por exemplo o Sudeste Asiático. Os Estados Unidos, a União Soviética e mais a China procuram instaurar suas zonas de influência e dividir mercados. Isso cria também conflitos, que periodicamente se convertem em guerras locais, as quais não visam em absoluto libertar os povos e sim instalar ou deslocar camarilhas dominantes do capital local, que ora estão com uma superpotência e ora com outra. O social-imperialismo soviético e o imperialismo norte-americano são dois monstros. Os povos desconfiam deles; e tampouco confiam na China.
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Quando as superpotências não conseguem satisfazer seus interesses rapaces por meios econômicos, ideológicos e diplomáticos, quando as contradições se aguçam ao máximo e já não podem ser resolvidas com acordos e "reformas", começa então a guerra entre elas. Portanto, os povos, que verterão seu sangue nessa guerra, devem fazer todos os esforços para não serem colhidos de surpresa, para sabotar a guerra inter-imperialista de pilhagem, para que ela não adquira proporções mundiais e, se não o conseguirem, para convertê-la em guerra de libertação e para vencê-la.
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O Papel do Titismo e de Outras Correntes Revisionistas na Estratégia Global do Imperialismo e do Social-Imperialismo


O imperialismo e o social-imperialismo, o capitalismo mundial e a reação contam com os revisionistas contemporâneos de todas as correntes na luta feroz que travam contra a revolução, o socialismo e os povos. Esses renegados e traidores ajudam a aplicar a estratégia global do imperialismo, solapando por dentro, dividindo e sabotando os esforços do proletariado e a luta 'dos povos para livrar-se do jugo social e nacional. Assumiram a tarefa de denegrir e desvirtuar o marxismo-leninismo, confundir a mente das pessoas e afasta-las da luta revolucionária, de ajudar o capital a manter e eternizar seu sistema de opressão e exploração.
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Ao lado dos revisionistas soviéticos e chineses, dos quais falamos acima, os revisionistas titistas iugoslavos desempenham um papel de primeira ordem no grande e perigoso jogo contra-revolucionário.
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O titismo é uma velha agência do capital, uma arma dileta da burguesia imperialista na luta contra o socialismo e os movimentos de libertação.
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Os povos da Iugoslávia lutaram com abnegação contra os ocupantes nazi-fascistas, pela liberdade, a democracia e o socialismo. Chegaram a libertar o país, mas não lhes permitiram prosseguir a revolução no caminho do socialismo. Preparada de há muito, clandestinamente, pelo Inteligence Service, a direção revisionista iugoslava com Tito à frente, que durante o período da luta fingia manter as características de um partido da III Internacional, na realidade tinha outros objetivos, opostos ao marxismo-leninismo e à aspiração dos povos da Iugoslávia de construir uma sociedade verdadeiramente socialista em seu país.
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O Partido Comunista da Iugoslávia que chegou ao poder havia herdado muitos erros de natureza deviacionista. Após a II Guerra Mundial ele manifestou traços acentuadamente nacional-chauvinistas, que já haviam aflorado desde antes da guerra. Esses traços se manifestaram no afastamento da ideologia marxista-leninista, na atitude para com a União Soviética e Stálin, nas atitudes e ações chauvinistas contra a Albânia, etc.
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O sistema de democracia popular instaurado na Iugoslávia era provisório, não se coadunava com a camarilha no poder, embora esta continuasse se auto-intitulando "marxista". Os titistas não visavam a construção do socialismo, não desejavam que o Partido Comunista da Iugoslávia se guiasse pela teoria marxista-leninista nem aceitavam a ditadura do proletariado. Aí residia a causa do conflito que eclodiu entre o Birô de Informações dos Partidos Comunistas e Operários e o Partido Comunista da Iugoslávia. Tratou-se de um conflito ideológico entre o marxismo-leninismo e o revisionismo e não de um conflito entre pessoas, por "ambições de domínio", como os revisionistas desejam apresentá-lo. Stálin defendia a pureza da teoria marxista-leninista, Tito defendia a corrente deviacionista, revisionista, antimarxista do revisionismo contemporâneo, seguindo as pegadas de Browder e dos demais oportunistas surgidos às vésperas e no decorrer da II Guerra Mundial.
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Nos anos que se sucederam à libertação, a direção iugoslava fingia tomar como exemplo a construção do socialismo na União Soviética e dizia estar construindo o socialismo na Iugoslávia. Fazia-o para enganar os povos iugoslavos, que haviam derramado sangue e aspiravam ao genuíno socialismo.
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Na realidade, os titistas nem eram nem podiam ser favoráveis ao sistema social socialista e à forma de organização do Estado soviético, pois Tito inclinava-se para o sistema capitalista e para um Estado essencialmente democrático-burguês, em que sua camarilha tivesse o poder. Esse Estado serviria para criar a idéia de que o socialismo estava sendo edificado na Iugoslávia, conquanto fosse um socialismo "específico" e "de um tipo mais humano", precisamente o tal "socialismo" que serviria de quinta coluna em outros países socialistas. Tudo estava bem calculado e coordenado pelos imperialistas anglo-americanos e pelo grupo titista. Assim, fazendo o jogo do imperialismo e do capitalismo mundial, entrando em entendimento com eles, os revisionistas iugoslavos se contrapuseram à União Soviética.
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Dando continuidade a velhos planos, o imperialismo inglês, e mais tarde o norte-americano, ajudaram Tito desde o tempo da luta antifascista de libertação nacional, não só para que ele se distanciasse da União Soviética mas também para que empreendesse ações de sabotagem contra ela e sobretudo trabalhasse para separar do campo socialista outros países de democracia popular, objetivando isolar a União Soviética de todos esses países e uni-los ao Ocidente. Tal era a política do capitalismo mundial e de sua agência, o titismo.
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Churchill, esse anticomunista furioso, empenhou-se direta e pessoalmente em colocar Tito e seu grupo a serviço do capitalismo. Durante a Guerra enviou ao estado-maior de Tito "seus amigos de maior confiança", conforme afirmava o próprio líder britânico, e mais tarde enviou seu próprio filho. Após isso, em maio de 1944, ele encontrou-se pessoalmente com Tito em Nápoles, Itália, para assegurar-se plenamente de que não estava sendo ludibriado. Em suas memórias Churchill afirma que nas conversações Tito se prontificou a fazer mais tarde até uma declaração aberta de que "o comunismo não será instaurado na Iugoslávia após a Guerra".
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Tito atuou com muita energia a serviço de seus patrões, a ponto de Churchill, que apreciava seus grandes préstimos, ter-lhe declarado: "Agora compreendo que você tinha razão, portanto estou com você e quero-lhe muito, mais do que antes". Um apaixonado não poderia fazer uma declaração mais ardente a sua amada.
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Sem se haver separado por completo da União Soviética e dos países de democracia popular, a Iugoslávia recebeu considerável ajuda econômica, política, ideológica, militar dos imperialistas, em particular do imperialismo norte-americano, ajuda essa que mais tarde tornou-se mais freqüente e constante.
A única condição para essa ajuda era que o país se desenvolvesse pelo caminho capitalista. A burguesia imperialista não se opunha a que a Iugoslávia resguardasse uma aparência externa socialista, pelo contrário, estava profundamente interessada na manutenção de um verniz socialista, pois assim aquela arma seria mais eficaz na luta contra o socialismo e os movimentos de libertação. Esse gênero de "socialismo" não só se distinguiria por completo, como também se contraporia ao socialismo previsto e realizado por Lênin e Stálin.
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Num prazo relativamente curto, a Iugoslávia tornou-se a porta-voz "socialista" do imperialismo norte-americano, uma agência diversionista de auxilio ao capital mundial. De 1948 até hoje, o titismo se caracteriza por uma febril atividade contra o marxismo-leninismo, pela organização de uma campanha propagandística em nível mundial para apresentar o sistema iugoslavo sob a forma de um "verdadeiro socialismo", de uma "nova sociedade", um "socialismo não-alinhado", que não é mais aquele construído na União Soviética por Lênin e Stálin, mas um sistema socialista "com face humana", testado pela primeira vez no mundo, com "brilhantes resultados". Essa propaganda sempre visou conduzir a um beco sem saída os povos e as forças progressistas que lutam pela liberdade e a independência em todo o mundo.
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Os revisionistas iugoslavos adotaram em seu país as mesmas formas de governo que os trotskistas e outros elementos anarquistas, incitados pela burguesia capitalista na sabotagem à construção do socialismo, tentaram adotar na União Soviética no tempo de Lênin. Ao adotar essas formas, enquanto falava em edificar o socialismo, Tito deformou por completo os princípios marxista-leninistas de construção da indústria, da agricultura, etc.
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As Repúblicas da Iugoslávia adquiriram uma fisionomia administrativa e de direção organizativo-política em que o centralismo democrático foi liquidado, o papel do Partido Comunista da Iugoslávia se estiolou. O Partido mudou de nome, transformou-se em "Liga dos Comunistas da Iugoslávia", uma denominação marxista na aparência, mas antimarxista no conteúdo, nas normas, nas atribuições e objetivos. A Liga tornou-se uma frente sem coluna vertebral, privada dos traços que distinguem um partido marxista-leninista, manteve a antiga forma, mas já não jogava o papel de vanguarda da classe operária, não era mais a força política dirigente da República Federativa da Iugoslávia, cumpria apenas, no dizer dos revisionistas, funções "educativas" gerais.
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A direção titista colocou o Partido na dependência e sob o controle da UDB e converteu-o numa organização fascista, enquanto o Estado passava a ser uma ditadura fascista. Nós conhecemos bem o grande perigo representado por essa atuação, pois o agente dos titistas Koçi Xoxe tentou fazer o mesmo na Albânia.
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Tito, Rankovich e sua agência liquidaram por completo tudo que pudesse ter as verdadeiras cores do socialismo. O titismo travou um drástico combate contra as tentativas dos elementos que no interior do país exigiam a demolição daquela rede de agentes e daquela organização capitalista-revisionista, bem como contra toda a propaganda marxista-leninista que se desenvolvia no exterior desmascarando o regime fingidamente socialista.
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A direção titista abandonou rapidamente a coletivização da agricultura, que havia iniciado nos primeiros anos, criou granjas estatais capitalistas, estimulou o desenvolvimento da propriedade privada no campo, permitiu livremente a compra e venda de terras, reabilitou os kulaks, deixou campo livre para a proliferação do mercado privado nas cidades e no campo, realizou as primeiras reformas que fortaleciam a orientação capitalista da economia.
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Enquanto isso, a burguesia titista estava em busca de uma forma "nova" para camuflar o sistema capitalista iugoslavo. Encontrou-a, deu-lhe o nome de "autogestão", cobriu-a com um véu "marxista-leninista" e passou a pretender que trata-se do mais autêntico dos socialismos.
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A princípio a "autogestão" surgiu como um sistema econômico; depois estendeu-se ao campo da organização estatal e a todos os demais aspectos da vida iugoslava.
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A teoria e a prática da "autogestão" iugoslava são uma negação aberta dos ensinamentos do marxismo-leninismo e das leis gerais da construção do socialismo. O sistema econômico e político "autogestionário" é uma forma anarco-sindicalista de ditadura burguesa, que domina na Iugoslávia dependente do capital internacional.
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Todos os traços distintivos do sistema "autogestionário", como a eliminação do centralismo democrático e da direção estatal única, o federalismo anarquista e a ideologia anti-Estado em geral, criaram na Iugoslávia uma permanente confusão econômica, política e ideológica, um desenvolvimento débil e desigual de suas Repúblicas e Regiões, grandes diferenciações sociais e de classe, rinhas e opressão nacionais, degenerescência da vida espiritual. Criaram um grande retalhamento da classe operária, colocando cada um de seus destacamentos em concorrência com outros, alimentando um espírito setorial, localista e individualista-burguês. A classe operária iugoslava está longe de ter o papel hegemônico no Estado e na sociedade. O sistema da "autogestão" deixou-a em tais condições que ela não tem sequer como defender seus próprios interesses gerais, como atuar de forma unida e compacta.
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O mundo capitalista, sobretudo o imperialismo norte-americano, canalizou ingentes capitais para a Iugoslávia, sob a forma de investimentos, créditos e empréstimos. São esses capitais que formam a base material do "desenvolvimento" do "socialismo autogestionário" capitalista iugoslavo. Somente a dívida externa ultrapassa 11 bilhões de dólares. Os Estados Unidos concederam à Iugoslávia mais de 7 bilhões de dólares de créditos.
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Mas, apesar dos muitos créditos que a direção titista recebe do exterior, os povos da Iugoslávia nunca provaram os "brilhantes resultados" do "socialismo" específico. Pelo contrário, há na Iugoslávia um caos político e ideológico, impera um sistema que cria grande desemprego internamente e forte migração de mão-de-obra para o exterior, o que torna a Iugoslávia completamente dependente das potências imperialistas. Os povos iugoslavos são explorados até a medula em função dos interesses da classe no poder e de todas as potências imperialistas que fizeram investimentos no país.
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O Estado iugoslavo nem se incomoda quando os preços sobem a cada dia, quando a pobreza das massas aumenta sempre mais e o país está não só mergulhado em dívidas mas também profundamente afundado na grande crise do mundo capitalista. A Iugoslávia tem uma independência e uma soberania mutiladas, pois carece entre outras coisas de um potencial econômico inteiramente próprio. A parte principal de seu potencial dividida com diferentes empresas estrangeiras e Estados capitalistas. Portanto, ela não poderia deixar de provar na própria carne os efeitos ruinosos da crise e da exploração forânea.
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Não por acaso o capitalismo mundial dá tanto apoio político e financeiro à "autogestão" iugoslava e faz eco a propaganda titista que procura vender seu sistema Como uma "forma nova e provada de edificação do socialismo", válida para todos os países.
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Ele o faz porque a "autogestão" iugoslava é uma forma de subversão e diversionismo ideológico e político contra os movimentos revolucionários e libertadores do proletariado e dos povos, é uma maneira de abrir caminho para a penetração política e econômica do imperialismo em diferentes países. O imperialismo e a burguesia desejam manter a "autogestão" como um sistema de reserva para certas circunstâncias e em distintos países, de forma a prolongar a vida do capitalismo, que não entrega os pontos facilmente e procura encontrar variadas formas de governo às custas dos povos.
As teorias e práticas iugoslavas do "não-alinha-. mento" prestam um grande auxilio aos imperialistas porque ajudam a enganar os povos. Isso interessa tanto aos imperialistas quanto aos social-imperialistas, pois ajuda-os a instaurar e reforçar sua influência nos "países não-alinhados", a afastar os povos amantes da liberdade do caminho da libertação nacional e da revolução proletária. É por isso que tanto Carter como Brezhnev e também Hua Guofeng louvam a política titista dos "não-alinhados" e tratam de explorá-la em proveito próprio.
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O titismo foi e é uma arma da burguesia imperialista, um bombeiro da revolução. Está no mesmo campo, tem os mesmos objetivos e possui unidade ideológica com o revisionismo contemporâneo em geral e com suas diferentes variantes. Os caminhos, as formas, as táticas que emprega na luta contra o marxismo-leninismo, a revolução e o socialismo podem diferir, mas os fins contra-revolucionários são os mesmos.
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Os partidos revisionistas, em primeiro lugar da Europa e também dos demais países de todos os Continentes, dão uma grande ajuda à burguesia e à reação no esforço para sufocar a luta revolucionária do proletariado e dos povos.
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Os partidos revisionistas da Europa Ocidental estão se esforçando para edificar uma teoria em torno de uma "nova sociedade", dita socialista, a ser alcançada por meio de "reformas estruturais" e em estreita coalizão com os partidos social-democratas e até com os partidos de direita. Segundo dizem, tal sociedade constituir-se-ia em novas bases, com "reformas sociais", com "paz social", pela "via parlamentar", pelo "compromisso histórico" com os partidos burgueses.
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Os partidos revisionistas da Europa, como os da Itália, da França e da Espanha, e atrás deles todos os demais partidos revisionistas do Ocidente, negam o leninismo, a luta de classes, a revolução e a ditadura do proletariado. Todos meteram-se no caminho do compromisso com a burguesia capitalista. E denominaram essa linha antimarxista de "eurocomunismo". O "eurocomunismo" é uma nova corrente pseudo-comunista que está e ao mesmo tempo não está em contraposição com o bloco revisionista soviético. Essa atitude oscilante deve-se ao objetivo de estabelecer uma coexistência de idéias com a social-democracia européia, com todos os diferentes pontos de vista que fervem na caldeira da Europa. Os "eurocomunistas" podem unir-se com quem quer que seja, exceção feita aos que combatem pelo triunfo da revolução e pela pureza da ideologia marxista-leninista.
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Todas as correntes revisionistas, oportunistas, social-democratas trabalham como podem para ajudar as superpotências na diabólica atuação visando esmagar a revolução e os povos. Seu apoio a correntes e organismos supostamente novos da burguesia tem por único objetivo sufocar a revolução, impondo-lhe mil e um obstáculos materiais, políticos, ideológicos. Trabalham para confundir e dividir o proletariado e seus aliados, pois sabem que divididos em lutas de frações eles não podem criar nem dentro de um país nem no plano internacional a unidade ideológica, política e de combate indispensável para enfrentar as investidas do capitalismo mundial em putrefação.
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A coalizão do revisionismo contemporâneo com a social-democracia teme a chegada do fascismo, sobretudo em certos países ameaçados pela extrema direita. Para evitar a ditadura fascista, os revisionistas e social-democratas tratam de "amainar" as contradições e a luta de classes entre as massas do povo e o proletariado, de um lado, e a burguesia capitalista, de outro. Portanto, para assegurar uma "paz social" os membros dessa coalizão devem fazer concessões mútuas e entrar em compromisso com a burguesia capitalista, entender-se com ela quanto a um regime que convenha às duas partes. Assim, enquanto a burguesia capitalista e seus partidos prosseguem abertamente sua guerra ao comunismo, os partidos revisionistas tratam de desvirtuar o marxismo-leninismo, a ideologia dirigente da revolução.
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Os sindicatos reformistas, educados e adestrados expressamente para o compromisso com o patronato e apenas para solicitar esmolas econômicas e não para greves envolvendo exigências políticas e tendo em vista a tomada do poder pelo proletariado, converteram-se no apoio dos partidos revisionistas da Europa. Naturalmente, a barganha orienta-se ao sabor da oferta e da procura. Uma parte pede esmola e a outra define as dimensões da esmola a ser dada. Ambas, tanto os sindicatos reformistas e partidos revisionistas como o patronato com seus partidos, seus poder e seus sindicatos, estão ameaçadas pela revolução, pelo proletariado, por seus partidos autenticamente marxista-leninistas. Portanto ambas buscam um compromisso reacionário, uma solução que não pode ser idêntica em todos os países capitalistas devido às diferenças quanto à força do capital, às proporções do aprofundamento da crise e à amplitude das contradições internas que os corroem.
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O Imperialismo e a Revolução
Enver Hoxha

A Revolução - Única Arma para Destruir a Estratégia dos Inimigos do Proletariado e dos Povos


Todos os inimigos, os imperialistas, os social-imperialistas e os diversos revisionistas, combatem em conjunto ou em separado para ludibriar a humanidade progressista, para desmoralizar o marxismo-leninismo e especialmente para distorcer a teoria leninista da revolução, para esmagar a revolução, qualquer sorte de resistência popular ou luta de libertação nacional.
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O arsenal dos inimigos do marxismo-leninismo é vasto, mas as forças da revolução também são colossais. São precisamente essas forças que efervescem, que se batem e que lutam, que tiram o sono dos inimigos, que tornam impossível a vida do mundo capitalista e da reação mundial.
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"Um fantasma ronda a Europa - o fantasma do comunismo. Todas as forças da velha Europa... uniram-se na santa cruzada para acossar este fantasma." (K. Marx e F. Engels, "Manifesto do Partido Comunista", pg. 13, Tirana, 1974).
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Esta constatação de Marx e Engels mantém sua atualidade em nossos dias. O imperialismo, o social-imperialismo e o revisionismo contemporâneo julgam que o perigo do comunismo já não existe para eles porque, considerando irrecuperável o duro golpe que a revolução sofreu com a traição revisionista, subestimam a força do marxismo-leninismo, superestimam a força material, militar, repressiva e econômica que têm à sua disposição. Isso é apenas uma ilusão.
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O proletariado mundial está acumulando forças. Ele e os povos amantes da liberdade compreendem cada dia melhor, por sua própria experiência, a traição dos revisionistas contemporâneos, titistas, kruschovistas, chineses, "eurocomunistas", etc. O tempo trabalha para a revolução, para o socialismo e não para a burguesia e o imperialismo, não para o revisionismo contemporâneo e a reação mundial. As chamas da revolução ardem em toda parte, no coração dos povos oprimidos que desejam conquistar a liberdade, a democracia, a soberania verdadeira, tomar o poder em suas mãos e seguir pelo caminho do socialismo, destruindo o imperialismo e seus lacaios.
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Ocorre atualmente o mesmo fenômeno do período de Lênin, quando a divisão da II Internacional deu lugar à criação de novos partidos, marxista-leninistas. A traição revisionista levou e levaria necessariamente, em toda parte, à criação e fortalecimento de verdadeiros partidos comunistas, que tomaram em suas mãos e ergueram bem alto a bandeira do marxismo-leninismo e da revolução, arriada e pisoteada pelos revisionistas. Cabe a esses partidos o encargo de responder à estratégia global do imperialismo mundial e do revisionismo com a gloriosa estratégia leninista da revolução, com a grande teoria do marxismo-leninismo. Cabe-lhes o encargo de tornar as massas plenamente conscientes dos objetivos e do correto caminho da luta, da necessidade de sacrifícios, a tarefa de uni-las, organizá-las, dirigi-las e conduzi-las à vitória.
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Nós, marxista-leninistas, que estamos à frente da luta titânica em curso entre o proletariado e os povos oprimidos que aspiram à liberdade, de um lado, e os imperialistas selvagens e rapaces de outro, devemos compreender bem os fins, as táticas, os métodos e as formas de luta dos inimigos comuns e dos inimigos particulares em cada país. E não podemos encará-los devidamente caso não nos apoiemos com firmeza na teoria marxista-leninista da revolução, caso não enxerguemos na situação atual e nas que virão a existência de uma série de elos débeis da cadeia do capitalismo mundial, em que os revolucionários e os povos devem desenvolver uma atividade ininterrupta, uma luta organizada, indômita e ousada, de forma que esses elos se rompam, um após outro. Isso naturalmente exige trabalho, exige luta, sacrifícios e abnegação. Os povos e homens audaciosos, guiados pelos interesses da revolução, podem enfrentar e enfrentarão as grandes forças do imperialismo, do social-imperialismo e da reação, que se vinculam entre si, criam novas alianças e buscam saídas para a difícil situação que se lhes cria. Quem cria essas situações difíceis para as forças retrógradas são os revolucionários, os marxista-leninistas, a luta dos povos em todos os Continentes, em todos os países.
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Os comunistas de todo o mundo não têm por que temer os falsos mitos que predominaram no pensamento revolucionário por certo tempo. Os comunistas devem lutar para ganhar os que se equivocam, com o objetivo de corrigi-los, fazendo grandes esforços para isso, naturalmente sem cair no oportunismo. No processo da luta de princípios, haverá inicialmente algumas vacilações que repercutirão, mas as vacilações vão se manifestar nos vacilantes. Enquanto os que são firmes e aplicam corretamente a teoria marxista-leninista, que olham com justeza os interesses do proletariado em seus países, do proletariado mundial e da revolução, não vacilarão. E quando os vacilantes virem que seus camaradas permanecem inabaláveis em suas idéias revolucionárias, marxista-leninistas, redobrarão sua luta.
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Caso os marxista-leninistas apliquem correta e decididamente a teoria marxista-leninista, com base nas atuais condições internacionais e nas condições nacionais de cada país, caso fortaleçam sem descanso a unidade internacionalista proletária, no combate implacável ao imperialismo e ao revisionismo contemporâneo em todas as suas correntes, seguramente ultrapassarão todas as dificuldades que surgirem em seu caminho, mesmo que sejam muito grandes. Devidamente aplicados, o marxismo-leninismo e seus princípios imortais conduzirão inevitavelmente à destruição do capitalismo mundial e à vitória da ditadura do proletariado, por meio da qual a classe operária edificará o socialismo e avançará rumo ao comunismo.

II - A Teoria Leninista Sobre o Imperialismo Mantém Toda Atualidade


Nas condições atuais, em que os revisionistas kruschovianos, titistas, "eurocomunistas", chineses e outras correntes antimarxistas atacam a causa da revolução e da libertação dos povos a pretexto de que a situação mudou, adquire uma importância de primeira ordem aprofundar o estudo das obras de Lênin sobre o imperialismo.
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Devemos retornar a essas obras, estudá-las em profundidade e em detalhe, especialmente a genial obra de Lênin "O Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo". Ao estudá-la com atenção, veremos também como os revisionistas, entre os quais os dirigentes chineses, distorcem o pensamento leninista sobre o imperialismo, como concebem seus objetivos, sua estratégia e táticas. Seus escritos, declarações, atitudes e gestos mostram que eles encaram de forma absolutamente errônea a natureza do imperialismo, partindo de posições contra-revolucionárias e antimarxistas, tal como faziam todos os partidos da II Internacional e seus ideólogos, Kautsky e companhia, impiedosamente desmascarados por Lênin.
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Caso estudemos com atenção essa obra de Lênin e nos atenhamos fielmente às suas geniais análises e conclusões, constataremos que o imperialismo de nossos dias conserva integralmente as mesmas características dadas por Lênin, que permanece imutável a definição leninista de nossa época como a época do imperialismo e das revoluções proletárias, que a vitória da revolução é inevitável.
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Como se sabe, Lênin inicia sua análise sobre o imperialismo pela concentração da produção, do capital e dos monopólios. Até hoje só se pode analisar correta e cientificamente os fenômenos da concentração e centralização da produção e do capital com base na análise leninista do imperialismo.
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O capitalismo atual caracteriza-se pela crescente concentração da produção e do capital, que conduziu à união ou absorção das pequenas empresas pelas empresas poderosas. Isso acarretou também a acumulação maciça da força de trabalho em grandes trustes e consórcios. Tais empresas concentraram igualmente em suas mãos uma grande capacidade produtiva, recursos energéticos e matérias primas em proporções incalculáveis. Nos dias que correm as grandes empresas capitalistas exploram inclusive a energia nuclear e a mais nova tecnologia, que dominam em caráter exclusivo.
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Esses gigantescos organismos têm caráter nacional e internacional. Dentro de seu país, eles arruinaram a maioria dos pequenos proprietários e industriais, enquanto no plano internacional erigiram-se em consórcios colossais, que compreendem ramos inteiros da indústria, da agricultura, da construção, dos transportes, etc. de muitos países. Em toda parte onde os consórcios cravaram suas garras, onde um punhado de miliardários capitalistas concentrou a produção, amplia-se e aprofunda-se a tendência à liquidação dos pequenos proprietários e industriais. Esse processo conduz ao fortalecimento ainda maior dos monopólios.
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"Essa transformação da concorrência em monopólio - disse Lênin - constitui um dos fenômenos mais importantes - para não dizer o mais importante - da economia do capitalismo moderno..." (V. I. Lênin, Obras, ed. albanesa, vol. XXII, pg. 237).
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Referindo-se a esse traço do imperialismo ele agrega que:
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"...o surgimento dos monopólios devido à concentração da produção é uma lei geral e fundamental da atual fase de desenvolvimento do capitalismo". (V. I. Lênin, Obras, ed. albanesa, vol. XXII, pg. 241).
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O desenvolvimento do capitalismo na atualidade comprova cabalmente esta conclusão de Lênin. Em nossos dias os monopólios tornaram-se o fenômeno mais típico e mais usual, que determina a fisionomia, a essência econômica do imperialismo. Em países imperialistas como os Estados Unidos da América, a República Federal alemã, a Inglaterra, o Japão, a França, etc., a concentração da produção assumiu proporções nunca vistas.
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Em 1976, por exemplo, as 500 maiores corporações norte-americanas empregavam cerca de 17 milhões de pessoas, correspondendo a mais de 20% da mão-de-obra ativa. Respondiam por 66% das mercadorias vendidas. Quando Lênin escreveu "O Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo", havia no mundo capitalista apenas uma grande empresa norte-americana, a "United States Steel Corporation", que dispunha de um ativo superior a um bilhão de dólares, enquanto em 1976 o número de empresas bilionárias era de cerca de 350. O truste automobilístico "General Motors Corporation", esse supermonopólio, tinha em 1975 um capital global que passava dos 22 bilhões de dólares e explorava um exército de cerca de 800.000 operários. Depois dele vinha o monopólio "Standard Oil of New Jersey", que domina a indústria petrolífera dos Estados Unidos e outros países e explora mais de 700 000 operários. Na indústria automobilística três grandes monopólios concorrem com mais de 90% da produção do setor; na indústria aeronáutica e na siderurgia quatro enormes companhias concorrem respectivamente com 65 e 47% da produção.
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O mesmo processo vem ocorrendo nos demais países imperialistas. Na República Federal alemã 13% do total das empresas concentraram cerca de 50% da produção e 40% da mão-de-obra. Na Inglaterra dominam 50 grandes monopólios. A corporação britânica do aço concorre com mais de 90% da produção siderúrgica do país. Na França duas empresas concentraram em suas mãos três quartos da produção de aço, quatro monopólios dominam toda a produção automobilística e quatro outros o conjunto da produção de derivados de petróleo. No Japão dez grandes companhias siderúrgicas produzem todo o ferro-gusa e mais de três quartos do aço, enquanto na metalurgia não ferrosa atuam oito companhias. O mesmo ocorre em outros ramos e setores. (Dados extraídos do "Month1y Bulletin of Statistics", ONU, 1977; do "Statistikal Yearbook", 1976; da revista norte-americana "Fortune", 1976, etc.).
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As pequenas e médias empresas que subsistem nesses países estão na dependência direta dos monopólios. Recebem encomendas deles, trabalham para eles, contraem créditos, compram matérias primas, tecnologia, etc. Transformaram-se praticamente em seus apêndices.
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Ao criar monopólios-gigantes que não possuem uma unidade tecnológica, a concentração e centralização da produção e do capital difundiram-se grandemente na atualidade. Dentro desses monopólios-gigantes, "conglomerados", operam empresas e ramos inteiros da produção industrial, da construção, dos transportes, do comércio, dos serviços, de infra-estrutura, etc. Eles produzem desde brinquedos para crianças até mísseis intercontinentais.
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A força econômica dos monopólios e a crescente concentração de capitais fazem com que as vítimas da concorrência não sejam apenas as "crianças de colo", quer dizer, as empresas não monopolizadas típicas do passado, mas também grandes empresas e grupos financeiros. Devido à insaciável sede de altos lucros monopolistas dos consórcios e ao máximo aguçamento da concorrência, este processo adquiriu proporções colossais nas últimas décadas. Hoje, as fusões e incorporações no mundo capitalista são de 7 a 10 vezes maiores do que nos anos que precederam a II Guerra Mundial.
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A fusão e união de empresas industriais, comerciais, agrícolas e bancárias levaram à criação de novas formas de monopólio, de grandes complexos industrial-comerciais ou industrial-agrícolas, formas amplamente encontradas não só nos países capitalistas do Ocidente mas também na União Soviética, na Checoslováquia, na Iugoslávia e outros países revisionistas. No passado, as uniões monopolistas realizavam o transporte e venda de mercadorias com a ajuda de outras firmas, independentes; hoje os monopólios têm em suas mãos tanto a produção como o transporte e o mercado.
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Além de procurar evitar a concorrência entre as empresas que englobam, os monopólios tratam de açambarcar todas as fontes de matérias primas, todas as áreas ricas em minérios essenciais, como o ferro, o carvão, o cobre, o urânio, etc. Este processo verifica-se em plano nacional e internacional.
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A concentração da produção e do capital assumiu dimensões colossais, sobretudo após a II Guerra Mundial, com a ampliação e desenvolvimento do capitalismo monopolista estatal.
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O capitalismo monopolista de Estado representa a Submissão do aparelho estatal aos monopólios, seu pleno domínio sobre a vida econômica, política e social do país. Através dele, o Estado interfere diretamente na economia, no interesse da oligarquia financeira, para garantir o máximo de lucro para a classe no poder por meio da exploração de todos os trabalhadores e também para sufocar a revolução e as lutas de libertação dos povos.
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A propriedade monopolista estatal, enquanto elemento básico mais característico do capitalismo monopolista de Estado, não representa a propriedade de um capitalista ou grupo de capitalistas particulares, mas a propriedade do Estado capitalista, a propriedade da classe burguesa no poder. Em diversos países imperialistas, o setor capitalista monopolista de Estado domina de 20 a 30% da produção global.
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O capitalismo monopolista de Estado, que representa a escala mais elevada da concentração da produção e do capital, é a principal forma de propriedade que domina atualmente na União Soviética e nos demais países revisionistas. Esse capitalismo monopolista de Estado encontra-se a serviço da nova classe burguesa no poder.
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Também na China a economia vem adquirindo formas típicas do capitalismo monopolista de Estado, através de uma série de reformas que incluem a colocação do lucro como objetivo principal da atividade das empresas, a aplicação de práticas capitalistas de organização, direção e remuneração, a criação de regiões econômicas, de trustes e complexos muito semelhantes aos soviéticos, iugoslavos e japoneses, a abertura das portas do país ao capital estrangeiro, o estabelecimento de vínculos diretos entre empresas chinesas e monopólios forâneos, etc.
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A concentração e centralização da produção e do capital atingiram atualmente o nível interestatal no mundo capitalista e revisionista. Trata-se de uma tendência estimulada e levada à prática inclusive pelo Mercado Comum Europeu, o Comecon, etc., que representam a união dos monopólios de diferentes potências imperialistas.
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Ao analisar as formas dos monopólios internacionais, Lênin referiu-se em seu tempo aos cartéis e sindicatos. Nas condições atuais, em que a concentração da produção e do capital alcançou enormes dimensões, a burguesia monopolista encontrou novas formas de exploração dos trabalhadores. É o caso das empresas multinacionais.
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Na aparência, essas empresas desejam dar a impressão de serem propriedade conjunta de capitalistas de muitos países. Na realidade, as multinacionais pertencem principalmente a um país no que se refere ao capital e ao controle, enquanto sua atividade estende-se por muitos países. Elas se expandem cada vez mais através da absorção de pequenas e grandes sociedades e firmas locais, que não conseguem fazer frente à selvagem Concorrência.
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As multinacionais abrem filiais e empresas nos países onde a perspectiva de obter o máximo de lucro é mais segura. A multinacional norte-americana "Ford", por exemplo, instalou em outros países 20 grandes fábricas onde trabalham 100.000 operários de diferentes nacionalidades.
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Existem entre as multinacionais e o Estado burguês vínculos estreitos e uma dependência recíproca com base em seu caráter de classe e explorador. Essas empresas utilizam o Estado capitalista como um instrumento a seu serviço, com fins de domínio e expansão tanto no plano nacional como no internacional.
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Por seu grande papel econômico e pelo importante peso que têm em toda a vida do país, certas multinacionais, tomadas em particular, constituem uma força enorme que em muitos casos iguala ou ultrapassa o orçamento ou a produção de vários países capitalistas desenvolvidos tomados em conjunto. Uma das poderosas empresas multinacionais dos Estados Unidos, a "General Motors Corporation", ultrapassa a produção industrial conjunta da Holanda, da Bélgica e da Suíça. Essas empresas interferem nos países onde atuam para garantir favores e privilégios especiais. Os proprietários da indústria eletrônica dos Estados Unidos, por exemplo, pediram em 1975 ao governo mexicano que modificasse o código de trabalho, que previa certas medidas de defesa, dizendo que do contrário eles transfeririam suas indústrias para a Costa Rica e, para fazer pressão, fecharam várias fábricas onde trabalhavam cerca de 12.000 operários mexicanos.
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As multinacionais são alavancas do imperialismo e uma das suas principais formas de expansão. São esteios do neocolonialismo e afetam a soberania nacional e a independência dos países onde atuam. Para abrir caminho ao seu domínio, elas não se detêm diante de nenhum crime, desde a organização de complôs, a desestabilização da economia, até a simples compra de altos funcionários, de dirigentes políticos e sindicais, etc. O escândalo Lockheed foi a melhor prova disso.
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Muitas multinacionais também se instalaram e atuam nos Países revisionistas (17 multinacionais norte-americanas, 18 japonesas, 13 alemãs-ocidentais, 20 francesas, 7 italianas, etc., se instalaram ou possuem escritórios na União Soviética. Mais de 30 multinacionais se instalam na Polônia, das quais 10 norte-americanas, 6 alemãs-ocidentais, 6 inglesas, 3 japonesas, etc. Na Romênia são 32, na Hungria 31, na Checoslováquia 30 e o mesmo ocorre nos demais países revisionistas. (Dados extraídos do livro "Vodka-Cola", de Carl Levinson, 1977, pgs. 79-82). Já começaram igualmente a se introduzir na China.
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A concentração e centralização da produção e do capital, que caracterizam o mundo capitalista atual e levaram a uma grande socialização da produção, não modificaram em nada a natureza espoliadora do imperialismo. Pelo contrário, aumentaram e intensificaram a opressão e o empobrecimento dos trabalhadores. Esses fenômenos comprovam cabalmente a tese de Lênin de que, nas condições de concentração da produção e do capital, no imperialismo,
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"verifica-se um gigantesco progresso da socialização da produção", mas apesar disso "...a apropriação permanece privada. Os meios sociais de produção continuam sendo propriedade privada de um reduzido número de indivíduos." (V. I. Lênin, Obras, ed. albanesa, vol. XXII, pg. 247).
Os monopólios e as multinacionais se mantêm enquanto grandes inimigos do proletariado e dos povos.
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A intensificação do processo de concentração da produção e do capital que se desenvolve em nossos dias acirrou ainda mais a contradição fundamental do capitalismo, entre o caráter social da produção e a apropriação privada, bem como todas as demais contradições. Hoje, como ontem, as colossais rendas e superlucros provenientes da feroz exploração dos trabalhadores são apropriados por um punhado de magnatas capitalistas. Os meios de produção que equipam os setores industriais são igualmente propriedade privada dos capitalistas, enquanto a classe operária continua escrava dos donos dos meios de produção, e a força de seus braços continua sendo uma mercadoria. As grandes empresas capitalistas já não exploram algumas dezenas ou centenas de operários, mas centenas de milhares. A mais-valia usurpada pelas corporações norte-americanas com a selvagem exploração capitalista desse grande exército de operários foi de mais de 100 bilhões de dólares somente em 1976, contra 44 bilhões em 1960.
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Lênin desmascarou os oportunistas da II Internacional que pregavam a possibilidade da liquidação das contradições antagônicas do capitalismo devido ao surgimento e desenvolvimento dos monopólios. Demonstrou cientificamente que os monopólios, que trazem consigo a opressão, a exploração e a apropriação privada dos frutos do trabalho, acirram ainda mais as contradições do capitalismo. A superestrutura do sistema capitalista ergue-se com base no domínio dos monopólios. Ela defende e representa tanto no plano nacional como no internacional os interesses rapaces dos monopólios. São os monopólios que ditam a política interna e externa, a política econômica, social, militar, etc.
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A realidade atual da concentração da produção e do capital também desmascara a prédica dos chefes reacionários da social-democracia, dos revisionistas contemporâneos e oportunistas de toda laia, de que os trustes, a propriedade do capitalismo monopolista de Estado, etc., poderiam "transformar-se" pacificamente em economia socialista, de que o atual capitalismo monopolista "integrar-se-ia" pouco a pouco no socialismo.
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Lênin ensina que a concentração da produção e do capital serve de base para a crescente concentração do capital monetário, para sua acumulação nas mãos dos grandes bancos, para o surgimento e desenvolvimento do capital financeiro. No processo de desenvolvimento do capitalismo, juntamente com os monopólios também os bancos cobram grande desenvolvimento, absorvendo capital monetário dos monopólios e consórcios, bem como dos pequenos produtores ou das poupanças pessoais. Os bancos, em mãos e a serviço dos capitalistas tornam-se assim os detentores dos principais meios financeiros.
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O mesmo processo ocorrido para a eliminação das pequenas empresas pelas grandes, pelos cartéis e monopólios, verificou-se também para a liquidação sucessiva dos pequenos bancos. Dessa forma, assim como as grandes empresas criaram os monopólios, os grandes bancos formaram seus consórcios bancários. Esse fenômeno adquiriu proporções colossais nestas duas últimas décadas e prossegue, ainda hoje, em ritmo extremamente acelerado. A característica que distingue as fusões e absorções atualmente é que elas atingem não só os bancos pequenos, mas também os médios e os relativamente grandes. Esse fenômeno deve-se ao acirramento das contradições da reprodução capitalista, à ampliação da concorrência e à grave crise do sistema financeiro e monetário do mundo capitalista.
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Nos Estados Unidos da América, reinam 26 grandes grupos financeiros, O maior deles, o grupo Morgan, possui 20 grandes bancos, companhias de seguros, etc., com um ativo que alcança a soma de 90 bilhões de dólares.
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A taxa de concentração e centralização do capital bancário também é muito elevada nos outros principais países capitalistas, Na Alemanha Ocidental, três dos 70 grandes bancos dominam mais de 58% da soma dos ativos bancários. Na Inglaterra, toda a atividade dos bancos é controlada por quatro estabelecimentos conhecidos como o "Big Four". Também no Japão e na França há um nível elevado de concentração do capital bancário.
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Lênin demonstrou que o capital bancário se entrelaça com o capital industrial. A princípio os bancos se interessam pelo destino dos créditos que concedem aos industriais. Servem de mediadores entre os industriais que tomam créditos, para que se entendam entre si, não concorram uns com os outros, pois os próprios bancos sofreriam com isso. Este é o primeiro passo do entrelaçamento dos bancos com o capital industrial. Com o desenvolvimento e concentração da produção e do capital monetário, os bancos convertem-se em investidores diretos nas empresas produtivas, promovendo sociedade anônimas conjuntas. Dessa forma o capital bancário penetra na indústria, na construção, na agricultura, nos transportes, na esfera da circulação e em toda parte. Por seu lado, as empresas adquirem maciçamente ações dos bancos e tornam-se participantes destes. Atualmente, os diretores dos bancos e os das empresas monopolistas participam dos conselhos administrativos uns dos outros, criando aquilo que Lênin denominou "união pessoal". O capital financeiro surgido desse processo compreende em si mesmo todas as formas de capital: o capital industrial, o capital monetário e o capital mercantil. Caracterizando esse processo, Lênin disse:
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"Concentração da produção; monopólios derivados dela; fusão ou entrelaçamento dos bancos com a indústria - eis a história do aparecimento do capital financeiro e o conteúdo deste conceito." (V. I. Lênin. Obras, ed. albanesa, vol. XXII, pg. 273).
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Embora o capital financeiro tenha crescido e sofrido transformações estruturais após a II Guerra Mundial, persegue os mesmos fins de sempre: assegurar o máximo de lucro através da exploração das amplas massas trabalhadoras, dentro e fora de seu país. É este também o papel das empresas de seguros, que cresceram bastante nos principais países capitalistas durante estes últimos anos e tornaram-se sérias concorrentes dos bancos. Nos Estados Unidos, por exemplo, o ativo dos bancos cresceu três vezes e meia entre 1950 e 1970, enquanto o ativo das companhias de seguros crescia seis vezes e meia.
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Com os capitais que acumulam graças pilhagem do povo, essas companhias chegam a conceder créditos enormes aos monopólios, que ascendem a centenas de milhões de dólares. Desta forma, as seguradoras se fundem e se entrelaçam com os monopólios industriais, e bancários, tornando-se parte orgânica do capital financeiro.
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Movida por uma sede insaciável de lucro, a burguesia monopolista transforma em capital qualquer fonte de recursos monetários temporariamente disponíveis, como as cotas depositadas pelos trabalhadores para aposentadoria, as poupanças da população, etc.
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O capital financeiro concentrado aufere benefícios extraordinários não só do lucro oriundo da absorção do dinheiro dos consórcios, dos pequenos industriais, etc., etc., mas também da emissão de letras de câmbio e dos depósitos que movimenta. Tanto nesses casos como nos depósitos de poupança oferece-se uma pequena taxa de juros ao depositante, mas o banco aufere com eles lucros colossais, com os quais incrementa seu capital e aumenta os investimentos que, naturalmente, trazem novos e constantes lucros para o capital financeiro, O capital financeiro investe mais na industria, porém estendeu sua rede de especulações a outros recursos, a terra, as ferrovias e outros ramos e setores.
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Os bancos têm as condições reais de fornecer as consideráveis somas de créditos exigidas pelo alto grau de concentração e de domínio dos monopólios Dessa forma, criam-se condições mais favoráveis para as grandes uniões monopolistas explorarem mais selvagemente as massas trabalhadoras dentro e fora de seu país, para conseguir o máximo de lucro.
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Com a restauração do capitalismo na União Soviética e outros países revisionistas, os bancos adquiriram todos os traços característicos do monopólio. Nesses países, assim como em todo o mundo capitalista, eles servem à exploração das amplas massas trabalhadoras tanto internamente como no exterior.
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O sistema de crédito ao consumidor para a compra de bens de consumo e sobretudo de bens de consumo durável difundiu-se rapidamente nos países capitalistas e revisionistas durante os últimos anos. Com esse tipo de crédito a burguesia garante mercado para colocar suas mercadorias, os capitalistas garantem lucros fabulosos através das altas taxas de juros, os credores e firmas capitalistas amarram os devedores de pés e mãos.
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As dívidas e outras obrigações dos trabalhadores para com os bancos e instituições de crédito cresceram muito em nossos dias. Somente nos Estados Unidos os compromissos da população com esse gênero de créditos somavam 167 bilhões de dólares em 1967, contra 6 bilhões em 1945; enquanto na República Federal Alemã atingiam uma soma superior a 46 bilhões de marcos.
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A crescente concentração e centralização do capital bancário levaram a um aumento do domínio econômico e político por parte da oligarquia financeira e ao emprego de uma série de formas e meios para aumentar o jugo econômico, o empobrecimento e a miséria das amplas massas trabalhadoras.
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O desenvolvimento do capital financeiro possibilitou concentrar nas mãos de um punhado de poderosos capitalistas industriais e banqueiros não só uma grande riqueza mas também um verdadeiro poder econômico e político, que atua em toda a vida do país. E essa gente todo-poderosa que encontra-se à frente dos monopólios e bancos e constitui o que se chama oligarquia financeira. Invocando o fato de que as grandes companhias converteram-se agora em sociedades anônimas em que um ou outro operário pode dispor de um número simbólico de ações, os apologistas do capitalismo procuram demonstrar que o capital teria perdido o caráter privado que tinha no tempo em que Marx escreveu "O Capital", ou quando Lênin analisou o imperialismo; que o capital estaria se tornando popular. Isso é uma quimera. Hoje, como antes, quem domina nos países imperialistas são os poderosos grupos industrial-financeiros privados: os Rockefeller, os Morgan, os Dupont, os Melion, os Ford, os grupos de Chicago, Texas, Califórnia e alguns outros nos Estados Unidos da América; os grupos financeiros dos Roschild, dos Behring, dos Samuel e outros na Inglaterra; dos Krupp, Siemens Mannessmann, Thyssen, Gerling etc. na Alemanha Ocidental; a Fiat, a Alfa-Romeo, a Montedison, a Olivetti, etc. na Itália; as grandes famílias na França e assim por diante.
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Como possuidora do capital industrial e financeiro, a oligarquia financeira assegurou seu domínio econômico e político sobre toda a vida do país. Submeteu também aos seus interesses o aparelho estatal, que transformou-se num instrumento nos mãos da plutocracia financeira. A oligarquia financeira destitui e nomeia governos, dita a política interna e externa. Internamente ela se vincula às forças reacionárias, a todas as instituições políticas, ideológicas, educacionais, culturais que defendem seu poder político e econômico. Na política externa ela defende e apóia todas as forças conservadoras e reacionárias que sustentam e abrem caminho para a expansão monopolista, que lutam para salvaguardar e consolidar o capitalismo.
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A oligarquia financeira não recua diante de nada para garantir seu domínio, instaurando a reação política em todos os campos.
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"...O capital financeiro - dizia Lênin - persegue o domínio e não a liberdade".(V. I. Lênin. Obras, ed. albanesa, vol. XXIII, pg. 124).
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A situação atual prova que a burguesia monopolista intensificou a opressão em toda parte. Com base nela aprofunda-se a contradição entre o proletariado e a burguesia. Ao mesmo tempo a expansão econômica e financeira, acompanhada da expansão política e militar, acirrou ainda mais a contradição entre os povos e o imperialismo, bem como as contradições entre as próprias potências imperialistas. A propaganda atual dos revisionistas chineses ignora esta realidade objetiva incontestável.
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A concentração e centralização de capitais bancários verificam-se agora não só dentro de cada país mas também entre vários países capitalistas ou capitalistas e revisionistas. É este o caráter dos bancos conjuntos do Mercado Comum Europeu ou do "Banco Internacional para a Cooperação Econômica", bem como do "Banco de Investimentos" do Comecon. Também são uniões bancárias de tipo capitalista as dos bancos germano-ocidental-poloneses ou dos bancos anglo-romenos, franco-romenos, anglo-húngaros, ou as corporações bancárias norte-americano-iugoslavas, anglo-iugoslavas, etc. A União Soviética abriu em vários países capitalistas muitos bancos, que se tornaram concorrentes e parceiros dos bancos capitalistas, onde quer que estejam, seja em Zurique, Londres ou Paris, na África, na América Latina ou outro lugar.
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A China também se engaja cada vez mais na voragem desse processo de integração capitalista dos bancos. Além dos bancos que possui em Hong-Kong, Macau e Singapura, ela também criará amanhã bancos no Japão, igualmente na América, etc. Ao mesmo tempo, a China está permitindo a penetração de bancos das potências imperialistas em seu território.
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Lênin acentuava que o capitalismo atual caracteriza-se pela exportação de capitais. Esse traço econômico do imperialismo desenvolveu-se e fortaleceu-se ainda mais em nossos dias. Os maiores exportadores de capitais do mundo de hoje são os Estados Unidos, o Japão, a União Soviética, a República Federal alemã, a Inglaterra e a França.
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Em certo período, a exportações de capitais vinham dos Estados Unidos, da Inglaterra, da França e da Alemanha, onde havia uma indústria desenvolvida, que absorvia os recursos do solo e do subsolo das colônias. Mais tarde, a guerra, as crises, fizeram com que algumas potências imperialistas, como a Inglaterra, a França, a Alemanha, se debilitassem economicamente e o imperialismo norte-americano se enriquecesse, tornando-se uma superpotência. Na situação criada após a II Guerra Mundial, as exportações de capital norte-americano avançaram muito em detrimento das demais potências capitalistas.
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Hoje o capital norte-americano é exportado para todos os países, mesmo os industrializados, sob a forma de investimentos, créditos, empréstimos, sob a forma de participação em empresas mistas ou através da criação de grandes companhias industriais. O imperialismo norte-americano investe o capital monopolista nos países não desenvolvidos e pobres, pois ali os custos de produção são reduzidos, enquanto a taxa de exploração dos trabalhadores é elevada. Investe para garantir matérias primas, para açambarcar mercados, para vender produtos industrializados.
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É fato sabido que o desenvolvimento dos países capitalistas se processa de maneira desigual; por isso os monopólios e grandes empresas dos Estados Unidos e outros países exportam capitais precisamente para os países onde o desenvolvimento econômico exige inversões e tecnologia.
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Os capitais investidos produzem lucros fabulosos para os consórcios e monopólios financeiros, pois nos países pobres, não desenvolvidos, a terra é muito barata e com pouco dinheiro pode-se comprar grandes extensões, adquirindo-se junto com a terra as suas riquezas. A mão-de-obra também é barata, pois as pessoas que passam fome são obrigadas a trabalhar por salários muito baixos. Calcula-se que as potências imperialistas auferem lucros de cinco dólares por cada dólar investido nesses países.
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Segundo fontes oficiais norte-americanas, somente entre 1971 e 1975 a soma global dos investimentos diretos dos Estados Unidos nos jovens Estados foi de 6 bilhões e meio de dólares, enquanto que os lucros auferidos no mesmo período e nos mesmos países chegaram a cerca de 30 bilhões de dólares. (Revista norte-americana Survey of Business, agosto de 1976, pg. 44).
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Para disfarçar a exportação de capitais, as potências imperialistas praticam também a concessão de créditos. Através desses ditos créditos ou ajuda, os grandes consórcios capitalistas e os Estados aos quais pertencem exercem grande pressão e mantêm sob seu guante os Estados e povos que os aceitam. A "ajuda" ou os créditos aos países não desenvolvidos provém da pilhagem dos recursos desses mesmos países e da exploração das massas trabalhadoras dos países desenvolvidos; e vão para os ricos dos países não desenvolvidos. Em outras palavras, isso significa que os grandes monopólios norte-americanos, por exemplo, sigam o suor do povo norte-americano e de outros povos e, quando exportam capital e concedem créditos, trata-se precisamente do suor e do sangue desses povos. Por outro lado, os créditos que os grandes monopólios concedem aos países do chamado terceiro mundo servem na prática às classes feudal-burguesas que ali dominam.
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Os créditos contraídos pelos jovens Estados servem como elos da cadeia imperialista que acorrenta seus povos. Conforme indicam as estatísticas, a dívida desses países duplica a cada cinco anos. De oito bilhões e meio de dólares em 1955, as dívidas dos países não desenvolvidos para com as potências imperialistas cresceram para mais de 150 bilhões de dólares em 1977.
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O capitalismo mundial desenvolveu a técnica e a tecnologia em seu próprio interesse, para multiplicar os lucros através da descoberta dos recursos do subsolo, da criação de uma agricultura intensiva, etc. Toda essa tecnologia, a própria revolução técnico-científica e os novos meios de exploração econômica servem ao imperialismo, aos monopólios capitalistas e não aos povos. O capitalismo jamais pode investir no exterior, fornecer empréstimos, exportar capitais sem calcular antecipadamente os lucros que lhe advirão.
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Se não se apresenta aos grandes monopólios e bancos, que se estenderam como uma teia de aranha pelo mundo capitalista e revisionista, dados concretos sobre a renda obtida da exploração de uma mina, de terras, da extração de petróleo ou de água num deserto, etc., eles não concedem créditos.
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Há também outras formas de concessão de créditos, praticadas em relação aos Estados pseudo-socialistas que procuram disfarçar a via capitalista que vêm trilhando. Esses créditos são fornecidos em grandes proporções, sob a forma de créditos comerciais, e naturalmente retornam dentro de um curto período. São oferecidos conjuntamente por vários Estados capitalistas, que calcularam de antemão os benefícios econômicos e também políticos que arrancarão do Estado tomador, levando em conta tanto seu potencial econômico como sua solvência. Os capitalistas nunca oferecem tais créditos para construir mais sim para destruir o socialismo. Portanto, um pais verdadeiramente socialista jamais aceita créditos, sob qualquer forma, de um país capitalista, burguês ou revisionista.
A exemplo dos revisionistas soviéticos, kruschovistas, os revisionistas chineses também empregam muitos slogans, muitas citações, constroem muitas frases que soam "leninistas", "revolucionárias", mas sua verdadeira atividade é reacionária, contra-revolucionária. Os dirigentes chineses procuram apresentar suas atitudes oportunistas e relações com os países imperialistas como se elas interessassem ao socialismo. Esses revisionistas praticam tal impostura intencionalmente, para manter as massas do proletariado e do povo nas trevas, de forma que não possam converter sua insatisfação em força para fazer a revolução.
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Tomemos, por exemplo, o problema da construção econômica do país, do desenvolvimento da economia socialista com as próprias forças. Trata-se de um princípio justo. Qualquer Estado independente, soberano, socialista deve mobilizar todo o povo e definir com justeza a política econômica, adotar todas as providências para explorar devidamente e da forma mais racional todos os recursos que possui, para administrá-los com parcimônia e fazê-los crescer no interesse de seu próprio povo e para impedir que sejam saqueados por terceiros. Esta é a orientação principal, básica, para qualquer país socialista, enquanto que a ajuda externa, a ajuda vinda de outros países socialistas, é suplementar.
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Os créditos acordados entre dois países socialistas possuem caráter completamente distinto dos demais. Representam uma ajuda internacionalista, desinteressada. A ajuda internacionalista jamais produz capitalismo, não empobrece as massas populares, ao contrário, desenvolve a indústria e a agricultura, serve a sua harmonização, conduz à elevação do nível de bem-estar das massas trabalhadoras, ao fortalecimento do socialismo.
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Os Estados socialistas economicamente desenvolvidos devem ajudar em primeiro lugar os demais países socialistas. Isso não quer dizer que um país socialista não deva desenvolver relações com outros países, não socialistas. Mas devem ser relações econômicas com base no interesse mútuo e não devem de forma alguma colocar a economia de um país socialista ou não socialista na dependência de países mais poderosos. Caso essas relações inter-estatais se apóiem na exploração dos Estados pequenos e economicamente débeis pelos Estados grandes e poderosos, tal "ajuda" deve ser rejeitada, pois tem caráter escravizante.
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Lênin disse que o capital financeiro lançou, na verdadeira acepção da palavra, suas malhas por todos os países do mundo. Os monopólios, cartéis e sindicatos dos capitalistas trabalham de forma sistemática, se apropriam primeiro do mercado interno de seu país, se adonam da indústria, da agricultura, escravizam a classe operária e os demais trabalhadores, arrancam superlucros e em seguida criam vastas possibilidades para também açambarcar mercados em todo o mundo. O capital financeiro desempenha um papel direto nesse sentido.
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Também atualmente observamos, em plena concordância com as ensinamentos de Lênin sobre o imperialismo como última fase do capitalismo, que as duas superpotências, o imperialismo norte-americano e o social-imperialismo soviético, lutam pela divisão do mundo, pela ocupação de mercados. O petróleo, por exemplo, que tornou-se um problema agudo em todo o planeta, é em primeiro lugar domínio das grandes empresas monopolistas norte-americanas, mas com a participação de empresas petrolíferas da Inglaterra, da Holanda, etc. Os norte-americanos manobram na questão do petróleo para que ele seja seu monopólio. Investiram grandes capitais e empregaram técnicas avançadas na Arábia Saudita, Irã e outros países petrolíferos, acorrentaram. as camarilhas dominantes desses países, comprometeram reis, sheiks e imames com grandes somas de dólares. Os governantes dos países petrolíferos recebem permissão da plutocracia financeira para investir nos Estados Unidos, na Inglaterra e em outros países, inclusive comprando ações de diferentes companhias monopolistas, bem como luxuosos hotéis, fábricas, etc.
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A Arábia Saudita, por exemplo, é um país semifeudal, onde reinam a pobreza e o obscurantismo, embora extraia 420 milhões de toneladas de petróleo por ano. Enquanto as massas trabalhadoras vivem na pobreza, o rei e a classe dos grandes senhores de terras depositaram mais de 40 bilhões de dólares somente nos bancos da Wall Street. A situação é a mesma no Kuwait, nos Emirados Árabes Unidos, etc. Essas camarilhas fazem todas as concessões para que as potências imperialistas saqueiem as riquezas dos povos dos países que dominam, objetivando participar dos lucros.
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Os investimentos dos países produtores de petróleo, que são propriedade das camarilhas dominantes, representam uma união, naturalmente em escala muito reduzida, do capital dessas camarilhas com o norte-americano ou inglês. A primeira vista, parece que as camarilhas dominantes dos países que têm petróleo teriam estabelecido uma certa sociedade de investimentos com o imperialismo norte-americano, inglês ou francês e influiriam em sua economia. Na verdade, ocorre o oposto. Os lucros do imperialismo norte-americano e dos demais imperialistas são tremendamente maiores do que os proventos dados a tais camarilhas. Esta é uma característica do neo-colonialismo atual, que para poder explorar ao máximo os recursos de certos países faz algumas concessões comedidas em favor de grupos dominantes burguês-capitalistas, feudais, mas seguramente não em prejuízo próprio. Esse exemplo comprova a justeza da tese de Lênin de que podem entrelaçar-se muito facilmente os interesses das burguesias de diferentes países, assim como dos monopólios privados com os estatais. Os grandes monopólios também podem se conjugar com monopólios menos possantes mas que detêm o domínio de grandes riquezas, sobretudo do subsolo, como jazidas de ferro, cromo, cobre, urânio, etc.
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Os empréstimos, créditos e ajudas governamentais tornaram-se atualmente uma das formas mais difundidas de exportação de capitais, praticada em especial pela União Soviética e demais países revisionistas.
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Além de produzir lucros capitalistas, esses créditos, "ajuda" e empréstimos perseguem também objetivos políticos. Os Estados que os concedem visam apoiar e consolidar o poder político e econômico de determinadas camarilhas, que defendem os interesses econômicos, políticos, militares do país credor. Como os acordos quanto a esses tipos de créditos são concluídos entre governos, reforçam ainda mais a dependência econômica e política do devedor em relação ao credor. O "Plano Marshall" constitui um exemplo clássico dessa forma de exportação de capital. Após a II Guerra Mundial, ele tornou-se a base econômica da expansão política e militar dos Estados Unidos nos países da Europa Ocidental. É esse também o sentido da chamada ajuda que os revisionistas soviéticos concedem pretensamente em favor do desenvolvimento da economia e da criação do setor estatal da indústria em países como a Índia, o Iraque e outros.
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O imperialismo norte-americano, o social-imperialismo soviético e o capitalismo nos países industrializados alcançaram atualmente um tal nível de desenvolvimento que o lucro obtido com a acumulação de capitais cresceu extraordinariamente. A acumulação de capitais cria grandes lucros, que vão para o bolso dos monopolistas, da oligarquia financeira, os quais não colocam esses recursos a serviço do povo trabalhador, pobre, miserável, mas exportam-nos para os países onde podem auferir lucros ainda maiores. São estes países que a China chama de "terceiro mundo". Mas os monopolistas também fazem investimentos do mesmo gênero nos países capitalistas desenvolvidos.
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Muitos livros foram escritos sobre o processo de penetração de capitais norte-americanos na Europa, sobre seus objetivos políticos e econômicos. O livro do autor norte-americano Geoffrey Owen traça um quadro nítido desse processo. No início do capítulo "As Empresas Internacionais", ele diz que o aumento dos investimentos norte-americanos no exterior obedeceu à concepção de que os norte-americanos não representam uma sociedade com interesses no além-mar, mas uma sociedade internacional. O quartel-general dessa sociedade encontra-se nos Estados Unidos da América. Isso significa que as diversas grandes firmas norte-americanas não pensam apenas em se estender por todo o país e atender às necessidades da indústria e dos clientes dentro dos Estados Unidos, mas também em lançar suas malhas sobre outros países. Essas empresas investem o "capital excedente" em outros países para extrair lucros ainda maiores. Gigantescas corporações como a "Socony Mobil", a "Standard Oil of New Jersey" e outras arrancam quase a metade de seus lucros do saque e exploração de outros países. Cerca de 500 companhias auferem lucros da ordem de 10 bilhões de dólares anuais no exterior. O número de empresas que fizeram inversões fora dos Estados Unidos ultrapassa 3.000. Foi assim que fórmulas e termos como "empresas multinacionais" ou "capitalismo internacional", entre outros, tornaram-se usuais, entraram na linguagem jornalística e nas operações bancárias.
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Geoffrey Owen informa que em 1929 mais de 1.300 empresas européias eram propriedade ou estavam sob controle de firmas norte-americanas. Essa foi a primeira etapa da ofensiva norte-americana rumo à indústria européia. A pressão da II Guerra Mundial que então se preparava deteve temporariamente a invasão dos capitais norte-americanos. De 1929 a 1946, o valor das inversões diretas de empresas norte-americanas no exterior reduziu-se de 7,5 para 7,2 bilhões de dólares. Mas após a II Guerra, em 1950, o montante de investimentos norte-americanos no exterior subira para 11 bilhões e 200 milhões, das quais a metade concentrava-se na América Latina e no Canadá. Os investimentos na América Latina visavam explorar matérias primas: petróleo, cobre, minério de ferro, bauxita, bem como bananas e outros produtos agrícolas. No Canadá, eles se dirigiam mais para as minas e o petróleo e desenvolviam-se em ampla escala devido à proximidade do país e outras condições que facilitavam essa penetração.
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A Europa também tornou-se importante alvo das inversões norte-americanas na década de 50. Neste continente, os investimentos se alastraram rapidamente às comunicações, à grande produção em série, aos equipamentos complexas. Junto com eles veio a avalanche de produtos norte-americanos.
O autor em questão ressalta que a situação criada após a II Guerra Mundial no mercado capitalista impulsionou ainda mais os investimentos norte-americanos. Eis os dados referentes ao aumento desses investimentos externos: Seu total em 1946 era de 7,2 bilhões de dólares; logo após começou a crescer e em 1950 já era de 11,2 bilhões; em 1964 chegou a 44,3 bilhões e em 1977 ultrapassava os 60 bilhões de dólares.
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Ao ampliar constantemente suas operações em escala mundial, as empresas norte-americanas acirraram a concorrência com as firmas de cada país e aumentaram o medo do domínio por parte dos gigantes norte-americanos. Esse problema torna-se ainda mais agudo nos países não desenvolvidos, onde as firmas estadunidenses se especializaram nos setores-chave da indústria e possuem uma influência preponderante na economia nacional. Em outras palavras, essas gigantescas empresas norte-americanas têm nas mãos e dirigem na prática a economia e os governos locais.
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É conhecida a prolongada luta travada entre as empresas petrolíferas estadunidenses e o governo mexicano, que concluiu-se em 1938 com a falência da política de oposição seguida por este governo. Idêntico foi o desfecho da luta entre o monopólio inglês do petróleo e o governo iraniano, que terminou com a destituição de Mossadegh. Tais contendas são constantes, danosas e encerram-se com a vitória dos grandes trustes norte-americanos.
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As grandes companhias petrolíferas atuam em escala mundial. Para elas, é usual e necessário controlar plenamente todos os capitais e a produção deste ramo nos países onde investiram, controlar os governos, etc. E se não dispõem dessa possibilidade, criam-se dificuldades para a coordenação mundial de sua atividade. É por isso que as grandes companhias estrangeiras combatem os esforços dos capitalistas nacionais visando participar dos lucros em nível superior ao que é dado pelos investidores dos Estados Unidos ou de outros países imperialistas.
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Na Europa, no Canadá, na Ásia, na África, etc., as empresas norte-americanas criaram uma situação em que praticamente controlam a economia de muitos países. Os governos desses países têm muito medo dos Estados Unidos, que tornaram-se a liderança da economia européia assim como fizeram no terreno militar. Por isso os países capitalistas industrializados da Europa procuram entravar a enxurrada de capitais norte- americanos que se precipita em nível crescente sobre eles.
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A direção chinesa pretende que os Estados europeus, industrializados desde o século XIX, estão fazendo mais investimentos nos Estados Unidos. Mas sabe-se que, enquanto os investimentos de capitais europeus nos Estados Unidos assumem sobretudo a forma de letras de câmbio, ações, obrigações, depósitos, etc., os investimentos norte-americanos na Europa detêm posições de domínio nos mais importantes setores da economia local.
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Procurando justificar o aumento das inversões norte-americanas, Geoffrey Owen pretende que os países europeus desejam e procuram desenvolver sua indústria, como por exemplo a eletrônica e a de computadores, sobre bases científicas. Essas indústrias contribuem em certa medida para o progresso técnico, para o aumento das exportações e para o crescimento geral da economia desses países. Mas as companhias norte-americanas estão mais avançadas nesse campo do que suas rivais européias e controlam esse progresso técnico segundo seus interesses.
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No que diz respeito aos computadores, por exemplo as empresas européias do ramo uniram-se estreitamente para defender-se da concorrência da corporação estadunidense "International Business Machine" (IBM), que responde por mais de 70% do mercado norte-americano e por uma parcela ainda maior do mercado mundial.
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Outra tendência das grandes empresas norte-americanas é a associação com firmas locais. Para disfarçar a exploração, muitas empresas evitam possuir filiais 100% suas e criam companhias com investimentos conjuntos na proporção de 49 para 51% ou de 50 para 50%. Assim atuaram os norte-americanos no Japão e também na Iugoslávia - que procura dar a impressão de que constrói o socialismo com as próprias forças, quando na realidade os titistas partilharam-na economicamente com os Estados Unidos e com grandes firmas de outros países industriais desenvolvidos. Dessa forma, os titistas empenharam igualmente a liberdade e a independência da Iugoslávia.
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A tendência de muitas dessas grandes empresas norte-americanas, como a "General Motors", a "Ford", a "Crysler", "General Eletric" e outras é apoderar-se de fato de 100% de suas filiais no exterior. Mesmo assim, essas filiais - segundo Owen - não esquecem o problema da nacionalização; sua resposta é: "Não se trata de formarmos associações com investidores locais, mas de encorajarmos a internacionalização da propriedade das ações das empresas mães". É esta a concepção da "internacional" do capitalismo, que tem especialmente na "General Motors" uma fervorosa defensora.
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Essas orientações do capital imperialista norte-americano ou do poder da indústria estadunidense, que investe fora dos Estados Unidos para criar suas colônias e seu império, são alguns dos fatos que ilustram claramente a tese de que o imperialismo norte-americano absolutamente não se debilitou. Ao contrário do que pretendem os revisionistas chineses, ele se fortaleceu, conquistou grandes concessões no exterior, dirige muitos e importantes ramos da economia de outros países. Ele também colocou os governos desses países em incontáveis dificuldades, muitas vezes é ele próprio quem faz a lei, tem muitos governos sob sua direção e controle. Evidentemente, esse processo também tem seus altos e baixos, mas seu sentido geral não indica um debilitamento do imperialismo norte-americano.
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II - A Teoria Leninista Sobre o Imperialismo Mantém Toda Atualidade (continuação)


Vivemos atualmente um período em que outra superpotência, o social-imperialismo soviético, exporta seus capitais e trata de explorar diferentes povos. Os capitais exportados por essa superpotência emanam da mais-valia realizada na União Soviética, que transformou-se num país capitalista.
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A restauração do capitalismo conduziu a uma polarização da sociedade soviética contemporânea, em que uma pequena parcela domina e explora a esmagadora maioria do povo. Atualmente, uma classe à parte, burguesa, exploradora, criou-se e tomou forma, é a camada composta pelos burocratas, os tecnocratas, a intelectualidade criadora e superior, que se apropria e partilha entre si a mais-valia arrancada com a selvagem exploração da classe operária e das amplas massas trabalhadoras. Distintamente dos paises de capitalismo clássico, onde essa mais-valia é apropriada na proporção do capital de cada capitalista, na União Soviética e demais países revisionistas ela é distribuída de acordo com o posto ocupado pelos elementos da camada superior burguesa na hierarquia estatal, econômica, científica, cultural, etc. Os altos vencimentos, as gratificações usuais e especiais, os prêmios e estímulos, os favoritismos, etc., transformaram-se em toda uma instituição para a apropriação da mais-valia extraída às custas do suor dos trabalhadores. A camada que representa o "capitalista coletivo" salvaguarda essa pilhagem através de uma infinidade de leis e normas que garantem a opressão e a exploração capitalistas.
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A economia soviética já se integrou no sistema do capitalismo mundial. Enquanto os capitais norte-americanos, alemães, japoneses, etc. penetraram profundamente na União Soviética, capitais soviéticos são exportados para outros países e se fundem sob diversas formas com os capitais locais.
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É fato sabido que a União Soviética explora economicamente em primeiro lugar os países satélites. Mas agora ela concorre e luta com outros Estados capitalistas por mercados, por esferas de investimentos, pela pilhagem de matérias primas, pela manutenção das leis neocolonialistas no comércio mundial, etc.
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A nova burguesia soviética exporta capitais para estender sua hegemonia, mas ao fazê-lo defronta-se com a concorrência, não só do imperialismo norte-americano, que é muito poderoso, mas também dos outros Estados capitalistas desenvolvidos, como o Japão, a Inglaterra, a Alemanha Ocidental, a França, etc. Para auferir superlucros, esses Estados exportam capitais tanto para a Ásia, África e América Latina como também para os países da Europa Oriental, que estão sob a tutela da União Soviética revisionista. Exportam capitais inclusive para a própria União Soviética.
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As camarilhas dominantes dos países ditos socialistas, União Soviética, Checoslováquia, Polônia, etc., e agora também a China, permitem o afluxo de capitais estrangeiros em seus países pois esses capitais servem a elas, enquanto pesam sobre as costas dos povos. Os países do Comecon estão mergulhados em grandes dívidas. Possuem uma dívida de 50 bilhões de dólares junto aos países ocidentais.
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A Iugoslávia foi um dos primeiros países revisionistas a permitir a penetração de capitais estrangeiros em sua economia. No início ela contraiu créditos, depois comprou patentes e a seguir passou à constituição de empresas mistas. Em 1967 aprovou-se na Iugoslávia uma lei permitindo a criação de empresas mistas com 49% de capital de companhias estrangeiras. Em 1977 havia no país 170 dessas empresas. A Iugoslávia assegurou as condições mais favoráveis para as empresas capitalistas desenvolverem sua atividade e garantirem o máximo de lucro.
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O fenômeno ocorrido na Iugoslávia comprova que os capitais estrangeiros ali investidos constituem um dos fatores decisivos de sua transformação num país capitalista. Os Estados Unidos e outros ricos países capitalistas não perderam com esses investimentos, pelo contrário, auferiram grandes lucros, aumentando a miséria da classe operária e do campesinato da Iugoslávia. Lênin disse que a exportação de capitais é uma sólida base para a exploração da maioria das nações e países do mundo, para o parasitismo capitalista de um punhado de Estados riquíssimos.
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Os Estados capitalistas também auferirão grandes lucros na China. Estamos vendo como os capitais norte-americanos, japoneses, alemães ocidentais, etc. precipitam-se para a China aos bilhões de dólares. Assinou-se com os japoneses acordos para exploração conjunta das jazidas petrolíferas e do potencial energético do rio Yangtsé. Assinou-se com os alemães um acordo para a construção de minas de carvão e assim por diante. Os investimentos que são e serão feitos na China trarão seguramente lucros satisfatórios para os capitalistas estrangeiros, mas ao mesmo tempo fortalecerão as bases do capitalismo na China.
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A exportação de capitais de um país capitalista para outro, capitalista ou revisionista, seja grande ou pequeno o Estado que exporta ou importa, é sempre uma das formas de exploração dos povos pelo capital. Essa exploração traz consigo a dependência econômica e política do país que recebe esses capitais.
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Lênin acentuou que, depois de apoderar-se do mercado interno, os monopólios lutam para redividir e conquistar economicamente o mercado mundial de produtos industrializados e matérias primas. A concorrência e a sede de lucros levam os monopolistas dos diferentes paises a concluir acordos temporários, entrar em alianças e uniões para dividir os mercados no plano internacional, vender manufaturados e comprar matérias primas. Mesmo quando possuem reservas de matérias primas e energéticas, os Estados capitalistas desenvolvidos precipitam-se sobre os demais países, pois os custos de produção nestes últimos são mais reduzidos e acima de tudo o salário dos operários é várias vezes mais baixo.
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É conhecida a luta que vem se travando pela conquista das jazidas e dos mercados de petróleo. Em decorrência dela, dezenas, centenas de empresas e associações privadas foram destruídas e chegou-se a uma situação em que o cartel internacional do petróleo, que une sete grandes monopólios (cinco norte-americanos, um inglês e um anglo-holandês, as famosas Esso, Texaco, Shell, etc.), controla mais de 60% da extração e comercialização do petróleo nos países capitalistas do mundo ocidental e refina cerca de 54% desse óleo.
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Essa divisão das fontes de produção e dos mercados consumidores também se estende atualmente aos minérios de cobre e estanho, ao urânio e outros minerais preciosos e estratégicos.
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Muitos dos antigos países colonialistas, como a Inglaterra e a França, concluíram com as ex-colônias acordos especiais, ditos preferenciais, de colaboração, etc., que lhes asseguram privilégios econômicos e comerciais quase exclusivos. As chamadas zonas do dólar, da libra, do franco, do rublo, mostram uma divisão econômica do mundo entre os diversos monopólios e Estados imperialistas.
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O imperialismo norte-americano, o social-imperialismo soviético e as demais potências imperialistas garantem o lucro máximo por diversos meios, através do comércio discriminatório e desigual com as antigas colônias. Somente os países "em desenvolvimento", excetuando os da OPEP, possuem hoje um saldo comercial passivo de quase 34 bilhões de dólares.
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Sobretudo nas atuais condições de crise econômica, os monopólios concluem acordos diretos com os governos dos países capitalistas, quanto às cotas de produção, aos preços, ao escoamento dos produtos, etc. A existência de organismos como o Mercado Comum Europeu, o Comecon, etc., também evidencia a divisão econômica existente hoje no mundo.
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Essa divisão econômica do mundo, o domínio dos monopólios, sua tutela sobre a vida e o desenvolvimento econômico de outros países, acirram ainda mais não só a contradição entre o trabalho e o capital como as contradições entre os povos e o imperialismo e as contradições inter-imperialistas.
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A teoria chinesa dos "três mundos", que procura conciliar o "terceiro" com o "segundo" mundo e com o imperialismo norte-americano, desconhece essa realidade. Não deseja enxergar que a ofensiva irrefreável dos monopólios norte-americanos, ingleses, alemães, japoneses, franceses, etc., rumo ao que a China chama de "terceiro mundo", aumenta a resistência dos povos a todas as potências imperialistas e hegemonistas e amplia as condições objetivas para a luta irreconciliável entre eles. Por outro lado, o desenvolvimento desigual das potências imperialistas, que é uma lei objetiva do desenvolvimento do capitalismo, leva a uma concorrência e a atritos irredutíveis na luta pela expansão econômica em todo o mundo.
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Ao procurar conciliar essas contradições e repetir a mesma velha pregação da social-democracia e dos revisionistas de todos os matizes, a teoria chinesa dos "três mundos" entra em contradição flagrante com a estratégia leninista, que visa não negar mas sim aprofundar essas contradições de forma a preparar o proletariado para a revolução e os povos para a libertação.
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Em sua análise do imperialismo, Lênin pôs em evidência que, com a passagem do capitalismo pré-monopolista à sua fase superior e final, ao imperialismo, conclui-se a divisão territorial do mundo entre as grandes potências imperialistas.
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"... o traço característico do período que nos ocupa é a repartição definitiva da Terra, definitiva não no sentido de que seja impossível redividí-la - pelo contrário, novas divisões são possíveis e inevitáveis -, mas no sentido de que a política colonial dos países capitalistas já terminou a conquista de todas as terras não ocupadas que havia em nosso planeta. Pela primeira vez, o mundo já se encontra repartido, de modo que daqui por diante poderá haver unicamente redivisões, ou seja, a passagem de territórios de um 'proprietário' para outro...". (V. I. Lênin, Obras, ed. albanesa, vol. XXII, pgs. 308-309).
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O velho colonialismo clássico, que explorava física, econômica, política e ideologicamente a maioria dos povos do mundo, transformou-se depois da II Guerra Mundial num novo colonialismo. Esse novo colonialismo compreende todo um sistema de medidas econômicas, políticas, militares e ideológicas, que o imperialismo erigiu objetivando manter seu domínio, garantir o controle político e a exploração econômica das ex-colônias e de muitos outros países, adequando-se às novas condições criadas no após-guerra.
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Quais são essas novas condições?
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Os países imperialistas - França, Inglaterra, Itália, Alemanha, Japão e América do Norte - não tinham condições de manter pela força, no após-guerra, a situação que existia anteriormente. A França, por exemplo, não podia mais manter como colônias, como antes, o Marrocos, a Argélia, a Tunísia e outros países da África. Podemos dizer o mesmo do imperialismo inglês, do italiano e outros.
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A II Guerra Mundial provocou uma mudança radical na correlação de forças no mundo. Levou à destruição das grandes potências fascistas, mas também abalou desde os alicerces e debilitou muito as velhas potências colonialistas. A guerra antifascista despertou em toda parte, mesmo nos países que não foram incluídos na sua voragem, o problema da libertação nacional. Os povos das ex-colônias que participaram da guerra juntamente com os países da coalizão antifascista para escapar do jugo do fascismo não podiam retroceder e tolerar por mais tempo o jugo colonial. A Vitória da União Soviética sobre o nazismo, a criação do campo socialista, a libertação da China, deram um impulso poderosíssimo ao despertar da consciência nacional e da luta de libertação dos povos. As amplas massas dos povos colonizados conseguiram compreender que a situação anterior tinha de mudar. Eclodiram lutas de libertação na Indochina, no Norte da África, etc.
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Forçados por essa situação, muitos países colonialistas compreenderam que o velho modo de exploração e administração das colônias, sem qualquer liberdade ou independência, estava ultrapassado. As potências imperialistas, colonialistas, chegaram a essa conclusão não movidas por sentimentos democráticos ou pelo desejo de dar liberdade aos povos, mas empurradas pelos povos colonizados e por sua debilidade militar, econômica, política, ideológica para manter o velho colonialismo. Mas o imperialismo francês inglês, italiano, norte-americano, etc. não queria renunciar à exploração desses povos e países. As circunstâncias obrigaram cada uma das potências imperialistas a conceder autonomia ou prometer liberdade e independência a esses povos após certo tempo. Nesse período, que diziam fixar para que se criasse uma consciência de autodeterminação e se preparasse quadros nativos, elas visavam na verdade urdir novas formas de exploração imperialista, o novo colonialismo, dando a países e povos a falsa impressão de haverem conquistado a liberdade.
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Essa foi uma fase do após-guerra em que o imperialismo mundial sofreu uma grande derrota, em que a crise do sistema colonial do imperialismo se acentuou ainda mais. Nesse período de putrefação do capitalismo devido ao enfraquecimento do imperialismo na II Guerra Mundial, os Estados Unidos aproveitaram e criaram uma nova e profunda forma de exploração dos povos coloniais supostamente livres e independentes. Alastraram seu poderio imperialista em países que eram colônias de outras potências imperialistas, então debilitadas de uma ou de outra maneira.
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Embora tivessem conseguido essa "independência" e essa "liberdade", dadas à sua maneira pelas antigas potências colonialistas, vários povos de ex-colônias foram obrigados a empunhar armas, pois os imperialistas não se dispunham a conceder imediatamente tal "liberdade" e "independência". Os imperialistas franceses, sobretudo, procuravam manter no após-guerra a força ou "grandeza" da França. Dessa forma, os povos da Argélia, do Vietnã e muitos outros iniciaram a prolongada luta de libertação que finalmente coroaram com a vitória. Não entraremos aqui em detalhes sobre como alcançaram essa vitória, quais foram as forças sociais que combateram, etc. O fato é que o velho imperialismo francês e inglês debilitou-se. Comprovou-se assim a tese de Lênin de que o imperialismo está em decomposição, de que a velha sociedade capitalista-imperialista está sendo minada pelos movimentos revolucionários e pelas aspirações de liberdade dos povos oprimidos e escravizados.
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Durante esse período o imperialismo norte-americano empanturrou-se, ampliou a zona do dólar, colocou sob seu controle territórios da zona do franco, da libra esterlina e, para manter seu poderio hegemônico imperialista, que consistia na máxima exploração dos povos, criou muitas bases militares e instalou camarilhas políticas pró-americanas em muitos países que haviam supostamente conquistado a liberdade e a independência. Essa exploração naturalmente era acompanhada de uma série de mudanças de estrutura e de superestrutura.
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O capital financeiro criou também uma ideologia própria, que o guia na exploração do proletariado e na conquista do mundo. Completa a dominação dos povos e a legitimação desse domínio com formas variadas e adocicadas, advogando e concedendo certa liberdade, certa independência, criando também uns tantos partidos ditos democráticos, etc.
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Juntamente com as inversões de capitais norte-americanos, com a criação de bancos e das chamadas multinacionais, exporta-se também o modo de vida norte-americano, com a degenerescência que lhe é própria.
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A exportação de capitais pelas grandes potências imperialistas cria colônias, que hoje são os países onde reina o neocolonialismo. Esses países têm uma independência meramente formal. Em outras palavras, hoje como antes desenvolve-se o mesmo processo de exportação de capitais, mas de formas distintas, com explicações e propaganda "adocicada". A exploração dos povos desses países até a medula permanece sempre a mesma e mais selvagem ainda; prossegue igualmente a pilhagem dos recursos naturais.
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A maior potência neocolonialista de nosso tempo são os Estados Unidos da América. Os investimentos de capitais governamentais e privados dos Estados Unidos nas ex-colônias, países dependentes e semi-dependentes no triênio 1973/75 representavam cerca de 36% de todos os investimentos dos países capitalistas e revisionistas mais desenvolvidos nas mesmas áreas. (Anuário Estatístico da RFA, 1977).
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Os tratados e acordos econômicos, políticos e militares entre as potências imperialistas e as ex-colônias são escravizantes, são armas nas mãos do imperialismo para manter esses países avassalados. Hoje, como ontem, soam muito atuais as palavras de Lênin, que acentuava que:
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"... é indispensável explicar e desmascarar incansavelmente perante as amplas massas trabalhadoras de todos os países, sobretudo dos países atrasados, o engodo sistematicamente empregado pelas potências imperialistas, que, fingindo criar Estados politicamente independentes, criam na verdade Estados sob sua completa dependência dos pontos de vista econômico, financeiro e militar..." (V. 1. Lênin, Obras, ed. albanesa, vol. XXXI, pg. 159).
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Para manter os povos dominados, o imperialismo norte-americano, o social-imperialismo soviético e as demais potências imperialistas velhas e novas instigam, onde quer que possam, rixas entre Estados vizinhos ou entre distintos grupos sociais dentro de um país; e depois interferem nos assuntos internos dos outros, no papel de árbitros ou de defensores de uma das partes, justificam sua presença econômica, política e militar. Os fatos mostram que sempre que as superpotências intrometeram nos assuntos internos dos povos, os problemas ficaram por solucionar, ou desembocaram na consolidação das posições do imperialismo e do social-imperialismo nos países em questão. Os acontecimentos no Oriente Médio, o conflito entre a Somália e a Etiópia, a guerra entre o Camboja e o Vietnã, etc. atestam esta verdade.
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Os Estados Unidos, a União Soviética e todos os demais países capitalistas consolidam, juntamente com seus investimentos, as posições que possuem nos países que os aceitam, lutam por mercados e zonas de influência. Isso cria atritos entre diversos Estados capitalistas, entre grandes consórcios que não são ligados entre si nem interdependentes. Esses atritos instigam guerras locais e podem levar a uma conflagração geral. Segundo ensina o leninismo, a guerra deflagrada por tais motivos, seja ela local ou geral, tem caráter rapace e não libertador. Somente quando os povos se erguem contra invasores estrangeiros, quando se levantam contra a burguesia capitalista nativa que se encontra estreitamente ligada ao imperialismo, ao social-imperialismo e ao capital mundial, essa guerra é justa, é libertadora.
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Os representantes do grande capital internacional falam muito na suposta necessidade de modificar o atual sistema de relações econômicas internacionais e de criar uma "nova ordem econômica mundial", apoiada também pelos dirigentes chineses. Segundo eles, essa "nova ordem econômica" servirá de "base para a estabilidade global". Os revisionistas soviéticos por seu turno falam na criação da chamada nova estrutura das relações econômicas internacionais.
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São estes os esforços e planos das potências imperialistas e neocolonialistas, desejosas de dar alento e prolongar a vida do neocolonialismo, de manter a opressão e a pilhagem dos povos. Mas as leis do desenvolvimento do capitalismo e do imperialismo não se submetem aos desejos nem às invenções teóricas da burguesia e dos revisionistas. Como disse Lênin, a saída dessas contradições é a luta conseqüente contra o colonialismo e o neocolonialismo, a revolução.
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Ao analisar os traços econômicos fundamentais do imperialismo, Lênin definiu também seu lugar histórico. Acentuou que o imperialismo é não só a fase superior mas também a última fase do capitalismo, é a ante-sala da revolução proletária. Lênin disse que:
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"O imperialismo é uma fase histórica específica do capitalismo..., é (1) capitalismo monopolista; (2) capitalismo parasitário ou em decomposição; (3) capitalismo agonizante." (V. I. Lênin, Obras, ed. albanesa, vol. XXIII, pg. 122).
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A realidade do mundo capitalista atual confirma plenamente esta conclusão.
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Conforme demonstrou Lênin, o monopólio é a base econômica de todas as mazelas econômico-sociais do imperialismo. Os monopólios são impotentes para superar as contradições da economia capitalista. Lênin vinculava organicamente o parasitismo e a decomposição do imperialismo com a tendência do monopólio para frear em geral o desenvolvimento das forças produtivas, para aprofundar o desenvolvimento desproporcional dos ramos econômicos e ao nível de toda a economia nacional, para não explorar capacidades produtivas humanas e materiais, com a tendência a entravar a aplicação das novidades da ciência e da técnica em favor das massas e do progresso de toda a sociedade.
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A ambição do lucro, a concorrência, obrigam os monopólios a investir na introdução de técnicas avançadas no processo produtivo. Mas em todo o processo histórico do desenvolvimento do imperialismo o que domina é a tendência ao desenvolvimento desproporcional e contido.
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Os gastos na pesquisa e desenvolvimento da ciência no campo industrial, especialmente na indústria bélica, nos Estados Unidos, por exemplo, passaram de 2 bilhões de dólares em 1950 para cerca de 11 bilhões em 1965 e por volta de 30 bilhões em 1972. Muitas vezes as grandes firmas também encontram dificuldades na pesquisa científica, mas assim que fazem uma descoberta compram a patente, contratam operários qualificados e, unicamente onde seus interesses o ditam, colocam-na em prática.
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Naturalmente, os setores principais e que apresentam mais interesse para os investimentos destinados ao desenvolvimento e à revolução da técnica têm prioridade, pois asseguram maiores lucros. O primeiro lugar fica com a indústria bélica, pois também é ela que apresenta a taxa de lucro mais elevada. Nos Estados Unidos, por exemplo, em 1964 investiu-se 3 bilhões e 565 milhões de dólares em pesquisa científica no setor de aeronáutica e mísseis. No mesmo ano investia-se 1 bilhão e 537 mil dólares na indústria elétrica e de telecomunicações, 196 milhões na indústria química, 136 milhões na de máquinas, 174 milhões na automobilística, 172 milhões na de instrumentos científicos, 38 milhões na de produtos de borracha, 8 milhões na de querosene, 9 milhões na de metano, etc.
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Como expressão da decomposição do imperialismo, a militarização da economia tornou-se, nas atuais condições, um traço característico de todos os países capitalistas e revisionistas. Mas o processo de militarização da economia assumiu dimensões nunca vistas particularmente nos Estados Unidos e na União Soviética. Os gastos militares diretos das duas partes cobraram proporções astronômicas, compreendendo conjuntamente uma soma de mais de 240 bilhões de dólares anuais.
Em sua política de hegemonia e domínio mundial, os Estados Unidos e a União Soviética também empregam em ampla escala o tráfico de armas, que é outra expressão clara da putrefação do imperialismo. Eles vendem a cada ano armas num valor de mais de 20 bilhões de dólares. A Inglaterra, a Alemanha Ocidental, a França, a Itália e outros Estados imperialistas também vendem armamentos. Os clientes ordinários desse comércio imperialista são camarilhas reacionárias e fascistas como as do Chile, Brasil, Argentina, Israel, Espanha, Coréia do Sul, Rodésia, República da África do Sul, etc. Também são clientes os países ricos em matérias primas estratégicas ou petróleo, que os imperialistas tentam seduzir com armas, a troco da pilhagem de seus recursos.
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A eclosão cada vez mais amiudada das crises econômicas de superprodução testemunha claramente a decomposição e o parasitismo do capitalismo monopolista atual. A eclosão das crises, que agora tornaram-se muito profundas, comprova a justeza da teoria marxista sobre o caráter anárquico, espontâneo e desproporcional da produção e do consumo; e desmente as "teorias" burguesas do desenvolvimento do capitalismo "sem crises", ou da transformação do capitalismo num "capitalismo dirigido".
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A lei geral da acumulação capitalista, descoberta por Marx, atua com força ainda maior na sociedade capitalista atual: enquanto de um lado aumenta a pobreza dos trabalhadores, do outro crescem os lucros dos capitalistas. Aprofunda-se o processo de polarização da sociedade em proletários e burgueses, estes últimos representando um número limitado de pessoas.
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Possuindo maiores condições econômicas para corromper as camadas superiores do proletariado, a aristocracia operária, o sistema imperialista atual incrementou-as em proporções muito vastas.
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Hoje em dia a oligarquia financeira emprega amplamente essa aristocracia para enganar e confundir o proletariado, para extinguir seu ímpeto revolucionário. Aqueles que Lênin chamava socialistas de palavras, mas imperialistas de fato, saem ordinariamente da aristocracia operária. Esta caracterização de Lênin inclui a social-democracia, os "partidos operários burgueses", os dirigentes oportunistas dos sindicatos, os revisionistas contemporâneos, etc. Lênin acentua que o imperialismo liga-se com o oportunismo, que os oportunistas ajudam a manter e reforçar o imperialismo. Dizia ele que:
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"... os mais perigosos são aqueles que não desejam compreender que a luta contra o imperialismo é uma frase vazia e falsa se não se encontra indissoluvelmente ligada à luta contra o oportunismo". (V. I. Lênin, Obras, ed. albanesa, vol. XXII, pg. 367).
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Também se observa claramente a decomposição do imperialismo no aumento e aprofundamento da reação em todos os campos e sobretudo no político e social. Como confirma a prática, a burguesia monopolista, ao ver que a luta de classes se acirra, arranca a máscara, negando às massas trabalhadoras até os poucos direitos que elas conquistaram a preço de sangue. Prova disso são os regimes e ditaduras fascistas instaurados em numerosos países.
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Todo esse sistema apodrecido, que encontra-se numa situação caótica, é sustentado por um grande exército pretoriano, por uma polícia numerosíssima, fortemente mobilizada e armada até os dentes. Todas essas forças militar-policiais entram em ação para evitar ou esmagar qualquer resistência que ultrapasse os quadros definidos por um emaranhado de leis feitas pela burguesia no poder. Os quadros do exército e das demais armas repressivas vivem à farta e recebem polpudos soldos. Na Itália, por exemplo, só se ouve falar no exército, na polícia, nos carabineiros, nos agentes de segurança, que são condecorados, mas também mortos.
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Nessa situação tão confusa reinante nos Estados burgueses, desenvolveu-se e espraiou-se o banditismo, que é engendro do próprio sistema capitalista, expressão de sua degenerescência, espelho do desespero e da desorientação provocados pelo sistema burguês de opressão e exploração. A burguesia procura conter as manifestações de banditismo que lhe causam problemas e que criam inquietude para o Estado burguês. Mas incita e emprega o banditismo para aterrorizar as amplas massas trabalhadoras, que vivem na miséria. Em muitos países capitalistas o banditismo converteu-se numa indústria e difundiu-se desde os assaltos a bancos, a lojas, até os seqüestros de pessoas, exigindo-se grandes resgates para libertá-las. Em alguns países, o banditismo está organizado em diferentes agrupamentos. Tais agrupamentos possuem alguns nomes que soam "revolucionários", "comunistas", etc. A burguesia deixa-lhes campo livre para atuarem a fim de preparar a situação e justificar a consumação de um golpe de Estado fascista. Para desmoralizar a revolução e o socialismo, apresenta-se essa atividade bandidesca como se fosse desenvolvida por "grupos comunistas" que supostamente atuariam contra o sistema burguês.
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Podemos dizer à guisa de conclusão que na situação atual do imperialismo em seu conjunto, do imperialismo norte-americano, do social-imperialismo soviético e também dos demais imperialismos, o imperialismo, seja qual for, está na fase do debilitamento e da putrefação. E que, através da revolução, a velha sociedade será destruída pelos alicerces e substituída por uma nova sociedade, pela sociedade socialista. Esta nova sociedade socialista existe e ampliar-se-á, desenvolver-se-á, conquistará terreno, independente dos revisionistas soviéticos terem traído o socialismo na União Soviética, independente de que na China domina o oportunismo e está se erguendo um novo social-imperialismo, independente de que o capitalismo tenha sido restaurado nos antigos países de democracia popular. O socialismo seguirá seu caminho e triunfará por meio de luta e de esforços contra o imperialismo e o capitalismo mundial, mas jamais e de forma alguma por meio de reformas, pela via parlamentar e pacífica, como pregava Kruschov e como pregam todos os revisionistas. Triunfará permanecendo fiel à teoria leninista sobre o imperialismo e a revolução proletária e jamais segundo as atuais teorias revisionistas que proclamam o capitalismo monopolista de Estado como uma fase nova e específica do capitalismo, como o "surgimento de elementos socialistas no seio do capitalismo".
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Partindo-se da conclusão de Lênin sobre a natureza e o lugar histórico do imperialismo, todo o imperialismo mundial, enquanto sistema social, não tem mais aquele poder dominante exclusivo de antes, em conseqüência das contradições que o corroem por dentro e das lutas libertadoras e revolucionárias dos povos. É essa a dialética da história e ela comprova e tese marxista-leninista de que o imperialismo está em declínio, está em decadência, está em decomposição.
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O enfraquecimento do capitalismo e do imperialismo é hoje a tendência principal da história mundial. Marx e Lênin o demonstraram, baseando-se em dados concretos, nos acontecimentos da história, na dialética materialista. A tendência à união dos esforços dos Estados que se opõem ao imperialismo também conduz ao debilitamento deste. Mas esta segunda tendência, absolutizada como é pela China, sem se fazer as necessárias diferenciações, sem se estudar as situações específicas, não conduz a um caminho correto. Ao pretender que o imperialismo norte-americano está em declínio e é menos poderoso do que o social-imperialismo soviético, ao proclamar o "terceiro mundo" como principal força motriz de nossa época, os dirigentes chineses incitam na prática à capitulação e à submissão perante a burguesia.
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É verdade que os povos exigem a libertação, mas devem conquistá-la unicamente com luta, com esforços e tendo à frente uma direção combativa. Marx, Engels, Lênin e Stálin nos ensinam que esta direção é o proletariado de cada país. Mas o proletariado e seus partidos marxista-leninistas devem fazer bem as análises políticas, econômicas e militares, colocar todas elas na balança, adotar decisões e definir uma estratégia e uma tática adequadas, tendo sempre em vista a preparação e a realização da revolução. Se não se tem em vista a revolução, como fazem os chineses, nem as análises, nem as ações, nem a estratégia e nem as táticas podem ser marxista-leninistas, revolucionárias.
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Não podemos ter nenhuma ilusão quanto a qualquer tipo de imperialismo, seja ele forte ou menos forte. A natureza do imperialismo cria as condições para a expansão econômica e política, para a deflagração de guerras, pois seu caráter intrínseco é explorador, agressivo. Portanto, enganar as amplas massas dos povos que exigem a libertação, dizendo-lhes que a alcançarão sob a guia de teorias revisionistas como a dos "três mundos", é cometer um crime contra os povos e a revolução.
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Nossa época, como nos ensina Lênin, é a época do imperialismo e das revoluções proletárias. Nós, marxista-leninistas, devemos deduzir disso que precisamos combater com o máximo desabrimento o imperialismo mundial, qualquer imperialismo, qualquer potência capitalista que explora o proletariado e os povos. Acentuamos a tese leninista de que a revolução encontra-se hoje na ordem do dia. O mundo avançará rumo a uma nova sociedade, que será a sociedade socialista, O capitalismo mundial, o imperialismo e o social-imperialismo apodrecerão ainda mais e sucumbirão através da revolução.
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Lênin nos ensina a combater até o fim o imperialismo, a criticá-lo na ampla acepção do termo e a levantar as classes oprimidas contra a política imperialista, contra a burguesia. A análise marxista-leninista do atual desenvolvimento do imperialismo mostra claramente que não há nada a mudar na análise e nas conclusões de Lênin sobre o imperialismo, sobre sua natureza e características, sobre a revolução. Os esforços de todos os oportunistas, desde os social-democratas até os revisionistas kruschovianos e chineses, para desvirtuar as teses leninistas sobre o imperialismo são contra-revolucionários. Seu objetivo é negar a revolução, embelezar o imperialismo, prolongar a vida do capitalismo.
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Quando Lênin desmascara o imperialismo e seus apologistas do tipo de Bernstein, Kautsky, Hilferding e todos os demais oportunistas da II Internacional, observa que:
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"A ideologia imperialista penetra, inclusive, no seio da classe operária. Não há uma muralha da China entre esta e as demais classes. " (V. I. Lênin, Obras, ed. albanesa, vol. XXII, pg. 34
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Mas, desgraçadamente, até a "muralha chinesa" agora foi demolida e a propaganda e a ideologia imperialistas penetraram na China. Os oportunistas chineses não são nada originais. Ao trilhar o caminho de Kautsky e companhia, também eles embelezam o imperialismo em geral e o norte-americano em particular, apresentando este último como um imperialismo que se encontra em retirada e no qual os povos devem se apoiar para defender-se dos social-imperialistas soviéticos.
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A semelhança entre as "teorias" dos revisionistas chineses e as de Kautsky é por demais evidente. Em seu tempo, este último tentava defender a política colonial do imperialismo ocultar sua atividade de exploração e expansão, deformando a teoria marxista sobre o desenvolvimento do capitalismo. Atualmente os dirigentes chineses estão fazendo o mesmo. Desejosos de apoiar o imperialismo norte-americano e sua política neocolonialista, promulgam teorias absurdas, supostamente apoiadas em Marx ou em Lênin. Mas, para se usar a linguagem de Lênin, a "teoria" chinesa é uma chafurdice no lodaçal do revisionismo e do oportunismo.
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A teoria de Kautsky difundia a ilusão de que nas condições do capitalismo monopolista existiria a possibilidade de outra política, não anexionista. Lênin acentuava a esse respeito:
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"O essencial consiste em que Kautsky separa a política do imperialismo de sua economia, interpretando as anexações como uma política 'preferida' pelo capital financeiro e opondo a ela outra política burguesa, possível, segundo ele, sobre a mesma base do capital financeiro. Resulta daí que os monopólios na economia são compatíveis com a atuação não monopolista, não violenta, não anexionista em política. Resulta que a repartição territorial do mundo, concluída precisamente na época do capital financeiro e que constitui a base da peculiaridade das formas atuais da rivalidade entre os maiores Estados capitalistas, é compatível com uma política não imperialista. Isso leva a se dissimular, a se atenuar as contradições mais importantes da fase atual do capitalismo ao invés de pô-las a descoberto em toda a sua profundidade; chega-se assim a um reformismo burguês em lugar do marxismo." (V. I. Lênin, Obras, ed. albanesa, vol. XXII, pg. 328).
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Ignorando o fato de que os monopólios, o capital financeiro, dominam o campo econômico nos Estados Unidos e de que são precisamente eles que ditam a política interna e externa, os revisionistas chineses falam de um imperialismo pacífico, que não exige mais a expansão e inclusive está em retirada. Os dirigentes chineses "esquecem" o que disse Stálin, que os traços e exigências principais da lei econômica fundamental do capitalismo atual são:
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"... assegurar o máximo de lucro capitalista explorando, arruinando e empobrecendo a maioria da população de determinado país, escravizando e despojando sistematicamente os povos de outros países, sobretudo dos países atrasados, enfim, desencadeando guerras e militarizando a economia nacional, com vistas a assegurar o máximo de lucros". (J. V. Stálin, Problemas Econômicos do Socialismo na URSS, pg. 45, Tirana, 1974).
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Assim, as "novas" teorias dos dirigentes chineses testemunham que eles entoam a velha cantilena de Kautsky com um novo refrão.
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Ao desmascarar os chefes da II Internacional, que desejavam fazer uma distinção entre as potências imperialistas, dividindo-as em mais e menos agressivas, Lênin acentuava que se tratava de uma postura antimarxista. Essa atitude levou os partidos da II Internacional às posições do chauvinismo, à traição aberta à causa do proletariado e da revolução. Em nossa época - dizia Lênin - não se pode colocar o problema de qual dos Estados imperialistas envolvidos na I Guerra Mundial, num ou noutro campo, é o "mal maior".
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"A democracia moderna - diz ele - só será fiel a si mesma se não se aliar a nenhuma burguesia imperialista, se declarar que 'as duas são piores', se buscar em cada país a derrota da burguesia imperialista. Qualquer outra solução será, de fato, nacional-liberal, que nada tem em comum com o verdadeiro internacionalismo. " (V. I. Lênin, Obras, ed. albanesa, vol. XXI, pgs. 145-146)
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Nas condições atuais, caso se aceitasse a tese chinesa segundo a qual o social-imperialismo soviético é mais agressivo do que o imperialismo norte-americano, passar-se-ia à traição aberta à revolução, à missão histórica da classe operária, passar-se-ia às posições da II Internacional. As duas superpotências imperialistas representam no mesmo grau o inimigo e o perigo principal para o socialismo, para a liberdade e independência dos povos, para a soberania das nações. Elas são os principais defensores do capitalismo mundial.
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Para ocultar sua traição aos povos, os dirigentes chineses dizem que as relações entre os grandes monopólios e alguns países que têm grandes riquezas criam uma situação que pode evitar inclusive os conflitos entre as potências monopolistas e os povos. Trata-se de um grande absurdo, uma tentativa de fazer passar por mansa a fera imperialista, de criar um clima de falsa euforia, como se o investimento de capital criasse bem-estar para o povo do país onde ele é realizado e assim não mais existissem contradições antagônicas entre os imperialistas e os povos desses países. Essa teoria falsificada pregada atualmente pelos dirigentes chineses foi concebida pelo imperialismo para estender seu domínio por todo o mundo, para ajudar as camarilhas reacionárias dominantes em diversos países a oprimir seu povo e a leiloar o país aos estrangeiros.
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Essas "teorias" são a repetição, sob novas e refinadas vestes, das teorias reacionárias dos oportunistas da II Internacional. Na época da I Guerra Mundial, Lênin desmascarou a teoria antimarxista do "ultra-imperialismo", de Kautsky. Este dizia que, nas condições do imperialismo, as guerras poderiam ser evitadas através de um acordo entre os capitalistas de diversos países.
Na polêmica com Kautsky, Lênin dizia que:
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"... as alianças 'inter-imperialistas' ou 'ultraimperialistas' na realidade capitalista, e não na vulgar fantasia pequeno-burguesa dos curas ingleses ou do 'marxista' alemão Kautsky - seja qual for a forma que assumam: de uma coalizão imperialista contra outra coalizão imperialista ou a de uma aliança geral de todas as potências imperialistas -, não passam, inevitavelmente, de 'tréguas' entre as guerras". (V. I. Lênin. Obras, ed. albanesa, vol. XXII, pgs. 359-360).
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Estes ensinamentos de Lênin são muito atuais nas condições de hoje, em que os revisionistas chineses falam e esforçam-se febrilmente para criar uma aliança e uma grande frente mundial com todos os Estados e regimes fascistas e feudais, capitalistas e imperialistas, inclusive os Estados Unidos, contra o social-imperialismo soviético.
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As alianças entre os países imperialistas - ressaltava Lênin - podem ser criadas, mas com o único objetivo de esmagar conjuntamente a revolução, o socialismo, de saquear conjuntamente as colônias e países dependentes e semidependentes.
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A exemplo dos chefes da II Internacional, os revisionistas chineses substituíram a palavra de ordem do Manifesto Comunista "Proletários de todos os países, uní-vos !" pela palavra de ordem pragmática de "Unamo-nos a todos os susceptíveis de serem unidos", contra o social-imperialismo soviético.
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A teoria dos "três mundos", inventada pelos dirigentes chineses, não analisa o desenvolvimento histórico do imperialismo sob o prisma marxista-leninista. Analisa-o sob um prisma genérico, ignorando as contradições de nossa época, tão claramente definidas por Marx e Lênin. Seguindo essa "teoria", a China "socialista" une-se com o imperialismo norte-americano e com o "segundo mundo", ou seja, com os demais imperialistas, que exploram os povos, e conclama o "terceiro mundo", os povos que aspiram combater o imperialismo e o capitalismo mundial, seja ele o norte-americano ou o social-imperialismo soviético, a unirem-se apenas contra o social-imperialismo soviético.
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A teoria titista dos países "não-alinhados" é tão antimarxista quanto a teoria dos "três mundos".
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Essas duas "teorias" são os trilhos de uma mesma ferrovia, sobre a qual passa o trem do imperialismo norte-americano e do social-imperialismo soviético, cuja carga são as riquezas saqueadas aos povos do mundo. Os titistas e os revisionistas chineses procuram abrir uns tantos furos nos vagões desse trem imperialista e social-imperialista, para deixar cair um pouco de óleo, um pouco de açúcar, algum dólar, alguma libra, algum franco ou algum rublo. Esses trilhos, que se assentam sobre o dorso dos povos oprimidos e procuram mantê-los constantemente subjugados, são duas teorias tão reacionárias quanto todas as demais teorias antimarxistas dos trotskistas, anarquistas, bukarinistas, kruschovianos, togliattistas, carrillistas, marchaistas, etc.
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A vida comprova continuamente as geniais teses de Lênin sobre o imperialismo. O capitalismo ingressou em sua fase de decomposição. Essa situação suscita a revolta dos povos e empurra-os para a revolução. A luta dos povos contra o imperialismo e contra as camarilhas capitalistas burguesas cresce sob formas diferentes e com intensidade diferente. A quantidade transformar-se-á indubitavelmente em qualidade. Isso ocorrerá primeiro nos países que constituem os elos mais débeis da cadeia capitalista, onde a consciência e a organização da classe operária alcançaram um nível elevado, onde a compreensão política e ideológica do problema aprofundou-se.
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O imperialismo intensificou a bárbara opressão e exploração dos povos. Mas ao mesmo tempo os povos do mundo também tornam-se cada vez mais conscientes de que não se pode mais viver na sociedade capitalista de hoje, onde as massas trabalhadoras não são menos oprimidas e exploradas do que no período anterior à Guerra.
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Apesar de seus esforços e dos de seus adeptos, o imperialismo não poderá nem agora e nem tampouco mais tarde encontrar estabilidade na tentativa de instaurar a hegemonia sobre os povos. Não poderá encontra-la devido ao despertar da consciência da classe operária e das massas trabalhadoras oprimidas, que querem a libertação, e também devido às inevitáveis contradições inter-imperialistas.
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Os povos estão vendo e mais tarde verão ainda melhor que o imperialismo e o capitalismo mundial não se apóiam apenas na força econômica, militar, política, ideológica das duas superpotências, mas também nas classes ricas que mantêm os povos de seus países subjugados, explorados, amedrontados, para que não se ponham de pé pela conquista da verdadeira liberdade e independência.
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As amplas massas dos diferentes povos do mundo começaram a compreender igualmente que se deve derrubar a atual sociedade burguês-capitalista, o sistema explorador do imperialismo mundial. Para os povos isso não é apenas urna aspiração, em muitos países eles inclusive pegaram em armas.
Portanto, não há necessidade de se teorizar dividindo o mundo em três ou quatro partes, em "alinhados" e "não-alinhados", mas de encarar e interpretar corretamente o grande processo histórico objetivo segundo os ensinamentos do marxismo-leninismo. O mundo está dividido em dois, o mundo do capitalismo e o novo mundo do socialismo, que estão em guerra sem quartel entre si. Nesta luta triunfará o novo, o mundo socialista, enquanto a velha sociedade capitalista, a sociedade burguesa e imperialista, será destroçada.