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sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Vladimir Maiakovski - Meu Maio

* Vladimir Maiakovski


A Todos
Que saíram às ruas
De corpo-máquina cansado.
A Todos
Que imploram feriado
Às costas que a terra extenua –
Primeirode Maio!
Meu mundo, em primaveras,
Derrete a neve com sol gaio.
Sou operário – Este é o meu Maio!
Sou camponês – Este é o meu mês.
Sou ferro –
Eis o Maio que eu quero!
Sou terra –
O Maio é minha era!

sábado, 7 de novembro de 2015

Maiakowski - Canto épico a Lenin e à revolução

6 de novembro de 2015 - 12h24 
Canto épico a Lenin e à revolução
Esta semana Prosa, Poesia e Arte resgata obras importantes de poetas e escritores russos devido às comemorações de 98 anos da Revolução de Outubro, que levou o Partido Bolchevique ao poder e deu início à União Soviética em 1917. O poema Vladimir Ilitch Lênin, publicado por Vladimir Maiakovski em 1924 só chegou ao Brasil na íntegra em 2012, por meio de uma publicação da editora Anita Garibaldi em parceria com a Fundação Maurício Grabois.

Reprodução
Maiakovski foi um dos mais destacados poetas russos, se engajou completamente na revolução e dedicou todo seu talento à construção da União Soviética Maiakovski foi um dos mais destacados poetas russos, se engajou completamente na revolução e dedicou todo seu talento à construção da União Soviética Zoia Prestes aceitou o desafio de traduzir a obra na íntegra, que até então tinha chegado ao país apenas em alguns pequenos fragmentos. Adalberto Monteiro, presidente da Fundação Maurício Grabois, foi o responsável pelo texto de abertura da edição brasileira do livro-poema, que Prosa, Poesia e Arte traz na íntegra aqui. Em uma edição anterior o caderno cultural do Vermelho publicou um trecho do poema, que pode ser lido neste link. 

Leia a introdução de Adalberto Monteiro* ao poema Vladimir Ilitch Lênin na íntegra: 

Este livro-poema foi escrito em 1924 por Vladimir Maiakovski (1893-1930) sob o impacto da morte de Lenin, falecido em 21 de janeiro daquele ano. Em vez de um réquiem, o poeta escreveu um canto forte e flamejante, uma ode à Revolução Socialista de Outubro, ao legado de Lenin e ao Partido Comunista russo. A escolha se deveu ao fato de que a biografia do homenageado não se coadunava com versos enlutados que pretendessem encaminhá-lo ao repouso eterno. O poema proclama que mesmo depois da morte, Lenin/ ainda/ está mais vivo do que os vivos.

Sendo a oficina poética de Maiakovski uma usina soviética de produzir felicidade, essa usina trabalhou por meses seguidos para laborar este livro, em três turnos, por ordens expressas do coração e pelo dever do mandato. É daquelas obras com as quais o autor sofre como uma videira que padece de frio e sede para gestar a uva da qual jorrará o excelente tinto. O talento de Maiakovski foi forçado ao limite. Corpo e alma sugados. Afinal, a Rússia soviética era para ele “a musa das musas”. E Lenin representava a personificação dessa vitória inaugural dos trabalhadores.

Um dado particular demonstra a autenticidade do impulso do poeta: Lenin, no geral, teve uma avaliação comedida sobre o trabalho literário de Maiakovski. Esse juízo, em parte, decorria do conteúdo iconoclasta do futurismo russo em relação aos clássicos e ao passado. Mais adiante, o poeta alterou essa concepção, inclusive enaltecendo Puchkin, ícone sagrado da literatura de sua terra.

Apesar da tensão, Maiakovski escalou bem a montanha. O peso da responsabilidade chegou a atemorizá-lo. Na autobiografia ele reconhece: “(...) Eu tinha muito medo desse poema, era tão fácil descer a paráfrase política. A receptividade do auditório operário me alegrou e me reforçou a certeza da necessidade do poema”.

Na verdade, Maiakovski talvez fosse o único escritor soviético de sua geração cuja trajetória e singularidades conferiam credenciais suficientes para escrever esta homenagem. Ele usou toda a densa poesia, a cultura política e filosófica, e a condição de quem participou diretamente das barricadas que levaram Outubro à vitória.

O militante

Maiakovski aderiu ao Partido socialdemocrata (bolchevique) em 1908, com 15 anos de idade. Aos dezesseis, pela segunda vez seria preso e roeria por 11 meses as grades das cadeias do tsar. Participou diretamente da insurreição. Depois da conquista do poder (1917), de pronto se engajou no Comitê dos artistas. Maiakovski, além de poeta, era pintor, ator de teatro e cinema, roteirista, publicitário e dramaturgo. Colocou toda essa capacidade e diversidade de talentos, literalmente como um operário, em prol da construção da nova sociedade.

Em 1918, “alista-se” na Rosta, uma agência pioneira de propaganda do Estado operário. Transcorriam os anos duríssimos da guerra civil, da fome e da intervenção estrangeira. Exércitos de grandes potências marcharam para esmagar a revolução “no berço”. Como pintor, cria mais de 400 cartazes. Neles e em outras peças escreve 1.600 legendas poéticas. Tratava-se de um tipo especial de propaganda cujo objetivo era alimentar o ânimo dos soldados do Exército Vermelho que padeciam agruras no front.

Passaram-se os anos e Maiakovski se desvincula formalmente do Partido (Porque adquiri muitos hábitos que não são conciliáveis com o trabalho organizado, justificaria.). Diria, no poema “A Plenos Pulmões”, de 1930, que no lugar da carteira do Partido apresentava todos os cem tomos dos meus livros militantes.

O poeta

Gorki o conhecera por volta de 1914, quando o poeta estava ali pela casa dos 19, 20 anos. O autor de A mãe soube ver, de pronto, que estava diante de um diamante graúdo e bruto. Maiakovski, quando escreveu Vladimir Ilitch Lenin, tinha 31 anos de idade e já havia se tornado um poeta maduro e consagrado. A vida e o trabalho intenso o haviam lapidado.

Se a Revolução dos oprimidos foi o sol de sua poesia, a lua dos seus poemas foi o amor pelas mulheres. Paixões explodiram em seu coração como estrondo de tiro de bazuca. Difícil saber que fogo arde mais em seus poemas: beijo ou lança cravada no peito. Neles, o épico e o lírico se entrelaçam e o sarcasmo é a adaga. Como escritor, Maiakovski se lançou nos debates acesos – e por vezes corrosivos – da busca da arte e da literatura soviética. Foi duramente combatido e boicotado pela mediocridade da qual, desgraçadamente, nenhum sistema político está imune.

O mais humano dos humanos

O poema Vladimir Ilitch Lenin enaltece com as notas elevadas de uma sinfonia o protagonista. Contudo, abre as baterias contra a canonização de Lenin. Temo/ que as marchas/ ao mausoléu/ com o estatuto de reverências / inundem/ com o doce fel/ a simplicidade/ de Lenin. (...) Estamos/ enterrando/ a pessoa mais terrestre/ de todas/ que passaram/pela Terra. E dá o testemunho: Ele/ nutria/ pelo companheiro/ um carinho humano. Ele/ se erguia/contra o inimigo/ mais firme que ferro./ Conhecia ele fraquezas que conhecemos,/ como nós/ superava doenças.

Uma conquista para a língua portuguesa

No Brasil, a publicação deste livro-poema é inédita. Alguns trechos dele foram traduzidos por E. Carrera Guerra e publicados no livro Maiakovski – antologia poética. Mas a presente tradução de Zoia Prestes, direta do russo, nos proporciona pela primeira vez o texto integral em língua portuguesa. Nosso idioma se enriquece com este trabalho e a sua comunidade de leitores tem agora a oportunidade de desfrutar, através de um poema emblemático, de uma das faces mais marcantes da obra de Maiakovski: a poesia como canto e arma de um povo, aquela que lhe deu título de Poeta da Revolução. Temos certeza de que esta leitura será um deleite aos amantes da poesia e alimento para os que partilham dos ideais desse grande escritor que no crivo de Haroldo de Campos é o maior poeta russo contemporâneo e um dos inventores da poesia moderna.


Capa do livro-poema de Maiakovski publicado no Brasil 

A tradução desse poema era um sonho de muitos. Não é mero acaso que até hoje não tivesse sido realizada. Os obstáculos são conhecidos. O próprio Maiakovski já alertara: Traduzir poemas é tarefa difícil, especialmente os meus.

Mas Zoia não se curvou ante as dificuldades, de resto, sabidamente pertencentes aos ossos de seu ofício. A tradução preservou rigorosamente o verso escalonado, marcado graficamente, forma que orienta a leitura em voz alta. Entre as pérolas do poema de Maiakovski, colhidas e vertidas por Zoia, destaco esta: 

Diante de milhões de olhos 
e dos meus dois,
apenas caramelos congelados de lágrimas,
grudados
às bochechas.

Mazé Leite, artista plástica e designer, concebeu e realizou o projeto gráfico, criou a capa e ilustrou o livro. E o resultado é esta bela edição condizente com os altos quilates do poema e com o valor que o poeta atribuía à forma tanto de seus versos quanto das publicações que os disseminavam.

Uma poesia que dialoga com o futuro

Em seus poemas, Maiakovski frequentemente se dirige ao futuro, conversa com as gerações de séculos vindouros. Por este e outros motivos, seus adversários diziam que ele padecia de gigantomania. Os desafetos da atualidade assacam-no: sua poesia teria sido enterrada no mesmo túmulo onde jaz a URSS. Mas, a autoprofecia vai se confirmando. Sua poesia, como uma seta, atravessa a carne macia do tempo. Primeiro porque sua poesia brilha com a luz de cem sóis. Segundo, porque seu lirismo só perderá atualidade se os humanos se tornarem assexuados e destituídos da capacidade de amar. Terceiro, o capitalismo, do qual Maiakovski foi crítico e inimigo, convenhamos, não goza de boa saúde nesta segunda década do 21. E os ideais da revolução da qual foi poeta – embora derrotada no final do século passado – agora se revigoraram, vicejam e espalham novamente o verde da esperança neste reino cinzento do capital, de guerras, fome e destruição do planeta e da vida que o habita.

A poesia de Maiakovski segue mantendo aceso o sonho de um mundo regido pela solidariedade e pela luta para realizá-lo. Conforme diz Lenin – que, para o desespero dos opressores, hoje continua lido e valorizado como pensador e revolucionário: É preciso sonhar, mas com a condição de crer em nosso sonho. De observar com atenção a vida real, de confrontar a observação com nosso sonho, de realizar escrupulosamente nossas fantasias. Sonhos, acredite neles.

E o sonho na visão de Maiakovski é este:

No verão da comuna
os anos se aquecerão,
e a felicidade com o doce 
de frutas enormes
amadurecerá
nas flores
vermelhas de Outubro.



Leia também:



*Adalberto Monteiro é jornalista e poeta, presidente da Fundação Maurício Grabois e editor da revista Princípios

http://www.vermelho.org.br/noticia/272432-11

Poema de Vladimir Maiakovski em homenagem a Lênin


A obra completa pode ser conferida no livro Vladimir Ilitch Lênin, publicado no Brasil pela editora Anita Garibaldi

7 de novembro de 2014 - 16h05

O poeta Vladimir Maiakovski escreveu o poema Vladimir Ilitch Lênin em 1924, ainda sob o impacto da morte do revolucionário russo, em 21 de janeiro daquele ano. A obra é uma ode à Revolução Socialista de Outubro, ao legado de Lênin e ao Partido Comunista russo. Inédita no Brasil, a obra foi traduzida direto do Russo por Zoia Prestes e publicada pela editora Anita Garibaldi em parceria com a Fundação Maurício Grabois.


Confira trechos do poema:

Não devemos   
nos derramar   
em poços de lágrimas, -  
Lenin   
ainda  
está mais vivo do que os vivos  
 É nosso saber -  
 nossa força e arma

O Partido e Lenin -  
 são irmãos gêmeos -  
 quem é mais  
 valioso do que a mãe-história?  
 Dizemos Lenin -   
subentendemos -   
Partido,   
Dizemos   
Partido,   
subentendemos -   
Lenin

Não é a vassoura  
 a arma é o fuzil.   
Mil vezes   
a mesma coisa   
ele prega   
no ouvido surdo   
e amanhã   
cada um erguerá   
as mãos   
que entenderam as duas.   
Ontem foram quatro,   
hoje são quatrocentos.   
Escondemo-nos,   
mas amanhã   
vamos de peito aberto,   
e esses   
quatrocentos  
 serão mil

Dessa bandeira   
de cada dobra  
novamente   
vivo   
Lenin conclama:  
 - Proletários,   
formem-se   
para a última batalha!   
Escravos,   
endireitem   
as colunas e os joelhos!   
Exército dos proletários,   
levante-se esguio!   
Viva a revolução,   
radiante e veloz!   
Essa -   
é a única   
grande guerra   
de todas   
que a história já viveu

Da redação do Vermelho
http://www.vermelho.org.br/noticia/253085-11

Há 98 anos da Revolução Russa, cinco poemas que permanecem atuais


Poster soviético com os dizeres "O que a Revolução de Outubro deu às trabalhadoras e camponesas", trazendo ao fundo bibliotecas, centros de cultura, de lazer, escolas e institutos de ensino, antes privilégio

6 de novembro de 2015 - 11h38 

Em novembro os comunistas e os povos do mundo comemoram 98 anos do triunfo da revolução que levou ao poder o Partido Bolchevique na então União Soviética. O Prosa, Poesia e Arte desta semana fez uma seleção de cinco poemas, todos escritos em 1917 (o ano da revolução), por poetas russos engajados no processo revolucionário.

Por Mariana Serafini

Poetas selecionados: Andréi Biéli, Boris Pasternak, Vladimir Maiakovski e Sierguéi IessiêninPoetas selecionados: Andréi Biéli, Boris Pasternak, Vladimir Maiakovski e Sierguéi Iessiênin Extremamente avançados para a época, tanto na forma, quanto no conteúdo, os poemas valorizam o poder da palavra. Minimalistas e certeiros, muitos dos poetas russos estavam longe de ser panfletários ou óbvios ao atuarem na trincheira da luta de ideais com as mais diversas armas: além da poesia, o teatro, o cinema, o romance. 

De estética simples, e muito avançada para a época, os poemas apresentam formatos e conteúdo que foram aplicados mais de 40 anos depois na dramaturgia e na literatura em países como Inglaterra e Irlanda que são consagrados por terem inaugurado uma nova vertente da dramaturgia, tida como contemporânea e minimalista. No entanto, a inovação de fato aconteceu no início do século, já em 1903, 1910, na Rússia. 

Os poemas foram extraídos do livro Poesia Russa Moderna, traduzidos no Brasil por Augusto e Haroldo de Campos e Boris Schnaiderman. 

Leia na íntegra: 

A Palavra
           
(Andréi Biéli)

Na febre de som
do sopro
a treva é flama-fala.

Lá fugindo da laringe, 
a terra exala. 

Expiram
As almas
Das palavras não compostas.

Deposita-se a crosta
Dos mundos que nos portam.

Sobre o mundo formado
Paira a profundidade
Das palavras proferíveis.

Profundamente ora
A palavra das palavras, Sarça viva.

E do futuro
Paraíso
Alça-se a terra adunca

Por onde em chamas, consumindo,
Não passarei: nunca.

Tradução de Augusto de Campos e Boris Schnaiderman


O Dom da Poesia 

(Boris Pasternak)

Deixa a palavra escorregar,
Como um jardim o âmbar e a cidra,
Magnânimo e distraído,
Devagar, devagar, devagar.

Tradução de Augusto de Campos


Definição de Poesia

(Boris Pasternak)

Um risco maduro de assobio.
O trincar do gelo comprimido.
A noite, a folha sob o granizo.
Rouxinóis num dueto-desafio.

Um doce ervilhal abandonado
A dor do universo numa fava.
Fígaro: das estantes e flautas
Geada no canteiro, tombado.

Tudo o que para a noite revela
Nas funduras da casa de banho,
Trazer para o jardim uma estrela
Nas palmas úmidas, tiritando.

Mormaço: como pranchas na água, 
Mais raso. Céu de bétulas, turvo.
Se dirá que as estrelas gargalham, 
E no entanto o universo está surdo. 

Tradução de Aroldo de Campos


Nacos de Nuvem

(Vladimir Maiakóvski

No céu flutuavam trapos
de nuvem – quatro farrapos:

do primeiro ao terceiro – gente; 
o quarto – um camelo errante.

A ele, levado pelo instinto, 
no caminho junta-se um quinto.

Do seio azul do céu, pé-ante-
pé, se desgarra um elefante.

Um sexto salta – parece.
Susto: o grupo desaparece.

E em seu rasto agora se afasta
o sol – amarela girafa.

Tradução de Augusto de Campos


De Transfiguração 

(Sierguéi Iessiênin)

Ei, russos!
Pescadores do universo,
Na rede da aurora colhendo o céu - 
Troai as trompas!

Sob a charrua do raio
Ruge a terra.
Rompe os penhasco a auridente
Relha.

Novo semeador
Erra pelos campos
Novas sementes
Arroja aos sulcos.

Um hóspede-luz
Vem num coche.
Corre entre as nuvens
Uma égua

Sela da égua - 
Azul.
Sinos da sela - 
Estrelas. 

Tradução de Augusto de Campos

http://www.vermelho.org.br/noticia/272427-11

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Vladimir Maiakovski - Adultos

*  Vladimir Maiakovski

Os adultos fazem negócios.
Têm rublos nos bolsos.
Quer amor? Pois não!
Ei-lo por cem rublos!
E eu, sem casa e sem teto,
com as mãos metidas nos bolsos rasgados,
vagava assombrado.

À noite
vestis os melhores trajes
e ides descansar sobre viúvas ou casadas.
A mim
Moscou me sufocava de abraços
com seus infinitos anéis de praças.
Nos corações, nos relógios
bate o pêndulo dos amantes.

Como se exaltam as duplas no leito de amor!
Eu, que sou a Praça da Paixão,
surpreendo o pulsar selvagem
do coração das capitais.
Desabotoado, o coração quase de fora,
abria-me ao sol e aos jatos d'água.
Entrai com vossas paixões!
Galgai-me com vossos amores!

Doravante não sou mais dono de meu coração!
Nos demais – eu sei,
qualquer um sabe -
o coração tem domicílio
no peito.

Comigo
a anatomia ficou louca.
Sou todo coração -
em todas as partes palpita.
Oh! Quantas são as primaveras
em vinte anos acesas nesta fornalha!
Uma tal carga
acumulada
torna-se simplesmente insuportável.
Insuportável
não para o verso
de veras.

http://www.mensagenscomamor.com/poemas_e_poesias_de_vladimir_maiakovski.htm

domingo, 22 de abril de 2012

Vladimir Maiakóvski - Despertar é preciso


Victor Nogueira partilhou a foto de Os Resistentes.
Domingo
DESPERTAR É PRECISO

Na primeira noite eles aproximam-se e colhem uma Flor do nosso jardim e não dizemos nada.
Na segunda noite, Já não se escondem; pisam as flores, matam o nosso cão, e não dizemos nada.
Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua e, conhecendo o nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E porque não dissemos nada, Já não podemos dizer nada.

Vladimir Maiakóvski
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