sábado, 5 de março de 2022

Filipe Chinita - Contra a guerra

03.03.2022

Sex, 13:11

*  Filipe Chinita


contra a guerra!

.

eu

comunista

(e nunca imperialista)

não suporto mais

ouvir

as 'notícias'

e

mui menos

os 'comentários'

de 'jornalistas' e 'comentadores'

(excepto de alguns militares)

sobre a mesma

que

se revelam

ser de palavra.s!

- sentados nas suas cadeirinhas -

tão ou mais belicistas

do que aqueles

que

se guerreiam

em campo

pois que

só defendem e promovem

- sem responsabilidade alguma -

o acentuar generalizado.

da mesma... de que

todos! poderemos

vir a padecer

senão

mesmo

a morrer

ou

a desaparecer

.

isto

além do histerismo

quasi.generalizado

(quando

não já violência.

física e verbal)

que já reina...

nas mentes

de alguns/

umas

.

um bom dia

para todos

os

que

'almejam' a paz

de palavras

e

de actos

.

fj

12.38

04.03.2022

apago-me e retiro-me

de mais comentários

sobre... esta

des.dita

.

o meu coração está com

todos! os que sofrem

(milhões)

com

a guerra

________________________________________________________

está

em marcha

mais uma grande campanha.propagandística imperial

servindo-se vergonhosamente da guerra

da violência da destruição e da morte

como su.porte... da mesma

.

quem

o não consegue ver

é apenas...

alienadamente

cego!


13:53

'sociologia

política'

.

os

mesmos

(estranhos) seres

que nunca antes

foram solidários

com

outras guerras!

bem mais destruidoras do que até agora... esta

nem com os refugiados das mesmas...

adoptando reaccionárias posições

de qussi.extrema-direita

são agora

mui subitamente

solidárias

com esta guerra

estes refugiados

unindo-se contra

tudo o que é

russo

.

incluso

contra toda a arte

e desporto/istas

daquele

povo

.

porque

será

?!

.

pensem

um pouco

sintam um pouco.

e

estranhem-se...

ou

entrenhem-se

um pouco

mais

.

o sempre

vosso

fj

13.16


05.03.2022

e

nem

já falo

de 'jornalistas'

nem de 'comentadores'

domingo, 27 de fevereiro de 2022

Filipe Chinita - breve estarei a viver na rua

* Filipe Chinita


breve estarei a viver na rua

Dom, 23:37


nunca

imaginei...

poder haver seres

que tanto nos bajulem...

- pública e privadamente - pela frente...

tão mal nos mal.dizendo... pelas costas

.

fj

22.34

27.02.2022

Qui, 22:00


comunista

.

(eu)

sou comunista

.

não!

vazo o marxismo

para o plástico lixo dos dias

nem para o caixote do lixo da história

.

mui menos

o seu método dialéctico de pensar e agir

que praticamente já quasi.ninguém

sabe usar... e menos ainda...

pratica

.

comunista.

materialista.dialéctico e histórico

portanto o mais in.comum.e rasteiro dos seres

rente ao chão... qual a pene.planície

em que nasci... levantado

da mesma

.

comunista.

alentejano.

e desde sempre!

benfiquista. e

vermelho!

.

comunista.

da

planície

do latifúndio

- de sol a sol -

da quinta dos pretos.escravos!

.

comunista.

da mineral

milenar - de humanos -

proletária e resistente aldeia/vila de escoural

.

comunista.

p'la construção da sociedade socialista

em todo o planeta/terra

tendo como fito último e primeiro...

atingir a civilização

comunista

.

comunista.

nada pois...

tenho a ver com o.s imperialismo.s


segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

Poesia de Filipe Chinita

20.02.2022

e

ainda

me vêm falar... sem corar

de democracia e

liberdade...

decerto!

que apenas... a dele.s

.

e

o malvado... putin

(com o qual nada tenho a ver)

é que... propagandeia

quando só a favor

da ucrâcia

todos!

falam

sempre!

(os) ucraniamos

de cá e de lá...

ouvindo

.

ah

e claro

ainda é... professor universitário

21/02/2022, 00:40

Filipe

Filipe Chinita

ponto da situação política

.

eu

digo-te... qual 

(é) a 'sublime' diferença:

se... não me desviar.em

da minha paz e silêncio

eu passo um inteiro dia

em plena concentração

de mim... escrevendo

em íntegro labor... de

(s)em horas.sem fim

sem me perder

com nada mais

e

inteiramente

feliz.de mim

e do que

faço:

servir o.s

outro.s

.

fj

23.47

20.02.2022

'talento'

é apenas trabalho

e trans/inspiração

.

ah

e mesmo....

de rabo ferido.em sangue

em

casa alheia.sem nada de meu

completamente paupérrimo

de tudo

a

320 euros mês

cuidando

de minha mãe.de 85 anos

(vai para mais de dois anos)

sem liberdade alguma

sem ternura alguma

sem amor

algum

.

inteiramente

dependente...

da boa vontade

de outros.e de outrem

______________________________

ou

ainda... do 'choro':

nunca

te queiras ver na situação

em que me encontro eu

absolutamente

manietado

pela

realidade

concreta

.

inteira

mente livre...

(apenas)

dentro de mim mesmo

sem já o meu próprio corpo

dominar... na sua totalidade


sábado, 19 de fevereiro de 2022

Xoto - Setubalense - Amo-te Setúbal


* Xoto




Música Livre - Esta música é dedicada a todos os Sadines, aos por cá e aos espalhados pelo mundo. Não se deixem desmotivar pelas chapadas da rotina, a vida é nossa. Obrigado a todos os que ajudaram a fazer o video. Saude, familia, amizade, amor e barriga cheia para todos. Instrumental - Spot Letra - Xoto (rapper setubalense ) Video - Luís Malaia


[Verso 1]

Setubalense
Carrego na alma uma garra uma raiva amarrada a uma corrente irreverente dum rio azul
Cresci a correr nu pela praia da Tróia, que saudades..
Meu refúgio, meu casulo..azul..
Areia fina, tarde em família
Falar na bola deriva que adoptei o grande amor da minha vida
Ri, corri, chorei e cai de bina
Comi o que pesquei c'a cana do meu avô
Explorei dunas, observei luas, apanhei navalhas e conquilhas
Foi o meu pai que me ensinou
Esquilhas no assador
Terra de pescadores
Gente humilde, gente simples, gente boa, bons valores
Poucos ricos, muitos trabalhadores
Poucos mimos, muitos mais malandros e sonhadores
Certinhos aqui, não pagam renda
Cada bairro cada lenda
[?] multibancos, bancos, carrinhas da Prosegur
Não te enganes, aqui os gangs têm guns
Obra não para a conta do Jumbo
Margem Sul é um deserto e aqui a bófia aqui anda de camelo atrás de DTRs e Fiat Unos
Setúbal, Cidade Rebelde!
As nossas paredes gritam aquilo que nos apetece
Adoro andar p'as ruas da minha cidade a ver tudo o que é parede a abarrotar de graffs
Mas sinceramente ultimamente dá muito mais vontade de girar pá' arrancar posters do PNR
A rua é de quem usa não é das varejas atrevidas
Pousam na CMS, amo esta cidade!
E nesta ansiedade não é a festa que me satisfaz e me faz acalmar
É a serra é o Sado
É uma sesta cheia de sal, moura
É 'tar em frente à pedra da Anicha com muito amor
A misturar o luar com sexo à beira mar
Com sexo aproveitar o verso
Em cada voar de conversa a deslizar pelo universo
Confesso que hei-de levar uma becs deste lugar para onde quer que eu viajar
Sei que Setúbal hei-de amar e posso contar com o verso



[Refrão]
Onde é que existe um rio azul igual ao meu?
Onde bué'da dias têm a mesma cor do céu
A sonhar alto libertei a minha Arrábida
Senti no rosto uma lágrima que me escorreu



[Verso 2]
Eu fui criado no Sado
Setúbal cidade de poetas
Rimo Sado com peixe assado, levo a cidade nas veias!
Veias salgadas e cheias de cheiro a amêijoa da caldeira
A tinta que me sai da caneta cheira a sardinhas da praça
Setubalense pa' sempre
Setúbal mentes diferentes
Se tu não sentes não tentes
Se fumas menos entendes
Ardam escolas de hotelaria, servir ricos não é pa' nós
Abram escolas de charroco, o meu povo não quer resorts
Os nossos filhos só verão a Tróia dos seus avós em fotos
A bulir pa' Belmiros nem no verão encherão os vossos bolsos
Maior bode é o preço do ferryboat
Ápá sóce, não te sentes um ganda bobo?
Querem-nos ver longe de lá e não sabem como
Eu dizia-lhes onde é que eu lhes enfiava os tacos de golfe
Revolta-me ver a Arrábida esburacada por uma fábrica de cimento
A fazer publicidade que sustentam a biodiversidade
A apoiar colectividades (para acalmar e calar a cidade)
Não inventem
Toda a gente vê aquele buraco à frente men..
Qualquer dia eu...
Faço uma loucura, o meu coração não se segura
Com uma escura visão mergulha em escuridão insegura
Cuidado, ele procura desculpas
Farto...
De observar abutres a rodear a minha linda cidade


[Refrão]
Onde é que existe um rio azul igual ao meu?
Onde bué'da dias têm a mesma cor do céu
A sonhar alto libertei a minha Arrábida
Senti no rosto uma lágrima que me escorreu

[Outro]
Onde é que existe uma cidade igual à minha?
Assim genuína inspira-me em cada esquina
[?] em cada esquina, em cada praia
Dos Special Ones, desde o Viso à Bela Vista, do Miradouro ao Liceu

Worst comes to worst, my peoples comes first
Por mais que eu esteja longe o feeling é one love

https://genius.com/Xoto-setubalense-lyrics

Poesia de Filipe Chinita - um dia... em vão

19/02/2022, 21:46

* Filipe Chinita

um dia... em vão

.

não aguento...

nada

.

(nem) sequer

uma dose

para mim

(habituado... que estou

a tudo dividir...

por dois)

.

estou já mortal...

a todo o tempo

.

como sempre

aliás.somos

.

mas agora

mui mais

.

cheguei

a morrer...

desta aventura

de máquina.s de café

e (de) torradeira.s

no comercial

colombo...

worten

.

peça

de substuição...

nem pensar...

malgré...

tudo feito

na república popular da china

ao preço... da uva

mijona

ao serviço das 'marcas' todas!

do capitalismo

mundial...

.

para que serve então o capitalismo?!

se quasi.tudo! dele... e delas

é produzido na

china

esses malvados... 'falsos comunistas

vendidos... ao capitalismo'

que querem 'dominar'

o ocidental

mundo...

'livre'

.

fj

20.35

19.02.2022

e

assim

se passou mais um dia

só... estirado no sofá...

recuperando

-me

.

um dia

fora dos meus ritmos

é já de si quasi.mortal

.

então sem o meu café

matinal... que

dizer...

?!

foi um dia...

como se não contasse

para a (minha)

vida...

de

tal forma

mal-disposto... fisicamente

que só a minha mãe janta

(o nosso arroz.de sempre)

com

o folhadinho de carne

que lhe... trouxe

da nobel...

versaille.s

pejada

de jovens empregadas

vindas do outro lado

do atlântico

.

fj

20.40

19.02.2022

então...

boa noite.a todos!

20/02/2022, 21:40

Filipe

Filipe Chinita

o

faz tudo.

da 'democracia'

e 'liberdade' de adão e silva

em toda a televisiva

comunicação

pátria

.

ele

é comemorações

dos 50 anos do 25 de abril.

ele

é canal 1.ao domingo.

ele

é canal 6.à semana

aqui.sempre a favor

do sistema

social-democrata

do capital

ismo

.

ele

é sport tv

(como que representando

o sport lisboa e benfica)

aqui.sempre em discurso

contra

o seu dito clube

decerto que

cor de

rosa

.

fj

21.04


domingo, 13 de fevereiro de 2022

João Ramos de Almeida - A lã e a neve liberais do Estado Novo

* João Ramos de Almeida

Deixem-me contar, de forma sucinta, as primeiras cinquenta páginas de um livro que estou a ler. 

"A Lã e a Neve", do Ferreira de Castro, um "romance proletário" passado na Covilhã - , teve a sua primeira edição em 1947, durante a II Grande Guerra, e lê-lo hoje é uma máquina do tempo: pelo que descreve, pela linguagem usada, pelos sentimentos contidos, pelos personagens que nos ressoam a familiares distantes e - é aí que eu quero chegar! - pela desigualdade social tão fortemente hierarquizada e pelo consequente desamparo em que as pessoas viviam. 

Um desamparo a que nos arriscamos a viver cada vez mais, caso as arcaicas e interesseiras teses liberais se reforcem - ainda mais! - no país. A história começa asssim:

O jovem Horácio volta alegre a casa, a uma aldeia de Manteigas, depois de ter feito a tropa. E vem cheio de ideias. Viu Lisboa e o Estoril, as casas, os jardins, a limpeza das ruas e não lhe agradam mais como se vive na sua terra. O escritor é exímio:
Casas "negregosas, velhentas, colavam-se umas às outras, com a parte inferior de granito escurecido pelo tempo e a parte cimeira com folhas de zinco enferrujadas a revestirem as paredes de taipa, mais baratas do que as de pedra. Este e aquele casebre exibiam apodrecidas varandas de madeira e outros, mais raros, umas escadas exteriores, coroadas por um patamarzito quadrado, logradoiro do mulheredo nas horas do paleio com as vizinhas".
Horácio tenta convencer a noiva Idalina a adiar o casamento para que possam viver o seu sonho. Quer deixar o pastoreio que lhe rende pouco e que o faz estar meses afastado, sozinho pela serra de neve, com os animais. Quer fazer-se empregar numa fábrica de lanifícios da Covilhã para ganhar mais e conseguir juntar dinheiro para terem uma casa, limpa, com quintal, onde possam crescer os filhos saudáveis. Mas Idalina tem medo que o casamento se adie para sempre. Não vê como vai ele arranjar esse dinheiro. Horácio insiste e acha que convenceu a Idalina. Mas o sonho mal limado esbarra em obstáculos. 
Fala com o padre, pede-lhe ajuda, mas as fábricas não estão a abrir as portas. Horácio já tem mais de 20 anos e ser aprendiz não é tarefa de mancebo. Além do mais, as fábricas estão limitadas a contratar até 20% de aprendizes. Está tudo cheio. Sai acabrunhado. Encontra o seu parceiro que o deixa pensativo. Ele não trocaria a liberdade pela fábrica, fechado no fio das horas, sem fim. Mas na arte de pastoreio também não se faz fortuna. Rebanhos próprios pouco se aguentam. É uma dor de alma, mas tem de se vender ovelhas para comprar cabras que tudo comem. 
Horácio vai à Covilhã que já a sente comesinha face a Lisboa, e a sua esperança esvazia-se. A mesma história das fábricas sem empregos. Horácio amaldiçoa a escolha para padrinho feita pelos pais. Outro galo cantaria se fosse aquele outro com os seus terrenos comprados aos camponeses em dificuldades e que montou em toda a região fábricas cheias de operários, onde os seus apadrinhados têm sempre lugar porque quando há greves, os apadrinhados não alinham. Tudo lhe parece afundar-se. E se isso não bastasse, os pais estão contra o seu sonho. Lá muito a custo contam-lhe porquê. 
Na sua ausência, o pai adoeceu e tiveram de pedir dinheiro emprestado para o tratar. Não conseguiram hipotecar a propriedade. E a última pessoa a quem pediram foi ao patrão do Horácio, o dono dos rebanhos, a quem garantiram que o que ele ganhasse era para pagar a dívida contraída. Horácio vê-se assim obrigado a ter de trabalhar sem ganhar. O pai ainda lhe propõe que se venda a pequena courela que os pais tinham: "Assim como assim, era para ti". Horácio não aceita. Mas fica a roer-se. E nada pode dizer por causa desse segredo dos pais. Quer contar a Idalina, mas não pode. 
Idalina faz perguntas, mas a medo. Fica triste, em silêncio. Conta aos pais que intervêm, como se o rapaz quisesse esquecer o casório. Filho e pais prometem que nada se altera, sem explicar o que se passa. Mesmo tendo estado longe de Idalina durante todo o tempo da tropa, Horácio decide regressar quanto antes ao pastoreio. Quanto mais cedo pagar a dívida, melhor. 
Veste o seu capote de pastor, assobia ao cão que vem todo feliz ter com ele. A felicidade do cão agredi-o e Horácio atira-lhe uma pedra à pata que o deixa a mancar. Nunca mais o cão saltará feliz à sua frente. Horácio vai ter com a Idalina ao campo onde ela está a sachar. É uma cena de filme. 
Ela triste porque mal esteve com ele e ele a justificar-se que quer acabar com a dependência do seu patrão, desejoso de lhe dizer o que vai na alma, mas não lhe sai. E o tempo silencioso, de poucas palavras, marcado pelo som ritmado das enxadas na terra, como um relógio a empurrar o encontro para o fim porque ela foi contratada para sachar e não para estar ali a conversar. Ele afasta-se com o cão para meses de invernia.

O que ressalta desta história? Para mim, a ausência do papel interventivo do Estado. 

Um Estado capaz de conceder a justiça social onde reina a primária desigualdade, o regime imperial de classe que advém do domínio da propriedade e da propriedade dos instrumentos de produção. Os pais de Horácio teriam tido uma assistência médica universal e - mesmo que fosse! - "tendencialmente gratuita", paga pelos impostos que incidiriam sobre quem mais tem, e não precisariam de se endividar ou de aprisionar o futuro do seu filho, obrigado agora a trabalhar sem nada receber para si, para pagar uma dívida estúpida. Pugnar hoje pela redução da "carga fiscal", cheira a pedir a desobrigação por parte dos mais ricos de contribuir em prol dos mais pobres. Um regresso à selvajaria.

Para ter um emprego do seu agrado, os trabalhadores pobres não teriam de esperar reverencialmente pelo apoio impotente do padre da aldeia ou do beneplácito interesseiro dos padrinhos da terra, nem ter de condicionar a sua opinião ao emprego garantido pelos padrinhosHoje, os trabalhadores inscrevem-se em agências de trabalho temporário ou em plataformas que os transformam em trabalhadores por conta própria, isolados, trabalhadores desmaterializados, erxplorados até ao tutano, a pensar que estão sozinhos na sua vida. Os serviços públicos de emprego foram privatizados e os empregos deixados ao abandono por uma autoridade pública de regulação ou mesmo judicial que deixam que a lei que não seja aplicada (consultar o Código de Trabalho a partir do artigo 139º sobre as modalidades de contrato de trabalho).

Resta esperar que os representantes do Estado de hoje saibam governar no sentido de impedir que a vida de trabalho não seja uma vida de pobreza e que haja empregos para quem queira trabalhar (no 4º trimestre de 2021, a taxa de subutilização do trabalho ainda rondava os 12%) e ter uma vida que possa garantir uma casa condigna, mesmo que a referência ainda seja a ilusória zona senhorial do Estoril, já reconstruída e reforçada por todos os donos que fingem hoje nada se lembrar do passado em que foram reis de todosao mesmo tempo que apoiam a liberdade sem intervenção do Estado, como se fosse uma moda moderna. 

Depois, conto-lhes o que aconteceu ao Horácio.

sábado, 12 de fevereiro de 2022

Filipe Chinita - partido.comunista.

* Filipe Chinita

 
partido.comunista.
português.
mesmo 
em toda a 'calamitosa' situação 
para o meu heróico e amado 
partido
(aquele 
que vivi eu... 
24 horas/dia no chão do alentejo)
- e até! por isso... mesmo! -
sempre! enquanto 
ele tiver 
nome 
de comunista.
e se propuser 
como seu objectivo... o socialismo
e como seu fito e fim último o comunismo.no planeta terra
devo esclarecer... que 
sendo clara.mente materialista.histórico/dialéctico
sou eu! contra! toda a actividade 
f(r)accionista
mesmo 
em todos os desvios... de esquerda ou de direita 
que possamos ter tido ao longo 
da nossa longa 
história
.
que cousa... triste
exactamente... nos 100 anos do nosso partido
.
em toda 
a minha impotência 
trans.formadora.de práticas concretas

resta-me únicamente a poética.escrita
como forma de intervir
neste processo
.
não!
não me quero separar
de nenhum dos meus camaradas...

excepto.apenas! daqueles que se tornam anti/comunistas
.
com 
o meu obrigado! 
a todos.os que um dia... combateram por nós!
.
fj
21.11
12.02.2022

Filipe Chinita - comunistas/comunismo

* Filipe Chinita

comunistas/comunismo

1.
não.
nós não queremos - apenas - 
estilhaçar o capitalismo 
e construir o 
socialismo
2.
nós 
acometemo-nos o comunismo.
enquanto nova 'civilização' 
- como diz o meu outro -
de um.mesmo.
mas já outro
in.comum
humano
3.
lentamente formado
em novas circunstâncias 
de aprendizagem e vida 
em sociedade
humana
- e não 
desabrochando num ápice
qual varinha de condão... 
num instantâneo 
passe de 
magia -
.
vida
e aprendizagem
educada
sensível
culta
que 
desde 
o nascimento cresça
- sem propriedade.s.nem poder.es.posse.s.inveja.s.ciúme.s.e ódio.s -
em novas circunstâncias.humanas! 
de efectiva igualdade.de todos.
na liberdade maior.e concreta.
na fraternidade.toda.
na talentosa 
diferença 
de cada 
um.
único
4.
senão 
não 
nos chamaríamos 
- desde sempre -  de comunistas
do
- manifesto do partido comunista - 
d(esd)e marx e engels
(nem)... 
ainda lénine 
nada riscava
5.
se  
for o caso 
de havermos desistido de tal....
se 
for o caso 
de já não acreditarmos 
pelo que durante séculos lutámos
deixemos então - como fizeram outros 
com as visíveis... consequências -
de nos auto.designar.mos 
- como sempre nos 
chamámos -
de 
partido 
comunista.(o) português
6.
mas eu 
- e decerto que muitos outros -
comunista... o continuarei sendo.sempre
7.
pois que lutar contra o capitalismo 
para lhe corrigir as desigualdades 
e lhe aplainar '
os defeitos'
nunca foi.
nem 
é.
nem nunca será 
o meu/nem 
nosso... 
único 
fim
8.  
porque isso 
qualquer um outro partido
de um nome outro 
(o) poderá... 
fazer
porque isso 
é e seria (o) absolutamente nada
porque isso
não mobilizaria ninguém... 
para nada... de humanamente grandioso
porque isso 
seria o estúpido e tão proclamado 'fim da história'
9.
no entanto 
ela... nunca parou.nem parará 
de se mover... e para 
diante! 
- malgré 
todos os aparentes passos atrás -
avante! 
pelo social.ismo adiante
rumo ao comunismo
10.
que 
só poderá resultar
da empenhada.lúcida.
inteligente.sensível.individual.culta e colectiva acção humana
bem 
da vida 
no planeta terra
levando atrás de si 
quasi.todos os humanos - todos! os que connosco queiram vir -
e tudo! 
o que de melhor! até então os humanos aprenderam e construíram
11.
comunismo 
é e será o nosso humano céu... na terra!
'a juventude do mundo' como dizia o outro
a 'civilização' de todos os iguais.diferentes.
12
já! 
sem resquícios 
de classe.s nem de deus.es...
porque entretanto 
a propriedade,o poder,a posse.a violência.as guerras.as religiões
e todas demais explicações não cientificas 
da vida.do mundo.e do universo
já se terão - mui
lentamente - 
apagado
e trans.formado numa 
culta e sensível 
inteligência 
cientifica
e
humana!
só de humanos
(ou de outros vivos seres... 
inteligentes e sensíveis
que os haja... p'lo 
espaço/tempo
sideral)
.
fj
07.29
17.01.2021
sem revisões...
Filipe Chinita a cumprir uma suspensão de 30 dias imposta pelo facebook.

Elias Quadros - MENINA DOS OLHOS TRISTES



* Elias Quadros

Foto: Google

— Em nome de Sua Excelência o General Comandante-Chefe das Foças Armadas em Angola, os meus sentidos pêsames! Um bravo que, no campo da honra, tombou ao serviço da Pátria!...

Estas dolorosas missões de condolências às famílias -- impostas ao oficial mais 'moderno' – eram limitadas, porém, a funerais de militares da Província, pois os caixões dos outros eram simplesmente armazenados no Cemitério da Estrada de Catete, aguardando embarque para a Metrópole...

«Menina dos olhos tristes / O que tanto a faz chorar? / O soldadinho não volta / Do outro lado do mar»…

A vida não lhe corria de feição desde que – naquela manhã de 4 de agosto de 1970 – chegara à cidade a que Paulo Dias de Novais dera, em 1575, o nome de São Paulo da Assunção de Luanda. Terra aquela já calcorreada pelos portugueses desde que – 90 anos antes – Diogo Cão por ali andara, a plantar padrões das quinas de Portugal. 

Diretamente do Vera Cruz, um jeep levou-o para o Grafanil. Mas ele – com os distúrbios com que, toda a noite, os presos de Elvas viraram do avesso o quartel – mal pregara olho quando um furriel, muito aflito, o despertou para o acompanhar ao Quartel-General do Exército. 

De facto, desde matinas que o procuravam para entrar de 'oficial-de-dia'. Ora – como lhe haviam dito que a sua especialidade não fazia serviços – ele nem sequer camuflado levara. Porém, logo ali o 'desenrascaram' e o capitão, que ia render, foi tão camarada que nem chegou a 'participar' dele. Pior foi quando lhe passou o serviço – em não mais de cinco minutos – chamando a atenção para os espaços que deviam ser neutralizados pelo fogo, caso viesse o edifício a ser atacado. Mas que não se preocupasse que tudo estava bem claro nas NEPs-Normas de Execução Permanente que lhe entregava. Brochadas como grossas listas telefónicas, sobrepostas bem perfariam um metro de altura. 

Desistiu às tantas de tão cativante leitura que, a bom ritmo, daria para meses. Durante o dia não se registaram ocorrências de monta. Mas, pelas quatro da madrugada, uma mensagem solicitava o envio de quatro caixões que deveriam seguir, por via aérea, para o Leste. Foi o 'oficial de prevenção' que lhe valeu em tal circunstância e a macabra encomenda lá seguiu conforme as NEPs.

De manhã – rendido no posto que tanta angústia lhe causara – recebeu 'guia-de-marcha' para o Comando-Chefe, na Fortaleza de São Miguel. Na secretaria, disseram-lhe que fosse almoçar pois o Coronel Chefe da 5.ª Secção só o receberia da parte da tarde. Porém, mal saído para a parada – dependurado de um 'português suave' – bate pala a um militar com uns vermelhos nos ombros que ele tomou por 'cabo readmitido'. 

Realmente – por não ir à bola com a tropa e, por motivo de altura andar sempre na cauda do pelotão – ele nunca aprendera a acertar passo nas formaturas nem a identificar os postos militares. Assim, não é que o raio do brigadeiro o queria logo mandar prender por desrespeito! Valeu-lhe ter surgido Costa Gomes que interrompeu a cena, pedindo ao tal oficial general que o acompanhasse ao almoço. E ordenou ali mesmo ao alferes que se apresentasse de tarde no seu gabinete. 

Agora, sozinho, em mesa do mesmo restaurante – de toalha branca reservado aos 'senhores oficiais e famílias' e onde a refeição custava 40 paus – dizia mal da vida desde que às pressas arrancara da Figueira da Foz, na véspera de São Tomé. 

Naquela mesma tarde – pago de T/V e abonado de R/R para 𝓧 dias (T/V, 'todos os vencimentos'; R/R, 'ração de reserva') – recebeu no Comando-Chefe a missão de ir aos Dembos proclamar, a todo um batalhão, a importância económica e social das vias de comunicação que o destacamento de engenharia – a que o batalhão de caçadores dava proteção –  rompia por aquelas inóspitas matas.

Matas que, durante séculos, se rebelaram sempre hostis ao Império.B

sábado, 5 de fevereiro de 2022

Filipe Chinita - ou da liberdade'

* Filipe Chinita 

Sáb, 12:58
2022 02 05

ou
da liberdade'
.
dizem-se 
pela liberdade...
.
(que nós! 
é que somos... pelas 'ditaduras'... do proletariado
que  nem bem sabem... 
o que isso foi 
ou é)
.
mas 
no entanto!
nunca os vimos ao nosso lado
.
quando 
durante uma inteira vida.48 anos!
foi necessário lutar... por ela 
com o corpo a vida 
o sangue e até 
a morte
.
a nossa
.
para que lhes fosse possível
a eles... dela usufruírem
sem sequer... nunca! 
nos dizerem... um 
- obrigado!
.
ignorantes.pesporrentos
(quando não mesmo boçais)
que deveras! foram 
são e continuam
d.esventrados
de qualquer funda
humanidade 
funda!
.
nunca!
por nada!
de transcendente
na (sua) inteira vida... lutando
senão... pela tranquila vidinha... deles.próprios
.
Fj

11.57
05.02.2022

na sua boca... 
nós! é que ainda! somos 
defensores/amantes de ditaduras....

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

Filipe Chinita - A luz

 * Filipe Chinita


Qui, 14:05

2022 02 03 


a luz

.

a luz

material ela era.

chamava-se luísa e não subia... a calçada.

ou melhor... fê-lo de um todo.outro.modo

.

acordo a saber

que já me morreu

mais uma querida amiga

mas 

acima de tudo 

uma grande mulher criadora

tão! quanto 

o seu belo mordaz e faíscante olhar verde

que 

viu sempre 

para além 

da sua classe

e do seu tempo

.

honra-me 

ter feito com ela (e com ele) duas exposições

- em diferentes tempo.na fio de prumo e na de.sign.arte -

que 

em forma 

de objectos e discurso... in.fraccionavam

infraccionaram sempre! por completo... em arte!

esta desigual e desumana sociedade

em que calados 

quais ovos no cu da galinha

nos permitimos continuar 

a sobre.viver... de cócoras... 

sem efectivamente

nos levantarmos!

pelo.s outro.s

e

nem sequer

por nós

.

ela 

chamava-ve... 

luísa coder

era 

uma luz 

no seu olhar

de agitadas águas verdes.

com uma cobra 

de morda.cidade ardente

na sua boca... de sempre! 

vermelho.s

.

ela 

nunca deixava por dizer 

em sua bela e estranha voz

o que a dizer 

tinha

.

ela

era 

uma livre

mulher livre

mui além

da classe... em que nasceu

e do tempo... (em) que lhe foi dado viver

.

ela

era... (a) toda a classe.

em seu eterno 

de...fumar

.

morreu decerto... 

do que tanto 

amou:

o viver

vida!

.

teu

fj


quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

Filipe Chinita - ou do 'marxismo-leninismo'.

* Filipe Chinita

ou
do 'marxismo-leninismo'.
sim
enquanto 
nos limitarmos 
e nos entret(iv)ermos
com a mera gestão burguesa.liberal.'socialista' do capital.ismo
- de dez! euros para cá.de dez euros para lá... -
mal habituando as pobres! massas... 
a essa concreta miséria... moral! 
como solução... de vida!
nunca mais! a 
lado algum 
iremos...
- que 
a ver tenha... 
com o verdadeiro! socialismo e o comunismo -
como 
mal... acabou 
de se...
ver
.
fj
14.23
02.02.2022

de 
tal modo... assim é
que até! a toda a direita.do capital
chama... deliberadamente... a isto:
de... socialismo... 
contra o qual 
estariam... 
contra

vou 
descer à rua... 
espa.ventosa dos humanos 
andar sobre as pernas... apanhar sol 
comprar as laranjas e os yogurtes.para minha mãe
que 
já não aguento (mais) estar aqui sentado 
sobre... as feridas... 
nádegas... em
sangue
para
rigorosamente... nada 
de 
tão alienada! que está... a mente humana
.
fj
13.46
02.02.2022

ficai de bem...
que 
eu ainda não decidi... 
se ganho (a) coragem... de ir ver 
os meus outros... 'zonzos'
vermelhos
 
gestão 
'socialista' do capitalismo
não me/nos interessa...
para nada de nada!
.
ficai de pança...
cheia
.
ah
e arrotai
e peidai
bem
.
fj
13.16
02.02.2022

vivam! 
os nabeiros 
os nababos
mas há quem... se entretenha com tal!
 
eu só 
queria saber...
quantas páginas/poemas terei eu escrito... ao momento! 
ao meu in.comum partido
e à definição de uma sociedade/civilização comunista...
sem que sequer ninguém! 
(nele ou fora dele) 
tenha dado valor
algum a... 
tal
.
fj
12.55
02.02.2022

basta!
agora
irei apenas calar-me 
para todo o sempre

'acho' que 
- nos próximos 4 anos -
me vou/irei calar... 
para todo o 
sempre
.
nada mais... 
terei a dizer sobre nada
.
não ser... 
que continuarei 
silenciosa.mente
vermelho.ateu
comun.ista
matéria
e pó
.
fj
12.26
02.02.2022

que nada mais sou

Lídia Borges - Da companhia

* Lídia Borges 

Até há pouco era bom ser sozinho.
Mesmo não sendo sozinho
saber como fazer para ser sozinho:
um recanto qualquer onde a luz não magoasse,
uma música miúda para encostar a cabeça,
um bloco de notas, um lápis…

Quando escrevo, esqueço-me
mesmo que pela lembrança,
seja o esquecimento.
Não há como chegar inteiro ao presente
Sem calcorrear o passado.

O pior de tudo agora é
saber como ir ao Futuro.
Mas… havemos de ir ao futuro,
assim nos garante Filipa Leal, num poema,
e eu acredito. Eu acredito.

Todavia acontece que nesta primavera
sem marços, sem nardos
as palavras massacram-me, molestam-me
e as leituras ardem-me nos olhos
como lágrimas artificiais às quais
faço sérias alergia.

E de repente,
gostava que me pegassem no braço,
de pegar noutro braço
e outros braços se dessem
e, por um dia que fosse,
sermos muitos os “da companhia”.

O que eu mais queria,
nesta primavera sem marços nem nardos,
era abraçar as pessoas todas da minha rua.

[Mas onde estão as pessoas todas
da minha rua que as não oiço,
que as não sinto?]
_________________

sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

Filipe Chinita - a vergonha de um povo

* Filipe Chinita

28.01.2022

vergonha 
de um povo 
num restaurante 
na (minha) amada vila viçosa
.
dizer...
que tais 
anormalidades
'humanas'... foram criadas... 
nesta e por esta... pseudo... democracia

que 
de há muito 
já nada tem a ver... com abril
mas apenas com o plástico.alienado.e consumista 
das mentes... vítimas da propaganda contínua do capital dominante
.
o.s pimba.s triunfaram de/sobre todos os partidos

Sex, 14:44
 
eu
ateu
.
eu
anti-fascista
anti-rascista.s
anti-machista.s
anti-capital.ismo
anti-homofóbicos
anti-toda a humana alienação
anti-todo o plástico na 'humana' mente 
e na barriga dos peixes... 
de alto mar
anti tudo! o que degrade o cada humano
e a vida planetária.em culta! natureza
anti-todas as armas e todas! as guerras entre humanos

eu.
comunista
simples rapaz de um escoural.milenar
.
seja 
o que 'deus' quiser... 

e o que nós.permiti(r)mos...
.
que 
os únicos
ir.responsáveis.culpados! 
s(er)ão quem o 
permitiu
/r

que 
nunca!
eu
.
sempre
vosso
fj


28.01.2022
Sex, 21:09
 
portugal.
5%
para 42% da riqueza.
viva a liberdade e a democracia.do capital.ismo
.
fj
20.51
28.01.2022

ainda assim! não sabeis em quem votar?!
sois então... mui 
estúpidos

quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

Filipe Chinita - sem o.s outro.s não haveria vida...

* Filipe Chinita 
26.01.2022

sem 
o.s outro.s 
não haveria vida... 
sem 
cada um 
dos seus militantes 
não haveria... 
colectivo... 
algum
.
úm colectivo...
é tal e qual uma equipa de futebol
que sempre se entreajuda e cobre os erros do outro
ou não é! cousa... alguma 

senão 
um conjunto 
de 'individualidades' bacocas
(como gostava de dizer o tuy)
ao desbarato... de si.mesmas
26/01/2022, 15:43
Filipe
Filipe Chinita
o
comunismo.sim!
.
eu.humano.
eu.político.até à última casa da vida.
eu.marxista.de toda uma una e inteira vida
não me reconheço em líder.es 
que não são capazes 
de enunciar... 
de um.só perceptível fôlego
profundamente humano.sentido
e claramente emocionado 
aos olhos... coração 
e mente... de 
todos! 
os que (n.os) 
escutem
qual 
é o seu/nosso 
programa político
para o momento presente
e para o instante
futuro!
.
no 
nosso caso 
ainda mui menos o perdoo

pois que 
até deixámos de enunciar 
em cada 
fala!

que 
o nosso fito último
é o derrube e fim 
do capital
ismo
.
que 
só isso! 
(e não a mera gestão do capitalismo)
nos distingue de todos os demais.
enquanto humano projecto 
do futuro... imediato
.
sociedade 
sem classes.de todos os livres.iguais 

(a sempre.'humana') construção 
do comunismo
.
até
porque 
de outro modo 
nem poderia
(mos) 
ser
.
livres.iguais.
conscientes.responsáveis
em toda a nossa talentosa 
diferente.única.e irrepetível individualidade 
exprimindo-se sempre! em todos os unos.colectivos 
_______________________________________________________
dizê-lo... 
todos os dias!

em orgulhosa 
(e) alta 
voz

pública
.
sem 
o fim.de vez! do capitalismo
sempre! as todas as formas de fascismo tornarão e campearão!
.
só 
a humana! 
e planetária sociedade nova 
de humanos... outros...
o exterminará
de vez
.
fj
15.25
26.01.2022
abaixo o fascismo! 
e todos... os que ainda! lhe dão língua
e lhe.s desguarnecem 
os frágeis...
flancos
Qua, 18:10
Filipe
Filipe Chinita
em 
tudo! o quanto faças...
trabalha ainda melhor.
dando o melhor de ti.
que não há outro 
caminho. para 
a felicidade.
interior.
a cada
um
.
fj
17.33
26.01.2022

Sex, 13:59

meu 
(talvez.último) voto
.
diga-se
antes que sejam lançados os votos

levados ao colo pela 'liberdade' 
da comunicação social privada

que eu nada tenho  a ver
com esta forma... de 
democracia
mui menos 
com esta vergonha... 
de 'eleições' em plena pandemia
.
pedem 
cuidados 
para ir votar
enquanto se movem 
em cardumes estupidificados...
atrás de 'líderes'
ir.risórios
.
só 
espero...
que a toda a esquerda
não tenha cumprido a vontade 
do presidente da 
república
(de 
direita!)
colocando
a toda a direita 
de novo do poder

sob 
o seu beneplácito... 

e a decisão do 
achega-te 
aqui
.
eu 
pela 
minha parte
votarei nos meus

apenas...
pela memória 
dos que... p'la verdadeira liberdade 
lutaram toda uma vida 

apenas...
para me sentir... 
de bem! comigo.e com a minha consciência

de comunista!

e
até ao fim...

pelo socialismo 
e pelo comunismo
.
fj

segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

Filipe Chinita - o imperialismo à beira de um novo crash

* Filipe Chinita

24/01/2022, 21:24

imperialismo 
à beira de um novo crash

ainda! 
mal fugido 
com o rabinho entre as pernas... do atrasado afeganistão

já enviou... novas! armas de guerra para a fronteira da ucrânia
.
(que belo! é o negócio! para a grande frontão privado armamentista da bacoca pátria... 
dita da liberdade...

como podem!?)
.
diz-se... 
que já se prepara... 
para enviar nova carne (do seu povo) para canhão 
.
tudo 
em nome da 'liberdade' de ter armas nucleares 
apontadas à rússia... na sua.própria fonteira...
.
cousa 
que claro! nunca quis... em cuba

nem tem! nem permite!
em nenhum outro país... que lhe faça fronteira!
.
porque eles... 
nem os mexicanos deixam entrar
no seu... bem mais longo... 'muro de berlim'

quão mais... as armas nucleares...

que eles.próprios
despejaram
sobre 
nagazaqui e hiroschima...

sem necessidade 
outra

que 
o prazer... sádico! 
de dizimar... milhões de vidas.inocentes...
que 
lançar o medo... 
sobre os povos do inteiro mundo

em particular 
sobre 'os países da cortina de ferro'

pois que nós... por cá! 
'ocidente'

abençoado.s... 
pelo deus.dinheiro
do alienado.consumismo de tudo!

já tinhamos a 'cortina... nuclear'
___________________________________
abaixo! o negócio das armas.
viva a paz! na europa
e no mundo
.
fj
20.43
24.01.2022
26/01/2022, 13:20
Filipe
Filipe Chinita
ou
de ti
e do.s outro.s
.
o teu problema...
é que não dás 
valor...

nenhum

nada! 
do tudo!
que te faço eu
.
infeliz.mente
é quasi.a mesma cousa
(o que se passa) no plano colectivo
.
não damos valor algum... ao tudo 
que da nossa vida individual 
demos e damos 
ao colectivo

que sempre!
amámos...
.
mesmo
quando
e
se
discordando
.
são 
sempre os outros 
que te estão em dívida

e nunca tu.indivíduo
ou tu.colectivo

ao cada.um
outro

que
o
sustenta

material 
e ideal.mente
.
fj

Filipe Chinita . o que procuro

* Filipe Chinita 

21/01/2022, 13:17
o que procuro

a beleza
o belo
que há em cada ser humano
o belo e a feiura
e o como bastas vezes
se interpenetram
e um é afinal
o outro
o erotismo
o olhar.olhos nos olhos
o tecermo-nos.no enquanto (n)o outro tecemos
a fome.do corpo do outro
da 'alma'.do outro
a paixão
até ao fundo dos
fundos
o perdurável
amor
a revolução
o fim da fome e das injustiças
o fim da miséria e da miséria das mentalidades
a revolução
de um conjunto determinante de humanos
- ou de todos eles caso ainda! o apre(e)ndam em tempo útil -
capaz de (re)criar um planeta
de (novo) uno
uma nova relação
entre homem e natureza o homem e a natureza
o concreto humano e esta concreta natureza que hoje enfrentamos
fruto das muitas aleivosias/malfeitorias
que sobre ela já praticámos
procurando agora
evitar as catástrofes naturais
e antecipar na medida
do possível...
as medidas
a tomar
- só um mundo
só o vasto conjunto dos humanos
vivendo no comunismo
pode fazer
face
a tão gigantesca tarefa
cuidando do planeta
como se fora de todos
e de cada um e
não apenas
de alguns
cuidando do planeta
como se fora a nossa causa
e a nossa casa
comum
como de facto
é
frágil e única
como nós
e não!
como simples forma
de o explorar
explorando
em simultâneo a sua vida
as suas múltiplas riquezas colectivas
e os outros humanos (seres)
nossos iguais
pensando apenas
na ganância
do lucro
pensando apenas
em ser cada vez mais rico
ou mais conhecido
ou mais poderoso...
que os demais
explorando
os outros.humanos
sem os quais não há qualquer espécie de vida - privada -
qualquer hipótese de vida (em) comum –
nesta variegada natureza
neste belíssimo planeta
rolando sobre si mesmo
sem que nada... dele
extravase
este planeta.terra
esta natureza.mãe
de que somos (frágil) parte
e não senhores...
repito
.
o comunismo
será enfim
a vida!
o
início da vida
da sempre efémera vida
que só então poderá começar a ser vivida por inteiro
em inteira liberdade
por todos
e por cada um
de nós
seres vivos
vivos seres
quando
enfim formos seres
autenticamente livres e iguais
na nossa eminente
diferença
.
a vida
e a morte
que inapelável nos espera
um dia.numa hora.num instante
por vezes quando menos a esperamos
- dia a dia.instante a instante (assim) acontece -
numa esquina próxima
ou distante
a morte
que tudo determina
que tudo afinal determina
a vida de todos
e de cada
um
.
por isso
só em constante dádiva
de nós mesmos
em tudo
o que - individual e colectiva.mente -
empreendemos
deveríamos
viver
e
assim vivendo
só em comunismo deveríamos/poderíamos viver
para que retiremos de nós
retirando de todos
e de cada
um
- na máxima igualdade.de oportunidades -
as potencialidades
que nos afirmam
como seres
únicos
e
irrepetíveis
para que
preservemos o planeta
para que ele esgote
sem mais maléficas interferências humanas
todo o (seu) natural
ciclo de
vida
o nosso
.
quando um dia
aprendermos a lidar com o planeta
compreenderemos em simultâneo
que só com a lenta instauração do comunismo
em verdade o poderemos
fazer
.
ousemos salvaguardar o planeta/ousemos construir o comunismo
o mais rápido o mais consistente
o mais sustentadamente
que possamos
é.será
a mais humana das tarefas
que em vida
pode(re)mos empreender
façamo-la
então
essa construção.em união até ao céu
essa união.em construção até ao céu
.
os nossos únicos (humanos) limites
serão os do(s) próprio(s).humano(s)
e os do próprio
planeta
terra
.
fjc
julho 2010
o quasi 1º texto publicado no face
assim como quem define
propósitos

sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

Carolina Deslandes - Eco


#colors #carolinadeslandes #eco


* Carolina Deslandes


Silêncio, do silêncio eu faço um grito
E o corpo todo me dói
Deixai-me chorar um pouco

[Verso]
Não escrevas empatia se não queres saber
Olha p'rá Palestina e p'rás casas a arder
Olha p'rá Colômbia e p'ró apelo à liberdade
P'rá polícia, p'rá milícia, para a agressividade
E queres falar do quê?
Da loja que fechou, da festa que alguém cancelou
Da roupa que não compraste
E 'tás a falar do quê? Das amigas que não viste
Quando a tristeza insiste em pintar a cidade
Não te vale o hashtag se a alma é pequena
Não há cardinal que salve, nem clout que roube a cena
O sangue corre nas ruas, bombas que caiem do céu
De famílias como a tua que ninguém socorreu
Não me ouças, não me sigas, se tu não te importas
Eu vim p'ra abrir ao pontapé todas as portas
Vim p'ra falar de genocídio, de racismo ao microfone
Há quem se esconda no cinismo, eu meto a boca no trombone
E rezo a Deus, acendo a vela, e pergunto:
"Porque é que nos deste a Terra, se não governaste o mundo?"
"Porque é que nos deste a guerra e a vontade de querer tudo?"
"Porque é que quem sofre, berra, e quem governa, é surdo?"
Abraço os meus filhos esta noite, com firmeza
Agradeço a paz e a comida na mesa
E só penso em quem ficou sem nada
Na sopa dos pobres, na sopa da mágoa
Não escrevas empatia só para aparecer
Ser empático, é comparecer
É sofrer por ver alguém sofrer
É a ferida no corpo dum outro que insiste em doer
Que insiste em doer, que insiste em doer
Que insiste em doer

[Refrão]
Silêncio, do silêncio eu faço um grito
E o corpo todo me dói
Deixai-me chorar um pouco

Silêncio, do silêncio eu faço um grito
E o corpo todo me dói
Deixai-me chorar um pouco


Portuguese singer/songwriter @Carolina Deslandes delivers a velvety performance of her new single ‘Eco’ (produced by AGIR).

COLORSxSTUDIOS is a unique aesthetic music platform showcasing exceptional talent from around the globe. COLORS focuses on the most distinctive new artists and original sounds in an increasingly fragmented and saturated scene. All COLORS shows seek to provide clear, minimalistic stage that shines a spotlight on the artists, giving them the opportunity to present their music without distraction.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

Filipe Chinita - entre monte.mor.as vendas novas e lisboa

* Filipe Chinita

 entre
monte.mor.as vendas novas e lisboa
.
o partido
- e muito bem! - 
é que conta.
e não!
(só) 
nome 
de (um) qualquer quem
por 
mais alto que seja 
ou 
as.sim se julgue
aqui 
trata-se 
da política e do ser social
de 
um colectivo 'generoso' 
e in.comum!
de tudo!
em que todos os nomes 
deve(ria)m ter 
expressão
concreta
.
pois que 
o partido é feito 
de todos! e de cada um dos seus militantes
sem o que... nada mais! far(i)á sentido...
.
fj

00.22
16.01.2022
mas
pelos vistos 
a vida morte corpo e 'alma' dos comunistas
só serviu... para vos d(o)ar a liberdade... 
e a democracia... que nunca! 
devidamente... (volto 
a dizer!) lhes haveis 
agradecido
_____________________________________________________________
ficai de bem
com a vossa consciência
.
os comunistas 
esses... lutarão sempre! e até ao fim! - qualquer que ele seja -
pelos mais altos ideais... humanos.
de igualdade fraterna livre consciente responsável e solidária
entre todos os humanos
humanos!
______________________________________________________________
o partido de que falo
cujos ideais transcendem a vida a liberdade e a própria morte
só pode ser um:
o comunista
português

15:00
Filipe

 
não poder escrever e publicar
durante um mês! (eleitoral)
foi mesmo a última
machadada
que me poderiam
dar no ligeiro
fio
que ainda me 
prendia à 
vida
.
fj

13.58
20.01.2022

resta-me... 
apenas ir escor.regar 
ao sol e em ti.humano
(de caderno e lápis no bolso)
na mesma sábia... lentidão... que 
o caracol em seu rasto.de goma.s

quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

 


Manuela Vieira da Silva

O namoro de Fernando Pessoa e Ofélia. Belíssimo trabalho de Victor Barroso Nogueira!

«Só me dá vontade de enfiar pelo telefone e ir ter com o meu queridinho, mas está vedado o trânsito de "vespas" pelas linhas telefónicas...» Se fosse hoje com messenger e outras facilidades, como seria entre eles? Histórias de amor que não se repetem nem a poesia será a mesma. .
 
Conteúdo partilhado com: Público
Público
Uma delícia conhecer a ofélia ! Um encanto ... de pessoa e para mim ! Vale a pena ler até ao fim
🙂
~~~~~~~~~~~~~~~
CARTA XLI
Ex.ma Senhora D. Ofélia Queirós:
Um abjecto e miserável indivíduo chamado Fernando Pessoa, meu particular e querido amigo, encarregou-me de comunicar a V. Ex.a considerando que o estado mental dele o impede de comunicar qualquer coisa, mesmo a uma ervilha seca (exemplo da obediência e da disciplina) que V. Ex.a está proibida de:

(1) pesar menos gramas,
(2) comer pouco,
(3) não dormir nada,
(4) ter febre,
(5) pensar no indivíduo em questão.
Pela minha parte, e como íntimo e sincero amigo que sou do meliante de cuja comunicação (com sacrifício) me encarrego, aconselho V. Ex.a a pegar na imagem mental, que acaso tenha formada do indivíduo cuja citação está estragando este papel razoavelmente branco, e deitar essa imagem mental na pia, por ser materialmente impossível dar esse justo Destino à entidade fingidamente humana a quem ele competiria, se houvesse justiça no mundo.
Cumprimenta V. Ex.a
Álvaro de Campos
eng. Naval
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
carta de Ofélia Queiroz a Álvaro Campos
Ex.mo Senhor Engenheiro Álvaro de Campos
Permita-me que discorde por completo com a primeira parte da sua carta, porque, nem posso consentir que Vª Exª trate o Ex.mo Sr. Fernando Pessoa, pessoa que muito prezo, por abjecto e miserável indivíduo nem compreendo que, sendo seu particular e querido amigo o possa tratar tão desprimosamente. Como vê estamos sempre em completa desarmonia, nem podia deixar de ser, pedindo-lhe por especial fineza, que não volte a escrever-me. Quanto às observações que me faz, como foram ditadas pelo Sr. Fernando Pessoa, farei quanto em mim caiba por lhe ser agradável. Agradeço o conselho que me dá, mas já que me puxa pela língua, deixe-me dizer-lhe que quem eu de boa vontade há muito tempo teria, não deitado na pia, mas debaixo dum comboio, era Vª Exª. Esperando não o tornar a ler, subscreve-se com respeito a 26-09-1929
Ofélia Queiroz
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CARTA 59
Meu querido amor
Que triste ideia teve em encarregar o Sr Engenheiro Álvaro de Campos de escrever-me? Ele afinal não é seu amigo, trata-o tão mal! E não sendo seu amigo também o não é meu, e não sendo meu amigo eu também não sou amiga dele, portanto não gosto dele, detesto-o pronto. Peço-lhe meu querido Fernandinho que não volte a encarregá-lo de me escrever, e que por fineza lhe entregue a minha carta, que por não saber a sua direcção junto à sua. Ele afinal só pretende desacreditá-lo, mas eu não o poupo, e decerto não me escreverá mais.
Agora outra coisa: Gosto tanto que me telefone à noite! Já que nos não podemos ver, ao menos sempre é mais agradável falar assim um pouco mais intimamente. Só me dá vontade de enfiar pelo telefone e ir ter com o meu queridinho, mas está vedado o trânsito de "vespas" pelas linhas telefónicas... Que grande me vai parecer a noite de hoje e parte do dia de amanhã. Quase que fazia oito dias sem o ver. O Fernandinho não lhe custa estar tantos dias sem ver a sua Ofelinha? Gosta muito dela, gosta[,] amor? Então seu maroto, eu na minha carta d'hoje mostrava um princípio de afeição? Só princípio? E acho-me eu exigente mas ainda bem que também o é, entender-nos-emos assim melhor, porque sentimos da mesma forma, não é Fernandinho? Mas não me disse se lhe agrado para sua mulherzinha. Se lhe agrado Fernandinho? Se lhe agrado, e agradando-me o meu querido amor tanto para maridinho (parecia-me um sonho eu um dia vir a tratá-lo assim) não retardemos uma felicidade tão grande e tão desejada, pelo menos da minha parte. Mas estou convencida que Fernandinho, também há-de gostar muito de ter um dia o seu lar, com uma mulherzinha muito ao seu gosto e que torne o lar alegre e o Fernandinho feliz. Diga-me, não são estes os seus desejos? A não ser que não seja eu a mulherzinha (porque eu não chego a ser mulher) muito a seu gosto...
A mim encanta-me só a ideia de o vir a ser, de viver consigo uma vida inteira, sempre muito amigos e carinhosos! Mas não receberei de boa vontade na nossa casinha o tal Senhor Engenheiro, isso não. Sobre o assunto do meu encontro, escreveria muito, mas receio maçá-lo. Só lhe digo que tenho ânsia de ser sua esposa, e o Fernandinho, não tem, de ser meu esposo? Se gostar tanto de mim como eu de si, tem a mesma.
É isto que me tira o sono! Fica agora sabendo?
Adeus, meu amor, eu não lhe roubo mais tempo com as minhas cartas sempre tão mal redigidas, mas o Fernandinho já me conhece, em deixando escrito o que sinto é o principal, não é? Góta de mim? Góta munto? Góte chim?
Manda-lhe muitos beijinhos a sempre muito sua
Ofélia
26-9-929
Cartas De Amor
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Caixa Postal 147
(Acróstico de Fernando Pessoa dedicado a OPHÉLIA)
Onde é que a maldade mora
Poucos sabem onde é
Há maneira de o saber
É em quem quando diz que chora
Leva a rir e a responder
Indo em crueldade até
A gente não a entender
Nota: Relato da Exma Senhora Dona Ophélia Queiroz, destinatária destas Cartas de Fernando Pessoa, recolhido e estruturado por sua sobrinha-neta Maria da Graça Queiroz.
Um dia faltou a luz no escritório. O Freitas não estava e o Osório, o «grumete», tinha saído a fazer um recado. O Fernando foi buscar um candeeiro de petróleo, acendeu-o e pô-lo em cima da minha secretária.
Um pouco antes da hora de saída, atirou-me um bilhetezinho para cima da secretária, que dizia: «Peço-lhe que fique». Eu fiquei, na expectativa. Nessa altura já eu me tinha apercebido do interesse do Fernando por mim, e eu confesso, também lhe achava uma certa graça…
Lembro-me que estava em pé, a vestir o casaco, quando ele entrou no meu gabinete. Sentou-se na minha cadeira, pousou o candeeiro que trazia na mão e, virado para mim, começou de repente a declarar-se, como Hamlet se declarou a Ofélia: «Ó, querida Ofélia! Meço mal os meus versos; careço de arte para medir os meus suspiros; mas amo-te em extremo. Oh! até do último extremo, acredita!»
Fiquei pertubadíssima, como é natural, e, sem saber o que havia de dizer, acabei de vestir o casaco e despedi-me precipitadamente. O Fernando levantou-se, com o candeeiro na mão, para me acompanhar até à porta. Mas, de repente, pousou-o sobre a divisória da parede; sem eu esperar, agarrou-me pela cintura, abraçou-me e, sem dizer uma palavra, beijou-me, beijou-me apaixonadamente, como louco.
Surgem assim os primeiros versos que me dedicou; versos que infelizmente depois me desapareceram, mas que nunca esqueci:
Fiquei louco, fiquei tonto,
Meus beijos foram sem conto,
Apartei-a contra mim,
Enlacei-a nos meus braços,
Embriaguei-me de abraços,
Fiquei louco e foi assim.
Dá-me beijos, dá-me tantos
Que enleado em teus encantos,
Preso nos abraços teus,
Eu não sinta a própria alma, ave perdida
No azul-amor dos teus céus.
Boquinha dos meus amores,
Lindinha como as flores,
Minha boneca que tem
Bracinhos para enlaçar-me
E tantos beijos p’ra dar-me
Quantos eu lhes dou também.
Botão de rosa menina,
Carinhosa, pequenina,
Corpinho de tentação,
Vem morar na minha vida,
Dá em ti terna guarida
Ao meu pobre coração.
Não descanso, não projecto,
Nada certo e sempre inquieto
Quando te não vejo, amor,
Por te beijar e não beijo,
Por não me encher o desejo
Mesmo o meu beijo maior.
Ai que tortura, que fogo,
Se estou perto d’ela é logo
Uma névoa em meu olhar,
Uma núvem em minha alma,
Perdida de toda a calma,
E eu sem a poder achar.
Fui para casa, comprometida e confusa. Passaram-se dias e como o Fernando parecia ignorar o que se havia passado entre nós, resolvi eu escrever uma carta, pedindo-lhe uma explicação. É o que dá origem à sua primeira carta-resposta, datada de 1 de Março de 1920.
Assim começámos o «namoro».
Confira a primeira carta de Fernando Pessoa para Ophélia Queiroz, clique aqui.
Carta - 01/03/1920
Ophéliazinha:
Para me mostrar o seu desprezo, ou pelo menos, a sua indiferença real, não era preciso o disfarce transparente de um discurso tão comprido, nem da serie de «razões» tão pouco sinceras como convincentes, que me escreveu. Bastava dizer-m’o. Assim, entendo da mesma maneira, mas doe-me mais.
Se prefere a mim o rapaz que namora, e de quem naturalmente gosta muito, como lhe posso eu levar isso a mal? A Opheliazinha pode preferir quem quiser: não tem obrigação - creio eu - de amar-me, nem, realmente necessidade (a não ser que queira divertir-se) de fingir que me ama.
Quem ama verdadeiramente não escreve cartas que parecem requerimentos de advogado. O amor não estuda tanto as cousas, nem trata os outros como réus que é preciso «entalar».
Porque não é franca comigo? Que empenho tem em fazer sofrer quem não lhe fez mal - nem a si, nem a ninguém-, e quem tem por peso e dor bastante a própria vida isolada e triste, e não precisa de que lh’a venham acrescentar creando-lhe esperanças falsas, mostrando-lhe afeições fingidas e isto sem que se perceba com que interesse, mesmo de divertimento, ou com que proveito, mesmo de troça.
Reconheço que tudo isto é cômico, e que a parte mais cômica d’isto tudo sou eu.
Eu-proprio acharia graça, se não a amasse tanto, e se tivesse tempo para pensar em outra cousa que não fosse não fosse no sofrimento que tem prazer em causar-me sem que eu, a não ser por amá-la, o tenha merecido, e creio bem que amá-la não é razão bastante para o merecer. Enfim…
Ahi fica o «documento escrito» que me pede. Reconhece a minha assinatura o tabelião Eugenio Silva.
01/03/1920
Fernando Pessoa