Textos e Obras Daqui e Dali, mais ou menos conhecidos ------ Nada do que é humano me é estranho (Terêncio)
quinta-feira, 10 de abril de 2025
Margarida Botelho - Crianças, adolescentes e ecrãs
segunda-feira, 5 de agosto de 2024
Entrevista a João Paulo Guerra
24 de julho 2016 - 16:15
O segundo romance do jornalista e escritor João Paulo Guerra conta uma história ficcional baseada numa doença real, a Perturbação Pós-Stresse Traumático. É uma doença crónica e contagiosa, que só foi reconhecida em Portugal em 1995, vinte anos depois do fim da guerra colonial. Entrevista de Joana Louçã.
porJoana Louçã
PARTILHAR
"Era uma vez uma mulher que viu um filho partir para a guerra. E quando o filho regressou, a mãe não era a mesma mulher e o próprio filho era outro, embora não o soubesse." Assim começa o segundo livro de João Paulo Guerra, que serviu de mote a esta entrevista, que pode ser vista, parcialmente, em vídeo aqui e lida na íntegra em baixo.
Quando a Perturbação Pós-Stresse Traumático foi diagnosticada, chamaram-lhe “corações irritáveis”, nome que deu origem ao título do seu romance. De onde surgiu a ideia deste livro?
A ideia de escrever este livro surgiu a partir de trabalho que fiz como jornalista. Fiz, nos anos 90, uma série de entrevistas em que consegui entrevistar stressados de guerra que tinham muita relutância em falar, eu também não queria violentar a sua privacidade, queria respeitar a sua privacidade. Mas através de contactos com os médicos que os tratavam, escolhemos alguns stressados que podiam falar e aos quais até faria bem da sua doença.
Tive longas conversas com eles, para perceber bem os mecanismos, como é que funcionava, como é que tinham adquirido aqueles sintomas, porque de alguma forma tinha assistido a manifestações primárias daquela doença no tempo em que fiz o serviço militar, em Moçambique. Assisti a cenas que me mostraram que as pessoas se transformam, se transtornam, fica perturbadíssimas. Cenas de pancadaria por coisa nenhuma. Num café em Vila Cabral [atualmente chamada Lichinga] assisti a uma cena de extrema violência com soldados a agredirem-se, a atingirem-se uns aos outros com latas de cerveja que rebentavam e explodiam, uma coisa de uma violência extrema depois saíam todos amigos dali, era só deitar cá para fora qualquer coisa que tinham muito reprimida dentro deles.
Num café em Vila Cabral assisti a uma cena de extrema violência com soldados a agredirem-se e depois saíam todos amigos dali, era só deitar cá para fora qualquer coisa que tinham muito reprimida dentro deles.
Tinha esses vislumbres do tempo em que estive em Moçambique, no tempo da guerra colonial, e interessei-me mais ainda por aqueles casos e fiz uma série de entrevistas e de reportagens, algumas das quais dolorosas para os entrevistados e para mim, e provavelmente mais perturbadoras mais para mim do que para eles. Na altura, trabalhava na TSF e fiz uma grande emissão num dia 25 de abril, a TSF tinha adotado o lema para aquele dia de comemorações do 25 de abril o facto de fazer 20 anos de ter acabado aquela guerra e eu perturbava aquela paz, dizendo que a guerra ainda não acabou.
Começava a minha parte naquele programa com uma conversa, e uma montagem, com stressados de guerra, clínicos, terapeutas, pessoas que conviviam com eles, os seus pesadelos. Foi aí que me interessou. E com esta bagagem que tinha, os conhecimentos que tinha, até de pessoas, de escritos, assisti a muitas palestras dos psiquiatras que se dedicaram à doença e de associações que se formaram, como a Apoiar, uma associação de apoio aos stressados de guerra. Assisti a muitas conferências e debates promovidos por eles e tinha muito conhecimento disto. Achei que o conhecimento que eu tinha merecia que eu dedicasse alguma coisa a esta causa, que é falar deste problema, é uma sobrevivência de uma guerra que todas a gente pensa que acabou, mas para estes homens não acabou, continua e entretanto se transmite às mulheres e aos filhos.
A primeira vez que o stress de guerra foi identificado foi no século XIX. Em que circunstâncias se deu o primeiro diagnóstico médico da doença em Portugal?
Em Portugal a doença foi identificada muito tardiamente. Durante a guerra evitou-se sempre classificar estes homens, identificar que doença tinham, eram simplesmente internados no hospital militar. Em Luanda, no hospital, os casos mais graves, que se manifestavam de forma mais exuberante, eram “tratados” com choques elétricos. Foi sempre tentado não levantar ondas com esta doença.
A lei que reconhece a doença do stress de guerra só foi publicada em Portugal em 1995 e tem tantos alçapões, que, um homem que sofra do stress de guerra, desde que se queixa até ao momento em que começa a ser tratado, terão passados 15 anos.
Foi através dos próprios doentes que o Estado foi obrigado a reconhecer a doença. Levou muito tempo, a lei que reconhece a doença do stress de guerra, que já era reconhecida pela Organização Mundial de Saúde e que já era reconhecida nos Estados Unidos desde o século XIX, só foi publicada em Portugal em 1995. E foi publicada com tantos alçapões, com tantas dificuldades que, aplicando aquela lei, um homem que sofra do stress de guerra, desde que se queixa até ao momento em que começa a ser tratado, terão passados 15 anos.
É preciso que ele vá buscar uma certidão de onde esteve e que tipo de serviço militar prestou, depois que vá ao médico de família, depois que vá ao médico militar, depois que vá a uma Junta que nunca mais o chama e com isto passam-se 14, 15 anos. Foi a revelação deste prazo enorme e desumano que tive conhecimento numa sessão de divulgação desta doença e sobre a situação destes doentes, foi uma das coisas que me motivou para ajudar, de alguma forma. E a forma que tenho de ajudar os outros é escrevendo.
A experiência de viver uma guerra, no caso do seu livro a guerra colonial, é algo definidor da vida das pessoas que o experienciam. À pergunta se o marido “fez” a guerra (e note-se a utilização do verbo fazer e não “estar”), a mulher do personagem responde “não, a guerra é que o fez a ele”. A guerra passa a ser “a guerra infinita”, “a guerra dele não acabou” como refere no livro.
Uma personagem diz “esta doença é uma bomba ao retardador. Por vezes manifesta-se ou degenera alguns anos após os acontecimentos traumatizantes. Também acontece que os traumas ficam adormecidos e, por esta ou por aquela razão, despertam.” O que pode levar a este despertar e, uma vez despertos os traumas, as pessoas conseguem levar uma vida independente, quotidiana?
Em primeiro lugar, quero falar sobre a questão se ele fez a guerra ou se a guerra é que o fez a ele. Quando comecei a escrever este livro, achei que já se tinham escrito muitos romances sobre a guerra colonial. O Lobo Antunes, o João Aguiar, muita gente escreveu, as pessoas que passaram por lá deixaram os seus testemunhos, etc. E eu pensei que um dos meus objetivos era não escrever sobre os homens que fizeram a guerra, o sofrimento, o que eles passam. Não, pensei, não vou escrever um livro sobre os homens que fizeram a guerra, vou escrever sobre o que a guerra fez aos homens, que é o que é este livro, o que é que a guerra fez a estes homens, a estes, e a outros.
E eu pensei que um dos meus objetivos era não escrever sobre os homens que fizeram a guerra, o sofrimento, o que eles passam. Não, pensei, vou escrever sobre o que a guerra fez aos homens, que é o que é este livro, o que é que a guerra fez a estes homens.
Porque uma das características desta doença é que há um número estimado de doentes, que é grande, são dezenas de milhares de doentes portugueses em resultado da sua participação na guerra colonial. Entretanto, muitos já morreram, mas o número ainda é muito alto. Mas a maior parte deles nem tem consciência que tem a doença. São pessoas de quem a família diz, “ah, ele quando voltou da guerra veio diferente, passou a ser outra pessoa, tornou-se mais irascível, tem menos paciência para mim, bebe mais, dorme menos”. As pessoas começam a referir os sintomas como uma coisa que lhe aconteceu e não como uma doença que ele tem e que se pode tratar ou, pelo menos, que se pode acompanhar e que se pode minimizar. É isso que a medicina faz, porque isto é uma doença e nesse caso deve ser a medicina que trata dela, nesse caso, a medicina mental, a saúde mental que deve tratar estes doentes.
Muitas destas pessoas começaram a dar por isso, porque tinham reações despropositadas a alguns acontecimentos, bate uma porta e atiram-se para o chão, vão na rua e ao estrondo de um escape de um automóvel atiram-se para o chão, aterrorizam-se. Começaram a perceber que isto não era um susto que apanharam uma vez ou outra, é uma coisa sistemática, que está com eles, que reside neles, na cabeça deles. Alguns destes homens começaram a procurar auxílio médico.
Em Portugal, os primeiros foram os primeiros a ser encaminhados para o serviço de psicoterapia temperamental do Hospital Júlio de Matos, com o Dr. Afonso de Albuquerque e a Dra. Fanny Lopes e muitos outros, mas foram estes os primeiros. Ele diagnosticou rapidamente o que tinham porque quando o médico tenta fazer o diagnóstico, não vai só perguntar “de que é que se queixa?”, “queixo-me que quando bate uma porta, eu atiro-me para o chão”. E o médico pergunta “ah, sim, e por onde é que você andou ao longo da sua vida?”. E vai encontrar que esteve na guerra, e que esteve debaixo de fogo, por exemplo, e que ouviu explosões de minas, ou de obuses, ou de outra coisa qualquer. E o médico vai identificar a causa e o que são os efeitos que estão a acontecer.
Foi isto que foi acontecendo em Portugal e depois uns combatentes diziam a outros, há muitas associações de combatentes e muita proximidade. Aquilo foi uma experiência tão violenta na vida das pessoas que elas procuram-se muito umas às outras, é umas com as outras que desabafam, então estas que têm marcas na sua vida, como é este caso. E começaram a falar uns aos outros, houve uma altura em que havia já 200 doentes a receber tratamento médico no Hospital Júlio de Matos em Lisboa.
Muitas destas pessoas começaram notar que tinham reações despropositadas a alguns acontecimentos, bate uma porta e atiram-se para o chão, começaram a perceber que isto é uma coisa sistemática, que está com eles, que reside neles, na cabeça deles. Alguns destes homens começaram a procurar auxílio médico.
Um dos grandes problemas que se deparou é que isto não saía de Lisboa, do Hospital Júlio de Matos, até que esta lei de 1995 criou apoios para os doentes, ligados aos Centros de Saúde, mas há um número ínfimo de serviços a funcionar e, se alguém experimentar ir a um Centro de Saúde e queixar-se, o mais certo é que não havia nenhum serviço organizado para o acolher e o tratar.
“Na guerra que estes homens travam, os inimigos são agora eles próprios”, afirma uma personagem no livro. “Eles sofrem porque são humanos. A sua humanidade não suporta os horrores que viram”, esclarece outra. O que é que alguém com esta doença pode fazer, que tipo de acompanhamento há?
O tratamento, tal como com outras doenças mentais, é um tratamento de grande persistência, entrar no mais íntimo que as pessoas têm, as suas memórias e recordações, más ou boas, o seu temperamento, a sua maneira de reagir às coisas, de estar com os outros, tudo isto, e tentar corrigir o que está mal por motivo da doença que o doente tem. Claro, também é tratado com meios químicos e com sessões de tratamento de psicoterapia de grupo. Há casos em que é útil que eles falem, há outros em que falar os perturba, portanto, o médico diagnostica o que é melhor para ele e segue esse tratamento.
Ela “não soube, mas a partir daquele dia começou a interiorizar, sem o ter vivido, o estrondo das explosões e o silêncio das esperas, o fogo das armas e o terror de matar, tudo isso e mais todos os delírios e alucinações de uma mente perturbada e de um coração irritável, tudo isso ela veio a assumi-lo com efeitos devastadores”. Os investigadores concluíram que o stress de guerra não só é crónico, como contagioso. Como se dá esse contágio?
Ligando estas duas informações, que o tratamento existe na lei, mas que é muito demorado e que entretanto as mulheres e os filhos vão ficando também contagiados, isto torna esta doença quase uma epidemia.
Isso foi uma das coisas que aprendi frequentando sessões de divulgação sobre a doença e os doentes, concretamente esse foi uma sessão da associação Apoiar, em que uma psicóloga deu esses dados, que na altura eram uma novidade, que é que a doença é crónica e é contagiosa. No caso, inicialmente só havia doentes homens, porque esta guerra foi feita por homens. Naquele tempo a incorporação militar era de homens, as mulheres que participavam na guerra eram voluntárias e participavam como enfermeiras, como enfermeiras paraquedistas, etc. Tinham funções subsidiárias, não propriamente em combate. Portanto, os stressados de guerra conhecidos são homens. Stressados dessa guerra, porque agora já há stressados portugueses das guerras do Afeganistão, e do Kosovo, estamos sempre metidos em todas essas coisas.
Ligando estas duas informações, que o tratamento existe na lei, mas que nunca mais acontece, é muito demorado, que é uma questão de sorte ser tratado, dar com o médico certo e com o tratamento certo. Sendo que isto demora este tempo todo e que entretanto as mulheres e os filhos vão ficando também contagiados, isto torna esta doença quase uma epidemia. Porque não são só uma alguns dos antigos combatentes que apresentam sintomas desta doenças, mas são já as famílias que começam a manifestar os sintomas e a receber tratamento e a viverem com isto.
“O país estava em guerra, uma guerra civil não declarada. Uma guerra quase desconhecida e que o país institucional, o país comodamente sentado, acomodado, amodorrado, conhecia mas ignorava.” Em Portugal, há alguma estimativa da dimensão da doença?
Os números variam muito, porque não há, verdadeiramente, estatísticas, há estimativas. A primeira que houve foi porque havia estatísticas nos EUA sobre a guerra do Vietname e fez-se uma comparação. Quantos homens estiveram mobilizados para a guerra do Vietname, quantos soldados militares estiveram mobilizados para a guerra do Vietname e quantos estiveram mobilizados para a guerra de Portugal em Angola, Guiné e Moçambique. Em função do numero de estressados que existiam nos EUA, estimou-se um numero que poderia haver para os stressados que haveria em Portugal. E estamos só a falar de Portugal, não estamos a falar do outro lado. A Portugal, provavelmente, já não lhe competia ter atenção aos doentes do outro lado, mas deveria ter atenção aos africanos que combateram no exército português e que eventualmente poderão também sofrer da doença.
Fazendo a comparação com o número de stressados que havia nos EUA por causa da guerra do Vietname, o número em Portugal seria cerca de 140, 150 mil. Nunca se chegou próximo de identificar esse número de casos.
Os números variam muito, são muito incertos. Houve uma altura em que se falava em 140, 150 mil. Em Portugal tinham sido mobilizados para as três guerras coloniais perto de um milhão de jovens portugueses, ou militares de carreira. Fazendo a comparação com o número de stressados que havia nos EUA por causa da guerra do Vietname, o número em Portugal seria esse. Nunca se chegou próximo de identificar esse número de casos.
O número de casos identificado foi sempre variando, começou a haver mais pessoas a irem ao médico e a queixarem-se desta doença. Isto começou a permitir outras extrapolações para outros números em Portugal. Os últimos números que ouvi são bastante diferentes, um anda à volta dos cem mil, outro anda à volta dos cinquenta mil, mas são todos estimativas, não são estatísticas.
A que tratamento tem acesso quem vive fora de Lisboa?
Quem vive fora de Lisboa tem que vir a Lisboa, se pensar em alguém que vive numa pequena terriola no interior que tenha um Centro de Saúde e que vá lá e que se queixe que não dorme, que diga que acorda com pesadelos, “mas não dorme porquê, tem pesadelos porquê?”. “Ah, estive na guerra”… se lá chegar! Porque não há meios, porque os meios não foram criados. A lei que reconhece a doença deveria ter sido acompanhada pela criação de uma estrutura que seguisse a par do SNS e que permitisse que o SNS atendesse estes doentes, com especialistas.
Porque não há meios, porque os meios não foram criados. A lei que reconhece a doença deveria ter sido acompanhada pela criação de uma estrutura que seguisse a par do SNS e que permitisse que o SNS atendesse estes doentes, com especialistas.
Numa sessão em que estive recentemente da Apoiar, em que ouvi falar não só ex militares stressados, mas mulheres stressadas e filhos stressados pela guerra que os pais fizeram, nessa sessão, foi dito por algumas pessoas que chegam a ser tratadas com algum desprezo, as pessoas que se vão queixar a um Centro de Saúde, a dizer “então, ainda não me deram resposta”, “lá vem este”… as pessoas ouvem, lá por estarem perturbadas não deixam de ouvir os comentários depreciativos que fazem a seu respeito. Dizerem isto não só não contribui para a melhoria do seu estado de saúde, como com certeza contribui para que piore.
As pessoas contagiadas, mas que não estiveram na guerra também têm acesso ao tratamento?
Sim, se os ex combatentes da sua família tiverem a ser acompanhados. Mas depois há coisas quase perversas. Se uma mulher apresentar sintomas do stress de guerra e o marido estiver a ser acompanhado, ela tem direito ao acompanhamento. Mas se o marido morrer, a mulher perde o direito ao acompanhamento. Porque o direito não é um direito dela, é um direito do marido, extensivo a ela. E, portanto, morrendo o marido, acaba-se o direito a que ela tem por tabela, não por direito próprio.
No livro há a referência a um jornalista, Carlos Gualdino, é uma representação de si próprio?
Não, pode ter algumas referências, por exemplo, estar com frequência desempregado, fui despedido tantas vezes ao longo da vida profissional como jornalista! Pode ter alguma coisa de muitos jornalistas que conheci, e conheci muitos. Quando comecei a trabalhar no Rádio Club Português, trabalhava com pessoas que eram os seus fundadores, das primeiras pessoas que falaram ao microfone, estavam ali, trabalhavam comigo. Eu tinha 20 anos e eles 50, 60.
Acho que é bom escrever-se com lágrimas nos olhos, com sentimentos, porque as pessoas não são máquinas, e o código deontológico não pode ser um espartilho para as pessoas deixarem de ter sentimentos e passarem a ser autómatos. Eu sofro com o sofrimento dos outros e ponho esse sofrimento naquilo que escrevo.
Nela posso estar eu e podem estar muitos outros jornalistas que conheço e que conheci ao longo da minha vida profissional. Sobre a personagem, usei a frase e atribuí-a a Batista Bastos, o autor, dizendo que “escreveu uma reportagem com lágrimas nos olhos”. Porque acho que é bom escrever-se com lágrimas nos olhos, com sentimentos, porque as pessoas não são máquinas, e o código deontológico não pode ser um espartilho para as pessoas deixarem de ter sentimentos e passarem a ser autómatos, amorfos e indiferentes ao sentimentos dos outros. Não, eu sofro com o sofrimento dos outros e ponho esse sofrimento naquilo que escrevo.
Também fez o serviço militar em Moçambique, o que o levou a focar-se nesta temática?
Não foi tanto por mim, por ter estado na guerra, que até tive uma guerra um bocado “exótica”, a saltar de uns lados para os outros, desde o Grupo Recreativo das Forças Armadas, coisas assim. Não foi tanto por isso, mas porque acho que foi o acontecimento mais importante da segunda metade do século XX em Portugal, para Portugal. A guerra e, depois, o fim da guerra. Com a consequência de o fim da guerra ter trazido consigo a democracia. Para acabar com a guerra, foi preciso implantar a democracia em Portugal.
Estes acontecimentos conjugados, a teimosia da guerra, que foi levar um milhão de jovens para uma guerra que os profissionais chegaram à conclusão que não era possível vencer, que militarmente não tinha solução, e com isto morreram milhares de pessoas, foi um acontecimento muito importante na história de Portugal, que depois se resolveu, quando os próprios militares puseram fim à guerra e puseram fim à ditadura. Isso é um acontecimento importantíssimo em Portugal e eu tenho sempre muito gosto em ser testemunha, naquilo que digo, faço e escrevo, foi um acontecimento que tive a felicidade de viver.
Sobre o/a autor(a)
Doutorada em sociologia da infância
https://www.esquerda.net/artigo/entrevista-joao-paulo-guerra-sobre-o-livro-coracoes-irritaveis/43780
sábado, 20 de julho de 2024
Helena Bento - Saúde mental e dependência do telemóvel
Levar o telemóvel para todo o lado, até “para a casa de banho”, pode ser sinal de alerta. A Ordem dos Psicólogos sugere estas estratégias
A Ordem dos Psicólogos lançou um manual que aborda os benefícios e os riscos do uso de ecrãs, bem como os principais sinais que podem indiciar uma utilização excessiva e as estratégias para uma utilização segura. Dirige-se a mães e pais, mas não só: também há informação para adultos e idosos, que enfrentam igualmente riscos
Levar o telemóvel para todo o lado, até “para a casa de banho”, pode ser sinal de alerta. A Ordem dos Psicólogos sugere estas estratégias
Helena Bento
Jornalista
As tecnologias digitais vieram, em vários aspetos, melhorar a nossa vida, mas também trazem riscos e perigos. Como é que pais e mães podem garantir, por exemplo, que os filhos utilizam ecrãs de forma segura e benéfica?
Equilibrar o tempo de uso de ecrãs, utilizando-o como “recompensa” e não como um “dado adquirido ou um direito”, incentivar e realizar atividades que não envolvam tecnologia, fazer as refeições sem smartphones ou consolas por perto e estabelecer um dia para “desligar”, que envolva toda a família, são algumas das recomendações feitas pela Ordem dos Psicólogos num manual sobre este tema publicado recentemente.
O documento, intitulado “Vamos Falar sobre Ecrãs e Tecnologias Digitais”, disponível online, aborda os benefícios e os perigos do uso de ecrãs, bem como os principais sinais que podem indiciar um uso excessivo ou problemático e as estratégias para uma utilização segura. Dirige-se a mães e pais, mas não só: também há informação para adultos e pessoas mais velhas, que enfrentam igualmente riscos no uso de ecrãs.
Em crianças entre os dois e os cinco anos, ver televisão ou outros ecrãs mais de duas horas por dia, “sem critérios e sem acompanhamento”, pode “atrasar o desenvolvimento da linguagem e ter consequências negativas na visão”, bem como “comprometer a motricidade fina”, atrasando ou dificultando que a criança ande, corra ou coordene diferentes partes do corpo.
Já entre os seis e os 11 anos, várias horas de videojogos “podem refletir-se numa menor coordenação e flexibilidade motora”, e contribuir para o excesso de peso. Quando adequados à idade, podem melhorar a capacidade de orientação espacial e de raciocínio lógico; e se envolverem vários jogadores ajudam a desenvolver comportamentos de cooperação e entreajuda.
Até aos 12 meses, não é recomendada qualquer interação com ecrãs, refere o documento, com base nas diretrizes de organizações como a OMS (Organização Mundial da Saúde).
O uso de ecrãs por parte dos adolescentes também pode ter impactos negativos, embora certos videojogos ajudem a promover competências como a resolução de problemas e a criatividade, e as redes sociais possam transformar-se num “lugar de suporte” quando há solidão ou “incompreensão” por parte dos outros. As principais consequências negativas são a diminuição da autoestima e bem-estar, por via da comparação com outros utilizadores das redes sociais, e a diminuição da qualidade das interações quando há um “uso excessivo de ecrãs, várias horas por dia e durante momentos de convívio”.
Ivone Patrão, psicóloga clínica e investigadora na área da dependência de ecrãs, foi uma das convidadas do episódio do podcast "Que Voz é Esta?" dedicado ao uso problemático de internet
QUE VOZ É ESTA?
“Já tive casos bastante graves de dependência de internet, jovens que não se levantavam da cadeira nem para as necessidades mais básicas”
Leia também
Dos vários riscos e perigos do uso de ecrãs para as crianças e jovens, o manual destaca, entre outros, o “cyberbullying”, problemas de saúde mental, aliciamento sexual e dependência. “O uso excessivo dos ecrãs pode refletir-se em comportamentos aditivos, tal como acontece com o uso excessivo de álcool, tabaco ou outras drogas. É possível ficar-se adicto a videojogos, a encontros online, a jogos de apostas online ou, simplesmente, às redes sociais”, lê-se no documento.
Há sinais que indiciam este uso problemático, a que os pais e os próprios adolescentes devem estar atentos: ficar “perturbado, irritado, angustiado ou triste" quando a atividade online é interrompida, sentir dificuldades em reduzir o tempo online (mesmo quando é o próprio a tomar essa iniciativa), saltar refeições, ficar várias horas sem ir à casa de banho, e entrar em conflito com a família por questões relacionadas com o tempo de ecrã.
Tanto em crianças como em adolescentes, há estratégias que podem ser colocadas em prática para promover um uso responsável. Definir horários e tempos para o uso de ecrãs, utilizar as tecnologias em conjunto, utilizar o tempo de ecrã “como uma recompensa por conquistas realizadas fora do mundo digital" - em vez de permitir que faça parte das rotinas - e realizar atividades com as crianças e jovens fora do mundo digital são algumas das estratégias sugeridas.
A Ordem dos Psicólogos também sugere que as refeições sejam feitas sem smartphones ou consolas à mesa e que, no dia a dia, estes dispositivos estejam em espaços comuns da casa e não no quarto da criança ou do jovem. Também é recomendado à família que estabeleça um dia comum para “desligar”. “Pode ser estabelecido um dia da semana, por exemplo, se possível, um dia de fim-de-semana, para ninguém utilizar ecrãs e tecnologias digitais, dedicando-se a família a realizar outro tipo de atividades, individualmente e em família.”
Ainda na secção dirigida a pais e mães, são discutidas as vantagens e desvantagens de dar um smartphone às crianças, a importância de monitorizar a atividade online dos filhos e como esta supervisão deve ser feita, sendo certo que “proibir completamente e de forma indiscriminada o uso de ecrãs pode ter o efeito contrário ao pretendido”.
LEVAR O TELEMÓVEL PARA A CASA DE BANHO PODE SER SINAL DE ALERTA
Os riscos e perigos a que os adultos estão expostos são semelhantes aos das crianças e jovens, mas incluem também a invasão de privacidade, fraudes e burlas online. O documento detalha alguns dos esquemas fraudulentos mais comuns.
O uso excessivo de ecrãs pode ser identificado quando um adulto tem dificuldade em ficar longe do smartphone. "Podemos tê-lo verificado há cinco minutos, mas voltamos a fazê-lo. Ficamos mais tempo a utilizá-lo do que queríamos e, muitas vezes, perdemos a noção do tempo e atrasamo-nos ou esquecemo-nos de fazer algo. Levamo-lo para todo o lado, mesmo que seja dentro de casa, até quando vamos à casa de banho.” Quando, em vez de combinar atividades com a família ou amigos, a pessoa prefere ficar em casa a conversar através das redes ou a assistir a eventos pelo ecrã, isso também pode ser um sinal de uso inadequado.
As recomendações incluem filtrar os conteúdos seguidos - dispensando aqueles que “não têm um propósito claro e positivo para o bem-estar”, e evitar comparações com “conteúdos irrealistas”, especialmente sobre beleza, bem-estar e estilos de vida, que “não correspondem à realidade da maioria das pessoas”. Estar três a quatro horas por dia sem usar qualquer ecrã e realizar mais atividades offline, durante as quais “podemos desligar o som do telemóvel, colocar em modo avião ou simplesmente não o levar connosco”, é outras das recomendações.
Se é difícil diminuir o tempo de utilização do smartphone, há várias estratégias que podem ajudar: alterar a paleta de cores do ecrã para tons de cinzento - tornando o ecrã “mais aborrecido e menos apelativo” - desativar as notificações, utilizar uma app para bloquear outras apps, usar as redes sociais apenas no computador ou criar um lembrete acessível que “interrompa o comportamento automático de verificar o smartphone” e lembre que é hora de “voltar para a vida offline”.
IDOSOS TAMBÉM PODEM FICAR DEPENDENTES DE ECRÃS
O documento também aponta os benefícios e impactos negativos dos ecrãs nas pessoas mais velhas. “Os conteúdos que vemos nos ecrãs, incluindo nas redes sociais, podem ter influência nas nossas decisões, por exemplo, se nos cruzamos com muitas notícias trágicas ou falsas é possível ficarmos demasiados preocupados e agirmos sem ponderação.”
Há vários sinais que podem indiciar um uso excessivo: pensamento e fala mais “preguiçosos” - utilizando a pessoa cada vez “menos palavras” - dificuldade em escrever à mão, fazer contas de cabeça ou tratar sozinha de assuntos fora de casa. “O uso excessivo dos ecrãs pode cruzar-se com as dificuldades associadas ao envelhecimento e à demência, acelerando o declínio cognitivo e os processos demenciais”, alerta a Ordem dos Psicólogos.
Os familiares ou cuidadores de pessoas mais velhas também podem contribuir para uma utilização mais benéfica das redes sociais. Por exemplo, ajudando a relativizar o que se vê. “Muitas horas de notícias podem criar uma visão pessimista do mundo, pois os meios de comunicação social focam-se no que é incomum e trágico. É importante equilibrar o tempo de ecrã com outras atividades ocupacionais”.
Nas estruturas residenciais para idosos, devem ser privilegiadas atividades interativas nos ecrãs, em vez de “atividades passivas, como ver televisão”. Se não existirem atividades ocupacionais, os familiares devem apelar à sua criação junto das estruturas.
SOCIEDADE (Expresso 14 JULHO 2024)
https://expresso.pt/sociedade/2024-07-14-levar-o-telemovel-para-todo-o-lado-ate-para-a-casa-de-banho-pode-ser-sinal-de-alerta.-a-ordem-dos-psicologos-sugere-estas-estrategias-dbe36cb3
segunda-feira, 4 de março de 2024
Carlos Coutinho - dois textos sobre a consciência e a morte
quinta-feira, 7 de dezembro de 2023
João Miguel Tavares - O doutor Nuno Rebelo de Sousa, seu filho
OPINIÃO
Neste momento, o melhor exemplo de “fucked up dad” é o senhor Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.
6 de Dezembro de 2023, 20:54
Um dos poemas mais famosos do século XX começa assim: “They fuck
you up, your mum and dad. / They may not mean to, but they do.” (Em
tradução livre: “Fodem-te a cabeça, a mamã e o papá. / Podem não ter essa
intenção, mas é assim.”) É realmente assim, mesmo que não seja essa a intenção.
O poema de Philip Larkin continua por ali fora, com uma série de observações e
conselhos sortidos, que incluem sair de casa o mais cedo possível e evitar
procriar, pelas razões aduzidas no primeiro verso.
Larkin foi coerente com a sua
poesia – morreu em 1985, aos 63 anos, sem ter tido filhos. Felizmente, para bem
da perpetuação da espécie humana, há 385 mil bebés a nascer todos os dias, e
280 milhões de mamãs e papás a iniciarem a cada ano a nobre tarefa de lixarem a
cabeça dos seus filhos. Aquilo que Larkin não diz no seu poema, talvez por ser
mais evidente – e nessa medida menos poético –, é que o inverso também é
verdadeiro: à sua maneira, os pais são igualmente “fucked up” pelos seus
filhos, ainda que sejam eternamente absolvidos pela frase clássica “não fui eu
que pedi para nascer”. Neste momento, o melhor exemplo de “fucked up dad”
é o senhor Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.
Note-se que Marcelo está em
excelente companhia. Quem gosta de seguir a política americana sabe que um dos
maiores pedregulhos no caminho da reeleição de Joe Biden se chama Hunter
Biden, o seu filho absurdamente problemático, que durante anos andou a
fazer dinheiro à sombra do pai, fosse na China, fosse na companhia de gás
ucraniana Burisma, onde se rodeou de gente muito pouco recomendável. Até que um
dia se esqueceu de um computador portátil numa loja de informática, cheio de
documentação comprometedora e fotos com prostitutas que fizeram as delícias dos
tablóides.
Nuno Rebelo de Sousa não perdeu
nenhum computador – limitou-se a enviar
um email para a Presidência da República a pedir favores
para um amigo. Mas esse email pode estar para Marcelo como o
computador perdido para Joe Biden – uma bomba impossível de desarmadilhar,
porque se um Presidente, ou um primeiro-ministro, pode despedir funcionários,
assessores ou declarar em público que não tem amigos, não há forma
politicamente eficaz de um pai se afastar de um filho. Se corta com brutalidade
é impiedoso – o que lhe fica muito mal; se o protege é cúmplice – o que lhe
fica pessimamente. Até hoje, Biden não conseguiu resolver esse dilema. Duvido
muito de que Marcelo consiga.
Infelizmente para Marcelo,
Nuno Rebelo de Sousa não é um cidadão como qualquer outro
A profundidade do dilema de
Marcelo está espelhada numa formulação bizarra, que repetiu mais do que uma
vez na
conferência de imprensa desta semana: “O doutor Nuno Rebelo de Sousa,
Meu Filho.” Estranho cognome. Por um lado, procurou criar distância – o “doutor
Nuno Rebelo de Sousa”, “cidadão como qualquer outro”, que se limitou a enviar
correspondência para Belém. Por outro, foi obrigado a acrescentar “meu filho”,
porque obviamente aquilo que está no coração deste caso é essa proximidade.
Marcelo andou a brincar com as palavras ao longo de todo o processo: declarou
que um filho de Presidente não tinha privilégios, enquanto privilegiava um
filho de Presidente.
Infelizmente para Marcelo, Nuno
Rebelo de Sousa não é um cidadão como qualquer outro. Aliás, a pergunta
fundamental neste momento é saber quem realmente é Nuno Rebelo de Sousa, e
porque é que mobilizou um Presidente, um Governo, vários médicos e o Infarmed
para ajudar um amigo brasileiro, ao ponto de comprometer a reputação do seu
próprio pai.
O autor é colunista do PÚBLICO
https://www.publico.pt/2023/12/06/opiniao/opiniao/doutor-nuno-rebelo-sousa-filho-2072819
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Sin recaudos, los ebooks podrían ser perjudiciales
May
quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
Fumar ou não fumar (3) - Estado do Sítio - Estão todos loucos
* António Ribeiro Ferreira, Jornalista
.
.
Primeiro foi o inspector da ASAE a fumar no Casino Estoril. Segundo foi a polémica se era ou não proibido fumar nos ditos. Terceiro foi o monumental embaraço de políticos e não só por estarem a atacar diversos grupos empresariais, com Stanley Ho à cabeça, a quem muito devem e a quem têm de prestar reverenda e respeitosa vassalagem por muitos e bons anos. Quarto foram os senhores deputados da Comissão de Saúde, liderados pela socialista Maria de Belém, uma das que foi ouvir Woody Allen ao casino da cigarrilha do inspector da ASAE, a não saberem exactamente o que é que afinal tinham aprovado com pompa e circunstância na Assembleia da República. Quinto foi a decisão tomada pelos excelentíssimos representantes da Nação de ouvir o senhor director-geral da Saúde e uma tal comissão consultiva da lei do tabaco para esclarecer as dúvidas sobre a lei que eles próprios fizeram.
.
Sexto foi o episódio do senhor director-geral da Saúde atirar para cima de uma Agência para a Energia a responsabilidade de fiscalizar as catacumbas usadas pelos criminosos fumadores para ver se a qualidade do ar é suficientemente boa para não matar empregados, ratos e baratas que trabalhem e circulem por esses antros de vício e perdição. Sétimo foi o espanto da dita Agência por ter sido responsabilizada pelo senhor director-geral da Saúde por tão nobre tarefa. Oitavo foi a conclusão tomada sabe-se lá por quem de que, afinal, as características dos tais exaustores de alta tecnologia e elevado preço que a lei obrigava as proprietários das catacumbas a instalar ainda não estavam definidas e devidamente regulamentadas e que os fiscalizadores, por enquanto desconhecidos, só iriam atacar para o ano.
.
É evidente que esta sequência de disparates sobre a lei fundamentalista contra o fumo mostra que o sítio caminha rapidamente para a loucura total. Já é pobre, atrasado, está na cauda da Europa e ainda por cima é governado por um conjunto de senhores e senhoras que estão a dar sinais evidentes de insanidade mental e que manifestamente precisam de fumar um cigarro antes que seja tarde de mais.
.
| » Comentários no CM on line |
Terça-feira, 8 Janeiro
- atomina
Fundamentalista é quem só pensa no próprio prazer, sem se importar com os direitos dos demais. Apesar do presente arrazoado pretensamente humorístico, ao qual só o autor deve achar piada, estou agradecida pela nova Lei, que só peca por tardia!
Segunda-feira, 7 Janeiro
- José Costa
Agora, os fumadores estão muito irritados, dizendo que a lei é fundamentalista.Por mim, a lei proíbiria o fumo em todos os locais fechados,sem excepção, como acontece na Irlanda.Para os fumadores fundamendalistas a lei tem todos os defeitos, por dar alguma protecção aos não fumadores.(Colares)
- JC
Sobre o fumo do tabaco, algo teria que ser feito. Dado o descontentamento e para que a loucura seja total e os criminosos passem a inocentes, o melhor será inverter os termos da lei: onde de lê fumadores, deverá ler-se não fumadores. Todas as leis são boas desde que não toquem nos nossos gostos e privilégios. Os outros que se lixem. Não há dúvida: o sítio está mal frequentado.
- montenegro
Sou fumador e quando a lei proibia fumar nos pavilhões desportivos, ora, como dirigente de Basket profissional, tive que me vergar á lei, nem era preciso, os proprios jogadores com 2m e 140 kg tratavam-a de impor. É o que falta ao articulista para respeitar os outros
- Henrique Alves
As trapalhadas do sistema são "entretantos". O que in-teressa são os "finalmente". Os "finalmente" é o que se vê no terreno, resultado desta lei, isto é, as pessoas deixaram de fumar em recintos fechados. Fumem à vontade "desde que" não incomodem. O "DESDE QUE" é que alguns não querem perceber e como disse um antigo guarda-redes do Benfica, não vale a pena explicar porque eles não percebem.
- Pedro André
Com o devido respeito, mas já ficou claro que o Jornalista António Ribeiro Ferreira é fumador, e sente-se bastante afectado com a Lei do Tabaco. E pelo artigo anterior que escreveu sobre este tema, já deu para notar que só pensa no seu fumo, e nao na saude de quem nao fuma. Oeiras
- Rui Ramos
Esta lei, cm todas as outras, é um negócio, meu caro. Descobre os lobis e logo verás. Sabes o q vai acontecer? Vai prosperar o negócio ds cafés e restaurantes p fumadores, vai aumentar o fumo clandestino nos WC, etc. E kem vai ser multado, kem vai? Os doutores? Os engenheiros? Ou os proletas? Tás a ver? Prepara-te q a produção vai aumentar! Lisboa
Fumar ou não fumar (2) - Estado do Sítio: Fachos e bufos, Lda
Um cara ou cidadão destes merece fotografia
* António Ribeiro Ferreira, Jornalista
.
.
| António Ribeiro Ferreira, Jornalista » Artigos Relacionados 31-12-2007 - 00:00:00 Curar vício custa 10 m ilhões » Comentários no CM on line |
Sexta-feira, 4 Janeiro
Na opinião do sr. que assina o artigo, qualquer cidadão não fumador que devido ao mau cheiro do fumo do "vizinho" se sinta não só incomodado pelo odor, como até prejudicado devido a problemas pulmonares que tenha, se reclamar do direito que lhe assiste em não respirar o ar (em espaços fechados) que os fumadores querem também poluir, é facho e/ou bufo. Não sei se será o caso, mas supondo que o autor do artigo goste de música clássica, qual será a sua reacção se ao assistir a um concerto (que ele tem o direito de ouvir nas melhores condições acústicas), alguém presente na mesma sala, decidir perturbar o espectáculo? Será que protesta? Qual a atitude do mesmo senhor se à sua mesa ou perto, durante a refeição alguém que padeça de aerofagia não consiga controlar os sintomas inerentes a esta doença? Será que protesta? Pelos argumentos apresentados no artigo, julgo que em qualquer das situações não manifestará o seu desagrado para não ser apelidado de facho e/ou bufo. Certamente não se lembrou de, para escrever o artigo e não incomodar os colegas da redacção, levar o portátil para a praia ou para o campo e aí sim, fumar o seu cigarrinho em paz e sossego sem ser incomodado pelos bufos. Se tem filhos, fuma no quarto deles? Deixou de voar, só porque durante looongas horas está fechado num avião? Deixou de ir ao cinema? Fume, fume muito, mas fume longe, muito longe, e não confunda... A liberdade individual de quem gosta de fumar, não está em perigo. O que está realmente em perigo, é a liberdade dos que têm o direito de não respirar o mesmo ar que o sr. Um bom ano para todos.
Terça-feira, 1 Janeiro
- gabriela
Deixei de fumar em Julho/2007. Aproveitei uma grande gripe e pensei na lei que estava à porta. Não gosto da palavra "proibido" e deixei de livre vontade. Sem ajuda médica nem medicamentos antitabágicos, no meio de uma depressão. Não foi a melhor altura. Substituí os cigarros pelos doces, engordei e fiz dieta. Tudo junto. Venci. Foi muito complicado. O fumo dos outros não me incomoda.
- José Timão
Antigamente, quando os "fachos" e os "bufos" nos "marravam" (também dei uns trambolhões) a gente sabia o nome dos "animais" e até o do dono dos "toiros". Hoje, se somos "colhidos", sabe-se sempre porquê, nunca se sabe por quem. Acontece. Suspeita-se, mas a coisa fica por aí, não vá "o Diabo tecê-las". E por causa deste "apuramento" todo cada vez mais a nossa terra é a terra do "Rei Vai Nu"...
- indignada??
Falam que os fumadores deviam pagar do próprio bolso,etc etc..ora sabem qt entra para o estado por cada maço de Tabaco? 80%, ou seja um fumador ajuda na economia...e falam de respirar melhor e que o tabaco mata.. mas ninguem pensa que a pior poluiçao vem dos fumos dos carros..pois nao convem por a culpa nesses ai ne?
- Bertolino de Carvalho
Meu caro António Ribeiro Ferreira, antes de te saudar, deixa-me só acender o cigarrito, tal como tantas vezes fizémos antes durante e depois das reuniões no DN, que tão bem dirigiste.Ao ler isto, lembrei-me dos tempos em que nos mandavam para a guerra colonial e daquelas senhoras do MNF que iam ao cais levar-nos cigarros. Algo mudou, afinal para pior... Um apertado abraço.Lisboa.
- Romeu Gamelas
Recebi o feedback do Reino Unido onde medida similar foi implementada o ano passado. Os resultados são desastrosos, os fumadores passivos aumentaram exponencialmente pois se antes haviam aqueles bares cheios de fumo e fumadores, agora pela rua fora só se engole fumo de pessoas a fumar às portas. Agora avançam em medidas ainda mais fascistas de paternalismo, não só no tabaco... a liberdade foi-se.
- Antonio Matos
Eu como, bebo, fumo e faço outras coisas. E vou continuar a fazê-lo. A vida não deve ser uma viagem para o túmulo, com o intuito de lá chegar, com um corpo atraente e bem preservado. Mais vale chegar lá, com o corpo desgastado e bem usado, gritando: UAU!QUE VIAGEM!!!
- AMCF
Comenta o sr. jornalista: "que põe em causa a liberdade individual de todos os cidadãos que gostam de fumar." Pergunto eu ao sr. jornalista onde está a liberdade individual de quem não fuma? Seguramente são muitos mais.
- Graça Afonso
Discordo do Jornalista! Quem não fuma não tem que ser prejudicado com o fumo dos outros!
- Anti-hipocrisias
Nada tenho contra os fumadores, a nao ser quando se intitulam terem direitos que os nao fumadores por essa logica nao tem. Segundo, so espero que quando um fumador necessite de fazer um transplante de pulmao ou outra intervençao derivada do fumar, o faça por conta do proprio bolso, e nao sejamos nos todos fumadores e nao fumadores a ter que pagar por um "direito" e nao obrigação como eles mesmo o dizem.
- jbs
Que confusão que vai na sua cabeça, senhor jornalista! Pelos vistos esqueceu-se do essencial em democracia - a sua liberdade acaba onde começa a dos outros. E a nossa liberdade de respirar ar puro não deve ser invadida pela sua liberdade de se suicidar. É tão só isto que está em causa, respeito pela liberdade dos outros, não questões de fascismo.
- António Torre da Guia
Oh... Meu caro António Ribeiro Ferreira, tal como de imediato constata, eis a democracia a funcionar em apenas duas confrontantes opiniões: uma, sente-se suspeita do maléfico «fachismo» imperante, por que não fuma, e a outra, apoia sem reserva a denúncia da peçonha que avala e tem avalado toda a espécie de regimes políticos.No caso, eu, que fumo, mesmo que não fumasse, integro-me sem hesitar no seu voto ao novo ano: os mentores de tão «eloquentes» leis, bufos e companhia, que morram plenos de saúde de encontro a um tipo a desfazer-se de doença.
- santos
Discordo do jornalista.A liberdade individual de cada um termina onde começa a do outro.E eu quero ter a liberdade de não sofrer com o fumo do tabaco dos outros.É só isso ,mais nada.Cada um tem a liberdade de se "matar como quiser".Não sei se a lei é facista,como diz ,ou deixa de o ser.É a interpretação de cada um.Fumem na rua ou na sua casa e deixem os não fumadores em paz.
- Dionisio Louro
Comparar o direito a prejudicar a saude de quem não fuma com as vitimas de todas as ditaduras que foram assassinadas é um insulto a essas vitimas e à inteligência de todos nós Bettlach Suíça
- Bufo nº 43.768
É só rir :)
- Paulo Filipe
Uma análise diferente da nova Lei Anti-Tabaco, com a qual não concordo a 100%, porque acho que o regime dito fascista acaba por ser muito menos hipócrita do que o dito democrático, além do mais a procura do Homem Novo foi muito mais evidente e hipócrita nos regimes totalitários de esquerda e o falhanço foi muito mais sentido!!!! Chegou ao Séc. XXI, na pessoa do pseudo-heroi Fidel Castro e do seu seguidor Chavez... curiosamente em Cuba, apesar da grande preocupação com a saúde... mantém-se o cultivo do tabaco e não consta que pensem avançar com qualquer tipo de proibição!!!!!Paulo Filipe
- Fernando Laborinho
Pois o fachista agora sou entre muitos eu tambem.Vivi ate hoje e onde resido num verdadeiro gheto.Existe um unico cafe onde existe uma zona destinada a nao fumadores muitas vezes violada pelos ditos fumadores nao fachistas e que era o unico que podia frequentar.Pois senhor fumador nao fachista belo exemplo de vivencia democratica.
- Rui dos Santos
Finalmente alguem que lança uma pedra neste charco pútrido, espero é que não lhe apareça a "PIDE do Sonasol" para o importunar. Um excelente ano novo com umas belas cigarradas.
Segunda-feira, 31 Dezembro
- João de Sousa
Queria apenas acrescentar que a Europa que hoje proibe os cidadãos de fumar é a mesma que continua a subsidiar a plantação de tabaco. Se isto faz sentido, eu vou ali e já venho...
- João de Sousa
Começo por dizer que sou, por opção, um cidadão não fumador desde há mais de uma ano. Mas, neste momento e perante esta lei (fascista, como diz e bem o ARF) só me apetece voltar a fumar! Porque não gosto de fundamentalismos, nem de paternalismos. E porque tudo isto é uma tremenda hipocrisia! O tabaco mata? Mata. Mas a vida também mata.
Segunda-feira, 31 Dezembro
- Henrique Alves
O normal e natural é as pessoas não fumarem. Assim pode concluir-se que se alguém nesta matéria pode reclamar direitos, são os não fumadores. Claro que quem quiser fumar, quanto a mim, poderá fazê-lo DESDE QUE NÂO INCOMODE OS OUTROS. Vejo os fumadores a falarem nos seus direitos de uma maneira que até me parece que eles acham que é normal que os não fumadores suportem o seu fumo. H Alves-Funchal
- J. Rodrigues
Ninguém ensinou, a este democrata pela rama, aquele velho e simples princípio de que a liberdade de cada um termina onde começa a liberdade dos outros? Ainda por cima, insultar publicamente os outros que não lhe fazem mal nenhum e só desejam, pelo contrário, que não seja perigoso para eles com o seu vício, é o máximo de descaram
- JC
or mim podem fumar até os dedos, desde que não obriguem outras pessoas a fazer o que não querem: FUMAR. Os não fumadores até nem se chatearão que os pais fumadores, mesmo os menos valentões, não prescidam do "prazer de fumar" nos quartos de seus filhos, com estes a dormir ou não, ou quando os transportam em carro com janelas bem fechadas. Assim, melhor se transmitirá aquele "prazer".
- maria da fonteA presença de fumadores nos restaurantes que frequento, discotecas, centros comerciais, etc... não me incomodam, assim como não me incomodam os, carecas,os cabeludos, os gordos, os magros etc... o que me incomoda é o fumo e bastante. Daí parecer-me bastante abusiva a comparação.
- Paulo Jacob
A lei do mercado é uma coisa muito bonita. A maioria dos establecimentos optou por proibir o tabaco. Parece-me bem. Nao sei porque carga d'agua um trabalhador tem de levar com o fumo do tabaco dos clientes. Alem disso esta lei ja foi aplicada, com grande sucesso, em paises com tradicoes democraticas muito maiores que as nossas.Porque raio havemos de ficar atras na proteccao da saude? Haja juizo
- Abel Barreto
Já reparou que o senhor apenas fala dos direitos dos fumadores? E os direitos dos não fumadores? Tenho que almoçar e gramar com o fumo do seu querido cigarro?Afinal, os fundamentalistas não são aqueles que apenas se preocupam consigo mesmos e desprezam os direitos dos outros?Tenha juízo!
- Miguel Luis
Acho de uma infelicidade atroz, para não dizer mais, comparar a nova lei sobre o tabaco, com a declaração sob palavra de honra de não ser comunista. É, quanto mais não seja, um insulto a todos quantos tiveram de passar por esses tempos e essa lei. Comparar Hitler a todos quantos querem fazer uma refeição sem serem incomodados pelo fumo do tabaco, é intelectualmente desonesto. Ass: um fumador
- DEMOCRATA
STE ARTIGO QUE POSSO COMENTAR HOJE EM LIBERDADE E VOU CONTINUAR A TER DE CERTEZA, PORQUE ELA IRREVERSIVEL, COMPARAR A ACTUAL SITUACAO COM O FASCISMO E PURA FICCAO OU UM DESCONHECIM. TOTAL DE QUEM NAO SOFREU NA PELE A OPRESSAO E A FALTA DE LIBERDADE, PORQUE NAO UM COMENTATARI. CITANDO OS PREVILEGIOS QUE FORAM TIRADOS A ALGUNS QUE TRABAL. METADE QUE A MAIORIA DOS PORTUG. OU ERAM REFORM.AOS 50 ANO
- Carlos
Completamente de acordo e nunca fumei. Agora pergunto ,quando os custos sociais da obesidade forem astronomicos obrigam-se os gordos a passar fome ou fecham-se as multinacionais de comida deindustrial de plastico?
- Aníbal Duran Costa
Senhor Ferreira. Sendo contra os fundamentalistas, também usa uma linguagem fundamentalista em sentido inverso. Também eu fui fumador e hoje rio-me de mim próprio, como pude ser täo estúpido durante tanto tempo. A minha liberdadade acaba quando a sua começa e vice- versa. Nem a lei deve exagerar, nem o senhor. O senhor deve ter o direito de fumar e eu devo ter o dreito de näo ser incomodado.
- Zé Paga
Quando as medidas tomadas agradam ou servem a maioria, serão boas!!! Neste caso, é preso por ter cão e preso por não o ter. Só é pena que não haja legislação que obrigue o fumador a pagar, integralmente, nos serviços de saúde, todas as despesas com doenças resultantes do acto de fumar. Isso contribuiria para uma responsabilização do fumador. O mesmo, seria de aplicar aos vícios de álcool e drogas.
- Portugal é Nosso
E na Tropa como é? O soldado vai chamar a atenção ao oficial por estar a fumar dentro da sala de trabalho? Coitadinho! O Oficial "cai em cima dele" com o RDM e CJM. Coitadinho do soldado que nem liberdade de expressão tem!
- Pedro André
Bom artigo! Mas pode ter a certeza que se eu estiver a jantar ou a lanchar ao seu lado, e se voce puxar de um cigarro, eu vou ser o primeiro a chamar-lhe varios nomes desagradáveis, alem de o denunciar ao responsável do local. Quem fuma não tem respeito pelos demais cidadãos, e eu estou farto de estar num café a ter de respirar o fumo dos outros! Se não há respeito intrinseco, que hajam leis!
- rui ramos
Criação de 150 mil novos empregos? Na «mouche»: 150 mil «fiscais» de fumadores. Q bebam muito, q se droguem, q façam negócios ilícitos, q violem filhas, «no problem». Isto é mais um negócio. Quem vai ganhar com isto? Eis a questão.Lisboa


