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terça-feira, 20 de setembro de 2011

Edgar Allan Poe - A Dream within a Dream - Nocturne


Time to go... Sweet dreams, friends : ) with:



Carmen Montesino também partilhou uma ligação.


www.youtube.com
A music video I did with the poem "A dream within a Dream" by Edgar Allan Poe.

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domingo, 27 de dezembro de 2009

Histórias Extraordinárias, de Edgar Allan Poe

DIGESTIVOS >>> Literatura

Quarta-feira, 23/12/2009
Literatura
Julio Daio Borges


Digestivo nº 409 >>> Histórias Extraordinárias, de Edgar Allan Poe

Poe, reza o clichê, inventou o gênero terror e as histórias de detetive. E Poe impressionou Baudelaire e, no Brasil, foi traduzido por ninguém menos que Machado de Assis. Mas Poe é muito mais que isso. Poe, em matéria de terror, inventou as múmias que ressuscitam (muito antes do cinema inventar-se a si próprio); os pets que são mortos e revivem (acabando com a graça de todo e qualquer Stephen King); e os loucos que tomam conta do hospício, bem como o “defunto autor” (contemporâneos ou antecessores do nosso Machado?). As histórias de detetive Poe inventou sem querer e, se fosse vivo, teria se arrependido da proliferação do gênero numa subliteratura que ele nunca praticou. Poe impressionou Baudelaire porque viveu como o mesmo – como um poeta –, com direito a doses de loucura no final e deixando sérias dúvidas sobre sua causa mortis. (A última história de terror de Poe?) Embora o entretenimento tenha se apossado de suas criações, o que nos faz pensar que ele possa ter alguma coisa a ver com isso, Poe era um literato e como tal escreveu, felizmente. A prova viva está nesta nova edição, pocket, de Histórias Extraordinárias, selecionadas, traduzidas e apresentadas por José Paulo Paes. Saber da vida de Poe não é fácil como não é, igualmente, fácil lê-lo hoje. Incrível como simples histórias do século XIX podem arrepiar os cabelos de alguém no século XXI – quando o audiovisual banalizou qualquer susto –, mas podem... Poe está à espreita! E nunca morre.
  Histórias Extraordinárias
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Historias Extraordinarias

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Sinopse

Nestes contos - selecionados e traduzidos por José Paulo Paes -, Edgar Allan Poe (1809-1849) imaginou algumas das mais conhecidas histórias de terror e suspense da literatura, tramas que migraram da ficção direto para o imaginário coletivo do Ocidente. É o caso de 'O gato preto', a tenebrosa história de um assassinato malogrado, ou de 'O poço e o pêndulo', que apresenta uma visão macabra da ansiedade da morte. Pioneiro dos contos de mistério, como 'A carta roubada' e 'O escaravelho de ouro', Poe deu a seus personagens notável profundidade psicológica. Usando diversos artifícios narrativos inovadores, criava climas e situações aterrorizantes.
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Saiu na Imprensa:

Jornal do Commercio (PE)  /   Data: 11/1/2009
A vida e as mortes de Poe
Schneider Carpeggiani
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O ideal não seria falar do nascimento de Edgar Allan Poe, mas da sua morte. Em 3 de outubro de 1849, o escritor norte-americano foi encontrado delirante, largado pelas ruas de Baltimore e (detalhe insólito) usando roupas de terceiros. Faleceu quatro dias depois num quarto de hospital. Fim coerente para uma longa trajetória de alcoolismo, excessos de todos os tipos e de falência financeira. E mais: coerente para quem ajudou a forjar a literatura moderna com uma obra sobre o reverso da fortuna. Se hoje você se assusta com os vampiros vegetarianos de Stephenie Meyer (de Crepúsculo), com as longas sagas de Stephen King ou mesmo com o serial killer de extrato de tomate de qualquer filme B em cartaz, saiba que a raiz de todos seus medos está em Poe.
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Para alguém que escreveu grandes clássicos sobre contatos imediatos com o Além, nascer não parece um grande negócio. O seu bicentenário de nascimento não motivou grandes homenagens nem relançamentos do mestre do terror, tanto no Brasil quanto no exterior. O mais recente título a chegar às livrarias brasileiras é a competente edição de bolso de Histórias Extraordinárias, com seleção, tradução e apresentação de José Paulo Paes.
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Estão lá os essenciais O poço e o pêndulo e O barril de amontillado. Há ainda exemplos daqueles textos considerados os primeiros contos policiais da literatura ocidental (A carta roubada e o O escaravelho de ouro) e os representantes do horror psicológico, como O coração delator.
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No ensaio presente na edição de bolso, José Paulo Paes deixa claro o incômodo que a obra de Poe provoca na crítica especializada: “Diante da obra literária de Poe, a atitude mais comum da crítica moderna é antes de restrição que de aplauso. Atitude bem diversa da de Charles Baudelaire, no século 19, que saudou no autor do poema O corvo de o ‘mágico das letras, que intuíra verdades imortais e fora dotado da divina faculdade de conjurar emoções supraterrenas’”.
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Se o poeta francês Baudelaire compreendeu e disseminou o escritor, é que ambos carregavam inegáveis traços em comum. Alguém que escreveu um livro chamado Flores do mal, sobre as fraturas da modernidade à solta pelas ruas de Paris, era o nome ideal para entender o criador de tramas macabras como O gato preto e a vampiresca Berenice. Baudelaire e Poe eram cúmplices na modernidade.
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A obra ficcional de Poe costuma ser alvo fácil de críticas negativas. Seus fracos seriam um estilo mecânico, personagens ocos (quando suas crias são cheias de camadas “invisíveis” a olho nu) e tramas excessivamente repetitivas. O problema maior de Poe talvez nem seja qualquer derrapada no estilo literário, mas a escolha nos temas.
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“Existe uma variação de reconhecimento em relação há determinados estilos literários. Com o policial, por exemplo, isso estaria mudando de uns anos para cá, com a consagração de certos nomes. Aqui no Brasil nós temos um autor como o García Roza. Com o gênero de terror, isso ainda não acontece, porque há muita coisa ruim sendo publicada. E, de certa forma, o cinema tomou da literatura a função de provocar sustos. Mas o que eu não gosto nesse terror moderno é que ele é excessivamente over”, explicou a escritora Heloísa Seixas, em conversa com o JC. Heloísa foi responsável por traduzir e organizar as antologias A casa do passado – Dez grandes contos de terror e Visões da noite – Histórias de terror sarcástico.
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Se a autora reclama do fator over das histórias de terror atuais, Poe seguia a lógica contrária. “Ele é o rei da sutileza, e é a sutileza que provoca medo. É preciso até resistência para atravessar suas primeiras páginas e se entregar ao seu ritmo”, conclui Heloísa.
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Sobre o autor:


PAES, JOSE PAULO
Nasceu em Taquaritinga, São Paulo, em 1926. Estudou química industrial em Curitiba, onde publicou seu primeiro livro de poemas, em 1947. Trabalhou num laboratório farmacêutico e numa editora de livros, aposentando-se para poder dedicar-se inteiramente à literatura. Pesquisador, tradutor, ensaísta e poeta, também foi colaborador regular na imprensa literária. Morreu em 1998. Obras publicadas: Cúmplices,1957. As quatro vidas de Augusto dos Anjos, 1957. Meta palavra. São Paulo,1974. É isso ali. Rio de Janeiro,1984. Um por todos. São Paulo,1986. A poesia está morta mas juro que não fui eu. São Paulo,1988. Um passarinho me contou. São Paulo,1996.Poemas para brincar. São Paulo,1996. Os perigos da poesia,1997.
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POE, EDGAR ALLAN
Nasceu em Boston, em 1809. Órfão adotado por uma família de Richmond, tornou-se jornalista e poeta. Viveu em Nova York e em Baltimore, onde faleceu em 1849.
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sábado, 4 de julho de 2009

Histórias Extraordinárias, de Edgar Allan Poe

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Digestivo nº 409 >>> Histórias Extraordinárias, de Edgar Allan Poe
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DIGESTIVOS >>> Literatura
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Sinopse

Nestes contos - selecionados e traduzidos por José Paulo Paes -, Edgar Allan Poe (1809-1849) imaginou algumas das mais conhecidas histórias de terror e suspense da literatura, tramas que migraram da ficção direto para o imaginário coletivo do Ocidente. É o caso de 'O gato preto', a tenebrosa história de um assassinato malogrado, ou de 'O poço e o pêndulo', que apresenta uma visão macabra da ansiedade da morte. Pioneiro dos contos de mistério, como 'A carta roubada' e 'O escaravelho de ouro', Poe deu a seus personagens notável profundidade psicológica. Usando diversos artifícios narrativos inovadores, criava climas e situações aterrorizante.
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Segunda-feira, 8/6/2009
Literatura
Julio Daio Borges
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Poe, reza o clichê, inventou o gênero terror e as histórias de detetive. E Poe impressionou Baudelaire e, no Brasil, foi traduzido por ninguém menos que Machado de Assis. Mas Poe é muito mais que isso. Poe, em matéria de terror, inventou as múmias que ressuscitam (muito antes do cinema inventar-se a si próprio); os pets que são mortos e revivem (acabando com a graça de todo e qualquer Stephen King); e os loucos que tomam conta do hospício, bem como o “defunto autor” (contemporâneos ou antecessores do nosso Machado?). As histórias de detetive Poe inventou sem querer e, se fosse vivo, teria se arrependido da proliferação do gênero numa subliteratura que ele nunca praticou. Poe impressionou Baudelaire porque viveu como o mesmo – como um poeta –, com direito a doses de loucura no final e deixando sérias dúvidas sobre sua causa mortis. (A última história de terror de Poe?) Embora o entretenimento tenha se apossado de suas criações, o que nos faz pensar que ele possa ter alguma coisa a ver com isso, Poe era um literato e como tal escreveu, felizmente. A prova viva está nesta nova edição, pocket, de Histórias Extraordinárias, selecionadas, traduzidas e apresentadas por José Paulo Paes. Saber da vida de Poe não é fácil como não é, igualmente, fácil lê-lo hoje. Incrível como simples histórias do século XIX podem arrepiar os cabelos de alguém no século XXI – quando o audiovisual banalizou qualquer susto –, mas podem... Poe está à espreita! E nunca morre.
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in Digestivo Cultural
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O Corvo (The Raven) é um poema do escritor estadunidense Edgar Allan Poe escrito originalmente em inglês. Na língua portuguesa encontra-se em duas traduções:


O Corvo
por Edgar Allan Poe
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Tradução de Fernando Pessoa

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Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de alguém que batia levemente a meus umbrais.
"Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais.
É só isto, e nada mais."
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Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro,
E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
P'ra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais -
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,
Mas sem nome aqui jamais!
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Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
Mas, a mim mesmo infundido força, eu ia repetindo,
"É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.
É só isto, e nada mais".
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E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
"Senhor", eu disse, "ou senhora, decerto me desculpais;
Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo,
Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais,
Que mal ouvi..." E abri largos, franqueando-os, meus umbrais.
Noite, noite e nada mais.
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A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais -
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.
Isso só e nada mais.
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Para dentro então volvendo, toda a alma em mim ardendo,
Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
"Por certo", disse eu, "aquela bulha é na minha janela.
Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais."
Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.
"É o vento, e nada mais."
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Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
Mas com ar solene e lento pousou sobre os meus umbrais,
Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais,
Foi, pousou, e nada mais.
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E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
Com o solene decoro de seus ares rituais.
"Tens o aspecto tosquiado", disse eu, "mas de nobre e ousado,
Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!
Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais."
Disse o corvo, "Nunca mais".
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Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
Que uma ave tenha tido pousada nos meus umbrais,
Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,
Com o nome "Nunca mais".
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Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.
Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento
Perdido, murmurei lento, "Amigo, sonhos - mortais
Todos - todos já se foram. Amanhã também te vais".
Disse o corvo, "Nunca mais".
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A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
"Por certo", disse eu, "são estas vozes usuais,
Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,
E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais
Era este "Nunca mais".
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Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;
E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
Que qu'ria esta ave agoureia dos maus tempos ancestrais,
Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,
Com aquele "Nunca mais".
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Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
No veludo onde a luz punha vagas sobras desiguais,
Naquele veludo onde ela, entre as sobras desiguais,
Reclinar-se-á nunca mais!
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Fez-se então o ar mais denso, como cheio dum incenso
Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
"Maldito!", a mim disse, "deu-te Deus, por anjos concedeu-te
O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,
O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!"
Disse o corvo, "Nunca mais".
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"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
Fosse diabo ou tempestade quem te trouxe a meus umbrais,
A este luto e este degredo, a esta noite e este segredo,
A esta casa de ânsia e medo, dize a esta alma a quem atrais
Se há um bálsamo longínquo para esta alma a quem atrais!
Disse o corvo, "Nunca mais".
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"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais.
Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida
Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!"
Disse o corvo, "Nunca mais".
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"Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!", eu disse. "Parte!
Torna à noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!
Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!"
Disse o corvo, "Nunca mais".
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E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
Seu olhar tem a medonha cor de um demônio que sonha,
E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão há mais e mais,
Libertar-se-á... nunca mais!

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The Raven
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by Edgar Allan Poe
"The Raven" is a narrative poem by the American writer and poet Edgar Allan Poe. It was published for the first time on January 29, 1845, in the New York Evening Mirror. Noted for its musicality, stylized language and supernatural atmosphere, it tells of the mysterious visit of a talking raven to a distraught lover, tracing his slow descent into madness.
Excerpted from The Raven on Wikipedia, the free encyclopedia.
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1858 illustration by John Tenniel.
1884 illustration by Gustave Doré.
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Once upon a midnight dreary, while I pondered, weak and weary,
Over many a quaint and curious volume of forgotten lore,
While I nodded, nearly napping, suddenly there came a tapping,
As of some one gently rapping, rapping at my chamber door.
"'Tis some visitor", I muttered, "tapping at my chamber door —
Only this, and nothing more."
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Ah, distinctly I remember it was in the bleak December,
And each separate dying ember wrought its ghost upon the floor.
Eagerly I wished the morrow; — vainly I had sought to borrow
From my books surcease of sorrow — sorrow for the lost Lenore —
For the rare and radiant maiden whom the angels name Lenore —
Nameless here for evermore.
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And the silken sad uncertain rustling of each purple curtain
Thrilled me — filled me with fantastic terrors never felt before;
So that now, to still the beating of my heart, I stood repeating,
"'Tis some visitor entreating entrance at my chamber door —
Some late visitor entreating entrance at my chamber door; —
This it is, and nothing more."
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Presently my soul grew stronger; hesitating then no longer,
"Sir," said I, "or Madam, truly your forgiveness I implore;
But the fact is I was napping, and so gently you came rapping,
And so faintly you came tapping, tapping at my chamber door,
That I scarce was sure I heard you" — here I opened wide the door; —
Darkness there, and nothing more.
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Deep into that darkness peering, long I stood there wondering, fearing,
Doubting, dreaming dreams no mortal ever dared to dream before;
But the silence was unbroken, and the stillness gave no token,
And the only word there spoken was the whispered word, "Lenore?"
This I whispered, and an echo murmured back the word, "Lenore!" —
Merely this, and nothing more.
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Back into the chamber turning, all my soul within me burning,
Soon again I heard a tapping somewhat louder than before.
"Surely," said I, "surely that is something at my window lattice:
Let me see, then, what thereat is, and this mystery explore —
Let my heart be still a moment and this mystery explore; —
'Tis the wind and nothing more."
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Open here I flung the shutter, when, with many a flirt and flutter,
In there stepped a stately raven of the saintly days of yore;
Not the least obeisance made he; not a minute stopped or stayed he;
But, with mien of lord or lady, perched above my chamber door —
Perched upon a bust of Pallas just above my chamber door —
Perched, and sat, and nothing more.
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Then this ebony bird beguiling my sad fancy into smiling,
By the grave and stern decorum of the countenance it wore.
"Though thy crest be shorn and shaven, thou," I said, "art sure no craven,
Ghastly grim and ancient raven wandering from the Nightly shore —
Tell me what thy lordly name is on the Night's Plutonian shore!"
Quoth the Raven, "Nevermore."
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Much I marveled this ungainly fowl to hear discourse so plainly,
Though its answer little meaning — little relevancy bore;
For we cannot help agreeing that no living human being
Ever yet was blest with seeing bird above his chamber door —
Bird or beast upon the sculptured bust above his chamber door,
With such name as "Nevermore."
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But the raven, sitting lonely on the placid bust, spoke only
That one word, as if his soul in that one word he did outpour.
Nothing further then he uttered — not a feather then he fluttered —
Till I scarcely more than muttered, "other friends have flown before —
On the morrow he will leave me, as my hopes have flown before."
Then the bird said, "Nevermore."
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Startled at the stillness broken by reply so aptly spoken,
"Doubtless," said I, "what it utters is its only stock and store,
Caught from some unhappy master whom unmerciful Disaster
Followed fast and followed faster till his songs one burden bore —
Till the dirges of his Hope that melancholy burden bore
Of 'Never — nevermore'."
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But the Raven still beguiling all my sad soul into smiling,
Straight I wheeled a cushioned seat in front of bird, and bust and door;
Then upon the velvet sinking, I betook myself to linking
Fancy unto fancy, thinking what this ominous bird of yore —
What this grim, ungainly, ghastly, gaunt and ominous bird of yore
Meant in croaking "Nevermore."
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This I sat engaged in guessing, but no syllable expressing
To the fowl whose fiery eyes now burned into my bosom's core;
This and more I sat divining, with my head at ease reclining
On the cushion's velvet lining that the lamplight gloated o'er,
But whose velvet violet lining with the lamplight gloating o'er,
She shall press, ah, nevermore!
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Then methought the air grew denser, perfumed from an unseen censer
Swung by Seraphim whose footfalls tinkled on the tufted floor.
"Wretch," I cried, "thy God hath lent thee — by these angels he hath sent thee
Respite — respite and nepenthe, from thy memories of Lenore
Quaff, oh quaff this kind nepenthe and forget this lost Lenore!"
Quoth the Raven, "Nevermore."
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"Prophet!" said I, "thing of evil! — prophet still, if bird or devil! —
Whether Tempter sent, or whether tempest tossed thee here ashore,
Desolate yet all undaunted, on this desert land enchanted —
On this home by horror haunted — tell me truly, I implore —
Is there — is there balm in Gilead? — tell me — tell me, I implore!"
Quoth the Raven, "Nevermore."
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"Prophet!" said I, "thing of evil — prophet still, if bird or devil!
By that Heaven that bends above us — by that God we both adore —
Tell this soul with sorrow laden if, within the distant Aidenn,
It shall clasp a sainted maiden whom the angels name Lenore —
Clasp a rare and radiant maiden whom the angels name Lenore."
Quoth the Raven, "Nevermore."
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"Be that word our sign in parting, bird or fiend," I shrieked, upstarting —
"Get thee back into the tempest and the Night's Plutonian shore!
Leave no black plume as a token of that lie thy soul hath spoken!
Leave my loneliness unbroken! — quit the bust above my door!
Take thy beak from out my heart, and take thy form from off my door!"
Quoth the Raven, "Nevermore."
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And the Raven, never flitting, still is sitting, still is sitting
On the pallid bust of Pallas just above my chamber door;
And his eyes have all the seeming of a demon's that is dreaming,
And the lamplight o'er him streaming throws his shadow on the floor;
And my soul from out that shadow that lies floating on the floor
Shall be lifted — nevermore!


This work published before January 1, 1923 is in the public domain worldwide because the author died at least 100 years ago.

domingo, 18 de janeiro de 2009

O VERME VENCEDOR - Edgar Allan Poe

“Vêde! É noite de gala, hoje, nestes
anos últimos e desolados!
Turbas de anjos e alados, em vestes
de gase, olhos em pranto banhados,
vêm sentar-se no teatro, onde há um drama
singular, de esperança e agonia;
e, ritmada, uma orquestra derrama
das esferas a doce harmonia.

Bem à imagem do Altíssimo feitos,
os actores, em voz baixa e amena,
murmurando, esvoaçam na cena;
são de títeres, só, seus trejeitos,
sob o império de seres informes,
dos quais cada um a cena retraça
a seu gosto, com as asas enormes
esparzindo invisível Desgraça!

Certo, o drama confuso já não
poderá ser um dia olvidado,
com o espectro a fugir, sempre em vão
pela turba furiosa acossado,
numa ronda sem fim, que regressa,
incessante, ao lugar da partida;
e há Loucura, e há Pecado, e é tecida
de Terror toda a intriga da peça!

Mas, olhai! No tropel dos actores
uma forma se arrasta e insinua!
Vem, sangrenta, a enroscar-se, da nua
e erma cena, junto aos bastidores...
A enroscar-se... Um a um, cai, exangue,
cada actor, que esse mosntro devora.
E soluçam os anjos, _ que é sangue,
sangue humano, o que as fauces lhe cora!

E apagam-se as luzes! Violenta,
a cortina, funérea mortalha,
sobre os trémulos corpos se espalha,
ao cair, com um rugir de tormenta.
Mas os anjos, que espantos consomem,
já sem véus, a chorar vêm depor
que esse drama, tão tétrico, é «O Homem»
e que o herói da tragédia de horror é o Verme Vencedor.”

Edgar Allan Poe
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enviado por Guilhermina Abreu
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