quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Ay flores de verde piño - D. Dinis

 

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Encosta do Casteo de Palmela  (Foto Victor Nogueira)
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jonesfeira | 15 de Junho de 2010 | 2 utilizadores que gostaram deste vídeo, 0 utilizadores que não gostaram deste vídeo
não existe nenhuma descrição disponível
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Ai, flores, ai, flores do verde pino

--- Ai, flores, ai, flores do verde pino,
se sabedes novas do meu amigo?
           Ai, Deus, e u é?

Ai, flores, ai, flores do verde ramo,
se sabedes novas do meu amado?
           Ai, Deus, e u é?

Se sabedes novas do meu amigo,
aquel que mentiu do que pôs comigo?
           Ai, Deus, e u é?

Se sabedes novas do meu amado,
aquel que mentiu do que mi à jurado?
           Ai, Deus, e u é?

--- Vós me preguntades polo vosso amigo?
E eu ben vos digo que é sano e vivo.
           Ai, Deus, e u é?

Vós me preguntades polo vosso amado?
E eu ben vos digo que é vivo e sano.
           Ai, Deus, e u é?

E eu ben vos digo que é sano e vivo
e seerá vosco ante o prazo saido.
           Ai, Deus, e u é?

E eu ben vos digo que é vivo e sano
e seerá vosco ante o prazo passado.
           Ai, Deus, e u é?

                              El-Rei D. Dinis 
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http://users.isr.ist.utl.pt/~cfb/VdS/v112.txt
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CANTIGA DE AMIGO COITA DE AMOR
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* Victor Nogueira



Que novas, Senhor, de nós me dais
Que tão apartado e desencontrado
……………………………………de mim andais?
Ah! Em vós está meu pensar
……………Ay e hu é?
Quando descoloridos ao madrugar
meus lábios por vós chamam
meu amigo, meu amor!
Ay e hu é?
Onde morais, Senhor, e
……………..que é de vosso nome?
……………..Ay e hu é?
Moro onde me leva o vento, nas asas de uma cegonha.
Quem tal viu, Senhor, o vento numa cegonha?
E o vosso nome, quem o sabe, meu Senhor de mim?
É sem nome meu nome, inté que o achareis por fim!
Ay e hu é?
Que novas me dais,     Senhor,
Que tão velho é nosso pen (s) ar?
Que novas me dais, Senhora?
Que novas               Senhor?
QUE NOVAS?
QUE NOVAS?
Que novas?
Que novas?
……………Ay ual, flor de verde piño






Ay e hu é? - ai, onde está?
Ay, ual - ai, valei-me
coita - mortificação, pena, mágoa

1986.05.12 
Setúbal
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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

A poesia de Nicolau Tolentino

Frontispício de uma peça de teatro "de cordel" de Tolentino
 
Chaves na mão, melena desgrenhada


Chaves na mão, melena desgrenhada,
Batendo o pé na casa, a mãe ordena
Que o furtado colchão, fofo e de pena,
A filha o ponha ali ou a criada.

A filha, moça esbelta e aperaltada,
Lhe diz coa doce voz que o ar serena:
- «Sumiu-se-lhe um colchão? É forte pena;
Olhe não fique a casa arruinada...»

- «Tu respondes assim? Tu zombas disto?
Tu cuidas que, por ter pai embarcado,
Já a mãe não tem mãos?» E, dizendo isto,

Arremete-lhe à cara e ao penteado.
Eis senão quando (caso nunca visto!)
Sai-lhe o colchão de dentro do toucado!...

Nicolau Tolentino


Porto de Abrigo
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Sep10

A Dois Velhos Jogando o Gamão - Nicolau Tolentino


Em escura botica encantoados,
Ao som de grossa chuva que caía,
Passavam de Janeiro um triste dia
Dois gingas no gamão encarniçados.

Corra, vizinho, corra-me esses dados,
Gritava um deles, que nem bóia via;
De sangue frio o outro lhe dizia
Mil anexins naquele jogo usados.

Dez vezes falha o mísero antiquário,
E ardendo em fúria o trémulo velhinho,
Atira c'uma tábula ao contrário:

O mal seguro golpe erra o caminho,
Quebra a melhor garrafa ao boticário
Que foi só quem perdeu no tal joguinho.
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Jun23

DEITANDO UM CAVALO À MARGEM

Vai, mísero cavalo lazarento,
Pastar longas campinas livremente;
Não percas tempo, enquanto to consente
De magros cães faminto ajuntamento.

Esta sela, teu único ornamento,
Para sinal de minha dor veemente,
De torto prego ficará pendente,
Despojo inútil do inconstante vento.

Morre em paz; que, em havendo algum dinheiro,
Hei de mandar, em honra de teu nome,
Abrir em negra terra este letreiro:

— "Aqui, piedoso entulho os ossos come
Do mais fiel, mais rápido sendeiro,
Que fora eterno a não morrer de fome"

Nicolau Tolentino (n. 10 Set 1740 m. 23 Jun 1811)
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Nicolau Tolentino

A carnal tentação desenfreada
Que ao sangue quente alta justiça pede,
Fez com que eu, embrulhando-me na rede
Subisse de uma puta a infame escada.
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Ligeiras pulgas saltam de emboscada
Fartando em mim de sangue humano a sede;
Arde a vela pregada na parede,
Já de antigos morrões afogueada.
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Saiu da alcova a desgrenhada fúria
Respirando venal sensualidade,
Vil desalinho, sórdida penúria:
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Muito pode a pobreza e a porquidade;
Abati as bandeiras à luxúria
Jurei no altar de Vénus castidade.
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Excerto
A carnal tentação desenfreada,
Que ao sangue quente alta justiça pede,
Fez com que eu, embrulhando-me na rede,
Subisse de uma puta a infame escada. Ligeiras pulgas saltam de emboscada
Fartando em mim de sangue humano a sede;
Arde a vela pregada na parede,
Já de antigos morrões afogueada.
Sai da alcova a desgrenhada fúria
Respirando venal sensualidade,
Vil desalinho, sórdida penúria.
Muito pode a pobreza, e a porquidade!
Abati as bandeiras à luxúria,
Jurei no altar de Vénus castidade.
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http://www.wook.pt/ficha/obras-completas-de-nicolau-tolentino-de-almeida/a/id/1457673
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Obras poeticas de Nicoláo Toletino de Almeida - Resultado da pesquisa de livros do Google


Blackletter G.svg Obras de Nicolau Tolentino de Almeida no Project Gutenberg USA
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Nicolau Tolentino de Almeida (n. em Lisboa a 10 Set. 1740; m. em Lisboa a 23 Jun de 1811)
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Nicolau Tolentino de Almeida (1722 - 1804)

Nasceu em Lisboa em 1722, morreu em Lisboa em 1804.
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Filho de um Advogado da Casa da Suplicação, em Lisboa. Frequentou largos anos a Faculdade de Leis da Universidade de Coimbra (1760-69). Em 1767, com o curso ainda inacabado (e não se sabe se chegou a completá-lo ), obtém carta de professor régio de Retórica e de Poética. Depressa, no entanto, se reconhece pouco fadado para o ensino; procura então, por vários meios, que vão da súplica à lisonja, do auto-empequenecimento à provocação da piedade, transitar para a carreira burocrática; disto mesmo se encontra larga matéria nos seus versos.
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Em 1780, consegue enfim ser nomeado oficial praticante, sem vencimento, da Secretaria de Estado dos Negócios do Reino; e três anos depois ascende a Oficial Ordinário da mesma Secretaria.
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Numa publicação anual da tipografia Rollandiana é que aparecem, entre 1779 e 1783, impressas pela primeira vez, ainda que anónimamente, composições do poeta.
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Todavia só em 1801 reunirá ele, em dois pequenos tomos, as suas Obras Poéticas.
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A obra de Nicolau Tolentino é fundamentalmente constituída por sonetos, odes, memoriais e sátiras. Estes últimos lhe granjearam a celebridade, a ponto de ele hoje representar, na historia literária portuguesa, quase por antonomásia, o papel de “ o satírico”
In: J. Prado Coelho - Dicionário de Literatura
Editora Figueirinhas - 1978
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http://www.inforarte.com/cantando1/docs/NicolauTolentinoAlmeida.htm  
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.Poeta satírico português, natural de Lisboa. Estudou direito em Coimbra durante vários anos e, em 1767, tornou-se professor de retórica e de poética. Em 1780, ocupou um cargo de funcionário da secretaria de estado dos Negócios do Reino.
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A obra de Tolentino de Almeida abarca sonetos, odes, memoriais e sátiras, entre outros géneros; apenas em 1801 o poeta reuniu os seus textos em volume, com o nome de Obras Poéticas. Após a sua morte, surgiram algumas edições mais completas da sua obra, incluindo textos até então inéditos.
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A sátira de Tolentino, que o tornou particularmente conhecido e o distinguiu dos poetas seus contemporâneos (não pertenceu, aliás, a nenhum dos grupos literários arcádicos), dirige-se à mesquinhez dos costumes, à pelintrice das aparências, à insensatez de certos grupos sociais e comportamentos, num humor pitoresco e irónico. O próprio poeta se inclui entre os cúmplices dessa mediocridade, assumindo a sua pequenez resignada — alguns dos seus poemas são homenagens a grandes figuras da época, de cuja protecção e auxílio necessitava. Tolentino apresenta-se como vivendo na miséria, e assume-se, ele próprio, consciente e ironicamente, personagem da comédia humana que caricatura.
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Do ponto de vista estilístico, a obra do poeta caracteriza-se pela sua simplicidade, longe da grandiloquência e das métricas próprias dos poetas neoclássicos. O seu verso aproxima-se das formas populares, e o seu tom da coloquialidade, o que contribui para os efeitos de denúncia de vícios corriqueiros, de episódios quotidianos.
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É considerado por muitos um dos grandes vultos literários do século XVIII português e um dos maiores satíricos nacionais

http://www.astormentas.com/din/biografia.asp?autor=Nicolau+Tolentino
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terça-feira, 23 de novembro de 2010

Gonçalo M. Tavares recebe Prémio do Melhor Livro Estrangeiro publicado em França

Literatura

22.11.2010 - 20:06 Por Alexandra Prado Coelho
É uma "grande honra" ter o nome "numa lista de vencedores que inclui grandes nomes da literatura e livros míticos", disse ontem Gonçalo M. Tavares, numa breve conversa telefónica com o PÚBLICO, pouco depois de terminar a cerimónia em que recebeu o Prémio do Melhor Livro Estrangeiro publicado em França em 2010 pelo seu livro Aprender a Rezar na Era da Técnica, editado em Portugal pela Caminho.
Gonçalo M. Tavares  
Gonçalo M. Tavares  (Nuno Ferreira Santos)



E quando fala em "grandes nomes da literatura e livros míticos", Gonçalo M. Tavares não está a exagerar: o prémio, criado em 1948 por Robert Carlier e André Bay e patrocinado pelo hotel parisiense Regency Madeleine, distinguiu obras como O Homem Sem Qualidades (1958), de Robert Musil, ou Cem Anos de Solidão (1969), de Gabriel Garcia Marquez, e outros autores como Kawabata, Soljenitsin, Guillermo Cabrera Infante, John Updike, Adolfo Bioy Casares, Mario Vargas Llosa, Günter Grass, Salman Rushdie, Orhan Pamuk ou Philip Roth. Até hoje só outro autor português venceu este prémio: António Lobo Antunes.

Trata-se de um prémio com "uma história invulgar de qualidade" e Gonçalo M. Tavares quer dedicá-lo à literatura de língua portuguesa. "É bom este tipo de prémios, com este prestígio, de vez em quando pararem na língua portuguesa", diz. E se isso acontece, sublinha, "tem muito a ver com a qualidade da literatura de língua portuguesa".

Aprender a Rezar na Era da Técnica (quarto romance da série O Reino, depois de Um Homem: Klaus Klump, A Máquina de Joseph Walser e Jerusalém) é o sétimo livro do escritor editado em França, onde tem sido "recebido com muito entusiasmo", conta. E isso é particularmente importante porque França "é um país onde se traduz muito e com muita qualidade".

Antes de conquistar o Prémio do Melhor Livro Estrangeiro, o mesmo livro fora já finalista de outros dois prémios literários de grande prestígio, o Femina e o Médicis.

Sendo "um dos romances mais densos" que escreveu, o livro, que foi traduzido para o francês por Dominique Nédellec, "tem tido um percurso muito interessante" também noutros países, nomeadamente o Brasil.

O júri que decidiu atribuir-lhe o prémio é composto por André Bay, Daniel Arsand (responsável pela literatura estrangeira nas Éditions Phebus et Auteur), Manuel Carcassonne (director editorial das Éditions Grasset), Gérard de Cortanze (escritor e editor da Gallimard), Nathalie Crom (responsável pelas páginas de literatura da Telerama), Solange Fasquelle (escritora e membro do júri do prémio Femina), Anne Freyer (editora de literatura estrangeira da Seuil), Christine Jordis (escritora e editora da Gallimard, também membro do júri do Femina), Jean-Claude Lebrun (do L"Humanité), Joseph Mace-Scaron (director do Magazine Littéraire), Ivan Nabokov (editor da Plon), Joel Schmidt (escritor) e Laurent Ebzant (director-geral do Hyatt Regency Paris -Madeleine).

Notícia substituída às 13h21 de 23 de Novembro
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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Jerusalém - Mia Couto

HÁ SEMPRE UM LIVRO...à nossa espera!

Blog sobre todos os livros que eu conseguir ler! Aqui, podem procurar um livro, ler a minha opinião ou, se quiserem, deixar apenas a vossa opinião sobre algum destes livros que já tenham lido. Podem, simplesmente, sugerir um livro para que eu o leia! Fico à espera das V. sugestões e comentários! Agradeço a V. estimada visita. Boas leituras!

 

 

Monday, October 25, 2010

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Jesusalém é um lugar fora do mundo, do qual, segundo o autor, até mesmo Deus se teria esquecido de passar, nas suas andanças pelo mundo.
É o lugar do esquecimento, da culpa e do remorso. Jesusalém é a história do desamor, como explica, de forma críptica, a epígrafe de Herman Hesse que introduz a obra:
Toda a história do mundo não é mais do que um livro de viagens reflectindo o mais violento e mais cego dos desejos humanos: o desejo de esquecer.
Mais uma vez, a temática da condição feminina tem um peso muito forte na obra de Mia Couto. Desta vez, quem lhe dá a voz são duas heroínas. Marta, a portuguesa de cabelos lisos, chegada de Lisboa à procura do marido, que acaba por se instalar em Jesusalém sob o pretexto de fotografar a fauna local – as garças. Marta é a fotógrafa da beleza e da graça, no voo da garça, mas no seu estado de liberdade absoluta, selvagem. Do lado africano temos Noci, uma lindíssima mulata que se vai libertando, progressivamente, do jugo económico a que é submetida através de uma ligação sexual com o patrão.
As sociedades patriarcais colocam fortes entraves à autonomia feminina. O caso da região onde decorre a história de Jesusalém não é excepção.
O narrador de Jesusalém é o filho mais novo de Silvestre Vitalício, Mwanito, cujo papel é o de desvendar uma belíssima e trágica história de amor e ciúme, servindo-se de um discurso nostálgico e ândido, típico da prosa poética de Mia Couto. Uma narrativa entrelaçada com os dramas emocionais das pessoas próximas do quotidiano de Mwanito.
Na primeira parte, o jovem fala exclusivamente do pequeno mundo onde habitou até aos onze anos, no qual acreditava estar contida a humanidade inteira – uma espécie de Jardim do Éden onde, tal como no livro do Génesis, existe uma fonte de conhecimento que está vedada às mentes simples: o fruto proibido pelo qual os jovens sentem uma fome absoluta.
Mia Couto explora cada personagem num capítulo que lhes é dedicado, onde são desenvolvidas cada qualper si mas, simultaneamente, em relação com as demais, criando assim uma teia de atracções e repulsões. Através da voz de silêncio de Mwanito, cujo poder de observação é canalizado para a escrita e processado por uma voz interior, permanentemente activa, que explora e regista atitudes, gestos, expressões, timbres e tonalidades vocais. As emoções estão por detrás de cada cambiante facial ou vocal em todas as personagens, desde o Pai até à jumenta Jezibela.
O Livro II, intitulado “A Visita”, é o ponto de viragem na trama, afectando não só o quotidiano do narrador mas o de todos os habitantes de Jesusalém: a entrada de Marta em cena surge como um vendaval que desencadeia uma enorme inquietação, sobretudo em Silvestre, e fortes emoções em Mwanito e em Ntunzi, o irmão mais velho. Nenhum ser naquela localidade fica indiferente à presença da estrangeira e nada mais será igual ao que era antes. Por esse motivo, a hostilidade de Silvestre causa graves momentos de tensão, sobretudo nos últimos capítulos deste Livro II.
O conceito de mulher causava já, antes da chegada da jovem vinda de Portugal, uma forte inquietação nos filhos de Silvestre. Sobretudo no mais jovem, a quem descreviam uma mulher quase como uma caricatura, uma figura burlesca, uma paródia à feminilidade.
Ao poisar pela primeira vez o olhar em Marta, Mwanito sente-se deslumbrado pela sua beleza serena, revestida de uma certa aura de melancolia. Durante algum tempo, Marta será um sucedâneo de uma figura maternal para ambos os jovens, ao passo que, para a exacerbada imaginação de Ntunzi, Marta seria a protagonista de outro género de fantasias.
A curiosidade de Mwanito em relação a Marta e ao seu passado leva-o, também, a explorar os seus pertences: objectos pessoais, cartas e uma espécie de diário.
Mwanito é um jovem com capacidades cognitivas extraordinárias: aprende a ler praticamente sozinho, às escondidas do pai, ajudado apenas pelo irmão e Zaccaria Kalash, que lhe fornecem a pedagogia (rudimentar) e os meios materiais (mais do que escassos), como papel e lápis. Desta forma, e com muita persistência, acaba por conseguir decifrar a escrita de Marta e mergulhar quer no passado quer na alma da misteriosa e solitária mulher.
A primeira referência a Noci aparece em casa de Marta, em Lisboa, associada ao desaparecimento do marido desta, facto que é referido nas cartas encontradas por Mwanito. A bela moçambicana é o elo de ligação entre as personagens de ambos os continentes e é também a responsável indirecta pela presença de Marta em Moçambique. Noci ocupa um papel decisivo na trama, sendo a peça-chave da sua conclusão: ela é o catalizador, a mola que acciona o mecanismo detonador da mudança que Marta ajudará a implementar.
Outra figura feminina central no romance, que se faz notar pela ausência, é Dordalma, mulher de Silvestre Vitalício e mãe dos dois jovens, por ser aquela que mais fortemente está enraizada no pensamento de todos. Dordalma é como a árvore do conhecimento no paraíso à qual é proibido aceder. É a vítima de uma sociedade que considera a mulher propriedade do homem, seja ele pai, marido ou amante – excepto se for velha, louca ou bruxa. A tentativa da libertação de um vínculo que a faz infeliz e a diminui como mulher ou ser humano atrai inevitavelmente a fatalidade.
Apesar de Dordalma estar ausente de Jesusalém, a sua lembrança é constante no pensamento de todos. Aqueles que a querem lembrar e os que desejam esquecê-la. Dordalma é uma presença viva dentro de cada habitante.
Há, também, uma forte ligação ao mundo vegetal nas estórias de Mia Couto, sejam elas em forma de conto, poesia ou romance. Jesusalém não é excepção. Para o autor moçambicano, as árvores e as plantas são testemunhas dos acontecimentos e encerram em si muitas histórias. E em Jesusalém há uma árvore que é fundamental, pois é ela quem está na posse do segredo que Silvestre deseja ocultar: a dor de Dordalma e as suas causas.
A construção da história obedece ao modelo freudiano de estruturação da consciência. Na primeira parte é-nos apresentado o super ego de Mwanito e Ntunzi, isto é, o sistema de regras no qual foram educados e o pequeno mundo em que Silvestre, o pai, se torna o ditador Vitalício.
Na segunda parte, surge Marta a desempenhar o papel de porteiro ou mensageiro – O Ego – e a trazer a noção de que existe um mundo escondido por debaixo daquele que Vitalício apresenta aos filhos. E que é necessário fazer a ponte entre ambos – o mundo conhecido – a Jesusalém de Vitalício – e o desconhecido.
A terceira parte é o mergulho no passado recalcado por Silvestre e a abertura para o mundo exterior. Jesusalém e o seu sistema repressivo e opressivo de regras e contradições desmorona-se para dar lugar a outra forma de estar: a interacção com o exterior.
O inconsciente é usado para guardar aquilo que incomoda, segredos tumultuosos que acabam por vir à superfície como a lava de um vulcão que explode, aparentemente sem aviso prévio.
Jesusalém é uma obra onde estão presentes os contrastes. Onde a rudeza da alma anda, por vezes, de mãos dadas com o sublime, temperada pela presença angélica de figuras femininas, incluindo a jumenta Jezibela, que por vezes tanto tem de humano.
por Cláudia de Sousa Dias (Publicado no site Orgia Literária a 15 de Outubro)

posted by Claudia Sousa Dias | 12:42 PM 
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domingo, 21 de novembro de 2010

Book - Compacto, portátil e auto-suficiente


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Cai0MGA | 21 de Abril de 2010 | 188 utilizadores que gostaram deste vídeo, 1 utilizadores que não gostaram deste vídeo
Um produto revolucionário
Twitter: http://www.twitter.com/CaioMGA
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Vídeo Original: http://www.youtube.com/watch?v=iwPj0q...

Legendas: Caio Marchi

http://www.seguindoobode.com/

Entre no link acima para mais conteúdo.

UPDATE: Adaptado do Texto High Tech de Millôr Fernandes, vulgo fodão.
Neste arquivo vc encontra o texto originalíssimo: http://www.escolabr.com/virtual/crte/...
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Não contem com o fim do livro, uma conversa com Umberto Eco



Digestivo nº 468 >>> Não contem com o fim do livro, uma conversa com Umberto Eco Entre os livros que discutem, justamente, o "fim do livro", o melhor, em português, até agora, tem sido Não contem com o fim do livro (Record, 2010), transcrevendo conversações entre Umberto Eco e Jean-Claude Carrière, que trabalhou com Luis Buñuel e Peter Brook. A presença do semiólogo e autor de O Nome da Rosa (1980) e O Pêndulo de Foucault (1988) se justifica, afinal, Eco tem sido um dos principais eruditos a discutir o fenômeno da internet desde o início. Já Carrière, embora homem de teatro e de cinema, tem uma bagagem literária invejável e, ao contrário do que poderia parecer, não defende a "civilização de imagens" preconizada por McLuhan. Fora que o título do volume, ainda que chame a atenção nas livrarias, não corresponde ao seu conteúdo com precisão. Contrariando, mais uma vez, as expectativas, não se trata de um libelo contra os novos "leitores eletrônicos", da Amazon e da Apple, nem mesmo de uma visão apocalíptica sobre a ascensão do Google, ou mesmo de um ataque à suposta "literatura" (ou ao suposto "jornalismo") praticado em blogs. Não contem com o fim do livro, à maneira de Borges, faz uma belíssima defesa da leitura, da cultura e da civilização, abordando o livro como objeto, mas também com conceito e como ferramenta humana, imperecível, na visão de Eco. Séculos ou até milênios de História desfilam nas conversas entre Carrière e o semiólogo, num nível que a própria discussão, avançadíssima, sobre os formatos eletrônicos para leitura, nos EUA, ainda não alcançou. É o velho continente – e, não, o novo – discutindo o que os suportes digitais significam para o Homem, no sentido mais amplo, e, não, para os jornalistas, escritores ou publishers. Talvez as elucubrações de Eco e Carrière não alterem em nada o curso da tecnologia, mas sua perspectiva é fundamental em termos humanísticos. Não contem com o fim do livro deve, portanto, ser lido tanto por quem ama os livros quanto por quem já se acostumou à ideia do desaparecimento do objeto físico "livro". [3 Comentário(s)]



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Sinopse

Umberto Eco e Jean Claude-Carrière, apresentam uma discussão sobre a história e o futuro dos livros. Ao percorrerem cinco mil anos de existência dos impressos, os autores defendem a imortalidade do objeto como o conhecemos, apesar dos e-readers e da internet.
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 Sobre o autor:



ECO, UMBERTO
Nascido em Alexandria, Umberto Eco fez Doutorado na Universidade de Turim aos 22 anos. É conhecido como semiólogo, crítico literário e novelista, e obteve fama internacional com o livro ''O Nome da Rosa''. Ampliou o uso da semiótica até a ficção, combinando vários gêneros, teoria literária, estudos medievais e exegese bíblica. É autor de vários livros.

CARRIERE, JEAN-CLAUDE
Jean-Claude Carrière nasceu em Colombières-sur-Orb, na França, em 1931. Publicou seu primeiro romance em 1957. Em 1961, tornou-se diretor de cinema, mas se celebrizou como roteirista, parceiro dos cineastas Luis Buñuel, Jean-Louis Barrault, Jacques Tati, Peter Brook, Andrzej Wajda, Milos Forman, Louis Malle e Jean-Luc Goddard. Carrière assina os roteiros de grandes filmes, como A bela da tarde (1967), O discreto charme da burguesia (1972), Esse obscuro objeto do desejo (1977) e A insustentável leveza do ser (1988). Em 1962, ganhou um Oscar de melhor curta-metragem. Sua carreira de dramaturgo se iniciou em 1968. Sete anos depois, começou a escrever para televisão.
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sábado, 20 de novembro de 2010

A Poesia de Eugénio de Andrade


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mfarmartins | 23 de Abril de 2009 | 7 utilizadores que gostaram deste vídeo, 0 utilizadores que não gostaram deste vídeo 
Poeta português, nasceu em 19 de Janeiro de 1923 em Póvoa de Atalaia, Fundão, no seio de uma família de camponeses. A sua infância foi passada com a mãe, na sua aldeia natal. Mais tarde, prosseguindo os estudos, foi para Castelo Branco, Lisboa e Coimbra, onde residiu entre 1939 e 1945. Em 1947 entrou para a Inspecção Administrativa dos Serviços Médico-Sociais, em Lisboa. Em 1950 foi transferido para o Porto, onde fixou residência.

Abandonou a ideia de um curso de Filosofia para se dedicar à poesia e à escrita, actividades pelas quais demonstrou desde cedo profundo interesse, a partir da descoberta de trabalhos de Guerra Junqueiro e António Botto. Camilo Pessanha constituiu outra forte influência do jovem poeta Eugénio de Andrade.
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Embora não se integre em nenhum dos movimentos literários que lhe são contemporâneos, não os ignorou, mostrando-se solidário com as suas propostas teóricas e colaborando nas revistas a eles ligadas, como Cadernos de Poesia; Vértice; Seara Nova; Sísifo; Gazeta Musical e de Todas as Artes; Colóquio, Revista de Artes e Letras; O Tempo e o Modo e Cadernos de Literatura, entre outras.
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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

A poesia de Natália Correia

o Queixa das almas jovens censuradas (20/05/96)
o Fiz um conto para me embalar (17/09/01)
o Auto-retrato (29/07/02)
o Do sentimento trágico da vida (16/09/02)
o Nuvens correndo num rio (23/09/02)
o O Livro dos Amantes I (30/09/02)
o O Livro dos Amantes II (21/10/02)
o O Livro dos Amantes IX (28/10/02)


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luishgr | 11 de Novembro de 2007 | 26 utilizadores que gostaram deste vídeo, 1 utilizadores que não gostaram deste vídeo
Uma visão pessoal da música de José Mário Branco com letra de Natália Correia
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Queixa das almas jovens censuradas

Dão-nos um lírio e um canivete
e uma alma para ir à escola
mais um letreiro que promete
raízes, hastes e corola

Dão-nos um mapa imaginário
que tem a forma de uma cidade
mais um relógio e um calendário
onde não vem a nossa idade

Dão-nos a honra de manequim
para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos um prémio de ser assim
sem pecado e sem inocência

Dão-nos um barco e um chapéu
para tirarmos o retrato
Dão-nos bilhetes para o céu
levado à cena num teatro

Penteiam-nos os crâneos ermos
com as cabeleiras das avós
para jamais nos parecermos
connosco quando estamos sós

Dão-nos um bolo que é a história
da nossa historia sem enredo
e não nos soa na memória
outra palavra que o medo

Temos fantasmas tão educados
que adormecemos no seu ombro
somos vazios despovoados
de personagens de assombro

Dão-nos a capa do evangelho
e um pacote de tabaco
dão-nos um pente e um espelho
pra pentearmos um macaco

Dão-nos um cravo preso à cabeça
e uma cabeça presa à cintura
para que o corpo não pareça
a forma da alma que o procura

Dão-nos um esquife feito de ferro
com embutidos de diamante
para organizar já o enterro
do nosso corpo mais adiante

Dão-nos um nome e um jornal
um avião e um violino
mas não nos dão o animal
que espeta os cornos no destino

Dão-nos marujos de papelão
com carimbo no passaporte
por isso a nossa dimensão
não é a vida, nem é a morte

                   Natália Correia, in "O Nosso Amargo Cancioneiro" 
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Fiz um conto para me embalar

Fiz com as fadas uma aliança.
A deste conto nunca contar.
Mas como ainda sou criança
Quero a mim própria embalar.

Estavam na praia três donzelas
Como três laranjas num pomar.
Nenhuma sabia para qual delas
Cantava o príncipe do mar.

Rosas fatais, as três donzelas
A mão de espuma as desfolhou.
Nenhum soube para qual delas
O príncipe do mar cantou.

                   Natália Correia 
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Do sentimento trágico da vida

Não há revolta no homem
que se revolta calçado.
O que nele se revolta
é apenas um bocado
que dentro fica agarrado
à tábua da teoria.

Aquilo que nele mente
e parte em filosofia
é porventura a semente
do fruto que nele nasce
e a sede não lhe alivia.

Revolta é ter-se nascido
sem descobrir o sentido
do que nos há-de matar.

Rebeldia é o que põe
na nossa mão um punhal
para vibrar naquela morte
que nos mata devagar.

E só depois de informado
só depois de esclarecido
rebelde nu e deitado
ironia de saber
o que só então se sabe
e não se pode contar.

                      Natália Correia 
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Nuvens correndo num rio

Nuvens correndo num rio
Quem sabe onde vão parar?
Fantasma do meu navio
Não corras, vai devagar!

Vais por caminhos de bruma
Que são caminhos de olvido.
Não queiras, ó meu navio,
Ser um navio perdido.

Sonhos içados ao vento
Querem estrelas varejar!
Velas do meu pensamento
Aonde me quereis levar?

Não corras, ó meu navio
Navega mais devagar,
Que nuvens correndo em rio,
Quem sabe onde vão parar?

Que este destino em que venho
É uma troça tão triste;
Um navio que não tenho
Num rio que não existe.

                      Natália Correia 
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O Livro dos Amantes

I

Glorifiquei-te no eterno.
Eterno dentro de mim
fora de mim perecível.
Para que desses um sentido
a uma sede indefinível.

Para que desses um nome
à  exactidão do instante
do fruto que cai na terra
sempre perpendicular
à humidade onde fica.

E o que acontece durante
na rapidez da descida
é a explicação da vida.

                      Natália Correia 
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O Livro dos Amantes

II

Harmonioso vulto que em mim se dilui.
Tu és o poema
e és a origem donde ele flui.
Intuito de ter. Intuito de amor
não compreendido.
Fica assim amor. Fica assim intuito.
Prometido.

                      Natália Correia 
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O Livro dos Amantes

IX

Pusemos tanto azul nessa distância
ancorada em incerta claridade
e ficamos nas paredes do vento
a escorrer para tudo o que ele invade.

Pusemos tantas flores nas horas breves
que secam folhas nas árvores dos dedos.
E ficámos cingidos nas estátuas
a morder-nos na carne dum segredo.

                      Natália Correia 
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olivaisblue | 14 de Maio de 2010 | 7 utilizadores que gostaram deste vídeo, 0 utilizadores que não gostaram deste vídeo
Poesia de Natália Correia - Queixa das almas jovens censuradas
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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Cartas a Ferreira de Castro

  Ferreira de Castro



Thursday, October 15, 2009


Cinco centenários -- Cartas inéditas de José Bacelar, Fernanda de Castro, Castelo Branco Chaves, José Gomes Ferreira, José Osório de Oliveira e F (1)


Continuando o trabalho de divulgação do espólio de Ferreira de Castro, dá-se à estampa -- actualizando a ortografia, mas mantendo a pontuação -- correspondência inédita de José Bacelar, Fernanda de Castro, Castelo Branco Chaves, José Gomes Ferreira e José Osório de Oliveira, no ano em que se assinalam os respectivos centenários, além de duas cartas do autor de A Selva. Desta forma continuará a Vária Escrita a apresentar-se como uma publicação de indispensável consulta a todos quanto estudam, não só Ferreira de Castro, como inúmeros escritores, artistas e outros intelectuais que com ele se relacionaram.
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Vária Escrita, n.º 7, Sintra, Câmara Municipal, 2000, p. 131.
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Wednesday, November 17, 2010


Cinco Centenários (2). [excerto de carta de José Bacelar]

Lisboa, 24 de Julho de 1935
S/C, R. Latino Coelho, 45, 3.º

          Exmo. Snr. Ferreira de Castro

     Venho muito comovidamente agradecer-lhe as suas palavras tão bondosas e tão fraternais, as suas palavras tanto mais tocantes para mim quanto é certo que elas vêm do escritor que mais largo êxito tem tido no nosso país -- porque o teve também no resto do mundo.
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     É uma tendência -- demasiadamente humana -- de todo o escritor de sucesso o sobrelevar o espírito crítico da massa dos leitores, o considerar o «meio» onde ele produz menos mau do que na realidade ele é. Não é porém assim o romancista Ferreira de Castro, e isto dá bem a medida da categoria do seu espírito, porque uma das mais nobres qualidades do artista -- e talvez também do homem -- é, não é verdade? a insatisfação. O «meio» é triste, de facto. Assim, já de antemão eu estava preparado e resignado -- dados o fraco mérito e o género um pouco especial do meu pequeno livro à indiferença e ao silêncio da crítica oficial.

Vária Escrita #7, Sintra, Câmara Municipal, 2000.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

A Tempestade - Ferreira de Castro


Monday, November 15, 2010

de passagem - A TEMPESTADE (1940)

do «Pórtico»
Nesse tempo, em contraste com o silêncio que nos cercava, ia, no Mundo, grande inquietação, fragor de aspirações a realizar, lutas por uma existência melhor, mais consoante o direito de cada qual a viver. As bestas de Apocalipse não tinham ainda largado, de novo, das suas estrebarias de antanho, o que iria acontecer em breve; mas uma outra ansiedade, rútila esperança que deve ter existido no coração dos deserdados desde que, sobre a terra, medrou a primeira injustiça, envolvia todo o Planeta. Os jornais do Cairo, lidos de manhã, não falavam de outra coisa.

Ferreira de Castro, A Tempestade, 10.ª edição, Lisboa, Guimarães & C.ª, 1980. 

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Crime e Castigo - Fiódor Dostoiévski

 

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
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Преступле́ние и наказа́ние
Autor Fiódor Dostoiévski
Título no Brasil Crime e Castigo
Idioma russo
País Rússia
Lançamento 1866
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Crime e Castigo (em russo Преступле́ние и наказа́ние, Prestuplênie i nakazánie) é um romance do escritor russo Fiódor Dostoiévski, publicado em 1866. Narra a história de Rodion Românovitch Raskólnikov, um jovem estudante que comete um assassinato e se vê perseguido por sua incapacidade de continuar sua vida após o delito.
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O livro/romance se baseia numa visão sobre religião e existencialismo com um foco predominante no tema de atingir salvação por sofrimento, sem deixar de comentar algumas questões do socialismo e niilismo. É um dos livros preferidos de um dos maiores artistas da sedução: Neil Strauss (ele cita isso em seu best-seller The Game)

Enredo

Info Aviso: Este artigo ou seção contém revelações sobre o enredo (spoilers).
O personagem principal, apesar de ex-estudante de Direito, é um homem extremamente pobre e que vive angustiado pela sombra de se tornar alguém melhor ou fazer algo importante. Ele divide o homem em ordinário e extraordinário, numa tentativa de explicar a quebra das regras em prol do avanço humano.
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Seguindo este preceito - fazer algo que mude a sociedade ou em prol dela - o personagem planeja, em meio a uma luta consigo, a morte de uma agiota e, finalmente, cumpre-o.
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Antes de fugir da cena do crime, porém, Raskólnikov também comete, a contragosto, levado apenas pela situação de surpresa, o assassinato de Lisavieta, irmã da velha agiota, pois ela havia visto o cadáver recém-assassinado no chão.
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Este personagem principal rouba algumas joias, mas não chega a usufruir deste ganho, e sentindo-se arrependido enterra-as sob uma pedra.
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Após tal fato e seus desfechos, o romance relata de maneira detalhista os dramas psicológicos sofridos pelo autor do homicídio, toda a sua saga, sofrimento e arrependimento.
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Diversas histórias se desenvolvem de maneira paralela à principal, entre elas um romance da irmã do personagem Raskólnikov e as relações do personagem com Sônia.
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Apesar de investigar Raskólnikov, a polícia termina por prender um inocente que se intitulou culpado por uma razão pessoal (bem explicado no livro). Entretanto, o personagem por fim confessa o crime que cometera. A confissão deveu-se, principalmente, à enorme influência de Sônia, que, antes disso, compartilha com Raskólnikov algumas leituras do Novo Testamento.
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Por fim, Raskólnikov é preso. Porém, devido à sua confissão, arrependimento e ótimo antecedentes, sua pena acaba por ser reduzida a oito anos em uma cadeia na Sibéria. Durante tal período, Sônia, personagem que a partir de certo momento segue Raskólnikov em todas as situações, manteve-se muito presente, servindo até mesmo de mensageira a sua família em São Petesburgo.
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Os flagrantes traços autobiográficos, como adoração pela mãe, o vício do jogo (O Jogador) e a fidelidade psicológica, bem como os traços estilísticos do autor, colocaram esta obra, indubitavelmente, entre as maiores da história da literatura universal e, certamente, junto com Os Irmãos Karamazov, garantiram a Fiódor Dostoiévski a posição de maior escritor russo da história em conjunto com Lev Tolstoy.

Ligações externas

Wikiquote
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Trechos

domingo, 30 de dezembro de 2007


Crime e castigo - Dostoievsky

"Oh, sim, quando é preciso, afogamos até nosso senso moral, a liberdade, a tranquilidade, até a consciência, tudo, tudo, vendemos tudo por qualquer preço! Contanto que nossos entes queridos sejam felizes."

"Há muito tempo que já se enraizara e crescera nele toda a tristeza que sentia agora; nos últimos tempos ela se acumulara e se reconcentrara, assumindo a forma de uma horrível, bárbara e fantástica interrogação que torturava o seu coração e a sua alma, reclamando uma resposta urgente."

"Compreende, meu senhor, o senhor compreende o que quer dizer isso de não ter para onde ir? Porque todo homem precisa ter um lugar para onde ir."

"Mas no fim das contas tudo isso são disparates! Cuspo em todos eles, cuspo também na minha humilhação e na minha comédia! Não é nada disso que está em causa! Nada disso!"

"Oh! Que desmancha-prazeres! Os princípios! Tu te moves por princípios, como se fossem molas, não te atreves a atuar livremente; para mim o fundamental é que o homem seja bom. E, francamente, reparando bem, em todas as classes não há muitas pessoas boas."

"Mas a ciência hoje diz: 'Antes de mais nada ama-te a ti próprio, porque tudo no mundo está baseado no interesse pessoal. Se amares a ti próprio farás os teus negócios como devem ser, e o teu cafetã permanecerá inteiro'."

"'Onde', pensou Raskólhnikov, continuando seu caminho, 'onde é que eu li aquilo sobre um condenado à morte que no momento de morrer dizia ou pensava que se o deixassem viver no alto, numa rocha e num espaço tão reduzido que mal tivesse onde pousar os pés - e se à volta não houvesse mais que o abismo, o mar, trevas eternas, a eterna solidão e a tempestade perene - e tivesse de ficar assim, nesse espaço de um archin, a sua vida toda, mil anos, a eternidade... preferiria viver assim a morrer imediatamente? O que interessa é viver, viver, viver! Viver, seja como for, mas viver! O homem é covarde!', acrescentou passado um minuto."

"Acham que eu estou assim porque eles mentem? Tolice! Eu gosto que eles mintam! A mentira é o único privilégio do homem sobre todos os outros animais. Mente, que vais acabar atingindo a verdade! É precisamente por ser homem que eu minto. Nem uma só verdade poderias alcançar se antes não mentisses quatorze vezes, e até cento e quatorze vezes, o que representa uma honra sui generis; simplesmente, nós nem sequer sabemos mentir com inteligência! Tu mentes, mas mentes de uma maneira especial, e eu ainda por cima te dou um abraço. Mentir com graça, de uma maneira pesssoal, é quase melhor que dizer a verdade igual todo mundo; no primeiro caso é um homem e, no segundo, não se é mais que um papagaio! A verdade não anda depressa, mas podemos fazer a vida correr; há exemplos disso."

"Nesse sentido, efetivamente, todos nós, e com muita frequência, somos quase dementes, com a única diferença que os doentes são um pouco mais loucos do que nós, porque repare, é preciso distinguir. Mas é verdade que não existe o homem normal, de maneira nenhuma; talvez entre dezenas, e pode até ser que entre centenas de milhares, apenas se encontra um, e, ainda assim, em exemplares bastante fracos..."

"Para socorrer o próximo é preciso começar por ter direito a fazê-lo(...)"

"Após ter pronunciado essas palavras tornou a ficar perplexo e empalideceu; outra vez como que uma nova e terrível sensação de frio mortal lhe correu pela alma, de repente compreendeu claramente que acabara de dizer uma mentira horrível, que não só não teria mais oportunidade de falar com ninguém, como jamais teria de que nem com quem falar. Foi tão violenta a impressão que essa dolorosa idéia lhe causou que, por um momento, se esqueceu praticamente por completo de tudo, levantou-se do seu lugar e, sem olhar para ninguém, quase saiu do quarto."

"É simplesmente impossível saltar com lógica por cima da natureza. A lógica pressupõe três casos, ao passo que há milhões deles. Pois façam tábua rasa desses milhões e reduzam tudo ao simples problema do conforto! Essa é a solução mais fácil do enigma. De uma clareza sedutora, e evita o incômodo de pensar. Porque o essencial é isto: não ter que pensar. Todos os mistérios da vida podem ser compreendidos em 2 folhas de papel impresso."

"Eu só tenho fé na minha teoria essencial, que é aquela que diz concretamente que os indivíduos se dividem, segundo a natureza, em duas categorias: a inferior (a dos vulgares), isto é, se me permite a expressão, a material, que unicamente é proveitosa para procriação da espécie, e a dos indivíduos que possuem o dom da inteligência para dizerem no seu meio uma palavra nova. É claro que as subdivisões são infinitas, mas os traços diferenciais de ambas categorias são bem nítidos: a primeira categoria, ou seja, a matéria, falando em termos gerais, é formada por indivíduos conservadores por natureza, disciplinados, que vivem na obediência e gostam de viver nela. A meu ver eles têm obrigação de ser obedientes, por ser esse o seu destino e não ter, de maneira nenhuma, para eles, nada de humilhante. A segunda categoria é composta por aqueles que infringem as leis, os destruidores e os propensos a isso, a julgar pelas suas qualidades. Os crimes destes são, naturalmente, relativos e muito diferentes; na sua maior parte exigem, segundo os mais diversos métodos, a destruição do presente em nome de qualquer coisa melhor. Mas se necessitarem, para o bem de sua teoria, saltar ainda que seja por cima de um cadáver, por cima do sangue, então, no seu íntimo, na sua consciência, eles podem, em minha opinião, conceder a si próprios a autorização para saltarem por cima do sangue, atendendo unicamente à teoria e ao seu conteúdo, repare bem..."

"Por que é que há pouco, esse imbecil do Razumíkhin recriminava os socialistas? São pessoas que gostam do trabalho e são comerciantes... ocupam-se da felicidade universal... Não, para mim só dão uma vida, e não terei outra, eu não quero esperar pela felicidade universal. Eu quero viver, eu, senão, mais vale não viver."

"Que significa ser mais elevada? Eu não compreendo tais expressões aplicadas a um determinado trabalho do homem, 'mais nobre, mais generoso'... Tudo isso são absurdos, tolices, velhas palavras preconceituosas que eu abomino! Tudo que é útil à humanidade é nobre. Eu só compreendo a palavra útil. Ria o que quiser, mas é assim."

"Não há no mundo coisa mais difícil que a sinceridade e mais fácil que a lisonja. Se à sinceridade se mistura a mais mínima nota falsa, surge imediatamente a dissonância e, atrás dela, o escândalo. Ao passo que a lisonja, ainda que seja falsa até a última nota, torna-se simpática e ouve-se com satisfação: com satisfação grosseira, sim, mas com satisfação. E, por mais tosca que seja a lisonja, metade dela, pelo menos, parece sempre verdadeira. E isto em todos os graus da hierarquia social. Seria possível seduzir até uma vestal com a lisonja. E nem é preciso dalar das pessoas vulgares."

"Porque eu, não sei se sabe, sou um homem triste, entediado. Pensava que eu era alegre? Não, sou um homem sombrio, mas não faço mal a ninguém, fico sentadinho num canto e, às vezes, não digo uma palavra durante três dias."
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carlospejino8 | 27 de Abril de 2010
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jhonatasgeisteira | 11 de Novembro de 2009
clipe para a disciplima Literatura Universal
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livroclip | 16 de Maio de 2008
LivroClip de "Crime e Castigo". Um jovem atormentando mata um velha por dinheiro... Suspense, ação, romance...
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l2009b | 26 de Novembro de 2009
Trabalho do 2º periodo de Direito da Unoesc baseado no livro Crime e Castigo!

componentes:
Lucas Biasuz, Lucas Oliveira, João Salazar, Adriano Pedrozzo, Tadzio Adriano Rossi, Vinicius Vogel.
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Rochab | 19 de Dezembro de 2006
Inspirado no Romance do escritor russo Fiódor Mikháilovitch Dostoiévski, publicado em 1866...