Textos e Obras Daqui e Dali, mais ou menos conhecidos ------ Nada do que é humano me é estranho (Terêncio)
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021
Paul Éluard - La terre est bleue comme une orange
sexta-feira, 4 de dezembro de 2020
Ferreira Fernandes - Omelete Michelin
* Ferreira Fernandes
28 Dezembro 2017 — 00:00
O francês Paul Éluard, o maior dos poetas surrealistas, fez esta omolete de caranguejo: "É preciso tirar a César tudo o que não lhe pertence". Queria ele dizer ser essa uma das funções da sua cozinha, a poesia. Escreveu-a em 1936, o ano do Front Populaire a inventar as férias pagas. Uma dúzia de anos depois, outro poeta de esquerda, Bertold Brecht, disse o mesmo que Éluard, em Perguntas de Um Operário Letrado, o mais citado dos seus poemas. Aquele que lembra Babilónia destruída, para perguntar: quem a reconstruiu? E de Alexandre que conquistou as Índias: sozinho? E de César que venceu os gauleses: nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?... Reparem na beleza das perguntas de Brecht pondo em prática a proposta de Éluard, ambos certeiros sobre a necessidade de desnudar a injusta acumulação de fama e de proveito dos poderosos. Mas reparem também que tanto o francês como o alemão conservam nos Césares (Alexandres ou imperadores vários...) o papel pessoal de sujeito da História. Os poetas lembram também as massas, um passo em frente, mas só para as igualar aos grandes... Aquele cozinheiro citado por Brecht entra no Olimpo porque serviu Júlio César na Gália. E, de facto, sem os petiscos dele o patrício romano talvez tivesse definhado e perdido batalhas... Ora, há gente pequena que é grande sem estar em função do poderoso. A tia que fazia bolinhos de bolina, por exemplo. Notícia destes dias, Jay Fai, 72 anos, cozinheira de rua em Banguecoque (dois tachos, lume aceso e arte) ganhou uma estrela Michelin - vão dizer-me: é dela de que estou a falar? Não. Isso são os césares do guia Michelin a dizerem que leram Éluard e Brecht. Do que estou a falar é de Jay Fai que faz omeletes de caranguejo. E se não estão para ir até Banguecoque, falem com a vossa tia da aletria. Gente grande.
https://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/ferreira-fernandes/omelete-michelin-9011791.html
sábado, 30 de setembro de 2017
Paul Éluard - em Espanha
Se em Espanha há uma árvore cor de sangue
É a árvores da liberdade
Se em Espanha há uma boca faladora
Fala de liberdade
Se em Espanha há um copo de bom vinho
É o povo quem o há-de beber.
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
Paul Éluard - Aviso
[Tradução de António Ramos Rosa]
A noite que precedeu a sua morte foi a mais breve de toda a sua vida Pensar que estava vivo ainda era um fogo no sangue até aos punhos A sua força era tal que ele gemia Foi quando atingia o fundo deste horror Que o seu rosto num sorriso se lhe abriu Não tinha apenas um único camarada Mas sim milhões e milhões de camaradas Para o vingarem sim bem o sabia E então para ele ergue-se a alvorada