domingo, 28 de junho de 2009

Só o fogo e o mar podem olhar-se - Eduardo Carranza


.
Só o fogo e o mar podem olhar-se
sem fim. Nem sequer o céu com suas nuvens.
Só o teu rosto, só o mar e o fogo.
As chamas, e as ondas, e os teus olhos.
.
...
.
Só o teu rosto interminavelmente.
Como o fogo e o mar. Como a morte.
.
.
EDUARDO CARRANZA
.
.
From Paula Moranguinho Pereira (hi5)
.
.

sábado, 27 de junho de 2009

Conheço o sal - Jorge de Sena

.

Conheço o sal da tua pele seca
Depois que o estio se volveu inverno
De carne repousada em suor nocturno.
.
Conheço o sal do leite que bebemos
Quando das bocas se estreitavam lábios
E o coração no sexo palpitava.
.
Conheço o sal dos teus cabelos negros
Os louros ou cinzentos que se enrolam
Neste dormir de brilhos azulados.
.
Conheço o sal que resta em minhas mãos
Como nas praias o perfume fica
Quando a maré desceu e se retrai.
.
Conheço o sal da tua boca, o sal
Da tua língua, o sal de teus mamilos,
E o da cintura se encurvando de ancas.
.
A todo o sal conheço que é só teu,
Ou é de mim em ti, ou é de ti em mim,
Um cristalino pó de amantes enlaçados.

.
Conheço o sal da tua boca, o sal
da tua língua, o sal de teus mamilos,
e o da cintura se encurvando de ancas.
.
A todo o sal conheço que é só teu,
ou é de mim em ti, ou é de ti em mim,
um cristalino pó de amantes enlaçados.
.
.
JORGE DE SENA
.
.
Enviado por Moranguinho Pereira (hi5)
.
.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Sem título - Mário de Sá Carneiro

.

Atapetemos a vida
Contra nós e contra o mundo.
— Desçamos panos de fundo
A cada hora vivida!
.
Desfiles, danças embora
Mal sejam uma ilusão...
Cenário de mutação
Pela minha vida fora!
.
Quero ser Eu plenamente:
Eu, o possesso do Pasmo.
Todo o meu entusiasmo,
Ah! que seja o meu Oriente!
.
O grande doido, o varrido,
O perdulário do Instante
O amante sem amante,
Ora amado, ora traído ...
.
Lançar os barcos ao Mar
De névoa, em rumo de incerto...
Pra mim o longe é mais perto
Do que o presente lugar.
.
...E as minhas unhas polidas
Idéia de olhos pintados...
Meus sentidos maquilados
A tintas conhecidas ...
.
Mistério duma incerteza
Que nunca se há de fixar...
Sonhador em frente ao mar
Duma olvidada riqueza ...
.
Num programa de teatro
Suceda-se a minha vida
Escada de Oiro descida
Aos pinotes, quatro a quatro! ...
.
MÁRIO SÁ-CARNEIRO
.
.
From Paula Moranguinho Pereira (hi5)
.
.

Eu sei, mas não devia -

Assunto: PARA ALÉM DO ARCO-ÍRIS...
Data: 26/Jun 11:45

EU SEI QUE NÃO DEVIA, MAS FUGIR PARA ONDE? OS TENTÁCULOS DESTA SOCIEDADE ALONGAM-SE RASTEJANTES, COLANTES E FEDORENTOS, PROCURAM POR TODOS OS LADOS PESSOAS COMO EU E COMO TU QUE SONHARAM OUTRA VIDA E QUE A PROCURAM ANTES DE ENLOUQUECER...NÃO IREMOS DESISTIR...NÓS AINDA TEMOS AS LEMBRANÇAS DE CRIANÇA DE CORRER ATRÁS DO ARCO-ÍRIS....OS OUTROS JÁ ESQUECERAM, OS POBRES...CHEGAREMOS...EM ANEXO UM BEIJO

.

Distribuído por Moranguinho Pereira (hi5)

.

EU SEI, MAS NÃO DEVIA

.
Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos
e a não ter outra vista que não seja as janelas ao redor.
.
E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.
E porque não olha para fora logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.
E porque não abre as cortinas logo se acostuma acender mais cedo a luz.
E a medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora.
A tomar café correndo porque está atrasado.
A ler jornal no ônibus porque não pode perder tempo da viagem.
A comer sanduíche porque não dá pra almoçar.
A sair do trabalho porque já é noite.
A cochilar no ônibus porque está cansado.
A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
.
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra.
E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja número para os mortos.
E aceitando os números aceita não acreditar nas negociações de paz,
aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.
.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir.
A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.
A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita.
A lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.
.
E a ganhar menos do que precisa.
E a fazer filas para pagar.
E a pagar mais do que as coisas valem.
E a saber que cada vez pagará mais.
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas que se cobra.
.
A gente se acostuma a andar na rua e a ver cartazes.
A abrir as revistas e a ver anúncios.
A ligar a televisão e a ver comerciais.
A ir ao cinema e engolir publicidade.
A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição.
.
As salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.
A luz artificial de ligeiro tremor.
Ao choque que os olhos levam na luz natural.
Às bactérias da água potável.
A contaminação da água do mar.
A lenta morte dos rios.
.
Se acostuma a não ouvir o passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães,
a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer.
.
Em doses pequenas, tentando não perceber, vai se afastando uma dor aqui,
um ressentimento ali, uma revolta acolá.
Se o cinema está cheio a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.
Se a praia está contaminada a gente só molha os pés e sua no resto do corpo.
.
Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana.
E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo
e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se
da faca e da baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida que aos poucos se gasta e, que gasta,
de tanto acostumar, se perde de si mesma.
.
MARINA COLASANTI

.

.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

BALADA DAS DEZ BAILARINAS DO CASSINO - Cecília Meireles


.
.
Dez bailarinas deslizam
por um chão de espelho.
Têm corpos egípcios com placas douradas,
pálpebras azuis e dedos vermelhos.
Levantam véus brancos, de ingênuos aromas,
e dobram amarelos joelhos.
.
.
Andam as dez bailarinas
sem voz, em redor das mesas.
Há mãos sobre facas, dentes sobre flores
e com os charutos toldam as luzes acesas.
Entre a música e a dança escorre
uma sedosa escada de vileza.
.
.
As dez bailarinas avançam
como gafanhotos perdidos.
Avançam, recuam, na sala compacta,
empurrando olhares e arranhando o ruído.
Tão nuas se sentem que já vão cobertas
de imaginários, chorosos vestidos.
.
.
A dez bailarinas escondem
nos cílios verdes as pupilas.
Em seus quadris fosforescentes,
passa uma faixa de morte tranqüila.
Como quem leva para a terra um filho morto,
levam seu próprio corpo, que baila e cintila.
.
.
Os homens gordos olham com um tédio enorme
as dez bailarinas tão frias.
Pobres serpentes sem luxúria,
que são crianças, durante o dia.
Dez anjos anêmicos, de axilas profundas,
embalsamados de melancolia.
.
.
Vão perpassando como dez múmias,
as bailarinas fatigadas.
Ramo de nardos inclinando flores
azuis, brancas, verdes, douradas.
Dez mães chorariam, se vissem
as bailarinas de mãos dadas.
.
CECÍLIA MEIRELES
.
From Paula Moranguinho Pereira (hi5)
.
.

A uma cerejeira em flor - Eugénio de Andrade



Olá Víctor, vim deixar a minha despedida à Primavera e deixar-te mais beijinhos de amizade!

Adeus Primavera!...

click to comment

click to comment

http://srv0204-03.sjc3.imeem.com/

cherry glitter

click to comment
Imagem: http://2.bp.blogspot.com/

Poema: http://olhares.aeiou.pt/

cherry glitter

click to comment

http://www.aphorticultura.pt/

.

Enviado por Gioconda do Porto

.

.

Oração das mulheres resolvidas - anónimo

Assunto: ORAÇÃO DAS MULHERES RESOLVIDAS
Data: 20/Jun 19:07

(partilho convosco este primor que recebi da minha querida maya)
.
Que o mar vire cerveja e os homens aperitivo,
que a fonte nunca seque,
e que a nossa sogra nunca se chame Esperança,
porque Esperança é a última que morre...
Que os nossos homens nunca morram viúvos,
e que nosso filhos tenham pais ricos e mães gostosas!
Que Deus abençoe os homens bonitos,
e os feios se tiver tempo...
Deus...
Eu vos peço sabedoria para entender um homem,
amor para perdoá-lo e paciência pelos seus actos,
porque Deus,
se eu pedir força,
eu bato nele até matá-lo.
Um brinde...
Aos que temos,
aos que tivemos e aos que teremos.
Um brinde também aos namorados que nos conquistaram,
aos trouxas que nos perderam
e os sortudos que ainda vão nos conhecer!
Que sempre sobre,
que nunca nos falte,
e que a gente dê conta de todos!
Amém.


P.S.: Homens são como um bom vinho. Todos começam como uvas, e é dever da mulher pisoteá-los e mantê-los no escuro até que amadureçam e se tornem uma boa companhia pro jantar.
Faço deste documento a minha homenagem às minhas Amigas, "mulheres resolvidas, queridas, fabulosas, sublimes, inefáveis, incomparáveis ...
.
Distribuído por Guilhermina Abreu
.
.

Congresso Internacioñal do Medo - Carlos Drummond de Andrade

.

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.
.
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE.
.
.
From Paula Moranguinho Pereira (hi5)
.
.

Belo belo - Manuel Bandeira

BELO BELO


Belo belo minha bela
Tenho tudo que não quero
Não tenho nada que quero
Não quero óculos nem tosse
Nem obrigação de voto
Quero quero
Quero a solidão dos píncaros
A água da fonte escondida
A rosa que floresceu
Sobre a escarpa inacessível
A luz da primeira estrela
Piscando no lusco-fusco
Quero quero
Quero dar a volta ao mundo
Só num navio de vela
Quero rever Pernambuco
Quero ver Bagdá e Cusco
Quero quero
Quero o moreno de Estela
Quero a brancura de Elisa
Quero a saliva de Bela
Quero as sardas de Adalgisa
Quero quero tanta coisa
Belo belo
Mas basta de lero-lero
Vida noves fora zero.
.
MANUEL BANDEIRA
.
From Paula Moranguinho Pereira (hi5)
.
.

Até amanhã - Eugénio de Andrade

Assunto: ATÉ AMANHÃ, MEU AMOR!!!
Data: 25/Jun 10:12

ATÉ AMANHÃ - ERA ASSIM QUE GOSTARIA DE DESPEDIR-ME DE TI....ATÉ AMANHÃ PORQUE NÃO PODE SER ATÉ JÁ....ATÉ AMANHÃ PORQUE NÃO PODES FICAR SEMPRE COMIGO...ASSIM É UMA ETERNIDADE, MAS ACEITO - ATÉ AMANHÃ MEU AMOR...VOU FINGIR QUE É VERDADE E VIVER NA ILUSÃO DIA APÓS DIA ATÉ TE VER OUTRA VEZ...EM ANEXO UM BEIJO!

.

Distrbuído por Moranguinho Pereira (hi5)

.

ATÉ AMANHÃ
.
Sei agora como nasceu a alegria,
como nasce o vento entre barcos de papel,
como nasce a água ou o amor
quando a juventude não é uma lágrima.
.
É primeiro só um rumor de espuma
à roda do corpo que desperta,
sílaba espessa, beijo acumulado,
amanhecer de pássaros no sangue.
.
É subitamente um grito,
um grito apertado nos dentes,
galope de cavalos num horizonte
onde o mar é diurno e sem palavras.
.
Falei de tudo quanto amei.
De coisas que te dou
para que tu as ames comigo:
a juventude, o vento e as areias.
.
EUGÉNIO DE ANDRADE

.
.

O que é a solidão - Lord Lancelot

Assunto: SOLIDÃO...PALAVRA AMARGA...
Data: 24/Jun 14:17

AINDA NÃO ME HABITUEI Á SOLIDÃO...A ESTA SOLIDÃO QUE EU PRÓPRIA ESCOLHI - DEIXAR A VIDA PASSAR DE LONGE.DIZEM-ME QUE A CURA É SAIR PARA A RUA, BEBER UM CAFÉ...SORRIR...SENTIR OUTRAS PESSOAS - QUAL QUÊ? ISSO AINDA É PIOR! FICO A IMAGINAR QUE TODOS OS QUE ME RODEIAM SENTEM O MESMO QUE EU....SENÃO PORQUÊ AQUELES OLHARES VAZIOS, OS GESTOS VAGAROSOS, O NÃO OLHAR PARA NADA NEM NINGUÉM? SORRIO PARA MIM PRÓPRIA. REALMENTE, QUE SABEM DA SOLIDÃO SENÃO OS QUE A SENTEM NA PELE? SOLIDÃO É UM SENTIMENTO PARA RESOLVER SÓZINHO, OLHANDO PARA A NOSSA ALMA, MIRANDO-NOS NO ESPELO E FALANDO COM NÓS PRÓPRIOS....DAR-ME UM TEMPO....É ISSO... ACEITAR QUE É UMA PASSAGEM, MAIS UM CAPÍTULO DA MINHA VIDA, E COMO EM TUDO QUE JÁ ME ACONTECEU, SAIR VITORIOSA E MAIS FORTE. DÓI? POIS DÓI, MAS UM DIA ACABARÁ - TENHO QUE NISSO ACREDITAR. EM ANEXO UM BEIJO!
.

Distrin~buído por Moranguinho Pereira (hi5)

.

O QUE É A SOLIDÃO?
.
Realmente sinto-me sozinho...
e sei que muitos que estão casados,
sentem-se sozinhos do mesmo jeito...
mesmo tendo alguém do lado há sentimentos vazios...
O que completa esta solidão...
é alguém que corresponda de todo o coração...
que dedique seu sentimento intenso...
que cultive a flor do carinho...
faça brotar os ramos de folhagens lindas...
Estamos sozinhos, todos nós...
apesar de haver bilhões de pessoas no mundo...
mesmo que haja multidões que passem por você...
e no meio de tanta gente...
nosso coração bate só...
Se não formos gêmeos de alguém,
nascemos sozinhos...
e um dia partiremos sozinhos...
com a solidão guardada no peito...
como um grito de socorro...
E tem gente que mesmo só,
nunca se sente sozinho...
Conheço alguém que ficou eras sozinho,
e não se sentia só...
A solidão é uma fome...
quando estamos famintos, desejamos a companhia de alguém,
mas não pode ser qualquer pessoa...
Tem que ser alguém que nosso coração se sinta bem,
que faça crescer a alegria de um sorriso nos lábios...
.
LORD LANCELOT

.
.

Salário - Carlos Drummond de Andrade

Assunto: DIREITO Á SOLIDARIEDADE
Data: 23/Jun 12:21

UMA SOBRINHA TEM, COMO FRASE DA SUA VIDA A SEGUINTE : "SE SE AMA AS PASSOAS E SE COMPRAM AS COISAS, ENTÃO PORQUE SE COMPRAM AS PESSOAS E SE AMAM AS COISAS?"...JULGO NÃO PODER, DESTA VERDADE, CULPAR NADA A NINGUÉM NEM A NADA, SALVO A NÓS PRÓPRIOS. E NÃO ME VENHAM DIZER QUE É O MUNDO EM QUE ESTAMOS QUE OBRIGA A QUE SE FAÇA AQUILO...PELO CONTRÁRIO! SOLIDARIEDADE É UM DIREITO DO SÉCULO XXI, TAL COMO JÁ PASSÁMOS PELOS DIREITOS DAS CRIANÇAS, PELOS DIREITOS DOS HOMENS, DAS MULHRERES, ENTRE OUTROS. NUNCA SE ESCREVERAM OS DIREITOS DO INDIVÍDUO, Q QUE ACHO UMA LACUNA IMPORTANTE. MAS DEFINITIVAMENTE O DIREITO DA SOLIDARIEDADE DEVERIA SER O MAIS PRATICADO....SENÃO PELOS GOVERNOS ( ATÉ EXISTE UM MINISTÉRIO QUE TEM A PALAVRA SOLIDARIEDADE NO SEU NOME...QUE VERGONHA!)PELA SOCIEDADE CIVIL. É A ÚNICA COISA A FAZER, E MESMO ASSIM ASSINO POR BAIXO DA FRASE DE UM AMIGO - " PEÇO DESCULPA AOS MEUS FILHOS PELO MUNDO QUE LHES DEIXO". EM ANEXO UM BEIJO!
.
Distribuído por Moranguinho Pereira (hi5)
.

SALÁRIO
.
Ó que lance extraordinário:
aumentou o meu salário
e o custo de vida, vário,
muito acima do ordinário,
por milagre monetário
deu um salto planetário.
Não entendo o noticiário.
Sou um simples operário,
escravo de ponto e horário,
sou caxias voluntário
de rendimento precário,
nível de vida sumário,
para não dizer primário,
e cerzido vestuário.
Não sou nada perdulário,
muito menos salafrário,
é limpo meu prontuário,
jamais avancei no Erário,
não festejo aniversário
e em meu sufoco diário
de emudecido canário,
navegante solitário,
sob o peso tributário,
me falta vocabulário
para um triste comentário.
Mas que lance extraordinário:
com o aumento de salário,
aumentou o meu calvário!

.

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

..

Alma minha gentil ... - Camões

Assunto: AMAR...AMAR ATÉ DEMAIS...
Data: 20/Jun 12:17
SE O AMOR,É O NOSSO COMANDANTE, A ELE TEMOS DE OBEDECER,MESMO SABENDO QUE A CADA INSTANTE, PODEREMOS POR ELE SOFRER....QUANTAS VEZES REPETIMOS 'NUNCA MAIS' E DESERTAMOS, COM A ALMA E O CORAÇÃO ACABRUNHADOS DE DÔR....MAS, MAIS TARDE OU MAIS CEDO, NUMA ESQUINA DA VIDA, ELE APARECE DE REPENTE... E ESQUECEMOS AS JURAS DE RENÚNCIA QUE FIZEMOS E AS TRANSFORMAMOS EM NOVAS JURAS DE AMOR... EM ANEXO UM BEIJO!
.
Distribuído por Maranguinho Pereira (hi5)
.
ALMA MINHA GENTIL, QUE TE PARTISTE...
.
Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.
.
Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.
.
E se vires que pode merecer-te
Alguma cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,
.
Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.

.
CAMÕES
.
.

Se eu norrer antes de você ... - autor anónimo

Assunto: A VISITA....
Data: 18/Jun 13:32

UM VELÓRIO TRISTE É ISSO MESMO - TRISTE! NÃO DEVERIA SER. AO ENTRAR, DEVÍAMOS ENCONTAR MÚSICA BAIXINHA MAS RECONFORTANTE, UMA REUNIÃO DE AMIGOS QUE SE ENCONTRAM PORQUE AMARAM A PESSOA QUE TERMINOU O SEU PAPEL AQUI.....MAS QUE INICIOU UMA OUTRA TAREFA NOUTRO PLANO....NÓS TODOS SOMOS CORPO E ALMA, E ESTA NÃO TEM LIMITES TERRENOS, SE REGE POR REGRAS DIFERENTES MAIS MUITO MAIS GRATIFICANTES....E AS FLORES....AH AS FLORES! PARA QUÊ ESSA DEMONSTRAÇÃO DE HOMENAGEM? TODOS OS QUE ALI ESTÃO AMARAM A PESSOA DE MODO IGUAL, MAS NAS FLORES SE DIFERENCIAM - MAIS OU MENOS, CONFORME O TAMANHO....QUE COISA INSIGNIFICANTE.A MORTE É APENAS UMA CURVA NO CAMINHO. DEIXÁMOS DE VER A PESSOA...NADA MAIS...CHORAR? PORQUE NÃO, SE CHORÁMOS EM VIDA COM ESSA PESSOA, ACOMPANHANDO AS SUAS LÁGRIMAS?...MAS,PORQUÊ ESQUECER AS GARGALHADAS QUE PARTILHÁMOS TAMBÉM? UM VELÓRIO É COMO UMA VISITA....ENTRAMOS, FICAMOS E, QUANDO JÁ É TARDE SAÍMOS COM UM BEIJO OU /E UM ABRAÇO, DIZENDO SORRINDO: " ATÉ UM DIA DESTES"...EM ANEXO UM BEIJO!

.

Distribuído por Moranguinho Pereira (hi5)

.

"Se eu morrer antes de você,
faça-me um favor:
Chore o quanto quiser,
mas não brigue com Deus
por Ele haver me levado.
Se não quiser chorar, não chore.
Se não conseguir chorar,
não se preocupe.
Se tiver vontade de rir, ria.
Se alguns amigos contarem
algum fato a meu respeito,
ouça e acrescente sua versão.
Se me elogiarem demais, corrija o exagero.
Se me criticarem demais, defenda-me.
Se me quiserem fazer um santo,
só porque morri,
mostre que eu tinha um pouco de santo,
mas estava longe
de ser o santo que me pintam.
Se me quiserem fazer um demônio,
mostre que eu talvez tivesse um pouco
de demônio, mas que a vida
inteira eu tentei ser bom e amigo.
Espero estar com Ele o suficiente para
continuar sendo útil a você, lá onde estiver.
E se tiver vontade de escrever
alguma coisa sobre mim,
diga apenas uma frase:
- "Foi meu amigo,
acreditou em mim
e me quis mais perto de Deus!"
- Aí, então, derrame uma lágrima.
Eu não estarei presente para enxugá-la,
mas não faz mal.
Outros amigos farão isso no meu lugar.
E, vendo-me bem substituído,
irei cuidar de minha nova tarefa no céu.
Mas, de vez em quando,
dê uma espiadinha na direção de Deus.
Você não me verá, mas eu ficaria muito feliz
vendo você olhar para Ele.
E, quando chegar a sua vez de ir para o Pai,
aí, sem nenhum véu a separar a gente,
vamos viver, em Deus,
a amizade que aqui nos preparou para Ele.
Você acredita nessas coisas?
Então ore para que nós vivamos
como quem sabe que vai morrer um dia,
e que morramos como
quem soube viver direito.
Amizade só faz sentido se traz o céu
para mais perto da gente,
e se inaugura aqui mesmo o seu começo.
Mas, se eu morrer antes de você,
acho que não vou estranhar o céu...
"Ser seu amigo...
já é um pedaço dele..." "
.
RECEBI ESTA POESIA DA MINHA AMIGA SERENA. ACHEI LINDA E POR ISSO A PARTILHO CONTIGO. NÃO VINHA COM TÍTULO OU AUTOR, POR ISSO VAMOS FAZER DE CONTA QUE FOSTE TU QUE A ESCREVESTE...

.

.

Poema do Jornal - Carlos Drummond de Andrade

Assunto: ...DISSO NÃO SE FALA...
Data: 21/Jun 10:49

QUANDO EXISTE UM 'DÉFICIT' DE DEMOCRACIA, OS GRANDES DEMOCRATAS DESTE PLANETA INSURGEM-SE DE IMEDIATO ( TAMBÉM HÁ PETRÓLEO NESSE CANTO DO MUNDO....MAS DISSO NÃO SE FALA ). REÚNEM-SE, FAZEM PLANOS, CONTAM TROPAS E SOLDADOS....CONTAS, ESSAS POUCAS FAZEM...ARRANJA-SE SEMPRE VERBAS PARA RESTAURAR A DEMOCRACIA ( AS CRIANÇAS QUE MORREM DE FOME PRECISARIAM DESSAS VERBAS...MAS DISSO NÃO SE FALA ). REÚNEM-SE AS TROPAS, GANHAM-SE ALIADOS ( NOS SEUS PAÍSES TAMBÉM EXISTE POBREZA...MAS DISSO NÃO SE FALA ). PREPARA-SE A GURRA EM BUSCA DE PAZ ( SABEM JÁ DE COR OS 'EFEITOS COLATERAIS'...MAS DISSO NÃO SE FALA ). E ASSIM COMEÇA UMA GUERRA...EM QUE SE MATA E SE MORRE...A TECNOLOGIA EMPREGUE É POR DEMAIS REFINADA - MORREM HOMENS, MULHERES E CRIANÇAS DESSE PAÍS....NÃO TINHAM DEMOCRACIA, AGORA COMO PURIFICAÇÃO MORREM DA MORTE QUE VEM DO AR SEM NORTE, SEM SORTE, SEM PONTARIA...MAS MUITA DEMOCRACIA E A ÚLTIMA TECNOLOGIA ( E DO PETRÓLEO CONTINUAM A NÃO FALAR....ESTÃO A CHAMAR-NOS DE ESTÚPIDOS? POR MIM FALO E POR VOÇÊS? ). A NOTÍCIA COMEÇA A CANSAR OS POVOS DEMOCRATAS...OS MEDIA FAZEM CADA VEZ MENOS DIRECTOS...A NOTÍCIA ENCURTA-SE NOS JORNAIS...E NAQUELE CANTO, DESTE MUNDO TÃO 'MARAVILHOSAMENTE' GLOBAL, RENASCEU A DEMOCRACIA, MORREU TUDO O RESTO...E O PETRÓLEO QUEM O ESTÁ A CONTROLAR?AH!...POIS...DISSO NÃO SE FALA...

.

Distribuído por Moranguinho Pereira (h15).

.
POEMA DO JORNAL
.
,
O fato ainda não acabou de acontecer
e já a mão nervosa do repórter
o transforma em notícia.
O marido está matando a mulher.
A mulher ensangüentada grita.
Ladrões arrombam o cofre.
A polícia dissolve o meeting.
A pena escreve.
.
.
Vem da sala de linotipos a doce música mecânica.
.
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

.
.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Poesia de Manuel Bandeira

Meus poemas preferidos, de Manuel Bandeira

.
Análise da obra
.
Coletânea de poemas selecionados pelo próprio Manuel Bandeira, um dos mais importantes poetas brasileiros do século XX. Mostram a busca pelo significado das coisas com um lirismo maduro e simples. Cheios de angústia e busca pelo significado das coisas, os poemas tratam basicamente sobre morte, humildade, infância e sensualidade. São quatro fortes pontos que marcaram a vida do autor.
.
Estilo
.
A leitura não-linear, rompendo a ordem cronológica da publicação dos livros, mostra a evolução e a reformação estética de temas recorrentes na poesia de Manuel Bandeira: a presença do cotidiano, a preocupação com a morte, e defesa da linguagem modernista, a sensualidade, o lirismo tradicional, o antilirismo, a impossibilidade existencial, reminiscências da infância, o humor, a experimentação com o significante, o apego a formas finisseculares parnasiano simbolista.
.
A poesia de Manuel Bandeira caracterizou-se pela variedade criadora, desde o soneto parnasiano, pela prática do verso livre, até por experiências com a poesia concretista. Por outro lado, conservou e adaptou ao espírito moderno os ritmos e formas mais regulares, como os versos em redondilhas maiores. Em sua poesia, observa-se uma constante nota de ternura e paixão pela vida. Seu lirismo intimista registra o cotidiano com simplicidade, atribuindo-lhe um sentido de evento e espetáculo. Nela, também, estão presentes a infância, a terra natal, a cultura popular, a doença, a preocupação com a morte, a defesa da linguagem modernista, a sensualidade, o lirismo tradicional, o antilirismo, a reflexão existencial, a infância e o humor.
.
Verificamos, em Manuel Bandeira, traços indicadores de uma sensibilidade romântica, sobretudo de uma profunda tristeza, aliada ao desencanto e à melancolia. A confissão de seu estado de espírito, da presença do “eu” em poemas e da morte como motivo poético mais freqüente conferiu-lhe uma aura romântica.
.
Temáticas e estilos
.
A morte estava muito presente na vida de Bandeira, pois muito jovem descobriu a tuberculose. Como não pôde seguir a vida como arquiteto, Bandeira começou a se dedicar à poesia para preencher o espaço. Esta temática está presente desde o primeiro livro. A morte também determinou um estilo, mas sem o entusiasmo dos modernistas da época. Os paulistas eram extremamente exaltados, como Oswald e Mário de Andrade. Bandeira era um poeta da humildade, do tom mais baixo.
.
Outra temática dos poemas de Bandeira é a sensualidade, tratada de maneira diferente, não tradicional. O objeto do desejo era principalmente as prostitutas. Em função da própria experiência de vida sexual dele, não convencional por causa da doença.
.
Também a infância, como retorno ao passado, opõe-se a este presente de angústia e dor vivenciado pelo poeta. O folclore, suas quadras e canções populares, a família sempre apareceram ligados à infância. Foi o tempo feliz antes da doença. Depois o pai, a mãe e o irmão morreram, então foi o tempo de comunhão com os parentes.
.
Profundamente
.
Quando eu tinha seis anos
Não pude ver o fim da festa de São João
Porque adormeci
.
Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo
Minha avó
Meu avô
Totônio Rodrigues
Tomásia
Rosa
Onde estão todos eles?
.
Estão todos dormindo
Estão todos deitados
Dormindo
Profundamente.

.
Em muitos poemas, Bandeira aproxima-se da estética parnasiana através da rigidez formal, da seleção de temas, da busca do universal e da apreensão objetiva da realidade. Em outros textos aparecem o irracionalismo, as paisagens indefiníveis, nebulosas e as atmosferas crepusculares. O Simbolismo, que além dessas características privilegiou a musicalidade, despertou no poeta o gosto pelo subjetivismo, pela introspecção.
.
Paisagem Noturna
.
(...)
O plenilúnio vai romper... Já da penumbra
Lentamente reslumbra
A paisagem de grandes árvores dormentes.
E cambiantes sutis, tonalidades fugidias,
Tintas delinqüescentes
Mancham para o levante as nuvens langorosas.

.
Assimilando as conquistas dos poetas do Modernismo, Manuel Bandeira, em muitos textos nos quais discute a prática poética, define esta nova postura estética. Primeiramente, houve uma ruptura com o Parnasianismo, ou com a tradição lírica da época; depois, estes textos negariam as confecções e manifestariam o desejo de libertação:
.
Poética
.
Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem-comportado
(...)
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbados
O lirismo dos clowns de Shakespeare
- Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.

.
O poema Poética é um manifesto modernista - metapoema = poesia que fala de poesia.
.
Versos livres, tom de manifesto que se recusa ao lirismo comedido, bem comportado - o lirismo metrificado, protocolar e acadêmico, erudito e conservador.
.
Ironiza o lirismo namorador que lembra a tradição romântica (Político, Raquítico, Sifilítico), tanto quanto o lirismo normativo, acadêmico, que lembra o parnasiano (contabilidade tabela de co-senos secretário...).
.
Muitas propostas da “fase heróica” do Modernismo (1922-1930) estariam incorporadas à sua poesia, entre elas: a fusão prosa/poesia, versos brancos (sem rimas), versos livres (sem métrica), nova utilização de sinais gráficos (linha pontilhada para indicar a respiração, por exemplo), o diálogo, o humor negro e a linguagem coloquial.
.
Pneumatórax
.
Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.
Mandou chamar o médico:
- Diga trinta e três.
- Trinta e três... trinta e três... trinta e três...
- Respire.
.
- O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e
o pulmão direito infiltrado.
- Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
- Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.

.
Experiências concretistas
.
O Concretismo, poesia de vanguarda que se firmou na década de 60, também mereceu a atenção de Bandeira. Palavras soltas, sonoridade, visualização.
.
A onda
.
a onda anda
aonde anda
a onda?
a onda ainda
ainda onda
ainda anda
aonde?
aonde?
a onda a onda

.
A opressão da realidade, a solidão e a doença conduziram-no à busca da evasão, à procura do lugar ideal, onde praticamente tudo seria possível:
.
Vou-me embora pra Pasárgada
.
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
.
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
- Lá sou amigo do rei –
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

.
A Estrela
.
Vi uma estrela tão alta,
Vi uma estrela tão fria!
Vi uma estrela luzindo
Na minha vida vazia.
.
Era uma estrela tão alta!
Era uma estrela tão fria !
Era uma estrela sozinha
Luzindo no fim do dia.
.
Põe que da sua distância
Para a minha companhia
Não baixava aquela estrela?
Por que tão alta luzia?
.
E ouvi-a na sombra funda
Responder que assim fazia
Para dar uma esperança
Mais triste ao fim do meu dia.
(Lira dos cinquent'anos)

.
A estrela é uma imagem obsessiva na poesia de Bandeira, metaforizando o absoluto, o inatingível, a luz que orienta, na mesma linha da poesia romântica e simbolista.
.
Algumas vezes, significa a mulher, sensual e distante, ansiosamente aguardada ("estrela da manhã").
.
Em A estrela, notam-se as posições entre a vida vazia do poeta e o brilho do astro inacessível, utópico. Os contrastes aparecem no plano espacial e cromático ("Era uma estrela sozinha Luzindo no fim do dia", "E ouvi-a na sombra funda").
.
Nos últimos versos há ironia, pois a estrela reitera a sua distancia insuperável, dando ao "eu" lírico uma esperança triste, uma vez que ele a contempla sem a menor possibilidade de aproximação.
.
A poesia de MB apresenta uma amplitude de âmbito, testemunhado uma variedade criadora que vem do Parnasianismo crepuscular até as experiências concretistas, do soneto às formas mais audazes de expressão.
.
Os Sinos
.
Sino de Belém,
Sino da paixão...
Sino de Belém,
Sino da paixão...
Sino do Bonfim!...
Sino do Bonfim!...
.
Sino de Belém, pelos que ainda vêm!
Sino de Belém, bate bem-bem-bem.
Sino da paixão, pelos que ainda vão!
Sino da paixão, bate bão-bão-bão.
.
Sino do Bonfim, por que chora assim?...
.
Sino de Belém, que graça ele tem!
Sino de Belém bate bem-bem-bem.
Sino da paixão. - pela minha irmã!
Sino da paixão. - pela minha mãe!
.
Sino do Bonfim, que vai ser de mim?...
.
Sino de Belém, como soa bem!
Sino de Belém bate bem-bem-bem.
Sino da paixão... Por meu pai?...-Não! Não!
Sino da paixão bate bão-bão-bão.
Sino do Bonfim, baterás por mim?...
.
Sino de Belém,
Sino da paixão...
Sino da paixão, pelo meu irmão...
Sino da paixão,
Sino do Bonfim...
Sino do Bonfim, ai de mim, por mim!
l
Sino de Belém, que graça ele tem!

.
A poesia tem também um tom pessoal, intimista, coloquial, sempre resvalando ou abordando diretamente o cotidiano.
.
Cita-se o poema Testamento:
.
..."Criou-me desde menino
Para arquiteto meu pai,
Foi-se-me um dia a saúde...
Fiz-se arquiteto? Não pude!
Sou poeta menor, perdoai!"
.
.
in na_ponta_lingua/livros/
.
.

Pequeno poema - Sebastião da Gama

Assunto: EU...
Data: 17/Jun 12:14

...E ASSIM FUI CRESCENDO...COM TOMBOS E JOELHOS ESFOLADOS, COM VITÓRIAS PONTUAIS....E CHEGANDO Á 'IDADE ADULTA' SEM PERCEBER NADA DA VIDA...ESSA VIDA QUE JÁ ME LEVOU ÁS ESTRELAS E TAMBÉM ME DEU A CONHECER O INFERNO. ATÉ HOJE A TUDO RESISTI E...MAIS IMPORTANTE AINDA, NÃO DESISTI. QUERO APRENDER MAIS, QUERO CONTINUAR A RIR COM O CORAÇÃO. EM MUITAS COISAS QUERO PERMANECER MENINA, NOUTRAS QUERO SER AINDA MAIS MULHER....PÉS NO CHÃO E OLHAR NAS ESTRELAS...ASSIM CAMINHAREI LUTANDO E RESISTINDO A TODAS AS TENTATIVAS DESTE MUNDO PARA ME MODIFICAR. GOSTO DE MIM....AFINAL TENHO DE VIVER COMIGO ATÉ AO ÚLTIMO INSTANTE DE VIDA!EM ANEXO UM BEIJO!

.

Distribuído por Moranguinho Pereira (hi5)

.
PEQUENO POEMA
.
Quando eu nasci,
ficou tudo como estava.
.
Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.
.
Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.
.
As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...
.
Pra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe...
.
SEBASTIÃO DA GAMA

.

.

Festa Brava em S. Bento - 1973


.
clicar nas emagens para ler
.
Autor - Desconhecido
Música da Tourada
.
Manuscrito de Victor Nogueira
.
.
NOTA - qualquer semelhança com a actualidade não é coincidência.
.
Victor Nogueira
.
.

terça-feira, 16 de junho de 2009

O silêncio - Eugénio de Andrade

Assunto: O AMOR EM SILÊNCIO...
Data: 16/Jun 11:58

QUANTAS PALAVRAS OUVES NO MEU SILÊNCIO...ELAS NAVEGAM, ATRAVESSAM RIOS E MARES PARA IREM TER CONTIGO...QUEM ME OLHAR DIRÁ QUE ESTOU AQUI....AQUI ESTÁ A COURAÇA...AQUELA QUE SEMPRE RI, A QUE FALA E GESTICULA...MAS É MIRAGEM. EU VOU JUNTO COM O MEU SILÊNCIO PROCURAR-TE, PARA EM SILÊNCIO TE BEIJAR E TE DIZER, EM SILÊNCIO, COMO ÉS O PRÍNCIPE DOS MEUS DIAS E REI DAS MINHAS NOITES...TU, SUBITAMENTE, SORRIS...TERÁS OUVIDO? EM ANEXO UM BEIJO!

.

Distribuído por Moranguinho Pereira (hi5)

.

O SILÊNCIO
.
Quando a ternura
parece já do seu ofício fatigada,
.
e o sono, a mais incerta barca,
inda demora,
.
quando azuis irrompem
os teus olhos
.
e procuram
nos meus navegação segura,
.
é que eu te falo das palavras
desamparadas e desertas,
.
pelo silêncio fascinadas.
.
EUGÉNIO DE ANDRADE

.
.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Cantilena - Sebastião da Gama

.


Cortaram as asas

ao rouxinol

Rouxinol sem asas

não pode voar.

.

Quebraram-te o bico,

rouxinol!

Rouxinol sem bico

não pode cantar.

.

Que ao menos a Noite

ninguém, rouxinol!,

ta queira roubar.

Rouxinol sem Noite

não pode viver.
.

SEBASTIÃO DA GAMA
.
.
From Paula Moranguinho Pereira (hi5)
.
.

Sebastião da Gama e Casimiro de Brito - Poesia

Assunto: SEM TÍTULO
Data: 15/Jun 10:38

Nasci p'ra ser ignorante
Mas os parentes teimaram
(e dali não arrancaram)
em fazer de mim estudante.
.
Que remédio? Obedeci.
Há já três lustros que estudo.
Aprender, aprendi tudo,
mas tudo desaprendi.
.
Perdi o nome às Estrelas,
aos nossos rios e aos de fora.
Confundo fauna com flora.
Atrapalham-me as parcelas.
.
Mas passo dias inteiros
a ver um rio passar.
Com aves e ondas do Mar
tenho amores verdadeiros.
.
Rebrilha sempre uma Estrela
por sobre o meu parapeito;
pois não sou eu que me deito
sem ter falado com ela.
.
Conheço mais de mil flores.
Elas conhecem-me a mim.
Só não sei como em latim
as crismaram os doutores.
.
No entanto sou promovido,
mal haja lugar aberto,
a mestre: julgam-me esperto,
inteligente e sabido.
.
O pior é se um director
espreita p'la fechadura:
lá se vai licenciatura
se ouve as lições do doutor.
.
Lá se vai o ordenado
de tuta e meia por mês,
Lá fico eu de uma vez
um Poeta desempregado.
.
Se me não lograr o fado,
porém, com tais directores,
e de rios, aves e flores
somente for vigiado.
.
Enquanto as aulas correrem
não sentirei calafrios,
que flores, aves e rios
ignorante é que me querem.
.
SEBASTIÃO DA GAMA
.
EM ANEXO, UM BEIJO!
.
Distribuído por Moranguinho Pereira (hi5)

.
DO POEMA
.
O problema não é
meter o mundo no poema; alimentá-lo
de luz, planetas, vegetação. Nem
tão-pouco
enriquecê-lo, ornamentá-lo
com palavras delicadas, abertas
ao amor e à morte, ao sol, ao vício,
aos corpos nus dos amantes —
.
o problema é torná-lo habitável, indispensável
a quem seja mais pobre, a quem esteja
mais só
do que as palavras
acompanhadas
no poema.
.
CASIMIRO DE BRITO

.

.

.
.

domingo, 14 de junho de 2009

O poema original - Ary dos Santos

Assunto: VIDA ORIGINAL
Data: 14/Jun 10:30
VIDA ORIGINAL É AQUELA QUE CONSEGUIMOS DOMAR, COMO A UM CAVALO SELVAGEM. NÃO NOS AFASTAMOS DELA, POIS SEMPRE DE NÓS FAZ PARTE, APENAS LHE APONTAMOS O QUE TERÁ DE NOS DAR.....UMA ALEGRIA DE AMANTE, UMA SENSIBILIDADE DE FLÔR, UM QUERER A CADA INTANTE SER MAIS, MAIS E MELHOR. SENTIR QUE LHE PERTENCEMOS COMO UM FILHO A SUA MÃE, MAS QUE TRACE NOSSO DESTINO, COMO QUEM CONSTRÓI UM SONHO DE PAZ E AMOR. MAS, ATENÇÃO EU NÃO QUERO QUE TODO O MAL QUERER QUE ELA NÃO ME DARÁ, VÁ DEPOIS PASSAR A OUTROS....PEGUE EM TUDO E LANCE AO MAR. SERÁ O QUE ESCREVI UM SONHO?NÃO, NÃO É....A VIDA TAMBÉM ME ENSINOU A ACREDITAR. EM ANEXO, UM BEIJO!
.
Distribuído por Moranguinho Pereira (hi5)
.
O POEMA ORIGINAL
.
Original é o poeta
que se origina a si mesmo
que numa sílaba é seta
noutra pasmo ou cataclismo
o que se atira ao poema
como se fosse ao abismo
e faz um filho às palavras
na cama do romantismo.
Original é o poeta
capaz de escrever em sismo.
.
Original é o poeta
de origem clara e comum
que sendo de toda a parte
não é de lugar algum.
O que gera a própria arte
na força de ser só um
por todos a quem a sorte
faz devorar em jejum.
Original é o poeta
que de todos for só um.
.
Original é o poeta
expulso do paraíso
por saber compreender
o que é o choro e o riso;
aquele que desce à rua
bebe copos quebra nozes
e ferra em quem tem juízo
versos brancos e ferozes.
Original é o poeta
que é gato de sete vozes.
.
Original é o poeta
que chega ao despudor
de escrever todos os dias
como se fizesse amor.
.
Esse que despe a poesia
como se fosse mulher
e nela emprenha a alegria
de ser um homem qualquer.
.
ARY DOS SANTOS
.
,

sábado, 13 de junho de 2009

Prosa @ Poesia in Vermelho

.


Prosa @ Poesia

.

Espaço para prosas, crônicas e poesias
.
.
Prosa@Poesia Seleção Especial, Publica autores consagrados da literatura brasileira e mundial. São textos escolhidos especialmente para os internautas do Vermelho. A seleção é de Adalberto Monteiro.
.
in Vermelho
.
.

O castigo do vaidoso - Patativa do Assaré



*


.



Quando ele viu um cabelinho branco
Na sua negra e farta cabeleira,
Disse, com raiva e cheio de canseira:
Demora, diabo, que eu te pego e arranco!
Porém, o tempo, sério, rijo e franco,
Que não gosta daquela brincadeira,
Da planície o levou para a ladeira
E colocou bem no cimo do barranco.
E hoje o vaidoso, sem consolo, chora,
Bem diferente do que foi outrora,
Doente e magro qual um esqueleto.
Com um espelho quando se depara
Triste e choroso, sem prazer repara
Se ainda tem algum cabelo preto.


.
Fonte: www.interpoetica.com



.



Prosa@Poesia Seleção Especial, Publica autores consagrados da literatura brasileira e mundial. São textos escolhidos especialmente para os internautas do Vermelho. A seleção é de Adalberto Monteiro.
.
in Vermelho - 6 DE MARÇO DE 2009 - 17h55
.
.

Confissão de um terrorista! - Mahmoud Darwich


*

.

Ocuparam minha pátria
Expulsaram meu povo
Anularam minha identidade
E me chamaram de terrorista
.

Confiscaram minha propriedade
Arrancaram meu pomar
Demoliram minha casa
E me chamaram de terrorista
.

Legislaram leis fascistas
Praticaram odiada apartheid
Destruíram, dividiram, humilharam
E me chamaram de terrorista
.

Assassinaram minhas alegrias,
Seqüestraram minhas esperanças,
Algemaram meus sonhos,
Quando recusei todas as barbáries
.

Eles... mataram um terrorista!

.
Mahmoud Darwish (1941-2008) - Poeta palestino, testemunhou a destruição de sua aldeia, Al Birweh, durante a implantação do Estado de Israel em 1948.


.

Prosa@Poesia Seleção Especial, Publica autores consagrados da literatura brasileira e mundial. São textos escolhidos especialmente para os internautas do Vermelho. A seleção é de Adalberto Monteiro.

.

in Vermelho - 15 DE JANEIRO DE 2009 - 13h28

.

.

Se os tubarões fossem homens - Bertold Brecht

.

Se os tubarões fossem homens, perguntou a filha de sua senhoria ao senhor Keuner, seriam eles mais amáveis para com os peixinhos?

.

Certamente, respondeu o Sr. Keuner. Se os tubarões fossem homens, construiriam no mar grandes gaiolas para os peixes pequenos, com todo tipo de alimento, tanto animal quanto vegetal. Cuidariam para que as gaiolas tivessem sempre água fresca e adotariam todas as medidas sanitárias adequadas. Se, por exemplo, um peixinho ferisse a barbatana, ser-lhe-ia imediatamente aplicado um curativo para que não morresse antes do tempo.

.

Para que os peixinhos não ficassem melancólicos, haveria grandes festas aquáticas de vez em quando, pois os peixinhos alegres têm melhor sabor do que os tristes. Naturalmente haveria também escolas nas gaiolas. Nessas escolas os peixinhos aprenderiam como nadar alegremente em direcção à goela dos tubarões. Precisariam saber geografia, por exemplo, para localizar os grandes tubarões que vagueiam descansadamente pelo mar.

.

O mais importante seria, naturalmente, a formação moral dos peixinhos. Eles seriam informados de que nada existe de mais belo e mais sublime do que um peixinho que se sacrifica contente, e que todos deveriam crer nos tubarões, sobretudo quando dissessem que cuidam de sua felicidade futura. Os peixinhos saberiam que este futuro só estaria assegurado se estudassem docilmente. Acima de tudo, os peixinhos deveriam rejeitar toda tendência baixa, materialista, egoísta e marxista, e denunciar imediatamente aos tubarões aqueles que apresentassem tais tendências.

Se os tubarões fossem homens, naturalmente fariam guerras entre si, para conquistar gaiolas e peixinhos estrangeiros. Nessas guerras eles fariam lutar os seus peixinhos, e lhes ensinariam que há uma enorme diferença entre eles e os peixinhos dos outros tubarões. Os peixinhos, proclamariam, são notoriamente mudos, mas silenciam em línguas diferentes, e por isso não se podem entender entre si. Cada peixinho que matasse alguns outros na guerra, os inimigos que silenciam em outra língua, seria condecorado com uma pequena medalha de sargaço e receberia uma comenda de herói.

.

Se os tubarões fossem homens, também haveria arte entre eles, naturalmente. Haveria belos quadros, representando os dentes dos tubarões em cores magníficas, e as suas goelas como jardins onde se brinca deliciosamente. Os teatros do fundo do mar mostrariam valorosos peixinhos a nadarem com entusiasmo rumo às gargantas dos tubarões. E a música seria tão bela que, sob os seus acordes, todos os peixinhos, como orquestra afinada, a sonhar, embalados nos pensamentos mais sublimes, precipitar-se-iam nas goelas dos tubarões.

.

Também não faltaria uma religião, se os tubarões fossem homens. Ela ensinaria que a verdadeira vida dos peixinhos começa no paraíso, ou seja, na barriga dos tubarões.

.

Se os tubarões fossem homens, também acabaria a ideia de que todos os peixinhos são iguais entre si. Alguns deles se tornariam funcionários e seriam colocados acima dos outros. Aqueles ligeiramente maiores até poderiam comer os menores. Isso seria agradável para os tubarões, pois eles, mais frequentemente, teriam bocados maiores para comer. E os peixinhos maiores, detentores de cargos, cuidariam da ordem interna entre os peixinhos, tornando-se professores, oficiais, polícias, construtores de gaiolas, etc.

.

Em suma, se os tubarões fossem homens, haveria uma civilização no mar.

.

Este conto encontra-se em http://www.resistir.info/

..

.Enviado por Madalena Mendes

.

.