sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Biblioteca Nacional vai lançar as suas edições em "ebook"

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Online



É possível alugar e comprar as edições da BNP em formato que pode ser lido em sistemas operativos Apple, Android e Windows

Texto de Lusa • 25/01/2012 - 19:44




  

A Biblioteca Nacional de Portugal acaba de lançar em formato "ebook" as suas edições, que podem ser alugadas ou compradas numa plataforma específica associada à sua livraria online, criada em Agosto de 2010.

"A entrada da Biblioteca Nacional de Portugal (BNP) no mercado de 'ebooks' realiza-se com uma inovação: o aluguer de obras ao preço fixo de um euro por cinco dias. Em alternativa, o acervo digital pode ser adquirido com licença perpétua e a preços de venda 50 por cento inferiores aos praticados na versão impressa”, refere a Marka, empresa responsável pela gestão da nova plataforma, em comunicado enviado esta quarta-feira à Lusa.

Nesta plataforma, é possível alugar e comprar as edições da BNP em formato que pode ser lido em sistemas operativos Apple (iPad, iPhone e iPod Touch), Android e      Windows.

Incubadora em Aveiro 
Também em comunicado enviado à Lusa, a Biblioteca Nacional indica: “Para a BNP, a adopção desta nova tecnologia corresponde a uma estratégia de modernização da sua função enquanto editor à qual não é alheio o objectivo, actualmente essencial, de internacionalização em todas as suas vertentes de actividade o que, no caso das edições, é altamente potenciado pelo formato 'ebook'”.

Trata-se de uma plataforma totalmente desenvolvida em Portugal, nos últimos três anos e meio, e representa um investimento de 850 mil euros, revelou a Marka, um agregador nacional, que é o terceiro maior a nível europeu em volume de conteúdos que coloca no mercado.

A empresa proprietária da nova plataforma utilizada pela BNP sublinhou ainda que “a solução de gestão de bibliotecas digitais foi criada exclusivamente com recurso a engenheiros formados nas universidades portuguesas, com especial destaque para a incubadora da Universidade de Aveiro”.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Livraria Sá da Costa à venda por 175 mil euros em 2010







RUAS DE LISBOA COM ALGUMA HISTÓRIA





Rua Garrett, 100 e 102 - (2005) Foto Cristina Garcia (Livraria Sé da Costa) in cristinagarcia.no.sapo.pt
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Rua Garrett - (1913) Foto Alberto Carlos Lima (Interior da Livraria Sá da Costa na época) i
n almanaquerepublicano




Cinco meses depois, Sá da Costa à venda pelo triplo do preço


14 de Março, 2011
Cinco meses depois de ter estado à venda por 175 mil euros, a Livraria Sá da Costa inaugurada há 68 anos na Rua Garrett, em Lisboa, volta à praça por 415.498 euros.Em Outubro de 2010, a Livraria Sá da Costa foi posta à venda, sem sucesso, no Portal das Finanças com uma base de licitação de 175 mil euros e agora o tribunal decretou a venda judicial pelo mínimo de 415 498 euros, mediante proposta em carta fechada.
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As propostas podem ser entregues até às 15h de sexta-feira, após o que serão abertas, lê-se no anúncio publicado após a decisão judicial que decretou a venda da livraria, precisou hoje à Lusa fonte da leiloeira.
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De acordo com o anúncio, o que está a ser leiloado é o direito ao trespasse e arrendamento do estabelecimento, composto por cave e loja e do qual fazem parte todos os armários /prateleiras existentes em todas as paredes do rés-do-chão do estabelecimento e que cobrem toda a sua extensão.
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Ainda de acordo com o anúncio, que menciona como valor actual de renda 179 euros, o proprietário do imóvel será ouvido quanto ao direito legal de preferência.
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Segundo um funcionário da Sá e Costa, a livraria mantém apenas dois empregados, que já terão pedido a suspensão dos contratos de trabalho para poderem beneficiar de apoio da segurança social.
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A gestão da Livraria Sá da Costa – fundada em 1913 e a funcionar na Rua Garrett desde 1943 – era assegurada desde 2008 pela Fundação Agostinho Fernandes (FAF), de Dinis e Sérgio Nazareth Fernandes, netos de Agostinho Fernandes, fundador das conservas Algarve Explorador e da Portugália Editora (1942).


 


Livraria Sá da Costa à venda 

por 175 mil euros


19.10.2010 - 11:00 Por Lusa


A livraria Sá da Costa, em Lisboa, está à venda por uma licitação base de 175 mil euros, em carta fechada, até 8 de Novembro, informa o Portal das Finanças


A venda deste estabelecimento comercial inclui “as respetivas licenças, alvarás e demais elementos que o constituem, designadamente o respetivo arrendamento e trespasse”, lê-se no Portal das Finanças. 

“Do estabelecimento fazem parte todos os armários/prateleiras, existentes em todas as paredes do r/ch [rés do chão] do estabelecimento e que cobrem as mesmas em toda a sua extensão”, acrescenta a nota. 

As propostas de compra serão aceites até às 11H00 de 8 de Novembro deste ano e serão abertas em Lisboa às 11h30 do mesmo dia. 


 

Reabertura da Livraria Bucholz


Random header image... Refresh for more!Liquidação total da livraria Buchholz

buchholz
Sob a designação de “Livros Únicos s Preços Únicos”, a partir do próximo dia 1 de Dezembro, na extinta Livraria Buchholz, também conhecida como Livraria Alemã, vai-se realizar uma Liquidação Total dos stocks existentes na loja.
Esta iniciativa constitui uma oportunidade única para encontrar livros únicos que são verdadeiras raridades, a preços imbatíveis. A oferta é constituída por uma enorme diversidade (dezenas de milhares de livros), destacando-se em particular o stock de livros estrangeiros a preços únicos de liquidação. Os livros estarão à venda a partir de 1€.
Esta acção irá decorrer durante o mês de Dezembro, de 2ª feira a Domingo, das 10h00 às 20h00, nas antigas instalações da Livraria Buchholz, junto ao Marquês de Pombal, na Rua Duque de Palmela nº 4 em Lisboa.

24 nov. 2009
Lisboa

Livraria Buchholz reabre quinta-feira

05.04.2010 - 12:43 Por Lusa

A Livraria Buchholz, em Lisboa
A Livraria Buchholz, em Lisboa (Rui Gaudêncio)
A Livraria Buchholz, em Lisboa, reabre ao público na próxima quinta-feira pelas 18h00, no âmbito do acordo firmado entre a Coimbra Editora Livrarias (CE) e o grupo LeYa.

A reabertura da livraria é assinalada com um concerto de jazz com Maria Viana acompanhada pelo pianista Júlio Resende.

Este é um primeiro evento de uma programação que está em preparação, disse à Lusa fonte do Grupo LeYa.

“Há um intenso programa cultural em preparação, que preencherá os próximos meses”, disse. “Na sexta-feira à tarde haverá uma conversa entre a Paulina Chiziane, autora moçambicana, e a poetisa Maria Teresa Horta”, adiantou a mesma fonte.

Conversas entre escritores, lançamentos de livros e concertos, são algumas das iniciativas a realizar na livraria localizada na rua Duque de Palmela, ao Marquês de Pombal.

“O regresso da Buchholz ao roteiro de livrarias nacionais será assinalado por várias surpresas para os visitantes, nomeadamente através da oferta, no evento de reabertura, de descontos na compra de livros”, lê-se num comunicado da LeYa.

O Grupo Leya e a Coimbra Editora (CE-Livrarias) estabeleceram um acordo em finais de marco com vista a “dinamizar” uma rede de 17 livrarias, das quais uma online, da CE.

O acordo firmado, segundo um comunicado emitido na altura, permitirá a disponibilização dos catálogos de edições gerais da Leya e “a promoção de acontecimentos culturais em torno dos seus livros e dos seus autores”.

José Pacheco Pereira ~ O fim das livrarias



-O fim das livrarias

José Pacheco Pereira  18-02-2012


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A livraria tradicional caminha para uma dimensão de "culto" e isso permite algumas pequenas livrarias de "autor"




O fim anunciado da Livraria Portugal, a decadência penosa da Sá da Costa, o fim da Buchholz, assim como de várias livrarias na província, ou de pequenas livrarias temáticas em Lisboa, mostra a dimensão de uma crise que afecta directamente o livro, mas, mais ainda, aquilo que se pode chamar o "mundo dos livros". A mesma decadência se nota em livrarias que ainda sobrevivem, cuja aproximação do fim um olho treinado percebe, como sejam as mudanças que pouco a pouco se percebem com a falta de renovação dos stocks, a invasão de títulos de "papel pintado" de uma só editora, a crise nas distribuidoras e modo como a consignação de livros é hoje feita, a caótica distribuição dos títulos, tudo isto mostra uma mudança que não é só provocada pela crise, ou pela concorrência das grandes superfícies como a Fnac, ou com as compras pela Internet. 



A livraria tradicional caminha para uma dimensão de "culto", e isso permite algumas pequenas livrarias, livrarias de "autor", se se quiser, livrarias especializadas, livrarias que combinam os livros novos com os antigos, que são dirigidas por livreiros no sentido nobre do termo, pessoas que conhecem muito bem os livros, os seus leitores-clientes, o modo como o mercado, mesmo neste nicho evolui, e que usam o seu know-how para sobreviver. Mas, enquanto antes este sector, que sempre existiu, era entendido como especializado e funcionando em complemento com as grandes livrarias generalistas clássicas, agora estamos perante um dualismo entre as livrarias de supermercado, ou as Fnac - que faça-se justiça não são livrarias de supermercado -, e os espaços de "culto" dos livros. A grande livraria clássica está a desaparecer.



Veja-se o caso da Livraria Portugal, localizada num espaço privilegiado, e cuja cobiça certamente lhe acelerou o fim, para além da perigosa proximidade com a Fnac do Chiado. A livraria existia há 70 anos, fundada em 1941 em plena Segunda Guerra Mundial. A data não é irrelevante, porque em 1941 era difícil ver-se o presente sem muito receio. Portugal podia a qualquer altura ser sugado para o conflito, e, se virmos o passado com os olhos de hoje, os livros deveriam parecer bem pouco necessários e importantes. Os três amigos que a fundaram, bibliófilos que mereciam este nome, tinham um programa simples: Levar a toda a parte e a cada um o livro necessário." A livraria cumpria-o pelos livros que oferecia, pela qualidade do seu serviço (os velhos empregados da livraria conheciam mesmo os livros), como pelo seu Boletim Bibliográfico, que não só divulgava as novidades como tinha artigos originais.



Conheço a livraria há cerca de 40 anos. Como em todas as livrarias que crescem connosco, obrigam a um trajecto próprio. Na Livraria Portugal, onde as mudanças sempre foram muito lentas, esse trajecto representava a apreensão do "corpo" e da identidade da livraria. As livrarias conhecem-se como as pessoas, e a única mudança substancial no meu trajecto interior foi ter deixado de ir ao andar de cima e ficar apenas pelo andar térreo. Mas o andar de cima era, já há muitos anos, único, porque a livraria tinha o exclusivo das publicações de uma série de instituições internacionais, a UNESCO, a OCDE, a ONU, e outras, que faziam do andar de cima uma livraria técnica muito especial. Mas o "meu andar" foi e é, até ao fim do mês de Fevereiro, o de baixo.



Entrava-se pela rua, depois de ver as montras, em particular a da direita e as vitrinas junto da porta, porque, como a livraria tinha muitos livros únicos, os que estavam expostos ou se viam à porta ou não existiam lá dentro. A primeira mesa à direita passava-a apenas com um olhar rápido: eram publicações de direito e algumas especializadas de arte, sem serem álbuns de mesa de chá. À direita - o meu trajecto fazia-se sempre pelo "corredor" da direita -, começava a animar-se, e a tornar o meu bolso mais leve, a partir da segunda mesa, onde havia uma série de publicações académicas que não se encontravam em nenhuma outra livraria. Depois havia uma terceira mesa com publicações de pequenos editores ou de autor, também sem paralelo noutras livrarias "generalistas". Começavam aí as compras. Depois fazia o mesmo corredor para trás, para a zona direita das mesas centrais. Aí, também, não sei por que mistério, apesar de estarem livros das grandes editoras, havia sempre alguma coisa de história ou política, que nunca tinha visto noutro sítio. É isso que torna uma livraria única: descobrem-se livros que nunca se viram, e essa é também a grande vantagem das livrarias. Pegar e folhear um livro, ler o índice, ou, para um incorrigível bibliógrafo, dar uma vista de olhos às referências e às citações. Com o actual panorama da distribuição, em que o "papel pintado" ocupa o espaço todo, encontrar livros diferentes "faz" uma livraria diferente. 



Chegado ao fundo, onde arrancavam as escadas para o andar de cima, havia uma pequena montra de revistas, que com o tempo foi tendo cada vez menos coisas, mas na qual a Seara Nova, a Política Operária e a revista de emigrados Latitudes permaneciam valentemente até ao fim. Era na Livraria Portugal que as comprava, com excepção da Política Operária que, depois de mudar de formato, passei a comprar na Letra Livre.



Estou agora a dirigir-me à porta, do outro lado do U. Aí havia uma outra banca única, com revistas em formato livro, monografias, estudos históricos, com um número significativo de livros estrangeiros, brasileiros, franceses e ingleses. Era também aí o único sítio em que passava para trás das mesas acedendo às estantes, porque os fundos especializados da livraria eram também únicos. História, geografia, genealogia, monografias locais, portuguesas e "ultramarinas", eram já uma sobrevivência do tempo em que a livraria servia de novidades os departamentos das universidades americanas, que usavam o Boletim Bibliográfico para as suas encomendas. Olhava para o lado esquerdo das mesas do meio, mas aí já era raro encontrar alguma coisa e passava por cima da última mesa que tinha livros médicos. Estava junto da caixa, e era aqui que normalmente conversava com quem trabalhava na livraria, gente, como já disse atrás, muita sabedora que conhecia o mundo dos livros como ninguém. Numa entrevista dada ao jornal i, quando se soube do encerramento, um deles disse: "Nunca tive outra vida senão esta."



Não foi por minha falta que a livraria fechou, sempre lá comprei muitos livros e mesmo já com a Fnac em vida, fiz sempre questão de passar pela Livraria Portugal antes de subir a rua e de lá ir comprar mais uns livros. Mas o fim da livraria estava já anunciado há muito tempo. Ainda o discuti com os seus empregados, chamando a atenção para que em Lisboa não havia (e não há) uma única livraria inglesa decente, e que isso oferecia um "nicho de mercado" que ninguém ocupava. Mas sabia, como sabiam os meus interlocutores, que para arrancar um projecto deste tipo era preciso investir muito dinheiro e ninguém o tinha. 



Vai pois acabar a Livraria Portugal e juntar-se às minhas memórias da velha Leitura no Porto, da Buchholz sob a férula alemã "não se pode mexerrr" e de mais alguns fantasmas. Eram livrarias de pessoas, feitas de pessoas e para as pessoas, em que os livros não eram instrumentais, mas eram um "mundo" em que todos participavam. Esse mundo está a desaparecer para o comum dos portugueses e a deslocar-se para os consumidores "de culto" ou para os consumidores de "papel pintado" e capas todas iguais, ou para aqueles que dizem que lêem no iPad e não lêem coisa nenhuma. 



Parte desta mudança é inevitável, e não é má em si porque para muita gente significa que vai continuar a ler: não faço parte dos nostálgicos do cheiro dos livros, nem das más livrarias, mesmo com cem anos. Mas das boas livrarias tenho pena que despareçam e prescindo que me dêem lições de mercado e da "destruição criativa" schumpeteriana. Não é isso que está em causa, mas aquilo que, num balanço geral, feito por qualquer Deus que veja tudo, significa mais pobreza, menos qualidade, mais deserto afectivo como os "likes" do Facebook, mais tijolos da moda, e menos livros que sejam livros na mão de quem os vende e na mão de quem os compra. 



Historiador



Historiador



Renascer!...


http://o-renascer.blogspot.com/2012/02/o-fim-das-livrarias.html

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Paul Dresse ~ D. Sebastião de Portugal, ou, O capitão de Deus





D. Sebastião de Portugal, ou, O capitão de Deus
drama em 5 actos e um epílogo
Paul Dresse ; tradução Luiza Neto Jorge.

Published 1988 by Edições Antígona in Lisboa .
Written in Portuguese.

Edition Notes


Translation of: Sebastien de Portugal, ou, Le capitaine de Dieu.

Other Titles
Dom Sebastião de Portugal, ou, O capitão de Deus., Capitão de Deus.

Fernando Namora ~ MARKETING




* Fernando Namora

Aqui a meu lado o bom cidadão
escolheu Sagres
que é tudo tudo cerveja
a pausa que refresca
a longa pausa de um longo cigarro King Size.
atenção ao marketing.
Eu não gosto de cerveja
mas tenho de gostar que os outros gostem de cerveja
sobretudo da Sagres
para não contrariar os fabricantes de cerveja.
atenção ao marketing.
ninguém contraria os fabricantes da Opel e da Super Silver
nem os fabricantes de alcatifas para panaceias
nem as panaceias nem os códigos e os édredons macios
nem as mensagens de natal dos estadistas
nem os negociantes de armas da Suíça
nem o homem da capa negra que virou costas ao Palmolive.
Está tudo perfeito e deito-me no conforto de um Lusospuma
a ver as procissões a passar mesmo sem anjos mesmo sem anjos
que são agora selvagens e voam numa Harley.
Deito-me e obedeço aos fabricantes do Clarim
que é uma alta onda ou uma onda alta
sem esquecer as fitas do John Wayne e a chama viva do Butagás
e se calhar sentir fome terei toda a frescura serrana
numa fatia de pão.
atenção ao marketing.
Vitonizo-me desodorizo-me atravesso as ruas nas passagens de peões
louvo quem me dizem para louvar e desconfio dos negros americanos
e dos blousons noirs que não usam Lux
e não compram um frigorífico a prestações
e com o meu escudo invisível
protejo-me dos vírus subversivos
sou um bom cidadão sou um bom cidadão
obedeço ao marketing à General Motors e ao Pentágono.
Dantes tinha problemas era o odor corporal
e eu não o sabia até me higienizar seis vezes ao dia com o sabonete das estrelas
e as paradas marciais e os 5-3 do Eusébio à Coreia
e o talco Cadum que ama demoradamente roucamente tepidamente
os corpos que merecem ser amados…
Obedeço ao marketing não contrario.
Ninguém contraria os fabricantes das ideias e os fabricantes do Fula
que é o da cor do sol
ninguém pisa os riscos brancos do tráfego
nem chama os bombeiros sem concorrer ao sorteio
concorro concorro e vejo nos sinaleiros o pai natal vestido de Scotchgard
ninguém sai do emprego antes de assinar o ponto a horas fixas
e gastar o dinheiro da semana sábado à tarde
no Dardo que é tudo a prestações e é mesmo em frente da Música no Coração.
Fazendo Portugal mais alegre com o folclore da TV e a tinta Robbialac
não contrario obedeço obedeço e meto os meninos na cama
quando me dizem vamos dormir.
atenção ao marketing.
Sagres é uma boa cerveja
e eu acabarei por gostar da Sagres
como gosto do Rexina.
Sagres é a pausa que refresca e tem vitaminas
todas as bebidas da televisão têm vitaminas
mesmo as do programa literário que é detergente
e eu uso-as e sou um cidadão perfeito
e até já consigo adormecer com hipnóticos
depois de tomar o Tofa descafeinado
e no Verão visto calções de banho de fibras sintéticas
para me banhar na Torralta
cidadão perfeito perfeitamente bronzeado com o Ambre Solaire.
Também vou arear as caçarolas e os nervos e os miolos
com um pó azul de que não me lembra o nome
não me lembra mas a culpa já não é minha
porque na mesma noite
massajado com Aqua Velva
fiz a barba com Gillette e Schick e Nacet
e fui não sei aonde com a mesma lâmina
e oito dias depois (eu era actor ou toureiro?)
a lâmina ainda me escanhoou mais uma barba
antes de eu descer no aeroporto
onde me esperava um agente de marketing.
Os produtores viram-se à descida do avião
primeiro julgaram que era o filho da Sophia Loren
ou o Onassis mas era eu
e gostaram da minha barba bem feita.
(Da barba bem feita
ou do casaco Dralon que não se amarrotara
durante a viagem da Polinésia para Lisboa?)
Confesso que já não me lembra mas a culpa não é minha
pois na mesma noite
fui o homem de não sei quê que marca o rumo
por vestir regras ou camisas ou calças que não se enrugam
e fartei-me de assistir a discursos e a inaugurações
e fartei-me de comer chocolates Regina e pescada congelada
e de lavar a roupa com Ajax e com o Rino
e de me banhar com Omo ou seja uma onda de brancura
e fiz-me mecânico de automóveis
só para que o cavaleiro da armadura branca
me tocasse com a sua lança mágica
e me pusesse branco branco branco
três vezes branco como as páginas do Reader's
de cérebro irrepreensivelmente lexivizado
pelos locutores da televisão pela oratória dos políticos
e passado a ferro com um ferro eléctrico automático
que talvez fosse — ou não? — uma enceradora Philips.
Tudo coisas admiráveis e desesperadamente necessárias
que eu devo ao marketing
e me são cozinhadas num abrir e fechar de olhos
nas panelas de pressão
de todo o bom cidadão.
E no intervalo bebi café puro o do gostinho especial
Sical Sical que é um luxo verdadeiro
por pouco dinheiro.
Vitonizado esterilizado comprando e concorrendo
esqueci-me de amar do amor das árvores e do rio
esqueci-me de mim tão entretido estava a admirar a Lisnave
esqueci-me do rio e dos barcos
e da saudade de pedra do Fernando Pessoa
e esqueci-me de sonhar que era marinheiro.
Concorra concorra foi por isso que não reparei
que uma rapariga cortou as veias
talvez fosse com uma Diplomatic
que tem o fio e o silvo de uma espada a degolar avestruzes.
No programa só havia bombeiros
nem uma rapariga a cortar as veias (não não era a Caprília)
nem o rio nem o amor nem a raiva da Venezuela.
Se mágoa sentia era a de ter esquecido
dar murros no espião da Missão Impossível
(atenção ao marketing)
e já não saí de casa para ver o rio
só pelo gosto de me aquecer com uma Ignis.
E na mesma noite noite boa noite branca
fumei Estoril Valetes Kayakes e bebi Compal
depois da Salus e da Schweppes
fumei quilómetros e quilómetros de prazer
quilómetros e mais quilómetros — há um Ford no meu futuro —
mais facturas mais fomes mais prazer
e agora já não sei qual dos cigarros com filtro
me soube melhor.
Foram todos foram todos de certeza
pois se me dizem que preciso do Omo
do Ajax do Estoril do Dralon
do esquentador e das alcatifas sem nódoas
não me preocupo não te preocupes
o Meraklon não preocupa ninguém
mando para o diabo o amor e o rio e a rapariga que cortou as veias
não me preocupo não me preocupo
digo pois pois ao Jota Pimenta e ao Escort
e hei-de virar-me do avesso para os possuir.
Os corpos que merecem ser amados merecem o talco Cadum.
Numa onda de brancura obedeço ao marketing. Sou um bom cidadão.
E na mesma noite
vi umas bombas que caíam muito ao longe
numa lonjura mais longe que a Lua
onde as pessoas podiam estar quietas a fumas Marialvas
e a lavarem-se com Rino que lava lava lava
lava três vezes mais lava ou mata que se farta
e me ajuda a ser bom cidadão.
atenção ao marketing.
Vi uns homens a inaugurarem estátuas
e vi fardas e paradas e conferências
e crianças a sorrir
para os homens sorridentes que inaguravam estátuas
e vi homens que falavam e pensavam por mim
a escolherem por mim o bom e o mau
de modo a que eu não possa ser tentado
a confundir o mau com o bom ou vice-versa ou vice-versa.
Deitado no conforto de um Lusospuma
vi os porcalhões dos hippies nas ruas de Estocolmo
bem longe nas ruas de Estocolmo
mesmo a pedirem uns safanões
dos homens que acariciam crianças
e têm todas as verdades na mão
só para que eu seja um bom cidadão.
É isto: marco o rumo. As minhas cuecas marcam o rumo.
Preciso e gosto de uma data de coisas
e só agora o sei.
Menos da Sagres. Mas acabarei por gostar.
Ninguém contraria o marketing por muito tempo.
Ninguém contraria os fabricantes de bem fazer
o bom cidadão.
E tudo graças ao marketing.


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[Fernando Namora, pois então]


Há mar e mar, há ir e voltar*

Janeiro 26, 2008
Disseram-me que este poema e as suas marcas, estão à beira de completar 40 anos. Será possível?

As referências publicitárias são dedicadas ao hmbf e ao JPT agora em novo endereço (via Ao (es)correr da pena).



4 comentários:

Kalinka disse...

Mano
a realidade é dura, crua, triste, insuportável por vezes e...tento fugir à minha maneira desta estúpida realidade. Não procuro saber, se calhar ler, ouvir, paciência, mas...procurar ESTÁ FORA DE QUESTÃO...
e, não tenho nada contra o teu blog nem contra ti mesmo, só que vir ler esta crua e dura realidade não me agrada, percebes?
Além do pouco tempo que tenho(e tu, neste momento não podes entender porque tens todo o tempo do Mundo) mas tens que tentar pôr-te no lugar de quem trabalha todo o dia e bem longe de casa, quantas e quantas vezes chego a casa pelas 20h 30m, para ainda ir tratar das coisas todas e termino de jantar pelas 22h 30m e tudo o resto leva-me a sentar ao computador perto da meia-noite (entende-me, por favor)...
Quando acreditares em mim, talvez já seja tarde...Mano.

Vai aparecendo, lê o kalinka e deixa sempre uma palavrinha de carinho, pode ser? Eu preciso.

Beijokas.
Kalinka disse...

Também FERNANDO NAMORA...

Muito bem, GOSTEI.

Beijitos.

NOTA: ainda estou no trabalho, pelas 18h vou ao meu tratamento que termina pelas 19h 15m e depois é que vou para a margem sul...como vês, não é fácil a minha vida.
carla granja disse...

olá! gostei do k li e me fez pensar k marketing têm de haver se não como é k eu vinha aki te dizer pa voltares ao meu paixoeseencantos? sem o marketing~
nem tu sabias k eu existia,he,he,he...
então volta pa leres o meu contraste.
bjos
carla granja
SOBE E DESCE disse...

Gosto de Fernando Namora.
Hoje só me apetece ver blogs.
Kalinka tem razão a realidade é dura.
Que sorte chegar a casa pelas 20,30!
Se chegasse às 21,30 era muito pior
Adeus