"Ilustres convidados, minhas senhoras e meus senhores.
Obrigado por se juntarem a nós esta noite nesta celebração do lançamento da Mindset Network, uma rede multimédia educativa por satélite, e do seu primeiro canal, chamado Activate.
A África do Sul herdou um sistema educativo altamente disfuncional da era do apartheid. É uma das nossas principais tarefas de reconstrução edificar um sistema educacional que proporcione oportunidades de qualidade a todo o nosso povo. É fundamentalmente importante que as nossas crianças estejam preparadas para competir com confiança na arena internacional. Precisamos de garantir que cada uma das nossas crianças tenha acesso a uma educação de qualidade e de nível mundial.
O Ministério da Educação está a fazer um excelente trabalho para tornar isto possível, e estou também particularmente orgulhoso do trabalho do setor empresarial sul-africano ao apoiar o ministério em iniciativas educativas que mudam o país. Esta é uma dessas iniciativas que estamos a lançar esta noite.
Há muito que estou impressionado com o trabalho da Liberty Foundation, que deu grandes passos com o Learning Channel na televisão ao longo dos últimos 13 anos. Isto provou ser muito bem-sucedido e fez uma diferença imensurável na vida de incontáveis alunos e professores.
Quão soberbo é que isto tenha sido tornado possível por um conjunto de empresas. Compreendo que algumas destas empresas sejam concorrentes. Que estas organizações estejam lado a lado e a trabalhar juntas é mais um testemunho da grande capacidade dos sul-africanos para superar diferenças e obstáculos.
Quero, por isso, prestar homenagem e dar os meus agradecimentos pessoais àqueles que estão na Liberty, no Standard Bank, na PanAmSat, na MultiChoice Africa, no Sunday Times, na Sentech e, claro, àqueles na Fundação Nelson Mandela por se terem chegado à frente para tornar isto possível. Quero também agradecer às pessoas que trabalham na Mindset Network por tudo o que fizeram tão rapidamente para pôr este projeto a funcionar. É difícil acreditar que tenham conseguido ir tão longe em tão pouco tempo. É simplesmente notável o que as pessoas podem fazer num ano quando há uma grande necessidade e o momento é o certo.
O apoio às escolas, e particularmente àquelas em zonas rurais, há muito que é uma causa muito próxima do meu coração. De facto, há muitos de vós no público hoje que provavelmente estremecem quando me veem porque sabem que eu acredito que todos podemos fazer mais nesta área! Como sabem, também sou apaixonado por lidar com os nossos desafios na saúde, particularmente na área do VIH/SIDA. Passarei o resto dos meus dias a tentar ajudar a garantir uma África do Sul mais educada e mais saudável. Fico, por isso, aliviado por ouvir que a Mindset Network também lançará um canal dedicado às questões de saúde, direcionado tanto aos profissionais de saúde como aos pacientes em todo o país.
Com o seu foco na educação e na saúde, a rede está a responder às mesmas questões-chave da Fundação Nelson Mandela e do Fundo Infantil Nelson Mandela. Era, portanto, óbvio que a minha fundação empenharia o seu apoio a esta iniciativa. Apelo a cada sul-africano, a cada organização sul-africana e aos nossos amigos internacionais para que apoiem a Mindset Network. É um projeto que certamente fará uma diferença significativa na vida de milhões de sul-africanos e até daqueles além das nossas fronteiras.
A educação é a arma mais poderosa que podemos usar para mudar o mundo, e a Mindset Network é uma parte poderosa desse arsenal de mudança.
Gostaria agora de fazer uma apresentação a duas escolas muito merecedoras.
Chamo primeiro o chefe do departamento de Ciências da Escola Secundária de Mount Ayliff, perto de Kokstad, Goodman Zingisile Cele, bem como dois alunos do 12.º ano, Phumezo Joyi e Phumzile Nonduku.
Textos e Obras Daqui e Dali, mais ou menos conhecidos ------ Nada do que é humano me é estranho (Terêncio)
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sábado, 29 de agosto de 2026
(96) Nelson Mandela - "Lighting your way to a better future" (2003)
Mural de homenagem a Mandela, por Nuno Saraiva, inaugurado pela Junta de Freguesia de Alvalade no Dia Internacional de Nelson Mandela, 18 de julho 2018
Nelson Mandela
O mural contém a frase "Lighting your way to a better future" ("Iluminando o vosso caminho para um futuro melhor") e faz parte do discurso proferido por Nelson Mandela no dia 16 de julho de 2003, no Planetário de Joanesburgo, . A intervenção foi feita no âmbito do lançamento da Mindset Network, uma iniciativa educaciona. Segue a transcrição integral em português europeu (PT-PT) do discurso de 16 de julho de 2003 no Planetário de Joanesburgo:
Como já não sou um homem jovem, entrego-vos este globo em representação do televisor, da antena parabólica, do descodificador, do leitor de vídeo e do cartão inteligente, bem como da formação e apoio ao educador. Quero dar este pacote à vossa escola, pois sei que abrirá um mundo de possibilidades para todos vós."l e de saúde baseada em rede multimédia por satélite.
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sábado, 18 de julho de 2026
Raquel Varela - [Ensino, exames e pedagogia]
* Raquel Varela
Sabem o que ensinam os professores antes de um exame? Leiam atentamente as perguntas todas antes de começar a responder a cada uma delas, no fim revejam o exame todo, se há uma questão difícil passa para a próxima, e volta a esta mais tarde. Verifica os erros ortográficos. Dorme e come bem antes do exame. Quando sair a nota fazemos a correcção colectiva, na aula, e em cada exame está a correcção individual, se tens dúvidas vem falar comigo no final da aula e ficamos a ver juntos o exame e, ao teu lado, demonstro o que está mal, bem, o que podia ser melhor.
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quinta-feira, 16 de julho de 2026
Raquel Varela - [O que não deve ser a Escola]
* Raquel Varela
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Ontem fiquei a saber que uma professora de geografia fez sucesso ao dizer que adora classificar intens, resolvi ir ver o exame de geografia. Não ouvi a professora, confesso, estava a caminho de Ponte Sor, numa automotora que acompanha o Tejo, atravessa montados, e onde toda a gente se trata por tu, do maquinista à senhora que trabalha numa fábrica no Carregado, do revisor, que com ternura dá águas quando o ar condicionado pifa, ao agrónomo que ia me falando dos cavalos, dos javalis e , claro, dos jovens maquinistas em formação, em visita de estudo, que me dedicaram o seu sorrido, conversa e um deles até me mostrou a foto das bochechas de porco preto que comeu com a avó. Devolvi contando das grandes greves dos heróis ferroviários no século XIX. Não há calor que me tire de um comboio, o transporte mais belo do mundo. Se é uma automotora a 100 à hora, o dia foi perfeito. Walter Benjamin, filósofo, disse um dia que a revolução não é o comboio da história, é o travão de emergência. Eu, ali, na automotora a caminho de uma formação de professores, levava no colo Vigotsky, o mais importante psicólogo que explica no fundo como aprendemos e desenvolvemos o cérebro.
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quarta-feira, 17 de setembro de 2025
Patrícia Reis - O estado da Nação
* Patrícia Reis
Diário de Notícias 02 Set 2025
Os Países Baixos têm as crianças mais felizes, dizem os estudos. Crianças que passam muito tempo na rua, com chuva ou sol, uma carga de atividades extra reduzida. E podem ficar entediadas, porque aprender a gerir a frustração faz parte da vida. Não têm satisfações imediatas, não usam as novas tecnologias como uma extensão do corpo, leem e são estimuladas a conversar, nada de jantares ao som das breaking news do mundo. Os pais estimulam a autonomia, são pouco vigilantes, menos controladores, vá.
Por aqui a história é outra, porque as crianças acumulam quadros de ansiedade, não sabem lidar com a rejeição nem com a frustração, precisam de estar sempre em movimento (quem disse que a malta tem de estar sempre ocupada?) e se uma criança vai para a escola a pé, a um quarteirão de distância da sua casa, é um ai Jesus. Não, os pais não perderam a cabeça, talvez estejam apenas a promover autonomia, segurança.
A história mais bizarra que ouvi, há umas semanas, prende-se com jovens adultos. Um professor universitário contou-me que é confrontado com os pais dos alunos regularmente. Interpelam-no, pedem esclarecimentos sobre notas, intervêm como fazem na escola primária. “Isto não ajuda nada. A cereja no topo do bolo é a mãe que vem falar comigo, porque chumbei o filho e eu precisei de lhe mostrar as folhas de presença e de dizer: ‘O seu filho nunca veio a uma aula que eu tivesse dado’”. Cara de urso da mãe, imagino.
O que leva os pais a controlar tanto a vida dos filhos? Porque precisarão eles de os ter fixos no ninho, mal preparados para o mundo real? Que exemplo damos a um jovem, se não acreditamos que seja capaz de resolver as suas questões, assumir responsabilidades?
A educação é um dos pilares da sociedade, defendemos a ideia fundadora de oportunidades e princípios, mas a nossa aposta na educação é fraca. As redes sociais aceleraram a vida. Os jovens abusam das ferramentas de IA nos seus trabalhos escolares, reduzindo o tempo de pesquisa e de leitura; abandonaram a possibilidade enriquecedora de correlacionar informações que permitem um desenvolvimento de raciocínio, outras perspetivas. Ora, se não estimularmos o cérebro, ele encolhe.
O neurocientista francês Michel Desmurget, autor do livro A Fábrica de Cretinos Digitais (2021, Bertrand Editora), explica que o mundo digital está a prejudicar o desenvolvimento neural de crianças e jovens e que, pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial, o Quociente de Inteligência desceu.
O QI é medido por um teste-padrão e é afetado por variáveis distintas, entre elas os sistemas educativos e de saúde ou as questões alimentares. A diminuição do QI foi já testada e documentada em vários estudos na Noruega, Dinamarca, França, Estados Unidos, entre outros. Michel Desmurget explica: “Vários estudos têm mostrado que quando o uso de televisão ou videogame aumenta, o QI e o desenvolvimento cognitivo diminuem” e acrescenta: “Os principais alicerces da nossa inteligência são afetados: linguagem, concentração, memória, cultura (definida como corpo de conhecimento que nos ajuda a organizar e a compreender o mundo). Em última análise, esses impactos levam a uma queda significativa no desempenho académico.”
A super estimulação provoca uma diminuição cognitiva – pode parecer paradoxal, mas é para isso que os estudos apontam. Menos interação social e menos atividades estimulantes criativamente (música, artes, leitura) levam a perturbações do sono e têm um impacto real na forma de o cérebro processar informação. Sem alimento, certas zonas tornam-se, digamos, menos ativas, como se metessem férias. Os mais jovens precisam de estímulos, e não de tantos ecrãs e de informação proveniente apenas do universo digital. Estes alertas têm vindo a ser feitos em diferentes plataformas, de académicos a cientistas, de especialistas de educação a psicólogos. Ouvimos e não fazemos nada, o que é pouco inteligente. Entretanto os pais, hiper vigilantes, optam por sobreproteger os filhos. Como se desenrascará esta geração? Como diz o povo, o futuro a Deus pertence.
Escritora e jornalista
https://www.dn.pt/opiniao/o-estado-da-na%C3%A7%C3%A3o
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