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sábado, 6 de junho de 2026

José Pacheco Pereira - Comer em tempos difíceis

No Dia Internacional dos Arquivos, um padre, pescadores e conserveiras vão lembrar-nos daquilo que não é para ser esquecido.

* José Pacheco Pereira

6 de Junho de 2026

Ao dar-se o nome ao debate de que vou falar, oscilou-se entre “comer em tempos em crise” e eu, para o lado excessivo, preferia “comer em tempos de fome”. De que é que estou a falar? Dum debate que vai ocorrer no Barreiro, no Dia Internacional dos Arquivos, 9 de Junho, integrado num dia dominado por uma exposição com o título Gastronomia na Cidade dos Arquivos, de responsabilidade, e muito mérito, de Nuno Teixeira.

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Gustavo Carneiro - Num bairro, a História



* Gustavo Carneiro

Es­teve pa­tente até à se­mana pas­sada, no Te­atro Ave­nidas, em Lisboa, a ex­po­sição “As ja­nelas que Abril abriu”, que in­cluía tra­ba­lhos de es­tu­dantes do 9.º ano da Es­cola Bá­sica 2, 3 Pro­fessor Delfim Santos e iden­ti­fi­cava as casas clan­des­tinas do PCP no Bairro do Rego, onde hoje está si­tuada a sede na­ci­onal do Par­tido. Foram oito as casas, só neste bairro po­pular da ca­pital.

Numa delas viveu Álvaro Cu­nhal em 1937, quando era di­ri­gente da Fe­de­ração das Ju­ven­tudes Co­mu­nistas Por­tu­guesas. Ou­tras duas, uma ti­po­grafia e uma ha­bi­tação de mi­li­tantes clan­des­tinos, foram as­sal­tadas pela po­lícia po­lí­tica no mesmo dia: 10 de Ja­neiro de 1938. Neste final de dé­cada, o fas­cismo pa­recia im­pa­rável, em Por­tugal e em grande parte da Eu­ropa. A re­pressão des­feria rudes golpes nas or­ga­ni­za­ções do Par­tido e na sua im­prensa, e no Tar­rafal mor­riam já muitos an­ti­fas­cistas.

Mas a his­tória não acabou aí, como de­monstra a exis­tência de ou­tras casas iden­ti­fi­cadas na ex­po­sição: uma serviu de ponto de apoio a Pedro So­ares e talvez a Jo­a­quim Pires Jorge, que nesse ano de 1942 se em­pe­nhavam na re­or­ga­ni­zação do Par­tido, que ha­veria de lhe con­ferir uma di­mensão na­ci­onal e torná-lo na van­guarda da re­sis­tência e da uni­dade an­ti­fas­cistas. Na­quele bairro viveu também Oc­távio Pato em 1946, ano do IV Con­gresso do Par­tido, re­a­li­zado num mo­mento de forte ex­pansão das lutas ope­rá­rias e da or­ga­ni­zação par­ti­dária: em apenas três anos, o nú­mero de mi­li­tantes au­mentou seis vezes e a ti­ragem do Avante! mul­ti­pli­cara-se por quatro. Este mesmo di­ri­gente vol­taria mais tarde ao Bairro do Rego, onde em 1959 tinha um ponto de apoio, jun­ta­mente com An­tónio Dias Lou­renço. Nesses tempos em que o fas­cismo en­con­trava nos EUA e na NATO o apoio de que pre­ci­sava para so­bre­viver, a luta so­fria re­veses, era menos ampla do que nou­tros mo­mentos – mas não ces­sava. Quem sabe se na­quela casa da Rua Tomás Ca­breira não se ajudou a pla­near a fuga de Pe­niche, que no início de 1960 de­volveu à luta an­ti­fas­cista ac­tiva Álvaro Cu­nhal e ou­tros nove des­ta­cados di­ri­gentes co­mu­nistas?

Certo é que em 1963, uma casa clan­des­tina na­quele bairro fora aban­do­nada por ra­zões de se­gu­rança. Vivia-se já uma nova fase, de as­censo re­vo­lu­ci­o­nário: o 1.º de Maio de 1962 fora uma jor­nada ex­tra­or­di­nária; nos campos do sul os ope­rá­rios agrí­colas con­quis­taram a jor­nada de oito horas, pondo fim ao es­cra­vi­zante tra­balho de sol a sol; o início da guerra co­lo­nial abrira uma nova frente de luta an­ti­fas­cista. A úl­tima casa iden­ti­fi­cada al­bergou um casal de fun­ci­o­ná­rios do Par­tido em 1968, quando a di­ta­dura fingia mudar para deixar tudo na mesma e a luta crescia, alar­gava-se e agre­gava gente nova e nova gente.

Cen­trada num bairro, e em tantos ou­tros foi também assim, esta é a his­tória da luta de um povo, que con­tinua nos exi­gentes tempos em que vi­vemos. Com avanços e re­cuos – e onde sempre, mas sempre, se en­con­tram os co­mu­nistas.

https://www.avante.pt/pt/2740/opiniao/183927/Num-bairro-a-Hist%C3%B3ria.htm

Foto em
https://www.instagram.com/p/DYXpSZVCOjj/?img_index=4

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avenidas.umteatroemcadabairro
 
// EXPOSIÇÃO 
As janelas que abril abriu, ou não!
15 A 30 MAI

INAUGURAÇÃO 
🗓 15 MAI | SEX | 17h 
📍Avenidas - Um Teatro em Cada Bairro 

A exposição “As Janelas que Abril abriu, ou não!”, apresenta trabalhos realizados pelos alunos da turma A, do 9.º ano da Escola Básica 2,3 Professor Delfim Santos – Agrupamento de Escolas das Laranjeiras. 

Partindo de passeios pelo Bairro do Rego, em Lisboa, visitámos a Coletividade “Os Económicos” e observámos janelas de casas que outrora acolheram opositores ao regime. Tomámos essas janelas como testemunhos de tempos de vigilância, mas também de esperança e como símbolos de transição da abertura que abril tornou possível.

Parceria: Escola Básica 2,3 Professor Delfim Santos - Agrupamento de Escolas das Laranjeiras. Alunos 9.º A, Professores Dilar Pereira e João Pedro Martins; Biblioteca Escolar e Projeto Descolar Com.

https://www.instagram.com/p/DYMZmJogsLw/

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Paulo Baldaia - É mesmo por uma questão política que a greve geral faz sentido


Opinião

* Paulo Baldaia 

(Expresso  2025 12 08)

A revisão da Lei do Trabalho insere-se numa questão ideológica mais profunda em que o executivo dá uma exagerada protecção a quem detém o capital e os meios de produção, enquanto engana com umas migalhas de IRS a classe média trabalhadora, deixando os trabalhadores mais pobres entregues ao seu próprio destinob

Épreciso começar por dar razão a Luís Montenegro sobre as motivações dos sindicalistas para convocar uma greve geral - esta greve é mesmo política e as razões para o protesto são gravesContra a legislação proposta pelo governo há, aliás, políticos de todos os partidos, inclusive dos partidos que se preparam para a aprovar no Parlamento e até uma vice-presidente da direcção do PSD, deixando que Montenegro fique na frágil posição de quem, como chefe do governo, atira a pedra e, como líder do partido, esconde a mão. A “gana” é tanta porque a ministra do Trabalho considera que a legislação actual é desequilibrada a favor dos trabalhadores e um banqueiro assina por baixo, e vai mais longe em relação aos malandros dos trabalhadores, afirmando que “a lei protege quem não quer fazer nada”. É o supremo desplante!

A vontade de legislar contra os interesses dos trabalhadores, assumida por Rosário Palma Ramalho, não cai do céu aos trambolhões mas não foi anunciada no programa eleitoral, como agora pretende dizer o governo. Bem pelo contrário, há coisas que são ditas nesse programa que são o oposto da proposta governamental. Já lá vamos.

LUTA DE CLASSES

Por agora, faço um desvio de rota para explicar porque entendo que esta revisão da Lei do Trabalho - que privilegia quem detém os meios de produção face à força de trabalho  - se insere numa questão ideológica mais profunda. Vejamos um exemplo flagrante de exagerada protecção a quem detém o capital, enquanto se dão umas migalhas de IRS à classe média trabalhadora, deixando os trabalhadores mais pobres entregues ao seu próprio destino: o conceito de renda moderada e o que ele implica no rendimento disponível de inquilinos e arrendatários.

Salta à vista de todos que o acréscimo de rendimento dos trabalhadores inquilinos, fruto da descida do IRS, foi largamente comido pela subida dos custos com a habitação, enquanto que o rendimento dos senhorios acompanhou a subida exponencial das rendas. Apliquemos a regras de três simples: 

1 - se, para a prestação ou renda de casa, os especialistas colocam nos 30% do rendimento líquido de uma família o limite a partir do qual começa a haver uma sobrecarga habitacional. 

2 - se o governo considera o limite de 2300 euros para uma renda moderada e isso significa que, para evitar a sobrecarga habitacional, o rendimento familiar líquido deve rondar os sete mil euros. 

3 - Se uma família de trabalhadores, para aquele rendimento paga cerca de 30% de IRS e um senhorio que obtenha o mesmo rendimento bruto paga apenas 10%.

Qual é o resultado desta equação? O governo aposta forte na luta de classes e os donos do capital reforçam a sua vantagem, pagando três vezes menos impostos que a classe trabalhadora.

A talhe de foice também se pode dizer que, com esta política fiscal na habitação, o governo está a dizer aos potenciais investidores que compensa desviar o capital das fábricas, da novas tecnologias, da energia, da agricultura e de outros sectores produtivos que carecem de investimento, mas que pagam mais impostos. O que se consegue com isto é alimentar a bolha imobiliária, criando condições para entrarem novos investidores que garantem sucesso aos que já lá estão - muito parecido com outros esquemas piramidais. Este esquema acabará num de dois dias: no dia em que só estrangeiros possam comprar ou arrendar ou no dia em que os preços de venda ou arrendamento passem a ter em conta o verdadeiro rendimento líquido de uma família da classe média em Portugal. Até lá, o sistema gera desequilíbrios evidentes entre quem tem capital para investir e quem tem necessidade de arrendar. É um sistema que se aguenta, porque até políticos de esquerda alinham, investindo em imobiliário para negociar nas vantajosas condições do mercado, que devem ser iguais para todos - esta é a forma como procuram justificar a sua ganância, pecado capital com milénios de existência.

 

COM PAPAS E BOLOS SE ENGANAM OS TOLOS 

Num trabalho feito pelo jornal "Público", ficou claro que o programa eleitoral da AD não permitia antecipar o que agora está em causa. Para além de umas generalidades, há questões concretas que apontavam no sentido oposto do que agora se pretende. Exemplo flagrante é a conciliação entre a vida profissional e a vida familiar:

O prometido: programa eleitoral utilizou quase uma centena de vezes a palavra família e os seus dirigentes, em campanha, asseguraram “continuar a apostar na família como a célula base da sociedade e em políticas de apoio à família, de valorização da maternidade e da paternidade, enfrentando a grave crise da natalidade e incentivando as famílias a crescer”.

O proposto: diminuição nos direitos de parentalidade, conciliação e proteção social relativa à família.

A proposta do governo, nas suas traves mestras, também provoca mais precariedade (contratos a termo certo com duração inicial de um ano, em vez dos seis meses atuais, e com possibilidade de duas renovações, até um limite de três anos); vai facilitar o despedimento, desprotegendo o trabalhador contra despedimento injustificado; promove uma maior desregulação dos horários e a precarização das condições de trabalho, enfraquece a contratação colectiva, a acção sindical e o direito à greve.

É legitimo propor este caminho, acreditando que é o caminho certo para aumentar a produtividade nas empresas, fazer crescer a economia e criar novos empregos. Mas entra no domínio da aldrabice política querer convencer alguém que tudo isto não é feito com perda de direitos para os trabalhadores. 

https://expresso.pt/opiniao/2025-12-08-e-mesmo-por-uma-questao-politica-que-a-greve-geral-faz-sentido-6c60755d


sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024

José Pacheco - A liberdade de Corto Maltese e a inspiração de Spike Lee

SEMANÁRIO 09.02.2024

Exclusivo

FISGA

1994 Cong S.A. Suisse

Em Paris e Oslo, olha-se para a liberdade desenhada por Corto Maltese. Em Nova Iorque, Spike Lee abre o baú das suas inspirações

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08 FEVEREIRO 2024 22:57

João Pacheco

 

PARIS — OSLO — AVELLINO — VENEZA

Um dia, uma amiga da mãe pegou na mão esquerda do rapaz. Olhou e ficou horrorizada. Não havia ali a linha do destino. O rapaz não pensou muito e foi buscar uma lâmina de barbear do pai. Inventou na palma daquela mão uma linha profunda e longa. Pela vida fora, nunca chegaria a acumular tesouros bem fechados. Mas sempre foi livre.

O rapaz chamava-se Corto Maltese e tinha nascido na ilha de Malta, no verão de 1887, filho de uma cigana de Sevilha e de um marinheiro inglês de Tintagel, na Cornualha. Aliás, o viajante Corto Maltese nasceu para o mundo 80 anos depois, no livro “A Balada do Mar Salgado”, de 1967. Corto é a grande personagem criada pelo autor de banda desenhada Hugo Pratt (1927-1995). E viajou por vários continentes, partindo de La Valletta no veleiro “Vanità Dorata” (ou seja, Vaidade Dourada). Nos livros de Pratt, Corto viveu apaixonado pela liberdade, sempre pronto para partir. Era também capaz de declarar amor, perguntando: “Queres partir comigo?”

Um próximo destino cortomaltesiano pode ser Paris, onde o Pompidou terá de 29 de maio a 4 de novembro três exposições de banda desenhada em simultâneo. A iniciativa chama-se “La BD à tous les étages” (A BD em todos os andares), com destaque para “Corto Maltese, une vie romanesque” (uma vida de romance). Já na capital da Noruega, Corto Maltese está presente até 22 de março no Istituto Italiano di Cultura di Oslo, na exposição “Hugo Pratt. Opphavet, verket, livshistorien” (a herança, a obra, a biografia).

Da biografia de Pratt faz parte a amizade com o cartoonista Milo Manara, conhecido sobretudo pelo erotismo e pela beleza de livros de banda desenhada como “O Clic”. E, em entrevista ao Expresso em 2022, Milo Manara contou que Pratt era Corto Maltese, mudando o contexto histórico. “Corto Maltese vivia numa época em que não era preciso pedir autorização para chegar de barco e ancorar num sítio qualquer. Agora é completamente diferente.” No atual contexto histórico, a cidade de Avellino está na linha do destino de quem quiser ver a exposição “Milo Manara — Così fan tutte. Le Metamorfosi d’amore”, que está até 9 de março no Museo Irpino e parte da ópera “Così fan tutte”, de Wolfgang Amadeus Mozart. De Avellino, será boa ideia prolongar a linha da sorte até a uma ponta aquática do mapa de Itália, para caminhar sem destino por Veneza, um dos territórios importantes para Corto Maltese. Haja liberdade.


NOVA IORQUE

A inspiração de Spike Lee


Sim, poderíamos ocupar-nos apenas de massa fresca. Mas é essencial lembrar outros aspetos da História, no contexto atual de propagação da extrema-direita, na Europa e no mundo. Este póster foi feito em Itália em 1944, durante a II Guerra Mundial. Contém racismo e pertence à coleção do casal Spike Lee e Tonya Lewis Lee. O autor do cartaz desenhou-o nos últimos tempos do regime fascista do ditador Benito Mussolini (1883-1945). E sim, a ideia era que vinham aí os soldados americanos, preparados para pilhar e violar as riquezas e os corpos de Itália. Para estimular o medo e a coesão entre a população, era preciso mostrar que, com uma possível invasão norte-americana, chegaria o caos personificado por soldados afro-americanos. Agora, este bocado de guerra psicológica faz parte da exposição “Spike Lee: Creative Sources” (Fontes Criativas), que está até segunda-feira no Brooklyn Museum, em Nova Iorque. Para ir às fontes de inspiração do realizador afro-americano Spike Lee, há aqui mais de 400 objetos fornecidos pelo autor. Haja inspiração.

https://expresso.pt/revista/fisga/2024-02-08-A-liberdade-de-Corto-Maltese-e-a-inspiracao-de-Spike-Lee-05a3faac

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Como a BD nos contou o Holocausto

Maus (1980), a obra seminal de Art Spiegelman, é só a face mais visível de um enorme icebergue que uma exposição no Memorial da Shoah, em Paris, se propõe explorar exaustivamente

Uma exposição no Memorial da Shoah, em Paris, inventaria 75 anos de uma produção espantosamente prolixa – e aparentemente inesgotável.
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É preciso procurar muito para encontrar um tema sério da história do século XX que não tenha ainda sido vasculhado pela banda desenhada – do insanável conflito israelo-palestiniano (Palestina ou Gaza, de Joe Sacco) à condição árabe na era do terrorismo global (O Árabe do Futuro, de Riad Sattouf), passando pelo Irão da Revolução Islâmica (Persépolis, de Marjane Satrapi); da catástrofe individual e colectiva que foi a sida (Comprimidos Azuis, de Frederik Peeters) ao lento (e turbulento) coming out do Ocidente, com todo o seu historial de traumas familiares (Fun Home – Uma Tragicomédia Familiar, de Alison Bedchel); da nossa Guerra Colonial (Os Vampiros, de Filipe Melo e Juan Cavia) à má consciência da África do Sul que o apartheid ainda divide ao meio (Papá em África, de Anton Kannemeyer) e ao Brasil fatalmente segregado de ontem e de hoje (Morro da Favela, de André Diniz), só para mencionar títulos que tiveram edição em Portugal.


Também é preciso procurar muito para encontrar um tema sério da história do século XX que tenha sido mais vasculhado pela banda desenhada do que o Holocausto. Maus (1980), a obra seminal de Art Spiegelman, é só a face mais visível de um enorme icebergue que uma exposição no Memorial da Shoah, em Paris, se propõe agora explorar exaustivamente: “De 1942 até hoje, centenas de artistas desenharam a Shoah. À medida que as vítimas e as testemunhas deste crime único na história desaparecem inelutavelmente, a questão da sua representação torna-se cada vez mais central”, sublinham Marie-Édith Agostini, Joël Kotek e Didier Pasamonik, os comissários de Shoah et Bande Dessinée: de l’ombre à la lumière, esclarecendo as motivações deste “percurso histórico e artístico” que se propõe mostrar como ao longo dos últimos 75 anos a ficção mobilizou o Holocausto, dos comics americanos à produção franco-belga, onde o tema está presente desde 1944 (La Bête est morte!, de Calvo). É um inventário colossal, que vai da primeira obra a inscrever a Shoah no repertório da banda desenhada, cujo autor acabaria gazeado em Auschwitz (Mickey au camp de Gurs, de Horst Rosenthal, pequeno álbum composto de 15 aguarelas, com encadernação manual, “publicado sem autorização de Walt Disney”, como afixava a capa), às memórias de segunda e terceira geração activadas em livros mais recentes como I Was a Child of Holocaust Survivors (2006), da canadiana Bernice Eisenstein, Property (2013), da israelita Rutu Modan, ou Nous n’irons pas voir Auschwitz (2011), do francês Jérémie Dres – sem esquecer, claro, o trabalho a todos os títulos fundador de Will Eisner e o caso sem paralelo de Miriam Katin, a única sobrevivente do Holocausto que fixou o seu testemunho em BD.

Acompanhando esta exposição que ocupa o Memorial da Shoah de 19 de Janeiro até 30 de Outubro, um programa de conferências juntará autores e historiadores em mesas-redondas que discutirão, entre outros assuntos, Porque é que os super-heróis não libertaram Auschwitz? (22 de Janeiro), “Arte menor” e questões maiores (5 de Fevereiro) ou o lugar de Varsóvia na banda desenhada (5 de Março). Terminadas as mesas-redondas, encerrada a exposição, o Holocausto continuará a ser um dos assuntos mais inesgotáveis do nosso passado comum – e a aparentemente inesgotável livraria do Memorial da Shoah continuará a ser um dos melhores lugares do mundo para o aprofundar.

https://www.publico.pt/2017/01/19/culturaipsilon/noticia/como-a-bd-nos-contou-o-holocausto-1758634

sábado, 7 de janeiro de 2012

Exposição sobre Fernando Pessoa e heterónimos na Gulbenkian em Fevereiro


6 de Janeiro, 2012
Uma exposição sobre o poeta Fernando Pessoa e os seus heterónimos, com fotografias, pintura e documentos, vai ser inaugurada no dia 09 de Fevereiro, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, no âmbito do Ano do Brasil em Portugal.
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Intitulada «Fernando Pessoa, Plural como o Universo», esta mostra nasceu de uma colaboração entre a Fundação Gulbenkian, a Fundação Roberto Marinho e o Museu da Língua Portuguesa de São Paulo, indica a publicação mensal da Fundação que acolherá a mostra sobre a vida e a obra do autor.
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Até 30 de abril, os visitantes poderão encontrar na sede da Fundação Gulbenkian os poemas, textos, documentos, fotografias e pintura sobre um dos nomes maiores da História da Literatura portuguesa.
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«Fernando Pessoa, Plural como o Univeros» esteve em São Paulo em 2010 e, no Rio de Janeiro, em Março de 2011.
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De acordo com a publicação, um dos espaços da mostra será reservado à apresentação, em compartimentos delimitados, do ortónimo e dos quatro mais importantes heterónimos: Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Álvaro de Campos e Bernardo Soares.
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Noutra parte da exposição serão apresentados textos que pretendem mostrar como puderam conviver, no espírito de Fernando Pessoa, heterónimos e escritos auto-interpretativos, bem como todos os outros projectos que o poeta ia desenvolvendo.
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Estarão disponíveis objectos nunca antes expostos em Portugal e também exemplares de toda a obra de Fernando Pessoa em português e traduzida para outras línguas, instalados numa mesa com oito metros de comprimento por quatro de largura, para proporcionar aos visitantes uma oportunidade de leitura ou releitura da obra.
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A mostra, com curadoria de Carlos Filipe Moisés e Richard Zenith, terá ainda uma forte componente multimédia, composta por filmes e poemas ditos.
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Além do catálogo da exposição, será lançado um livro intitulado «Fernando Pessoa: o editor, o escritor e os seus leitores», com um conjunto de 50 depoimentos pedidos a igual número de personalidades portuguesas e estrangeiras que dão conta da sua relação com a obra do poeta.
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Lusa/SOL

domingo, 22 de maio de 2011

José Saramago - Uma experiência única



José Saramago - Depoimento

Uma experiência única

O testemunho de José Saramago sobre a exposição La Consistência de los Sueños, na edição 970, de 5 de Dezembro de 2007

José Saramago
15:39 Sexta feira, 18 de Jun de 2010
De que matéria são feitas a vida e obra de um Nobel da Literatura? Fernando Gómez Aguilera procurou responder a essa pergunta, ao conceber, na Fundação César Manrique, em Lanzarote, a exposição José Saramago -La Consistencia de los Sueños, patente ao público até 16 de Janeiro. Ao longo de 700 metros quadrados, mostram-se manuscritos (muitos dos quais inéditos), textos dactilografados, primeiras edições em Português e Espanhol de todas as suas obras, traduções, estudos críticos, teses de doutoramentos, documentos gráficos, audiovisuais, recortes de imprensa, cartas de escritores e leitores. Neste número, o JL publica um artigo de Carlos Reis, reitor da Universidade Aberta e nosso colunista, com vários ensaios publicados sobre a obra de José Saramago, falou com o comissário da exposição e ouviu o escritor sobre a importância desta homenagem, decerto uma das maiores que alguma vez lhe foi prestada
Sou um homem antigo que, em princípio, não se deslumbra com as novas tecnologias, mas, com esta exposição, tenho de admitir que me rendi à evidência das suas grandes potencialidades.
O que é que um escritor tem para mostrar ao visitante de uma iniciativa cultural que se estende por uma área de 700 metros quadrados? Papéis, livros, algumas fotografias e pouco mais, mas em La Consistencia de los Sueños vemos coisas tão surpreendentes como a projecção de um fluxo de nomes, que são os das minhas personagens. A digitalização de um manuscrito como Clarabóia permite, por exemplo, que o visitante o leia como se as páginas estivessem lá, como se as pudesse tocar e voltar, e, na verdade, não estão. Descobrir este mundo novo foi qualquer coisa de maravilhoso para mim, tal como o foi refazer todo um período de vida que recordava com pouca precisão. Quando o Fernando Gómez Aguilera me propôs fazer esta exposição, pareceu-me uma ideia difícil, senão impossível, de concretizar. Agora, sinto uma imensa gratidão porque, nesta fase da minha vida, foi-me permitido viver algo de único.
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O plano de La Consistencia de los Sueños estava praticamente pronto quando surgiram mais umas quantas caixas em que a Pilar e eu não mexêramos desde que nos mudáramos para Lanzarote. Abriram-se e apareceram manuscritos e outros materiais que eu recordava, mas que pensava serem de datas muito posteriores. Claro que são textos do final da adolescência e do princípio da idade adulta, com um valor literário muito relativo (não são exactamente o Memorial do Convento), mas são importantes para a reconstrução de todo um período da minha vida. O paradoxo é que isto aconteça numa ilha em que escolhi viver, mas na qual não tenho raízes. Por outro lado, se nenhuma instituição portuguesa quiser levar esta exposição a Lisboa, ou a qualquer cidade portuguesa, não sei muito bem o que hei-de pensar.
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Depoimento recolhido oralmente


Ler mais: http://aeiou.visao.pt/uma-experiencia-unica=f562786#ixzz1U6wdCMhu

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Revolução de Outubro - Exposição e Vídeo do 90º aniversário





Exposição alusiva ao 90º aniversário da Revolução de Outubro disponivel em PDF
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Clique na hiperligação para ver ou descarregar
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Video



Vídeo sobre o 90º aniversário da Revolução de Outubro de 1917, produzido pelo DEP/PCP

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