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sábado, 6 de março de 2021

Maria Teresa Horta - Nos 100 anos do PCP

 * Maria Teresa Horta

Se exijo liberdade/
Tenho firmeza
Se digo liberdade
Passo a mensagem.
Se afirmo liberdade
vem a beleza. 
Se escrevo liberdade
canto a coragem.”

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Maria Teresa Horta - Morrer de amor

* Maria Teresa Horta

Morrer de amor
ao pé da tua boca

Desfalecer
à pele
do sorriso

Sufocar
de prazer
com o teu corpo

Trocar tudo por ti
se for preciso.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Maria Teresa Horta - Pequena canção à mulher

* Maria Teresa Horta


Onde uma tem
O cetim
A outra tem a rudeza
Onde uma tem
A cantiga
A outra tem a firmeza
Tomba o cabelo
Nos ombros
O suor pela
Barriga
Onde uma tem
A riqueza
A outra tem
A fadiga
Tapa a nudez
Com as mãos
Procura o pão
Na gaveta
Onde uma tem
O vestígio
Tem a outra
A pele seca
Enquanto desliza
O fato
Pega a outra na
Enxada
Enquanto dorme
Na cama
A outra arranja-lhe
A casa

sábado, 2 de julho de 2016

maria teresa horta - Morrer de amor

maria teresa horta,

Morrer de amor 
ao pé da tua boca

desfalecer
à pele
do sorriso

sufocar
de prazer
com o teu corpo

trocar tudo por ti
se for preciso



maria teresa horta, in “destino”

sábado, 7 de maio de 2016

Os tempos estão prenhes

ruitavares.net/blog


Leonor de Almeida Portugal de Lorena e Lencastre
As Luzes de Leonor
A escritora Maria Teresa Horta recusou receber um prémio literário das mãos do primeiro-ministro e deixou-me pensando nas três leonores do século XVIII.
A primeira Leonor foi Leonor Tomásia de Távora. Há exatamente 257 anos, no dia 19 de setembro de 1755, Leonor de Távora desembarcou em Lisboa vinda do Estado da Índia Portuguesa, onde tinha sido vice-rainha junto do seu marido, o Marquês de Távora. O navio em que chegaram chamava-se Bahia de Todos os Santos; atracou no Terreiro do Paço e os esposos, considerados a primeira família nobre do reino, foram por uma prancha até à Casa da Índia, onde pisaram terra; dali seguiram para Belém, a beijar a mão aos reis. Menos de dois meses depois, o Grande Terramoto destruiu Lisboa. Leonor de Távora recebeu os desalojados do sismo no seu palácio de Galveias, ao Campo Pequeno, e tal como o seu confessor Malagrida explica a catástrofe como sendo um “castigo de Deus”. Entra em choque com Sebastião José de Carvalho e Melo, que se tornou no novo homem forte do reino. Três anos e poucos meses depois de ter chegado, a primeira Leonor foi decapitada.
A segunda Leonor foi Leonor de Almeida Portugal de Lorena e Lencastre. Foi sobre ela que Maria Teresa Horta escreveu um livro de mil páginas, As Luzes de Leonor. Esta segunda Leonor nasceu em 1750 e a partir da idade de oito anos passou quase duas décadas presa num convento, em Chelas, também por causa do processo dos Távoras. A segunda Leonor foi também marquesa, a Marquesa de Alorna, mas na poesia era conhecida pelo seu nome de Alcipe. O livro de Maria Teresa Horta é como uma espécie de grande árvore, e cada ramo ou cada folha tem um pedaço da história da segunda Leonor: um acontecimento, um poema, um excerto do diário, uma leitura de Voltaire ou Bayle, os primeiros passos em liberdade, as viagens pela Europa, o regresso a Portugal e os novos exílios. Espero que vá ser lido ainda por mais gente nos próximos tempos.
A terceira Leonor é a minha favorita, Leonor da Fonseca Pimentel. Nascida de pais portugueses em Roma, no ano de 1752, a terceira Leonor foi logo bilingue em português e italiano, e depois poliglota; aprendeu latim e grego, depois francês e outras línguas modernas. Tornou-se uma excelente tradutora, rigorosa e incansável; as suas cartas com as dúvidas para os autores traduzidos são modelos de precisão e seriedade. Casou-se e abandonou o marido. Influenciada pelas ideias das Luzes, a terceira Leonor passou à ação, foi uma das líderes da revolução republicana em Nápoles, e dirigiu o “Monitor Republicano”, jornal oficial da República. Os italianos chamam-lhe a Bela Eleonora, e não há cidade que não tenha uma praça com o seu nome. Quando a monarquia foi restaurada, em 1799, a Bela Eleonora foi enforcada.
Porque pensei nelas? Por causa de uma frase do tempo delas, escrita por Leibnitz: “os tempos presentes estão prenhes do que há para vir”. Pelo menos duas delas conheceram bem essa frase. Sobretudo, sentiram-na nos ossos: que os tempos estavam a mudar. E sim, pensei também na jovem mulher que, na manifestação de sábado, decidiu abraçar um polícia. Mas não interpretarei mais.
Coisas fáceis de entender, mas difíceis de explicar.
http://ruitavares.net/textos/os-tempos-estao-prenhes/

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Maria Teresa Horta - Joelho

b

MARIA TERESA HORTA, in SÓ DE AMOR (Quetzal, 1999)

JOELHO

Ponho um beijo
demorado
no topo do teu joelho

Desço-te a perna
arrastando
a saliva pelo meio

Onde a língua
segue o trilho
até onde vai o beijo

Não há nada
que disfarce
de ti aquilo que vejo

Em torno um mar
tão revolto
no cume o cimo do tempo

E os lençóis desalinhados
como se fosse
de vento

Volto então ao teu
joelho
entreabrindo-te as pernas

Deixando a boca
faminta
seguir o desejo nelas

*

Óleo s/ tela: Lady on knees, por Smadar Katz

*

(LT)


foto de Quem lê Sophia de Mello Breyner Andresen.


domingo, 4 de julho de 2010

Verão de Água - Maria Teresa Horta

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Photobucket

VERÃO DE ÁGUA

Verão de água
ao sul de uma praia
convexo na boca
um pássaro de viagem
semelhante
ambíguo
de se reter nos
braços
animal de areia
a pernoitar nas algas

Maria Teresa Horta
Verão Coincidente - Lisboa, Guimarães Editores, 1962
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*****
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3/Jul 23:03
Carmen diz

UM DOMINGO FELIZ, AMIGO VICTOR! BEIJINHOS :D
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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Poema sobre a Recusa - Maria Teresa Horta

Assunto: UTOPIA?...
Data: 11/Fev 15:20
QUERO CANTAR COMO UM DIA, NA RUA, NO MEIO DE TODA A GENTE.AO OLHAREM VIAM FOGO, ÁRVORE DE RAÍZES FUNDAS, A ASA DE UMA ÁGUIA,MAR SOANDO, O AMOR EM FESTA, CRIANÇA RINDO NO ÚTERO, ESTRELAS NO CÉU AO MEIO DIA,SOL E LUA LADO A LADO, FLORES BROTANDO DO BETÃO NO MEIO DE TODOS OS CARROS, SINOS CANTANDO A HORA, E MEUS BRAÇOS ABRAÇANDO TODA AQUELA MULTIDÃO...E TODOS ME ACOMPANHAVAM SAUDANDO A VIDA...TÃO DIFERENTE, TÃO VERDADE! VOARAM PELO AR SORRISOS, DERAM-SE AS MÃOS EM IMPULSO DE IRMANDADE, DE MAGIA. TODOS SE JUNTARAM CANTANDO A UMA SÓ VOZ, AZUL, PELAS FADAS ENCANTADA...E A TERRA DEU UM PASSO NO RUMO DO INFINITO...NOVA ERA COMEÇARA. TUDO O QUE LUTEI NA VIDA, MESMO ANDANDO SOBRE ESPADAS, ESTAVA ALI E AGORA...SORRIA QUANDO ACORDEI...VALE A PENA ACREDITAR, QUE É MUITO MAIS QUE ESPERANÇA... É PERDER E REINICIAR...NOVO INÍCIO, MELHOR FIM... E A CERTEZA CANTANDO, NO FUNDO DE CADA UM, QUE NO FUTURO....A UM PASSO...ESTÁ ESSE DIA ESPERANDO...SABEMOS...CHEGAMOS LÁ!...EM ANEXO UM BEIJO!
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 Distribuído por Moranguinho Pereira (hi5)
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POEMA SOBRE A RECUSA
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Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
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nem na polpa dos meus
dedos
se ter formado o afago
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sem termos sido a cidade
nem termos rasgado pedras
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sem descobrirmos a cor
nem o interior da erva
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Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
.
minha raiva de
ternura
meu ódio de conhecer-te
minha alegria profunda
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MARIA TERESA HORTA 
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terça-feira, 6 de outubro de 2009

A origem da vida - Courbet e Maria Teresa Horta

O NOVO CANUDO DE BRAGA…..

Courbet - A origem da vida

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A VAGINA

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É cálida flor
e trópica mansamente
de leite entreaberta às tuas
mãos
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feltro das pétalas que por dentro
tem o felpo das pálpebras
da língua a lentidão

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Guelra do corpo
pulmão que não respira

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dobada em muco
tecida em sua água

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Flor carnívora voraz do próprio
suco
no ventre entorpecida
nas pernas sequestrada

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MARIA TERESA HORTA
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