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terça-feira, 18 de agosto de 2026

Manuel Loff - Cem anos a “justificar” o 28 de Maio

 * Manuel Loff

18 de Agosto de 2026

A Grande Guerra trouxera consigo, um pouco por toda a Europa mas sobretudo entre nós, a permanente irrupção dos militares e o sistemático uso da violência na vida política.

Há cem anos, o regime liberal português, que, com intermitências, havia durado mais de um século desde a Revolução de 1820, foi um dos primeiros na Europa a ceder perante a vaga autoritária fascizante do pós-I Guerra Mundial. A participação de Portugal na Grande Guerra acelerou, como ocorria por toda a Europa, o processo de crise do sistema liberal, de que a República do 5 de Outubro foi, no nosso país, a última etapa.

O rol de consequências que da guerra decorreram (cem mil jovens enviados para a guerra, racionamento, requisições forçadas, censura e supressão de liberdades, repressão da contestação social), coincidindo no seu ano final com a pandemia da gripe pneumónica, exasperara inevitavelmente a grande maioria da sociedade. Dela foram sintomas os levantamentos da fome e os assaltos aos armazéns e às lojas de víveres, as greves que os sindicatos convocaram contra Afonso Costa (1917) e Sidónio Pais (1918), ou a remobilização religiosa em torno das chamadas “aparições” de Fátima (maio-outubro de 1917).