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sábado, 6 de dezembro de 2025

Domingos Lopes - Give peace a chance





* Domingos Lopes


GIVE A PEACE CHANCE, como cantava John Lennon

Há quase quatro anos que o Ocidente (EUA/NATO/UE) decretou que a Rússia teria de ser derrotada na Ucrânia, demorasse o tempo que demorasse o apoio a Zelenski.

Legiões de figuras de todo o tipo diariamente contavam maravilhas acerca das capacidades ocidentais e das miseráveis condições dos russos. Salvo meia dúzia de honrosas exceções todos afinavam pelo mesmo livro de pensamento único – a Rússia vai perder a guerra.

Há sentimentos na vida que cegam como o da arrogância que tomou conta desta tríade ocidental. Relembre-se o caso de Ursula von der Leyen que no seu destemperado ódio à Rússia chegou a afirmar que a Rússia, com as sanções, nem de frigoríficos iria dispor porque precisava dos chipes para armamento. Jornalistas houve que noticiaram que as espingardas da Rússia eram da 1ª Guerra Mundial e que os soldados nem ração tinham, e os cancros de Putin eram a rodos…

Houve até um Ministro dos Negócios Estrangeiros, o Dr. João Cravinho, que anunciou que Putin se fosse de férias ao Algarve seria preso. Stoltenberg, o então Secretário-Geral da NATO, ficou famoso por anunciar que apoiaria a Ucrânia o tempo que fosse preciso. O novo, capacho de Trump, ainda andará a agradecer ao imperador de Largo-a-Mar na Florida o apoio à Ucrânia que se está a ver nos famosos 28 pontos.

Zelenski, o Churchil ucraniano, rodeado de corruptos por todos os lados, o homem que mais armamento pediu (percebe-se melhor agora o seu papel com tantos ministros fugidos) já manifestou a sua vontade de negociar com os EUA o tal plano de Anchorage entre UEA e Rússia.

Do lado europeu anda tudo com a cabeça à roda. Os principais dirigentes da UE entraram em choque com a realidade circundante, designadamente a Leste, e entre si.

A decisão política face à invasão da Rússia da Ucrânia de apresentar ao mundo a impossibilidade da Rússia vencer, contando para tanto com o apoio dos EUA, revelou uma vez mais a total insignificância de pensamento político-estratégico. Os EUA querem “largar” a Ucrânia porque estão bem dentro do conflito, são eles que que comandam a Ucrânia e perceberam que não têm como travar militarmente a Rússia. Aqui bate o ponto. Em vez de uma humilhante derrota tentam sair por cima, se for possível.

Deve ter-se presente o plano dos EUA já mil vezes divulgado a partir da Rand Corporation, think-tank do Pentágono, de fragmentar a Rússia a partir do conflito militar da Ucrânia, assim definido pelo conselheiro de Segurança da Ucrânia Oleksei Resnikov em 06/01/2023 no TSN Canal 1+1…A OTAN dá as armas e nós o sangue…

Creio que esta afirmação de uma personalidade como Reznikov diz tudo quanto à envolvência dos EUA e à ideia da derrota militar da Rússia. O Ocidente subvalorizou o poderio militar e económico da Rússia e a sua arrogância impediu-o de ver que o mundo mudou e o Sul Global, mesmo que ainda incipiente, é uma realidade, sem falar dos BRICS.

Por outro lado, o “nosso” aliado aplicou-nos um golpe de mestre ao cortar a ligação da UE com a Rússia designadamente a nível de energia, onde assentava o crescimento industrial da Alemanha. Os europeus, se quiserem, têm de comprar a energia aos EUA, muito mais cara, ficando na dependência de alguém cuja coerência é assinalável…

Com este eventual fiasco da UE devemos ter presente o que se está a passar na frente dos nossos olhos.

Os dirigentes da UE sem qualquer mandato para tal e contra a filosofia fundadora da UE cavalgam uma corrida armamentista que gela o sangue. A Alemanha quer avançar para a guerra com a Rússia, na França um chefe militar diz que os franceses têm de assumir a coragem de ir morrer contra a Rússia…mas, há sempre um mas.

A França olha para o rearmamento da Alemanha desconfiada e a Polónia estremece, enquanto na própria UE há quem não esteja pelos ajustes.

A corrida aos armamentos pode ser a tentativa do neoliberalismo reinante na UE de justificar o empobrecimento e a limitação dos valores democráticos fundadores. Ou seja, face à impossibilidade de sair das políticas recessivas onde mergulharam os países, tentam erguer uma cortina de fumo para esconder a política de empobrecimento que vem a caminho com a famigerada ideia de garantir fundos para a guerra, cortando na política social, cultural e ambiental da UE.

Claro que uma política dessa estirpe irá não só a nível interno criar enormes tensões, como a nível dos Estados membros choques entre vários países que não querem ser atrelados ao carro da pobreza, pois esta política provocará ainda maior desigualdade entre eles. A campanha da guerra visa esconder exatamente esta perfídia.

Tenha-se presente que um fulano como Durão Barroso, que devia responder num Tribunal Internacional pelos crimes de guerra contra a Humanidade resultante da monstruosa mentira de que o Iraque tinha armas de destruição massiva, salta agora para os media proclamando que a Rússia vai invadir a Europa, bem sabendo que uma tal afirmação é uma mentira do tamanho de toda a Europa. O homem que perdeu toda a sua credibilidade como líder político, tenta agora na posição de neobanqueiro guindar-se no plano político, jogando com a perda de memória de um dos maiores crimes cometidos contra o direito internacional.

Os principais dirigentes da UE estão metidos num beco aparentemente sem saída. Estão unidos no empobrecimento dos povos, divididos quanto ao modo como fazer, dadas as contradições entre os Estados.

Como a UE é um conjunto de Estados com diferentes políticas de defesa é evidente que os grandes gostariam de unificar forças militares para serem eficazes, mas o problema real é: ao serviço de quem e de quê ?  

A política neoliberal é muito previsivelmente incapaz de conseguir tal desígnio porque ela funda-se na hierarquia do país mais forte que é a Alemanha, o que não é aceite nem pela França, Polónia e até Reino Unido, de fora da UE.

Resta levar à prática uma outra política de paz, desarmamento e cooperação. É preciso desarmar e não de armar. A mais firme e eficaz política de segurança europeia é partir para o desarmamento pan-europeu com a Rússia e os EUA. A Rússia faz parte da Europa e nunca irá sair do continente; os EUA não são europeus, mas pelo seu peso no mundo e face à NATO é benéfica a sua participação numa tal política.

Não há que ter medo – o desafio é desarmar e nunca armar. É preciso diminuir o armamento na Europa conjuntamente com a Rússia, criar um clima normal entre gente normal que quer viver dignamente onde que que viva no continente cuja História exige outra responsabilidade.

A Ucrânia não poderá ser uma ferida a sangrar no continente. Após o conflito é necessário abrir canais de cooperação para reestabelecer medidas de confiança entre os povos envolvidos no conflito. Talvez, porque não, uma Conferência Europeia para a Paz e a Cooperação entre todas as nações. Este é o caminho. Se a guerra terminar é preciso que nunca mais se reacenda, como aconteceu já também acontecera na Jugoslávia.

Creio com todas as forças, que quando os figurões do armamento pedem mais dinheiro para a indústria da morte, é preciso que os povos toquem os sinos a rebate para acordarem as consciências da paz. Em pleno século XXI só a paz é a nossa humanidade e a guerra a nossa bestialidade. A Europa não precisa de mais pilhas de cadáveres, antes necessita de conhecimento, sabedoria, cooperação e sempre as pombas da paz nas mãos dos nossos filhos e netos que da Rússia à Península ibérica, da Escandinávia aos Balcãs, para que se cumpra o sonho de dar uma chance à paz, como cantava John Lennon.

 22 de Novembro de 2025


https://ochocalho.com/2025/11/22/4267/

segunda-feira, 16 de junho de 2025

Domingos Lopes - O Armagedão, tempo de ódio e de guerra


16 de Junho de 2025

*  Domingos Lopes 

Vivemos um tempo de guerras. Para vivermos um tempo desta natureza é necessário que os humanos organizados em sociedades aceitem que têm inimigos que os querem aniquilar e, portanto, só resta a guerra. A guerra é a confissão autorizada pelo Estado de que o assassinato dos outros é uma conduta heroica e como tal a glorificar.

Na nossa cultura judaico-cristã deve ser tido em conta a narrativa no último livro do Novo Testamento, o Apocalipse, sobre o fim da Humanidade, o Armagedão, ou seja, a batalha final entre Deus e os governos humanos. Deus escolherá poucos para que na Terra impere a sua vontade. Essa guerra seria no Médio-Oriente. Jeremias falava dessa guerra a ter lugar perto do rio Eufrates.

 A guerra, nestes dias de chumbo e sucessivas injeções de anestesia das consciências acerca da sua inevitabilidade, mantém os humanos como seres incapazes de raciocinar e de agir pelos impulsos mais primários oriundos do tempo em que, como animais a fugir uns dos outros, se matava ou se morria.

A linguagem dos principais dirigentes do mundo está atolada de mortandade. Oferecem aos inimigos o inferno e aos seus a messiânica vitória.

Netanyahu e Trump atingiram o supremo patamar da ignomínia. Trump sempre que algum dirigente tem coluna vertebral ameaça-o com o inferno.

No passado os negociadores da paz eram tratados com respeito, o que não significa que tenha havido condutas ominosas de tratamento de enviados e negociadores.

Estamos em 2025 e no “Ocidente” esta regra passou a ser a da traição absoluta. Através da espionagem assassinam-se negociadores sejam palestinianos, sejam iranianos. Deve ser a perfídia maior entre Estados, um deles aproveitar e matar os negociadores e apresentar a façanha como uma ação de defesa.

Trump, que tinha dado como data limite o dia 15 de junho para se chegar ao fim das negociações, assistiu ao assassinato dos negociadores no ataque ao Irão com, “Todos mortos” disse ele, enquanto decorria ainda o prazo para negociar.

O ataque de Israel ao Irão insere-se nessa linha de um primarismo absoluto, fanático, messiânico de lançar o mundo num dilúvio de fogo, seja ele de que tipo for, desde que possa vencer.

Netanyahu sabe que só poderá eventualmente derrotar o Irão se os EUA entrarem na guerra, sem que o resultado seja certo. Mas também sabe que se os EUA participarem a Rússia e a China não vão ser espectadores. E nesse caso o mundo pode estar à beira do Apocalipse, não como obra de Deus, mas de demónios sem alma como Netanyahu e Trump.

Tal como no Iraque não havia armas de destruição massiva, também no Irão não há armas nucleares e foi Trump quem saiu do Acordo quando foi pela primeira vez Presidente.

Israel e os EUA conhecem esta realidade. Mas apesar disso, querem na região o caminho totalmente livre para fazer o que quiserem e desde logo exterminar os palestinianos.

Quem tem armas nucleares é Israel que não assinou o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares e ocupa ilegalmente os territórios palestinianos. O verdeiro Estado fora da lei tem um nome – Israel.

Ambos entregaram a Síria à Alqaeda e à Turquia, deixando-a refém de ambos e do sultão turco. Invadiram o Líbano a ferro e fogo e destruíram em boa medida o Hezbolah. Continuam o extermínio dos palestinianos e Trump sonha sobre o mar de sangue de Gaza construir um complexo turistico… A Jordânia não passa de um peão de Israel, talvez porque o Rei tenha medo dos milhões de palestinianos a viverem deportados pela Naqba. O Iraque está ainda destruído. Resta o Irão que querem destruir a ferro e fogo.

Esta Europa incapaz de se libertar do complexo de serventuária nada mais tem para fazer que não seja deixar-se conduzir por estes dois seres cuja bestialidade é a cada dia que passa mais evidente.

As palavras têm sentido, representam o que há de mais elevado na comunicação entre os humanos. A palavra nojo é dura, mas que palavra usar para qualificar Ursula von der Leyen, Macron, Starmer e Merz ao proclamarem frente ao extermínio dos palestinianos e aos ataques do Irão que Israel tem direito a defender-se? Eles e elas sabem que a Palestina está ocupada ilegalmente. Sabem que invadir ou atacar outro país é ilegal e, no entanto, do mais alto da hipocrisia e da ignomínia declaram que Israel pode fazer o que entender porque …tem direito a defender-se…

Só Israel tem direito a defender-se e mais ninguém no mundo em que vivemos tem direito a defender-se porque estas fornadas de dirigentes europeus já perderam toda a vergonha e honradez. Para manter os seus privilégios e as suas regalias venderam a alma ao diabo e a Trump. Por isso, quando este último os ameaça com a ocupação da Gronelândia metem o rabo entre as pernas ou correm a apoiar o filho predileto dos EUA, Netanyahu. Era difícil imaginar que a UE chegasse a este servilismo e a este estado de degradação.

Quando von der Leyen, naquele tom de voz pseudo-imperial, num vestuário saído de alguma máquina de liofilização e com um cabelo onde nenhum se solta mesmo que se acenda um temporal, declara que Israel tem o direito a defender-se outra palavra surge, a palavra ira porque sendo um pecado é da condição humana revoltar-se.  Mas acaso alguém neste mundo entende, à exceção de Israel e dos EUA, que defender-se é atacar os outros porque assim estando em guerra permanente só há uma lei, a do mais forte.   

Vivemos rodeados de guerras. Um tempo de guerras. Um tempo de ódios. Só o ódio, só apelidar de animais os palestinianos permite fazer guerras. Só o ódio e a loucura messiânica permitem ao Estado enviar negociadores que em vez de negociarem fazem espionagem para matar os que cumprimentam à nessa mesa de perfídia e de má-fé.

Pode o mundo e a Humanidade ficar refém desta camarilha de loucos que estão a empurrar o mundo para o Armagedão onde por causa dessas loucuras todos perecemos não por causa de um Deus, mas sim destes demónios cegos de ódio, arrogância e malvadez? Só se deixarmos.

https://ochocalho.com/2025/06/16/o-armagedao-tempo-de-odio-e-de-guerra/

quarta-feira, 2 de abril de 2025

Domingos Lopes - O KIT DA MAIS ILUSTRE COMISSÁRIA EUROPEIA

* Domingos Lopes

Uma comissária da União Europeia – Hadja Lahbib- a congeminadora do famoso do Kit para 72 horas para “responder” a crises.

Pode acontecer terramotos, tempestades, cheias, incêndios e é bom estar preparado. É preciso muito trabalhinho e juizinho.

Por outro lado, a comissária Hadja talvez não quisesse continuar a viver num anonimato que devia, sendo comissária da UE, considerar um infortúnio.

Ela deu conta doimpulso incontrolável dos cidadãos e das cidadãs para pegar em armas e partir para atacar a malévola Rússia que, segundo alguns estrategos, brevemente chegará a São Romão, bem próximo de Olivença. Ou, dizem outros, a Óbidos por causa do festival de chocolate.

Há até quem tenha visto para os lados da Sierra Morena (após o alerta do senhor Almirante por baixo do gelo da Gronelândia ao vislumbrar submarinos russos, perdão disfarçados de USA) carrinhas de caixa aberta cheia de drones e coisas desse género, disfarçadinhas de pacotes de rebuçados e de bolachas Cuetara que por sinal são muito boas.

Não desimaginemos das doenças e das intempéries, mas ao mesmo tempo imaginemos que os russos que fartos de batalhar na Ucrânia há mais de três anos, decidem contornar a Ucrânia e virem apanhar pela tardinha, sem dizer nem água vai, nem água vem, a Comissão inteirinha em Bruxelas a comer os chocolates belgas que também são bons, como eram os nossos Regina, que tinha uma fábrica para as bandas de Coimbra, quando havia fábricas de fazer coisas, que agora fazem notícias que é o que prende as pessoas aos telemóveis.

Cá está uma covardias sem limites, vir às escondidas e quando uma pessoa menos conta záscatrapás .  Oiçam lá, diz o oficial, agora os chocolates são para nós, vocês não têm direito a eles, temos de os aprisionar, e esta operação especial vai apanhá-los todos, e depois se quiserem negociamos, mas atenção, só depois de nos empanturrarmos.

Percebe-se bem o fito dos russos e a senhora comissária para não criar mau ambiente com o senhor Putin arranjou esta moenga do Kit para nos alertar para o perigo da Rússia vir por aí abaixo com os norte-coreanos a cheirar a alho e gastarem a água e as pilhas todas e nós sem nada. Os de cá sem água e sem os canivetes chineses que só a sra Hadja pode andar com eles nos aviões, porque o resto do pessoal nem corta unhas.

Esta ideia do kit é, por isso, fantástica. Num juízo de prognose é bem possível que os russos venham a Portugal aproveitar esta água das chuvas copiosas porque a deles ainda é do tempo dos bolchevistas.

E tem outra coisa; têm de o fazer enquanto está o Marcelo que é todo beijos e abraços. Se for com o senhor Almirante será muito diferente, mas mesmo muito. Fia fino. Se o artigo 5º ficar a seco ele vai direitinho a Washington e acerta as contas com o Trump num lampo.

Com ele é tudo armas, armas, nem pão, nem queijo. Ainda bem que há comissárias assim. Com ela é a sério – água, radio, medicamentos, pilhas e umas cartitas, não vão os russos fazerem amizades com os de cá e a coisa durar mais de 72 horas. Bem-haja o cérebro da sra. comissária, resplandecente de imaginação e prevenção.

2 de Abril de 2025  ~

https://ochocalho.com/2025/04/02/o-kit-da-mais-ilustre-comissaria-europeia/

terça-feira, 25 de março de 2025

Domingos Lopes - UM PROVOCADOR É UM PROVOCADOR JOSÉ RODRIGUES DOS SANTOS


*  Domingos Lopes


Confesso que só hoje vi a entrevista à RTP1 no dia 24, devido aos protestos do PCP e de outros comentários.

 Na verdade, a RTP 1 não encomendou ao pivô uma entrevista. Encomendou um julgamento, até no plano, tal como num tribunal, o pivô estava numa posição mais alta que o Secretário-Geral do PCP. E esse plano é brutal do ponto de vista psicológico no sentido de diminuir o entrevistado.

José Rodrigues dos Santos, ao longo dos dez minutos, apenas tinha em mente encurralar Paulo Raimundo e foi o que tentou fazer, comportando-se como se fosse o dono da RTP, e quisesse acusar o PCP de blasfémia por não aplaudir os deputados ucranianos. Por muito que P.R. explicasse que não aplaudiu aqueles deputados porque serem também responsáveis pelo facto de na Ucrânia os partidos social-democrata, comunista, e outros, menos os partidos ligados aos nazis – os Banderistas e os nazis do batalhão Azov – bem como os sindicatos estarem ilegalizados.

JRS impediu conscientemente que PR abordasse os temas relacionados com as eleições de 18 de maio. Seguramente não convidaram PR com a informação que a entrevista de 10 minutos seria exclusivamente sobre a Ucrânia.

JRS e os seus donos atraíram PR para uma entrevista sobre as eleições e depois de o “apanharem” nos estúdios enfiaram-lhe um enxerto de “porrada”, o que não conseguiram face ao desempenho do entrevistado. Trata-se de uma covardia sem limites. Como todos os covardes, JRS pretendeu ser forte com a eventual  “ fraqueza” do entrevistado face ao tema Ucrânia, onde o pensamento único, o do partido da guerra é dominante e ficam boquiabertos quando alguém ao arredio da bolha dos media se atreve a defender outra solução que não seja a do rearmamento e a da guerra.

Como se convidasse Luís Montenegro, Pedro Nuno dos Santos, e todos os outros dirigentes e, durante o tempo, lhes perguntasse os motivos de defenderem o envio de cada vez mais armamento para a Ucrânia e a razão de os seus partidos aplaudirem deputados  de um parlamento onde socialistas, social-democratas, comunistas e partidos de esquerda  estão interditos. Ou por que motivo defendem o envio de armas para a Ucrânia e não para a Palestina. E nem mais um segundo sobre o dia 18 de maio.

JRS prestou um péssimo serviço ao pluralismo que deve nortear a informação. Vestiu a farda de capataz e despiu a de jornalista. Foi um pouco mais longe. De cima da sua arrogância comportou-se como um velhaco. Só faltou piscar o olho em direto aos que com ele organizaram semelhante velhacaria.  

25 de Março de 2025

https://ochocalho.com/2025/03/25/um-provocador-e-um-provocador/

quinta-feira, 20 de março de 2025

Domingos Lopes - Gira, el mundo gira

 * Domingos Lopes  

Admite-se a dificuldade em acompanhar as grandes mudanças no mundo. Normalmente é mais fácil seguir o curso normal. Porém, o curso normal das coisas não é seguro. Muda, às vezes. Estamos a assistir e a participar num desses momentos de mudança. O que levou o nosso Camões a dizer que – todo o mundo é composto de mudança, tomando novas qualidades – e cá vamos nós atrás das mudanças que outros vão à frente.

A guerra nunca teria acontecido se a Rússia não tivesse invadido a Ucrânia e os EUA /UE/Zelenski não quisessem a invasão/guerra. Os ucranianos davam o sangue, a UE o apoio material (em boa medida) e os EUA alimentavam-na com sua poderosa máquina de guerra. Daí ser uma guerra do Ocidente por via dos proxys ucranianos que dependiam dos EUA em matéria de armamento.

Se recuarmos no tempo, os dirigentes ocidentais, designadamente os da UE posicionam-se hoje em frontal contradição com as suas declarações a garantir que não havia espaço para negociações e a Rússia teria de sofrer uma derrota estratégica. Em todos os media, salvo três ou quatro honrosas exceções, esta era a verdade única, a que podia ser difundida e foi ad nauseam.

A arrogância ocidental atingia o pico himalaiano. Os russos nem sequer tinham botas e as armas eram da 1ª guerra mundial. E provavelmente muitos daqueles fazedores de opinião acreditavam no que diziam, tão grande era, por que não dizê-lo, a sua burrice e, nalguns casos, a cretinice.

Esta guerra contribuiu para mudar o mundo. Os que a viam, perdidos no tempo dos filmes sem som e a preto e branco, não têm agora capacidade (talvez alguns mais refinados não queiram) de encarar a novidade no mundo. Ainda vivem no mundo hegemónico ocidental.

Os que seguiam os EUA para onde quer que eles fossem, não compreendem que o papel dos subservientes é serem-no e assim está cumprido o seu papel. Quando já não servem, são descartáveis. A História demonstra-o.

O aparecimento de um novo chefe de fila do grande Império com ideias iguais às do ex-chefe, mas com um caminho diferente para manter a hegemonia, baralhou os súbditos e deixou-os a esbracejar e a fazer proclamações ocas e próprias, na linguagem de Nitzsche, da décadence evidente partout.

António Costa, refiro-o por ser de cá do burgo, passou o seu tempo enquanto Primeiro-Ministro a proclamar que a Rússia tinha de ser derrotada. Ele e o seu governo. Ele e quase todos os dirigentes do PS. Ia atrás da Sra. Ursula, do Sr. Scholtz, do Sr. Macron, do Sr. Riki, do Sr. Steimer, do Sr. Borrel, do Sr. Stoltenberg e do atual Sr. Rutte e da Sra. Kaya Kallas e de tutti quanti.

O Sr. Presidente do Conselho Europeu acordou ontem no meio de esta longa letargia para vir acusar a Rússia de não querer negociar e, por isso, era preciso obrigá-la a negociar…Depois de terem prometido a Zelenski que se não assinasse o Acordo de Istambul, lhe daria todo o apoio as long as it takes.

Esta nata de dirigentes da UE são irresponsáveis e movem-se num mundo paralelo à realidade material. É de admitir que se sintam fora do tempo. Só que não voltam para dentro do tempo e continuam a correr numa realidade paralela e abusivamente a tentar impor às nações da UE e aos povos destas nações o fardo do partido da guerra.

Abraçaram – socialistas, liberais novos e antigos, populares e democratas-cristãos, certos verdes e outros de outras cores – o partido único, o partido da guerra.

Já nada têm a propor à Europa, a não ser a guerra. A Alemanha rearma-se e a França assusta-se. Macron está de partida. Mertz tem 30% e sem o SPD e os Verdes não anunciaria o que anunciou. Falou em 800 000 milhões para armas, grande parte delas para comprar aos EUA…

O rearmamento da Europa não é só para dar cobertura à russofobia; destina-se a manter os povos em estado de alienação e tentar cada uma das potências ficar com mais poder que a outra. A NATO quanto tempo durará? Sem o cimento do patrão…

Trump tenta dividir o eixo Rússia/Irão/China. O novo imperador trata de se ocupar de outros assuntos dada a quase insignificância da UE com tais senhoras e cavalheiras à frente dos seus destinos. Trump “compreendeu” que a escalada na guerra atingiria perigosamente o patamar nuclear. A UE, como não dispõe tal armamento, afirma-se como um garnizé frente ao galo da capoeira. Por isso, a UE está como está, com governos minoritários à espera de fazer aceitar o que já muitos aceitam, a extrema-direita.

Nem nestas circunstâncias, únicas para fazer a diferença, a UE e seus dirigentes são capazes de confiar nos povos respetivos e mobilizá-los para fazer do nosso fantástico continente um continente de paz, harmonia, liberdades, direitos, com um ambiente sustentável e de cooperação com todos os povos do mundo numa plataforma de segurança para todos, ucranianos, russos e todos, mesmo todos. Essa seria a melhor defesa da Europa. Os russos vieram a este lado da Europa para derrotarem em Berlim Hitler e a Paris atrás do exército napoleónico e regressaram de imediato. Os que vivem na Europa são europeus, desde Lisboa aos Urais. A Europa precisa de paz e cooperação para ser diferente e importante no mundo.

20 de Março de 2025 

https://ochocalho.com/2025/03/20/gira-el-mundo-gira/

segunda-feira, 9 de setembro de 2024

Domingos Lopes - EPPUR SI MUOVE

* Domingos Lopes

Esta frase é atribuída a Galileu Galilei – E, contudo, move-se – referindo-se ao facto de a Terra girar em torno do sol, o que renegaria, face à Inquisição, para salvar a vida, em 1633, e não esturricar na santa fogueira. O Vaticano admitiu o erro em 1983.

E, contudo, o mundo continua a mover-se. A derrota do comunismo com a implosão da URSS criou do lado capitalista a convicção que os ponteiros da História ficariam um sobre o outro para todo o sempre e a torrente neoliberal seria imparável. Tudo se passaria dentro do novo mundo dominado pela potência vencedora, os EUA. Sob a sua batuta aconteceram as invasões do Afeganistão e do Iraque, os bombardeamentos da Sérvia, a independência do Kosovo, a intervenção na Líbia, o golpe de Estado de 2014 na Ucrânia liderado por Victoria Nuland e que queria que a U.E. se fod—e…

Epurr, no fundo dos fundos, onde se amassam as grandes energias que moldam o mundo, continuavam os movimentos contraditórios de tudo quanto vive. Quando o poder se concentra, logos outros poderes se movimentam por múltiplas razões como é da mais elementar experiência.

A hegemonia dos anos 90 do século passado enfrentava os primeiros sinais de desgaste tanto interno, como no quadro global deste novo mundo, logo nos fins dessa década.

No plano interno, o Ocidente triunfante enfrentava o empobrecimento de camadas da população cada vez mais amplas. Caía o nível de vida. Sucumbia em significativos setores das sociedades a esperança como parte integrante da vida. O futuro iria ser pior que o passado. Medrou a extrema-direita que está no governo ou partilha acordos em quase toda a Europa e ameaça seriamente nos EUA.

Por outro lado, a compressão desta nova ordem gerou aproximações inesperadas há décadas. A grande maioria dos países do Sul e que são a imensa maioria da população mundial, pelas mais diversas razões sentiu o chamamento dos que se organizaram em tornos dos BRICS.

A seta do tempo está a pôr em causa esta nova velha ordem. A China, a Rússia, a India, o Brasil, a África do Sul, o Irão, a Arábia Saudita (quem diria) juntam-se neste terreno para se afirmarem (cada um à sua maneira) que fazem parte do mundo e querem participar no estabelecimento de regras de segurança e cooperação que permitam que todos respirem sem asfixias das organizações internacionais de um mundo inclinado para um lado.

O próprio capitalismo derrotou os propósitos hegemónicos dos EUA, na medida em que as sanções não funcionaram devido ao facto de ser mais forte a pulsão para comprar mais barato do que as sanções impostas pelo Ocidente sem o peso de outrora. A invasão da Ucrânia pela Rússia, segundo os experts ocidentais, seria derrotada no plano económico. E não foi porque ainda há quem se oriente pelos princípios capitalistas originais. Só os serventuários preferiram comprar mais caro e estagnar as suas economias. Tenha-se presente que os EUA com as sanções passaram a ser o primeiro exportador de gás liquefeito a nível mundial. A U.E. paga agora cerca de cinco vezes mais do que pagava.

Nestes embates, agora à superfície, surge o que opõe Israel/EUA/U.E. à luta contra a ocupação israelita dos territórios palestinianos definidos na Resolução 242 do Conselho de Segurança da ONU. A fórmula de que Israel tem direito a defender-se ,perde todo o sentido quando Netanyahu destrói Gaza ao milímetro com ódio tribal e ordena a execução no Irão do chefe das negociações por parte do Hamas, após a China ter conseguido unir 14 organizações palestinianas. Ordenar o assassínio do negociador, num país terceiro, é uma ação de puro terror. Revela a incapacidade de ganhar a guerra que trava vai fazer um ano em outubro. E também que com Netanyahu não há paz.

Este movimento do mundo traz à tona a natureza das coisas tal como elas são; de um lado Israel com o Ocidente, do outro lado, os palestinianos com a imensa maioria do Mundo.

Epurr, o mundo vai continuar a girar e a mudar o que se torna imperioso mudar. Sucederá o que tiver de suceder, como diria o cego Tirésias na tragédia de Édipo de Sófocles. Netanyahu pode arrasar Gaza, mas o mundo não lhe perdoará, muito menos os palestinianos. Netanyahu sempre que se levantar, verá sangue por todo o lado, já não escapará à sorte que engendrou.

 9 de Agosto de 2024

https://www.publico.pt/2024/08/08/opiniao/opiniao/eppur-muove-2100127#google_vignette
https://ochocalho.com/2024/08/09/eppur-si-muove-2/ 

Domingos Lopes - Por terras toscanas

» Domingos Lopes

Nas visitas a monumentos, museus, designadamente nos países com uma História relevante para toda a Humanidade, há multidões de gente que à procura do “famosismo” e do exibicionismo invade monumentos, museus e exposições com o fito de se fazer notar ao lado da pintura, da estátua ou do que seja. A obra de arte vale menos que a carantonha da selfie.

A imensíssima maioria diz-se religiosa, mas nada lhe interessa a razão do martírio de homens e mulheres que pagaram com torturas e a própria vida a liberdade de serem livres, face ao império romano. A espiritualidade de uma catedral não entra no smartphone ou no android. As cores de uma pintura são meras cores, como todas as cores. Meras cores.

Como cristãos nada lhes interessa a história do cristianismo. São batizados, batizam os filhos e casam pela igreja porque é mais fixe. Quando o padre cita São Paulo, dando nota que a mulher é serva de seu marido fazem que não ouvem, mesmo as “servas”.

Nem lhes interessa saber a razão que levou Galileu ao tribunal da Inquisição. Nem quem foi Leonardo da Vinci, nem Caravagio, nem Botticelli. O que lhes interessa é mostrar a selfie a segurar com as mãos a torre de Pisa.    
   
No caso, em Siena, Florença, Pisa, Vinci, ou outra cidade da Toscânia ou de outra região num país cheio de História, os bárbaros voltaram para espalhar o “bronquismo”. Publicada a selfie morre o interesse pelo que afinal não viram. A beleza do que veem, não veem. Já tinham ouvido falar. Os famosos mortos não valem tanto como os famosos vivos.

14 de Agosto de 2024

https://ochocalho.com/2024/08/14/por-terras-toscanas/