* Philip Larkin
A casa está tão triste. Permanece tal como a deixaram,
Feita ao conforto dos últimos que partiram
Como se para os reconquistar. Ao invés, privada
De alguém a quem agradar, definha assim,
Sem ânimo para esquecer o roubo
E voltar-se novamente para o que começou
Como uma jubilosa tentativa de como tudo deveria ser,
Há muito falhada. Pode-se ver como era:
Repare-se nas fotografias e nos talheres
A música no banco do piano. Aquela jarra.
Textos e Obras Daqui e Dali, mais ou menos conhecidos ------ Nada do que é humano me é estranho (Terêncio)
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segunda-feira, 22 de maio de 2017
terça-feira, 9 de maio de 2017
Jaan Kaplinski - O silêncio aqui
* Jaan Kaplinski
O silêncio está sempre aqui e em toda a parte;
ouvimo-lo por vezes com maior nitidez:
paira uma bruma pelos prados, a porta do celeiro está aberta,
um tordo-pisco canta ao longe e uma
borboleta branca não pára de esvoaçar
em torno do ramo de um ulmeiro que
balança ao de leve com o poente em fundo.
O crepúsculo despoja tudo de rosto ou caligrafia,
sobra apenas a diferença entre luz e escuro --
não há senão a própria noite estival
e um velho relógio de bolso começa de repente
a fazer tiquetaque sobre a secretária,
muito alto.
O silêncio está sempre aqui e em toda a parte;
ouvimo-lo por vezes com maior nitidez:
paira uma bruma pelos prados, a porta do celeiro está aberta,
um tordo-pisco canta ao longe e uma
borboleta branca não pára de esvoaçar
em torno do ramo de um ulmeiro que
balança ao de leve com o poente em fundo.
O crepúsculo despoja tudo de rosto ou caligrafia,
sobra apenas a diferença entre luz e escuro --
não há senão a própria noite estival
e um velho relógio de bolso começa de repente
a fazer tiquetaque sobre a secretária,
muito alto.
Jaan Kaplinski, versão de Vasco Gato
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Jaan Kaplinski,
Poesia,
Vasco Gato
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