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terça-feira, 17 de novembro de 2015

Quantas maneiras há de ler “O Principezinho”?


Há, pelo menos, mais uma. A "novíssima tradução" de Rui Santana Brito e Manuel S. Fonseca já chegou às livrarias, com uma capa preta original. Mostramos-lhe 16 ilustrações e excertos do texto. 
Existe uma nova edição portuguesa de O Principezinho, um dos livros mais amados, vendidos e traduzidos em todo o Mundo. A história da viagem iniciática de um menino através do Universo — que acaba por regressar a casa, para aquilo que ama e conhece — deu aos leitores frases e ilustrações que têm tanto de poético como de simbólico (e que pode relembrar na fotogaleria acima).
“A história releva a importância das coisas simples da vida: o Principezinho só encontra desilusão nos outros asteróides e na Terra. E volta para o seu planeta, mais pequeno, mas onde se sentia feliz. É uma parábola sobre os elementos simples e ternurentos da vida“, assim resume a história ao Observador um dos tradutores, Rui Santana Brito.
A mais recente versão da obra tem a particularidade de ter a capa preta, onde sobressai a “dimensão galáctica da história, do périplo do Principezinho, desde o asteróide B 612 até cair na Terra, através das estrelas — que saltam à vista logo na capa,” explica Manuel S. Fonseca, editor da Guerra e Paz, que também participou na tradução.
O Principezinho já foi traduzido em mais de 270 línguas e dialetos (incluindo Braille e mirandês) e vendeu mais de 145 milhões de exemplares em todo o mundo, refere a Le Nouvel Observateur. Em 1999, o jornal Le Monde publicou uma lista dos cem livros mais importantes do século XX e o Le Petit Prince (o título original em francês) ficou em quarto lugar, revelao site SensCritique.
Colecção de exemplares de O Principezinho em várias línguas, do Museu Nacional de Etnologia de Osaka, no Japão. Créditos: Yanajin33 via Wikimedia Commons
É também o livro mais vendido de sempre pela editora francesa Gallimard. A primeira publicação foi em inglês e francês em 1943 pela Reynal & Hitchcock, em Nova Iorque, onde o escritor e aviador francês se exilou quando a França estava ocupada pelos nazis.
Em Portugal, existem várias edições e cerca de sete outras traduções. Para Manuel S. Fonseca, a vontade de empreender uma nova versão e edição do livro de Antoine de Saint-Exupéry, partiu da sua paixão pela obra enquanto leitor e também por considerar que podia acrescentar algo ao texto do autor. “Cada um de nós acha que tem em si uma componente de ternura, simplicidade, inocência, que pode dar a uma nova versão”, diz Fonseca. Para além disso, era também importante que as histórias que estão na génese do livro se repercutissem na tradução. Duas histórias que Manuel S. Fonseca partilhou com o Observador.
Numa viagem de Saigão para Paris quando pilotava o seu avião, teve que aterrar no deserto da Líbia. E essa aterragem forçada coincidiu com a passagem de uma caravana de nómadas berberes. O Saint-Exupéry e o seu avião, caídos do céu, devem ter sido uma aparição do outro mundo para essas pessoas. Foi aí que nasceu a ideia para a história do Principezinho.
Para além deste episódio, que terá motivado o aviador a escrever a história, o editor contou também outra, menos conhecida, que terá inspirado o personagem principal.
Nos anos 30, Antoine de Saint-Exupéry viajou até à União Soviética de comboio. Imagine-se a dureza de uma viagem de comboio naquela época. Foi nessa viagem e nesse comboio que encontrou um casal com um filho com aqueles cabelos de ouro, muito parecido com a descrição do Principezinho. O filho de dois operários soviéticos… Um casal que tinha uma criança “com todo o futuro do mundo estampado na cara”.
A história do menino que cai do céu no deserto, “é um livro belíssimo e fiz a tradução em bicos de pés“, diz Rui Santana Brito. Mas confessa ter ficado “um bocadinho tolhido” pelo peso do texto. “Além de que há mais do que uma tradução em português. E uma delas muito boa, a da Joana Morais Varela. E pensei: o que posso eu fazer a este texto?”
A singeleza da narrativa contrasta com a riqueza vocabular da linguagem e a resposta a esta pergunta não é evidente. A tradução a quatro mãos demorou cerca de um mês e meio, em três momentos. No primeiro, Rui Santana Brito traduziu o texto. Depois, foi a vez de Manuel S. Fonseca, que também o editou. E, no terceiro, os dois cotejaram o texto e plasmaram a versão final.
“Não queria desrespeitar o texto ou ser atrevido demais”, refere Rui Santana Brito. E esse desejo de contenção e cuidado, “com muito respeito pelo texto original”, provocou alguns momentos de dúvida. O tradutor lembrou ao Observador dois vocábulos que foram motivo de hesitação — “palavras consagradas nas outras traduções e que tentei mudar”. Um deles foi embondeiro, “baobabs“, em francês. “Pensei em mudar para outro mais correto botanicamente, baobá, mas desisti.”
O outro foi o verbo “apprivoiser”. O verbo tem vários significados possíveis, como seduzir, domesticar, prender, domar ou tomar conta. Foi vertido para português nas traduções anteriores como “cativar”, opção que Rui Santana Brito também adotou. Para o tradutor, esta palavra é “única porque encerra em si mesma, o significado do livro: o amor só acontece a quem é cativado.
O livro entrou no domínio público este ano, mas Manuel S. Fonseca não considera que isso venha a ter impacto comercial: “Não vai diminuir as suas vendas, porque é um livro que atravessa gerações e que tem uma mensagem que agrada a todos, através de diferentes países e culturas”.
É um dos raros livros que é infantil, a leitura enternece, é um conto de fadas, com a rosa, a raposa… Mas ao mesmo tempo é um livro também para adultos, que fala sobre a solidão, a procura de afetos. É uma lição sentimental, que ensina a cativar e a ser cativado. É um livro que reúne de forma simples e singela as duas coisas em simultâneo.
Para Rui Santana Brito, O Principezinho é “um livro muito mais para adultos do que para crianças”. A ligação mais importante da história (para lá do vínculo do menino com a rosa e com a raposa) é a do Principezinho ao aviador, diz o tradutor, relação que se reflete na capa preta. “Foi uma opção do editor, com a qual concordei completamente. As outras edições são de capa azul claro ou branco. As outras capas são um pouco, como dizer… ‘delicodoces’. Esta capa faz jus ao contraste forte entre as duas personagens principais: o Principezinho e o aviador”.
http://observador.pt/2015/11/16/o-principezinho/

quinta-feira, 26 de maio de 2011

A Rosa, o Cravo e siga a Valsa

‎:-)*

Infelizmente ainda não tenho o suficiente para o nível seguinte, queres ajudar-me?
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Perfil de Victor · Mural de Victor

Victor Nogueira
‎:-)*

Quero algumas rosas...
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há 20 horas através de Oferece uma rosa: · · Gosto · · Oferecer uma rosa
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Ana Albuquerque Recebi a tua rosa mas o Facebook não deixou publicar. Se calhar também gosta mais de cravos. :))
há 19 horas · Gosto
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Ana Albuquerque Ah! Obrigada e beijinhos.
há 19 horas · Gosto
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Victor Nogueira ‎:-)*
há 19 horas · Gosto
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Victor Nogueira O PRINCIPEZINHO E A SUA ROSA

"...
- Vai ver outra vez as rosas. Compreenderás que a tua é única no mundo. Quando voltares para me dizeres adeus, faço-te presente de um segredo.
O principezinho foi ver outra vez as rosas.
- Vós não sois nada parecidas com a minha rosa; ainda não sois nada, disse-lhes ele. Ninguém vos cativou, nem vós cativastes ninguém. Sois como era a minha raposa. Não passava de uma raposa igual a cem mil raposas. Mas fiz dela minha amiga e agora é única no mundo.
E as rosas ficaram bastante aborrecidas.
- Vós sois belas, mas vazias, disse-lhes mais. Ninguém vai morrer por vós. É certo que, quanto à minha rosa, qualquer vulgar transeunte julgará que ela se vos assemelha. Mas, sozinha, ela vale mais do que vós todas juntas, porque foi ela que eu reguei. Porque foi ela que abriguei com um biombo. Porque foi por causa dela que matei as lagartas (excepto duas ou três para as borboletas). Porque foi ela e só ela que ouvi lamentar-se ou gabar-se, ou mesmo, por vezes, calar-se. Porque é a minha rosa.
E voltando para junto da raposa:
- Adeus, disse ele.
- Adeus disse a raposa. Vou dizer-te o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se recordar.
- Foi o tempo que perdeste com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante.
... "

In O Principezinho
há 19 horas · Gosto · 1 pessoa
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Victor Nogueira L'important, C'est La Rose :


Toi qui marches dans le vent
Seul dans la trop grande ville
Avec le cafard tranquille du passant
Toi qu'elle a laissé tomber
Pour courir vers d'autres lunes
Pour courir d'autres fortunes
L'important...

L'important c'est la rose
L'important c'est la rose
L'important c'est la rose
Crois-moi

Toi qui cherches quelque argent
Pour te boucler la semaine
Dans la ville tu promènes ton ballant
Cascadeur, soleil couchant
Tu passes devant les banques
Si tu n'es que saltimbanque
L'important...

L'important c'est la rose
L'important c'est la rose
L'important c'est la rose
Crois-moi

Toi, petit, que tes parents
Ont laissé seul sur la terre
Petit oiseau sans lumière, sans printemps
Dans ta veste de drap blanc
Il fait froid comme en Bohème
T'as le cœur comme en carême
Et pourtant...

L'important c'est la rose
L'important c'est la rose
L'important c'est la rose
Crois-moi

Toi pour qui, donnant-donnant
J'ai chanté ces quelques lignes
Comme pour te faire un signe en passant
Dis à ton tour maintenant
Que la vie n'a d'importance
Que par une fleur qui danse
Sur le temps...

L'important c'est la rose
L'important c'est la rose
L'important c'est la rose
Crois-moi
há 18 horas · Gosto · 1 pessoa
 .
Victor Nogueira 
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Carregado por  em 8 de Mar de 2011 

Cravo Vermelho ao Peito - José Barata Moura

há 18 horas · Gosto · 1 pessoa
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Cravo Vermelho ao peito
A muitos fica bem
Cravo Vermelho ao peito
A muitos fica bem
Sobretudo faz jeito
A certos filhos da Mãe
Sobretudo faz jeito
A certos filhos da Mãe
.
Não importa quem eles eram
Não importa quem eles são
Nem todo o mal que fizeram
Mas sempre a bem da Nação
Nem todo o mal que fizeram
Mas sempre a bem da Nação
.
Refrão
.
E chegado o dia novo
Chegada a bendita hora
Vestiram uma pele de povo
Ficou-lhes o rabo de fora
Vestiram uma pele de povo
Ficou-lhes o rabo de fora
.
Refrão
.
E aquele adminstrador
Promovido a democrata
Sempre exaltou o suor
Arrecandando ele a prata
Sempre exaltou o suor
Arrecandando ele a prata
Sempre exaltou o suor
Arrecandando ele a prata
.
Refrão
.


Também veio o fura greves
Lacaio dos senhores de então
Pois pode bem ser que às vezes
Se arranje um novo patrão
Pois pode bem ser que às vezes
Se arranje um novo patrão
.
Refrão
.
E os cultores da sapiência
Intelectuais de alto nível
Tranquilizando a consciência
O mais à esquerda possível
Tranquilizando a consciência
O mais à esquerda possível
.
Refrão
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José Barata Moura
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há 18 horas ·  ·  1 pessoa


in



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Carregado por  em 29 de Set de 2010


José Barata Moura - É a valsa da Burguesia"

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sábado, 9 de outubro de 2010

O principezinho - (excerto) - Antoine de Saint Éxupéry



#
Alice Coelho
Principezinho
.
...E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
...- Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita...
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
- Ah! desculpa, disse o principezinho.
- Que quer dizer "cativar"?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços..."
- Criar laços?
.
- Exactamente, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo... Se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
.
A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor... cativa-me! disse ela.
- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer alguma coisa. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me! ...

Antoine de Saint Exuperry
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há 52 minutos ·
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Victor Nogueira O Principezinho como obra literária parece-me fraquinho, mas tem pedaços duma enorme beleza humana e poética, como este :-)
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Retribuo com
http://mundophonographo.blogspot.com/2008/05/bom-ficar-pensando-em-voc.html
há 35 minutos ·
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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

O Principezinho - capítulo XXI - Antoine de Saint Exupery

domingo, 15 de Julho de 2007



O Principezinho - capítulo XXI



E foi então que apareceu a raposa:
- Boa dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita...
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
- Ah! desculpa, disse o principezinho.Após uma reflexão, acrescentou
- Que quer dizer "cativar"?
- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
- Procuro os homens, disse o principezinho. Que quer dizer "cativar"?
- Os homens, disse a raposa, têm fuzis e caçam. É bem incômodo! Criam galinhas também. É a única coisa interessante que fazem. Tu procuras galinhas?
- Não, disse o principezinho. Eu procuro amigos. Que quer dizer "cativar"?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços..."
- Criar laços?- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...


- Começo a compreender, disse o principezinho. Existe uma flor... eu creio que ela me cativou...
- É possível, disse a raposa. Vê-se tanta coisa na Terra...
- Oh! não foi na Terra, disse o principezinho.

A raposa pareceu intrigada:
- Num outro planeta?
- Sim.
- Há caçadores nesse planeta?
- Não.
- Que bom! E galinhas?
- Também não.
- Nada é perfeito, suspirou a raposa.


Mas a raposa voltou à sua idéia.
- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra.

O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...



A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor... cativa-me! disse ela.
- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer alguma coisa. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
- Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.
- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto...


No dia seguinte o principezinho voltou.
- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração... É preciso ritos.
- Que é um rito? perguntou o principezinho.
- É uma coisa muito esquecida também, disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, possuem um rito. Dançam na quinta-feira com as moças da aldeia. A quinta-feira então é o dia maravilhoso! Vou passear até a vinha. Se os caçadores dançassem qualquer dia, os dias seriam todos iguais, e eu não teria férias!



Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
- Ah! Eu vou chorar.
- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...
- Quis, disse a raposa.
- Mas tu vais chorar! disse o principezinho.
- Vou, disse a raposa.
- Então, não sais lucrando nada!
- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.


Depois ela acrescentou:
- Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é a única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te farei presente de um segredo.
- Sois belas, mas vazias, disse ele ainda. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob a redoma. Foi a ela que abriguei com o pára-vento. Foi dela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.


E voltou, então, à raposa:
- Adeus, disse ele...- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...
- Eu sou responsável pela minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.


in
http://www.triplov.com/walkyria/saint_exupery/