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terça-feira, 25 de novembro de 2025

Jailme Nogueira Pinto - O grande imaginador: Nos 120 anos da morte de Júlio Verne


* Jaime Nogueira Pinto 

Os heróis de Verne, como o capitão Nemo e Cyrus Smith, eram como que “homens novos”, homens de uma nova Renascença, justos, bons, sábios. E, de um modo geral, os romances de Verne acabavam bem.

29 mar. 2025

Júlio Verne, popularmente considerado o precursor ou o antepassado próximo da literatura de ficção científica, morreu há 120 anos, a 24 de Março de 1905.

Fui desde cedo um leitor apaixonado da ficção científica que me chegou, como à maior parte dos da minha geração, pela colecção Argonauta dos Livros do Brasil. A Argonauta apareceu em 1953, e foi talvez em 1956, nas vésperas de entrar para o liceu D. Manuel II, que comecei a ler os livros, à medida que iam saindo. E fi-lo regularmente, aí até ao número 200.

Li os primeiros números no Verão, numa praia da Foz do Douro, uma dessas praias do Estado Novo dos anos 50 cheias de regras e rituais – com cabo do mar, baloiços, fatos de banho com peitilho ou camisola interior e três horas de “digestão”. Horas sagradas, que tínhamos de passar “a descansar”, entre o almoço frugal de sanduiches mistas e o banho das cinco da tarde.

Anos mais tarde, no Algarve, o meu sobrinho Pedro havia de me perguntar: “Tio Jaime, acredita na digestão?” Nessa altura já tinha perdido “a fé”, mas quando era novo, todos acreditávamos na digestão. E mesmo que não acreditássemos tínhamos de recolher à barraca durante três horas, independentemente das nossas crenças e vontades. Por isso, foi estendido na toalha de franjas, debaixo da lona grossa da barraca que li muita Argonauta (também se acreditava que não era bom apanhar o sol a pique da hora do almoço e que a leitura não fazia mal ao estômago).

Os livros, em formato de bolso, tinham umas capas lindas, de Lima de Freitas e de Cândido Costa Pinto.  Eram de Costa Pinto a capa do primeiro número da colecção – Perdidos na Estratosfera, de A. M. Low – e a de A Sexta Coluna, de Robert Heinlein, um verdadeiro épico do género que então me impressionou consideravelmente. E foi assim que fui descobrindo os grandes escritores da Science Fiction: a poesia das Crónicas Marcianas, de Ray Bradbury, que em Fahrenheit 451 identificou uma distopia de destruição de livros cara aos totalitários de todas as tribos; os robots e a robótica e  os ciclos históricos da Fundação e do Império, de Isaac Asimov; Arthur C. Clarke e a sua Odisseia no Espaço; o extraordinário mundo feudal de Frank Herbert, o criador de Dune, que David Lynch adaptaria ao cinema; e outros, como A. E. Vvan Vogt, Fredric Brown, Brian Aldiss, Poul Anderson  e Philip K. Dick, um dos “últimos”. E a sobressair num género dominantemente masculino, Ursula Le Guin, a criadora do fabuloso Feiticeiro de Terra-Mar.

Mas a minha iniciação na “literatura de antecipação”, tal como a de muitos, em Portugal e no mundo, tinha acontecido antes, com as “viagens extraordinárias” de Júlio Verne, onde se misturavam o imaginário, a ciência e a geografia. 

Uma literatura de antecipação

Não era bem ficção científica era uma “antecipação” imaginativa a partir de invenções e acontecimentos relativamente próximos. Não nos podemos esquecer – e às vezes esquecemo-nos sob o impacto das surpresas e maravilhas científicas e técnicas da nossa Idade – que o núcleo duro das invenções que ainda fazem o nosso quotidiano são da segunda metade do século XIX: o telégrafo, a electricidade, o telefone, o cinema, o automóvel, o avião. Ora Júlio Verne nasceu em 1828 e morreu em 1905, ou seja, viveu o politicamente agitado século XIX francês, desde a monarquia tradicional restaurada de Carlos X de Bourbon até à Terceira República jacobina e anti-clerical de Loubet e Combes.

Não me lembro exactamente qual foi o primeiro livro de Verne que li, mas quase que ia jurar que foi A Ilha Misteriosa. A trama é um modelo da narrativa verneana, inspirada no clássico Robinson Crusoe, de Daniel Defoe (1719), no Robinson Suíço, de Johann Wyss (1812), e numa narrativa próxima do tempo do autor, a de François Édouard Raynal, que naufragara nas ilhas Auckland, no Pacífico Sul.

A Ilha Misteriosa saiu primeiro em folhetim jornalístico, entre Janeiro de 1874 e Dezembro de 1875, com ilustrações de Jules Férat. Faz parte das “viagens extraordinárias”, uma série de romances em que Verne combina aventura, maravilhoso, mistério, geografia, imaginação, ciência e tecnologia.

Durante o cerco de Richmond, cinco prisioneiros, cinco abolicionistas, conseguem escapar em balão; depois de cinco dias e quase dez mil quilómetros, chegam a uma ilha deserta do Pacífico. A personagem mais importante do grupo é o engenheiro Cyrus Smith, que leva com ele o criado Nab; há um jornalista, Gedeon Spillet, um marinheiro, Pencroff, e o jovem Herbert. Cyrus é o típico herói de Verne – um homem de coragem, de cultura e de ciência, um chefe natural, que não só vai assegurar a sobrevivência do grupo como a “colonização acelerada” da ilha, valendo-se da convergência de talentos e conhecimentos dos expedicionistas. Assim, a ilha “Lincoln” transforma-se num espaço civilizado, sob o qual vela o grande herói verneano, o capitão Nemo, o do Nautilus e das 20.000 Léguas Submarinas.

Verne nasceu em Nantes, na ilha Feydeau, perto do Quai Jean-Bart, onde passou toda a infância, o que lhe estimulou o gosto da viagem, do mar, das ilhas. Foi para Paris nos anos 1850 onde conheceu, além de Alexandre Dumas e Victor Hugo, Jacques Arago, viajante e geógrafo, que completara uma volta ao mundo em 1817, a bordo do l’Uranie. E, claro, o seu editor Hetzel, que encontrou em 1862 e com quem iria ter uma colaboração modelo e de longa duração. Um editor crítico que levantava objecções e fazia sugestões que o autor aceitava, também criticamente, como bem o documenta a correspondência entre os dois.

Verne e os outros

Em 1864, Verne publicou Cinq Semaines en Ballon, o primeiro romance da série “viagens extraordinárias”, que um crítico classificou como “roman cientifique”. Théophile Gautier, referindo-se ao novo género, falou em “quimera cavalgada e dirigida por um espírito matemático”; outros consideram-no uma “maravilha científica” e chamaram a Verne “pioneiro do romance científico”.

Por esse tempo, Edgar Alan Poe já publicara os contos e A Narrativa de Arthur Gordon Pym, e Émile Zola, num artigo de 1866, não pôde deixar de comparar “o pesadelo Edgar Poe” à “fantasia amável e instrutiva” de Verne. Outros críticos, reconhecendo a originalidade do fantástico de Poe na literatura de viagens de Homero a Defoe, passando pelas narrativas marítimas dos portugueses, reconheceriam também em Verne a originalidade da convergência “viagem, geografia, ciência, técnica e aventura”.

Os heróis de Verne, como o capitão Nemo e Cyrus Smith, eram como que “homens novos”, homens de uma nova Renascença, justos, bons, sábios. E, de um modo geral, os romances de Verne acabavam bem. Quando comparamos o fantástico de Júlio Verne, com as suas máquinas e invenções que procuram sempre respeitar os dados científicos e técnicos do tempo, e a vindoura literatura de futuríveis do século XX – as distopias clássicas de Huxley, Orwell ou Bradbury, com os horrores das sociedades perfeitas de Brave New World, ou a tirania institucional de 1984 ou de Fahrenheit 451 – a diferença e a ruptura são chocantes. E não terá sido só por o século XX ter visto as primeiras utopias postas em prática, porque nos finais do século XIX, a partir de 1895, já H. G. Wells tinha escrito A Máquina do Tempo, (1895), O Homem Invisível (1897), A Guerra dos Mundos e Os Primeiros Homens na Lua (1901).

Verne escrevera Da Terra à Lua em 1865 e era, até por geração, o pioneiro: a crítica não resistiria à comparação. E mesmo em França, onde os livros de Wells foram traduzidos a partir de 1898, revistas como o Mercure de France, a Revue de Paris e a Revue des deux mondes preferiam o inglês a Verne.

A morte de Verne, em 1905, trouxe um clamor de elogios e até um certo espírito de reparação dos que tinham desdenhado o compatriota, preferindo o inglês. Reparação com algum exagero compensatório, como o do crítico Adré Lamie, que comparou o autor de A Ilha Misteriosa a Cervantes e a Balzac.

Verne é mais realista, mais científico, mais hábil a encontrar e encadear mil peripécias do que Wells; Wells é mais filosófico, mais problemático, mais desligado do técnico-científico. Verne é optimista em geral e moderamente optimista quanto à natureza humana e, além disso, é um homem de fé no Criador e na Criação. Wells não parece alinhar nesse optimismo.

Talvez por isso Verne seja um autor para a juventude, para a iniciação num mundo de aventura, como Robert Louis Stevenson, ou James Fenimore Cooper, ou Mark Twain, enquanto Wells é um precursor do século XX.  Um século que não trouxe as maravilhas que Verne tinha previsto, em que os submarinos serviram para afundar cargueiros civis e em que as grandes invenções foram acontecendo sobretudo a partir das guerras e para servir a guerra.

https://observador.pt/opiniao/o-grande-imaginador-nos-120-anos-da-morte-de-julio-verne

Gravura: Monumento a Julio Verne no Porto de Vigo
in  in https://blog.mcientifica.com.br/julio-verne//

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Bibliotecas escolares “fazem leitores de literatura




RITA PIMENTA 27/02/2016 - 14:42

Encontro de Literatura Infanto-Juvenil da Lusofonia da Fundação “O Século” termina este sábado em Lisboa. Professores bibliotecários desmultiplicam-se em actividades de promoção da leitura. Fazem-no junto dos alunos, mas também dos outros professores, que lêem pouco.

A Rede de Bibliotecas Escolares já tem 20 anos 
 

Definem um tema para o ano lectivo que se enquadre no projecto educativo da escola, seleccionam um conjunto de livros segundo critérios literários e estéticos de qualidade, planificam leitura orientada, articulam as actividades com a família e no final tentam que um escritor visite a escola.

Um breve resumo da experiência de dez anos da professora bibliotecária Lúcia Barros, do agrupamento de escolas António Feijó, em Ponte de Lima, partilhada no 2.º Encontro de Literatura Infanto-Juvenil da Lusofonia da Fundação “O Século”, que terminou neste sábado e levou escritores, ilustradores e narradores a 20 escolas da Grande Lisboa, abrangendo cerca de 2200 alunos.

“A promoção não vive do improviso”, disse a também investigadora na Escola Superior de Educação de Viana do Castelo (em promoção da leitura em família), lembrando que a Rede de Bibliotecas Escolares já tem 20 anos e afirmando que o trabalho junto dos professores continua fundamental, para que também eles leiam mais.

“Quando dou formação aos meus colegas, a primeira reacção que obtenho é a surpresa que mostram por haver tantos livros e de boa qualidade para crianças”, conta ao PÚBLICO, depois de apresentar a sua comunicação no painel “Os escritores, a promoção da leitura e as bibliotecas escolares”, que partilhou com os autores António Mota, Clovis Levi e José António Gomes.

Durante o encontro houve vários escritores que manifestaram o seu descontentamento por se aperceberem de que nalgumas escolas os professores estão impreparados para os receber, não conhecendo os livros nem os autores. Uma situação caricata contada por António Mota. “Numa escola, estava eu a autografar os livros aos miúdos e a professora, que não tinha livro, pediu-me para pôr o autógrafo numa folha de papel…”

Cinco minutos por dia
Lúcia Barros sabe que os professores são solicitados para inúmeras tarefas burocráticas que os esgotam e por isso compreende que, quando o professor bibliotecário se lhes dirige com um projecto de leitura, a reacção seja: “Mais trabalho?” Mas não é disso que se trata, “a ideia é optimizar o trabalho do professor, é isso que nós fazemos”, diz.

No caso do agrupamento em que trabalha (com 2200 alunos, oito estabelecimentos de ensino, sete bibliotecas escolares e duas professoras bibliotecárias), essa recusa inicial está praticamente ultrapassada, “os meus colegas quando estão a preparar o ano lectivo seguinte já vêm perguntar qual o tema escolhido para as actividades de leitura”.

Sublinha que veio ao encontro da lusofonia partilhar a sua experiência e não “dar uma receita”. Uma das práticas que deu a conhecer foi a da “leitura gratuita”, para o pré-escolar e 1.º ciclo. A saber: na sala de professores há uma caixa com livros, cada professor escolhe um e leva para a sala de aula. Nos cinco minutos iniciais, lêem um texto, um poema ou um capítulo. Não perguntam nada.

“No fim de um ano lectivo, os meninos ouviram 150 textos ‘à borla’, ninguém lhes pediu uma ficha de trabalho no fim. Ao fim dos quatro anos do 1.º ciclo, foram 600 textos que entraram na enciclopédia literária dos alunos”, conclui satisfeita. “Ao criarmos leitores de literatura, estamos a contribuir para a formação completa do indivíduo e do cidadão. Não é essa a missão da escola?"

Lúcia Barros alerta as escolas para o “bombardeamento editorial e autoral”. Conta que no início “rara era a semana em que não fosse à biblioteca um autor que precisava de divulgação ou uma editora que queria levar alguém à força”. Ao PÚBLICO disse que por vezes aparecem editoras com “três livros a dez euros e já com os papelinhos prontos para os alunos mostrarem aos pais”.

Pagar ao escritor
A professora de Português e de Francês recebe os escritores na escola depois de os alunos já estarem familiarizados com a sua obra e, usando as palavras de José António Gomes, diz que “os encontros com escritores devem culminar projectos de leitura”, mas admite que haja outras formas de trabalhar. O que não admite é “as escolas acharem que os escritores têm a obrigação de lá ir de borla”, no pressuposto de que “é uma oportunidade de divulgarem os livros”, diz. E acrescenta: “Ele nesse dia não produz e a escrita é a vida dele. É quase uma falta de respeito considerar-se que o escritor não deve ser pago.”

O escritor António Torrado, também convidado pela Fundação “O Século”, diz ao PÚBLICO: “Não recebo cachet. As escolas não têm meios e as câmaras reservam as verbas para os músicos, para as cantorias...”

Considera as idas a escolas “uma extensão do trabalho do escritor, sabemos que os nossos livros são lidos”. E gosta. “Mas fazer sessões com meninos e não encontrar um livro nosso é um desconsolo. Os escritores precisam de ser estimulados, é essa calda de ternura que nos mobiliza, dá força de vida e capacidade de trabalho para continuarmos.”

António Torrado admite que alguns autores não gostem: “Um escritor é um bicho do mato e pode ter receio de ser confrontado com as perguntas das crianças.” Como esta, que conta divertido: “Quantas vezes recebeu o Prémio Nobel?” Depois de responder “nenhuma”, o autor diz ter-se sentido “imediatamente descredibilizado”.

Para o escritor, só no convívio com as crianças é que lhe poderiam ter surgido brincadeiras com as palavras como a que uma menina motivou: “A almofada tem ‘fada’ dentro”, disse-lhe numa sessão. A seguir descobriram que “camaleão” tem um “leão” e uma “cama”. E foram surgindo mais palavras dentro de outras. 

http://www.publico.pt/sociedade/noticia/bibliotecas-escolares-fazem-leitores-de-literatura-1724620?page=-1


quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Editora argentina lança livros infantis de personagens “antiprincesas”

2 de setembro de 2015 - 13h51 

Elas não viveram em castelos, não se destacaram por sua dedicação aos afazeres domésticos, não sonharam com bailes em palácios e príncipes encantados. As personagens dos livros infantis recém-lançados pela editora Chirimbote, da Argentina, são mulheres reais e fantásticas, que marcaram as artes e a história da América Latina.


Divulgação




Ilustração de Frida nas histórias "antiprincesas"

A pintora mexicana Frida Kahlo e a multitalentosa Violeta Parra, ícone da música popular chilena, são as protagonistas dos primeiros livros da coleção “Antiprincesas”, que em breve ganhará mais um número, dedicado à vida de Juana Azurduy, heroína das lutas pela independência da Argentina e da Bolívia.


“Escolhemos mulheres que transcenderam sua época, que romperam com o que se esperava delas, mas que também tenham trabalhado com outras pessoas e se dedicado a construir de forma coletiva. Essa é uma condição para ser antiprincesa”, explica Nadia Fink, autora dos livros em parceria com o ilustrador Pitu, em entrevista a Opera Mundi.



“As princesas esperam sozinhas, buscam a felicidade individual e um final feliz em que necessariamente aparece um príncipe ou, no máximo, uma família. Nós valorizamos outras formas de viver”.



Revolução e amor livre



E é por isso que entre fotos de Frida quando criança e ilustrações que recriam seus quadros e seu inconfundível buço, salta do texto um pequeno box com a definição de revolução – “quando se modifica o que está mal (entre muitas pessoas)”. A explicação aparece na parte da história em que se conta que, apesar de casados, o muralista Diego Rivera e Frida “tiveram outros amores, mesmo estando juntos” e que “para Frida, o amor acontecia com homens e com mulheres.”



“Como explicar essa tentativa [de Diego e Frida] de viver um amor livre, de não se relacionar de maneira estereotipada, de considerar a possibilidade de estar com outras pessoas, sem explicar que isso aconteceu em um contexto revolucionário?”, indaga Fink.



Já a antiprincesa Violeta Parra, nascida em uma família de trabalhadores pobres, é autodidata, multitalentosa e viaja por seu país, Chile, compilando canções populares que comoveram o mundo em sua voz poderosa.


“Graças ao violão, deixei de descascar batatas.”



Quando Violeta se separa de seu primeiro marido, Luis Cereceda, um pequeno quadro com um bigode abre aspas: “Pode ficar com a sua arte, eu vou embora para sempre”. E na página seguinte, uma ilustração de um homem partindo, enquanto uma mulher sorri e abraça seus filhos enquanto diz que sua única vantagem em relação a outras mulheres do Chile “é que, graças ao violão, deixei de descascar batatas.”



“Não queríamos maquiar essas mulheres ou retratá-las de forma leviana, porque foram mulheres que trabalharam com profundidade tudo que fizeram”, frisa Fink.



A autora explica que os livros retratam o caminho político de suas protagonistas, independente de suas posições partidárias ou ideológicas, com o cuidado de não transformar os contos em panfletos. “A intenção é disparar ideias nas crianças, não apresentar pensamentos fechados. Não queremos diminuir cabeças, queremos ampliá-las”, avisa a escritora. “Também não queremos matar as princesas, queremos mostrar outras realidades com as quais as crianças possam se identificar.”



Frida e Violeta não viveram felizes para sempre. A pintora mexicana morreu jovem depois de uma longa agonia e de uma vida marcada pelas doloridas sequelas de um acidente na adolescência. A cantora chilena se suicidou pouco antes de chegar aos 50 anos. Para falar desses desfechos que não se parecem a contos de fadas, Fink optou pelo realismo mágico, no caso de Frida, e por deixar em aberto, no caso de Violeta. “Decidimos falar da morte de Frida a partir das lendas mexicanas. No caso de Violeta, preferimos deixar que cada adulto que esteja acompanhando a criança que lê o livro decida como abordar o assunto”, explica.



Depois das histórias, os livros convidam os pequenos leitores a fazer autorretratos em frente ao espelho, como fazia Frida, e a pesquisar canções antigas em conversas com pessoas mais velhas, como fazia Violeta. Convidam crianças a brincar de ser antiprincesas. 



Fonte: Opera Mundi
http://www.vermelho.org.br/noticia/269769-11#.Vej2qloI6mk.facebook

sábado, 19 de dezembro de 2009

Tenho uma Janela que dá para o mar - Mário Castrim

Friday, March 27, 2009


Mário Castrim


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Clicar na imagem para ler
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 http://dentedeleaochave.blogspot.com/2009/03/blog-post.html
Posted by Isabel Pinheiro
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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Rosa, minha irmã Rosa - Alice Vieira

Alice Vieira Rosa Minha Irmã Rosa
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Rosa, Minha Irmã Rosa

Romance de Alice Vieira, publicado em 1979, é uma obra de literatura infanto-juvenil. Corresponde ao primeiro volume de uma trilogia onde se inclui a obra Lote 12, 2º Frente (segundo volume) e ainda Chocolate à Chuva (terceiro volume).
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Apresentando uma estrutura de tipo diário, a obra relata os problemas de uma criança, chamada Mariana, causados pelo nascimento da irmã Rosa. O facto provoca conflitos psicológicos naquela personagem, perturbada pelo ciúme, que se apercebe da partilha de várias coisas a que a irmã obrigará, tais como o quarto, a atenção dos pais e o afecto dos restantes familiares. No entanto, com o passar do tempo, esses conflitos são dissolvidos.
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Em 1979, Alice Vieira, com a obra Rosa, Minha Irmã Rosa, o seu primeiro livro, recebeu o Prémio de Literatura Infantil no Ano Internacional da Criança.

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Como referenciar este artigo:
Rosa, Minha Irmã Rosa. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-12-17].
Disponível na www: .

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Alice Vieira: trinta anos de livros e um romance para entregar hoje

"Só gosto da minha vida a partir dos 20 e tal anos"

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Público - 16.12.2009 - 16:22 Por Rita Pimenta
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Começou no jornalismo e entrou pela literatura. Primeiro para crianças e jovens, depois para os outros. Poesia incluída. Diz-se "amigodependente", recebe e faz chamadas às três da manhã. Já foi menos católica, pensa por frases e fala sozinha na rua. Não entra em cemitérios e tem poucas memórias de infância. Hoje vai a uma festa temática: 30 Anos de Livros
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Enric Vives-Rubio

Alice Vieira
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Há 30 anos que escreve livros. Mas foi há mais tempo que Alice Vieira enviou o primeiro texto para um jornal. Não o publicaram. Tinha 14 anos e recebeu uma carta do "Diário de Lisboa" a pedir que não desistisse. Assinatura: Mário Castrim. Tentou uma e outra vez e viu muitos textos serem impressos. Casou com ele, o remetente.
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Uma paixão de 40 anos. "Mas paixão mesmo", diz Alice quando fala do jornalista e escritor. Tinham 23 anos de diferença de idades e só se conheceram "ao vivo" depois de muitos telefonemas e cartas, quando a escritora foi trabalhar, como jornalista, para o "Diário de Lisboa". Pouco depois, iria para o Diário Popular. "As pessoas, quando têm um relacionamento, não devem trabalhar no mesmo sítio. Seja marido e mulher, pai e filho. Por isso, atravessei a rua e fui para o Diário Popular." Seguiu-se o Record e o Diário de Notícias.
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Castrim foi a pessoa mais importante da sua vida. Toda a gente a desaconselhou a viver com ele, pela diferença de idades e pelos problemas de saúde que lhe adivinhavam. "Vais ser a enfermeira toda a vida", diziam-lhe. "Afinal", conta, "quando tive o "cancro da praxe" e fui operada, ele é que foi o meu enfermeiro. A quimioterapia custou-me muito. Há 20 anos, os produtos eram mais agressivos e eu vomitava bastante. Ele obrigava-me a ir imediatamente para o jornal trabalhar. Acho que nem estive um mês de baixa. E ainda bem que me obrigou. Se não fosse isso, eu podia ter ido abaixo. Assim, tinha mais que fazer do que estar infeliz."
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E recorda como sempre a estimulou a escrever, nunca deixando de ser muito crítico. "Não tenho dúvida de que aquilo que sou, aquilo que faço, aquilo que escrevo, foi muito obra dele. Sinto, no entanto, algum remorso por ele se ter afastado da escrita por minha causa. Para eu poder fazer a vida que fiz, ele não publicou tanto como devia. Escrever escrevia (tenho muitos inéditos), mas não publicava."
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E repete várias vezes: "Tive sorte, tive sorte". E ele? "Acho que sim. Ele também teve."

"Não me lembro de mim"
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Alice Vieira, de 66 anos, passou a infância com tias velhas e não gostou. A memória decidiu poupá-la a recordações e não a deixa lembrar-se de quando era criança. "Recordo-me de muito pouca coisa da minha infância. Lembro-me assim de momentos do género: eu estou aqui sentada ao pé de alguém. Mas não me lembro de mim. Acho que é uma defesa."
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No entanto, quando se pergunta se era maltratada, responde: "Não. Eu era super bem tratada. Mas maltratar não é só andar ao estalo às crianças. Eu vivi sempre com pessoas que me diziam (e era verdade) que não eram nem o meu pai nem a minha mãe. E portanto eu não era filha deles e não tinham nada de fazer aquilo que estavam a fazer. Foi sempre um relacionamento um bocado frio, uma coisa entre velhos. Eu só encontrei miúdos da minha idade quando entrei para o liceu. Até aí, nunca tinha tido gente da minha idade ao pé de mim. Roubarem-me essa parte, foi complicado. Isso pode dar cabo de uma pessoa". Não deu.
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Depois de conseguir ter amigos, tornou-se, como diz, numa verdadeira "amigodependente". E alguns até a fizeram ser de novo mais católica. Porque são padres, poetas ou missionários. "É impossível não se ficar tocado por estas pessoas." Pode telefonar a um amigo "às três da manhã". Mas também os atende a todos e a qualquer hora. Eles sabem que os acompanha até ao fim. Só não entra no cemitério. "Eu tinha uma tia muito mórbida. Todas as quartas-feiras, íamos para o Alto de São João limpar as campas. E logo ela, que era má para as pessoas e lhes fazia a vida negra. Depois de mortos é que eram bons." Esta é das suas poucas memórias claras de infância. "Isso [o passado] serviu-me para ser a pessoa que sou hoje, para ser profundamente optimista, acreditar que as coisas se resolvem desde que queiramos. Não podemos estar à espera que as soluções caiam do céu, do céu só cai a chuva. Mas só gosto da minha vida a partir dos vinte e tal anos."
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Depois do curso tirado, Germânicas, como se designava na altura a actual licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas, variante de Inglês e Alemão, a escolha de ser jornalista não foi lá muito bem vista pela família. "Quando acabei o curso, já era maior e vacinada. Jurei e cumpri que fazia a faculdade. Tinham de aceitar a minha escolha, mas nunca foi profissão de que gostassem muito. Nós ainda hoje rimos porque, quando se falava das sobrinhas, as tias diziam: a fulana é médica, a outra é advogada e a Alice, essa, lá anda na vida que ela escolheu... Parecia que eu era uma perdida", diz, no meio de uma gargalhada.
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Mas o jornalismo era, desde cedo, uma paixão, não o escolheu para contrariar as tias. "Ver as coisas publicadas, com o nome cá em baixo. Eu assinava Alice Vassalo Pereira. E, depois, o cheiro do chumbo conquistou-me definitivamente." Até hoje. Continua a escrever crónicas para o Jornal de Notícias e para as revistas Activa, Audácia e Tempo Livre. "E ainda adoro fazer entrevistas."
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Os livros vieram mais tarde, em resultado do prémio da Gulbenkian, em 1979, de Literatura Infantil Ano Internacional da Criança pela obra Rosa, Minha Irmã Rosa. Na altura, ganhou 75 contos (375 euros) e levou os filhos a Atenas: Catarina, hoje com 40 anos, e André, com 39.
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"Às vezes, penso: eu comecei a escrever tarde, podia ter começado mais cedo. Mas depois penso que não. Se eu tivesse começado antes... mas eu não sou nada a favor de quem começa muito cedo. As pessoas têm de viver um bocadinho, têm de crescer. Quando digo que podia ter começado uns anos antes, se calhar não podia. Ou tinha começado pior, não sei."
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Em 30 anos, já publicou mais de 70 livros, vendeu perto de 2 milhões de exemplares e ganhou dez dos mais significativos prémios literários da literatura infantil e juvenil. Foi nomeada este ano para o Astrid Lindgren Memorial Award, um dos mais importantes prémios nesta área, com o valor de 500 mil euros.
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Não escreve por dinheiro, mas gosta de ser paga pelo seu trabalho. Irrita-se que lhe digam que a escrita é um hobby. "Vou a escolas quase todos os dias e durante as horas em que estou lá não estou a desenvolver o meu trabalho de escrita. Estou a trabalhar no horário de outras pessoas. Vou porque gosto, porque vejo satisfação nos olhos dos miúdos e isso é bom. Mas não tenho obrigação de fazer com que os meninos gostem de ler. Noventa por cento das escolas nem sequer compram os meus livros. E pagam as minhas visitas a contragosto. Quando eu quiser dar o meu trabalho, dou, mas sou eu que escolho."
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No entanto, tem muita dificuldade em dizer "não" quando a convidam, mesmo se o pagamento não está previsto. "Agora, felizmente, a Leya trata disso. Gere a minha agenda e eu já não tenho de andar a negociar com as escolas. O ano de 2010 já está completo. A Leya foi o melhor que me aconteceu." Mas não só por isto.
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Romance em Porto Santo
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A escritora divide-se entre quatro editoras (Caminho, Texto, Casa das Letras, Oficina do Livro e Dom Quixote) e o facto de pertencerem todas ao mesmo grupo facilita-lhe a vida. "No outro dia, o patrão da Leya dizia-me: quer trabalhar em mais alguma editora? Diga, que a gente compra. Eu dou-me bem com eles porque sou muito profissional e cumpridora. Eu preciso de prazos. Se não me põem prazos, não faço nada. E trabalho muito mais e até melhor se tiver muitas coisas para fazer ao mesmo tempo. Isso vem do jornalismo. Há uma sobrecarga de trabalho e a gente despacha tudo (jornalismo diário, claro).
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Há autores que me dizem: "Como é que tu podes saber que daqui a uns dias tens um livro pronto? E se não consegues?" Tenho de conseguir. Essa relação de trabalho para mim é boa. Por exemplo, agora sei, mas sei rigorosamente que até dia 16 [hoje], mesmo dia 16, tenho de entregar um romance." Chama-se Meia Hora para Mudar a Minha Vida, "como a cantiga da Adriana Calcanhotto".
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Será mais um romance juvenil com uma rapariga de 16 anos como protagonista. Uma actriz de teatro amador. Passa-se em Lisboa, sempre Lisboa. "Sou muito lisboeta e não gosto de escrever sobre coisas que não conheço. Não dá para chegar a um sítio, estar lá dois dias e escrever uma história. Ou é um romance histórico ou então não consigo. Só tenho um romance juvenil que é metade em Lisboa, metade na zona das Gafanhas, Aveiro, que é donde eu sou: Viagem à Roda do Meu Nome."
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Hoje, depois da festa (e de entregar o livro), ficará mais liberta para pensar num romance de base histórica que lhe anda a passear na cabeça há uns tempos. "Passa-se na ilha de Porto Santo, no séc. XVI. Fui à Madeira e aproveitei para recolher umas informações que faltavam. Em 1533, houve uma heresia, a heresia dos profetas, que pôs a ilha a ferro e fogo. Só no Porto Santo, nem chegou à Madeira. Quando estava a escrever sobre os Açores, sobre uma heroína de Angra do Heroísmo, descobri esta história. Por isso, a palavra "profeta" é um bocado pejorativa na ilha. E não digo mais nada." Não é preciso.
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Alice Vieira tem quatro netos (Adriana, de 14 anos; Diogo, 10; Pedro, nove; Isabel, cinco), muitos amigos, muitos leitores e um namorado. Às 17h, têm encontro marcado no Jardim de Inverno do Teatro de São Luiz, em Lisboa. Porque está de parabéns
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Alice Vieira

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Alice Vieira (Lisboa, 1942) é uma escritora e jornalista portuguesa. Licenciou-se em Filologia Germânicas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, mas dedicou-se desde cedo ao jornalismo, dirigindo os suplementos Juvenil e Catraio no Diário de Notícias. Também trabalhou em vários programas de televisão para crianças e é considerada uma das mais importantes autoras portuguesas de literatura infanto-juvenil.
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As suas obras foram traduzidas para várias línguas, como o alemão, o búlgaro, o basco, o castelhano, o galego, o francês, o húngaro, o holandês, o russo e o servo-croata. Foi casada com o também jornalista e escritor Mário Castrim.

Índice

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Obras

Literatura infanto-juvenil

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  • 1979 - Rosa, Minha Irmã Rosa
  • 1979 - Paulina ao Piano
  • 1980 - Lote 12 - 2º Frente
  • 1982 - Chocolate à Chuva
  • 1981 - A Espada do Rei Afonso
  • 1983 - Este Rei que eu Escolhi
  • 1984 - Graças e Desgraças na Corte de El Rei Tadinho
  • 1985 - Águas de Verão
  • 1986 - Flor de Mel
  • 1987 - Viagem à Roda do meu Nome
  • 1988 - Às Dez a Porta Fecha
  • 1990 - Úrsula, a Maior
  • 1990 - Os Olhos de Ana Marta
  • 1991 - Promontório da Lua
  • 1991 - Leandro, Rei de Helíria (peça escrita a partir de Rei Lear, de Shakespeare)
  • 1995 - Caderno de Agosto
  • 1997 - Se Perguntarem por mim, Digam que Voei
  • 2005 - Livro com Cheiro a Chocolate
  • 2006 - Livro com Cheiro a Morango
  • 2007 - Livro com Cheiro a Baunilha

Outros

  • 1986 - De que são Feitos os Sonhos
  • 1988 - As Mãos de Lam Seng
  • 1988 - O que Sabem os Pássaros
  • 1988 - As Árvores que Ninguém Separa
  • 1988 - Um Estranho Baralho de Asas
  • 1988 - O Tempo da Promessa
  • 1990 - Macau: da Lenda à História
  • 1991 - Corre, Corre, Cabacinha
  • 1991 - Um Ladrão debaixo da Cama
  • 1991 - Fita, Pente e Espelho
  • 1991 - A Adivinha do Rei
  • 1992 - Rato do Campo, Rato da Cidade
  • 1992 - Periquinho e Periquinha
  • 1992 - Maria das Silvas
  • 1993 - As Três Fiandeiras
  • 1993 - A Bela Moura
  • 1994 - O Pássaro Verde
  • 1994 - A tua avó é luisa
  • 1994 - O Coelho Branquinho
  • 1994 - Eu Bem Vi Nascer o Sol
  • 1997 - Praias de Portugal
  • 1999 - Um Fio de Fumo nos Confins do Mar
  • 2006 - A Lua não está à venda

Prémios

  • 1979 - Prémio de Literatura Infantil Ano Internacional da Criança com Rosa, Minha Irmã Rosa.
  • 1983 - Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura Infantil com Este Rei que Eu Escolhi.
  • 1994 - O Grande Prémio Gulbenkian, pelo conjunto da sua obra.

Ligações externas

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