segunda-feira, 26 de abril de 2010

Sophia no Modus Vivendi



Deriva - Sophia de Mello Breyner
Navegações VII, p. 65
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Vi as águas os cabos vi as ilhas
E o longo baloiçar dos coqueirais
Vi lagunas azuis como safiras
Rápidas aves furtivos animais
Vi prodígios espantos maravilhas
Vi homens nús bailando nos areais
E ouvi o fundo som das suas falas
Que já nenhum de nós entendeu mais
Vi ferros e vi setas e vi lanças
Oiro também à flor das ondas finas
E o diverso fulgor de outros metais
Vi pérolas e conchas e corais
Desertos fontes trémulas campinas
Vi o rosto de Eurydice das neblinas
Vi o frescor das coisas naturais
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Só do Preste João não vi sinais
As ordens que levava não cumpri
E assim contando tudo quanto vi
Não sei se tudo errei ou descobri
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Sophia de Mello Breyner Andresen
(poema oferecido por N.M.)

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Iluminura do Wappenbuch de Conrad Grünenberg (Constance, 1480). München, Bayerische
Staatsbibliothek, Cgm, 145, p. 53). 

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(Preste João)
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Quem a tem … - Jorge de Sena

25/Abr 15:31
Cecília diz:

UM ABRAÇO, AMIGO VICTOR.


Quem a tem …

Não hei-de morrer sem saber
qual a cor da liberdade.

Eu não posso senão ser
desta terra em que nasci.
Embora ao mundo pertença
e sempre a verdade vença,
qual será ser livre aqui,
não hei-de morrer sem saber.

Trocaram tudo em maldade,
é quase um crime viver.
Mas, embora escondam tudo
e me queiram cego e mudo,
não hei-de morrer sem saber
qual a cor da liberdade.

Jorge de Sena
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Letras de Músicas de Zeca Afonso

Letras de Músicas de Zeca Afonso

 

 




·  Zeca Afonso - Os Índios Da Meia-Praia Aldeia da Meia-Praia. Ali mesmo ao pé de Lagos. Vou ...       
·  Zeca Afonso - Os Vampiros No céu cin zento Sob o astro mudo . . G Am . . Baten ...       
·  Zeca Afonso - Papuça Olha enfia a carapuça. mas nao compres o velho fato ...       
·  Zeca Afonso - Paz, Poeta E Pombas A Paz viajou em busca da silêncio. Sitiou Berlim. Ab ...       
·  Zeca Afonso - Por Trás Daquela Janela Por trás daquela janela. Por trás daquela janela. Fa ...       
·  Zeca Afonso - Que Amor Não Me Engana Que amor nao me engana. Com a sua brandura. Se da an ...       
·  Zeca Afonso - Rio Largo De Profundis Rio largo de profundis. Uma neta pra nascer. Amor av ...       
·  Zeca Afonso - Ronda Dos Paisanos Ao cair da madrugada. No quartel da guarda. Senhor g ...       
·  Zeca Afonso - Senhor Arcanjo Senhor arcanjo. Vamos jantar. Caem os anjos. Num algu ...       
·  Zeca Afonso - Tecto Do Mendigo Num lugar ermo. Só no meu abrigo. Aí terei meu tecto ...       
·  Zeca Afonso - Tenho Um Primo Convexo Tenho um primo convexo. Fadado para amnistias. Em to ...       
·  Zeca Afonso - Teresa Torga No centro a da Avenida. No cruzamento da rua. As qua ...       
·  Zeca Afonso - Ti Alves O Ti Alves. Sao poucas ou muntas. Sao poucas me meni ...       
·  Zeca Afonso - Traz Outro Amigo Também Amigo . Maior que o pensamento . Por essa estrada a ...       
·  Zeca Afonso - Utopia Cidade. Sem muros nem ameias. Gente igual por dentro ...       
·  Zeca Afonso - Vejam Bem Vejam bem . que não há só gaivotas em terra . quando ...       
·  Zeca Afonso - Venham Mais Cinco Venham mais cinco, duma assentada que eu pago já . ...       
·  Zeca Afonso - Viva O Poder Popular Nao há velório nem morto. Nem círios para queimar. Q ...
    Zeca Afonso - Os Índios Da Meia-Praia Aldeia da Meia-Praia. Ali mesmo ao pé de Lagos. Vou ...     ·  Zeca Afonso - Os Vampiros No céu cin zento Sob o astro mudo . . G Am . . Baten ...       




·  Zeca Afonso - Papuça Olha enfia a carapuça. mas nao compres o velho fato ...       
·  Zeca Afonso - Paz, Poeta E Pombas A Paz viajou em busca da silêncio. Sitiou Berlim. Ab ...       
·  Zeca Afonso - Por Trás Daquela Janela Por trás daquela janela. Por trás daquela janela. Fa ...       
·  Zeca Afonso - Que Amor Não Me Engana Que amor nao me engana. Com a sua brandura. Se da an ...       
·  Zeca Afonso - Rio Largo De Profundis Rio largo de profundis. Uma neta pra nascer. Amor av ...       
·  Zeca Afonso - Ronda Dos Paisanos Ao cair da madrugada. No quartel da guarda. Senhor g ...       
·  Zeca Afonso - Senhor Arcanjo Senhor arcanjo. Vamos jantar. Caem os anjos. Num algu ...       
·  Zeca Afonso - Tecto Do Mendigo Num lugar ermo. Só no meu abrigo. Aí terei meu tecto ...       
·  Zeca Afonso - Tenho Um Primo Convexo Tenho um primo convexo. Fadado para amnistias. Em to ...       
·  Zeca Afonso - Teresa Torga No centro a da Avenida. No cruzamento da rua. As qua ...       
·  Zeca Afonso - Ti Alves O Ti Alves. Sao poucas ou muntas. Sao poucas me meni ...       
·  Zeca Afonso - Traz Outro Amigo Também Amigo . Maior que o pensamento . Por essa estrada a ...       
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·  Zeca Afonso - Vejam Bem Vejam bem . que não há só gaivotas em terra . quando ...       
·  Zeca Afonso - Venham Mais Cinco Venham mais cinco, duma assentada que eu pago já . ...       
·  Zeca Afonso - Viva O Poder Popular Nao há velório nem morto. Nem círios para queimar. Q ...


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http://zecaafonso.letrasdemusicas.com.br/maisletras.html
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José Afonso - Wikipédia, a enciclopédia livre

José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos (Aveiro, 2 de Agosto de 1929 — Setúbal, 23 de Fevereiro de 1987), mais conhecido por José Afonso ou Zeca Afonso, ...
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Associação José Afonso

José Afonso na 1ª pessoa, Textos sobre José Afonso, O que está por trás dos versos, As versões feitas até hoje. ESCOLAS, EXPOSIÇÕES, TRIBUTOS, LOJA ...
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Explicação do País de Abril - Manuel Alegre

23/Abr 23:15
Carmen diz
PARA SI, VICTOR!
BO-Red Carnation-CC
23/Abr 23:14
Carmen diz
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Explicação do País de Abril 
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País de Abril é o sítio do poema.
Não fica nos terraços da saudade
não fica nas longas terras. Fica exactamente aqui
tão perto que parece longe.

Tem pinheiros e mar tem rios
tem muita gente e muita solidão
dias de festa que são dias tristes às avessas
é rua e sonho é dolorosa intimidade.

Não procurem nos livros que não vem nos livros
País de Abril fica no ventre das manhãs
fica na mágoa de o sabermos tão presente
que nos torna doentes sua ausência.

País de Abril é muito mais que pura geografia
é muito mais que estradas pontes monumentos
viaja-se por dentro e tem caminhos veias
- os carris infinitos dos comboios da vida.

País de Abril é uma saudade de vindima
é terra e sonho e melodia de ser terra e sonho
território de fruta no pomar das veias
onde operários erguem as cidades do poema.

Não procurem na História que não ven na História.
País de Abril fica no sol interior das uvas
fica à distância de um só gesto os ventos dizem
que basta apenas estender a mão.

País de Abril tem gente que não sabe ler
os avisos secretos do poema.
Por isso é que o poema aprende a voz dos ventos
para falar aos homens do País de Abril.

Mais aprende que o mundo é do tamanho
que os homens queiram que o mundo tenha:
o tamanho que os ventos dão aos homens
quando sopram à noite no País de Abril.


Manuel Alegre
(Praça da Canção)

BOM FIM DE SEMANA E UM FELIZ DIA 25 DE ABRIL!
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domingo, 25 de abril de 2010

Patxi Andión - Vida e Obra


De Wikipedia, a enciclopedia livre


Patxi Andion (n. 6 de outubro de 1947 em Madri). Trata-se de um cantautor, músico e actor espanhol. Tem participado em alguns filmes espanhóis dos anos 1970 e é conhecido fundamentalmente por seu labor como cantautor.
 

Biografia

Patxi Joseba Andión González nasceu em Madri o 6 de outubro de 1947 e ainda que suas raízes bascas (Sua origem paterno navarro e alavés o materno) marcariam sua vida, a educação que recebeu na capital influiu poderosamente em manter um espírito universalista. Seu interesse pela música começou no seio de sua família. Sua mãe cantava extraordinariamente bem e possuía uma voz excepcional. Foi tentada várias vezes para iniciar carreira profissional, mas ela nunca quis que sua condição artística saísse do âmbito pessoal e familiar. Sua avó materna foi soprano em companhias aficionadas tendo actuado no Teatro Real de Madri, as Vermelhas de Toledo ou o Liceo de Barcelona, entre outros. 
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Patxi estreou-se em público aos cinco anos, em Rádio Madri (Corrente SER) interpretando o papel do menino Jesús em uma obra de rádio teatro e cantando uma canção de moda então, “A Fonte do Avellano”. Na adolescencia tocou em grupos de rock como Os Camperos, Os Silvers ou Os Dingos. Já nessa altura possuía o vozarrón que mais tarde fá-lhe-ia inconfundível, mas naqueles tempos de vozes edulcoradas, significou uma limitação já que não lhe deixavam cantar no grupo por ter voz de negro”, e até a popularización dos discos de Ray Charles e outros como o, não lhe deixaram o microfone. «Tocávamos clássicos como A Plaga, O Rock do Cárcere ou Popotitos. Aquilo era divertidísimo. Lembro-me das primeiras actuações. Ainda levava pantalones curtos e me mudava de roupa em qualquer lugar para sair ao palco. » Conta. 
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Cedo começa a compor desde sua inquietude cultural, social e política. O que mais tarde definir-se-ia como canção de autor. Talvez como o mesmo diz, pela ânsia «de estar comprometido com a única coisa com a que se pode um comprometer: A dúvida». 
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O Pai de Patxi, republicano de esquerdas sofreu cárcere durante anos e nesse ambiente, é onde se começa a forjar a consciência social e política de Patxi que se desenvolve mais tarde no meio de uma organização revolucionária de esquerdas que lutou contra o franquismo, o FRAP. Em consequência desta militancia, várias vezes está a ponto de ser detido pela polícia política do regime e após uma redada na que caem vários militantes, decide passar a fronteira a França, onde ajudado pelos serviços de acolhida dos espanhóis exilados, começa um exílio na França que marcar-lhe-á para toda sua vida.
Sua experiência na França com mal 19 anos, foi trascendental pois foi testemunha do revolucionário Maio do 68 parisiense. Ali, começa uma vida bohemia onde começa a cantar em Caves do bairro latino. Entre tantas direcções de acolhida, viveu na rue Gay Lussac, que foi das primeiras em ser cortada pela famosa revolta estudiantil. Segundo o mesmo, foi uma experiência inolvidable em todos os sentidos. Vivia, como seus colegas de exílio, na mais absoluta das indigencias. Plagado de ladillas e blenorragia. A mais baixa das bohemias. “Em um dia, fazendo tempo para deitar na casa na que as camas eram ocupadas por rigorosa ordem de oito horas, passei pela rue Monsieur Lhe Prince e me parei em um lugar chamado A Candelaria (Música Latinoamericana e espanhola) anunciava na porta. O dono resultou ser de San Sebastián e basco parlante pelo que a relação se estabeleceu rapidamente. “Comecei tocando os bongos para seu passe de música latinoamericana e em um dia que me ouviu cantar me contratou. Fazia três sessões diárias e pagavam-me 25 francos o que me dava para dormir, mas não para comer”. 
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Pouco a pouco vai introduzindo nos ambientes de esquerda e começa a cantar em célebres “Caves” como L’Escale ou A Contrescarpe. A ideia do exílio permanente faz-lhe promover uma investigação para conhecer as consequências de sua hipotética volta a Madri. À Candelaria chega Félix Vitrie, o grande empresário promotor de Georges Brassens e proprietário do mítico teatro Bobino, onde cantam as grandes figuras da Chanson. Propõe a Patxi actuar nele como vedette americain do programa de Brassens. Lugar que no ano anterior tinha ocupado Serge Reggiani. E uma prova seleccionada com discos Barclays. Mas Patxi já tinha decidido voltar a Espanha para cumprir o serviço militar. 
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Em Madri, se reencuentra com Luís Eduardo Aute com quem tinha compartilhado estudo em seus começos. Aute gravava pára RCA e apresenta-lhe a Mari Trini. Cantautora recém chegada, como ele, da França, para a que começa a compor canções. Em um dia, gravando uma maqueta para ela nos estudos de RCA na Torre de Madri, sua voz chama a atenção de Gil Beltrán, director geral da companhia. Propõe-lhe gravar mas no meio das negociações cruza-se a gestão de um amigo da família. Manolo escobar, que tinha sido cantor do grupo Os Sonor quem lhe consegue uma entrevista com Carlos Guitart, director artístico de Movieplay que lhe contrata para gravar seu primeiro disco. Era uma aposta difícil. A voz rouca de Patxi e seus textos duros chocavam com um público habituado aos intérpretes de canção melódica ou modos mais convencionales como o próprio Aute ou Serrat. Ademais, Patxi tratava de temas pouco comuns para aquela época, temas difíceis, espinosos. O primeiro disco que editou foi um single com duas canções. Uma, saiu editada já proibida para seu difusión pública (A Jacinta) e a outra (Canto) seguiu o mesmo caminho aos quinze dias. Apesar disso, seu irrupción no médio profissional foi impactante. 
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Pouco depois saiu seu primeiro LP: Retratos. Uma colecção de canções sobre personagens que não eram estranhos à realidade daqueles dias mas que não estando conformes com a “realidade oficial” eram pouco “retratables” o que volta a pôr em frente à censura. Constante de seu quehacer artístico até a chegada da democracia já nos anos oitenta. Na portada do disco um texto avisa que três das canções são consideradas impropias para passar pela rádio. São as duas anteriormente referidas pertencentes a seu primeiro single e Os Decorados. O curioso é que, por exemplo, Canto, carregava a culpa de ter um verso tão pouco ortodoxo como: Canto à mãe que me parió e A Jacinta era a história de uma prostituta. Em Rogelio conta-se a história de dois velhos colegas de fadigas aos que a vida, a posição económica e social têm separado irreconciliablemente. No Pipo ocupa-se de algo tão despreciable como um cão vagabundo, enquanto na quem corresponda envia uma carta acusatoria. 
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Mas a censura, não só chegava do poder político. Também os interesses económicos desejavam um Patxi que fosse um pouco menos Patxi, para que fosse mais fácil, o vender, o ensinar, lhe fazer melhor produto. Ainda que isso, era do todo impossível. Quiçá por essa conduta auto imposta à hora de escrever canções, de seguir o rumo de sua vida e sua carreira, seu legado não é tão do domínio público como o de outros colegas, quiçá com menores méritos. «Nunca tenho feito isto a propósito. Quando escrevi por exemplo Meu Niñez tão só o fiz pensando em como tinha sido minha infância e em como fugi dela. Por isso quando essa canção foi enviada à rádio para sua difusión. O director da corrente mais importante disse que fá-la-ia número 1 se se lhe tirava a palavra “coño”, naturalmente só respondi que como toda obra artística, era o que sentia que tinha que ser. E ponto.» 
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Entre esses dois temas: Canto (incluído em seu LP de estréia) e Meu Niñez, editado em 1978 e que fazia parte do Cancionero Proibido, um excelente disco, vetado pela maioria das correntes comerciais, Patxi viveu sua etapa de maior actividade musical, durante a qual editou um total de dez discos. Possivelmente, foi o seguinte LP e o último com a companhia Movieplay e Onze Canções Entre Paréntesis, que teve verdadeiramente sua primeira grande repercussão comercial devido a temas tão difíceis de esquecer como Samaritana ou Vinte Aniversário. Uma canção inicialmente composta para Massiel. Enquanto, realiza suas primeiras viagens a América, dando concertos memorables na Argentina, Uruguai, Chile e México. 
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Em 1973, chega às lojas A Onde A água, que incluiria seu maior sucesso popular: Uma Duas e Três. Segundo o mesmo confessa, é com o calor do sucesso popular onde começa a se produzir um verdadeiro sentimento de vazio, de desilusión. São demasiados obstáculos, demasiada incomprensión e para que? «Não estava disposto a entrar nesse círculo vicioso de discotecas e recitais em lugares absurdos que te vão consumindo pouco a pouco. Tinha que encontrar uma saída. Não tinha começado na música para isso. Os demais poderiam fazer o que quisessem mas a acomodación não estava em sua credo. Ao princípio, as vias de escape são musicais. Em Joxe maría Iparaguirre, patxi Andión’em era percorre a marca deixada pela cultura basca em sua tradição familiar gravando a obra do famoso cantautor basco do século XIX. Como o mesmo, um homem a contratiempo. Em Como O Vento Norte afunda em sua vocação poética produzindo temas de trascendencia universal como Pai. Patxi é um homem de temperamento renacentista aberto, desprejuiciado e curioso. Preocupado por sua melhora pessoal sem restrição de nenhuma classe. Por isso, em meados dos 70, aproveita a oportunidade e inicia uma nova aventura, com sua incursão no mundo do cinema. Ao princípio conjuga ambas facetas: Em seu primeiro filme como protagonista O Livro do Bom Amor reparte o protagonismo como actor com a dedicación da composição da banda sonora do filme, para a qual adapta vários poemas do Arcipreste de Hita. Uma experiência que repetirá, ainda que com menor intensidade no futuro e que tinha começado adaptando o poema Che, Che, Che do poeta José Agustín Goytisolo para o cortometraje do mesmo título do cineasta Javier Aguirre no final dos anos sessenta. A partir daí e durante vinte anos dedica-se alternativamente a ambos papéis. Por um lado sua carreira de actor lhe granjea uma popularidade crescente inclusive entre as pessoas para as quais só tinha sido “Um peludo que protesta e grita”. Enquanto, grava e publica os discos, Viagem de ida, Arquitectura e Amor Primeiro, nos que dá rienda solta a uma maneira de compor a cada vez mais pessoal e exigente, apesar disso, consegue sucessos rotundos como a canção Amor Primeiro, em cuja gravação colabora com ele o grupo Mocedades e na que a mistura da doce voz de Amaya e a rouca de Patxi é uma maravilha que lhe faz ser número 1 de vendas em Espanha e vários países da América. Ainda assim, a exigência literária e o inconformismo musical, unidos a seu irreductible compromisso social fazem-lhe ir a contracorriente (como quase sempre) Para outros teria sido muito fácil se adaptar ao gosto do momento e aproveitar seu reconhecimento geral para vender discos. Ele, uma vez mais elege o caminho difícil e segue adiante à margem das conveniencias sociais e comerciais. 
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Quiçá, o auge de sua popularidade chegou com algo tão pouco relacionado com sua carreira como seu casal e posterior divórcio 14 meses depois com Amparo Muñoz, Meu Universo e a quem conheceu no rodaje do filme A outra alcoba, de Eloy da Igreja. Em consequência disso, seu nome começou a aparecer mais nas colunas de sociedade que nas secções culturais. Parecia que alguns não lhe perdoassem o se ter casado com uma mulher que não era de seu meio e isso lhe enfrentou com os ambientes onde tinha sido adorado. Mas quem tenha seguido a carreira deste cantautor imprescindible sabe que como o mesmo diz em seu texto Biografia interior: “Nunca estou onde se me espera nem faço o que se espera que faça”. Patxi Andión é uma artista fosse do comum que só atende a manter rabiosamente sua liberdade criativa e de consciência. Patxi passa quatro anos sem editar discos e sua presença no cinema, que parece um médio do qual já tem aproveitado o que lhe interessa, diminui. Nesse momento em seu incansable capacidade por aprender e experimentar, começa sua aventura de dois anos e oito meses como Che na ópera Evita, que é um sucesso atronador e na que é nomeado por um grupo de cinco jornais norte-americanos entre os que estão o New York Times ou o Chicago Tribune como melhor Che do mundo. No que respecta a sua produção musical ao termo de sua experiência na comédia musical, publica O Balcón Aberto, um álbum com o que parece ir fechando um ciclo de composição. Na televisão protagoniza séries como Página de Acontecimentos, ou Brigada Central, ainda que dá a sensação que é um caminho esgotado para o. 
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Durante sua época em Evita consegue o Doctorado em Sociologia pela Universidade Pontificia de Salamanca, outro paradoxo nele, agnóstico declarado. É convidado a dar um seminário na Universidade Complutense e com isso inicia o caminho docente e pesquisador que unir-lhe-á para sempre à Universidade. Primeiro como professor na Faculdade de Ciências da Informação da Universidade Complutense de Madri, depois como Decano Comissário da Universidade Camilo José zela e desde 1999 como Professor Titular Numerario no departamento de arte da prestigiosa Faculdade de Belas Artes da Universidade de Castilla-A Mancha no campus de Cuenca. Durante seus primeiros anos na Universidade, entre 1986 e 1996 mal se lhe ouve cantar em alguns lugares escolhidos e só quando ele o aceita, limitando o aforo a 100 pessoas. Deixa de editar discos ainda que é público que segue compondo e escrevendo canções que se nega a ensinar aos demais. É um tempo no que parece que sua obra olha para seu interior mais que nunca. O mesmo assegura no final dos oitenta: «Eu cante em uma época na que considerava necessário o fazer para dizer certas coisas que de outro modo não tinham a capacidade de ser escutadas pelo grande público, apero isso agora tem menos sentido. Não me sento na obrigação do fazer. A gente tem um acesso cultural e social completo, ademais, quero educar a meus filhos, ver-lhes dormir e levar ao colégio». 
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Será que se converteu definitivamente em um cidadão corrente aquele que um crítico português uma vez definiu como ou homem que canta como um guerreiro? Tinha chegado o momento que o mesmo tinha vaticinado? Dizendo: “O instante em que minha obra se diluirá na gente como sangue mestiza em tanto sangue. A cada vez mais ténue. Feita de todos. Esquecido seu nome”. Talvez não tenha nada mau nessa atitude tão ambiciosa de actividade, o problema reside no facto de que sua obra, uma das mais interessantes e trascendentales da canção de autor em Espanha dos últimos trinta anos fica escondida por trás dessas outras actividades. Quiçá como algum crítico tem apontado, um objectivo procurado pelo mesmo autor a quem o excesso de luz sempre incomodou. No entanto, pode que essa mesma consciência de ver sua obra a salvo dos grandes vaivenes da popularidade é o que lhe empurra a intensificar de novo seu compromisso com a música, isso e o aparecimento de uma nova geração de cantautores, na que alguns deles, mostram seu orgulho de seguir a estela inconfundível da obra de Patxi Andión. O verdadeiro é que sua obra, revisada pela nova geração adquire uma importância incomparável. E reconhece-se-lhe seu empenho em não deixar de reflexionar sobre certas coisas. 
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Em 1999, edita Nunca ninguém, um disco com duas canções inéditas e várias de suas grandes canções revisadas, musical e poeticamente. Grava-as com a Banda de Jazz acústico com a que actuava, acompanhado por grandes instrumentistas que gravam seus próprios discos e não actuam para ninguém, só eles mesmos à frente de suas próprias formações, como Antonio Serrano, Miguel Ángel Chastang ou Guillermo Mc Guill. 
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Parece que é um caminho que lhe anima a seguir e de novo é Portugal onde volta a reaparecer com um concerto multitudinario no Colisseu dois Recreios em Porto. Portugal é um país com o que o cantautor manteve desde sempre uma relação muito especial, seguramente desde seus dois primeiros concertos, frustrados, nos que foi expulso do país pela polícia política portuguesa e como o mesmo tem dito em repetidas ocasiões. “Sacaram-me de Portugal, mas deixaram-me-lhe dentro para sempre”. Patxi fala a língua portuguesa com bastante fluidez e sente-se muito unido à cultura, a história e sobretudo à gente de Portugal
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Patxi nunca esteve atento aos prazos de edição de discos que suas companhias de discos lhe obrigavam por contrato, é lógico, nenhum de seu disco pudesse se ter feito com o nível de exigência que sempre se impôs ele mesmo, em um ou dois anos. Sempre precisou de quatro ou cinco anos para ter as canções precisas. Agora, quando se cumprem 40 anos de seu primeiro registo discográfico Retratos, está a preparar um disco que chamar-se-á Porvenir no que estarão incluídas algumas da treintena de canções composta nos últimos cinco anos. São canções muito elaboradas, cheias de lirismo e compromisso social, alguma delas, sem dúvida, será outro monumento público da canção de autor,

Nasceu em 1947, dizem os papéis que em Madri, ainda que sempre a marcaram seus ancestros bascos. Agora só esporadicamente ‘desempolva’ aquelas velhas canções que em um dia soaram como um mazazo em uma Espanha na que se tinha assumido em menor ou maior grau, e com as lógicas convulsões, a Serrat, a Raimon, a Llach... mas na que custou aceitar a Patxi. E é que ele não lhe procurava tanto como outros o duplo sentido ou a metáfora social a suas canções, nem escondia suas aspirações e frustraciones, nem estas estavam tão longínquas das do homem da rua... Mas fazia-o com uma voz tão sincera, não exenta de um tom de irónica mau leite, que tinha quem pensava que lhe podiam ter censurado até o mismísimo “Avemaría”, do ter gravado com aquele, seu inimitable estilo... 
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“Nasci exactamente faz 21 anos e faz 21 anos que sou basco. Em meu povo tinha uma igreja e oito tabernas. Aos dezassete dias dizem que me trouxeram a Madri; aqui inscreveram-me. Comecei a estudar em Madri em um colégio do que a mim me parecia uma grande cidade. Mal éramos duzentos, parecíamos o elimino educacional de outros colégios. O éramos. Éramos também sinceros, e nos ríamos dos professores. Rompíamos luzes e cabeças, também atirávamos às garotas do cabelo. Mais tarde fumávamos nos serviços. Ali nasceram meus primeiros pensamentos de consciência de classe e meus primeiros ódios”... 
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Actualmente reside em Madri, é Doutor em Sociologia e como Professor Titular Numerario do Departamento de Arte da UCLM, ainda que não muito apreciado por seus alunos quem lhe reconheceram seu trabalho com 6 expedientes disciplinarios, dá classes como de Comunicação audiovisual, Produção, realização e operações artísticas e Produção audiovisual prática na Escola Universitária Politécnica de Cuenca da Universidade de Castilla-A Mancha.

Filmografía

Discografía

Longa duração

  • Retratos. (1969)
  • Onze canções entre paréntesis. (1971)
  • Palavra por palavra. (1972)
  • Possivelmente. (1972)
  • A onde a água. (1973)
  • José María Iparraguirre Patxi Andion'em era. (1973)
  • Como o vento do norte. (1974)
  • O livro de bom amor. (1975)
  • Viagem de ida. (1976)
  • Cancionero proibido. (1978)
  • Arquitectura. (1979)
  • Evita (musical). (1981)
  • Amor primeiro. (1983)
  • O balcón aberto.(1986)
  • Nunca, ninguém. (1998)

Colaborações

Singles

  • Vallekas (1987). É o tema central do filme "A estanquera de Vallecas", foi sacado como um single promocional pela discográfica Dial Discos. Em 1998, no CD "nunca, ninguém" Patxi voltaria a interpretar uma nova versão desta canção que nunca foi editada para o público.

Livros

  • Canções e outras palavras prévias (1980), da editorial Emiliano Escolar.
  • Susan (todo está por viver) (1983), da editorial Nova Politécnica.
  • A virtude do assassino (1998), do editorial Planeta.
  • A caça racional (2003), editado pela Universidade de Castilla-A Mancha

Enlaces externos

Carta aberta de Hans Kung aos bispos de todo o mundo

JERRY LAMPEN/REUTERS
 
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Público 2010.04.24
Hans Kung, antigo colega de Ratzinger na Universidade de Tubingen, onde é professor emérito de Teologia Ecuménica, é uma das vozes mais críticas ao papado de Bento XVI e exige um novo concílio para salvar a Igreja católica. Por Hans Kung


Veneráveis bispos

Joseph Ratzinger, agora Papa Bento XVI, e eu éramos os mais jovens teólogos no Concílio Vaticano II, entre 1962 e 1965. Agora somos os mais velhos, e os únicos que continuam em plena actividade. Sempre entendi o meu trabalho teológico como sendo um serviço à Igreja Católica Romana. Por esta razão, por ocasião do quinto aniversário da eleição do Papa Bento XVI, faço-lhe este apelo em forma de carta aberta. Faço-o motivado pela minha profunda preocupação acerca da nossa Igreja, que se encontra na pior crise de credibilidade desde a Reforma. Desculpe-me ser na forma de carta aberta; infelizmente, não tenho outra forma de o contactar.

Apreciei imenso que o Papa me tenha convidado, a mim que sou abertamente seu crítico, para nos encontrarmos para uma amigável conversa de quatro horas, pouco após ter ascendido ao seu cargo. Este convite acordou em mim a esperança de que o meu antigo colega da Universidade de Tubingen poderia encontrar o seu caminho e promover uma contínua renovação da Igreja e uma aproximação ecuménica dentro do espírito do Concílio Vaticano II.

Infelizmente, as minhas esperanças, e as de tantos homens e mulheres católicos empenhados, não foram cumpridas. E na minha subsequente correspondência com o Papa apontei-lhe muitas vezes este facto. Não há dúvida de que ele desempenha conscienciosamente os seus deveres diários de Papa, e deu-nos três úteis encíclicas sobre fé, esperança e caridade. Mas quando se trata de enfrentar os grandes desafios do nosso tempo, o seu pontificado desperdiçou mais oportunidades do que as aproveitou:

- Perdeu a oportunidade de aproximação às Igrejas protestantes. Em vez disso, tem-lhes sido negado o estatuto de Igrejas no verdadeiro sentido da palavra e, por essa razão, os seus ministros não são reconhecidos e a intercomunhão não é possível.

- Perdeu a oportunidade de uma reconciliação duradoura com os judeus. Em vez disso, o Papa reintroduziu na liturgia uma oração pré-conciliar pela iluminação dos judeus, recebeu de novo em comunhão com a Igreja bispos notoriamente anti-semitas e cismáticos, e está activamente a promover a beatificação do Papa Pio XII, que tem sido acusado de não ter oferecido suficiente protecção aos judeus na Alemanha nazi.

A verdade é que Bento vê no judaísmo apenas a raiz histórica do cristianismo; não a toma a sério como uma comunidade religiosa que continua a oferecer o seu próprio caminho em direcção à salvação. A recente comparação entre as actuais críticas que o Papa enfrenta e as campanhas de ódio anti-semita - feita pelo reverendo Raniero Cantalamessa durante uma cerimónia religiosa oficial na sexta-feira de Páscoa no Vaticano - desencadeou uma tempestade de indignação no seio de judeus um pouco por todo o mundo.

- Perdeu a oportunidade de dialogar com os muçulmanos numa atmosfera de respeito mútuo. Em vez disso, na sua impensada mas sintomática palestra de 2006 em Regensburg, Bento caricaturizou o islão como uma religião de violência e desumanidade, assim atraindo a continuação da desconfiança muçulmana.

- Perdeu a oportunidade de reconciliação com os povos indígenas colonizados da América Latina. Em vez disso, o Papa afirmou com toda a seriedade que eles estavam "à espera e desejosos" da religião dos seus conquistadores europeus.

- Perdeu a oportunidade de ajudar o povo africano, não permitindo o controlo de natalidade para combater o excesso de população, nem os preservativos para combater a propagação da sida.

- Perdeu a oportunidade de fazer as pazes com ciência moderna, não reconhecendo claramente a teoria da evolução, nem aceitando as investigações de células estaminais.

- Perdeu a oportunidade de fazer do espírito do Concílio Vaticano II a bússola para toda a Igreja Católica, incluindo o próprio Vaticano, e assim promover as necessárias reformas no interior da Igreja.

Este último ponto, respeitáveis bispos, é o mais importante de todos. Vezes sem conta, este Papa acrescentou qualificações aos textos conciliares e interpretou-os de forma contrária ao espírito dos pais da assembleia. Vezes sem conta, tomou expressamente posições contra o Concílio Ecuménico, que, de acordo com a lei canónica, representa a mais alta autoridade na Igreja Católica:

- Recebeu de regresso à Igreja, sem quaisquer condições, os bispos da tradicionalista Sociedade Pio X - bispos que foram ilegalmente consagrados fora da Igreja Católica e que rejeitam os pontos centrais do Concílio Vaticano II (incluindo a reforma litúrgica, a liberdade religiosa e a aproximação ao judaísmo).

- Promove por todos os meios a medieval massa tridentina e ocasionalmente celebra a eucaristia em latim de costas para a congregação.

- Recusa colocar em prática a aproximação à Igreja Anglicana, que foi inscrita em documentos ecuménicos oficiais pela Comissão Internacional Anglicana-Católica Romana, e em vez disso tem tentado atrair à Igreja Católica Romana clérigos anglicanos casados, libertando-os da mesma regra de celibato que tem forçado dezenas de milhares de padres católicos romanos a abandonarem os seus lugares.

- Tem activamente reforçado as correntes anticonciliares na Igreja, nomeando elementos reaccionários para lugares-chaves na Cúria (incluindo a Secretaria de Estado e posições na comissão litúrgica) e nomeando bispos reaccionários em todo o mundo.

O Papa Bento XVI parece estar cada vez mais afastado da grande maioria dos membros da Igreja, que cada vez têm menos consideração por Roma e, na melhor das hipóteses, apenas se identificam com a sua paróquia e o seu bispo.

Sei que muitos de vós estais sentidos com esta situação. Na sua política anticonciliar, o Papa recebe o apoio total da Cúria Romana. A Cúria faz todos os esforços para rebater as críticas ao episcopado e à Igreja como um todo e para desacreditar os críticos com todos os meios ao seu dispor. Com o regresso à pompa e ao espectáculo a agarrar a atenção dos meios de comunicação social, as forças reaccionárias em Roma têm tentado mostrar-se perante nós como uma Igreja forte chefiada por um "vigário de Cristo" absolutista que junta apenas nas suas mãos os poderes legislativo, executivo e judicial da Igreja. Mas a política de restauração de Bento XVI falhou. Todas as suas espectaculares aparições, viagens de exibição e declarações públicas falharam, não influenciando as opiniões da maioria dos católicos em assuntos controversos. Isto é especialmente verdade no tocante a matérias de moral sexual. Até os encontros papais com a juventude, aos quais vão especialmente os grupos conservadores carismáticos, não têm conseguido parar a contínua perda daqueles que abandonam a Igreja, nem têm conseguido atrair mais vocações para o sacerdócio.

Vós os bispos, em particular, tendes razões para estar muito pesarosos. Dezenas de milhares de padres têm abandonado o sacerdócio desde o Concílio Vaticano II, a maior parte devido à regra do celibato. Vocações para o sacerdócio, mas também para as ordens religiosas, irmandades e fraternidades laicas estão em baixa - não apenas quantitativamente mas também qualitativamente. Resignação e frustração estão a espalhar-se rapidamente, tanto entre o clero como entre os laicos activos. Muitos sentem que foram abandonados com as suas necessidades pessoais, e muitos estão profundamente preocupados com o estado da Igreja. Em muitas das vossas dioceses passa-se o mesmo: cada vez mais igrejas vazias, seminários vazios e residências paroquiais vazias. Em muitos países, devido à falta de padres, mais e mais paróquias estão a fundir-se, muitas vezes contra a vontade dos seus membros, em cada vez maiores "unidades pastorais", nas quais se exige de mais aos poucos sacerdotes sobreviventes. Isto é uma reforma de Igreja mais fingida do que real!

E agora, para além de todas estas crises, chega um escândalo de bradar aos céus - a revelação do abuso por parte de clérigos de milhares de crianças e adolescentes, primeiro nos Estados Unidos, depois na Irlanda, e agora na Alemanha e noutros países. E para piorar a situação, a maneira como estes casos têm sido tratados tem levado a uma crise de liderança sem precedentes e a um colapso na confiança na liderança da Igreja.

Não se pode negar o facto de que o esquema a nível mundial de cobertura de casos de crimes sexuais cometidos por clérigos foi idealizado pela Congregação para a Doutrina da Fé sob a direcção do cardeal Ratzinger (1981-2005). Durante o reinado do Papa João Paulo II, essa congregação já tinha tomado conta de todos esses casos, debaixo de juramento do mais estrito silêncio. O próprio Ratzinger, a 18 de Maio de 2001, enviou a todos os bispos um documento solene em que tratava de crimes severos (epistula de delictis gravioribus, no qual os casos de abuso eram selados sob o secretum pontificium), cuja violação poderia originar graves penalidades eclesiásticas. Assim, muitas pessoas, e com razão, esperaram um mea culpa pessoal da parte do antigo prefeito e actual Papa. Em vez disso, o Papa desperdiçou a oportunidade dada pela Semana Santa: no Domingo de Páscoa, teve a sua inocência proclamada urbi et orbi pelo reitor do Colégio Cardinalício.

As consequências de todos estes escândalos para a reputação da Igreja Católica são desastrosas. Importantes líderes religiosos já o admitiram. Numerosos pastores e educadores inocentes e empenhados estão a sofrer debaixo do estigma de suspeição que agora cobre a Igreja. Vós, reverendos bispos, deveis enfrentar a questão: o que acontecerá à nossa Igreja e à vossa diocese no futuro? Não é minha intenção esboçar um novo programa de reforma da Igreja. Isso já o fiz mais do que o suficiente, tanto antes como depois do concílio. Em vez disso, quero somente deixar à vossa consideração seis propostas que estou convencido que serão apoiadas por milhões de católicos que não têm voz activa na actual situação.

1.

Não vos mantenhais silenciosos. Ao ficardes em silêncio em face de tantas e tão sérias queixas, sujai-vos a vós próprios com culpa. Quando sentirdes que determinadas leis, directivas e medidas são contraprodutivas, deveis dizê-lo em público. Enviai a Roma não declarações da vossa devoção, mas sim pedidos de reformas!

2.

Definai reformas. Demasiados elementos na Igreja e no episcopado queixam-se sobre Roma, mas eles próprios não fazem nada. Quando as pessoas já não vão à igreja numa diocese, quando o padre pouco consegue, quando o público é mantido na ignorância acerca das necessidades do mundo, quando a cooperação ecuménica é reduzida ao mínimo, então a culpa não pode apenas ser atirada para cima de Roma. Bispos, padres, leigos ou leigas - todos podem fazer algo pela renovação da Igreja, dentro das suas esferas de influência, sejam estas grandes ou pequenas. Muitas das grandes realizações que foram conseguidas nas paróquias e na Igreja em geral devem a sua origem à iniciativa de um indivíduo ou de um pequeno grupo. Como bispos, deveis apoiar iniciativas deste género e, especialmente dada a presente situação, deveis responder às justas queixas dos fiéis.

3.

Aji de forma colegial. Após um aceso debate e contra a persistente oposição da Cúria, o Concílio Vaticano II decretou a colegialidade do Papa e dos bispos. Fê-lo no sentido dos Actos dos Apóstolos, nos quais Pedro não actuava sozinho sem a assembleia dos apóstolos. Mas na era pós-conciliar o Papa e a Cúria têm ignorado este decreto. Apenas dois anos após o concílio, o Papa Paulo VI publicou uma encíclica defendendo a controversa lei do celibato sem efectuar qualquer consulta aos bispos. Desde então, as políticas papais e o magistério papal têm continuado a desenvolver-se na antiga forma, não colegial. Mesmo em questões litúrgicas, o Papa reina como um autocrata acima de e contra os bispos. Não se importa de os ter à sua volta, desde que não sejam mais do que figurantes sem voz ou direito de voto. É por isto, veneráveis bispos, que não deveis agir apenas por vós, mas também em comunidade com os outros bispos, os padres e os homens e mulheres que compõem a Igreja.

4.

Obediência incondicional é devida apenas a Deus. Apesar de na vossa consagração episcopal terem tido que efectuar um juramento de obediência incondicional ao Papa, sabeis que tal obediência incondicional nunca pode ser dirigida a qualquer autoridade humana, apenas pode ser dada a Deus. Por esta razão, não deveis sentir que o vosso juramento vos impede de dizer a verdade acerca da actual crise que enfrenta a Igreja, a vossa diocese e o vosso país. O vosso modelo deve ser o apóstolo Paulo, que se atreveu a opor-se a Pedro "na sua presença, pois ele estava manifestamente errado" (Carta aos Gálatas, 2:11)! Pressionar as autoridades romanas dentro do espírito de fraternidade cristã pode ser admissível e mesmo necessário quando elas não conseguem estar à altura do espírito do Evangelho e da sua missão. O uso das línguas vernáculas na liturgia, as mudanças nos regulamentos que regem os casamentos entre pessoas de diferentes religiões, a afirmação da tolerância, da democracia e dos direitos humanos, a abertura a uma aproximação ecuménica, e muitas outras reformas do Vaticano II apenas foram alcançadas devido à tenaz pressão vinda de baixo.

5.

Trabalhai em prol de soluções regionais. O Vaticano tem frequentemente feito orelhas moucas aos bens fundamentados pedidos do episcopado, dos padres e dos leigos, o que é mais uma razão para se procurar soluções regionais sensatas. Como muito bem sabeis, a regra do celibato, herdada da Idade Média, representa um problema particularmente delicado. No contexto do actual escândalo de abuso por parte de clérigos, a prática tem sido cada vez mais posta em causa. Contra a vontade expressa de Roma, uma mudança dificilmente será possível - mas tal não é razão para resignação passiva. Quando um padre, após uma matura consideração, deseja casar-se, não há razão para que automaticamente se demita do seu lugar, se o seu bispo e a sua paróquia decidirem continuar a apoiá-lo. Diferentes conferências episcopais poderiam dar o exemplo com soluções regionais. No entanto, seria melhor procurar uma solução para toda a Igreja. Assim:

6.

Pedi um concílio. Tal como a obtenção de reforma litúrgica, liberdade religiosa, ecumenismo e diálogo inter-religioso exigiu um concílio ecuménico, também agora é necessário um concílio para resolver os problemas que se avolumam dramaticamente e que clamam por uma reforma. No século anterior à Reforma, o Concílio de Constança decretou que os concílios se deveriam realizar a cada cinco anos, mas a Cúria Romana conseguiu contornar esta regra. É perfeitamente claro que a Cúria Romana, temendo limitações ao seu poder, fará tudo o que estiver ao seu alcance para evitar que um concílio se reúna nas presentes condições. É por isso que está nas vossas mãos fazer pressão para a convocação de um concílio, ou pelo menos uma assembleia de bispos representativa.

Com a Igreja em profunda crise, este é o meu apelo a vós, veneráveis bispos. Ponde a funcionar a autoridade episcopal que foi reafirmada pelo Concílio Vaticano II. Nesta situação de emergência, os olhos do mundo viram-se para vós. Inúmeras pessoas já perderam a confiança na Igreja Católica. Apenas reconhecendo aberta e honestamente estes problemas e resolutamente efectivando as necessárias reformas pode a sua confiança ser recuperada. Com o devido respeito, peço-vos que façais a vossa parte - juntamente com os vossos irmãos bispos, na medida do possível, mas também sozinhos se tal for necessário - com "intrepidez" apostólica (Actos dos Apóstolos, 4:29, 31). Dai aos vossos fiéis sinais de esperança e encorajamento, e dai à nossa Igreja uma perspectiva de futuro.

Com calorosas saudações

em comunidade de fé cristã

Vosso, Hans Kung


Exclusivo PÚBLICO/The New York Times. Tradução de Eurico Monchique
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