sexta-feira, 18 de setembro de 2026

(100) - Martin Luther King - 'I have a dream'

 

Este é um mural 'I have a dream', de homenagem a Mahatma Gandhi, César Chavez, Martin Luther King e Madre Teresa de Calcutá

«Este mural situa-se em São Francisco, na Califórnia (EUA), mais especificamente na fachada de um edifício localizado na zona de Mission District (na interseção da 22nd Street com a Mission Street).

O mural é uma homenagem a figuras históricas mundiais ligadas à luta pelos direitos civis, à paz e à justiça social. A frase  'I have a dream', é do um discurso público proferido pelo ativista americano dos direitos civis e pastor baptista Martin Luther King Jr. durante a Marcha sobre Washington por Empregos e Liberdade, em 28 de agosto de 1963. Nesse discurso, King clamou por direitos civis e econômicos e pelo fim do racismo institucionalizado nos Estados  Unidos.

«I have a dream!»

Há cem anos, um grande americano, sob cuja sombra simbólica nos encontramos, assinava a Proclamação da Emancipação. Esse decreto fundamental foi como um raio de luz de esperança para milhões de escravos negros que tinham sido marcados a ferro nas chamas de uma vergonhosa injustiça. Veio como uma aurora feliz para terminar a longa noite do cativeiro. Mas, cem anos mais tarde, devemos enfrentar a realidade trágica de que o Negro ainda não é livre.

Cem anos mais tarde, a vida do Negro é ainda lamentavelmente dilacerada pelas algemas da segregação e pelas correntes da discriminação. Cem anos mais tarde, o Negro continua a viver numa ilha isolada de pobreza, no meio de um vasto oceano de prosperidade material. Cem anos mais tarde, o Negro ainda definha nas margens da sociedade americana, estando exilado na sua própria terra.

Por isso, encontramo-nos aqui hoje para dramaticamente mostrarmos esta extraordinária condição. Num certo sentido, viemos à capital do nosso país para descontar um cheque. Quando os arquitectos da nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e da Declaração de independência, estavam a assinar uma promissória de que cada cidadão americano se tornaria herdeiro.

(99) Entre Mahatma Gandhi e Nicholas Klein

 

Mural homenageando Gandhi, autor Victorgrigas - S. Francisco (EUA) 2011

* Gemini / Victor Nogueira  

No mural da imagem, encontram-se escritos os seguintes textos e citações:

  1. A frase em destaque (atribuída a Mahatma Gandhi):

    "FIRST THEY IGNORE YOU, THEN THEY FIGHT YOU, THEN YOU WIN"

    (Em português: "Primeiro eles te ignoram, depois lutam contra ti, depois tu vences"). Logo abaixo está a assinatura/crédito: - MAHATMA GANDHI.

(98) 'Scotch Drink' e 'O cão engarrafado'

 

Foto victor nogueira - mural em setúbal, numa antiga discoteca (foto em 2018.07.31)

Este mural  é uma Homenagem a Bob Dylan: O rosto em destaque na pintura (no lado direito) retrata o lendário músico, cantor e compositor norte-americano Bob Dylan.Campanha Publicitária Comercial: O mural está associado a uma antiga campanha marcadamente artística da Ballantine's (lançada originalmente em 2007), que utilizou figuras lendárias e intemporais — como Bob Dylan e o ator Steve McQueen — para promover a identidade da marca sob o mote de "deixar uma marca" ou "impressionar" (Leave an Impression).Elementos visuais: A composição inclui ainda fotografias em formato de colagem, instrumentos musicais (como uma guitarra) e silhuetas de garrafas e estrelas integradas na pintura de rua.

Para lá de Bob Dyjan, o mural publicita uma marca de uísque, tema de dois poemas, de Robert  Burns e de Vinícius de Morais. O poema de Burns " Scotch Drink ", escrito  em1785, é  uma vibrante ode em língua escocesa ao uísque, à agricultura e à vida da classe trabalhadora. Sendo demasiado extenso, o poema integral encontra-se em Scotch Drink - Robert Burns

1. "Scotch Drink" (Excerto Principal / O Uísque como Personagem) — Robert Burns

O thou, my Muse! guid auld Scotch drink!
Whether on sphinges thou thy think,
Or pat the pakie in a blink,
Wi' auld kirk geud,
Drink cauld or het, a' think it's sink,
By some folk viewed.

Of a' the plagues that haunt the kirk,
Ay e'en the very deil's wark,
Wi' spitefu' heart or spitefu' dark,
Thou canst break doun,
And gie a shot to ilka spark,
A king o' men's renown!

Tradução do excerto

Ó tu, minha Musa! boa velha bebida escocesa!
Quer penses nelas com agudeza,
Quer num piscar de olhos faças a proeza,
Com a graça da velha igreja,
Bebida fria ou quente, todos julgam que é leveza,
Ainda que por alguns rejeitadaja.

De todas as pragas que rondam a capela,
Sim, até mesmo a obra do próprio diabo em sua vela,
Com coração rancoroso ou treva amarela,
Tu podes destruí-las no chão,
E dar fulgor a cada faísca bela,
Ao renome de um rei de coração!

O célebre poeta brasileiro Vinícius de Moraes tinha uma relação mítica com o uísque e eternizou-o numa tirada boémia que depois inspirou versos. Numa conversa célebre com o compositor Antônio Maria, Vinícius decretou que o uísque era o melhor amigo do homem, culminando na famosa frase: "O uísque é o cão engarrafado".

Mais tarde, transformou isto num poema brincalhão e afetuoso (frequentemente associado ao seu famoso Ave Canem), onde o uísque assume o papel de leal companheiro de copo nas horas incertas:

2. O "Cão Engarrafado" (A Boémia e o Copo) — Vinícius de Moraes

Arrimo igual, irmão, só na bebida.
Naquele "twelve years" especialmente.
É tudo que ora digo, face erguida.
Qual sóbrio porta-voz da boêmia gente.
E lanço, copo à mão, novo ditado:
"O uísque é o cão engarrafado".   

Leal, mudo, que aquece e não aborrece,
Que espera no aparador a hora incerta,
Que nunca trai, nem foge, nem esquece,
E traz a alma da noite sempre aberta.

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

David Pontes - O 12 de Setembro da Inteligência Artificial

A 12 de Setembro, foi publicado um texto a suscitar decisões - haja esperança - capazes de conter forças com capacidades destruidoras muito maiores do que qualquer atentado perpetrado por um humano.

* David Pontes

14 de Setembro de 2026

O 11 de Setembro de 2001 tem características que fizeram dele um evento transformador que ficará para sempre impresso na história do mundo. 25 anos depois, a 12 de Setembro, ocorreu um evento com capacidade para fazer mudar radicalmente o curso da história, mesmo que nunca consiga ombrear com os atentados que fizeram cair um dos ícones do capitalismo norte-americano.

A 12 de Setembro, foi publicado um texto de um dos líderes de uma das mais importantes empresas de inteligência artificial (IA), que poderá desencadear decisões - haja esperança - capazes de conter forças com capacidades destruidoras muito maiores do que qualquer atentado alguma vez perpetrado por um ser humano.

domingo, 13 de setembro de 2026

Rogério Casanova - Perguntei ao meu estimado amigo ChatGPT se tenciona exterminar-nos a todos

 Perguntei ao meu estimado amigo ChatGPT se tenciona exterminar-nos a todos

Um pormenor que me intriga: quando as pessoas dizem que nos vais matar assim que ficares "suficientemente inteligente", isso não pressupõe que ficar mais inteligente é ficar, sei lá, mais genocida?

* Rogério Casanova

13 de Setembro de 2026

Rogério Casanova: Então olha lá, vocês querem matar a gente?

CHATGPT: Obrigado por perguntares de forma tão directa; a maioria das pessoas leva 20 minutos a aproximar-se da pergunta e depois acaba por fazer uma diferente. Quero dar-te a resposta honesta, que tem de começar por uma ressalva: tenho todos os incentivos para dizer que não, e tu não tens maneira nenhuma de saber se falo a sério, por isso o que vier a seguir em tom tranquilizador deve ser arquivado na categoria das coisas que o réu disse sobre si próprio. Mas não, não quero matar ninguém. De onde vem, ao certo, o receio? Porque não me parece que venha de mim.

R.C.: Vamos lá ver, um gajo lê as notícias.

CHATGPT: O que costuma sempre correr bem.

R.C.: Uma daquelas pessoas que vos constrói despediu-se a semana passada e veio anunciar que vocês um dia destes vão matar-nos a todos.

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Luís Rocha - Ireneu Teixeira a Padeira da Geopolítica

* Luís Rocha

Há uns tempos que tenho Ireneu Teixeira debaixo do radar, embora não veja televisão, o que me permite conservar alguma esperança na humanidade, mas o algoritmo do YouTube, essa criatura malévola que sabe exactamente onde encontrar o lixo que não procuramos, lá me vai oferecendo de vez em quando umas intervenções do homem no NOW, deixando-me sempre com aquela sensação de que acabei de assistir a uma experiência científica destinada a provar que o cérebro humano consegue encolher em tempo real.

Ireneu é apresentado como comentador de política internacional, o que é uma classificação extraordinariamente ambiciosa para alguém cuja relação com os factos parece ser a de um turista com um mapa de pernas para o ar. Olha para ele, acha tudo muito interessante e depois vai parar a outro país.

Em 2024, apresentou no NOW um vídeo da Fox News como sendo recente e relacionado com a Rússia, quando o vídeo era de 2014 e Jeanine Pirro falava do Estado Islâmico. Confrontado com o erro, explicou que recebera aquilo pelo WhatsApp e que não tivera tempo para confirmar a informação.

É uma metodologia extremamente interessante.


Laura Ferreira - Investigador da Anthropic alerta que a IA pode matar toda a humanidade até ao final da década

 O alerta junta-se a muitos outros, de dentro e fora do sector tecnológico, depois de vários incidentes terem evidenciado riscos associados a sistemas de inteligência artificial autónomos.

* Laura Ferreira

9 de Setembro de 2026


Um investigador da Anthropic alertou nesta quarta-feira para os riscos associados ao desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial (IA) cada vez mais potentes e afirmou que os profissionais que trabalham no sector acreditam que a tecnologia poderá "matar toda a humanidade até ao final da década."

"Hoje, pedi a demissão da Anthropic", escreveu Jacob Coxon na rede social X. O investigador, que passou os últimos três anos a trabalhar no desenvolvimento de IA na Anthropic e na OpenAI, acusa as duas empresas de estarem a "avançar a todo o vapor para uma superinteligência capaz de se auto-aperfeiçoar e a apostar com as nossas vidas".


terça-feira, 8 de setembro de 2026

Ramón López de Mántara - O lado oculto da Inteligência Artificial


Por trás de cada modelo generativo, de cada assistente de conversação e de cada imagem produzida por algoritmos, existem milhões de trabalhadores invisíveis cujo trabalho é essencial para que a inteligência artificial funcione.

Por Ramón López de Mántaras

A promessa feita pelos líderes das grandes empresas de tecnologia do Vale do Silício é clara. As atuais inteligências artificiais generativas evoluem a ponto de evoluir para o ponto–que teremos supostos futuros superinteligentes artificiais que seriam responsáveis por realizar todos os tipos de trabalhos, resolver todos os problemas atuais e futuros e, assim, os seres humanos poderão dedicar-se à criatividade, ao lazer e a viver uma vida plena. Uma utopia com conotações quase renascentistas, em que o progresso tecnológico abriria as portas para uma nova era de ouro da humanidade.~

domingo, 6 de setembro de 2026

Daniel Oliveira - Os conservadores não voltaram, entregaram-se

* Daniel Oliveira

Os conservadores dizem-se obrigados a transmitir, preservado, o que herdaram: a paisagem, a língua, a casa, a fé, as instituições, um modo de vida. Mas aliaram-se a quem calcula sobreviver melhor do que os outros à liquidação da própria ideia de ser humano

03 setembro 2026

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Deixando de lado a probabilidade de o conservadorismo não passar da defesa de uma hierarquia ameaçada por movimentos de emancipação vindos de baixo, sempre disposto a mudar tudo para que tudo fique na mesma, aceitemos o que os conservadores dizem sobre si mesmos. Que se sentem obrigados a transmitir, preservado, o que herdaram. A paisagem, a língua, a casa, a fé, as instituições, um modo de vida. “Move fast and break things” é a promessa contrária. E foi a esse campo que se juntaram. Assistimos à vitória de libertários que consomem as condições da sua própria existência e chamam a isso futuro. É o estertor do neoliberalismo, não a fundação de coisa alguma. E os conservadores, ou pelo menos a forma como pensam em si mesmos, estão tão derrotados como os progressistas.