terça-feira, 18 de agosto de 2009

(sem título) - Maria do Rosário Pedreira


Assunto: HOJE ÉS TU A FALAR...
Data: 18/Ago 13:40

HOJE NÃO É UM DIA DE EU ESCREVER...PREFERIA FALAR CONTIGO. SENTARMO-NOS NUMA ESPLANADA ACARICIADA PELA BRISA DE ONDE SE VISSE BEM O MAR E PEDIR PARA CONTARES COISAS DA TUA VIDA....AS QUE TE TROUXESSEM ALEGRIA, QUE NÃO PERTENCESSEM SÓ AO PASSADO, MAS QUE REPRESENTASSEM O ENCANTO DO TEU PRESENTE E A IMAGINAÇÃO DO TEU FUTURO....E EU OUVIA-TE COM UM SORRISO NOS LÁBIOS POIS AMIZADE É VER O/A AMIGO/A FELIZ....HOJE ERA O TEU DIA, POR ISSO VOU IMAGINAR TEUS SONHOS REALIZADES E OUVIR A TUA GARGALHADA FESTIVA...EM ANEXO UM BEIJO

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Distribuído por Moranguinho Pereira (hi5)

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SEM TÍTULO
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Diz-me o teu nome - agora, que perdi
quase tudo, um nome pode ser o princípio
de alguma coisa. Escreve-o na minha mão
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com os teus dedos - como as poeiras se
escrevem, irrequietas, nos caminhos e os
lobos mancham o lençol da neve com os
sinais da sua fome. Sopra-mo no ouvido,
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como a levares as palavras de um livro para
dentro de outro - assim conquista o vento
o tímpano das grutas e entra o bafo do verão
na casa fria. E, antes de partires, pousa-o
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nos meus lábios devagar: é um poema
açucarado que se derrete na boca e arde
como a primeira menta da infância.
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Ninguém esquece um corpo que teve
nos braços um segundo - um nome sim.

MARIA DO ROSÁRIO PEDREIRA

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segunda-feira, 17 de agosto de 2009

CRISE LAMENTÁVEL - Mário de Sá Carneiro

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"Gostava tanto de mexer na vida,
De ser quem sou – mas de poder tocar-lhe...
E não há forma: cada vez perdida
Mais a destreza de saber pegar-lhe.
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Viver em casa como toda a gente
Não ter juízo nos meus livros – mas
Chegar ao fim do mês sempre com as
Despesas pagas religiosamente.
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Não Ter receio de seguir pequenas
E convidá-las para me pôr nelas –
À minha Torre ebúrnea abrir janelas,
Numa palavra, e não fazer mais cenas.
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Ter força um dia pra quebrar as roscas
Desta engrenagem que empenando vai.
– Não mandar telegramas ao meu Pai,
– Não andar por Paris, como ando, às moscas.
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Levantar-me e sair – não precisar
De hora e meia antes de vir prà rua.
– Pôr termo a isto de viver na lua,
– Perder a frousse das correntes de ar.
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Não estar sempre a bulir, a quebrar coisas
Por casa dos amigos que frequento –
Não me embrenhar por histórias melindrosas
Que em fantasia apenas argumento
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Que tudo em mim é fantasia alada,
Um crime ou bem que nunca se comete;
E sempre o Oiro em chumbo se derrete
Por meu Azar ou minha Zoina suada..."
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Poemas Dispersos, Paris – Janeiro de 1916
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Enviado por Sorriso (hi5)
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MANUCURE - Mário de Sá Carneiro

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"Na sensação de estar polindo as minhas unhas,
Súbita sensação inexplicável de ternura,
Tudo me incluo em Mim – piedosamente.
Entanto eis-me sozinho no Café:
De manhã, como sempre, em bocejos amarelos.
De volta, as mesas apenas – ingratas
E duras, esquinadas na sua desgraciosidade
Bocal, quadrangular e livre-pensadora...
Fora: dia de Maio em luz
E sol – dia brutal, provinciano e democrático
Que os meus olhos delicados, refinados, esguios e citadinos
Nem podem tolerar – e apenas forcados
Suportam em náuseas. Toda a minha sensibilidade
Se ofende com este dia que há-de ter cantores
Entre os amigos com quem ando às vezes –
Trigueiros, naturais, de bigodes fartos –
Que escrevem, mas têm partido político
E assistem a congressos republicanos,
Vão às mulheres, gostam de vinho tinto,
De peros ou de sardinhas fritas...
E eu sempre na sensação de polir as minhas unhas
E de as pintar com um verniz parisiense,
Vou-me mais e mais enternecendo
Até chorar por Mim...
Mil cores no Ar, mil vibrações latejantes,
Brumosos planos desviados
Abatendo flechas, listas volúveis, discos flexíveis,
Chegam tenuamente a perfilar-me
Toda a ternura que eu pudera ter vivido,
Toda a grandeza que eu pudera ter sentido,
Todos os cenários que entretanto Fui...
Eis como, pouco a pouco, se me foca
A obsessão débil dum sorriso
Que espelhos vagos reflectiram...
Leve inflexão a sinusar...
Fino arrepio cristalizado...
Inatingível deslocamento...
Veloz faúlha atmosférica...
E tudo, tudo assim me é conduzido no espaço
Por inúmeras intersecções de planos
Múltiplos, livres, resvalantes.
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É lá, no grande Espelho de fantasmas
Que ondula e se entregolfa todo o meu passado,
Se desmorona o meu presente,
E o meu futuro é já poeira...
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Deponho então as minhas limas,
As minhas tesouras, os meus godets de verniz,
Os polidores da minha sensação –
E solto meus olhos a enlouquecerem de Ar!
Oh! poder exaurir tudo quanto nele se incrusta,
Varar a sua Beleza – sem suporte, enfim! –
Cantar o que ele revolve, e amolda, impregna,
Alastra e expande em vibrações:
Subtilizado, sucessivo – perpétuo ao Infinito!...
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Que calotes suspensas entre ogivas de ruínas,
Que triângulos sólidos pelas naves partidos!
Que hélices atrás dum voo vertical!
Que esferas graciosas sucedendo a uma bola de ténis! –
Que loiras oscilações se ri a boca da jogadora...
Que grinaldas vermelhas, que leques, se a dançarina russa,
Meia nua, agita as mãos pintadas da Salomé
Num grande palco a Oiro!
– Que rendas outros bailados!
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Ah! mas que inflexões de precipício, estridentes, cegantes,
Que vértices brutais a divergir, a ranger,
Se facas de apache se entrecruzam
Altas madrugadas frias...
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E pelas estações e cais de embarque,
Os grandes caixotes acumulados,
As malas, os fardos – pêle-mêle...
Tudo inserto em Ar,
Afeiçoado por ele, separado por ele
Em múltiplos interstícios
Por onde eu sinto a minh'Alma a divagar!...
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– Ó beleza futurista das mercadorias!
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– Sarapilheira dos fardos,
Como eu quisera togar-me de Ti!
– Madeira dos caixotes,
Como eu ansiara cravar os dentes em Ti!
E os pregos, as cordas, os aros... –
Mas, acima de tudo,
Como bailam faiscantes
A meus olhos audazes de beleza,
As inscrições de todos esses fardos –
Negras, vermelhas, azuis ou verdes –
Gritos de actual e Comércio & Indústria
Em trânsito cosmopolita:
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FRÁGIL! FRÁGIL!
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843 – AG LISBON
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492 – WR MADRID
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Ávido, em sucessão da nova Beleza atmosférica,
O meu olhar coleia sempre em frenesis de absorvê-la
À minha volta. E a que mágicas, em verdade, tudo baldeado
Pelo grande fluido insidioso,
Se volve, de grotesco – célere,
Imponderável, esbelto, leviano...
– Olha as mesas... Eia! Eia!
Lá vão todas no Ar às cabriolas,
Em séries instantâneas de quadrados
Ali – mas já, mais longe, em losangos desviados...
E entregolfam-se as filas indestrinçavelmente,
E misturam-se às mesas as insinuações berrantes
Das bancadas de veludo vermelho
Que, ladeando-o, correm todo o Café...
E, mais alto, em planos oblíquos,
Simbolismos aéreos de heráldicas ténues
Deslumbram os xadrezes dos fundos de palhinha
Das cadeiras que, estremunhadas em seu sono horizontal,
Vá lá, se erguem também na sarabanda...
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Meus olhos ungidos de Novo,
Sim! – meus olhos futuristas, meus olhos cubistas, meus olhos interseccionistas,
Não param de fremir, de sorver e faiscar
Toda a beleza espectral, transferida, sucedânea,
Toda essa Beleza-sem-Suporte,
Desconjuntada, emersa, variável sempre
E livre – em mutações contínuas,
Em insondáveis divergências...
– Quanto à minha chávena banal de porcelana?
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Ah, essa esgota-se em curvas gregas de ânfora,
Ascende num vértice de espiras
Que o seu rebordo frisado a oiro emite...
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É no ar que ondeia tudo! É lá que tudo existe!...
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...Dos longos vidros polidos que deitam sobre a rua,
Agora, chegam teorias de vértices hialinos
A latejar cristalizações nevoadas e difusas.
Como um raio de sol atravessa a vitrina maior,
Bailam no espaço a tingi-lo em fantasias,
Laços, grifos, setas, ases – na poeira multicolor –."
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Poemas Dispersos, Lisboa – Maio de 1915
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Enviado por Sorriso (hi5)
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Que música escutas tão atentamente? - Eugénio de Andrade

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Que música escutas tão atentamente
que não dás por mim?
Que bosque, ou rio, ou mar?
Ou é dentro de ti
que tudo canta ainda?
Queria falar contigo,
dizer-te apenas que estou aqui,
mas tenho medo,
medo que toda a música cesse
e tu não possas mais olhar as rosas.

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Medo de quebrar o fio
com que teces os dias sem memória.
Com que palavras ou beijos ou lágrimas
se acordam os mortos sem os ferir,
sem os trazer a esta espuma negra
onde corpos e corpos se repetem,
parcimoniosamente, no meio de sombras?

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Deixa-te estar assim,
ó cheia de doçura,
sentada, olhando as rosas,
e tão alheia
que nem dás por mim...

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Eugénio de Andrade

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ebs-santana.pt/biblioteca/aulasport.pdf

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Enviado por Gioconda do Porto (hi5)

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Estrela da tarde - Ary dos Santos

Assunto: PENSAMENTO CONSTANTE
Data: 17/Ago 11:28

COMO A ESTRELA ENSINOU AOS REIS MAGOS O CAMINHO DO MENINO JESUS, ASSIM TU ME APONTAS AS ESTRADAS QUE DEVO PERCORRER E AS QUE DEVO EVITAR...ESPERO POR TI TODOS OS DIAS, POIS SEMPRE ME APARECES AINDA QUE DE FORMAS DIFERENTES....PODES SER A BRISA QUE DE SÚBITO ME ACARICIA AS FACES, OU ENTÃO AQUELA ANDORINHA QUE PENSA JÁ NO SEU CAMINHO DE REGRESSO. ÉS O RAIO DE LUZ QUE ILUMINA A FLÔR PARA A TORNAR A MAIS BELA DO JARDIM, ÉS O RAIO DE LUAR QUE AJUDA A VER A ESTRELA POLAR. EM TUDO ESTÁS E TUDO EU ESPERO, NO DELICIOSO SABER QUE APARECES TODOS OS DIAS...EM ANEXO, UM BEIJO!

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Distribuído por Moranguinho Pereira (hi5)

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ESTRELA DA TARDE
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Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia
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Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia
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Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
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Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram
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Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram
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Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto
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Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto!
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JOSÉ CARLOS ARY DOS SANTOS

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domingo, 16 de agosto de 2009

Há momentos na vida - Clarice Lispector

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Há momentos na vida em que sentimos tanto
a falta de alguém que o que mais queremos
é tirar esta pessoa de nossos sonhos
e abraçá-la.
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Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que se quer.
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Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes
não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor
das oportunidades que aparecem
em seus caminhos.
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A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.
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O futuro mais brilhante
é baseado num passado intensamente vivido.
Você só terá sucesso na vida
quando perdoar os erros
e as decepções do passado.
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A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar
duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar
porque um belo dia se morre.
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Clarice Lispector
(Ucrânia - 1925 / Brasil - 1977)
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sábado, 15 de agosto de 2009

MUJERES DE ARENA

[PDF]

MUJERES DE ARENA

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Formato do ficheiro: PDF/Adobe Acrobat - Visualizar
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los asistentes la pérdida como propia, y van develando a los ...... su rincón” dirigida por Juan Morán, “Triste Golondrina Macho” de Manuel Puig bajo ... los espectáculos "Mujeres sin Miedo: Todas somos Atenco", "Ni Princesas, Ni ...
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portland imc - 2008.03.12 - Mujeres de Arena: Testimony of Women ...

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"Mujeres de Arena" is a theatrical work that revisits the testimonies of the mothers, sisters and friends of the victims of the feminicide ...
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Mujeres de Arena - Wikipedia, la enciclopedia libre

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"Mujeres de Arena (Testimonios de mujeres en Ciudad Juárez)" es una obra de teatro ...
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Os ombros suportam o mundo - Carlos Drummond de Andrade

Assunto: REENCONTRAR O SOL...
Data: 15/Ago 12:49

EXISTEM DIAS QUE OS OLHOS NÃO CONSEGUEM VER...É COMO SE TIVESSEM EM FRENTE O INFINITO....E NO INFINITO NÃO EXISTE NADA. NESSA CIRCUNSTÂNCIA O NADA SE PEGA A NÓS COMO UMA COBRA QUE NOS VAI ENVOLVENDO E APERTANDO....RESPIRAR É CADA VEZ MAIS DOLOROSO....PRECISO VER ALGUMA COISA PARA NÃO ACREDITAR QUE ESTOU SÓZINHA...QUE ME TIRARAM DO MUNDO E ME CONDUZIRAM PARA O NADA FINAL....QUANDO APARECES JUNTO DE MIM, ME PEGAS NA MÃO E ME SORRIS DESSA FORMA QUE CONSTRÓI O IMPENSÁVEL....AÍ ME REENCONTRO NOVAMENTE E VOLTO A VER O SOL...EM ANEXO UM BEIJO!

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Distribuído por Moranguinho Pereira (hi5)

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OS OMBROS SUPORTAM O MUNDO
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Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão as mulheres batem à porta,
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não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
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Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerrras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam ( os delicados ) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
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CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

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sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Para os Amigos - Victor Matos e Sá

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De entre todos, apenas vós
tendes direito a ver-me
fracassar. Onde caio
entre a vossa irónica
doçura implacável, convosco
partilho o pão e o espaço
e a rapidez dos olhos
sobre o que fica (sempre)
para dar ou dizer.
E de vós me levanto
e vos levo pesando
e ardendo até onde
me ajudais a ser
melhor ou talvez
menos só.
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Vítor Matos e Sá
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From Paula Moranguinho Pereira (hi5)
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Poema VIII - Eugénio de Andrade

Assunto: MEU BEM - QUERER !!
Data: 14/Ago 11:49

.FOSTE TU QUE DESENHASTE NO CÉU ESTA NUVEM EM FORMA DE CORAÇÃO, PARA EU VER O TEU AMOR...FOSTE TU QUE SOPRASTE LIGEIRAMENTE PARA QUE OS CAMPOS DE TRIGO ONDULASSEM AOS MEUS OLHOS COMO SE FOSSEM O MAR...FOSTE TU QUE VIRASTE UM A UM ESTES GIRASSÓIS QUA SORRIEM AGORA PARA MIM...FOSTE TU QUE ME TROUXESTE NO BERÇO DAS TUAS MÃOS ESTE PEDAÇO DE RIACHO PARA SACIAR A MINHA SEDE...FOSTE TU QUE ILUMINSTE O CIMO DA MONTANHA E LÁ ME LEVASTE PELA MÃO PARA QUE EU PUDESSE OLHAR UM PEDAÇO DE ETERNIDADE...FOSTE TU QUE ME FIZESTE ASSIM COMO AGORA ME SINTO - TREMENDAMENTE FELIZ... EM ANEXO, UM BEIJO!

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Distribuído por Moranguinho Pereira (hi5)

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POEMA VIII
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Foi para ti que criei as rosas.
Foi para ti que lhes dei perfume.
Para ti rasguei ribeiros
e dei às romãs a cor do lume.
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Foi para ti que pus no céu a lua
e o verde mais verde nos pinhais.
Foi para ti que deitei no chão
um corpo aberto como os animais.

EUGÉNIO DE ANDRADE

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quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Tenho tanto sentimento - Fernando Pessoa

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Tenho tanto sentimento
Que é freqüente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.
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Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.
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Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.
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FERNANDO PESSOA
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From Paula Moranguinho Pereira (hi5)
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Meu amor - Florbela Espanca

Assunto: MEU AMOR...
Data: 13/Ago 13:35
TU ÉS A MINHA NUVEM BRANCA QUE PASSEIA PELO AZUL DO CÉU....ÉS A AVE COLORIDA QUE ATRAVESSA O AR NUMA CORRIDA CONTRA O TEMPO DE FICAR NO MESMO LUGAR...TU ÉS O MEU MAR, ORA MANSO ORA GRITANDO, MAS MORRENDO SEMPRE SIMPLES E DOCE NA AREIA...TU ÉS O NOME COM QUE AS FADAS ME FADARAM QUANDO NASCI...TENS UM NOME QUE TODOS CONHECEM, MAS PARA MIM ÉS O MEU AMOR...EM ANEXO UM BEIJO!
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Distribuído por Moranguinho Pereira (hi5)
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MEU AMOR
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De ti somente um nome sei, amor.
É pouco, é muito pouco e é bastante
Para que esta paixão doida e constante
Dia após dia cresça com vigor!
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Como de um sonho vago e sem fervor
Nasce uma paixão assim tão inquietante!
Meu doido coração triste e amante
Como tu buscas o ideal na dor!
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Isto era só quimera, fantasia,
Mágoa de sonho que se esvai num dia,
Perfume leve dum rosal do céu...
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Paixão ardente, louca isto é agora,
Vulcão que vai crescendo hora por hora...
O meu amor, que imenso amor o meu!
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FLORBELA ESPANCA 

"Les croisades vues par les arabes" de Amin Malouf

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Epilogue, un extrait audio du livre "Les croisades vues par les arabes" de Amin Malouf.
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Cet ouvrage exprime le point de vue des chroniqueurs musulmans de l'epoque dont le voyageur Ibn Jobair et le biographe Oussama Ibn Monqidh (temoin de la prise de Jerusalem) cités dans cet extrait.
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C'est un passage tres interessant. On y apprend notamment:
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1- Combien l'Occident doit son ascension fulgurante, en partie, à son contact et à sa proximité avec le monde musulman.
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2- Le déclin des "socétés" musulmanes était deja d'actualité et une realité au 12éme siecle.
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3- Les Croisades continuent de peser, avec plus de sept siecles de distance, sur les évenements présents du monde musulman et sur son rapport avec l'occident. Le depassement de cet épisode par les societes musulmanes pourrait peut etre amorcer de nouveaux rapports avec l'occident et donc un debut réel de modernisation des esprits dans ces regions.
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quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Labirinto ou alguns lugares de amor - Eugénio de Andrade


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O outono
por assim dizer
pois era verão
forrado de agulhas
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a cal
rumorosa
do sol dos cardos
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sem outras mãos que lentas barcas
vai-se aproximando a água
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a nudez do vidro
a luz
a prumo dos mastros
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os prados matinais
os pés
verdes quase
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o brilho
das magnólias
apertado nos dentes
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uma espécie de tumulto
as unhas
tão fatigadas dos dedos
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o bosque abre-se beijo a beijo
e é branco
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EUGÉNIO DE ANDRADE
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From Paula Moranguinho Pereira (hi5)
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terça-feira, 11 de agosto de 2009

Na cadeia - Camilo Pessanha

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na cadeia os bandidos presos!
o seu ar de contemplativos!
que é das feras de olhos acesos?!
pobres dos seus olhos cativos
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passeiam mudos entre as grades,
parecem peixes num aquário.
- campo florido das saudades,
porque rebentas tumultuário?
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serenos... serenos... serenos...
trouxe-os algemados a escolta.
- estranha taça de venenos
meu coração sempre em revolta.
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coração, quietinho... quietinho...
porque te insurges e blasfemas?
pschiu... não batas... devagarinho...
olha os soldados, as algemas!
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Camilo Pessanha
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From Paula Moranguinho Pereira (hi5)
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A Arte de ser feliz - Cecília Meireles

Assunto: VIVEMOS PARA OLHAR E PARA OUVIR!
Data: 11/Ago 13:22

MUITAS VEZES A NOSSA CAPACIDADE DE SER FELIZ DEPENDE DA FORMA COMO SE OLHAM PEQUENOS DETALHES DESTE GRANDE MUNDO. HÁ FILMES QUE NOS ENCHEM A ALMA...A GARGALHADA CRISTALINA DE UMA CRIANÇA FAZ-NOS ENTENDER PORQUE TEMOS A CAPACIDADE DE OUVIR...A DANÇA DE UM BEIJA-FLÔR EM RODA DE UMA FLÔR APETITOSA ENSINA-NOS PORQUE PODEMOS VER....CLARO QUE EXISTE O LADO SOMBRIO DO MUNDO. ESSE SERVE PARA NOS LEMBRAR QUE HÁ SEMPRE ALGUMA COISA A FAZER, QUANTO MAIS NÃO SEJA O NOSSO IMPERDÍVEL DIREITO Á INDIGNAÇÃO E Á INTERVENÇÃO...EM ANEXO UM BEIJO!
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Distribuído por Moranguinho Pereira (hi5)

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A ARTE DE SER FELIZ
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Houve um tempo em que minha janela
se abria sobre uma cidade que parecia
ser feita de giz. Perto da janela havia um
pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra
esfarelada, e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre
com um balde e, em silêncio, ia atirando
com a mão umas gotas de água sobre
as plantas. Não era uma rega: era uma
espécie de aspersão ritual, para que o
jardim não morresse. E eu olhava para
as plantas, para o homem, para as gotas
de água que caíam de seus dedos
magros e meu coração ficava
completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o
jasmineiro em flor. Outras vezes
encontro nuvens espessas. Avisto
crinças que vão para a escola. Pardais
que pulam pelo muro. Gatos que abrem
e fecham os olhos, sonhando com
pardais. Borboletas brancas, duas a
duas, como refelectidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem
personagens de Lope de Vega. Às
vezes um galo canta. Às vezes um
avião passa. Tudo está certo, no seu
lugar, cumprindo o seu destino. E eu me
sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas
felicidades certas, que estão diante de
cada janela, uns dizem que essas coisas
não existem, outros que só existem
diante das minhas janelas, e outros,
finalmente, que é preciso aprender a
olhar, para poder vê-las assim.
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CECÍLIA MEIRELES

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The Pickwick Papers - Charles Dickens

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Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

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The Pickwick Papers
Capa original da edição de 1836
Autor Bandeira da Inglaterra Charles Dickens ("Boz")
Título em Portugal As Aventuras do Sr. Pickwik
Idioma Inglês
País Bandeira da Inglaterra Inglaterra
Série Mensalmente, em 20 partes:
Abril de 1836 - Novembro de 1837
Ilustrador Robert Seymour
Robert William Buss
Hablot Knight Browne (Phiz)
Editora Chapman & Hall
Lançamento 1837
ISBN 0812967275
Cronologia
Último
Último
Sketches by Boz
Oliver Twist
Próximo
Próximo


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O livro The Posthumous Papers of the Pickwick Club (comumente conhecido como The Pickwick Papers) escrito pelo inglês Charles Dickens em 1836, apresenta nomes diversos tanto no Brasil quanto em Portugal, com variações como As Aventuras do Sr. Pickwik, Documentos de Pickwick, Papéis de Pickwick, e Documentos do Clube Pickwick. O título narra as aventuras do grupo de estudo do Clube Pickwick, composto pelo líder Sr. Pickwick, e seus três pupilos: O Sr. Tupman, o Sr. Snograss e o Sr. Winkle, que tem como função financiada pelo clube viajar pela Inglaterra (com particular com enfoque no interior do país) observando descobertas científicas, e analisando as diversas variedades do comportamento humano.

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O título constitui um marco na carreira do escritor Charles Dickens, que embora tivesse anteriormente trabalhado sob o pseudônimo de Boz, conseguiu exito literário e reconhecimento popular durante a publicação do livro, apresentado sob forma de folhetim (romance fatiado, distribuído em capítulos, que se tornou popular no séx XIX). Não obstante apresentação do escritor, o livro resume também grande parte dos elementos de sua posterior obra, sintetizando os caracteres da obra dickensiana.

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Crítica Social

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O título As Aventuras do Senhor Pickwik apresenta uma extensa variedade de críticas à sociedade inglesa vitoriana da época, embora sempre permeie o teor crítico com o que foi considerado uma refinada e ironia e humor dickensiano. Os elementos criticados buscam abarcar classes sociais utilizando personagens estereotipadas que atuam como representantes destas classes, e abrangem:

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  • A religião e os falsos pregadores, ou pregadores corrompidos.
  • A classe advocatícia e seu atravancamento na execução da justiça, distorção de leis, e possíveis processos de corrupção.
  • A magistratura corrente à época, que concede o poder a cidadãos voltados aos seus próprios interesses.
  • Os políticos e sua conduta desonesta, bem como o eleitorado irresponsável de seu dever cívico.
  • O jornalismo enquanto ferramenta mal conduzida, sem comprometimento com a verdade, o respeito, e imparcialidade.
  • A sociedade burguesa e sua conduta com relação de interesses e hipocrisias.
  • A corrupção do sistema carcerário de devedores, e sua falta de assistência ao cidadão mantido em regime fechado. (Muitos presos pobres morriam à míngua de fome e frio nas prisões, enquanto sistema jurídico permitia brechas que auxiliavam outros devedores).
  • Este próprio sistema de justiça que desfavorecia o devedor trabalhador.
  • O novo estado de relacionamento nas relações entre patrão x empregado, motivado pelo advento da burguesia e revolução industrial.
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Ademais, há inúmeros elementos de crítica social no livro, além de claro, uma crítica ao espírito cientificista da época. Os personagens principais, embora abertos aos procedimentos racionais da ciência, demonstravam grande inabilidade para situações que exigiam praticidade e que alicerçam a maior parte dos episódios cômicos do livro.

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Curiosidades

  • Uma das personagens do livro, O gordo Joe, foi utilizado posteriormente para caracterizar uma patologia alcunhada como síndrome de pickiwick, posto que a figura descreve fielmente um quadro da doença: obesidade e sonolência excessiva, acompanhados de demais sintomas.
  • A personagem do criado do Sr. Pickwick, Samuel Weller, foi considerado um exito instantâneo: sua inserção no quinto capítulo da narrativa alavancou as vendas de forma estrondosa: do quarto número foram tirados 400 exemplares, após o surgimento da figura, antes mesmo do vigésimo capítulo já eram impressos 400.000.
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Referências

  • MAUROIS, André. Dickens. Tradução por Rubens Mario Jobin. SP. Dominus. 1963, 130p.
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Antes da Meia-Noite

Antes da Meia-Noite.


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Posted: 06 Aug 2009 02:21 PM PDT

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Coisas sem nome, coisas sem forma. Os lados de uma redonda fruta, os lábios de um cavalo, os livros na escrivaninha dispostos. Sentar-se aqui, em plena sexta-feira, sem saber como começar voltar a escrever. A plena sexta-feira é um ótimo dia para sentar-se, a cabeça cheia de palavras, e atiçar a compostura do mundo.

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Cavalgadura das coisas sem nome, ressurgimento das coisas para as quais não há palavras: as hortas orvalhadas, as anáguas, as mãos postas sobre o peito em atitude de prece. Pois é justamente isso que a sexta-feira pede, agora estou descobrindo – uma prece. Ajuda-me, pai, a achar a palavra certa para falar do que é fugidio demais. Ajuda-me a encontrar uma palavra que seja tão fugidia como são as coisas, tão lisa como é liso o mundo. Ajuda-me, pai, a escrever algo que seja não como eu sou, mas como é o mundo – aos trancos, abismável, frutífero.

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Eu amparo a sexta-feira e abro a janela para que o cheiro que a noite tem penetre em mim e me mova a escrever algo que descreva – não a minha paisagem – mas a paisagem da noite, os carrilhões, os túneis, as guelras, o mercúrio. Não é fácil essa experiência. A sexta-feira não ajuda, pois é hermética. Ela é só uma promessa e proíbe intrusões em seu núcleo. Fundos são os galões e as cápsulas; quadrangulares são as câmaras que a noite abre; buliçosas são as façanhas na noite perpetradas; macios são os teus pés ocultos sob a treva, mas insalubres os porões da noite, agudos os guinchos.

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Preciso encontrar um ritmo adequado. Pois é provável que, à meia-noite, vestido, alimentado e pronto, eu olhe para trás, já no sábado, e encare a sexta-feira morta sem saber realmente do que ela foi feita. A sexta-feira, então, finada, permanecerá um mistério – como, no fim das contas, todo o resto das coisas permanece.


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Posted: 05 Aug 2009 01:38 AM PDT

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in Blog A Maçã no Escuro

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O Ser Imaculado.

O Ser Imaculado.

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Posted: 06 Aug 2009 02:34 PM PDT

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Câmaras onde se fabrica o dia, alturas onde se fabrica a noite. A capa estelar que nos recobre, a lâmpada astral que nos guia: a órbita ao redor da qual em rodopio viajamos: senhores de nada e de vazio e entretanto pomposos, laureados, altivos como deuses, e como deuses charmosos, espertos, confiantes. E criamos. Sobre a superfície nua da pedra, rabiscamos o calor da caça e o êxito do primeiro caçador. E louvamos. Um deus que mal nos diz respeito. E no entanto o adoramos. Ele e o manto azul de seu filho. Ele e a face cândida de sua mãe e a asa lépida da pomba tripartida e do espírito. O que nos move? Será a alegria arcaica extraída do coração exposto desse deus ou será o próprio sangue desse deus derramado e a carne desse deus sacrificada em holocausto? Será o vinho vertido do corpo branco desse deus, será a aorta desse deus que expele vinho santo ou a coroa de espinhos que lhe lacerava a face ou será a carne macerada desse deus e convertida em pão, ou ainda um mero sopro seu o que nos anima? Resta que. Aqui pairamos. Aferrados ao corpo, ao corpo jungidos. Ao corpo aguilhoados. Aqui permanecemos, por dentro acesos, tesos por dentro, por dentro fibrosos, sanguinolentos por dentro. É que o júbilo de aqui permanecermos, atados, mas todavia por inteiro libertos, por demais libertos, inscreve no portal da alma um signo ilegível: rodamos em falso, e no entanto rodamos, mas sem direção. Somos flecha às cegas disparada e não se conhece o arqueiro. Mal sabemos se arqueiro há ou se a flecha meramente pelo vento iniciou sua trajetória. Mas e o impulso do vento, a trajetória do vento e a origem de todos os ventos? É certo: no nada rodamos, como se roda num rio que num mar indecifrado desemboca. Alturas onde se fabrica a vertigem que num giro tudo desvanece ou estradas onde se perfaz a viagem da qual não se adivinha o rumo ou motores onde se acumula a fuligem que nos enegrece as ventas ou desertos onde se fabrica a miragem ou túneis onde se fabrica a ida e a vinda e a vida que os tendões nos inflama e os calcanhares unidos em prece e os corações lacerados e as mãos e os braços erguidos ao céu tumultuado, e as faces perplexas, desfiguradas e voltadas ao nada, como se do nada pudesse sobrevir o ser alado e branco que do inferno da carne nos salvasse e nos conduzisse, puros, imateriais, a um éden qualquer de doces Formas, a um campo qualquer, mas aprazível onde a água jorrasse da montanha e o leite e o mel da pedra recolhêssemos. Porém, do nada, nada provém. Do vazio, nada se apresenta ao toque e nada nos sustenta – a não ser a coragem e a alegria de aqui lenta e lentamente definharmos. Mas alegres e sérios como sátiros, mas ferindo o couro do tambor pagão e manejando a flauta que nos trouxe a Hélade e cantando em coro no cortejo do deus, vamos todos animados pelo vinho e imaculados pelo trágico. Pois o trágico, Já dizia um amigo meu, imacula o ser.

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in Blog A Maçã no Escuro

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