terça-feira, 23 de março de 2021

Filipe Chinita - doo(u)-me

* Filipe Chinita 

doo(u)-me
aos outros a todo o tempo
e no entanto estou só
absoluta.mente só
no mundo e
na vida
.
fj
Qua, 09:39

Filipe enviou a mensagem: 23 de Março às 08:38

segunda-feira, 22 de março de 2021

Filipe Chinita - deste temporal de (te) amar

* Filipe Chinita


deste temporal de (te) amar
.
1.
sim
eu sempre convidei
todos os meus camaradas...
a estar comigo...
2.
nunca olhando...
ao que deles me diferencia ou não
3.
sempre integralmente
os respeitando...
e a meu modo
os amando
que eu
não faço fretes
a ninguém!
4.
e
a estes dois
conceição e domingos
mui me honrou
fazê-lo.
mui me honrou
que o tenham
feito.comigo
num dia!
que ainda.por cima
até era/e foi
de aniversário
deles
5.
como
não lhes
agradecer... sempre!?
6.
sobre
(a) isaura
creio
nem ser preciso falar
7.
obrigado (pois) aos 3.
e ainda ao nuno soares.que tudo organizou
- e que não mais voltei a ver -
8.
e
aos poucos.
nunca tão poucos
que - estranhamente -
nesse dia... lá estiveram
connosco
9.
que mais
estranhamente ainda!
depois dessa sessão não mais me convidaram
a voltar ao barreiro...
quando antes todos os demais livros
lá apresentados - mui bela
e emocionalmente -
o foram
10.
ele
há cousas
que na vida nos acontecem.me aconteceram
que nunca iremos a.perceber o porquê
e quem os cordelinhos mexe.u...
para que não mais...
lá tornássemos
11.
ainda que a nossa intuição
quasi.sempre nos diga
tudo! sobre
tudo
.
fj
11.34
22.03.2021
12.
este
mesmo livro
foi também apresentado
na casa do alentejo por josé casanova e isaura
13.
isaura
que comigo foi a beja
para uma sessão quasi vazia de gente.
pasme-se! na biblioteca municipal josé... saramago
14.
em évora
no salão nobre do município.quasi cheio
em mui bela sessão de intervenções e gentes
15.
em
linda a velha
no teatro do armando caldas
(por debaixo da minha pirâmide de vida)
creio que pelo victor viçoso.sempre mui querido amigo
16.
e decerto em outros sítios que ora não me ocorre nomear.
creio que foi também! a nossa 1ª sessão em santo thyrso
com a maria augusta carvalho
17.
obrigado... a todos!
os que nele se envolveram
e cujos locais e nomes ora aqui me falham
mas sempre em mim estão
e estarão!
18.
o meu obrigado ainda
ao nobre editor
fernando mão
de ferro


Filipe enviou a mensagem: 22 de Março às 12:05 


enfim
obrigado.a todos!
os que 
durante este processo 
(de 'gente povo 
todo o 
dia')
me 
transmitiram 
energia.
revolta.alegria.coragem 
mas também
persistência e paciência
qualidades maiores de 
um revolucionário 
de longo 
fôlego
.
saibam 
que - sempre -
os e as 
guardo em mim
.
sou-vos.sempre grato
.
estou e estarei - sempre - ao vosso dispor
na medida 
dos meus saberes.forças.e acreditares!
.
(que só!)
em colectivo abraço.
fraterno e solidário
mudaremos o 
mundo
.
filipe jorge
algures no tempo
depois de 
2010
13.13
22.03.2021


Filipe enviou a mensagem: 22 de Março às 13:39 

Daniel Oliveira - Não há um ponto neutro entre Mamadou e Ventura

OPINIÃO

* Daniel Oliveira

Não imagino Luther King dizer que não se sentia representado nem por Malcom X, nem pelo governador Wallace. Nem pelos Panteras Negras, nem pelo KKK. Dizer que não há um lugar no meio de Ventura e Mamadou não é dizer que ou estamos com um ou com outro. É dizer que o paralelo é inaceitável para um antirracista. A não ser que António Costa ache que se confrontam, em Portugal, um racismo branco e outro negro. Quer dizer que recusa a natureza estrutural, e não pessoal, do racismo. Já interiorizámos que o machismo é estrutural e determina a discriminação da mulher na sociedade. Parece ser difícil pensar no racismo assim

Quando dizemos que vivemos numa sociedade machista não estamos a dizer que todos os homens são machistas. Nem sequer interessa saber se a maioria o é (apesar de me parecer óbvio que sim). No entanto, a ninguém passa pela cabeça dizer, quando se fala de machismo, que também há mulheres que desprezam os homens. Porque já interiorizámos a ideia de que o machismo é estrutural e determina que haja menos mulheres em cargos de poder; que haja mais mulheres na Universidade, mas menos no topo da Academia; que as mulheres ganhem menos e acumulem funções domésticas com o trabalho; que sejam vítimas preferenciais violência doméstica. Já assumimos que o machismo não é uma questão estritamente individual e não se resume a posições pessoais ou políticas explicitas.

Parece continuar a ser difícil pensar assim em relação ao racismo. E, no entanto, sem se perceber o que é o “racismo estrutural” todos os nossos debates sobre racismo em Portugal só podem acabar em equívocos. O racismo estrutural não resulta de opinião política ou pessoal de cada um sobre uma etnia, mas do lugar que um grupo racializado ocupa na sociedade. O que leva a que, em Portugal, e na medida em que esses dados estão disponíveis, os negros sejam mais pobres, menos escolarizados, menos representados em cargos de poder e mais facilmente condenados em tribunais e encarcerados. Quando uso o termo “grupos racializados” não pretendo socorrer-me do jargão correto, que geralmente evito. Quero reforçar a ideia de que a etnia é, neste caso, uma condição social. Eu posso passar um ano inteiro sem me lembrar que sou branco. Dificilmente um negro ou um cigano passa um mês sem se lembrar dessa sua condição.

O racismo estrutural tem uma história. Houve muitas formas de escravatura. Mas o poder económico, político e cultural da Europa resultou da construção de impérios coloniais. E, na construção desses impérios e na acumulação de riqueza a que corresponderam, a escravatura e a desumanização do africano – indispensável para a sua transformação em mercadoria – foi central. Nem os EUA seriam o que são hoje sem o impulso da escravatura, nem a Europa seria o que é hoje sem o colonialismo. Claro que já abolimos a escravatura há muito e vivemos em tempos pós-coloniais (há não tanto tempo assim). Mas ignorar esta história é ignorar as razões pelas quais o racismo é estrutural nas nossas sociedades.

Feito este introito, há paralelos que são um insulto. Claro que há negros com preconceitos em relação a brancos e brancos que experimentaram de forma bastante dolorosa esses preconceitos. Não há etnias feitas de pessoas tolerantes e outras naturalmente intolerantes. Mas a nossa sociedade não discrimina brancos. A nossa sociedade nem sequer olha para os brancos como uma categoria. Os outros é que se distinguem e se nomeiam. E, por razões históricas profundas que se ignorarmos desconhecemos grande parte do nosso passado, os outros é que são genericamente prejudicados pela sua condição. E não é apenas por ser serem minorias. As mulheres são a maioria e ganham menos, trabalham mais e são estão menos representadas no topo das estruturas políticas, económicas e académicas. Aí estão elas para mostrar que é uma questão de poder, não de número.

Pelo menos entre progressistas, mesmo os que recusam alguma deriva identitária, tudo isto são pontos assentes. E é por isso que fiquei atónito ao ler uma entrevista recente de António Costa. Depois de atirar a discriminação racial em Portugal para um canto, falando dos elogios das Nações Unidas pelas nossas práticas de integração dos migrantes e das nossas atuais leis de nacionalidade – do racismo pessoal passamos para o racismo formal, ignorando o racismo ] que realmente tem impacto no quotidiano –, sai-lhe uma frase destas: “Nem André Ventura nem Mamadou Ba representam aquilo que é o sentimento da generalidade do país.”  [https://www.publico.pt/2021/03/04/politica/noticia/andre-ventura-mamadou-ba-representam-sentimento-generalidade-pais-felizmente-1953095]

O melhor comentário a esta frase veio, como acontece com frequência, de António Guerreiro. Chamou a esta frase o “momento Nem-Nem” de António Costa. [https://www.publico.pt/2021/03/12/culturaipsilon/cronica/politica-nemnem-1953817] De um lado os excessos de Ventura, do outro os excessos de Mamadou, tratados como meros espelhos um do outro. No meio, “a generalidade do país”, uma espécie moderada do “português de bem”. Com o qual ele naturalmente se identifica, longe de todos os radicalismos, sejam brancos ou pretos. Escreve Guerreiro: “O homem médio em que Costa se revê e que lhe inspira a operação retórica do Nem-Nem fornece um ponto de apoio para buscar o consenso conservador, para eliminar qualquer posição crítica radical (e é preciso acrescentar que radical não é mesmo que extremo, apesar de encontrarmos hoje, em muitos discursos, essa equivalência), para deixar que o pragmatismo siga o seu curso, sem obstáculos”.

Quando recuso o paralelo entre Mamadou Ba e André Ventura não tenho de aderir às posições de Mamadou. A questão já ultrapassa o radicalismo ou a moderação, apesar de ser evidente que Costa tem horror a qualquer posição que contrarie o pragmatismo de curto-prazo, que é sempre conservador. Martin Luther King e Malcom X tinham pontos de vista muito distantes sobre como combater o racismo e o segregacionismo. Um era pacifista, outro pelo contrário; um acreditava na integração dos brancos no combate pelos diretos dos negros, a outro isso parecia, pelo menos em determinada fase do seu combate político, uma contradição insanável.

Ao longo da sua história, Malcom X disse e escreveu coisas que hoje acharíamos impensáveis. Não imagino ouvir de Luther King que não se sentia representado nem por Malcom X, nem pelo governador Wallace, do Alabama. Nem pelos Panteras Negras, nem pelo Klu Klux Klan. Ambos seriam violentos? Ambos transmitiriam ressentimento racial? Sim, e, na realidade, nada disto se aplica a Mamadou Ba. Mas estavam em campos inconfundíveis: o do opressor e o do oprimido. E quem defendia a causa dos direitos cívicos não era neutral em relação a estes dois campos. Estava comprometido com uma luta que poderia levar a discordâncias profundas e a críticas ferozes ao seu compo, nunca à neutralidade.

Há uns anos, critiquei Joacine Katar Moreira. Isso valeu-me uma reação que me pareceu excessiva da deputada e a solidariedades que dispensava. Não me arrependo das críticas que lhe fiz, a que o tempo deu razão. Não me revejo numa cultura de trincheira que cala a crítica para não dar armas ao inimigo. Sabemos bem para onde nos leva esse caminho. Acho, por isso, que muitas declarações públicas de Mamadou Ba estão sujeitas a crítica de qualquer antirracista, desde que não sejam descontextualizadas (qualquer pessoa em boa-fé sabe que ele nunca defendeu que se matassem brancos). Num mesmo campo, há propostas e caminhos mais moderados ou mais radicais, mais conciliadores e mais extremados. Há posições aceitáveis e inaceitáveis. Não faltou a vários movimentos feministas, antirracistas e abolicionistas radicalidade nos propósitos e extremismo na ação. Muitos terão sido criticáveis – alguns inevitáveis e até indispensáveis – e levaram a divergências e cisões. Mas isso não se confunde com descomprometimento e neutralidade.

Não há, entre um racista e um atirracista, um lugar confortável onde estar no meio. Dizer que não há um lugar no meio de Ventura e Mamadou não é dizer que ou estamos com Mamadou ou estamos com Ventura. É dizer que essa dicotomia transporta um paralelo inaceitável para qualquer antirracista. Mamadou pode ter posições que outro antirracista critique de forma bastante dura. Mas está no campo do antirracismo, o que o torna incomparável a Ventura. A não ser, claro, que António Costa compre a ideia que há, em Portugal, dois racismos, um branco e outro negro, que se confrontam. Quer dizer que ainda nem bateu à porta da natureza estrutural do racismo, coisa que a sua entrevista denuncia, aliás. E que é comum no debate político português e revela o ponto que ainda estamos, mesmo à esquerda.

Talvez por ser uma das poucas pessoas de uma minoria étnica a chegar ao topo do Estado (sempre com insultos racistas nas redes sociais), Costa parece acreditar que o racismo é uma questão pessoal. Mas não é. E é por isso que, por mais críticas que faça a Joacine ou a Mamadou, nunca me passaria pela cabeça aplicar o “nem-nem” de que fala António Guerreiro. Porque isso me colocaria num ponto neutro que não existe. Ele é apenas uma forma pouco corajosa de deixar tudo como está.

22 MARÇO 2021 9:19

https://expresso.pt/opiniao/2021-03-22-Nao-ha-um-ponto-neutro-entre-Mamadou-e-Ventura-fb9748d5

domingo, 21 de março de 2021

Filipe Chinita alienação.a- lienação.alienação

* Filipe Chinita 

alienação.alienação.alienação
.
tu 
- e muitos outras e outras 
cheia.s de boa vontade -
não consegues/m distinguir 
o idealismo patético 
que em certas 
formulações 
contido
está
.
por 
exemplo
(n)aquela formulação de poesia 
que parecendo benigna 
é absolutamente 
idealista
pateta
.
contrária 
ao materialismo dialéctico 
com que formulamos 
lemos o mundo
e transformar 
queremos
.
assim vai 
o face book 
cheio... de 'bendita' alienação à solta... 
sem sequer a.perceberem 
de que água... estão 
bebendo
.
também isso... 
me mata! todos os dias:
.
a  
vossa 
incompreensão
quasi permanente
incapacidade 
de 
leitura 
do que impingir vos querem 
e que vocês... papam.
como mui bom 
e mui benigno
.
assim
ainda...
a partilham 
e propagandeiam

numa alucinação.quasi total

de quem sequer distingue 

manuel germano 
de 
género humano
.
fj
15.46
21.03.2021
e
assim... 
nunca uma outra sociedade conseguiremos construir

quanto mais o comunismo de homens e mulheres
senhores e livres... de tudo em si 
e não mais... alienados 
servos.nem escravos
de nada.nem de
ninguém

Filipe enviou a mensagem: 21 de Março às 16:02


servem 
propagam 
e até papagueiam! a todo o pano 
e sem sequer disso darem conta... 
a ideologia da classe dominante... 
tornando debalde 
qualquer 
esforço... 
nosso
.
dai-me... antes 
a morte
a todos os dias 
ver 
tal acontecer 
ante o meu 
nariz
sem nada
poder 
fazer
senão 
es.bracejar
em vão
.
é 
de 
endoidecer
vivo!
.
fj
16.40
21.03.2021

Filipe enviou a mensagem: 21 de Março às 16:53


44 anos depois
de moscovo
77
.
fj
obrigado!
17.15
21.03.2021
Seg, 12:05

Filipe enviou a mensagem: 21 de Março às 17:28

Filipe Chinita - 29. isto...

* Filipe Chinita

29.
isto... 
para não dizer...
que guardem a 'alma' 
no olhinho... 
do cu
assim 
não me chamarem 
de mal criado... 
que o fui 
(mui...) 
bem
.
fj
14.08
21.03.2021

Filipe enviou a mensagem em 21 de Março

Filipe Chinita - não!

* Filipe Chinita 

não! 
um (verdadeiro) comunista 
não é.não pode ser racista. 
nem contra asiáticos.
nem contra indianos.
nem contra ciganos.
nem contra mouros.
nem contra negros.
mui menos contra
vermelhos. como 
está bem... 
de ver
.
fj
01.08
20.03.2021
.
nem 
de gestos.
nem de palavras.
nem de silêncios
________________________
refira-se 
que - infelizmente - 
já tudo isto vi 
e ouvi
.
por aqui abaixo... 
se podem enumerar mui outras cousas
que um (verdadeiro) comunista
para o ser... 
não pode 
não deve
ser
sob pena de 
- de facto -
o não 
ser
12:06

Filipe enviou a mensagem em 21 de Março às 12:06

Maria Jorgete Teixeira - Longa vida ao poeta

* Maria Jorgete Teixeira

Longa vida ao poeta
Que acorda todas as manhãs para as encher de sol
Longa vida ao poeta 
Que na noite semeia estrelas 
Onde esculpe a esperança 
E da música das palavras inventou o vento 
E das sílabas fez  punhos 
E da voz bandeira
Longa vida ao poeta
Que nasceu para tornar 
Fecundos nossos dias. 

21 de março de 2013  · 

sábado, 20 de março de 2021

Filipe Chinita - e de repente

* Filipe Chinita

de repente 
não mais do que de repente
a poesia...
no 
acordar 
para o seu dito dia.mundial
quando julgava.. nenhuma trazer em mim.
haveis sido vós! quem de inesperado 
a desencadeou... em mim
1.
devo ser o único.não poeta
que claramente desalmado
sempre se afirma... 
2.
e se reivindica
apenas
lama
universal
de
entre 
pó e água.s
.
fj
11.29
21.03.2021
3.
nada 
de nada mais
4.
para 
falar verdade 
desculpai-me mas já tenho vómitos 
de tanto ouvir a palavra 'alma'
na boca de quasi.todos...
5.
sem que ninguém 
me saiba 
explicar 
o que 
isso 
é 
6.
muito mais 
quando no fácil discurso poético 
de quasi.todos os demais poetas
ou que poetas se dizem...
7.
que por vezes... mais parece 
não terem outra palavra 
para usar
8.
como 
se a poesia 
(lhes) fosse o apenas uso de tal palavra
9.
que 
(n)os remete 
para um algo misterioso
10.
que hoje... mais do que sabemos
não existente... em nenhum
de nós.humanos
11.
nem que poetas
_____________________________________________________
12.
dita alma 
é a mesma desnecessária conversa tola dos deus.es
dos céus dos purgatórios e dos infernos
de santos santidades e anjos alados 
tocando divinos
oboés
13.
sempre que eu a utilize 
por favor pisem-me 
em cima!
14.
eu 
por mim!
vou apagá-la...
das escassas vezes
em que ainda assim a usei eu.
ou o outro.manuel
ou a outra maria
comigo
15.
eu não tenho 'alma'
repito
16.
ainda assim! 
sou pelo menos 
tão humano
quanto 
vós!
17.
eu
tenho apenas cérebro.um único
ligado a um inteiro corpo.
de coração sangue 
veias ossos 
e pele
18.
nada 
de nada mais 
19.
senão... matéria 
altamente organizada 
em sempre processo 
de mutação.vida 
e morte
20.
todos os instantes... de mim
21.
até que a morte enfim vença
sobre a vida... em mim
22.
que 
me continuarei 
apenas 
pó entre o pó.
lama entre pó 
e águas...
23.
nada
de nada mais
24.
apaguem-me (pois) de vez! 
do roteiro das 'almas'
25.
que eu amo! apenas...
humanos... do chão
levantados! 
26.
e de inteira
vida!
_____________________________
27.
ao momento e sem revisões
nem estados... de 'alma'.
apenas lama!


Filipe enviou a mensagem: 20 de Março  às 01:26

sexta-feira, 19 de março de 2021

Filipe Chinita - cuidem-se


* Filipe Chinita 

cuidem-se.
aprendam.de vez! a cuidar 
da vossa.própria.sexualidade
da pança do vosso ventre
e da ainda pior gordura 
da vossa... 'mente' 
sem pretenderem 
intrometer-se
na intimidade
e vida do.s 
outro.s
.
deixem de ser 
malcriados
ignorantes
alarves
.
fj
16.14
18.03.2021
.
e
tenham 
um bom resto de tarde
que eu vou fazer um chá das cinco 
para minha mãe
com croissant.em mel e canela
mas hoje... sem a laranja 
de federico 
garcia 
lorca
ainda que ele 
nos esteja sempre presente
assassinado pelos mesmos
de sempre!


Filipe enviou a mensagem: em 19 de Março às 12:40

quinta-feira, 18 de março de 2021

Para falar de sidónio muralha: o poeta e baptista bastos


SIDÓNIO MURALHA (1920-1982)

* Ordem do Dia

* Pequenos deuses caseiros

* Soneto imperfeito da caminhada perfeita

* Para vós o meu canto

* Roteiro

* Poema de Abril

* A Paz

 

**Para falar de Sidónio Muralha, por Baptista Bastos (o artigo transcreve o poema "Natal")

 

~~~~~~~~~~

 Ordem do Dia

 

 

Homens novos temperados pela guerra,

das fábricas enormes e cinzentas

- rasgai poemas na terra

com as vossas ferramentas!

 

Homens das oficinas e dos cais,

dos campos e da faina sobre o mar

- porque não ensinais

os poetas a cantar?

 

Algemados - não importa por que leis -

seja qual for a vossa raça e a vossa casta,

vinde dizer o que sabeis!

- Por agora é quanto basta.

 

Vinde das minas, dos fornos, das caldeiras,

vergados da descarga do carvão!

Vinde! Porque chegou enfim o dia

de apressar a tarefa inconcluída!

 

- E a poesia, esta poesia,

é um facho que vai de mão em mão

pelos caminhos da vida.

 

 

In "Companheira dos Homens"

~~~~~~~~~~ 

PEQUENOS DEUSES CASEIROS

 

Pequenos deuses caseiros que brincais aos temporais,

passam-se os dias, as semanas, os meses e os anos

e vós jogais, jogais

o jogo dos tiranos.

 

Pequenos deuses caseiros, cantai cantigas macias,

tomai vossa morfina, perdulai vossos dinheiros,

derramai a vossa raiva, gozai vossas tiranias,

pequenos deuses caseiros.

 

Erguei vossos castelos, elegei vossos senhores,

espancai vossos criados, violai vossas criadas,

e bebei, bebei o vinho dos traidores

servido em taças roubadas.

 

Dormi em colchões de penas, dançai dias inteiros,

comprai os que se vendem, e alteai vossas janelas,

e trancai vossas portas, pequenos deuses caseiros,

e reforçai, reforçai as sentinelas.

 

Que é sempre um dia a menos este dia que passa,

e cada dia a mais aumenta o preço da traição,

e cada dia a mais aumenta o preço da desgraça,

e a nossa moeda não é piedade nem perdão

porque foi temperada com todas as lágrimas da raça.

Não, pequenos deuses caseiros, não!

 

~~~~~~~~~~

Soneto imperfeito da caminhada perfeita

 

Já não há mordaças, nem ameaças, nem algemas,

que possam perturbar a nossa caminhada,

em que os poetas são os próprios versos dos poemas

e onde cada poema é uma bandeira desfraldada.

 

Ninguém fala em parar ou regressar.

Ninguém teme as mordaças ou algemas.

- O braço que bater há-de cansar

e os poetas são os próprios versos dos poemas.

 

Versos brandos... Ninguém mos peça agora.

Eu já não me pertenço: Sou da hora.

E não há mordaças, nem ameaças, nem algemas

 

que possam perturbar a nossa caminhada,

onde cada poema é uma bandeira desfraldada

e os poetas são os próprios versos dos poemas.

 

"A Argamassa dos Poemas"

 

~~~~~~~~~~

PARA VÓS O MEU CANTO...

 

Para vós o meu canto, companheiros da vida!

Vós, que tendes os olhos profundos e abertos;

vós, para quem não existe batalha perdida,

nem desmedida amargura,

nem aridez nos desertos;

vós, que modificais o leito de um rio;

 

- nos dias difíceis sem literatura,

penso em vós: e confio;

penso em mim: e confio;

 

- para vós os meus versos, companheiros da vida!

 

Se canto os búzios, que falam dos clamores,

das pragas imensas lançadas ao mar

e da fome dos pescadores,

- penso em vós, companheiros,

que trazeis outros búzios pra cantar...

 

Acuso as falas e os gestos inúteis;

aponto as ruas tristes da cidade

e crivo de bocejos as meninas fúteis...

Mas penso em vós e creio em vós, irmãos,

que trazeis ruas com outra claridade

e outro calor no apertar das mãos.

 

E vou convosco. - Definido e preciso,

erguido ao alto como um grito de guerra,

à espera do Dia do Juízo...

 

Que o Dia do Juízo

não é no Céu... é na Terra!

 

(«Passagem de Nível» - 1942)

 

~~~~~~~~~~

Roteiro

.

Parar. Parar não paro.

Esquecer. Esquecer não esqueço.

Se carácter custa caro

pago o preço.

.

Pago embora seja raro.

Mas homem não tem avesso

e o peso da pedra eu comparo

à força do arremesso.

.

Um rio, só se fôr claro.

Correr, sim, mas sem tropeço.

Mas se tropeçar não paro

- não paro nem mereço.

.

E que ninguém me dê amparo

nem me pergunte se padeço.

Não sou nem serei avaro

- se carácter custa caro

pago o preço.

.

  "Poemas" Editorial Inova, Porto

 

~~~~~~~~~~

POEMA DE ABRIL

 

A farda dos homens

voltou a ser pele

(porque a vocação

de tudo o que é vivo

é voltar às fontes).

Foi este o prodígio

do povo ultrajado,

do povo banido

que trouxe das trevas

pedaços de sol.

 

Foi este o prodígio

de um dia de Abril,

que fez das mordaças

bandeiras ao alto,

arrancou as grades,

libertou os pulsos,

e mostrou aos presos

que graças a eles

a farda dos homens

voltou a ser pele.

 

Ficou a herança

de erros e buracos

nas árduas ladeiras

a serem subidas

com os pés descalços,

mas no sofrimento

a farda dos homens

voltou a ser pele

e das baionetas

irromperam flores.

 

Minha pátria linda

de cabelos soltos

correndo no vento,

sinto um arrepio

de areia e de mar

ao ver-te feliz.

Com as mãos vazias

vamos trabalhar,

a farda dos homens

voltou a ser pele.

 


~~~~~~~~~

Para falar de Sidónio Muralha

16 Dezembro 2011, 12:03 por Baptista Bastos

Durante o Natal, os jornais de então publicavam festas e festarolas promovidas por empresas e companhias. O grande formato do "Diário de Notícias" e de "O Século", em Lisboa, e de "O Primeiro de Janeiro", "O Comércio do Porto" e "Jornal de Notícias" permitia a inclusão de imensas fotos com textos apropriados. A maioria dessas notícias era paga pelas empresas, mas havia outras que funcionavam como compensação a favores e a jogos de interesses entre as administrações daqueles jornais e as das empresas. Muitas vezes, eram jornalistas destacados para esses serviços. Não havia recalcitrantes: as coisas eram assim mesmo, e nem passa pela cabeça dos jovens profissionais os vexames por que passavam os velhos jornalistas encarregados daquelas e de outras tarefas semelhantes.

As lutas surdas, as resistências morais fazem parte de um honroso historial, que permanece oculto, dissimulado ou esquecido das gerações mais novas. Eu sei que, como em todos os sectores da sociedade portuguesa, os fenómenos de regressão estão a caminho e chegam a ultrapassar, em indignidade, o que, outrora, os patrões obrigavam os jornalistas a fazer. A obrigatoriedade não estava à vista, bem entendido: era a ordem rotineira das coisas que determinava a infâmia. A resistência, porém, existia; e, não raro, os conflitos de consciência ética atingiam fases extremamente conflituosas. . Conheci profissionais de Imprensa altamente qualificados porém esmagados pelas circunstâncias políticas sob as quais viviam e exerciam as suas funções. O fascismo não só prendeu, assassinou, homiziou, atirou para o degredo e para a morte centenas, certamente milhares de portugueses - o fascismo liquidou a capacidade de realização profissional e criadora de jornalistas, professores, cientistas, escritores, artistas, cineastas. A Universidade foi varrida por uma onda de violência e discriminação, quando dezenas de professores (do melhor de que Portugal dispunha) assinaram um documento de crítica ao "Estado Novo." Um desses professores, Mário Silva, de Coimbra (pai do pintor do mesmo nome), foi obrigado, para ganhar a vida, a vender enciclopédias de porta a porta. Mas as histórias de dificuldades a que o fascismo coagiu portugueses de diferentes orientações, mas todos amantes da liberdade e da democracia, são inúmeras e, por igual, indignificantes e pavorosas. Os instrumentos de coacção, repressão e constrangimento de que Salazar se serviu, para dominar um povo, foram, de facto, eficazes; mas não conseguiram liquidar a ânsia de liberdade e a coragem inaudita de quem se lhe opôs. A Imprensa censurada e vigiada, a literatura e a cultura em geral amordaçadas, perseguidas e manietadas existiram num quase milagre de persistência e de honra. Lembrei-me, agora, nesta quadra de um belíssimo poema de resistência, composto por Sidónio Muralha (1920-1986), um dos grandes nomes do neorealismo, cuja vida é um percurso fascinante e uma procura tenaz da liberdade e do sonho. O poema foi um grito de protesto a andou, de mão em mão, foi lido em associações e clubes de bairro, e estava naturalmente envolvido na luta mais geral em que os melhores de nós se comprometeram. Ei-lo: Hoje é dia de Natal E o jornal fala dos pobres Em letras grandes e pretas Traz versos, historietas, E traz retratos também Dos bodos, bodos e bodos Em casas de gente bem. Hoje é dia de Natal Mas quando será de todos? É uma poesia de combate, instrumental e destinada a obter efeitos imediatos. Era a voz indomável de um poeta hoje lamentavelmente esquecido, cuja vida foi uma entrega absoluta aos outros e à batalha contra o fascismo. Sidónio Muralha, filho do jornalista socialista Pedro Muralha, e irmão do actor Fernando Muralha, foi uma das figuras mais decentes e íntegras que conheci. Depois de Abril, conversei-o várias vezes e entrevistei-o para o semanário "o ponto", de que fui fundador. Muralha tinha publicado vários livros de literatura infantil, tivera de fugir de Portugal, com o seu amigo de sempre, o escritor Alexandre Cabral, instalara-se no Congo Belga até que se fixara no Brasil, onde casara com uma senhora que se lhe devotara. . Estas memórias afectuosas apenas desejam homenagear, em Sidónio Muralha, todos aqueles que enfrentaram, com a valentia das convicções, na luta directa, na militância partidária, ou através das palavras, a brutalidade de um tempo que alguns desejam fazer esquecer.


http://www.jornaldenegocios.pt/opiniao/detalhe/para_falar_de_sidoacutenio_muralha.html


Filipe Chinita - amava

* Filipe Chinita 


amava 
sim. 
a traça... 
do abandono... 
lhe veio a comer a cachemira... 
também o meu corpo... alargou... 
nem sei bem como.
nem quando... 
.
aqui 
em casa da beatriz e do zé.em miraflores
- estava a nati na sua/nossa casa de paris.
de faubourg saint-honoré - 
enquanto esperáva.mos 
por (mais) um 
magnífico 
jantar 
sempre 
preparado pelo zé.
esse ser... único...
e sempre!
redondo
de 
afecto.s
de si
.
fj
13.10
18.03.2021
.
ainda
não havia chegado 
a ana... a mim
creio...
mas estava 
prestes
a
___________________________________
mas
o que (não) tem graça - nenhuma -
é que os não 'nossos'
de norma.sempre
me trataram 
melhor
que 
os ditos
'meus'
.
aqueles 
sempre me viram e trataram
como o príncipe... 
que nunca 
fui
já 
os ditos 'meus'...
como se sempre 
lhes fosse.lhes tivesse sido
a mais 'empedernida'
trampa... de mal
cheirosa...
merda

Filipe enviou a mensagem: 18 de Março às 13:25

quarta-feira, 17 de março de 2021

As palavras na poesia de Eugénio de Andrade


* Eugénio de Andrade e as palavras

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Eugénio de Andrade, pseudónimo de José Fontinhas Rato (1923 - 2005), foi um poeta português. vencedor do Prémio Camões em 2001.
.
Urgentemente
.
É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
é urgente destruir certas palavras.
odio, solidão e crueldade,
alguns lamentos
muitas espadas.
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É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras
.
Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.
.
*****
.
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
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Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
.
Adeus
.
*****
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RETRATO ARDENTE
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Entre os teus lábios
é que a loucura acode,
desce à garganta,
invade a água.
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No teu peito
é que o pólen do fogo
se junta à nascente,
alastra na sombra.
.
Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.
.
Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.
.
Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha. .
.
*****
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As palavras
.
.
São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.
.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.
.
Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.
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Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?.
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*****
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Havia
uma palavra
no escuro.
Minúscula. Ignorada.
Martelava no escuro.
Martelava
no chão da água.
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Do fundo do tempo,
martelava.
contra o muro.
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Uma palavra.
No escuro.
Que me chamava.
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As Palavras Interditas
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Os navios existem e existe o teu rosto
encostado ao rosto dos navios.
Sem nenhum destino flutuam nas cidades,
partem no vento, regressam nos rios.
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Na areia branca, onde o tempo começa,
uma criança passa de costas para o mar.
Anoitece. Não há dúvida, anoitece.
É preciso partir, é preciso ficar.
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Os hospitais cobrem-se de cinza.
Ondas de sombra quebram nas esquinas.
Amo-te... E abrem-se janelas
mostrando a brancura das cortinas.
.
As palavras que te envio são interditas
até, meu amor, pelo halo das searas;
se alguma regressasse, nem já reconhecia
o teu nome nas minhas curvas claras.
.
Dói-me esta água, este ar que se respira,
dói-me esta solidão de pedra escura,
e estas mãos noturnas onde aperto
os meus dias quebrados na cintura.
.
E a noite cresce apaixonadamente.
Nas suas margens vivas, desenhadas,
cada homem tem apenas para dar
um horizonte de cidades bombardeadas.
.