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quarta-feira, 17 de junho de 2026

Daniel Oliveira- Trump perdeu a guerra

» Daniel Oliveira

Trump chegou ao mesmo sítio onde estava antes da guerra. O Irão sairá com 24 mil milhões desbloqueados, petróleo a fluir, urânio em casa com a promessa que sempre fez, um plano de reconstrução e controlo claro do Estreito de Ormuz. E Trump não tem apoio interno, aliados externos e argumentos para recomeçar a guerra daqui a dois meses. Israel tentou sabotar, não conseguiu e está mais isolado do que em qualquer momento desde a sua fundaçãov

Olhemos para o que parece estar em cima da mesa para ser assinado sexta-feira em Genebra. O Irão congela o programa nuclear no estado atual, mas o urânio altamente enriquecido fica no seu território e mantem-se a promessa genérica de não desenvolver a arma nuclear, que sempre existiu e muito provavelmente terá menos garantias do que Obama tinha conseguido e que Trump rasgou. Os EUA libertam 24 mil milhões de dólares em ativos iranianos bloqueados. Levantam as sanções ao petróleo. Comprometem-se a um plano de reconstrução. O programa de mísseis balísticos não parece estar na agenda. O financiamento ao Hezbollah e aos Houthis também não. E, depois destes meses, fica claro o controlo iraniano do Estreito de Ormuz. Um país que perde uma guerra não sai com estas condições.

terça-feira, 3 de março de 2026

Dani,el Vaz de Carvalho -Assim estalou a guerra

3 de março de 2026

"Negociámos com os Estados Unidos duas vezes nos últimos 12 meses, e em ambos os casos, eles atacaram-nos no meio da negociação - disse o MNE do Irão. E assim estalou a guerra. Como terminará?Desde há mais de 30 anos que Israel afirma que o Irão está "a semanas" de ter uma arma nuclear. Quando se trata da intoxicação da opinião pública, não conta o facto de Ali Khamenei ter assumido através de uma fatwa (regra baseada na lei islâmica) o compromisso do Irão de não construir uma bomba nuclear.

O objetivo traçado também há mais de 30 anos é o império dominar o Médio Oriente, perante isto, não contam as vidas dos palestinos nem dos países recalcitrantes a serem submetidos. A questão pôs-se agora com maior acuidade dada a multipolaridade estabelecida. O plano global anti multipolaridade impunha fazer cair o Irão, enfraquecer a Rússia e a China, desarticular o Sul Global e dominar as fontes energéticas.

Que o principal oponente de uma bomba nuclear iraniana tenha sido morto num ataque direcionado, faz parte do esquema. Gente que clama por direitos humanos e direito internacional, refere extasiado o que não passou de um cobarde assassinato no decorrer de negociações. 

Na manhã de sábado, reuniram em Teerão os principais membros da liderança iraniana para avaliarem o andamento das negociações e cedências feitas. Os EUA bombardearam a reunião, matando altos funcionários e o líder supremo Ali Khamenei, provando que as suas negociações são simplesmente uma arma dos objetivos de domínio.

Os grandes media têm por missão a formatação das mentes dentro do padrão estabelecido. Assim, o que quer que o império realize é à partida aceitável e mesmo que existam algumas reticências vêm acompanhadas de um "mas" justificativo

Os ataques dos EUA e de Israel ao Irão fazem simplesmente parte do plano para remodelar o Médio Oriente a seu contento. Para submeter o Irão duas opções foram consideradas: o esquema venezuelano e o esquema sírio. O esquema venezuelano, supunha que eliminando o dirigente máximo e seus próximos o que restasse iria pedir a continuação das "negociações", por assim dizer de "baraço ao pescoço". Falhou.

A opção síria, implica um guerra civil de separatismo e focos de insurgência, como se viu antes, organizados pela CIA e Mossad, baseada na sedução por modelos ocidentais. Os focos de insurgência foram desmantelados, o separatismo agressivo só surgirá se as forças armadas iranianas forem decisivamente enfraquecidas. Resta uma terceira hipótese que Rubio disse que "para já" não se coloca: é a opção Afeganistão. Sem comentários...

Ora estas opções estratégicas dos EUA, encontram um Irão preparado para elas. Afirma o MNE do Irão: "Tivemos duas décadas para estudar as derrotas do exército dos EUA no nosso leste e oeste imediatos", referindo-se ao Afeganistão e ao Iraque. "Incorporámos lições em conformidade. Os bombardeamentos na nossa capital não têm impacto na nossa capacidade de conduzir guerra. A Defesa Mosaica descentralizada permite-nos decidir quando - e como - a guerra terminará".

A Defesa Mosaica é a abordagem de guerra assimétrica do IRGC para combater forças inimigas superiores. Inclui a delegação de autoridade de decisão significativa a comandantes locais (31 unidades autónomas), permitindo que as operações continuem mesmo que o comando central tenha sido decapitado. As táticas estabelecidas incluem a utilização da geografia do Irão (montanhas, desertos, mares), guerrilha, ataques surpresa e ações para perturbar as linhas de abastecimento inimigas. Cada unidade regional é praticamente autónoma com tudo o que é necessário para a guerra moderna, mísseis, drones, barcos de ataque rápido, baterias de defesa costeira, para a Marinha do IRGC. Defesa aérea integrada descentralizada permite a baterias individuais funcionarem como centros de defesa aérea locais. Note-se que o Irão tem uma superfície 1,648 milhões de km2 praticamente o dobro da França e Alemanha juntas e 93 milhões de habitantes.

Outros princípio da Defesa em Mosaico: silêncio de rádio e comunicações, para neutralizar as capacidades de guerra eletrónica dos EUA. Implantação de milícias voluntárias Basij (mais de 450 efetivos) para segurança interna, além de guerrilha de na retaguarda inimiga e defesa em profundidade no caso de uma incursão inimiga por terra.

Os media israelitas afirmam que Trump atacou o Irão para tentar suavizá-los para as negociações. Na véspera da agressão os estrategas militares dos EUA alegadamente esperavam um cenário de "pequena guerra decisiva", no qual os bombardeamentos seriam rapidamente seguidos por negociações de paz. De acordo com um relatório israelita, o planeamento dos EUA na véspera do ataque - ou pelo menos o que Nethanyau convenceu Trump - era para uma "operação de 4-5 dias" que "traria um Irão enfraquecido de volta à mesa de negociações".

Agora muitos começam a perceber que atacar o Irão foi uma "aposta excessiva" e que sem tropas no terreno as esperanças de mudança de regime não são possíveis.

O Irão resiste aos bombardeamentos e retalia não menos violentamente, os petroleiros estão parados no Golfo, há baixas dos EUA nas bases, grande aumento dos preços da energia, risco dos EUA e Israel ficarem sem intercetores à medida que o Irão intensifica os ataques e dos navios - mesmo porta-aviões - serem atingidos.

Publicada por Daniel Vaz de Carvalho à(s) terça-feira, março 03, 2026 

https://foicebook.blogspot.com/2026/03/assim-estalou-guerra.html#more

domingo, 1 de março de 2026

Ricky - Estamos mesmo fingindo que o atentado a bomba da turma de Epstein ...

Nexo anti-imperialista

Estamos mesmo fingindo que o atentado a bomba da turma de Epstein em uma escola para meninas iranianas conta como libertação das mulheres?

01 de março de 2026

Uma guerra ilegal para desviar a atenção da pedofilia está sendo vendida como "libertação" por setores da mídia, num colapso total da ética jornalística. O Washington Post publicou um artigo de opinião de Reza Pahlavi, autoproclamado "Príncipe Herdeiro" do Irã, declarando que "a hora da sua liberdade está próxima". Parece que ninguém no Post se lembrou de perguntar aos iranianos se eles gostariam de um Príncipe Herdeiro, e eu aqui pensando que isso era sobre democracia.

A Operação Fúria Épica já se tornou um desastre humanitário, ceifando centenas de vidas inocentes e arriscando uma guerra regional de maior escala. O Príncipe Palhaço do Crime deve estar se deliciando com as paisagens urbanas em chamas por todo o Oriente Médio, cortesia da classe de Epstein. Provavelmente não haverá vencedores, mas enquanto Pahlavi continuar reinando sobre os escombros...

Os israelenses estão escondendo a dimensão da destruição e mal mencionando as mortes de civis, mas as evidências sugerem que o número de vítimas é muito maior do que o admitido . De alguma forma, Israel subestimou novamente a capacidade de retaliação do Irã. É difícil ter compaixão pelos israelenses encolhidos em bunkers quando essa situação é inteiramente autoinfligida. O que quer que estejam sofrendo agora é mil vezes menor do que já infligiram a outros.

Se ao menos a mídia tivesse abordado o assunto dessa forma, em vez de retratar israelenses e americanos como vítimas. O New York Times publicou uma matéria sobre as dificuldades enfrentadas pelos israelenses que se refugiaram em abrigos antiaéreos, como se os palestinos não tivessem passado mais de dois anos caminhando pelo país com barracas. Uma jornalista da MSNBC se expôs ao ridículo ao perguntar ao ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi: “Como o senhor justifica atacar bases militares americanas?”. Sua resposta foi simples: “Porque vocês estão nos atacando”.

O jornalismo ocidental tornou-se uma piada. Ele simplesmente oferece diferentes versões de propaganda, adaptadas aos nossos preconceitos, enquanto nos conduz a uma versão "woke" ou "anti-woke" do imperialismo.

Eis o contexto adequado para esta guerra: os ataques ilegais deste império violaram a soberania do Irã e destruíram famílias, enquanto seu luto é reembalado como libertação. Os autoproclamados salvadores das mulheres iranianas acabaram de bombardear uma escola para meninas, para vocês terem uma ideia. Nada do que a classe de Epstein diz deve ser levado a sério.

A afirmação de Trump sobre o Irã estar construindo armas nucleares que poderiam atingir os EUA é um absurdo desprezível. Seus próprios assessores não conseguem manter uma versão coerente dos fatos — alguns dizem que as instalações nucleares foram "destruídas" em 2025, enquanto outros gritam que o ataque nuclear é iminente. Não pode ser as duas coisas.

As mesmas vozes que clamavam contra a brutalidade iraniana para justificar a mudança de regime agora estão transformando as cidades iranianas em Gaza. Não se trata de uma operação de precisão, mas sim de um bombardeio indiscriminado que ultrapassou todos os limites. Nada ilustra melhor essa depravação do que o ataque à escola primária feminina Shajareh Tayyebeh. Três mísseis disparados contra um único prédio escolar não é um erro. Pelo menos 148 inocentes foram mortos no ataque e 95 ficaram feridos — a maioria meninas de 7 a 12 anos.

Imagens mostram equipes de resgate retirando mochilas e livros escolares dos destroços: os sonhos de uma geração destruídos por ocidentais que odeiam o hijab. Em nome dessas meninas, posso dizer: que se dane a sua libertação?

Isso não foi dano colateral, foi um crime de guerra flagrante. De acordo com as Convenções de Genebra e a Carta da ONU, ataques contra infraestrutura civil são proibidos. Autoridades iranianas denunciaram o ataque como um "crime atroz", enquanto os militares dos EUA disseram que estavam "investigando" as denúncias. É uma questão de tempo até que o exército de Epstein se inocente.

Esta guerra não começou porque o Irã se recusou a fazer concessões; começou porque estava pronto para aceitar um acordo nuclear. As negociações em Genebra e Omã, no início de fevereiro, estavam fadadas ao fracasso devido às crescentes exigências para que o Irã desmantelasse seu programa de mísseis e rompesse relações com seus aliados.

Já vimos essa estratégia antes: os EUA e Israel atacam durante as negociações e culpam o outro lado porque um acordo é a última coisa de que o Projeto do Grande Israel precisa. Tel Aviv decidiu que a guerra era sua última chance de enfraquecer seu maior rival antes que o desenvolvimento de mísseis e drones do Irã estabelecesse uma dissuasão real.

Não vamos esquecer que o Irã não invade outro país há séculos. Todos sabemos que Israel tem uma arma com balas em formato de kompromat apontadas para a cabeça de Trump. Ele concordou em sacrificar seus próprios homens e mulheres para se salvar. Que sujeito.

A vitória parece improvável para ambos os lados e o custo da guerra será enorme. As forças americanas e israelenses lançaram quase 900 ataques aéreos em todo o Irã, visando instalações militares, prédios governamentais e complexos de lideranças. Explosões abalaram Teerã, Tabriz e províncias do sul. Imagens de satélite mostram fumaça subindo de instalações importantes, mas o Irã está revidando com força . Foto após foto mostra bases americanas reduzidas a escombros. Uma base de radar que custou US$ 1,1 bilhão foi destruída no Catar — os americanos sem plano de saúde arcarão com os custos.

Toda essa destruição levanta a questão de se as baixas americanas estão sendo ocultadas. Até o momento, os relatos mencionam pelo menos três militares americanos mortos e outros feridos nos primeiros dias, mas esse número parece muito baixo. Meu palpite é que o número real de mortos provocaria a fúria do público americano.

Centenas de iranianos morreram nas primeiras doze horas, entre eles altos comandantes da Guarda Revolucionária Islâmica e — o mais chocante — o aiatolá Ali Khamenei . Ao contrário de Netanyahu, que embarcou em um avião, Khamenei permaneceu com seu povo até o fim. Chame-o do que quiser, mas essa é a diferença entre um líder nativo e um colonizador.

O presidente dos EUA, cujo nome consta mais de um milhão de vezes nos arquivos de Epstein, vangloriou-se no Truth Social por ter assassinado um chefe de Estado — seu mais recente crime de guerra. O pedófilo, que está cometendo o crime de agressão supremo, chamou o aiatolá Khamenei de "uma das pessoas mais perversas da história". A ironia acaba de morrer.

Os EUA assassinaram o líder que emitiu uma fatwa proibindo armas nucleares, logo depois de o próprio Trump ter rompido o acordo nuclear. Talvez se o aiatolá tivesse demonstrado "respeito pelos direitos das mulheres" viajando até a ilha de Epstein, ele ainda estaria vivo. Parece que seu verdadeiro crime foi trilhar um caminho independente para seu povo em vez de se juntar à rede comprometida.

Se você pensa que o Irã vai simplesmente se render, pense novamente. O Irã promete ataques "sem precedentes", potencialmente usando aliados como o Hezbollah ou os Houthis para uma guerra assimétrica. Seus mísseis hipersônicos Fattah-2 teriam sido usados ​​pela primeira vez, sinalizando o desafio tecnológico do Irã. Imagens nas redes sociais mostraram explosões em Tel Aviv e um importante clérigo xiita emitiu uma fatwa prometendo "golpes terríveis". Embora eu não tenha certeza se o Irã pode vencer esta guerra, certamente pode causar danos enormes.

O número de vítimas aumenta nos países do Golfo, aeroportos estão fechados e turistas estão retidos, incluindo celebridades ocidentais que publicam vídeos das explosões nas redes sociais. A economia dos Emirados Árabes Unidos, baseada no turismo e nos investimentos, depende da estabilidade e agora pode sofrer um duro golpe. Uma coisa que o império sabe fazer é prejudicar seus aliados.

As consequências da Guerra Epstein são devastadoras, com milhares de mortos e feridos, como as meninas de Minab cujos futuros foram roubados num instante. O fluxo de refugiados pode aumentar drasticamente e será interessante observar os defensores da guerra exigindo que eles voltem para casa. Economicamente, as remessas de petróleo pelo Estreito de Ormuz foram interrompidas , o que representa um risco de crise financeira global. Independentemente de outras nações serem arrastadas para um conflito maior, todos nós sentiremos o impacto. Se o seu custo de vida aumentar, culpe a classe de Epstein. Se a convocação para o serviço militar chegar, revolte-se.

https://www.councilestatemedia.uk/p/were-really-pretending-the-epstein? 

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Nate Bear - MENTIRAS POR OMISSÃO




MENTIRAS POR OMISSÃO ENQUANTO NOVOS CRIMES DE GUERRA AMERICANOS SE APROXIMAM

* Nate Bear, 
Substack. Trad. O’Lima.

Os EUA reuniram a maior força militar no Médio Oriente desde a invasão do Iraque há quase 23 anos e estão novamente preparados para cometer assassinatos em massa e perpetrar alegremente uma quantidade impressionante de crimes de guerra.

Ontem, [18 de fevereiro] um grande número de aviões, desde caças a tanques de reabastecimento aéreo e aviões de comando e controlo, partiram dos EUA com destino ao Médio Oriente. Os aviões fizeram escalas em bases militares americanas na Inglaterra e na Alemanha, porque nenhum crime de guerra imperial está completo sem o envolvimento da Europa.


Captura de ecrã (às 11.27 de 18 de fevereiro de 2026)de aviões militares dos EUA a voar dos EUA para a

Um ataque dos EUA ao Irão, uma violação flagrante do direito internacional, se é que isso ainda vale a pena mencionar, parece iminente. Porquê? Por Israel, pelo petróleo, pela projeção de poder, pelo legado de Trump. Porque a lógica do complexo militar-industrial exige que 1 bilião de dólares por ano e uma impressionante variedade de máquinas de matar não fiquem paradas. Porque é isso que os impérios fazem. Porque os EUA são violência. E não há demonstração mais impressionante da violência americana do que uma grande guerra.

Os EUA estiveram em guerra durante 222 dos 239 anos desde 1776. O país dificilmente vai parar agora, especialmente com as estrelas a alinharem-se para um projeto que o eixo EUA-Israel-sionista tem procurado desesperadamente realizar há quase 50 anos.

E apesar do facto de uma nação em guerra quase constante ir atacar um país que iniciou a última guerra há quase 300 anos, os EUA e Israel vão-se apresentar como salvadores e pacificadores. Os líderes desses países vão autoproclamar-se como tal, enquanto os ocidentais submeterão os seus leitores e telespectadores a uma exibição vertiginosa de propaganda para permitir os assassinatos e encobrir os crimes.

O trabalho preparatório

Mas a propaganda não começará no dia do ataque. A verdade é que não estaríamos nesta situação sem o trabalho preparatório realizado pela mídia ao longo dos anos. Não estaríamos à beira de outra grande guerra dos EUA sem as mentiras por omissão, muitas vezes subtis, que há décadas caracterizam a cobertura ocidental sobre o Irão e que têm sido especialmente evidentes nos últimos meses. Vamos examinar algumas delas.

Mudança de narrativas

Em primeiro lugar, e mais importante, a premissa para um ataque. Em junho passado, Trump disse que os EUA tinham «destruído» as instalações nucleares do Irão. Mas agora, oito meses depois, os EUA aparentemente precisam de travar uma guerra muito maior para eliminar o programa nuclear do Irão. Ninguém fará a pergunta óbvia. A premissa de que o programa nuclear do Irão é uma ameaça permanecerá firme e inquestionável na mente do consumidor ocidental dos media propagandísticos, que há apenas oito meses foi informado de que tudo havia sido destruído.

Termos carregados

«Programa nuclear do Irão». As próprias palavras estão carregadas de uma intenção que raramente é examinada ou explicada. Nunca vêm acompanhadas de qualquer contexto e são propositadamente concebidas para silenciar qualquer pensamento crítico. Os media ocidentais nunca explicam que o Irão é um dos maiores produtores mundiais de radiofármacos utilizados no diagnóstico e tratamento do cancro. E para diagnosticar o cancro e fabricar medicamentos contra o cancro, são necessários isótopos médicos. E não é possível fabricar isótopos médicos sem enriquecer urânio. O Irão está entre os cinco maiores exportadores mundiais de medicamentos radioativos, fornecendo medicamentos nucleares a quinze países, incluindo países europeus. E as sanções contra o Irão proíbem a importação de radiofármacos. Portanto, sem o seu «programa nuclear» deliberadamente deturpado, o Irão teria dificuldade, se não impossibilidade, em diagnosticar e tratar pessoas com cancro e outras doenças.

O acordo nuclear

Os media nunca explicam isso e também nunca explicam os antecedentes das ameaças dos EUA ao Irão em relação a esse programa. No quadro da cobertura das negociações e possíveis acordos, os media ocidentais nunca mencionam o facto de que, em 2018, o próprio Trump rasgou um acordo, assinado em 2016, que estava funcionando muito bem. Esse acordo, ratificado pelo Conselho de Segurança da ONU, facilitava inspeções regulares ao local e permitia ao Irão fabricar material nuclear para medicina e energia. Os media nunca nos lembram disso, nem que a última inspeção da Agência Internacional de Energia Atómica relatou que o Irão estava em total conformidade com as suas obrigações.

Nunca nos dizem que Trump, sob pressão dos seus apoiantes sionistas para criar uma crise que pudesse levar os EUA e Israel à guerra, e ansioso por desfazer um raro sucesso de Obama, criou deliberadamente um problema para resolver. E, como estamos prestes a descobrir, nunca houve qualquer intenção de resolvê-lo pacificamente.

Mas os media continuarão fingindo que essas foram negociações de boa-fé que fracassaram por causa das exigências do Irão. E não nos dirão que essas exigências incluíam a capacidade de diagnosticar e tratar o cancro.

Unilateralismo

O facto de os EUA se terem retirado unilateralmente do acordo anterior também é uma omissão importante na cobertura. Porque lembrar aos leitores que a crise foi desencadeada pelos EUA pode fazer com que os EUA, e não o Irão, pareçam o Estado rebelde.

O facto do unilateralismo americano é frequentemente ocultado pelos media ocidentais. É por isso que ouvimos tão pouco sobre as 66 organizações e tratados internacionais dos quais os EUA anunciaram em janeiro que se retirariam. E caso você se sinta tentado a pensar que esse unilateralismo é culpa exclusiva de Trump, o governo Biden retirou-se do Tratado sobre Forças Nucleares de Alcance Intermédio e do Tratado de Céus Abertos, ambos elementos-chave de uma estrutura internacional para evitar a guerra nuclear.

Os EUA são um Estado pária que opera deliberadamente, e tenta-se a todo o custo para ocultar esse facto. Porque se as pessoas compreendessem os EUA como um Estado pária, poderiam questionar se a sua violência constante não é a violência de um pacificador ou de um combatente pela liberdade, mas sim a violência de um delinquente. Poderiam questionar quem, na verdade, são os vilões.

As armas nucleares de Israel

Ao falar de Estados rebeldes, os media nunca examinam a premissa fundamental subjacente a toda a questão da capacidade nuclear iraniana. Nunca questionarão por que Israel tem permissão para ter armas nucleares, mas o Irão não. Nunca levarão os leitores ou telespectadores a questionar por que o agressor proeminente da região, perpetrador de genocídio e violador constante de leis e normas, é aquele a quem se confia a arma mais destrutiva da história da humanidade. Porque então teriam de enquadrar Israel como o agressor. Então teriam de explicar o império. Então, teriam de examinar os evidentes padrões duplos e hipocrisias e introduzir as pessoas ao pensamento crítico, que não leva ao apoio reflexivo ao império.

E isso é um grande tabu. Afinal, é muito mais fácil fabricar consentimento para a guerra se uma grande parte da população pensa que vocês são os bons que defendem a liberdade e a paz.

Novos pretextos

Se tem acompanhado as notícias, deve estar ciente de que as últimas negociações vão além do programa nuclear e introduzem novos pretextos para a guerra, um dos quais é o programa de mísseis balísticos do Irão.

Israel, chocado com a capacidade do Irão de atacar o seu território em junho passado, quer que o novo acordo inclua a eliminação de todos os mísseis de longo alcance do Irão.

Quando os EUA e Israel atacarem, dir-nos-ão que a culpa é do Irão. Dir-nos-ão que querer manter a capacidade defensiva face a um inimigo expansionista e genocida, que se comprometeu abertamente a destruir-nos, é uma posição irracional. O Guardian, entre outros, já começou a defender esta linha.

Em contrapartida, não nos pedirão para refletirmos sobre por que razão Israel pode ter todas as armas que desejar. Não nos pedirão para refletirmos sobre por que razão os EUA entrariam em guerra para impedir um país de se defender de Israel. Isto será simplesmente apresentado como a ordem natural das coisas.

Violência americana

A guerra que se aproxima contra o Irão será uma guerra completamente ilegal de agressão não provocada cometida pelos EUA contra um país a 7200 km de distância que não representa nenhuma ameaça.

No entanto, duvido que um único americano a servir nas Forças Armadas dos EUA se oponha. Porque crimes de guerra em massa são uma tradição americana. Porque os EUA são violência. Será que os EUA algum dia vão prestar contas pela natureza fundamentalmente violenta e imperialista da sua sociedade? A julgar pelas alternativas políticas atualmente disponíveis, não.

Alexandria Ocasio Cortez, considerada por muitos como a principal figura de esquerda do Partido Democrata e uma viável candidata à presidência no futuro, acaba de participar na conferência de segurança de Munique para estabelecer as suas credenciais imperiais. Falando numa sessão patrocinada pela Palantir, ela recusou-se a condenar o reforço militar de Trump, enquanto espalhava propaganda anti-Irão a favor de uma mudança de regime. Ao mesmo tempo, tentou flanquear Trump pela direita em relação à Venezuela, dizendo que ele deveria ter-se comprometido com uma mudança de regime e derrubado todo o governo. Com amigos esquerdistas amantes da paz como AOC, quem precisa de inimigos belicistas como Trump, não é?

Liberdade

À medida que a guerra começa e as bombas caem, os políticos e os media vão regurgitar propaganda falsa sobre atrocidades relacionadas com o número de mortos nos recentes protestos para nos convencer de que a violência que vemos nos nossos ecrãs é a violência do libertador. Vamos ouvir falar dos «mullahs», dos aiatolás e do autoritarismo. O consumidor médio dos media ocidentais ficará convencido de que os iranianos vivem numa sociedade sem cor, liderada por fanáticos religiosos que rotineiramente apedrejam mulheres até a morte, quando uma simples pesquisa no YouTube mostra uma realidade muito diferente. Cenas das ruas e centros comerciais de Teerã que poderiam ter sido filmadas em qualquer cidade ocidental estão a um clique de distância, mas os consumidores dos media nunca serão direcionados a essas fontes.

Tudo o que ouviremos é sobre a necessidade da violência imperial. Ouviremos que o Irão não conseguiu chegar a um acordo em histórias fora do contexto. Ouviremos que os americanos estão a ajudar a libertar os iranianos da tirania e que isso será bom para o mundo, quando, na realidade, o único caminho para a paz é libertar os americanos da tirania do seu próprio império.

https://onda7.blogspot.com/2026/02/leituras-marginais_0361484924.html
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Posted by OLima at sexta-feira, fevereiro 20, 2026 

sábado, 28 de junho de 2025

Discurso de Ali Khamenei em 2025 06 26

*  Ali Khamenei

Em nome de Deus, o Compassivo, o Misericordioso

Meus cumprimentos e melhores votos à querida e grande nação do Irão. Em primeiro lugar, gostaria de honrar a memória dos estimados mártires dos recentes acontecimentos – os generais e cientistas martirizados que foram verdadeiramente valiosos para a República Islâmica. Eles dedicaram as suas vidas a servir os outros. Hoje, estão com Deus a receber a recompensa pelos seus serviços notáveis, se Deus quiser.

Considero necessário felicitar a grande nação do Irão. Felicito a nação por várias razões.

Em primeiro lugar, apresento os meus parabéns pela vitória sobre o falacioso regime sionista. Com toda aquela agitação e todas aquelas alegações, o regime sionista foi praticamente derrotado e esmagado sob os golpes da República Islâmica. A ideia de que a República Islâmica poderia infligir tais golpes a esse regime nunca lhes passou pela cabeça e eles nunca imaginaram tal coisa, mas foi isso que aconteceu.

Agradecemos a Deus por ajudar as nossas Forças Armadas. Elas foram capazes de romper a defesa avançada e multifacetada do inimigo e arrasar muitas das suas áreas urbanas e militares sob a pressão dos mísseis iranianos e dos poderosos ataques com armamento avançado. Esta é uma das maiores bênçãos divinas. Isso mostrou ao regime sionista que atacar a República Islâmica do Irão tem um preço alto. Será caro para eles. Isso resultará e gerará um custo elevado para eles. E louvado seja Deus, isso aconteceu. Esta honra é devida às nossas Forças Armadas e ao nosso querido povo que construiu, treinou e apoiou estas Forças Armadas a partir de si mesmo, capacitando-as e fortalecendo-as para realizar uma tarefa tão grandiosa.

A minha segunda felicitação está relacionada com a nossa querida vitória do Irão sobre o regime dos EUA. O regime dos EUA entrou diretamente na guerra porque sentiu que, se não o fizesse, o regime sionista seria completamente destruído. Entrou na guerra num esforço para salvar esse regime, mas não conseguiu nada. Atacou as nossas instalações nucleares, o que justifica, evidentemente, um processo criminal independente num tribunal internacional. Mas não conseguiram nada de significativo. O presidente dos EUA usou um exagero bizarro ao descrever o que aconteceu. É evidente que ele precisava desse exagero. Quem ouviu as suas declarações sabia que por baixo da superfície dessas palavras havia outra verdade, que era a de que eles nada foram capazes de realizar. Eles não conseguiram atingir o seu objetivo e exageram as coisas para encobrir e esconder a verdade.

Também aqui a República Islâmica saiu vitoriosa e deu uma forte bofetada nos EUA. O Irão atacou e causou danos na Base Aérea de Al-Udeid, que é uma das bases mais importantes dos EUA na região. As mesmas pessoas que fizeram afirmações exageradas no caso anterior tentaram minimizar este, alegando que não tinha acontecido nada de mais. Mas, na verdade, ocorreu um acontecimento importante. O facto de a República Islâmica ter acesso a centros importantes dos EUA na região e poder agir sempre que considerar necessário é um assunto significativo. É bastante significativo. Tal ação pode ser repetida no futuro. Se ocorrer qualquer agressão, o inimigo — o agressor — pagará definitivamente um preço elevado.

A minha terceira felicitação é pela notável unidade e solidariedade demonstradas pela nação iraniana. Louvado seja Deus, uma nação de aproximadamente 90 milhões de pessoas permaneceu unida, com uma só voz, ombro a ombro, e não mostrou quaisquer diferenças nas suas exigências ou nos objetivos que expressou. Permaneceu unida, entoou slogans, manifestou-se e apoiou as ações das Forças Armadas, e assim continuará a ser no futuro. A nação iraniana demonstrou a sua grandeza e o seu caráter distinto e excepcional neste evento. Mostrou que, quando necessário, uma voz unificada será ouvida desta nação e, graças a Deus, foi isso que aconteceu.

O ponto-chave que desejo enfatizar no meu discurso é que, numa das suas declarações, o presidente dos Estados Unidos afirmou que o Irão deve render-se. Render-se! A questão já não é o enriquecimento ou a indústria nuclear. É o Irão render-se.

Escusado será dizer que esta declaração é demasiado grave para sair da boca do presidente dos EUA. Para o grande país do Irão – uma nação com uma história tão rica, uma cultura tão rica e uma determinação nacional inabalável – qualquer conversa sobre rendição não passa de uma zombaria aos olhos daqueles que realmente conhecem o povo iraniano.

Mas a sua declaração revelou uma certa realidade, que é a de que os EUA têm-se oposto ativamente e tentado prejudicar o Irão islâmico desde o início da Revolução. E, de cada vez, inventam um novo pretexto. Uma vez, são os direitos humanos. Outra vez, é a defesa da democracia. Depois, são os direitos das mulheres. Às vezes, é o enriquecimento de urânio e, outras vezes, é a própria questão nuclear. Ou é a questão do desenvolvimento de mísseis. Eles inventam todo tipo de pretexto. Mas, no fundo, tudo se resume a uma coisa: eles querem que o Irão se renda. Os governos anteriores nunca afirmaram isso abertamente porque é algo inaceitável. Não há lógica humana que justifique dizer a uma nação que ela deve se render. É por isso que eles disfarçavam esse objetivo por trás de outros títulos e pretextos.

Esta pessoa revelou a verdade. Ele mostrou esta realidade de que os EUA só ficarão satisfeitos com a rendição do Irão e nada menos do que isso. Este é um ponto crucial. A nação iraniana deve saber que o cerne do conflito com os EUA é este ponto. Os EUA estão a insultar profundamente o povo do Irão, e isso nunca acontecerá. Nunca acontecerá. A nação iraniana é uma grande nação. O Irão é um país forte e vasto. Possui uma civilização antiga. A nossa riqueza cultural e civilizacional é centenas de vezes maior do que a dos EUA e de outros países semelhantes. Qualquer pessoa que espere que o Irão se renda a outro país está a dizer disparates que serão certamente ridicularizados por pessoas sábias e conhecedoras. A nação iraniana é nobre e continuará a ser nobre.

A nação iraniana é vitoriosa e continuará vitoriosa, pela graça de Deus. Temos esperança de que Deus Todo-Poderoso continuará a proteger esta nação sob a Sua graça, preservando-a com dignidade e honra. Que Ele eleve o estatuto espiritual do Imã [Khomeini (ra)]. E que o Imã Mahdi (que as nossas almas sejam sacrificadas por ele) fique satisfeito e contente com esta nação e que a apoie com a sua ajuda.

Que as saudações, misericórdia e bênçãos de Deus estejam com vocês. [Minha ênfase]

Uma vez que o Irão agora sabe com 100% de certeza o que o Império Fora da Lei dos EUA exige, não há mais motivos para negociações, exceto um:   o Irão voltará a aderir ao TNP quando os sionistas nele se inscreverem. Espero que os documentos que o Irão tem incriminando Grossi e a AIEA sejam publicados quando o Irão votar a favor da retirada do TNP. Espero que outros resultados ocorram como consequência do conflito, alguns óbvios, como uma aproximação militar da Rússia e da China e uma mudança nas relações com o Azerbaijão, e outros não tão óbvios, como o grau de isolamento do Ocidente Coletivo da Maioria Global. Também estou curioso para ver o que acontecerá com as relações do Japão e da Coreia do Sul com o Império quando o prazo para as tarifas terminar, pois na minha opinião este conflito terá influência no que ocorrerá. E depois há Taiwan. Os seus separatistas não podem gostar do que acabaram de observar, quando o mais importante proxy do Império foi parcialmente atirado para debaixo do autocarro.

O original encontra-se em karlof1.substack.com/p/khameneis-speech-to-iran
https://resistir.info/irao/khamenei_27jun25.html

quarta-feira, 18 de junho de 2025

Pedro Queirós - O meu Irão

 

ª Pedro Queirós 

Terra de gente boa e generosa. Educados e cultos. Um lugar onde a família é o centro da sociedade e impera o respeito pelo próximo. Um país rico e abençoado de recursos naturais. Com montanhas, praia, desertos, florestas e lugares históricos.

No Irão vive-se uma cultura milenar com quase três mil anos. São gestos, tradições e pormenores que se difundem no quotidiano. Muitas vezes imprevisíveis, fruto da aprendizagem de muitas gerações. Um país feito de heróis, poetas e guerreiros.

O Irão tem problemas internos e líderes incapazes? Sim. Mostrem-me um país que não os tenha. Têm um sistema político baseado na religião? Sim, mas isso é problema deles e sinceramente prefiro educar o meu filho num lugar sem álcool, pornografia, racismo, violência doméstica, assassinatos em escolas, extrema direita, fast food, casinos e prostituição.

O Irão tem leis que condicionam as mulheres? Sim, mas é uma sociedade matriarcal e com uma maioria feminina na população universitária. As mulheres são poderosas e a violação dá pena de morte… ao contrário de outros países onde é mostrada sem pudor no Instagram. O país tem de evoluir no campo da igualdade de género como outros o fizeram. O mesmo se aplica aos homossexuais e outras minorias.

A lei do país permite o casamento com e entre menores? Sim, mas ninguém o faz a não ser nas zonas rurais onde se vive na pré-história. Ao contrário de outras religiões, a pedofilia não é praticada pelos sacerdotes muçulmanos. No Irão, molestar uma criança dá direito a enforcamento.

O país não tem liberdade de expressão? Sim, é verdade. Mas o que é que andamos a fazer com a liberdade no ocidente? Eu digo-vos: andamos a praticar o ódio, a violência, sedentos de bens materiais, a comer mal, a beber, fumar, a perder a saúde mental, a trair os nossos companheiros e a viver atrás das redes sociais.

O Irão dá armas a milícias que atacam Israel? Sim, é verdade. São o único país do mundo com coragem de enfrentar o povo escolhido. Um povo que é representado por homens que assassinam crianças em direto na televisão. O Irão quer ter armas nucleares? Sim. E aqui nem me vou alongar. Um país que é atacado como o foi na semana passada necessita de instrumentos para garantir a soberania.

O ideal seria TODOS destruírem as armas e sentarem-se à mesa, mas isso é uma utopia. O novo Hitler chamado Benjamim Netanyahu e será o culpado pela terceira guerra mundial. Força, rebentem com tudo!

2025 06 17

https://www.facebook.com/pedro.queiros.9461



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segunda-feira, 16 de junho de 2025

Domingos Lopes - O Armagedão, tempo de ódio e de guerra


16 de Junho de 2025

*  Domingos Lopes 

Vivemos um tempo de guerras. Para vivermos um tempo desta natureza é necessário que os humanos organizados em sociedades aceitem que têm inimigos que os querem aniquilar e, portanto, só resta a guerra. A guerra é a confissão autorizada pelo Estado de que o assassinato dos outros é uma conduta heroica e como tal a glorificar.

Na nossa cultura judaico-cristã deve ser tido em conta a narrativa no último livro do Novo Testamento, o Apocalipse, sobre o fim da Humanidade, o Armagedão, ou seja, a batalha final entre Deus e os governos humanos. Deus escolherá poucos para que na Terra impere a sua vontade. Essa guerra seria no Médio-Oriente. Jeremias falava dessa guerra a ter lugar perto do rio Eufrates.

 A guerra, nestes dias de chumbo e sucessivas injeções de anestesia das consciências acerca da sua inevitabilidade, mantém os humanos como seres incapazes de raciocinar e de agir pelos impulsos mais primários oriundos do tempo em que, como animais a fugir uns dos outros, se matava ou se morria.

A linguagem dos principais dirigentes do mundo está atolada de mortandade. Oferecem aos inimigos o inferno e aos seus a messiânica vitória.

Netanyahu e Trump atingiram o supremo patamar da ignomínia. Trump sempre que algum dirigente tem coluna vertebral ameaça-o com o inferno.

No passado os negociadores da paz eram tratados com respeito, o que não significa que tenha havido condutas ominosas de tratamento de enviados e negociadores.

Estamos em 2025 e no “Ocidente” esta regra passou a ser a da traição absoluta. Através da espionagem assassinam-se negociadores sejam palestinianos, sejam iranianos. Deve ser a perfídia maior entre Estados, um deles aproveitar e matar os negociadores e apresentar a façanha como uma ação de defesa.

Trump, que tinha dado como data limite o dia 15 de junho para se chegar ao fim das negociações, assistiu ao assassinato dos negociadores no ataque ao Irão com, “Todos mortos” disse ele, enquanto decorria ainda o prazo para negociar.

O ataque de Israel ao Irão insere-se nessa linha de um primarismo absoluto, fanático, messiânico de lançar o mundo num dilúvio de fogo, seja ele de que tipo for, desde que possa vencer.

Netanyahu sabe que só poderá eventualmente derrotar o Irão se os EUA entrarem na guerra, sem que o resultado seja certo. Mas também sabe que se os EUA participarem a Rússia e a China não vão ser espectadores. E nesse caso o mundo pode estar à beira do Apocalipse, não como obra de Deus, mas de demónios sem alma como Netanyahu e Trump.

Tal como no Iraque não havia armas de destruição massiva, também no Irão não há armas nucleares e foi Trump quem saiu do Acordo quando foi pela primeira vez Presidente.

Israel e os EUA conhecem esta realidade. Mas apesar disso, querem na região o caminho totalmente livre para fazer o que quiserem e desde logo exterminar os palestinianos.

Quem tem armas nucleares é Israel que não assinou o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares e ocupa ilegalmente os territórios palestinianos. O verdeiro Estado fora da lei tem um nome – Israel.

Ambos entregaram a Síria à Alqaeda e à Turquia, deixando-a refém de ambos e do sultão turco. Invadiram o Líbano a ferro e fogo e destruíram em boa medida o Hezbolah. Continuam o extermínio dos palestinianos e Trump sonha sobre o mar de sangue de Gaza construir um complexo turistico… A Jordânia não passa de um peão de Israel, talvez porque o Rei tenha medo dos milhões de palestinianos a viverem deportados pela Naqba. O Iraque está ainda destruído. Resta o Irão que querem destruir a ferro e fogo.

Esta Europa incapaz de se libertar do complexo de serventuária nada mais tem para fazer que não seja deixar-se conduzir por estes dois seres cuja bestialidade é a cada dia que passa mais evidente.

As palavras têm sentido, representam o que há de mais elevado na comunicação entre os humanos. A palavra nojo é dura, mas que palavra usar para qualificar Ursula von der Leyen, Macron, Starmer e Merz ao proclamarem frente ao extermínio dos palestinianos e aos ataques do Irão que Israel tem direito a defender-se? Eles e elas sabem que a Palestina está ocupada ilegalmente. Sabem que invadir ou atacar outro país é ilegal e, no entanto, do mais alto da hipocrisia e da ignomínia declaram que Israel pode fazer o que entender porque …tem direito a defender-se…

Só Israel tem direito a defender-se e mais ninguém no mundo em que vivemos tem direito a defender-se porque estas fornadas de dirigentes europeus já perderam toda a vergonha e honradez. Para manter os seus privilégios e as suas regalias venderam a alma ao diabo e a Trump. Por isso, quando este último os ameaça com a ocupação da Gronelândia metem o rabo entre as pernas ou correm a apoiar o filho predileto dos EUA, Netanyahu. Era difícil imaginar que a UE chegasse a este servilismo e a este estado de degradação.

Quando von der Leyen, naquele tom de voz pseudo-imperial, num vestuário saído de alguma máquina de liofilização e com um cabelo onde nenhum se solta mesmo que se acenda um temporal, declara que Israel tem o direito a defender-se outra palavra surge, a palavra ira porque sendo um pecado é da condição humana revoltar-se.  Mas acaso alguém neste mundo entende, à exceção de Israel e dos EUA, que defender-se é atacar os outros porque assim estando em guerra permanente só há uma lei, a do mais forte.   

Vivemos rodeados de guerras. Um tempo de guerras. Um tempo de ódios. Só o ódio, só apelidar de animais os palestinianos permite fazer guerras. Só o ódio e a loucura messiânica permitem ao Estado enviar negociadores que em vez de negociarem fazem espionagem para matar os que cumprimentam à nessa mesa de perfídia e de má-fé.

Pode o mundo e a Humanidade ficar refém desta camarilha de loucos que estão a empurrar o mundo para o Armagedão onde por causa dessas loucuras todos perecemos não por causa de um Deus, mas sim destes demónios cegos de ódio, arrogância e malvadez? Só se deixarmos.

https://ochocalho.com/2025/06/16/o-armagedao-tempo-de-odio-e-de-guerra/

domingo, 8 de abril de 2012

Escritor Günter Grass considerado ‘persona non grata’ por Israel


 

Polémica


08.04.2012 - 15:44 Por Lusa
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Günter Grass escreveu um poema em que adverte que o Estado judaico é uma ameaça para o mundo devido ao seu poderio nuclearGünter Grass escreveu um poema em que adverte que o Estado judaico é uma ameaça para o mundo devido ao seu poderio nuclear (Miguel Manso)
 Israel declarou neste domingo o escritor alemão e Nobel da literatura Günter Grass "persona non grata" devido a um poema que escreveu na semana passada, no qual advertia que o Estado judaico era uma ameaça para o mundo devido ao seu poderio nuclear.
“Os poemas de Grass alimentam as chamas do ódio contra Israel e o povo de Israel, e são uma tentativa de fomentar a ideia que este assumiu publicamente quando vestiu a farda das SS (polícia nazi)”, afirmou hoje o ministro do Interior, Eli Yishai, para justificar esta decisão. 

Um porta-voz do ministro afirmou ao diário Ha’aretz que, de acordo com as leis da imigração e de entrada em Israel, o escritor tinha sido declarado ‘persona non grata’ e, por conseguinte, não será lhe permitido o acesso ao país. 

“Se Grass quer continuar a divulgar a sua criação disforme e enganosa, sugiro-lhe que o faça no Irão, aí encontrará ouvintes”, disse o ministro, numa alusão a uma comparação feita pelo Nobel entre os dois países. 

Já na sexta-feira, o primeiro-ministro israelita, Benjamín Netanyahu, reagiu ao poema de Grass e assegurou que “é o Irão, e não Israel, quem representa uma ameaça para a paz mundial”. 

“A vergonhosa comparação que [Günter Grass] fez entre Israel e o Irão, um regime que nega o holocausto e apela para a destruição de Israel, diz muito pouco sobre Israel e muito sobre o próprio Grass”, afirmou então o chefe do Governo israelita, em comunicado. 

O escritor, de 84 anos, denunciou o programa nuclear de Israel num texto intitulado “Was gesagt werden muss” (“O que há para dizer”), publicado simultaneamente pelo diário de referência alemão Süddeutsche Zeitung, pelo espanhol El País, pelo norte-americano The New York Times e pelo italiano La Repubblica

O poema foi conotado de antissemita pela comunidade judaica alemã e por Israel e foi criticado por um vasto leque de políticos alemães.