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segunda-feira, 18 de maio de 2026

Dois poemas de Miguel Hernandez sobre a Guerra Civil Espanhola


Murais em Orgosolo, Sardenha, Itália - 1. Ecologia 2. Guerra Civil Espanhola

«O mural no pisso térreo é uma homenagem à Guernica e à Resistência Espanhola. A parte de baixo é uma reinterpretação artística direta da famosa obra Guernica, de Pablo Picasso, adaptada para comemorar os 50 anos do início da Guerra Civil Espanhola.

O que está escrito? À esquerda:  "18 Luglio 1936 - 18 Luglio 1986 Spagna" (18 de Julho de 1936 - 18 de Julho de 1986 Espanha) — Marca a data do golpe militar de Francisco Franco que deu início à guerra. No centro (em cima da porta):  "cantando aspetto la morte / già cantano gli usignoli / sulla cima dei fucili / e in mezzo alla battaglia" Tradução: "cantando espero a morte / já cantam os rouxinóis / no topo dos fusis / e no meio da batalha". À direita (perto do cavalo): "Travolti senza rimedio / gridiamo amaramente..." e "Ahi Spagna della mia vita / Ahi Spagna della mia morte - Miguel Hernández" Tradução: "Arrebatados sem remédio / gritamos amargamente..." e "Ai Espanha da minha vida / Ai Espanha da minha morte".

Contexto: Estes versos pertencem ao poeta espanhol Miguel Hernández, um fervoroso defensor da República que foi preso pelo regime franquista e morreu na prisão em 1942.

"Espanha da minha vida" (España de mi vida), embora partilhe toda a força e a temática de combate de Vientos del pueblo me llevan.

Ambos pertencem ao mesmo período em que Miguel Hernández combatia na frente de batalha e escrevia para dar coragem e expressar a dor do seu povo.

Aqui tem a versão integral do poema, com o texto original em espanhol e a respetiva tradução para português:

Versão Original (Espanhol)

España de mi vida

Te veo, oh patria, encadenada y rota, con el alma en un hilo de amargura, sufrir bajo la bota de la más negra y cruel desventura.

Los campos que sembró tu mano buena hoy cosechan espinas y lamentos, y tu sangre serena corre empujada por malditos vientos.

Pero no te has rendido, madre mía, que en el pecho del pueblo late el fuego, y habrá de llegar el día en que recobre la razón tu ruego.

Se ha levantado la España, de los relámpagos rota, atropellada sin remedio, gritando amargamente...

¡Ay, España de mi vida! ¡Ay, España de mi muerte!

Tradução para Português

Espanha da minha vida

Vejo-te, oh pátria, acorrentada e rota, com a alma num fio de amargura, sofrer debaixo da bota da mais negra e cruel desventura.

Os campos que a tua mão boa semeou colhem hoje espinhos e lamentos, e o teu sangue sereno corre empurrado por malditos ventos.

Mas não te rendeste, minha mãe, pois no peito do povo bate o fogo, e haverá de chegar o dia em que a razão recupere o teu rogo.

Levantou-se a Espanha, pelos relâmpagos rasgada, arrebatada sem remédio, gritando amargamente...

Ai, Espanha da minha vida! Ai, Espanha da minha morte!

Nota sobre a estrutura e o Mural

O pintor do mural de Orgosolo selecionou cirurgicamente as duas últimas estrofes porque sintetizavam perfeitamente o espírito da Guernica de Picasso: o sofrimento da pátria "atropelada" pelas bombas e o grito de dor agonizante que o quadro tão bem ilustra através da mãe e do cavalo.


Aqui tem a versão integral e autêntica da "Canción del esposo soldado" (Canção do Esposo Soldado), o poema completo de Miguel Hernández de onde foi retirada a belíssima quadra que está pintada no mural.

Versão Original (Espanhol)

Canción del esposo soldado

He poblado tu vientre de amor y sementera, he prolongado el eco de sangre a que respondo y espero sobre el surco como la ardiente espera de los minerales fondos.

El futuro relumbra soberbio en tus entrañas. Un clavel en el alba, con un color de espanto, rompe las ligaduras de la carne y las mañas de un mundo puesto en llanto.

Miro hacia ti, hacia el hijo que en tu interior se asila, y un viento de ceniza me asalta y me destruye, mientras que la batalla deshoja su corola, y el humo se diluye.

Es preciso matar para seguir viviendo. Un día iré a la sombra de tu pelo lejano, y en un país de bueyes, de paz y de campanas, te estrecharé la mano.

Con el alma en un vilo de amargura, cantando espero la muerte, que hay ruiseñores que cantan encima de los fusiles y en medio de las batallas.

Tradução para Português

Canção do esposo soldado

Povoei o teu ventre de amor e sementeira, prolonguei o eco de sangue a que respondo e espero sobre o sulco como a ardente espera dos minerais fundos.

O futuro reluz soberbo nas tuas entranhas. Um cravo na alvorada, com uma cor de espanto, rompe as ligaduras da carne e as artimanhas de um mundo posto em pranto.

Olho para ti, para o filho que no teu interior se asila, e um vento de cinza assalta-me e destrói-me, enquanto a batalha desfolha a sua corola, e o fumo se dilui.

É preciso matar para seguir vivendo. Um dia irei à sombra do teu cabelo distante, e num país de bois, de paz e de sinos, apertar-te-ei a mão.

Com a alma num fio de amargura, cantando espero a morte, pois há rouxinóis que cantam em cima dos fuzis e no meio das batalhas.

O Contraste do Poema

Note como o poema inteiro flutua entre a vida que nasce (a gravidez da esposa, a esperança no futuro filho) e a morte que cerca o soldado nas trincheiras. É essa dualidade entre o amor e a brutalidade que torna a última estrofe — a escolhida para o mural de Orgosolo — uma das mais poderosas da poesia do século XX.» (Google Gemini)

terça-feira, 3 de setembro de 2019

Pablo Neruda - Memorial de Isla Negra

* Pablo Neruda


Yo los puse en mi barco.
Era de día y Francia
 su vestido de lujo
de cada día tuvo aquella vez,
fue
la misma claridad de vino y aire
su ropaje de diosa forestal.
Mi navío esperaba
con su remoto nombre “Winnipeg”
Pero mis españoles no venían
de Versalles,
del baile plateado,
de las viejas alfombras de amaranto,
de las copas que trinan
con el vino,
no, de allí no venían,
no, de allí no venían.
De más lejos,
de campos de prisiones,
de las arenas negras
del Sahara,
de ásperos escondrijos
donde yacieron
hambrientos y desnudos,
allí a mi barco claro,
al navío en el mar, a la esperanza
acudieron llamados uno a uno
por mí, desde sus cárceles,
desde las fortalezas
de Francia tambaleante
por mi boca llamados
acudieron,
Saavedra, dije, y vino el albañil,
Zúñiga, dije, y allí estaba,
Roces, llamé, y llegó con severa sonrisa,
grité, Alberti! y con manos de cuarzo
acudió la poesía.

Labriegos, carpinteros,
pescadores,
torneros, maquinistas,
alfareros, curtidores:
se iba poblando el barco
que partía a mi patria. Yo sentía en los dedos
las semillas
de España
que rescaté yo mismo y esparcí
sobre el mar, dirigidas
a la paz
de las praderas.


in


02.09.1939. Neruda e a chegada, ao Chile, de exilados da Guerra Civil Espanhola

La historia del Winnipeg

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Lorca - Viva la vida!

 
  • Gustavo Carneiro 



Viva la vida!

Não é possível saber se foi ao som do tão famoso quão tenebroso grito de Viva la Muerte! que os fascistas assassinaram, faz hoje 70 anos, Federico Garcia Lorca, um dos mais notáveis poetas e dramaturgos espanhóis e um empenhado combatente pela república democrática e apoiante da Frente Popular. O crime foi cometido às escondidas e o seu cadáver permanece ainda hoje em local incerto, muito provavelmente enterrado no local da execução, algures nas montanhas a norte da cidade andaluza.

Durante anos os contornos da sua execução permaneceram envoltos em mistério. Obra de grupos falangistas mais ou menos arrivistas, diziam uns; querelas familiares antigas, garantiam outros. Documentos da polícia de Granada publicados em 2015 pelo jornal britânico Guardian vieram confirmar o que há muito se suspeitava: a captura e posterior fuzilamento do autor de A Casa de Bernarda Alba resultaram de ordens expressas das autoridades militares fascistas de Granada.

Federico Garcia Lorca nunca foi «político», no sentido mais estrito do termo. Foi, sim, como o próprio dizia, um revolucionário – pois «não há verdadeiro poeta» que não o seja. O que é certo é que as suas convicções políticas, concepções culturais e postura pessoal e artística eram em tudo opostas à Espanha clerical e conservadora que os fascistas se esforçavam por manter e em muitos aspectos recuperar. Em muitos dos seus poemas e peças teatrais criticava severamente a moral conservadora, machista e classista que permanecia no seu país, ao mesmo tempo que exaltava a influência cigana e muçulmana na cultura andaluza e as virtudes das classes populares.

A cultura nova, democrática e progressista por que se batia tinha raízes profundas na cultura dos povos de Espanha.

Cultura é factor de progresso 
Com a instauração da II República, em Abril de 1931, o poeta nascido em Fuentevaqueros empenhou-se com particular ardor num vasto conjunto de projectos culturais progressistas e de educação popular, percorrendo o país para participar em conferências e sessões e ajudando a fundar um grupo de teatro itinerante, La Barraca, que privilegiava as apresentações nas zonas rurais desfavorecidas.

Numa das sessões, na sua terra natal, onde foi inaugurar a primeira biblioteca pública, pôs em evidência o papel que, em sua opinião, a cultura desempenha na libertação e emancipação das classes laboriosas: «Esta biblioteca tem de cumprir um fim social, porque se cuidar e der alento ao número de leitores, e pouco a pouco se for enriquecendo com obras, dentro de alguns anos já se notará na aldeia, não tenhais dúvida, um maior nível cultural. E se esta geração que me ouve não aproveita por falta de preparação tudo o que os livros lhe podem dar, aproveitarão os seus filhos. Porque é necessário que saibam todos que os homens não trabalham para si, mas sim para os que vêm atrás e que este é o sentido de moral de todas as revoluções e, em última instância, o verdadeiro sentido da vida.»

Garantindo que «os avanços sociais e as revoluções se fazem com livros», Lorca acrescentaria no mesmo discurso ao povo de Fuentevaqueros que «de nada servem as armas e o sangue se as ideias não forem bem orientadas e bem digeridas nas cabeças. E que é preciso que os povos leiam para que aprendam não só o verdadeiro sentido da liberdade, mas também o sentido actual da compreensão mútua e da vida». 

Poesia de esperança 
O trágico destino do poeta foi partilhado por muitos compatriotas seus – operários e camponeses, trabalhadores dos serviços e comerciantes, profissionais liberais e intelectuais – que nesses primeiros dias da Guerra Civil se encontravam nas regiões ocupadas pelas tropas fascistas sublevadas em Julho de 1936. Nos meses e anos que se seguiram, muitos outros, espanhóis e membros das heróicas Brigadas Internacionais, de diferentes nacionalidades, tombaram nas duras e decisivas batalhas em defesa da República e contra o fascismo – que, como era já então evidente, ambicionava bem mais do que a mera subjugação da Espanha republicana.

A vitória franquista, só possível graças à intervenção das forças nazi-fascistas alemãs e italianas e à criminosa «política de neutralidade» da França, Grã-Bretanha e EUA, constituiu um estímulo ao desencadear da cruzada anticomunista e antidemocrática de Hitler e dos poderosos interesses económicos que este servia. Não por acaso, a Segunda Guerra Mundial começaria pouco depois de resolvida a questão espa

Sete décadas após o assassinato daquele que foi uma das mais famosas vítima do fascismo em Espanha, permanecem o exemplo e as palavras do poeta que uma vez disse que «o mais terrível dos sentimento é o de ter a esperança perdida». Sigamos o conselho.

http://www.avante.pt/pt/2229/argumentos/141663/

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Arriba Garcia Lorca !




o tempo das cerejas*

um blogue de esquerda em homenagem à Comuna de Paris

19/08/11

Nos 75 anos da sua execução pelos franquistas



Arriba Garcia Lorca ! 




Ana Belém canta Herido de Amor de Federico Garcia Lorca

domingo, 3 de outubro de 2010

Federico García Lorca morte e liberdade, por Eliane Gonçalves



Dossiê Lorca
Federico García Lorca morte e liberdade
Eliane Gonçalves
Si pudiera llorar de miedo en una casa sola,si pudiera sacarme los ojos y comérmelos, lo haría por tu voz de naranjo enlutado y por tu poesía que sale dando gritos ...1
(Pablo Neruda)
Na obra Confesso que vivi, Pablo Neruda diz que, de todos os poetas da Espanha, Federico era o mais amado, o mais querido e o mais semelhante a um menino por sua alegria maravilhosa, e se pergunta: “Quem poderia crer que tivesse sobre a terra, e sobre sua terra, monstros capazes de um crime tão inexplicável?”
Há relatos2 de que o próprio general Francisco Franco tenha se surpreendido com o assassinato e se esforçado para explicá-lo, encontrando no “caos” da época motivos suficientes para justificá-lo.
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Mas uma coisa é inegável: sua morte foi “conseqüência de feridas de guerra”, como aparece em seu atestado de óbito, uma guerra que não aconteceu em campos de batalha tradicionalmente conhecidos nem foi fruto das políticas da época, mas conseqüência de seu espírito revolucionário, que buscou durante toda a vida defender os mais indefesos, as minorias, as diferenças. “Yo nunca seré político. Yo soy revolucionario porque no hay verdadero poeta que no sea revolucionario.”3 García Lorca foi revolucionário em suas idéias, em suas palavras e em sua obra.
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O menino alegre, defensor eterno de sua querida Granada, de sua terra e de sua gente, que escreveu:
Oye, hijo mío, el silencio.
Es un silencio ondulado,
un silencio
donde resbalan valles y ecos
y que inclina las frentes
hacia el suelo4
Foi silenciado por forças autoritárias que não pouparam grandes vozes espanholas. Como Federico, outros intelectuais da época foram perseguidos, processados, deportados e mortos. Apesar dos tiros que ecoaram naquela madrugada pelos vales verdes de Granada, o silêncio foi soberano e permaneceu na vida de Espanha não só durante a Guerra Civil Espanhola, mas também depois, durante o período franquista. Federico dizia não se preocupar com a morte. “No me he preocupado de nacer, tampoco me preocupo de morir”, havia dito a um amigo. Entretanto, a morte o surpreendeu. A mesma morte que, de forma jocosa mas obsessiva, simulava com seus amigos nos tempos da “resi”5 em Madrid e que muitas vezes parece ter prenunciado: “La elipse de un grito, va de monte a monte/Desde los olivos, será un arco íris negro sobre la noche azul”6 A exclamação presente no último verso deste poema revela a surpresa de uma morte não esperada:
Si muero,
Dejad el balcón abierto.
El nino come naranjas.
(Desde mi balcón lo veo.)
El segador siega el trigo.
(Desde mi balcón lo siento.)
¡Si muero,
dejad el balcón abierto!7
Embora afirmasse não ser político, ele sempre esteve envolvido com personagens ilustres da história política da Espanha. Era cunhado de Montesinos, assassinado logo depois de aceitar o cargo de prefeito de Granada, cargo que há anos não tinha um representante, e primo de Fernando de los Ríos8 , processado por Primo de Rivera logo que este assumiu o poder em 1923. Além daqueles com quem mantinha laços familiares, esteve sempre ao lado de muitos amigos que simpatizavam com o comunismo.
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Federico esteve presente em diversas manifestações de cunho altamente político. Participou publicamente das comemorações pela proclamação da República que ocorreram no dia 14 de abril de 1931. No dia 12, as eleições haviam garantido o desejo republicano do povo, depois de ter vivido uma longa ditadura com o governo Primo de Rivera. Antes, havia viajado para Nova York e presenciado o crash da bolsa que levou ao desespero milhares de pessoas. Este episódio o modificaria para sempre como pessoa e como poeta. Em 1935 Federico assinou o manifesto antifascista juntamente com Manuel Machado, Rafael Alberti e Miguel Hernández. Mais tarde, já em março de 1936, foi com seu amigo, o poeta Rafael Alberti, a um encontro da Frente Popular – que havia ganhado as eleições em fevereiro - para um ato em prol da Solidariedade Internacional. Nessa reunião, a Frente Popular se solidarizava com Luiz Carlos Prestes, que havia sido preso pelo governo de Getúlio Vargas junto com outros 17.000 trabalhadores brasileiros. Ao final da reunião, Lorca foi chamado, para que todos ouvissem a voz dos poetas espanhóis, e leu o poema “Romance de la Guardia Civil Espanhola”9 :
Los caballos negros son.
Las herraduras son negras.
Sobre las capas relucen
manchas de tinta y de cera.
Tienen, por eso no lloran,
de plomo las calaveras.
Con el alma de charol
vienen por la carretera.
Jorobados y nocturnos,
por donde animan ordenan
silencios de goma oscura
y miedos de fina arena.
Pasan, si quieren pasar,
y ocultan en la cabeza
Una vaga astronomía
de pistolas inconcretas...
Escritos anteriormente, mas dentro de um contexto de opressão como aquele, estes versos, que foram dedicados à causa da Frente Popular naquele momento, ilustraram perfeitamente a situação caótica que estava por vir.
Foto: Guerra Civil Espanhola. Federico García Lorca foi
morto por tropas falangistas no dia 19 de agosto de 1939.
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Os cavalos negros da guarda civil que pisotearam o talento de Lorca trouxeram o medo, a delação gratuita e a incerteza para a nação espanhola. Durante todo o regime de Franco ecoaram os versos finais da peça Mariana Pineda, que Lorca havia escrito em 1925:
¡Oh, qué día tan triste en Granada,
que a las piedras hacía llorar,
al ver que Marianita se muere
en cadalso por no declarar!10
A liberdade tão almejada pelo poeta e presença freqüente em sua obra se esvaiu, dia a dia, desde os primeiros momentos da guerra civil.
Teatro e poesia não se separam na obra de Lorca.
¡Yo soy la Libertad porque el amor lo quiso!
¡Pedro! La Libertad, por la cual me dejaste.
¡Yo soy la Libertad, herida por los hombres!
¡Amor, amor, amor, y eternas soledades!
Os gritos de liberdade que Mariana Pineda entoa ao final da obra dramatúrgica do poeta resumem a essência de Federico García Lorca, para quem viver era o mais importante, para quem a liberdade era um nome próprio, uma herança que deveria ser passada de geração em geração e que também se traduzia pela palavra justiça: “Siempre seré partidario de los que no tienen nada. Justicia para todos”11 .
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Seus poemas não são panfletá- rios, não são politicamente engajados. São, antes, a expressão de um amante da vida, de sua terra, de seu povo e de suas raízes. Eles cantavam os valores dos homens, independente de raça ou de credo, e por vezes mostravam aspectos da vida cotidiana em suas mais distintas representações. Entretanto, Federico não deixou de fazer críticas à hipocrisia. Criticou o conservadorismo das cidades e questionou o cristianismo que imperava em Granada. Segundo ele, a presença de Fernando e Isabel fora um “momento malísimo” na história da cidade e a burguesia que ali vivia era a pior da Espanha.12
El río Guadalquivir
va entre naranjos y olivos.
Los dos ríos de Granada
Bajan de la nieve al trigo.
¡Ay, amor
que se fue y no vino!
El río Guadalquivir
Tiene las barbas granates,
los dos ríos de Granada
uno llanto y otro sangre...13
Federico dizia que não era cigano, mas sim andaluz, ainda que isto tivesse algo de cigano14 . Em sua poesia vemos representados as personagens e os elementos desse universo, como a lua, a água, a faca, a guitarra, os cavalos:
Noche de cuatro lunas
y un solo árbol,
con una sola sombra
y un solo pájaro15 .
É também sempre recorrente o tema da morte:
Verde que te quiero verde.
Verde viento. Verdes ramas.
El barco sobre la mar
Y el caballo en la montaña.
Con la sombra en la cintura,
Ella sueña en su baranda,
Verde carne, pelo verde,
Con ojos de fría plata.16
Em 1931, Federico publica na Revista de Occidente o poema “Muerte”, que comporia a antologia Poeta en Nueva York, publicada postumamente (1940), mas projetada em vida por Federico e considerada por ele sua melhor obra:
¡Qué esfuerzo!
¡Qué esfuerzo del caballo por ser
perro!
¡Qué esfuerzo del perro por ser golondrina!
¡Qué esfuerzo de la golondrina por ser abeja!
¡Qué esfuerzo de la abeja por ser caballo!
Os poemas que compõem essa obra foram escritos a partir de uma técnica surrealista com o objetivo de expressar seu rechaço pela civilização capitalista, pelas sociedades industrializadas, desumanizadas, não-solidárias e promotoras de injustiças sociais. A reação das pessoas à quebra da bolsa de Nova York havia causado em Federico uma enorme indignação. Ele não conseguia compreender o caos gerado por um fator de ordem econômica nem a maneira pela qual as pessoas viviam numa sociedade capitalista como aquela. Sua Granada havia sido um lugar mais acolhedor, pelo menos até aquele momento. Poeta en Nueva York é o resultado de seu desejo de não ficar impassível. Trata-se de uma obra de reivindicação social hermética, na qual o poeta se manifesta aberta e contundentemente a favor dos oprimidos.
Debajo de las multiplicaciones
hay una gota de sangre de pato;
debajo de las divisiones
hay una gota de sangre de marinero;
debajo de las sumas,
un río de sangre tierna.
Un río que viene cantando
por los dormitorios de los arrabales,
y es plata, cemento o brisa
en el alba mentida de New York.17
Em julho de 1936, Lorca volta pela última vez à sua cidade, onde é preso pelos fascistas, acusado de fazer espionagem para os russos, de ser secretário de Fernando de los Ríos e de ser homossexual. Na verdade, ele foi preso por defender os oprimidos e as minorias, por respeitar as diferenças, por defender a justiça. Foi preso por cantar a liberdade.
Se le vio, caminando entre fusiles
por una calle larga,
salir al campo frío,
aún con estrellas, de la madrugada.
Mataron a Federico
cuando la luz asomaba.
El pelotón de verdugos
no osó mirarle a la cara.
Todos cerraron los ojos;
rezaron: ¡ni Dios te salva!
Muerto cayó Federico
- sangre en la frente y plomo en las entrañas.
... Que fue en Granada el crimen
sabed - ¡pobre Granada! -, en su
Granada!...18
A vida de um dos maiores poetas da literatura espanhola se desfecha como sugerem estes versos de Antonio Machado, e nesse momento a história de vida e morte de Federico García Lorca poderia ser mais uma de suas poesias ou de suas obras teatrais.
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A morte, recorrente na trama lorquiana, torna-se um elo semiótico entre os gêneros da poesia e da dramaturgia, para a solução do clímax tensivo de seus textos.
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É importante observar que muitos poemas lorquianos subvertem o subjetivismo por meio da exposição da emoção, usando o diálogo como uma estratégia dramatúrgica.
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Nesses poemas, assim como no teatro, Lorca coloca em diálogo diferentes paradigmas, que poderiam ser identificados como “conservador” e “revolucionário”. No paradigma conservador encontram-se concatenados os valores sustentados pela moral católica e burguesa do início do século XX. Já no paradigma referido como “revolucionário” estão representadas as vozes de todos aqueles que não tinham seus interesses protegidos pela jurisdição e pelos costumes da época, dentre eles as mulheres, os homossexuais e os ciganos. Sua poesia é carregada de elementos ciganos e de personagens femininas muito fortes, que por vezes rompem os modelos estabelecidos pela sociedade da época e se autodenominam Libertad.
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A identidade semântica existente entre esses três grupos estava centrada na posição que ocupavam. Estavam à margem da sociedade legal, contemplada pelo jogo político. Entretanto, essas vozes não se articulavam sob a teia coerente de teses políticas, mas ganhavam coesão por meio da sedimentação que a sensibilidade era capaz de obter dos fatos cotidianos e dos relatos jornalísticos, que constituíram a base de alguns poemas e da obra teatral “Bodas de sangre”.
Federico García Lorca deu ressonância à sensibilidade de grupos não contemplados pela moral burguesa e pela literatura. A literatura do início do século XX respeitava os preceitos de harmonia e de verdade absoluta, tão caros ao idealismo filosófico e aos dogmas da igreja católica. Como expor, então, o conflito oriundo da presença real de indivíduos e de grupos que precisam estar ausentes do quadro social dito ideal? Sua sobrevida, sua luta clamando por um espaço social inexistente só poderia ser resolvida com a morte e com o silêncio.
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O cotidiano ideal da literatura encontra em Lorca um contraponto por meio do cotidiano real do jornal, descrito de forma poética, capaz de atravessar a fronteira do relato e de assumir a atemporalidade e a universalidade do verso. Por não expor teses, mas apenas uma emoção irracional captada por sua sensibilidade, Lorca não compunha versos engajados e, portanto, não articulava uma postura poética panfletária.
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Sua poesia está imune às convulsões sociais sem deixar de estar atenta ao interior das casas, das famílias e dos grupos. Apesar de não tratar diretamente das classes sociais, é proselitista na medida em que assume as causas de todos aqueles que os quadros políticos simplesmente consideram inexistentes.
Lorca expõe esses elementos, traz à luz as suas paixões e os meios pelos quais tentam conviver com os representantes do paradigma conservador.
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O destino inevitável para esse estágio tensivo dos textos é a morte - verde, fria e prateada -, a eliminação física e o silêncio, solução poética que não deixava impune o modelo conservador, pois expunha a desarmonia escondida através de violenta mutilação, atrás do pano de fundo em que se encontravam os dogmas católicos e os pilares que a própria sociedade espanhola aceitava ver.
Esta intervenção cirúrgica presente no final das tramas gerava uma hemorragia incontrolável, que induzia tanto à catarse do leitor e do público quanto à rejeição, ao repúdio por parte de todos aqueles que se encontravam aferrados à idéia de sociedade ideal preconizada pela Igreja.
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A liberdade se reafirmava pelo silêncio que ressoava na mente de seu público ao final de sua poesia ou de sua dramaturgia, a existência negada dos anseios mais profundos das mulheres, dos homossexuais, dos amantes, da irracionalidade dos sentimentos envolvidos nas paixões. Sugeria ser a negação concretizada pela morte a recorrência trágica e fatal da intolerância e, ao representar a ferida, acaba sendo proselitista a favor das causas dos excluídos.
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Federico humano vive o destino irrefreável dado por sua própria poesia - o silêncio. A sua poesia, contudo, segue como voz inabalável de sua rica existência. 
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A MONJA GITANA
A José Moreno Villa
SILÊNCIO de cal e mirto
Malvas entre as ervas finas.
Um ataúde com rodas é a cama
às cinco horas da tarde.
Ossos e flautas soam-lhe ao ouvido
às cinco horas da tarde.
Por sua frente já mugia o touro
às cinco horas da tarde.
O quarto se irisava de agonia
às cinco horas da tarde.
De longe já se aproxima a gangrena
às cinco horas da tarde.
Trompa de lírio pelas verdes virilhas
às cinco horas da tarde.
As feridas queimavam como sóis
às cinco horas da tarde,
e as pessoas quebravam as janelas
às cinco horas da tarde.
Às cinco horas da tarde.
Ai que terríveis cinco horas da tarde!
Eram cinco horas em todos os relógios!
Eram cinco horas da tarde em sombra!
ROMANCE SONÂMBULO
A Gloria Giner e Fernando de los Ríos
VERDE que te quero verde.
Verde vento. Verdes ramas.
O barco no mar
e o cavalo na montanha.
Com a sombra na cintura
ela sonha em seu balcão,
verde carne, pêlo verde,
com olhos de fria prata.
Verde que te quero verde.
Sob a lua gitana,
as coisas a estão olhando
e ela não pode olhá-las.
*
Verde que te quero verde.
Grandes estrelas de escarcha,
vêm com o peixe de sombra
que abre o caminho da alba.
A figueira esfrega o seu vento
com a lixa de seus ramos,
e o monte, gato larápio,
eriça suas pitas acres.
Mas quem virá? E por onde…?
Ela continua em seu balcão,
verde carne, pêlo verde,
sonhando com o mar amargo.
Compadre, quero trocar
meu cavalo por sua casa,
meu arreio por seu espelho,
minha faca por sua manta.
Compadre, venho sangrando,
desde os portos de Cabra.
Se eu pudesse, mocinho,
esse trato se fechava.
Porém eu já não sou eu,
nem meu lar é mais meu lar.
Compadre, quero morrer
decentemente em minha cama.
De aço, se puder ser,
com os lençóis de holanda.
Não vês a ferida que tenho
do peito até a garganta?
Trezentas rosas morenas
traz o teu peitilho branco.
Teu sangue ressuma e cheira
ao redor de tua faixa.
Porém eu já não sou eu,
nem meu lar é mais meu lar.
Deixai-me subir ao menos
até as altas varandas,
deixai-me subir! deixai-me
até as verdes varandas.
Corrimões da lua
por onde retumba a água.
*
Já sobem os dois compadres
rumo às altas varandas.
Deixando um rastro de sangue.
Deixando um rastro de lágrimas.
Tremiam nos telhados
candeeirinhos de lata.
Mil pandeiros de cristal
feriam a madrugada.
*
Verde que te quero verde,
verde vento, verdes ramas.
Os dois compadres subiram.
O longo vento deixava
na boca um raro gosto
de fel, de menta e alfavaca.
Compadre! Onde está, dize-me?
Onde está a tua jovem amarga?
Quantas vezes te esperou!
Quantas vezes te esperara,
rosto fresco, cabelo negro,
nesta verde varanda!
*
Sobre a boca da cisterna
embalava-se a gitana.
Verde carne, pêlo verde,
com olhos de fria prata.
Um carambano de lua
sustenta-a sobre a água.
A noite tomou-se íntima
como uma pequena praça.
Os guardas, bêbedos,
davam murros na porta.
Verde que te quero verde.
Verde vento. Verdes ramas.
O barco no mar.
E o cavalo na montanha.
O SANGUE DERRAMADO
Não quero vê-lo!
Dize à lua que venha,
que não quero ver o sangue
de Ignacio sobre a areia.
Não quero vê-lo!
A lua de par em par.
Cavalo de nuvens quietas,
e a praça cinza do sonho
com salgueiros nas barreiras,
Não quero vê-lo!
Que se me queima a recordação.
Avisai aos jasmins
com sua brancura pequena!
Não quero vê-lo!
A vaca do velho mundo
passava a língua triste
sobre um focinho de sangues
derramados sobre a areia,
e os touros de Guisando,
quase morte e quase pedra,
mugiram como dois séculos
fartos de pisar a terra.
Não.
Não quero vê-lo!
Pelos degraus sobe Ignacio
com toda sua morte às costas.
Buscava o amanhecer,
e o amanhecer não era.
Busca o seu perfil seguro,
e o sonho o desorienta.
Buscava o seu formoso corpo
e encontrou seu sangue aberto.
Não me digais que o veja!
Não quero sentir o jorro
cada vez com menos força;
esse jorro que ilumina
os palanques e se verte
sobre a pelúcia e o couro
de multidão sedenta.
Quem grita que eu apareça?
Não me digais que o veja!
Não se fecharam seus olhos
quando viu os chifres perto,
mas as mães terríveis
levantaram a cabeça.
E através das manadas,
houve um ar de vozes secretas
que gritavam a touros celestes,
maiorais de pálida névoa.
Não houve príncipe em Sevilha
que comparar-se-lhe possa,
nem espada como a sua espada
nem coração tão deveras.
Como um rio de leões
sua maravilhosa força,
e como um torso de mármore
sua marcada prudência.
Um ar de Roma andaluza
lhe dourava a cabeça
onde seu riso era um nardo
de sal e de inteligência.
Que grande toureiro na praça!
Que grande serrano na serra!
Quão brando com as espigas!
Quão duro com as esporas!
Quão temo com o rocio!
Quão deslumbrante na feira!
Quão tremendo com as últimas
bandarilhas tenebrosas!
Porém já dorme sem fim.
Já os musgos e já a erva abrem
com dedos seguros
a flor de sua caveira.
E o sangue já vem cantando:
cantando por marismas e pradarias,
resvalando por chifres enregelados,
vacilando sem alma pela névoa,
tropeçando com cascos aos milhares
como uma longa, escura, triste língua,
para formar um charco de agonia
junto ao Guadalquivir das estrelas.
Oh! branco muro de Espanha!
Oh! negro touro de pena!
Oh! sangue duro de Ignacio!
Oh! rouxinol de suas veias!
Não.
Não quero vê-lo!
Não há cálice que o contenha,
não há andorinhas que o bebam,
não há escarcha de luz que o esfrie,
não há canto nem dilúvio de açucenas,
não há cristal que o cubra de prata.
Não.
Eu não quero vê-lo!!
BIBLIOGRAFIA
EISENBERG, Daniel. “Unanswered questions about Lorca's death”. In: Angélica [Lucena, Spain], 1, 93-107. Também disponível na página da web: http://users.ipfw.edu/jehle/ deisenbe/Lorca/Unanswered_Questions_about_Lorca's_Death.htm
GARCÍA LORCA, Federico. Romancero gitano. Madrid, Alianza Editorial, 1999.
____________. Poeta en Nueva York. Madrid, Cátedra, 1998.
____________. Poema del Cante Jondo. Madrid, Alianza Editorial, 1982.
_____________. Obras completas. Madrid, Aguilar, 1980.
_____________. Canciones. Madrid, Alianza Editorial, 1981.
GIBSON, Ian. Vida, pasión y muerte de Federico García Lorca. Barcelona, Plaza & Janés, 1998.
MACHADO, Antonio. Antologia poética. Madrid, Alianza Cien, 1995.
NERUDA, Pablo. Confesso que vivi. São Paulo/Rio de Janeiro, Difel, 1980.
NERUDA, Pablo. “Oda a Federico García Lorca”. In: Residencia en la tierra. Madrid, Cátedra, 1996.
NOTAS
1 “Oda a Federico García Lorca”, em Residencia en la tierra, de Pablo Neruda, 1935.
2Vida, pasión y muerte de Federico García Lorca, Ian Gibson.
3 Vida, pasión y muerte de Federico García Lorca, Ian Gibson.
4 “El silencio”, em Poema del Cante Jondo, 1921.
5Residência de estudantes em Madrid, onde estudou e conheceu Salvador Dali e Luis Buñuel.
6“El grito”, em Cante Jondo, 1921.
7“Despedida”, em Canciones, 1921-1924.
8Em 1931, Fernando de los Rios será ministro de estado e concederá a Lorca condições de montar “La barraca”, companhia de teatro que viajaria por todos os rincões da Espanha.
9Publicado em Primer romancero gitano, 1924-1927.
10“Mariana Pineda”, obra teatral.
11Vida, pasión y muerte de Federico García Lorca, de Ian Gibson.
12Unanswered questions about Lorca´s death, de Daniel Eisenberg.
13“Baladilla de los tres ríos, em Poema del Cante Jondo, 1921.
14Esta declaração aparece em “Itinerarios jóvenes de España: Federico García Lorca”, no apêndice da obra Romancero gitano, Alianza Editorial, 1999.
15“Murió al amanecer”, em Canciones, 1924-1927.
16“Romance sonâmbulo, em Romancero gitano.
17“Nueva York (Oficina y Denuncia)”, em Poeta en Nueva York, 1940.
18“El crimen”, em El crimen fue en Granada, de Antonio Machado, 1936.
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http://www.apropucsp.org.br/revista/rcc01_r14.htm
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segunda-feira, 12 de julho de 2010

~ Jotas Navarras ~ Raimondo Lanas



En los montes de Navarra
tengo plantada una flor;
si el aire la bambolea,
desde aquí siento el olor.
Cojo la vara y mi carro
y voy por la carretera;
no hay venta en que no me pare
ni moza que no me quiera.
Quisiera volverme hiedra,
y subir por las paredes,
y entrar en tu habitación,
por ver el dormir que tienes.
De las rías de Galicia,
con la de Lérez me quedo;
porque en su margen nació
la mujer que yo más quiero.
¡Qué delantal más tirano
que llevan las tudelanas,
por la mañana temprano
cuando van a la Mejana!
Adiós, puente de Tudela,
torre de la catedral,
al viento lanzo un suspiro
por si no te viera más.
Por la sal que andando tiene
y la luz que hay en su cara,
por querer como ella quiere
bien se ve que es de Tafalla.
Tengo un hermano en el Tercio
y otro tengo en Regulares
y el hermano más pequeño
preso en Alcalá de Henares.
Una noche en Lagunera,
noche de nieve y de frío,
La calle de mi morena
no era calle, que era un río.
A tu pelo de azabache
Y a tu carica de flor,
una boina pamplonesa
es el adorno mejor.
Dice que me ha de matar
un majo de una estocada;
yo le perdono la vida,
si me la da cara a cara.
Mi guitarra navarrica
ríe o llora, gime o canta,
según tu cara bonita
me acaricia o me maltrata.
Esta es la jota navarra
que cantan los tudelanos,
cuando van a la Mejana
por la mañana temprano.
El querer sin esperanza
es el más lindo querer;
yo te quiero y nada espero,
mira si te quiero bien.
Aunque nevaba y llovía
atravesé las Bardenas;
Pero como te iba a ver,
me pareció primavera.
La jota navarra tiene
algo misterioso y grande,
desde que fue la oración
con que rezaba Gayarre.
En las orillas del Arga
las golondrinas cantaban;
y en sus trinos repetían:
¡qué hermosa tierra es mi Navarra!
Las cadenas de las Navas
no son cadenas de esclavos;
son las pruebas del valor
que derrochan los navarros.
Noche de luna en verano,
paseo por el Roncal;
y lejos se oye el recuerdo
de Gayarre en un cantar.
Yunque y martillo forjaron
la voz de Julián Gayarre;
por eso ha quedado un eco
que no hay otra voz que apague.
Dos hombres tuvo Navarra
que le hicieron inmortal:
el famoso Sarasate
y Gayarre el del Roncal.
Cuando templa un navarrico
la guitarra entre sus manos,
de sus cuerdas sale un grito:
¡vivan los Fueros navarros!
De Murillo salí al mundo
y a mi tierra he de volver.
Mal hijo quien a su madre
no quiere venir a ver.
En la Rochapea hay riña,
¿Quién baja a la Rochapea?;
bajaré yo, y con la jota
acabará la pelea.
No podréis con las virtudes
que atesoran los navarros;
vencen porque son creyentes,
duros y disciplinados.
Montejurra, las Bardenas,
el Perdón y el Carrascal,
tierra de fibra y entrañas
que nadie profanará.
Paisanos de mi Ribera,
de la Améscoa y del Baztán,
me descubro ante vosotros,
¡Viva Navarra inmortal!
Cuando esta copla la cante
mi trino de ruiseñor,
di que van siempre p'alante
Navarra, Fueros y Dios
Entre todas las regiones,
Navarra es la que prefiero;
ya que nacer dentro de ella
es nacer dentro del Cielo.
El navarro que es navarro
concentra su corazón
en su cuna y en los suyos,
en sus Fueros y en su Dios.
Eslava nació en Burlada
y Gayarre en el Roncal;
en Pamplona, Sarasate,
calle de San Nicolás.
Peralta, la de la jota,
La de los ajos Corella,
Lodosa la del canal,
la de las rosas Tudela.
Me dicen el calavera
porque al Tercio me marché;
no me fui por calavera
que fue por una mujer.
Volverás por donde fuiste;
porque los remordimientos
hacen que se vuelvan buenos
a los malos pensamientos.
A la fuente voy y bebo
y el agua no la aminoro,
porque yo la restituyo
con las lágrimas que lloro.
Si canto me dicen loco,
y si no canto, cobarde;
si bebo vino, borracho;
si no bebo, miserable.
Una rosa del Moncayo
hecha de nieve y de fuego,
he de darte. vida mía,
el día que nos casemos.
Pamplona tiene cadenas,
y Tudela su Mejana;
pero tú a mi no me tienes,
porque no te da la gana.
Corazón, de qué te quejas
Si te ves triste y penando,
más de cien ya te dijeron
que el amor da desengaños.
¿De dónde has sacado tú,
Pamplonesa, tanta sal?
la gracia que tú derramas
Sevilla quiere comprar.
El que quiera ser valiente,
jugarse la vida en broma,
que vaya a ver el encierro
de los toros en Pamplona.
¡Cómo quieres que yo cante
ni que temple mi guitarra,
si es San Fermin y estoy lejos
de la capital navarra!
Pamplona siete de julio,
cantan los mozos y mozas;
los de la Montaña en vasco,
los de la Ribera en jotas.
Canta cardelina, canta,
canta tu bella canción,
que no quiero que se entere
que no puedo cantar yo.
Ya vienen los segadores
de segar de los Monegros,
sólo por venirte a ver
niña de los ojos negros.
Dios al crear nuestro suelo
del Cielo un jirón desgarra;
y por su fe lo da entero
a su adorada Navarra.
La luz faltará a mis ojos,
y la energía a mi cuerpo;
pero mi amor por Navarra
es mayor cuanto es más viejo.
Como cantaba Gayarre,
ya nadie ha vuelto a cantar;
que por algo era navarro
y del Valle de Roncal.
Eslava, asombro de España,
y Sarasate del mundo;
y de Navarra la jota
que canta Murillo el Fruto.
En Tudela y en Pamplona,
en Murillo y en Tafalla,
se canta una jota y dice:
¡qué hermosa tierra es Navarra!
Las cadenas del escudo
las ganamos peleando;
del mismo hierro está hecho
el pecho de los navarros.
Aguas del Ega y del Arga,
del Ebro y del Aragón,
corred y decidle al mundo
si tenemos corazón.
Las canciones de Navarra
tienen aromas del campo,
las ternezas de una madre
y los arrestos de un bravo.
Cuatro líneas un cantar,
que en si lleva pura esencia;
yo se lo ofrezco a mi madre,
navarra de pura cepa.
Nací en Murillo el Fruto,
y Navarra es la que quiero;
porque, siendo de esa tierra,
todo es .
El escudo los navarros
lo ganaron en Las Navas,
rompiendo gruesas cadenas
que aprisionaban a España
Para gustarme la jota,
además de bien cantada,
tiene que expresar la copla
alma y brío de la raza.
Franco llevaba el volante,
Ruiz de Alda lo guiaba,
Y al compás de los motores
Rada la jota cantaba.
Yo la vi, morena y clara
paseando por Tudela:
y a partir de aquella hora
sólo sé pensar en ella.
La calle de la amargura
fue aquella calle de Viana
Cuando la VI del bracete
Del hombre con quien se casa.
Lo mejor de España, el Norte,
y del Norte, mi Navarra;
y de Navarra es sin duda
Murillo el Fruto y su raza.
Por San Fermin en Pamplona,
en Tudela por Santa Ana,
por Santa Ursula en Murillo,
viva España y mi Navarra.
Por el Norte los navarros
escardan la mala hierba;
si queréis hombres de temple,
acordaos de mi tierra.
Volverá la primavera,
ya verás con cuántas flores;
y arderá el corazón mío
al calor de tus amores.
Tengo la nena más maja
nacida mientras la guerra;
de gallega y de navarro
es la sangre de sus venas.
¿Por qué la jota navarra
se ha hecho tan popular?
porque la canta un navarro
con su estilo original.
De Estella me voy y dejo
en ella lo que más quiero;
Si no vuelvo que, me olviden,
Que yo no olvido si vuelvo.
Desde la margen del Ebro,
os traigo de mi Navarra
un saludo fraternal
pata la noble Vizcaya.
El Ebro nace en Castilla,
pasa por Rioja y Navarra,
Aragón y Cataluña;
es el Ebro media España.
Metido entre las Bardenas,
Murillo el Fruto mi tierra;
allí tengo yo a mi madre,
navarra de pura cepa.
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http://www.raimundolanas.com/obra.htm
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RelacionesInstitu | 25 de Agosto de 2009
El Gobierno de Navarra, organizó el 22 de noviembre de 2008 una gala de homenaje al jotero navarro Raimundo Lanas, con motivo de la conmemoración del centenario de su nacimiento.
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Charles (Charlie) Donnelly - Irish Poet and the spanish civil war songs

Charles (Charlie) Donnelly (1914 - 1937) was an Irish poet and left wing political activist. He was killed fighting on the republican side during the Spanish Civil War.

Spanish Civil War

In July 1936, on the outbreak of the Spanish Civil War, he urged the Republican Congress to send fighters to the International Brigades. He himself returned to Dublin with the intention of organising such a force. By the end of 1936, he had gone again to London and joined the Brigades. He reached Spain on 7 January 1937 and at Albacete, met up with an Irish contingent, led by his friend Frank Ryan, known as the Connolly Column who had come to Spain to fight on the Republican side. Donnelly and his comrades were attached to the American Abraham Lincoln Battalion.
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On 15 February, after receiving only rudimentary military training, the Abraham Lincoln battalion was thrown into the battle of Jarama, near Madrid. Donnelly reached the front on 23 February, where he was promoted to the rank of field commander. On 27 February his unit were sent on a frontal assault on the Nationalist positions on a hill named Pingarron. Donnelly and his unit were pinned down by machine gun fire all day. In the evening, the Nationalists launched a counter-attack.
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Related Topics:
Battle of Jarama - Madrid
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A Canadian veteran recalled, "We ran for cover, Charlie Donnelly, the commander of an Irish company is crouched behind an olive tree. He has picked up a bunch of olives from the ground and is squeezing them. I hear him say something quietly between a lull in machine gun fire: Even the olives are bleeding (quoted in Joseph O'Connor, Even the Olives are Bleeding - the life and times of Charles Donnelly, p.105). The line would later become famous. A few minutes later, as his unit retreated, Donnelly was caught in a burst of gunfire. He was struck three times, in the right arm, the right side and the head. He collapsed and died instantly. His body lay on the battlefield until it was recovered by fellow Irish Brigader Peter O'Connor on 10 March. He was buried at Jarama in an unmarked grave with several of his comrades. A sister, Christine lives in Dublin, and a brother, Tony, and sister Carmel live in England.
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The collection of his work, The Life and Poems, was published in 1987. On the eve of the 71st anniversary of his death, 26 February 2008, Charles was commemorated with the unveiling of a plaque in his alma mater, UCD, attended by 150 people. The commemoration, organised jointly by a group of UCD students and the Donnelly family, was hosted by the School of English and also included a lecture by Gerald Dawe on Charlie's life and poetry. In April 2008, the UCD Branch of the Labour Party was renamed the Charlie Donnelly Branch in his honour.
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http://www.spiritus-temporis.com/charles-donnelly-poet-/spanish-civil-war.html
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"There is a valley in Spain called Jarama ... And most of our old age as well" (Há em Espanha um vale chamado Jarama. É um lugar que todos conhecemos muito bem, porque foi nele que perdemos a nossa juventude e, também, grande parte do nosso passado ...)
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DubRepublicanMedia | 14 de Setembro de 2008
Music video about the Irish volunteers in the Spanish Civil War. Music by Pól McAdam.
The Civil War in Spain (Irish Tribute)
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eyeries1 | 10 de Maio de 2009
Dedicated to the memory of all the International Volunteers who went to fight the Fascists in theSpanish Civil war, expecially the Volunteers of the Connolly Column from Ireland and our old friend and comrade Clarence Kailin, International Brigadista from Madison, Wisconsin, who heard us perform this song many times. Rest in Peace, Comrades. Hasta la Victoria siempre!
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Recorded live at the Irish Brigade reunion concert, May Day 2005. Sorry for the crowd noise, but it adds tothe Craic!Irish Brigade lineup at the Reunion Concert: Chas Moore Barb Tennis Kevin Donleavy Seoirse MacDomhnaill ("S.G.") Karen Andersen Gage Averill Bob Newton plus Kenny Perlow and John Kraniak from earlier lineups,and special thanks to Patrick Gray, session guitar.
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Number7smokesForEver | 6 de Julho de 2010
An excellent documentary chronicling the formation, history and exploits of the long forgotten Mackenzie-Papineau Battalion - one of the finest and most dedicated units of the legendary XV International Brigade that fought on the side of Republican Spain during the Spanish Civil War. The Battalion's namesake was inspired by the leaders of the failed 1837 Lower and Upper Canada Rebellions - William Lyon Mackenzie and Louis-Joseph Papineau respectively who sought to overthrow British colonial rule and establish an independent Canadian Republic based on the French model. Initially Canadian volunteers fought with the Abraham Lincoln Brigade. As the name suggests - this formation was primarily comprised of Americans but the Canadian volunteers initially enlisted and fought with this unit as did a large number of Irish volunteers informally known as the "Connolly Column" named after James Connolly - most of the Irish volunteers being members of the Irish Republican Army. While fighting with the American battalions significant numbers of Canadians fought at the fierce Battle of Jarama where at least nine were killed. Despite the government's strict neutrality and the new Foreign Enlistment Act which made it a criminal offence for a Canadian to enlist in a foreign army - by spring 1937 so many swelled the ranks of the American Lincoln Brigade that the formation of a distinctly Canadian battalion was authorized and in May 1937 the 60th Mackenzie-Papineau Battalion of the XV International Brigade was born. Though the large majority, the Mac-Pap Battalion was never entirely a Canadian formation. Many of its support, political and administrative staff remained American or Spanish. In addition it is quite possible that the battalion also included among its number a few Irish Republicans from the Connolly Column. Not all Canadians served with the Mac-Paps either. Even after the formation of the Canadian Battalion the American Battalion contained so many volunteers from Canada that they formed the 1st Canadian Company. Others fought as individuals in other national units of the International Brigades and in Spanish units such as Bill Williamson who was the first Canadian in Spain to fight. Despite this many platoons within the Mackenzie-Papineau Battalion bore a distinctly Canadian identity. A platoon in the 2nd Company was comprised entirely of Ukrainian-Canadians. The Battalion's Machine Gun Company was largely Finnish-Canadian led by Niilo Makela - the highest ranking Canadian in Spain. The Canadians of the International Brigades were the first Canucks to fight Fascism and more than half of the estimated 1,300 Canadian volunteers were killed before the International Brigades were withdrawn and disbanded in September 1938. Though most would say that Republican Spain's situation was beyond hope by this point, few would disagree that this move was nothing short of suicidal. The Mac-Pap veterans had a long and arduous journey home. Without funds they had to wait until the Communist Party and CCF (NDP of today) could raise enough money to pay their fare. It is said that upon their return to Canada only 30 men were capable of standing - the rest nursing wounds or too malnourished to walk. Instead of being heralded as heroes by the government the Mackenzie-Papineau veterans were persecuted following their return to Canada and often denied employment. Despite this many of the younger surviving Mac-Paps enlisted in the Canadian armed forces upon the outbreak of the Second World War but because of Communist and Socialist sympathies and age restraints (the majority of the volunteers were in their mid thirties) most were barred from enlisting in the Canadian Army. The Mac-Pap veterans would continue to fall under the suspicion of the RCMP for many years following the Second World War during the height of the Red Scare. Contrary to popular belief not all members of the International Brigades were Communists or Anarchists - they counted among their number Socialists, Liberals, Conservatives and the apolitical. What mattered is that they were all determined to destroy Fascism and restore Spanish democracy - and willing to die doing it. This documentary was produced the same year Francisco Franco died and democracy in Spain was indeed restored - it is a part of our history told by those who lived it and almost to a man are now gone and largely forgotten - having been shunned and demonized by successive Canadian governments despite their early and sacrificial stand for Democracy in what was the dress rehearsal of the Second World War. Regardless of whatever political affiliations these men may have had they deserve to be remembered with respect and admiration.
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pepsifunk | 21 de Setembro de 2006
This was actually just a prototype video for a school project thing which I didn't end up making. It was about the Spanish Civil War. I have left it up as it has proven to be quite popular for some strange reason.
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darklassik | 19 de Novembro de 2008
Clips from the Spanish Civil War. Songs: 'El Tercio' by Raimundo Lanas and 'El Gallo Rojo', a communist fight song during the Spanish Civil War.
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canadianpunk77 | 4 de Fevereiro de 2007
A collections of pictures dedicated to the bravery, valour and internationalism of the thousands of volunteers who fought for the Spanish Republic. Contains pictures of Canadian, Irish and American volunteers; along with Spanish loyalists.
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txemaprada | 20 de Março de 2007
"Viva la Quince Brigada" (Long Live the Fifteenth Brigade)
Dedicated to the bravery of the Irish Volunteers (1936-1939) who joined the 15th International Brigade supporting the Spanish Republic in the War of Spain against Franco´s fascist troops.

Many of those brave irish boys never came back to Ireland, giving the best of their youth to the spanish country....

VIVA LA QUINCE BRIGADA
Christie Moore

Ten years before I saw lhe light of morning
A comradeship of heroes was laid.
From every corner of the world came sailing
The Fifteenth Inlernational Brigade.

They came to stand beside the Spanish people.
To try and stem the rising Fascist tide
Franco's allies were the powerful and wealthy,
Frank Ryan's men came from the other side.

Even the olives were bleeding
As the battle for Madrid it thundered on.
Truth and love against the force af evil,
Brotherhood against the Fascist clan.

Vive La Quince Brigada!
"NO PASARAN" the pledge that made them fight.
"ADELANTE" was the cry around the hillside.
Let us all remember them tonight.

Bob Hillard was a Church of Ireland pastor;
From Killarney across the Pyrenees ho came.
From Derry came a brave young Christian Brother.
Side by side they fought and died in Spain.

Tommy Woods, aged seventeen, died in Cordoba.
With Na Fianna he learned to hold his gun.
From Dublin to the Villa del Rio
Where he fought and died beneath the Spanish sun.

Many Irishmen heard the call of Franco.
Joined Hitler and Mussolini too.
Propaganda from the pulpit and newspapers
Helped O'Duffy to enlist his crew.

The word came from Maynooth: 'Support the Fascists.'
The men of cloth failed yet again
When the bishops blessed the blueshirts in Dun Laoghaire
As they sailed beneath the swastika to Spain.

This song is a tribute to Frank Ryan.
Kit Conway and Dinny Coady too.
Peter Daly, Charlie Regan and Hugh Bonar.
Though many died I can but name a few.

Danny Doyle, Blaser-Brown and Charlie Donnelly.
Liam Tumilson and Jim Straney from the Falls.
Jack Nally, Tommy Patton and Frank Conroy,
Jim Foley, Tony Fox and Dick O'Neill.

Written in 1983
©Christy Moore
RG-Apr97
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apple0708 | 19 de Maio de 2010
Viva la Quinta Brigada (listed as Viva la Quince Brigade in later recordings) is a song about the Irishmen who fought in the Spanish Civil War against Franco. The title was inspired by a Spanish song about the war, 'Viva La Quinta Brigada'. Terry O'Neil sings this great song. I will be uploading more of his songs very soon his voice is superb so keep checking back or subscribe
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